9 de jul. de 2012

Parabéns, São Paulo!


Hoje, 09 de julho, comemora-se o início da Revolução Constitucionalista de 1932, quando os paulistas pegaram em armas para defender a democracia brasileira contra os desmandos de Getúlio Vargas. Traídos por mineiros, gaúchos e mato-grossenses, São Paulo ficou sozinho nesta batalha e acabou militarmente derrotado, mas o ideal democrático permaneceu vivo e dois anos mais tarde, uma Assembleia Constituinte outorgou uma Constituição à Nação. Vitória dos paulistas. 

Parabéns, São Paulo, que mesmo sendo a locomotiva do Brasil e diferentemente de sulistas e nordestinos, jamais teve espírito separatista e pegou em armas para apartar-se do restante de seus irmãos brasileiros. Como está no dístico de nosso brasão: "Pro Brasilia Fiant Eximia", Pelo Brasil faça-se o melhor.

8 de jul. de 2012

Jesus é rejeitado em Nazaré


A Boa Notícia de Jesus Cristo

Marcos 6, 1-6

“Mas Jesus disse-lhes: um profeta só é desprezado na sua pátria. Entre seus parentes e na sua própria casa.” (Mc. 6, 4)

A História Sagrada demonstra o quanto o povo de Deus tendia ao pecado e se recusava a ouvir os profetas enviados por Deus. Desde o Antigo Testamento vemos a tentativa em converter o povo, chamado muitas vezes de “um povo de cabeça dura”. Jesus é mais do que um profeta, é o Filho de Deus que veio anunciar a Boa Nova do Reino, primeiramente ao povo escolhido, o Seu povo, os judeus. Mas, desde o princípio de Sua vida pública, Jesus foi rejeitado pela maioria. Não quiseram reconhecer Nele o Messias tão esperado para resgatá-los do pecado e da morte.

Jesus não inicia Seu ministério em Nazaré, cidade na qual vivia. Após Seu batismo, na Judeia, Jesus vai morar em Cafarnaum, onde começa a reunir Seus primeiros discípulos. Algum tempo depois, Jesus sobe a Nazaré, talvez para visitar Sua mãe, e em um dia de sábado, entra na sinagoga e começa a ensinar. Anuncia o Reino de Deus para seus concidadãos. A população de Nazaré reunida na sinagoga fica impressionada com Suas palavras e Sua sabedoria, pois conhecem aquele homem desde quando nasceu. Seus pais, São José e Santa Maria, são conhecidos de todos. Até os trinta anos, Jesus trabalhou na carpintaria que herdou daquele que pensavam ser seu pai. Não conseguem ir além. Não podem ver em Jesus mais do que o filho de Maria, o carpinteiro de Nazaré. Não crêem que Ele é o enviado do Pai.

A rejeição dos nazarenos será apenas uma amostra da rejeição da maioria do povo judeu que culminará na crucificação de Jesus. “Veio para os seus, mas os seus o rejeitaram”, diz São João em seu evangelho. Mas a rejeição a Jesus se estenderá, infelizmente, por toda a história e não será obra apenas do povo judeu, mas também daqueles que ouvirão as palavras de Jesus e não acreditarão. A Igreja, o Cristo prolongado na História, será alvo de chacotas e humilhações. Não acreditarão no que ela prega e farão de um tudo para desacreditá-la. Muitos dos seus filhos, a exemplo de Sua cabeça, Jesus Cristo, serão mortos porque não suportarão ouvir a Palavra de Deus. Não nos admiremos se a Igreja é rejeitada, se a pregação do evangelho não surte efeito. Haverá aqueles que nos rejeitarão e não nos darão ouvidos e estas pessoas, muitas vezes, serão aquelas que amamos e até mesmo familiares nossos. Saibamos que, nós, servos, não somos maiores do que nosso Senhor, mas, confiantes em Deus, não deixemos de anunciar o Seu Reino, o Seu amor por todos nós. 

30 de jun. de 2012

São Pedro e São Paulo

A Boa Notícia de Jesus Cristo:


“E Eu te declaro: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja.” (Mt. 16, 18)


Hoje, comemoramos os martírios de São Pedro e São Paulo. Os dois apóstolos foram mortos na cidade de Roma durante a perseguição de Nero. São Paulo, como cidadão romano, morreu decapitado na Via Ostiense; e São Pedro foi crucificado. A seu pedido, pregaram-no na cruz de cabeça para baixo, pois não se achou digno de morrer da mesma forma que seu Senhor. Apresentado ao Senhor por André, seu irmão, o pescador Simão foi chamado por Jesus no início de Seu ministério. Assim que Jesus o conheceu, mudou-lhe o nome para Cefas, a pedra, Pedro. Deus sempre muda o nome de seus escolhidos conforme suas missões, especialmente dos príncipes de Seu povo. Foi assim com Abrão que se tornou Abraão e Jacó que foi chamado Israel. Aquele que viria a ser o príncipe dos apóstolos e chefe da Igreja de Cristo também recebe de Deus outro nome que o identifica com sua missão.

Estando Jesus com seus apóstolos em Cesareia de Filipe lhes pergunta o que ouvem comentar sobre Ele. Os apóstolos lhe contam que o povo não sabe quem Ele é e cogitam se não vem a ser um dos profetas que ressuscitaram. Jesus, então, quer saber de seus apóstolos quem pensam que Ele seja. Pedro toma a frente e responde que Ele “é o cristo, o Filho de Deus vivo”. Jesus lhe afirma que o que respondeu foi inspirado por Deus, pois sem ser revelado, tal conhecimento seria impossível de se alcançar racionalmente. Neste momento, Jesus se dirige a São Pedro e lhe declara: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Sobre a fé de Pedro é fundada a Igreja de Jesus. São Pedro e os apóstolos são os fundamentos da Igreja de Cristo.

Pedro torna o chefe visível do Povo de Deus. Mais tarde, após a ressurreição, às margens do mar da Galileia, lá onde as histórias dos dois se cruzaram pela primeira vez, Jesus exigirá de Pedro a tríplice profissão de amor e por três vezes lhe confiará Suas ovelhas. A missão de Jesus torna-se a missão de Pedro. Pedro se torna o pastor universal das ovelhas do Sumo Pastor Jesus Cristo. Pedro, como já foi dito, morreu em Roma. Morreu com ele esta missão confiada por Cristo? De forma alguma. A missão de pastor universal de todos os cristãos continuou através da sucessão apostólica. O bispo de Roma carrega a missão de Pedro ao longo da História. Somente os que estão em comunhão com o Sucessor de Pedro, ou seja, o Papa pode afirmar que fazem parte de forma plena da única Igreja de Jesus Cristo. Em um mundo cada vez mais relativista e individualista, onde cada um constrói sua própria moral e sua própria fé, olhemos para aquele que foi constituído cabeça visível da Igreja, o Vigário de Cristo e rocha inabalável, onde a verdade cristã repousa. 


24 de jun. de 2012

Rio+20 e a nova ordem mundial proposta pela ONU


A Rio+20 foi um dos assuntos que dominaram o noticiário nos últimos dias. A Conferência da ONU sobre o meio ambiente, cujo tema era o desenvolvimento sustentável, reuniu chefes de Estados e representantes de governos de todos os países. Sem a participação dos chefes de Estado ou de governo dos países desenvolvidos, não passou nem perto do que foi a Eco-92. Forte foi a presença de ONG's, representantes da sociedade civil – que, na verdade, são grupos de esquerda que defendem suas próprias ideologias que passam longe da vontade do restante da sociedade – e os mais diversos grupos e tipos de pessoas, transformando o evento numa mistura de Woodstock com a assembleia da UNE. Mas o que realmente se esconde atrás do crescente movimento ecologista? O movimento não apresenta uma ideologia hegemônica, atravessando as mais variadas correntes filosóficas, apresentando desde grupos bem intencionados até movimentos político-ideológicos radicais.

Após a queda da URSS no início da década de 1990 termina a divisão do mundo entre as ideologias capitalistas e socialistas. É o fim da Guerra Fria que dividiu o planeta entre zonas de influência dos EUA e da URSS. O socialismo perdeu sua força com a experiência fracassada da URSS. Entramos num período sem ideologias a defender. Então, sem o apoio de uma superpotência como a União Soviética e sem nenhum bom exemplo que levasse a população mundial a optar livremente pelo comunismo, a esquerda mundial precisava empunhar uma nova bandeira que envolvesse toda a humanidade e, assim, voltou-se para a causa ecológica. Revestidos de aparentes boas intenções na defesa dos recursos naturais do planeta, dominaram as ONG's ambientalistas. Os movimentos sociais de esquerda passaram a defender entusiasticamente a causa ambiental. O vermelho se foi: o verde tornou-se a nova cor do comunismo. São os chamados “melancias”: verdes por fora e vermelhos por dentro. O discurso é simples: o meio ambiente está sendo destruído; o causador desta destruição é o modo de vida da sociedade, sobretudo ocidental, baseada no capitalismo. Deste modo, conclui-se facilmente que o capitalismo é a causa da destruição do planeta e seus promotores e defensores, os Estados nacionais, devem ser substituídos por uma nova ordem mundial sob o argumento de uma iminente catástrofe que levará ao fim da humanidade.

