25 de jun de 2009

Idade das Trevas - A Mulher na Idade Média

O total desrespeito e opressão às mulheres é uma das lendas sobre a Idade Média. Nada mais falso. Além de a mulher ter tido uma liberdade verdadeira, comparada somente com nossa época, foi na Idade Média que o modo de os homens tratarem às mulheres ganhou mais delicadeza. Basta dizer que é dessa época que surgiu o termo cavalheiro, cujas regras englobam o trato com as mulheres. 

Mas, vemos artigos e livros, pretensamente históricos, principalmente escritos por historiadoras feministas (aliás, mais feministas que historiadoras), como Maria do Amparo Tavares Maleval, por exemplo, cheios de jargões feministas, que pinçam entre os escritos medievais, textos (fora de contexto muitas vezes) para provar uma misoginia medieval, uma perseguição às mulheres. E, como não pode faltar, tudo patrocinado pela Igreja, é óbvio. É na Idade Média que surge o amor cortês, cujo centro é a mulher. Vejamos uma dessas canções do século XII:

Nem por trabalho nem por pena
Nem por dor que tenha 
Nem por ira dolorosa
Nem por mal que sofra
Jamais abandonarei

A minha dama um só dia.

Senhora, de todas a única
Bela e boa, justamente louvada.
Belo prazer, a quem não ouso dar nome.

Senhora, de quem não ouso dizer o nome,
Na qual todas as virtudes se confundem
De cortesia tendes fama
E de valor admirada.

Obra de Deus, digna, louvada
Mais do que qualquer pessoa
De todos os bens e virtudes dotada
Quer de espírito como de caráter.

(PERNOUD, Régine. Luz sobre a Idade Média. Publicações Europa-América. Lisboa, 1997, p. 117)

Agora, vejamos uma canção dedicada às mulheres no século XX/XXI:

Olha a cachorra!!
Deixa a cachorra passar (Ela quer rebolar!)
Deixa a cachorra passar (Chama ela pra cá!)
Deixa a cachorra passar (Ela quer provocar!)

Mexe o bumbum, mexe o bumbum mexe e vem pra cá
Ela anda rebolando
Ela só quer te provocar

Não é tchutchuca e nem gatinha, é uma cachorra
Em todo o canto da cidade ela tá sempre por aí
É só olhar na cara dela ela só falta latir
É meia-noite é meio-dia ela nunca quer saber
Mexe o bumbum a toda a hora e me faz enlouquecer

Eu to mordido eu to bolado mesmo sendo o Tigrão
Vem latir no meu colinho que eu já vou te dar pressão
...
Deixa a cachorra passar (Ela quer rebolar!)
Deixa a cachorra passar (Chama ela pra cá!)
Deixa a cachorra passar (Ela quer provocar!)
Mexe o bumbum, mexe o bumbum, e vem pra cá!

Academia, malhação, ta posando um avião
Marquinha de biquini que dispara o coração
Não adinta disfarçar, todo mundo quer pegar
Senta aí,fica ligado que o tigrão vai te ensinar
Vou prender numa coleira, dar pressão a noite inteira

A cachorra quer brincar, vou chamar ela pra cá
Tá com o rabo balançando, tá querendo provocar
Pra lá, pra cá

Deixa a cachorra passar (ela quer rebolar) 
Deixa a cachorra passar (chama ela pra cá)
Deixa a cachorra passar (ela quer provocar)
Então maxe o bumbum, mexe o bumbum, e vem pra cá

(Bonde do Tigrão)

Esta é só uma das várias músicas que denigrem a mulher. E não apenas no funk carioca. Há músicas sertanejas, pagodes, músicas de axé, ou seja, dos mais variados estilos e ritmos, que coisificam a mulher. E não é um fenômeno somente brasileiro. Assim é tratada a mulher no Ocidente. Se os historiadores forem “seletivos” na coleta de material para as pesquisas sobre nossa época, qual será a conclusão sobre a condição das mulheres e o tratamento dado a elas?



18 de jun de 2009

As origens da igreja anglicana - Parte I

São José de Arimateia
Aproveitando o comentário do Alex e a entrevista do reverendo Aldo, desmitificarei algumas afirmações sobre o anglicanismo. De fato, provavelmente o cristianismo esteja presente nas ilhas britânicas desde os primeiros séculos de nossa era, levado pelos soldados romanos. Não sabemos se as lendas surgidas nas novelas arturianas sobre José de Arimateia ter pregado o evangelho nas ilhas britânicas tenha algum fundamento. Diz a lenda que ele fundou a primeira igreja em solo britânico, em Glastonbury Tor, aonde mais tarde surgiu uma abadia que foi fechada por Henrique VIII no ano de 1539.
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Após a queda do Império Romano no Ocidente (lembrando que a primeira província romana que os romanos perderam foi a Britânia), os anglos, saxões e jutos invadiram e devastaram a ilha, quase acabando com os cristãos que estavam ali. São Columbano e os missionários irlandeses foram quem começaram a re-evangelizar a Grã-Bretanha dividida agora em vários pequenos reinos bárbaros.
Ruínas do mosteiro de Glastonbury
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Em 596, Santo Agostinho da Cantuária e mais quarenta monges beneditinos são enviados pelo Papa São Gregório Magno para evangelizar a Angland. Graças à princesa Berta, filha do rei de Paris, cristã e esposa do rei Etelberto de Kent, Santo Agostinho teve êxito em sua missão. Funda a diocese de Cantuária e é nomeado arcebispo primaz da Inglaterra. Mais tarde, erige outras duas dioceses: Londres e Rochester. Alguns anglicanos, entre eles o reverendo Aldo, objetam que já havia cristãos na Grã-Bretanha “antes da Igreja Romana chegar” – o fato de existir cristãos em determinada região não caracteriza uma igreja independente. Jamais houve igrejas independentes (ao menos que fossem heréticas) como querem fazer crer os protestantes – e que estes foram obrigados a se submeter ao Papa.
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Como apenas quarenta monges, sem qualquer apoio militar, conseguiriam submeter uma população de cristãos, ainda que estes fossem a minoria, já que a imensa população de Grã-Bretanha do século VI era pagã? Por que não há sequer uma prova histórica mostrando que estes cristãos locais rejeitaram a missão de Santo Agostinho delegada pelo Papa?
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Santo Agostinho da Cantuária
Reverendo Aldo usa a velha tática de citar o imperador Constantino como pretenso fundador da Igreja Romana e que teria obrigado a todos os cristãos a obedecê-la. Primeiramente, Constantino não fundou igreja nenhuma. Queria ver algum documento histórico com o mínimo indício desta falácia protestante sem embasamento histórico nenhum. A Igreja católica foi fundada por Jesus Cristo sobre São Pedro e os apóstolos e continua em seus legítimos sucessores.
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“Segundamente”, Constantino não obrigou ninguém a ser cristão, muito menos católico. Quis colaborar com a ortodoxia da Igreja, se esforçando para colocar fim à heresia ariana (os anglicanos são arianos?) e, posteriormente, seus sucessores foram arianos, perseguindo, inclusive os católicos.
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O reverendo Aldo apela para a Inquisição. Se tivermos como base a época da missão de Santo Agostinho, faltava, no mínimo, “apenas” seis séculos para os tribunais da Santa Inquisição serem criados e praticamente não existiram na Inglaterra. Portanto, o anglicanismo não tem outra origem, senão em 1531, com o cisma de Henrique VIII. Por hoje é só. Não percam os próximos capítulos sobre o anglicanismo.
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Referências:
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José de Arimateia. Disponível em: <http://www.opusdei.org.br/art.php?p=16244>;. Acesso em 16 de junho de 2009.
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AQUINO, Felipe. Uma História que não é contada. 1ª Edição. Editora Cléofas. Lorena, 2008.



17 de jun de 2009

Bomba na Parada Gay: atentado ou armação?

Não gosto muito das teorias da conspiração, mas, não sei se é por ter muito tempo ocioso ou efeito daquelas bobagens que a gente pensa antes de dormir, comecei a desconfiar da veracidade do atentado a bomba contra um grupo de homossexuais após a Parada Gay realizada no último domingo em São Paulo. É muita coincidência para ser só coincidência. Vamos aos fatos: Parada Gay é realizada a 13 ânus, ops, anos e não foram registrados atentados. Justamente neste ano, quando o governo Lula decide oficializar, junto com nove ministros de Estado, o “estatuto homossexual”, uma pretensa arma contra a homofobia (que já é crime), cuja intenção real é aprovar leis contra o Direito natural e moral e implantar a censura no Brasil, ao menos sobre o assunto homossexualidade, acontece este “incidente”.