Como já foi lembrado, sem o apoio de uma grande potência, a ONU tornou-se o caminho para a propagação e implantação desta nova ordem. Não podemos afirmar que a ONU é marxista, mas que os marxistas a utilizam. Na verdade, a ONU tem o talento de unir o individualismo liberal com a massificação marxista. Defende-se uma governança mundial, o fim da autodeterminação e independência das nações, que ditaria a cada país o que deve e o que não deve ser feito em defesa dos “direitos humanos”, do bem comum e da preservação do planeta. Com isso, a ONU se tornaria um parlamento supranacional, suas agências controlariam a economia, a justiça, a cultura, a religião e a população mundiais. A primeira experiência para este internacionalismo foi dado com a criação de blocos regionais, como a União Europeia. Teorias da conspiração encontradas pela internet e planos para conquistar o domínio mundial podem soar como um novo livro de Dan Brown, mas os documentos da ONU e a pressão que esta já exerce sobre as nações signatárias de suas convenções para que aprovem seus intentos são provas de que a intenção de um governo global realmente existe. E o medo da população mundial de uma catástrofe ambiental levaria ao apoio incondicional de tal governo. Afinal, quem não apoiaria uma instituição que seria a única capaz de salvar nossas vidas, nem que para isso sacrificássemos parte de nossa liberdade individual ou independência nacional?

No passado, os esquerdistas defendiam o fim do capitalismo como solução para os problemas sócio-econômicos. Passado o capitalismo, o comunismo se instalaria trazendo o paraíso na Terra. Agora, o capitalismo é considerado o grande vilão da questão ambiental. Interessante frisar que a URSS era entre as nações, a segunda maior poluidora; que destruiu suas florestas; que causou um desastre ambiental irreversível no Mar de Aral e que o maior acidente nuclear da História aconteceu em Chernobyl. Vale lembrar também que Cuba transformou suas áreas de vegetação natural em plantações de cana-de-açúcar; e que os assentamentos do MST praticam desmatamentos desregrados no Brasil. Ou seja, o socialismo jamais conseguiu este admirável desenvolvimento sustentável tão defendido pelos movimentos de esquerda. Mas o ecologismo da ONU tornou-se patente após a publicação da Carta da Terra no ano 2000. A ONU traiu sua constituição, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. A pessoa humana deixou de ser a referência quando se trata do seu desenvolvimento e bem-estar integrais e da salvaguarda de sua dignidade. A Terra passou a ser o ente que deve ser defendido e preservado custe o que custar, inclusive se custar vidas humanas. O planeta passou a ser considerado uma entidade viva e o ser humano uma praga a ser combatida.

Apostando no catastrofismo apocalíptico, a ONU com a colaboração de ONG’s ambientalistas, partidos políticos, intelectuais e centros de pesquisa passou a divulgar dados assustadores sobre as mudanças climáticas que levariam ao fim da vida como se conhece na Terra. Deturpando dados científicos – como ficou provado no roubo dos e-mails do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – e desacreditando aos milhares de cientistas que apresentam teorias que comprovam a impossibilidade de haver mudanças climáticas provocadas pela ação humana (nenhum deles foram convidados para participarem da Rio+20) a ONU induz a população mundial ao medo e coage todos a apoiar suas políticas. Vislumbrar um futuro de seca, fome, cidades litorâneas submergidas e guerras leva a qualquer um a apoiar quem possa impedi-lo. E é por isso que a ONU tenta em suas diversas conferências sobre o meio ambiente aprovar um documento que obrigue a todos os países a seguirem suas diretrizes que orientam todos os aspectos da vida humana no sentido de preservar o meio ambiente. Sem a presença dos países desenvolvidos (Angela Merkel, por exemplo, preferiu torcer para a seleção alemã na Eurocopa) e sem conseguir impor sua vontade, o documento final da Rio+20 provou que a conferência foi um fracasso. Graças a Deus. 



17 de jun. de 2012

A semente semeada


A Boa Notícia de Jesus Cristo

Marcos 4, 26-34

“Dizia também: o Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra.” (Mc. 4, 26)

São várias parábolas que Jesus conta comparando a pregação ou próprio Reino de Deus com uma semente e seu processo de germinação. Nesta parábola do grão que germina sozinho, Jesus quer ensinar que o dever de cada cristão é semear a Palavra de Deus. O efeito que esta gerar nos corações não é responsabilidade nossa. Depende da abertura de cada um para a graça de Deus. 

Vemos que, muitas vezes, há uma preocupação exagerada quanto ao número de fiéis na Igreja e, para mantê-lo, acabam enveredando para o proselitismo, onde a verdade é relativizada, a liturgia deformada, apenas para atrair o maior número de pessoas possível. Deus nos ama, mas não precisa de nós. A Igreja nos acolhe, mas nós necessitamos dela e não o contrário. Cristo nunca agiu assim. 

Na pregação sobre o Pão da Vida, quando muitos o abandonaram porque não acreditaram em Suas palavras, em vez de correr atrás dos que iam embora, exigiu uma profissão de fé de seus apóstolos. Que sigamos este exemplo. Anunciemos o Evangelho como um todo, sem adocicá-lo ou mutilá-lo. Que a doutrina católica seja exposta em toda a sua verdade. Quem quiser aceitá-la que se aninhe nos galhos de nossa Santa Mãe Igreja. Quem não quiser que se vá ou fique fora. 

10 de jun. de 2012

O pecado contra o Espírito Santo


A Boa Notícia de Jesus Cristo

Marcos 3, 20-35

“Também os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possuído por Beelzebul; é pelo príncipe dos demônios que Ele expele os demônios.” (Mc. 3, 22)

Muitos dos contemporâneos de Jesus duvidavam que Ele fosse o Cristo Senhor. Mesmo diante dos milagres incontestáveis que Jesus realizava, os escribas e fariseus preferiam acusá-lo incoerentemente de agir pelo poder do demônio do que se converterem. Este endurecimento do coração diante da graça de Deus é que Jesus chama de pecado contra o Espírito Santo, um pecado imperdoável. Até mesmo parentes próximos duvidavam, pensam que Ele está louco. Seus parentes tentam detê-lo e Nossa Senhora os seguem para proteger Jesus. (Maria é a “bem-aventurada porque acreditou”, portanto, é ilógico pensar – como alguns dizem – que Ela também não acreditava. Interpretações como esta não tem fundamento). Que não endureçamos nosso coração diante de Jesus. Coloquemos de lado nosso orgulho, nossos medos e nos deixemos que a graça de Deus nos toque.

7 de jun. de 2012

Corpus Christi, a festa do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo


                                          


A Eucaristia é o maior dom que Jesus poderia ter nos deixado. Durante a Última Ceia, antes de Sua Paixão e morte na cruz, o Senhor deixa como herança à Sua Igreja Seu Corpo e Sangue como alimentos. O antigo sacrifício pascal é substituído. Assim como na noite de Páscoa, os judeus sacrificavam o cordeiro pascal e comiam sua carne, Cristo, o Cordeiro de Deus, dá Sua carne para ser verdadeiramente comida. O Cordeiro que sacrifica-se na cruz é comido na mesa eucarística. O pão e o vinho não são símbolos do corpo e sangue de Jesus Cristo, mas tornam-se verdadeiramente Sua Carne e Seu Sangue após as palavras que o sacerdote pronuncia durante a consagração na Santa Missa. As palavras do sacerdote são as palavras de Jesus Cristo na Santa Ceia, ou melhor, é o próprio Cristo, único Sacerdote, que age através de seus ministros para nos oferecer este admirável e misterioso dom.

Muitas vezes nós comungamos como um ato mecânico ou só porque estamos na Santa Missa. Não nos atentamos para o magnífico ato que estamos cometendo. Absolutamente nada como comungar do Corpo de Cristo nos aproxima tanto da realidade celeste; na hóstia consagrada não está apenas a carne e o sangue do Senhor Jesus, mas também sua alma e sua divindade. E como as Pessoas da Santíssima Trindade são inseparáveis, o Pai e o Espírito Santo também estão presentes; e como os santos da Igreja militante, padecente e triunfante fazem parte do Corpo Místico de Cristo, eles também fazem-se presentes. É a antecipação do céu, a presença diante de Deus que viveremos por toda a eternidade. Comungar e unir-se a Deus de tal forma que tornamo-nos um com Ele. Não se entende um cristão que rejeite a Santíssima Eucaristia; não se entende alguém que ame sinceramente a Jesus Cristo e renegue a Santa Missa. Nada é comparável à Santa Missa. Qualquer momento de oração, qualquer culto, por mais piedoso que seja, é infinitamente inferior à Santa Missa. Que venham todos os cristão sentarem-se à mesa do banquete nupcial do Cordeiro que durará pelo século dos séculos. 



3 de jun. de 2012

Santíssima Trindade


Hoje, celebramos a solenidade da Santíssima Trindade. Não é fácil explicar este grande mistério que o centro da nossa fé. Antes de procurarmos entendê-lo, devemos amar e adorar o Deus Uno e Trino. A religião cristã é monoteísta, ou seja, assim como no Islã e no Judaísmo, cremos em um único Deus. Mas, diferentemente, cremos que Deus é único, mas não é sozinho. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são Deus. Não são três deuses, nem a divindade se manifesta de três formas, mas a mesma essência divina está nas três pessoas sem diferença e sem se misturar. Deus se revelou para o povo de Israel. Em meio a tantos povos politeístas, que possuíam uma infinidade de deuses, Deus chama Abraão para formar Seu povo do qual nasceria o Salvador.