Estranho, não? Parece muito um atentado forjado para dar razão e apressar a tal “lei de combate à homofobia” (a lei da mordaça gay) que tramita no nosso estimado e prestativo Congresso Nacional. Casos de estatísticas forjadas, como as usadas na aprovação do aborto nos EUA é coisa comum. Atentados a bomba também.


Não seria o primeiro caso na História: em 30 de abril de 1981, um atentado mal sucedido, durante as comemorações do Dia do Trabalho, no Riocentro, matou um sargento e feriu um capitão do Exército. Teria sido uma tentativa de setores mais radicais do regime militar de forjar um atentado cuja culpa recairia sobre os grupos de esquerda (o que não seria difícil de acreditar, já que era uma constante da esquerda) e fazer parecer necessária uma nova onda de repressão e paralisar a lenta abertura política que estava em andamento no governo do general Figueiredo.


Outro caso ocorreu no ano de 2000. José Eduardo Bernardes da Silva, funcionário da Anistia Internacional em São Paulo, forjou dois atentados a bomba contra si próprio e enviou algumas cartas ameaçadoras a políticos, grupos homossexuais e de combate ao racismo (leia mais aqui). Visava “criar” skinheads para alavancar a Anistia e ter status de “perseguido político” para conseguir refúgio na Espanha.


Pode ser um atentado realmente. Afinal, há preconceito e atos de violência verdadeiros contra homossexuais. Posso estar errado e se ficar comprovada a autoria do atentado, postarei aqui. Mas que é estranho, é.



14 de jun de 2009

A Proibição da Bíblia pela Igreja Católica - uma fraude protestante

Durante um debate numa comunidade do Orkut, apareceu uma acusação comum feita pelos protestantes: que a Igreja proibiu a leitura da Bíblia. Pensando eu que se tratava novamente de acusações levianas e más interpretações de decisões conciliares e papais que sempre protegeram a pureza das Sagradas Escrituras e sua correta interpretação, não dei muita atenção ao fato. Foi aí que, para minha surpresa, o protestante em questão apresentou um documento, trazendo inclusive a fonte, que provaria a tal proibição. O texto apresentado é este:

(...) Convocou três bispos, dos mais sábios, e lhes confiou a missão de estudarem com cuidado o problema e apresentarem as sugestões cabíveis. Ao final dos estudos, aqueles bispos apresentaram ao papa (Júlio III) um documento intitulado: "Direções Concernentes Aos Métodos Adequados A Fortificar A Igreja De Roma".

Tal documento está arquivado na Biblioteca Imperial de Paris, fólio B, número 1088, vol. 2, p. 641 a 650.

O trecho final desse ofício é o seguinte: “Finalmente (de todos os conselhos que bem nos pareceu dar a Vossa Santidade, deixamos para o fim o mais necessário), nisto Vossa Santidade deve pôr toda a atenção e cuidado de permitir o menos que seja possível a leitura do Evangelho, especialmente na língua vulgar, em todos os países sob vossa jurisdição. O pouco dele que se costuma ler na Missa, deve ser o suficiente; mais do que isso não devia ser permitido a ninguém. Enquanto os homens estiverem satisfeitos com esse pouco, os interesses de Vossa Santidade prosperarão, mas quando eles desejarem mais, tais interesses declinarão. Em suma, aquele livro (a Bíblia) mais do que qualquer outro tem levantado contra nós esses torvelinhos e tempestades, dos quais meramente escapamos de ser totalmente destruídos. De fato, se alguém o examinar cuidadosamente, logo descobrirá o desacordo, e verá que a nossa doutrina é muitas vezes diferente da doutrina dele, e em outras até contrária a ele; o que se o povo souber, não deixará de clamar contra nós, e seremos objetos de escárnio e ódio geral. Portanto, é necessário tirar esse livro das vistas do povo, mas com grande cuidado, para não provocar tumultos."

Bolonie, 20 Octobis 1553

Vicentius De Durtantibus, Egidus Falceta, Gerardus Busdragus. 


Pesquisando na internet, encontrei vários sites protestantes – inclusive, um deles informa que há 22 sites em português com este mesmo texto – que o apresentam como um troféu.