Na plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho que se encarnou no ventre da Virgem Maria, para nossa salvação. O Filho foi gerado pelo Pai desde toda a eternidade. Não foi criado e é Deus com o Pai. Jesus nos revelou o amor do Pai, nos mostro que Ele nos ama acima de tudo e com Sua morte e ressurreição restaurou a comunhão entre Deus e os homens. Voltando para junto do Pai, nos enviou o Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade, o Amor entre o Pai e o Filho é nos dado para que entremos em plena comunhão com Deus. Através do Espírito Santo, nos tornamos templo da Santíssima Trindade. Ao sermos batizados, Deus faz morada em nós. Passamos, então, a fazer parte do amor da Santíssima Trindade, somos introduzidos na Família Divina, pelo Espírito Santo, em Cristo Senhor. Portanto, pela graça, estamos em plena comunhão com Deus e tornamo-nos co-herdeiros de Jesus Cristo. Vivamos na graça de Deus, longe de qualquer pecado, para que não nos separemos de Deus e vivamos eternamente na Sua presença. 

19 de mai. de 2012

Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo


Marcos 16, 15-20

“Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus.” (Mc. 16, 19)

Comemoramos a Ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo. Quarenta dias após a Sua ressurreição, Jesus aparece pela última vez e instrui Seus apóstolos a não se afastarem de Jerusalém até que Ele envie sobre eles o Espírito Santo. Glorioso, Jesus Cristo volta para junto do Pai de onde tinha saído e, por direito e por conquista, está sentado à direita de Deus. As marcas da crucificação são provas de que Jesus leva a nossa humanidade para o céu. Estamos, em Cristo, juntos a Deus. Ele restaurou a amizade com Deus, perdida em Adão.

A missão dos apóstolos e, portanto, da Igreja é levar a salvação ao mundo inteiro. Após receber o Espírito Santo que guiará a Igreja por todos os séculos, seus discípulos deverão continuar a mesma missão de Jesus Cristo. A missão confiada à Igreja consiste em expulsar o demônio, ou seja, mais do que exorcismos, a pregação do evangelho, aonde chega, tem a força de retirar as pessoas do poder do diabo e o batismo ministrado em nome da Santíssima Trindade, faz-nos passar do poder de satanás para o Reinado de Deus.

A subida de Jesus aos céus não representa Sua ausência, nem que Ele abandonou Seus seguidores, pelo contrário, Jesus não está mais limitado no espaço e no tempo por Seu corpo mortal. Por Seu Espírito que derramará sobre a Igreja, se fará presente em todos aqueles que nEle crerem.e agirá por meio de Seus sacerdotes. Através de Seu Espírito, Jesus, cabeça da Igreja, a acompanha por toda a História, não permitindo que se desvie da sã doutrina. Cada um de nós que recebemos o batismo tornamo-nos outro cristo, por isso, devemos viver como Ele viveu e testemunharmos a nossa fé diante do mundo.

18 de mai. de 2012

Mulheres da Idade Média - Adela de Blois (ou da Normandia)

                                                       

Adela da Normandia, também conhecida como Adela de Blois ou Adela da Inglaterra (Normandia, França, c. 1062 – Marcigny-sur-Loire, França, c. 1137) foi condessa de Blois. Sexta filha de Guilherme, o Conquistador e de Matilde de Flandres. Irmã predileta do rei inglês Henrique I, foi uma mulher culta. Considerada amável e letrada, criou em Blois toda uma atividade cultural. Também se dedicou à poesia e as letras. Era defensora dos poetas. A decoração de seu castelo era fastuosa. Sábia, artística e intelectual, ao seu redor esteve um círculo de poetas, sábios e historiadores, que a louvaram.

Em 1080, após longa negociação, Adela casou-se com Estevão II, Conde de Blois e Chartres, com quem teve treze filhos, dentre eles Estêvão, conde de Bolonha, que se tornou rei de Inglaterra em 1135. Por casamento, tornou-se Condessa de Blois, Chartres e Meaux. Grande administradora, desempenhou um papel importante na gestão das terras de seu marido.

Em 1096, seu marido, o Conde Estevão II parte para a primeira cruzada. Adela emprega sua fortuna pessoal na operação militar do marido. Estando o conde na Terra Santa, tornou-se regente dos condados do marido. Dois anos mais tarde, o Conde Estevão II deserta em Antioquia. Mesmo voltando para suas terras carregado de ricos despojos de guerra, Adela ficou furiosa e envergonhada com a deserção do marido, julgando que este não havia cumprido seu voto de cruzado e considerando-o covarde. Pressionou-o a voltar para o Levante o que ocorreu no ano de 1101. O Conde Estevão II morre no ano seguinte durante um cerco, na segunda batalha de Ramla, substituindo a vergonha da deserção pelo heroismo. Com a morte do marido, Adela seguiu administrando suas propriedades e educando seus filhos. Sua influência política se estendia pela Inglaterra e norte da França.

Em 1100, Henrique, com o apoio de sua irmã Adela, suplanta seu irmão mais velho, Roberto, e sobe ao trono da Inglaterra. A condessa Adela governou Blois e Chartres até 1107. Garantindo a segurança de suas posses, passou o poder para as mãos de seu filho, Teobaldo. Guilherme, o filho mais velho de Adela era originalmente o herdeiro dos domínios de seu pai, mas esta honra foi dada a seu irmão mais novo, Teobaldo, com Adela trabalhando ativamente com ele no governo dos estados.

Adela manteve-se em comunicação regular com o arcebispo de Canterbury exilado, Anselmo, e com o Papa Pascoal II. Ela foi patrona de outros líderes da igreja na França e na Inglaterra, empregando suas posses na construção e manutenção de igrejas e mosteiros. Mantendo ligações com o mosteiro de Cluny, Adela apoiou os princípios da reforma papal, mais tarde conhecida como reforma gregoriana, com tendência para o humanismo e a liberdade, que retirou as jurisdições monásticas e episcopais do domínio secular, onde bispos e abades eram escolhidos pelos senhores feudais, prática que ficou conhecida como investidura laica. Ela também sustentou poetas, incluindo o Abade Baudri de Bourgueil, mais tarde Bispo de Dol (com o apoio de Adela). que escreveu um poema que dedicado a sua patrona.

Em 1113, Adela e seu filho Teobaldo juntaram-se ao rei Henrique I da Inglaterra na luta contra as forças dos Capetos, Felipe I e seu filho Luís. Eles entraram em combate novamente em 1118, com Adela tendo um papel diplomático ativo.

Adela se retirou para um convento em 1130, na localidade de Marcigny-sur-Loire, em Marselha. Em 1135, o filho de Adela, Estevão, dirigiu-se rapidamente após a morte de seu tio, Henrique I, para tomar a coroa da Inglaterra. Henrique tinha designado sua filha, a imperatriz Matilda, como sua sucessora, e fez com que seus nobres declarassem lealdade a ela. Mas com a ação de Estevão, uma prolongada guerra civil começou na Inglaterra. Adela não era para ver o fim dessa batalha, nem a derrota final de seu filho. Ela morreu em 8 de março de 1137, aos 74 anos de idade. 



13 de mai. de 2012

6º Domingo da Páscoa - Amai-vos uns aos outros como eu vos amo


A Boa Notícia de Jesus Cristo:

João 15, 9-17

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” (Jo. 15, 12)

O evangelho de hoje é continuidade do evangelho sobre a videira e os ramos que foi proclamado no domingo passado. Nós, como os ramos desta videira que é Jesus, só podemos permanecer nela perseverando no amor. Para permanecermos no amor de Deus, em Sua graça, devemos amá-lo com toda a nossa alma, com toda a nossa força. E como O amamos? Guardando Seus mandamentos. É na obediência a Deus, realizando a Sua vontade em todos os momentos da nossa vida que provamos nosso amor ao Senhor. Deus é amor. E a dinâmica deste amor se encontra na Santíssima Trindade entre o Pai e o Filho. A unidade das pessoas da Trindade se dá no amor. Portanto, ao sermos inseridos em Jesus Cristo, passamos a fazer parte deste amor, entramos em plena comunhão com Deus.

Esta vida em Deus, ou seja, no amor absoluto, por sua própria dinâmica, não pode ficar reduzido ao cumprimento dos mandamentos, mas este amor se estende para todos os homens e mulheres. Não um amor abstrato, que fique só na teoria, um amor que seja da boca pra fora. Ás vezes é fácil dizermos que amamos as crianças famintas da África, posto que estão a milhares de quilômetros de nós. Temos que amar àquelas pessoas do nosso convívio, primeiramente nossos familiares, nossos pais, filhos, vizinhos, amigos e inimigos também. Devemos amar àqueles que não vamos com a cara. E não basta suportá-los, aturar suas companhias, mas o jeito de amar que Jesus nos ordena a dar a vida por um deles se isso for necessário.

Nosso padrão de amor é Jesus Cristo. Ele nos dá esse novo mandamento do amor: amar uns aos outros como Ele nos amou. E nos amou dando a vida por nós na cruz: “Ninguém tem maior amor do que aquele que fá a vida por seus amigos”. Jesus nos amou até o fim. Quando este amor exigiu todo o Seu sofrimento, Jesus se dispôs a suportá-lo. Por isso, este mandamento de Jesus não tem nada de romântico. Ao contrário, exige de nós algo que só podemos realizar com a ajuda da graça de Deus.Que Deus nos auxilie para que permaneçamos sempre em Seu amor sendo filhos obedientes como o Senhor Jesus, o Filho, foi obediente até à cruz. 

9 de mai. de 2012

Dez mil visitas

Atingimos a marca de 10.000 visitas neste blog. Não é muitas levando em conta que já existe há três anos, mas quero agradecer a todos que o visitaram. Segundo os dados oficiais do blogger passaram por aqui pessoas dos mais diversos países: de todos os países das Américas e de meia Europa, pelo menos uma pessoa entrou no Vade Fodere Puctas!; chineses, sauditas, paquistaneses, indianos, indonésios, armênios, angolanos, moçambicanos, argelinos, líbios, taiwaneses, passaram pelo blog e são exemplo de como o que escrevemos atinge tantas partes do mundo. 

Ainda segundo os dados do Blogger, a maioria destas pessoas encontra o blog em buscas no Google. Geralmente - e não é de se surpreender - buscam algo relacionado a sexo e, devido ao nome do blog, acabam aterrizando aqui. Mas assuntos específicos procurados nos sites de busca também localizam este blog, principalmente os temas do evangelho e fatos históricos. 

O blog surgiu com a ideia de ser um ambiente onde eu, este humilde blogueiro, pudesse exprimir as minhas indignações diante das imoralidades de nossa sociedade. Diante das potências deste mundo, pelo menos poderia reservar um lugar público para me indignar. Por isso o nome: Vade Fodere Puctas!, uma expressão num latim pra lá de popular que significa: Vai Plantar Batatas! A proposta também abrangia artigos sobre História. Porém, por diversos motivos, o blog traz os comentários do evangelho como a maior parte de seu conteúdo. Não sei se a proposta original foi traída, posto que não há nada mais apropriado para denunciar o comportamento da sociedade contemporânea do que o evangelho de Jesus Cristo. 

Tenho sete seguidores. São poucos, mas agradeço a cada um deles que seguem mais de perto o que tenho para dizer. Estendo meus agradecimentos a todos os anônimos que prestigiam meus artigos e a todos aqueles que se ocuparam em comentá-los. 

Muito obrigado!

Rodrigo Castellani



6 de mai. de 2012

5º Domingo da Páscoa - Jesus é a videira


A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 15, 1-8

“Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em Mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer.” (Jo. 15, 5)

A imagem da videira aparece por todo o Antigo Testamento. é comparada com o povo de Israel que Deus plantou e cuida como propriedade Sua esperando que ela dê os bons frutos no momento oportuno. Porém, esta videira, apesar de ser tratada com tanto cuidado, acaba decepcionando o vinhateiro. O povo de Israel comete infidelidade, peca contra Deus. Jesus retoma esta imagem, mas a torna pessoal. Ele é a videira verdadeira. Nele, não somente os judeus, mas toda a humanidade pode ser enxertada. É Nele que, pela fé e pelo batismo, somos incorporados e formamos a Igreja. A seiva do amor alimenta esta videira. Quem ama permanece unido ao tronco, a Jesus, e seu amor se alastra para os outros membros.

Neste mundo relativista, é comum ouvirmos que o importante é ser bom, fazer coisas boas, ajudar o próximo independentemente da religião. Porém, nosso Senhor ensina que sem Ele nada podemos fazer, ou seja, sem estarmos unidos a Cristo não conquistamos mérito nenhum diante de Deus por mais que façamos boas obras. E os cristãos que são os ramos desta videira que é Cristo, precisam produzir frutos, perseverando na fé e na caridade, vivendo na graça de Deus. Mesmo sendo cristãos, se formos estéreis, vivendo no pecado e na falta de amor ao próximo, nos separamos de Jesus Cristo. Resumindo: aqueles que não são cristãos não podem se salvar pelas obras; e os cristãos, sem obras, não podem ser salvos. 

28 de abr. de 2012

4º Domingo da Páscoa - Domingo do Bom Pastor

A Boa Notícia de Jesus Cristo


João 10, 11-18

“Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.” (Jo 10, 18)

Hoje é o domingo do bom Pastor. Jesus declara-se o bom pastor. Aqui o adjetivo bom vai além da referência à sua bondade. É bom porque é o pastor que sabe exercer seu ofício com competência. Nosso Senhor revela a diferença entre o bom pastor e o que é mercenário, que não é dono das ovelhas, mas as pastoreia em troca de pagamento. O mercenário não se importa com as ovelhas. Para ele, o importante é receber o salário no final do mês. Quando vem o lobo, ele simplesmente foge para se salvar e abandona as ovelhas. Além de não amar as ovelhas, também não honra seus compromissos com o dono das ovelhas que o paga exatamente para evitar que algum mal aconteça às suas ovelhas.

Aqui encontramos uma lição para cada um de nós: devemos, na nossa vida profissional, fazer nosso trabalho, seja ele qual for, com responsabilidade, competência e de acordo com aquilo que se espera ou se exige de nós para que o salário que recebemos seja fruto honesto do nosso trabalho. O empregado que “enrola” no trabalho, falta sem justificativa, faz seu serviço com displicência, rouba seu patrão, pois recebe um salário que não merece.

Voltando à comparação de Jesus, Ele dá a vida por suas ovelhas. Quando o lobo chegou, quando toda a força do mal se abateu sobre Ele, o Senhor Jesus enfrentou a todo o sofrimento, a todos os golpes, as dores insuportáveis da cruz em prol das ovelhas. Os sumos sacerdotes que passavam diante da cruz O incitavam a fugir daquele sofrimento para provar que era o Cristo. Estes sim, pastores do povo de Israel, eram os mercenários que pretendiam apenas explorar o povo. O rei de Israel, segundo antiga imagem, era considerado o pastor de Israel. Jesus é o rei dos judeus. A placa com o motivo de sua condenação diz categoricamente que Ele é rei. Mas o Pastor dos judeus reina da cruz. Ali é Seu trono, o que os chefes do povo não puderam entender.

Jesus amou de tal forma Seu rebanho que morreu por ele. Ele é o verdadeiro Sacerdote. Livremente entregou Sua vida em sacrifício. Sacerdote e sacrifício são Jesus Cristo. Porém, Jesus não foi derrotado na cruz. Pelo Seu amor levado às últimas conseqüências, resgatou Suas ovelhas feridas e dispersas pelo pecado e com Sua ressurreição, tomando Sua vida de volta, Jesus nos deu a vida em abundância, a verdadeira vida da graça que durará por toda a eternidade. Jesus é o rei dos judeus, mas não somente deles, mas de todos aqueles que pela fé e pelo batismo entram em Seu Reino eterno.

É o pastor que reconhece Suas ovelhas e estas O reconhecem que fazem parte de Seu aprisco, isto é, a Igreja. Deixemos os falsos pastores que agem no meio de nosso povo. Ultimamente, tem-se surgidos inúmeros pastores, inclusive os que dizem falarem em nome de único Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, mas espoliam as ovelhas e muitos tem dado ouvidos a eles, abandonando o rebanho do Senhor. Sigamos a Jesus Cristo, o bom pastor, que nos pastoreia através daquele que instituiu como pastor universal de seu rebanho (Jo. 21, 15-17), Pedro, cuja função continua até hoje em seus sucessores.


21 de abr. de 2012

3º Domingo da Páscoa - Sereis minhas testemunhas

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Lucas 24, 35-48

“Vós sois as testemunhas de tudo isso.” (Lc 24, 48)

Jesus se encontra com seus onze apóstolos após a ressurreição. Está vivo verdadeiramente. Não é um espírito. É Seu corpo que ressuscitou, glorioso, transformado. A pequena amostra que Pedro, Tiago e João viram no monte Tabor agora aparece em definitivo. Os apóstolos hesitam e não é pra menos. É um fato totalmente novo, jamais ocorrido na História. É o mesmo Jesus que andava, falava e comia com eles, que viram ser preso, agredido e morrendo na cruz que está vivo naquela sala e fala com eles. Jesus toma um pedaço de peixe e come para comprovar que não é um espírito, pois Jesus ressuscitado não tem necessidade de alimentar-se, posto que seu Corpo não precisa de nutrientes para se manter vivo.

Como diz São Paulo, se Cristo não tivesse ressuscitado vã seria nossa fé. Se o plano salvífico de Deus tivesse acabado na morte de Jesus Cristo na cruz teria certamente fracassado. Ressuscitando, Jesus nos dá a vida. Não esta vida natural que todos temos, mas a vida da graça dada pelo Espírito Santo, a vida eterna que havíamos perdido em Adão e que é reservada àqueles que creem Nele e vivem conforme seus mandamentos. Cristo ressuscitou verdadeiramente. Não é uma metáfora, nem uma lembrança que os apóstolos são incumbidos de anunciar, mas um fato real, histórico. Os apóstolos foram suas testemunhas. Viram o Senhor ressuscitado ainda que algumas dúvidas pairassem em seus corações. E saem pelo mundo para anunciar o Evangelho. É no testemunho dos apóstolos que crerão, assim como é no testemunho da Igreja que cremos. Crer em Jesus Cristo não é aderir a um sistema de valores e sim encontrar-se com Sua Pessoa. E neste encontro temos a vida eterna.



15 de abr. de 2012

2º Domingo da Páscoa - São Tomé: ver para crer




A Boa Notícia de Jesus Cristo:

João 20, 19-31

“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, os discípulos estavam reunidos, com as portas fechadas por medo dos judeus. Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: “A paz esteja convosco.” (Jo. 20, 19)

Segundo o evangelho de São João, Jesus ressuscitado se apresenta aos discípulos no final daquele mesmo dia em que ressuscitou. O Senhor entra no recinto fechado. É um grande mistério. Jesus está vivo, ressuscitou na própria carne, é o mesmo corpo que foi crucificado, pois, para provar que é Ele mesmo, mostra-lhes as marcas dos pregos nas mãos e nos pés, mas não está mais sujeito à natureza. As paredes não são obstáculos para Ele. É um corpo glorioso. Foge de qualquer dominação do tempo e do espaço.