Vamos pela análise lógica do documento. Como pode três bispos “dos mais sábios”, aos quais foi recomendado um estudo e propostas contra o protestantismo, apresentarem uma carta ao Papa dando razão à heresia protestante sem serem, ao menos, repreendidos pelo Santo Padre? Muita incoerência! Além disso, o Papa deixaria um documento desta relevância à mercê dos inimigos da Igreja para poderem acusá-la?

Vamos nos focar agora no documento: o documento existe, está na Biblioteca Nacional da França. Para não restar dúvidas, deixo minhas opiniões de lado e transcrevo apenas o que a Biblioteca responde por e-mail (em inglês, a tradução é minha) a quem procura informações sobre o documento:

O texto que você procura é uma sátira do papado publicada em 1553 sob o título “Consilium quorundam episcoporum Bononiae congregatorum quod de ratione stabiliendae Romanae Ecclesiae Iulio PM datum est”.

Foi escrito por Pietro Paolo Vergerio (1498-1565), que foi bispo de Modrusch e depois de Capo d'Istria, antes de passar à Reforma em 1549. Coloca em cena, três bispos que aconselham ao Papa Júlio III sobre a forma de restabelecer a autoridade papal. Entre outras coisas, eles sugerem a introdução de novas cerimônias faustuosas e a destruição das Bíblias em língua vernácula.

Três diferentes edições foram microfilmadas e você pode pedir uma cópia das mesmas através do Departamento de Reprodução da Bibliothèque Nationale de France. Veja todos os pormenores em nosso site: <http://www.bnf.fr>. Pelo menu suspenso, selecione: La Bibliothèque> Services au public> Commander une reproduction de documents.

Aqui estão as referências completas sobre o texto:
O texto em latim foi publicado por E. Brown em 1690: GRATIUS, Ortuin de Graes, dit. – Fasciculus rerum expedentarum et fugiendarum… Opera et studi Edwardi Brown,…- Londoni: 1690. Assinado: “Vincentius de Durantibus, episc. Thermularum Brixiensis; Egidius Falceta, episc. Caprulanus; Gerhardus Busdragus, episc. Thessalonicensis.” Código ("cote" em francês): [B 341 2, código anterior: [B 103 8

Este texto é largamente atribuído à P.P. Vergerio e pode ser encontrado no primeiro volume das suas obras completas publicado em 1563. A edição Gratius inclui o texto "Consilium quorundam episcoporum Bononiae congregatorum..." por Pietro Paolo Vergerio. Em microfichas (10 páginas correspondentes às páginas 641-650). Microfilme código: m. 5528

A tradução francesa, publicada em 1564: Vergerio, Pietro Paolo. – Le Conseil des trois évêsques sur la détermination du Concile général de Trente, envoyé au Pape Paul troisième et trouvé en son palais après sa mort… (Assinado: Robert Vuacop, Thomas Stella, Theodore Marcel.) Código: [B 5445 4 Microfilme código: m. 5527 (em particular os dois lados da folha C2).

Algumas passagens alteradas a partir da tradução francesa: "Consultation de trois évêques sur les moyens de soutenir l’Eglise romaine présentés au pape Jules III" em 1553, publicado em 1884 por Paul Besson. Código: [8° H parte 329 Microfilme código: m. 5526 (em especial, p. 9-10).
Atenciosamente,

Pour le SINDBAD
Françoise Simeray
Départment Philosophie, histoire, sciences de l’homme
Bibliothèque Nationale de France

A última página do documento disponível na Biblioteca Nacional da França exclui qualquer dúvida definitivamente:

“Embora apenas parcialmente consagrado à leitura da Bíblia, o texto de Vergerio tem sido utilizado frequentemente nas controvérsias entre protestantes e católicos sobre este assunto, mesmo após a crítica feita por numerosos teólogos (consultar a tese de teologia protestante de A. Ch. Siegfried – A Vida e a obra de P. P. Vergerio, Strasbourg, 1857 – in-8°, p. 39).
Estes estudos revelam que P. P. Vergerio é verdadeiramente o autor de Consilium quorundam episcoporum..., cujo texto figura em suas obras completas publicadas em 1563.
Este texto é parte de seus numerosos opúsculos publicados anonimamente durante sua violenta polêmica com o papado. É impossível admitir que “Consilium quorundam episcoporum...” emane de qualquer autoridade da Igreja Católica.” (A tradução é minha)

O texto apresentado nos sites protestantes é apenas uma parte da obra de Pietro Paolo Vergerio usado para confundir os católicos.
 Pietro Paolo Vergerio (1498 - 1565) 
                                               