Ao por-Se no meio deles, Jesus lhes deseja a paz. A paz que Jesus lhes dá é diferente da paz do mundo, a Pax Romana da época, conquistada através da repressão e da dominação dos povos. A paz que Jesus nos dá vem da alegria da certeza que temos de Ele estar vivo e que o Senhor tem a História em suas mãos. Sabemos que Jesus está no meio de nós, não nos abandonou e cuida de cada um de nós, Se preocupa comigo e me conduz ainda que, na maioria das vezes, em meio ao sofrimento e as incertezas, não entenda ou não vislumbre o caminho, nem a meta. Saibamos que, caminhando na fé, Jesus nos conduz ao Pai.

São Tomé não está com os outros discípulos e não acredita quando seus companheiros lhes contam que o Senhor Jesus está vivo e apareceu a eles. Quer provas. Quer ver as marcas da crucificação. Quer tocar, experimentar. A incredulidade do apóstolo frente à ressurreição e frente a Deus acompanhará os homens de todos os tempos. Querem provas de Sua existência. Procurarão crer somente no que é palpável, alcançado através do experimento científico, da metodologia rigorosa que lhes tragam resultados definitivos e comprovações irrefutáveis. Eis o homem moderno diante de Deus. Oito dias depois, novamente no primeiro dia da semana, que mais tarde virá a ser nosso domingo, Jesus volta a encontrar-Se com seus discípulos, estando, desta vez, Tomé entre eles. Oferece-lhe as marcas da Paixão para que São Tomé as toque. Mas já não há esta necessidade para o apóstolo que faz sua profissão de fé: “Meu Senhor e Meu Deus!”.

Jesus lhe repreende a incredulidade. Bastaria o testemunho dos apóstolos. E realmente bastará. Não vimos o Senhor ressuscitado. Cremos sem ter visto. Cremos no testemunho dos apóstolos continuado através dos tempos em seus sucessores. É em Jesus Cristo que encontramos a verdadeira paz. É n’Ele, que venceu a morte, que está nossa vitória perante os percalços que a vida nos impõe. Tenhamos plena confiança em Deus. “E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (I Jo 5, 4b-5).



8 de abr. de 2012

Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo

Como diz São Paulo, se Cristo não tivesse ressuscitado vã seria nossa fé. Se o plano salvífico de Deus tivesse acabado na morte de Jesus Cristo na cruz teria certamente fracassado. Ressuscitando, Jesus nos dá a vida. Não esta vida natural que todos temos, mas a vida da graça dada pelo Espírito Santo, a vida eterna que havíamos perdido em Adão e que é reservada àqueles que creem Nele e vivem conforme seus mandamentos. Cristo ressuscitou verdadeiramente. Não é uma metáfora, nem uma lembrança que os apóstolos são incumbidos de anunciar, mas um fato real, histórico. Os apóstolos foram suas testemunhas. Viram o Senhor ressuscitado ainda que algumas dúvidas pairassem em seus corações. E saem pelo mundo para anunciar o Evangelho. É no testemunho dos apóstolos que crerão, assim como é no testemunho da Igreja que cremos. Crer em Jesus Cristo é encontrar-se com Sua Pessoa.


Feliz Páscoa a todos!


7 de abr. de 2012

Politicamente correto

Durante um Congresso em Defesa das Minorias:

Senhor Presidente, e se eu zombar de pessoas com deficiência?

É discriminação.

E de mulheres?

É misoginia.

E de negros?

É racismo!

E de judeus?

É antissemitismo!!

E de gays?

É homofobia!!!

E de católicos?

É LIBERDADE DE EXPRESSÃO.



6 de abr. de 2012

Quinta-feira Santa: Jesus no Getsêmani

Afresco na abside da Igreja do Getsêmani - Jerusalém

Nesta noite, Jesus sente todo o peso dos nossos pecados. Sua angústia é insuportável. Pela Sua mente perpassa todos os pecados da humanidade, de todos os tempos. Os nossos também. Cada pecado que cometemos, seja os mais leves, feriu o Senhor nesta noite. Está sozinho. Seus companheiros dormem, despreocupados. Agora tudo só depende Dele. Implora ao Pai para que a Sua vontade seja feita. As torturas, a dor, a crucificação O aterrorizam. Começa a suar sangue tanto é Seu pavor. Ele vacila. Valerá a pena? Novamente vêm ao Seu coração, os pecados dos homens e mulheres. Especialmente os pecados dos cristãos. Aqueles que creem n'Ele o crucificarão cada vez que pecam novamente.


Nesta noite, Jesus será traído por um amigo. Jesus vislumbra o futuro e percebe que será traído muitas vezes por sacerdotes tíbios, bispos infieis, cristãos relapsos. O diabo O tenta. Por que tanto sofrimento. Tudo será em vão. Jesus ora, os anjos lhe confortam. Prostrado no solo, o futuro se faz presente em Seu santíssimo coração. Vê São Paulo de Tarso caído no chão, milhares de cristãos enfrentando o Império Romano e não renunciando à fé, simples meninas como Cecília, Ágata, Inês, Bárbara, encarando olho no olho os poderosos e dizendo-lhes "não" ao autoritarismo, Santo Agostinho banhado em lágrimas, São Francisco de Assis e Santa Clara seguindo-O tão de perto, Seus encontros com mulheres fortes como Catarina de Sena e Tereza D'Ávila, João Maria Vianney, João Bosco, Pio de Pietrelcina, Josemaría Escrivá, padres piedosíssimos consumindo suas vidas por Ele.


O amor maternal de Tereza de Calcutá e a doçura de Terezinha do Menino Jesus lhe encantam. Contemplará o zelo de uma multidão de pastores como Leão Magno, Gregório VII, Carlos Borromeo, Francisco de Salles, Afonso Maria de Ligório, Pio IX, Pio XII, João Paulo II. Milhões de fieis confiando apenas em Ti diante de poderes totalitários e declaradamente anticristãos. Não O negarão. Jamais O trairão. Jesus levanta-Se. Chegou a hora. Seu sangue derramado não será em vão. O trigo caído no chão e morto produzirá abundantes frutos. Aproxima-se o traidor trazendo aqueles que O prenderão. Deixa-Se levar. Viu que Sua morte mudará o mundo. Vencerá as trevas. O amor de Deus se espalhará por toda a Terra até o fim dos tempos.



1 de abr. de 2012

Domingo de Ramos e Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo


Jesus Cristo entra em Jerusalém aclamado como rei. Ele não se ilude com tal manifestação, sabe o que acontecerá na Cidade Santa, como aquele mesmo povo que o saúda, preferirá Barrabás diante de Pilatos. Jesus é verdadeiramente rei. Diz isto para Pilatos. Mas é coroado de espinhos e recebe como trono a cruz. Foi para isto que ele veio; para ser obediente ao Pai até a morte, humilhando-Se, sendo flagelado e vilipendiado pelos soldados e pelo povo – aquele mesmo povo pelo qual Ele dava a vida – que passa diante da cruz. Vence a desobediência e a soberba de Adão.

Jesus morre por causa dos nossos pecados. Foi cada pecado meu e seu que O levou ao sofrimento, à humilhação, a Se sentir abandonado por Deus. E cada vez que pecamos, cada vez que rejeitamos Sua graça, é como se crucificássemos Jesus Cristo novamente.

Sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, para nos libertar da escravidão do pecado, que veio através da desobediência e orgulho de Adão, sendo obediente e humilde, levou Seu amor por nós até o fim, morrendo na cruz. Seu sacrifício traz agora, para os que crêem, são batizados e perseveram no amor, a salvação.

Devemos amar a Deus sobre todas as coisas para retribuir o mesmo amor que Ele teve por nós, nos amando sobre todas as coisas, inclusive sobre si mesmo. Também devemos renunciar a nós mesmos, nossa vontade, para fazer a vontade do Pai, ainda que isto nos traga grandes sofrimentos. Depois de Jesus Cristo, não podemos mais duvidar do amor de Deus por nós.

Se duvidarmos, basta olharmos para o Crucifixo e saber que tudo isto foi por amor a você e a mim. E este mesmo sacrifício se torna presente em cada celebração da sagrada eucaristia, dom maior do Seu amor por nós. Olhemos para o Cristo crucificado. Que a contemplação de Sua imagem nos leve à conversão.

25 de mar. de 2012

5º Domingo da Quaresma - O grão de trigo, morto, produz muito fruto

A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 12, 20-33

“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto.” (Jo 12, 24)

Os gregos que foram a Jerusalém querem se encontrar com Jesus e pedem para que o apóstolo Felipe intermedeie este encontro. Dirigem-se a um apóstolo com nome grego e natural de Betsaida, cidade ao norte da Galileia onde havia muitos estrangeiros. Não sabemos se o encontro aconteceu, mas Jesus nos informa de um encontro ainda maior, que reunirá gregos e judeus, todos os povos da Terra. Será glorificado na cruz. A cruz já é Sua glória. Quando Jesus for crucificado, atrairá todos a Si. Toda a humanidade estará sendo redimida pelo Seu sangue na cruz. Em Cristo se encontrará todos os povos que crerão n’Ele. Ele reunirá os filhos dispersos de Deus.

Jesus anuncia a necessidade de Sua morte para a salvação do mundo. Sua morte gerará os filhos de Deus. Na cruz, Jesus Cristo vence o diabo e seus seguidores precisarão seguir em tudo o Seu exemplo, sacrificando suas vidas por Ele e pelos irmãos. Somente o sacrifício da própria vida dá frutos para a eternidade.

Deus poderia salvar a humanidade por diversos meios, até mesmo por um ato de Sua vontade, mas escolheu enviar Seu Filho para que unindo a divindade à humanidade, pudesse aplacar a justiça divina, pois, nem mesmo o homem mais justo e santo que existisse não poderia restituir a graça de Deus. Somente Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem pôde fazer em tudo a vontade do Pai. Os pecados da humanidade se elevaram até atingir o maior deles: o assassinato do Filho de Deus. E como Deus somente permite o mal para que dele tire um bem maior, da morte de Jesus Cristo veio a salvação. Sendo obediente até a morte de cruz, Jesus venceu o diabo. Morrendo, venceu a morte e ressuscitando nos deu a vida. Assim como Jesus, sejamos obedientes ao Pai. Façamos, com o auxílio de Sua graça, a Sua vontade e não a nossa.



Sandy, como boa campineira, apoia casamento gay

Em entrevista publicada hoje (24/03) no jornal O Globo, Sandy, como boa campineira que é, revelou que é favorável ao casamento gay. Na verdade eu não vi a entrevista, mas o que foi publicado sobre ela no UOL (veja aqui). Achei as respostas sem pé nem cabeça. Mas vamos lá.

Primeiramente, Sandy afirma que não se considera atriz e que não tem a pretensão de se tornar a Fernanda Montenegro da noite para o dia. Sandy já está sendo pretensiosa. Não se tornaria a Fernanda Montenegro nem de um século para outro, quanto mais em tão pouco espaço de tempo.

"Não posso dizer que me sinto diferente, nem que as pessoas tenham preconceitos contra minha pessoa como atriz, por um único motivo: eu não sou atriz. Eu estava brincando de ser atriz. Nesses momentos posso ser chamada de atriz, mas não tenho essa formação. Então, melhor eu não me encaixar muito para não ser comparada com as feras. Não tenho a pretensão de virar a Fernanda Montenegro da noite para o dia."

Em seguida, Sandy afirma que é a favor da descriminalização do aborto. Mas a resposta é tão confusa que pareceu aos leitores da notícia que houve má intenção do jornalista querendo criar polêmica sobre o assunto. Vejam:

"Aborto, sob o ponto de vista jurídico, é crime. Eu defendo a descriminalização, principalmente quando a gravidez representa risco para a mãe ou o bebê".

Ou Sandy é totalmente ignorante sobre as leis ou a resposta não foi bem essa. Primeiro, diz que o aborto é crime sobre o ponto de vista jurídico. Ah vá! Depois defende a descriminalização em caso de risco para a mãe, mas a lei já prevê isto (lembrando que o aborto, em qualquer caso, pode não ser crime, mas é um assassinato, um pecado grave). E o mais interessante é defender o aborto em caso de risco para o bebê. Há alguma coisa que ponha a vida do bebê mais em risco do que o aborto? A lógica é a seguinte: o bebê está em risco de morte no útero materno. Solução: matá-lo!

Para finalizar, Sandy opina sobre religião:

"Eu me casei na igreja católica e luterana, que é a do meu marido. Não sou a favor de alguns preceitos da igreja. Sou contra o celibato, por exemplo, e acho muito retrógrado não usar camisinha".

A cantora diz que, apesar de batizada, não é católica praticante. Sendo favorável ao "casamento gay" e ao aborto já deu pra perceber. Sandy é contra o celibato! Justo quem era virgem até ontem! Fica claro que os motivos não eram religiosos. Talvez fossem malthusianos.


2º Domingo da Quaresma - A Transfiguração de Cristo

A Boa Notícia de Jesus Cristo




Marcos 9, 2-10

“Formou-se então uma nuvem que os encobriu com sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é meu Filho muito amado; ouvi-O.” (Mc 9, 7)

Em caminho para Jerusalém, onde ia sofrer Sua Paixão e morte, Jesus leva três de seus discípulos, Pedro, Tiago e João ao monte Tabor e no alto do monte, revela-lhes Sua glória. Seis dias antes, Jesus havia declarado que alguns que estavam com Ele não morreriam antes de ver o poder do Reino de Deus. A transfiguração de Jesus é uma amostra da Sua glória que alcançará após a ressurreição. No monte – lugar onde Jesus se encontra na intimidade da oração com o Pai – a divindade de Jesus fica patente diante dos olhos dos três apóstolos, que mais tarde serão as colunas da Igreja.

Neste momento, aparecem Moisés e Elias e conversam com Jesus. Os representantes da Lei e dos Profetas, ou seja, todo o Antigo Testamento, conversam com Jesus sobre o que acontecerá em Jerusalém, onde será instituída a Nova Aliança em Seu sangue. Jesus queria ensinar a seus discípulos – àqueles e a nós – que não há glória sem cruz, ou melhor, a Sua crucificação já é Sua glorificação. No evangelho de São João, Jesus deixa isto claro: Sua glorificação começa na cruz. Pedro, em êxtase e amedrontado diante da cena, oferece-se para construir três tendas para os que conversavam. Queria se fixar no monte, mas a missão dos apóstolos e, consequentemente, de toda a Igreja ainda é na planície, em meio ano mundo. Foi preciso descer do monte e enfrentar o sofrimento que decorre em seguir Jesus Cristo. Podemos ter experiências com Deus que nos enche de alegria, mas jamais devemos alienarmo-nos.

Enquanto falava, uma nuvem, a mesma nuvem que enche o Tabernáculo, o Espírito Santo os envolvem e o Pai lhes fala como no dia do batismo de Jesus: Este é meu Filho amado: ouçam-no. Ouçamos Jesus. Ouçamos tudo o que Ele nos tem a dizer, porque só Ele tem palavras de vida eterna. Em Jesus, o amor de Deus se revela. Deus, não podendo nos dar mais, deu-Se a Si mesmo. E este amor revela-se em sua plenitude no sacrifício da cruz. Portanto, ouçamos o que Jesus tem a nos dizer, a nos ensinar. Nesta sociedade hedonista e imediatista em que vivemos, onde vale tudo para banir o sofrimento, sigamos o exemplo de nosso Mestre, tomemos nossa cruz que a cada dia nos é apresentada. A cruz é o caminho para a glorificação.




18 de mar. de 2012

4º Domingo da Quaresma - Alegremo-nos, Deus nos ama!

A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 3, 14-21

“Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu Seu Filho único, para que todo que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3, 16)

Ninguém pode duvidar do amor de Deus para conosco. Ainda quando éramos pecadores, Deus nos deu o Seu Filho gerado desde toda a eternidade para que possamos ser salvos por Sua morte e ressurreição. Deus nos amou primeiro e, para que sejamos salvos de nossos pecados, exige que aceitemos este convite ao amor, crendo em Jesus Cristo, Seu Filho, como nosso Senhor e Salvador.

Jesus nos diz que aqueles que não creem Nele, não podem se salvar. Não é uma falha em Sua misericórdia. Deus respeita a liberdade humana e nada pode diante daqueles que livremente rejeitam a salvação. Infelizmente a cada dia vemos aumentar a rejeição a Cristo e à Sua Igreja numa crescente cristianofobia que, inclusive, já ceifou vidas de cristãos em pleno século XXI. A humanidade mergulha a cada dia nas trevas e a chama de luz.


15 de mar. de 2012

A perseguição ao padre Paulo Ricardo

Por falta de um sacerdote não perecerá a lei, nem pela falta de um sábio, o conselho, ou pela falta de um profeta, a palavra divina. Vinde e firamo-lo com a língua, não lhe demos ouvidos às palavras. (Jeremias 18, 18)

Ataques realizados por inimigos externos à Igreja são compreensíveis. Agora, quando os inimigos estão dentro da Igreja, dividem o pão contigo, a coisa fica feia. Padre Paulo Ricardo despontou no cenário religioso nacional como exemplo de total fidelidade ao magistério da Igreja. Coisa raríssima de se ver entre os religiosos, padres e bispos do nosso querido Brasil. Então, quando sua voz começou a ser ouvida pelos católicos e soou diferente daquelas vozes que cantam inofensivas músicas “católicas” infantilóides ou melosas, daquelas que criticam o Papa ou a tradição da Igreja e, surpreendentemente para aqueles que querem “modernizar” a Igreja, atraiu muitos jovens, o Padre Paulo Ricardo começou a causar incomodar uma parte de seus “irmãos”. Assim como a Igreja, Padre Paulo Ricardo se opõe ao marxismo, em todas as suas vertentes. Obediente às normas, é zeloso com a liturgia. Como um sacerdote deve ser, defende a doutrina católica em sua integridade. Resumindo, é fiel à Roma. Nada especial, pois é o que se espera de todos os católicos, clérigos ou leigos.