Como se vê, o texto comprovadamente é uma fraude, assim como muitas outras que surgiram no período da Revolta protestante, onde se afirmam calúnias que até hoje se divulga. Os Testemunhas de Jeová andaram por muito tempo com este texto nas mãos, confundindo os católicos de todas as partes do mundo, publicando-os em suas revistas e artigos. Agora, este texto é difundido pela internet sem a menor preocupação com a Verdade, senão com a verdade religiosa, ao menos com a verdade histórica. Pecam descaradamente contra o oitavo mandamento, levantando falsos testemunhos atrás de falsos testemunhos. Quem é o pai da mentira, cujos mentirosos são filhos? O texto em questão existe e é verdadeiro, mas é verdadeiro por ser uma tentativa de forjar uma decisão papal sobre a leitura da bíblia. O texto é verdadeiro. A interpretação é falsa.

Este documento está disponível ao público no site da Biblioteca Nacional da França. Pra visualizá-lo na versão francesa, clique aqui.

Uma observação final: fiz esta pesquisa em meados de 2008 e a enviei por e-mail a alguns sites protestantes que continham o referido texto. Apenas o site da CACP retirou o artigo – ao menos não o encontrei mais, nem no link que tinha, nem buscando no site. Bom, se cada vez que alguém enviar um texto rebatendo todas as mentiras que este site traz sobre o catolicismo e honestamente, como foi nesse caso, os artigos foram retirados, o site acaba.

Referências:

A Proibição da Bíblia e os Três Bispos. Disponível em: <http://caiafarsa.wordpress.com/a-proibicao-da-biblia-e-os-tres-bispos/>. Acesso em: 18 de maio de 2008.

LEBLANC, Michel. Canular fondamentaliste: Un document décourageant la lecture de la bible à l’époque du Pape Jules III?. Disponível em: <http://v.i.v.free.fr/pvkto/canular-julesIII.html>. Acesso em 24 de maio de 2008.

Roma e la bibbia – Documento Storico al tempo della Riforma. Disponível em: <http://www.infotdgeova.it/roma.htm>. Acesso em 20 de maio de 2008.



11 de jun de 2009

O proselitismo do reverendo Aldo Quintão

O Programa do Jô, do último dia 10 de junho, exibiu uma entrevista com o reverendo Aldo Quintão, deão da catedral anglicana de São Paulo. Não sei se é porque o programa Fala Que Eu Te Escuto, da rede Record, tem dado mais audiência que o talk-show do Jô, o programa resolveu levar lá este simulacro de padre – e de humorista – para falar mal, criticar e debochar da Igreja Católica, de sua hierarquia e doutrina, de Nossa Senhora.

Todo deboche do referido reverendo vinha antecedido por aquela falsa humildade típica, fazendo cara de coitado que foi oprimido pela Igreja, especialmente quando um bispo o proibiu de celebrar casamentos em templos católicos (não citou o nome do bispo, nem onde fazia casamento): “Amo meus irmãos católicos”, “Respeito muito a Igreja Romana”. Não entendo como se respeita e debocha ao mesmo tempo. O que me deixou pasmo foi saber que o “padrinho” de ordenação dele foi o padre Zezinho.

O reverendo Aldo se utilizou da entrevista para fazer um proselitismo agressivo, usando a velha tática protestante de atacar a Igreja. Distorceu – ou desconhece – fatos históricos, tais como o surgimento da igreja anglicana e a sua fundação por Henrique VIII. Foi evidente a vergonha de pertencer a uma igreja fundada por um assassino, ladrão e adúltero. Se eu não tiver preguiça, detalharei mais sobre isto em outras postagens. Disse ser “um servidor de Cristo e não um empresário” (para diferenciar a igreja anglicana das neopentecostais), porém, num ato falho, disse que “é difícil concorrer com as igrejas católicas”. Ou seja, concorrência quem faz é empresa, não é mesmo?