Graças a tudo isso, o padre Paulo Ricardo passou a ser perseguido por quem menos se espera – será? – por seus irmãos no sacerdócio. As suas palavras – se discutível no tom, acertadas no conteúdo – entraram como um punhal no peito daqueles que deveriam pastorear o povo e aproveitar o período quaresmal para rever suas posições e se converterem. Padre Paulo Ricardo só denuncia o que é evidente: a secularização do clero. Um grande mal que entrou na Igreja, causando escândalos e afugentando os fiéis. Seus opositores simplesmente resolveram calar o padre Paulo Ricardo. Depois de chamar o padre de “amargurado, fatigado, raivoso, compulsivo, profundamente infeliz e transtornado”, entre outros “elogios” direcionados por aqueles que afirmam fazer tudo em prol da unidade e da caridade, pedem, pura e simplesmente, que o padre Paulo Ricardo seja afastado de suas funções sacerdotais, seja calado e mantido em isolamento. Os defensores da liberdade de opinião querem calar o padre Paulo Ricardo.

Um dos temas que geraram a revolta foi o uso da batina. É claro que “o hábito não faz o monge”, mas o fato é que o traje clerical jamais foi abolido, ao contrário, segundo o Código de Direito Canônico (cân. 284) é obrigatório. E aos religiosos, segundo o cânon 669, parágrafo 1, é obrigatório o uso do hábito religioso. Porém, é raríssimo vermos um clérigo com os trajes convenientes: a batina ou o clergyman ou, para os religiosos, o hábito. Clérigos andam à paisana. É um sinal de secularização.

Nas diversas ocasiões que a Igreja foi perseguida, proibir o uso do traje clerical ou do hábito religioso foi praxe. Descaracterizar os religiosos sempre foi a primeira medida tomada por todos os governos anticatólicos na tentativa de acabar com a Igreja. Todos sabem o respeito que o povo católico tem pelos seus sacerdotes, especialmente quando são facilmente reconhecidos. Digo mais, até mesmo pessoas de outras confissões cristãs e religiões demonstram certa reverência com o sacerdote trajado como tal. Eu já presenciei este fato. Que bom quando se reconhece um padre em meio às outras pessoas.

Os padres revoltosos afirmam que o padre Paulo Ricardo promove a discórdia e a divisão da Igreja. Pois bem, onde estão as críticas àqueles sacerdotes e religiosos que atacam e desobedecem ao Papa, que pregam doutrinas contrárias à moral católica, que apóiam partidos ideologicamente anticatólicos, que cometem abusos na liturgia? Tudo isso não divide a Igreja e não gera confusão entre o povo de Deus?

O que nós, povo de Deus, queremos são pastores que defendam o rebanho e não os animaizinhos e as árvores da Amazônia, que nos defendam dos mercenários que proliferam suas heresias pelo Brasil, arrasando o rebanho de Cristo, que profeticamente condenem partidos e políticas anticatólicos, que celebrem a Santa Missa com decoro, que ensinem a doutrina católica, que estejam em plena comunhão com o pastor universal da Igreja, que se preocupem mais com as filas vazias do confessionário do que com as filas cheias dos hospitais públicos.

Enfim, rezemos pela santificação do clero. Rezemos para que o Santo Padre, o Papa Bento XVI continue sendo dócil ao Espírito Santo na condução da Igreja. Lembremos que a Reforma Gregoriana empreendida entre os séculos X e XII visava combater a secularização do clero e encontrou forte resistência. Já passamos por períodos conturbados, mas a Barca de Pedro sempre navegou segura, quando teve em seu leme um piloto como São Gregório VII ou Bento XVI.




11 de mar. de 2012

3º Domingo da Quaresma - A purificação do Templo

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

João 2,13-25

“Respondeu-lhes Jesus: ‘Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias’”. (Jo. 2, 19)

Jesus sobe a Jerusalém para celebrar a festa da Páscoa. Encontra no átrio dos gentios que era a área do Templo reservada aos não-judeus que iam a Cidade Santa adorar ao Deus de Israel um grande comércio de animais para o sacrifício e bancas de câmbio, onde as moedas estrangeiras, consideradas idolátricas por conter a efígie do imperador, eram trocadas por moedas judaicas. Este comércio que começou a ser realizado nas proximidades do Templo, logo passou para dentro, com a tolerância e provável ganho das autoridades do Templo. Jesus constata a decadência do Templo e a proximidade de seu fim material.

Como sinal, Jesus purifica aquela que seria a casa de oração para todos os povos e que havia se transformado num lugar de disputas, comércio e negociatas de todos os tipos. Com a ocupação do átrio dos gentios, o Templo fechava suas portas para os não-judeus. Mas, com a vinda de Jesus, havia chegado o fim definitivo do Templo. Este não seria mais necessário – e, de fato, seria destruído definitivamente pelos romanos no ano 70 –, pois o Templo de Deus estava entre os homens. Não um Templo construído pelas mãos humanas, mas que tinha se feito carne no ventre da Virgem Maria. “O Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós”, esta tenda que remete ao primeiro templo do Deus verdadeiro, o tabernáculo móvel que acompanhou o Povo de Deus no deserto de perdurou até o reinado de Davi.

As autoridades não se opuseram ao ato de Jesus porque não era ilegal. Jesus devolvia ao Templo a sua dignidade de casa de Deus, mas os judeus querem saber com qual autoridade faz isso. E Jesus responde: “Destruam este templo e eu o reerguerei em três dias”. Ficam alarmados com tal resposta, pois é impossível reconstruí-lo em tão pouco tempo. Jesus fala de Si mesmo: anuncia Sua morte e ressurreição, cujo sentido os discípulos reconhecerão após a Páscoa definitiva; Seu corpo que será dilacerado com os açoites e na cruz. Os judeus não entendem que estão diante do Templo definitivo de Deus e que as autoridades judaicas, entregando-O aos romanos, O destruirão. Mas Jesus não ficará na morte. Este Templo não ficará em ruínas, como ficará o de Jerusalém a partir do ano 70. Jesus ressuscitará após três dias. O Templo será reconstruído e nunca mais será destruído. Jesus ressuscitará verdadeiramente em Seu corpo glorioso e jamais experimentará a morte e pela fé serão incorporados neste Templo, como pedras vivas, não somente os judeus, mas todos os povos da Terra.

2 de mar. de 2012

Perseguição aos católicos na Europa


Conclusão

Concluímos, portanto, que o século XX foi o palco da destruição e expropriações de bens da Igreja Católica, da intolerância, tortura e do massacre de milhares, senão milhões, de católicos pelo simples e único fato de serem católicos, caracterizando, assim, um verdadeiro genocídio. As ideologias que sustentaram governos, partidos e instituições, tendo como herança e ponto de partida a Revolução Francesa, pretenderam eliminar a Igreja Católica do solo europeu. Maçons, liberais, positivistas, marxistas e nazistas consideravam a Igreja o grande obstáculo para o progresso dos diversos povos da Europa e, consequentemente, do progresso humano. O número de vítimas, os roubos e as destruições de igrejas e monumentos católicos na URSS e demais países comunistas, na Espanha e na Alemanha com todos os seus domínios demonstra que não houve um simples confronto de ideias contra oposicionistas ou limitações de pretensas regalias. O que houve foi uma tentativa de exterminar sistematicamente qualquer sinal da Igreja Católica em seus territórios, nem que para isso fossem assassinados milhares de seres humanos inocentes. Declarada culpada pelas atrocidades ocorridas na História ocidental, opressora e retrógrada, a Igreja Católica foi condenada à extinção e considerada um inimigo a ser abatido por todos os meios. Dessa forma, bispos, padres, freiras, religiosos e leigos foram caçados, presos, torturados e assassinados. Em pleno século XX, dois papas foram vitimas da intolerância: Pio XII livrou-se de um plano de sequestro dos nazistas e João Paulo II sobreviveu a um atentado a tiros (ROYAL, 2001, p. 16).

A impossibilidade de se chegar próximo a uma cifra das vítimas dos diferentes regimes que perseguiram os fiéis da Igreja Católica acaba por não transparecer a tragédia e a violência deste genocídio. Os números disponíveis se referem aos membros da hierarquia. Sendo alvos preferenciais, pois a destruição da hierarquia é a destruição da Igreja, se tornaram mais fáceis de ser rastreados. A perseguição aos católicos ocorrida na Europa na primeira metade do século XX, principalmente nas décadas de 1920 a 1940, não causa o mesmo interesse aos estudiosos como as práticas genocidas contra outros grupos étnicos ou religiosos, como o que sofreram os judeus, para citar como exemplo o genocídio mais emblemático. Royal (2001, p. 16) afirma que o genocídio dos católicos é relativamente pouco documentado e que a maioria dos relatos sobre os fatos foi produzida sob uma perspectiva puramente política. Para citar um exemplo, a obra O Livro Negro do Comunismo mal menciona a perseguição aos católicos. A literatura sobre o assunto é, sobretudo, produzida por autores que mantém relações com a Igreja e que não pretendem que tais massacres caiam no esquecimento e que estes não voltem a acontecer.

Mattera, apud. Socci (2003, p. 25) diz que, devido as perseguições, os católicos “contam suas vítimas aos milhares, seus fiéis sofrem torturas e humilhações de todo o tipo. Mas a opinião pública ocidental, precisamente a ‘cultura cristã’, não concede nenhuma atenção a esse drama, exceto em ambientes restritos”. O pouco interesse dos historiadores, organizações internacionais e demais agentes da mídia no assassinato de milhares de católicos ocorrido neste período que o artigo abrange e de todo o século XX se deve ao fato de a grande maioria compartilhar as ideologias que promoveram esse massacre. Exceto o nazismo que hoje é considerado crime na maioria dos países, todas as outras ideologias que serviram de motivação aos governos perseguidores têm seus adeptos nestes ambientes. Quando retratam os massacres, dificilmente a fazem com neutralidade e acabam apresentando os fatos do mesmo ponto de vista dos perseguidores: os católicos durante séculos perseguiram e mataram movidos pela intolerância, mas os jacobinos, bolcheviques e demais revolucionários mataram e destruíram em prol da justiça, retirando o obstáculo, a pedra do meio do caminho para o progresso e bem de todos (ORTÍ, 1990, pp. 393-394).

O que é visto, em regra geral, na historiografia e nos veículos da mídia são as repetições das mesmas acusações feitas à Igreja desde o Iluminismo. A força dos argumentos é tamanha que muitos membros da Igreja Católica, incluindo bispos e padres, em vez de conduzir um contra-argumento sério aos que acusam a Igreja, acabam aderindo às críticas e, muitas vezes, realizando uma autocrítica tão ou mais ferrenha, no que Messori chama de masoquismo dos católicos (MESSORI, 2004, p. 11). A divulgação do genocídio sofrido pelos católicos pode causar a comoção da opinião pública e esta passar a vê-los como vítimas, contrariando interesses político-ideológicos que tradicionalmente os apresentam como vilões.

De certa forma, a maneira como a Igreja Católica enxerga os mártires, ou seja, aqueles que são mortos in odium fidei ou in odium eclessae, pode colaborar para amenizar os relatos trágicos da perseguição. Para a Igreja, o martírio é a glória suprema, o sublime testemunho que um católico pode dar de sua fé e a imitação perfeita de seu fundador, Jesus Cristo. Enquanto os massacres vividos pelos judeus são denominados de Shoah, ou seja, destruição, desgraça, para a Igreja, a perseguição e o martírio, representam um momento de purificação, de prova de amor a Deus e aos irmãos e a cooperação com a redenção de Cristo (Lumen Gentium, 42).

Os regimes totalitários do século XX viram na Igreja Católica uma inimiga lógica e resolveram eliminá-la. Certamente, foi durante estes regimes que os católicos mais sofreram. Porém, a perseguição aos católicos continuou durante todo o século XX, em diversos países e das mais variadas formas. No entanto, não foram aprovadas leis que amparassem ou protegessem especificamente os católicos, proibindo ou criminalizando qualquer ideologia, publicação ou manifestação anticatólicas. Não há museus que preservam a memória das vítimas deste genocídio, a não ser igrejas dedicadas àquelas vítimas que foram oficialmente declarados mártires pela Igreja Católica. Entramos no século XXI sem nenhuma perspectiva no aumento da tolerância para com a Igreja Católica. Grande parte da perseguição ocorre, hoje, nos países de maioria muçulmana, mas os casos de intolerância, discriminação e violência voltam a crescer na Europa, através de sutis publicações, atos isolados de vandalismo e leis laicistas que limitam a liberdade e a consciência dos católicos. Ao conhecer o massacre pelo qual passaram os católicos europeus no século XX, estes fatos não deixam de ser preocupantes.



Referências Bibliográficas:

BLESSMANN, Joaquim. O Holocausto, Pio XII e os Aliados. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003.

BLET, Pierre. Pío XII y la Segunda Guerra Mundial. Madrid: Cristiandad, 2004.

CORÇÃO, Gustavo. O Século do Nada. Rio de Janeiro: Record, 1972.

DELUMEAU, Jean. Á Espera da Aurora: Um Cristianismo para o Amanhã. São Paulo: Loyola, 2007.

GRAY, John N. Voltaire: Voltaire e o Iluminismo. Coleção Grandes Filósofos. São Paulo: UNESP, 1999.

MESSORI, Vittorio. Leyendas Negras de la Iglesia. 11. ed. Barcelona: Planeta, 2004.

ORTÍ, Vicente Cárcel. La Persecución Religiosa en España durante la Segunda República (1931-1939). 2. ed. Madrid: Rialp, 1990.

________. Mártires Españoles del Siglo XX. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1995.

RAUSCHNING, Hermann. The Voice of Destruction: Conversations with Hitler. New York: G.P. Putnam's Sons, 1940

REDONDO, Gonzalo. Historia de la Iglesia en España 1931-1939: Tomo II – La Guerra Civil (1936-1939). Madrid: Rialp, 1993.

ROPS, Henri Daniel. A Igreja das Revoluções (I). v. 8. Coleção História da Igreja. São Paulo: Quadrante, 2003.

________. A Igreja das Revoluções (II). v. 9. Coleção História da Igreja. São Paulo: Quadrante, 2006.

ROYAL, Robert. Os Mártires Católicos do Século XX: uma História do Tamanho do Mundo. Cascais: Principia, 2001.

SOCCI, Antonio. Los Nuevos Perseguidos: Investigación sobre la Intolerancia Anticristiana en el Nuevo Siglo del Martirio. Madrid: Encuentro, 2003.

THOMAS, Hugh. A Guerra Civil Espanhola. v. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964.



25 de fev. de 2012

1º Domingo da Quaresma - Jesus inicia seu ministério

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Marcos 1, 12-15

“E logo o Espírito O impeliu para o deserto. Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam. (Mc 1, 12-13)

Após o batismo, Jesus, impelido pelo Espírito Santo, foi ao deserto da Judeia onde passou quarenta dias em jejum e oração preparando-Se para Seu ministério. Mesmo sendo o Filho de Deus, não foi poupado das tentações – ainda que exteriores – do demônio. Como homem, venceu as tentações na obediência que faltou a Adão. Este foi tentado num jardim, onde desfrutava de todas as delícias e dominava sobre todos os animais. Aquele foi tentado no deserto, onde passou fome e os animais selvagens rondavam perigosamente. No jardim, após a desobediência de Adão, os anjos barram sua passagem. No deserto, os anjos servem a Jesus.

Sejamos como nosso Mestre. Que nessa quaresma, nos dediquemos mais à oração e à penitência. Como estamos vivendo? O que precisamos purificar em nossas vidas para que continuemos nossa caminhada cristã? Os quarenta dias que a Igreja nos propõe para um maior contato com Deus nos sirvam para aquietar o coração. O deserto, nas Sagradas Escrituras, é o lugar aonde Deus fala com o povo e com algumas pessoas em particular. É na quietude que Deus nos fala. Portanto, durante a quaresma deve-se prezar pelo silêncio, inclusive nas celebrações litúrgicas (e quanto é difícil encontramos uma Missa silenciosa...). Que abramos os ouvidos para que Deus nos fale.

Deixando o deserto, Jesus dirigiu-se para a Galileia onde dá início ao Seu ministério. Começa a pregar a conversão e a penitência. São estas as primeiras palavras de Jesus que nos chegam aos ouvidos e ao coração. Deus quer que nos voltemos para Ele e n’Ele encontremos descanso em meio a conturbação deste mundo. Para muitos, devido ao comportamento utilitarista e hedonista que domina nossa sociedade, qualquer tipo de mortificação é loucura e perda de tempo. Mas não para nós cristãos. A penitência nos ensina a liberdade e o esforço para alcançarmos o Reino de Deus. Que reflitamos sobre nossas vidas, como está nossa relação com Deus e ouvindo Seu chamado à conversão, que O sigamos.



19 de fev. de 2012

Jesus cura o paralítico

A Boa Notícia de Jesus Cristo
Marcos 2, 1-12
“Como pode este homem falar assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?” (Mc 2, 7)

Uma multidão reunia-se no interior e em frente à casa de Pedro para ouvir a pregação de Jesus. A casa de Pedro tornou-se a primeira igreja – e posteriormente tornou-se realmente uma igreja. a sinagoga de Cafarnaum ergue-se no centro da cidade, mas, lentamente, o eixo religioso da cidade muda-se para a casa de Pedro. Que este pequeno detalhe não nos passe despercebido. A casa de Pedro é a verdadeira igreja; é onde encontra-se Pedro e seus sucessores que devemos ouvir a Jesus; é a Igreja fundada sobre a fé de São Pedro a verdadeira, una e única Igreja de Deus.

A multidão é tamanha que não há mais espaço na casa. Não tem como entrar nem como sair. Todavia, aqueles quatro homens que trazem o amigo paralítico não desistem de levá-lo ao encontro com Jesus. Não desistem diante da multidão. Não pensam em voltar num outro dia com menos movimento. Talvez nem fossem de Cafarnaum, mas viessem de outra cidade trazendo seu amigo e, devido à dificuldade, não teriam outra chance. Quantas vezes paramos diante da primeira dificuldade encontrada na nossa caminhada no seguimento de Jesus Cristo.

Os quatro amigos resolvem, então, “furar a fila”. Sobem pelo telhado da casa, o descobrem e descem a maca com o doente. Jesus vendo a fé dos quatro homens perdoa os pecados do paralítico. Deus, em Jesus Cristo, veio ao encontro da humanidade perdida pelo pecado. A missão de Jesus não era outra senão tirar o pecado do mundo. O perdão dos pecados escandaliza os mestres da lei. Realmente, quem pode perdoar os pecados é Deus e com este gesto diante do paralítico, Jesus declara Sua divindade.

As curas são meros sinais de algo maior, a restituição da graça, a cura da alma que a liberta do verdadeiro mal, o pecado, que pode nos condenar eternamente. Talvez os amigos daquele paralítico ficaram decepcionados após tanto esforço quando, no primeiro momento, Jesus “apenas” o perdoa e não o cura. Vemos isto na religiosidade de hoje. A busca por curas, milagres, prosperidade financeira acaba ocupando o primeiro lugar no rol das necessidades quando só a graça de Deus nos basta. Fujamos da tentação das doutrinas imediatistas e materialistas.