Aldo foi ao programa porque ficou conhecido como o religioso que mais faz casamentos no Brasil e deixou claro que, na igreja dele, pode-se casar quantas vezes quiser. A intenção é clara: conquistar adeptos para a igreja anglicana que estava falindo em São Paulo. E como já sabemos a tal igreja é um balaio de gato, onde bispos assumidamente gays andam com seus maridos pelas ruas sem qualquer constrangimento. E esta doutrina relativista é a arma utilizada pelo reverendo para conquistar público. Temas como aborto, métodos contraceptivos, pesquisa com células-tronco embrionárias, homossexualidade, divórcio, todos apoiados ou adocicados pela doutrina (se é que existe uma) anglicana, usando a velha cantilena de amor ao próximo, que Jesus não julga ninguém, ou seja, que ninguém precisa se converter, que a fé se faz ao gosto do freguês. Parece que já está dando resultado. Ele mesmo, em determinado momento, citou que a comunidade anglicana da catedral saltou de trinta para mil pessoas.

Ao fim, ridiculamente, disse que todos os que são contrários aos posicionamentos da Igreja Católica, principalmente morais, é um anglicano. Aposto que o próximo programa que ele aparecerá será o Superpop... Enquanto isso, por que será que a maioria dos 81.775 cristãos que, no ano passado, aderiram à Igreja Católica nos EUA, eram anglicanos? Por que será que a Traditional Anglican Communion, com 400 mil fiéis, espera ansiosamente que a Santa Sé aceite seu ingresso na plena comunhão com a Igreja Católica?


3 de jun de 2009

O Ocidente abandona suas tradições

O Ocidente abandona a cada dia suas tradições, resolveu esquecê-las, ou pior, tem vergonha de seu passado, de suas raízes. Como exemplo podemos citar a Constituição da União Européia que não faz nenhuma referência às raízes cristãs do Velho Continente. As mesmas raízes que fizeram da Europa o que ela é. Consideram a Igreja um empecilho que precisa ser superado em prol da união das nações, união esta que não é nem sombra da Cristandade medieval.

No ocidente, o presente é sempre visto como melhor que o passado. Vive-se uma ânsia de superá-lo. Talvez seja por isso que o Ocidente seja a parte do planeta onde as transformações acontecem com maior rapidez, de uma década para outra, e também, por isso, seja a região que mais desvaloriza os idosos. Estamos subindo uma escada cujos degraus anteriores desaparecem.

Nos transformamos nos maiores importadores de tradições da História. E se no rótulo destas tradições vier a inscrição "milenar", melhor ainda. O que aconteceu com nossas tradições milenares? As nossas são piores que a dos outros? A cada dia surge uma dessas religiões com inspiração oriental ou modinhas como a yoga, meditações, mantras. Não se suporta uma missa em latim, mas repetir um monte de bobagens em sânscrito, sem entender uma palavra sequer é ser cool. Foi e continua sendo do Ocidente os maiores avanços na medicina, porém eleva-se louvores à acupunturas, à medicina ayurvedica, destacando seus sete milênios e esquece-se que indianos e chineses sempre morreram como moscas e se a saúde na naquela região do planeta melhorou um pouco, foi graças a influência da medicina ocidental. Está acontecendo uma orientalização do Ocidente. Quando o fenômeno oposto ameaçou as tradições do Oriente, a resposta não demorou a vir e, muitas vezes, veio de forma violenta, como no Irã ou no Afeganistão. Não vejo a mínima reação no Ocidente. Pelo contrário.

A Europa secularizada, ou melhor, laicista, corre o risco de se tornar muçulmana dentro de algumas décadas graças ao grande número de imigrantes e pelas taxas de natalidade entre os islâmicos serem maiores. E se a Turquia se tornar membro da União Européia, a coisa desanda de vez. Tornar-se-á a porta de entrada dos muçulmanos na Europa. Por aí vemos o total desprezo pelas tradições cristãs da Europa. O que a Turquia tem em comum com nossa cultura ocidental? Nada. O que não conseguiram pela força, os seguidores de Maomé conseguirão por esta manobra bem orquestrada – ou alguém duvida que tudo é pura coincidência? Os muçulmanos sempre olharam com olhos de cobiça para a Europa com seu clima ameno e terras férteis, mas sempre foram escorraçados pelos cristãos e obrigados a viverem comendo areia.

As mesquitas na Europa se espalham a cada dia e são financiadas pelos grandes países islâmicos (Arábia Saudita, Argélia, Marrocos) e o proselitismo, especialmente nos subúrbios das grandes cidades, não apenas na Europa, mas até mesmo no Brasil, começa a dar resultado. Hoje vemos uma nova invasão bárbara e os que hoje aplaudem e gabam-se de construir uma sociedade “pós-cristã”, perceberão que eram felizes e não sabiam.