12 de abr de 2013

Marco Feliciano, Yoani Sánchez, democracia e as tropas de assalto da esquerda moderna


A democracia no Brasil está sendo sorrateiramente minada nesta última década. O que está acontecendo no caso do deputado pastor Marco Feliciano é mais uma amostra disso. Impressiona como os incautos de plantão são levados a acreditar que o caso trata-se da relação entre o Estado e a religião ou que as asneiras ditas pelo deputado demonstram racismo ou homofobia. Mas é compreensível. A geração Twitter não lê nada que contenha mais do que 140 caracteres. Por isso, fica impossível ter uma visão global do que acontece, posto que é mais fácil ficar preso à frases de efeito e manchetes. Além do que se vê, tem muito mais por trás (sem trocadilhos) do movimento gay.

Se o deputado em questão é ignorante e incompetente – e já deu mostras de ser – é outra história, mas o fato é que ele foi eleito democraticamente. Foi escolhido como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados conforme as regras da Casa. Ninguém é obrigado a concordar com os seus posicionamentos, mas é preciso respeitar o jogo democrático. Não se faz oposição inviabilizando o debate na base da gritaria, causando tumulto  e impossibilitando que o deputado faça seu trabalho. Aliás, na Sexta-Feira Santa, o deputado foi perturbado durante um culto religioso, ou seja, fora das suas funções de parlamentar. Mas algo é preciso notar. Os que protestam de forma violenta contra Marco Feliciano (militantes do PT, do PSOL e do PC do B) são os mesmos que atacaram truculentamente a cubana Yoani Sanchéz, acusando-a de trair um governo ditatorial, porque denuncia a miséria e a opressão mantidas pela família Castro em Cuba. Naquela ocasião, de maneira vergonhosa, impediram que ela se pronunciasse em público. Nada mais antidemocrático. Agem como a S.A., a famosa tropa de assalto nazista que saía à caça de opositores da ideologia. O ex-BBB deputado Jean Wyllys (PSOL - RJ), que durante seu mandato já disse tantas asneiras quanto Feliciano, é partidário destes métodos. Nestes três anos como deputado, preferiu a bravata do que apresentar projetos de lei que possam ser discutidos seriamente pelo parlamento.

Será somente coincidência que os partidos de esquerda abraçaram a causa gay? Vejamos. Nos países comunistas, o homossexualismo era crime. Para os marxistas, o homossexualismo era uma das provas cabal da degradação moral da sociedade capitalista. Gays foram perseguidos, presos e mortos na URSS, na China e em Cuba. Mas o que mudou na mentalidade da esquerda? Seria uma guinada em direção à compaixão? Não. O motivo é a luta de classes, ou seja, continua tão marxista quanto antes. Tal concepção surgiu na esquerda norte-americana, tendo como teórico o filósofo Herbert Marcuse. A luta de classes penetrou pouco no operariado norte-americano e este pouco foi habilmente anulado pelo governo nas primeiras décadas do pós-guerra. Não podendo contar com os protagonistas da revolução, a nova esquerda norte-americana precisou criar outras “classes”, reforçando ou produzindo antagonismos dentro da sociedade. A luta pelos direitos civis da população negra era uma causa justa. Assim, os movimentos negros foram abraçados pelos marxistas norte-americanos. Surgiram os movimentos hippies, feministas e homossexuais. Era preciso lançar negros contra brancos, mulheres contra homens, gays contra héteros, ou seja, a eterna luta entre oprimidos e opressores que move a História e levaria inexoravelmente a uma nova sociedade: a comunista. Neste contexto é que surge o “politicamente correto”, uma forma eficaz de patrulhamento ideológico que inviabiliza o debate e o contraditório, elementos típicos da democracia, através da ameaça e da censura.

Portanto, vemos como que por detrás de toda uma pretensa luta de direitos esconde-se ideologias revolucionárias perniciosas que pretende o fim do regime democrático, implantando o totalitarismo. Os homossexuais são utilizados como massa de manobra. Para esses partidos políticos, cuja ideologia sempre repugnou o homossexualismo, os interesses dos gays não são tão importantes. O que importa, de fato, é o êxito da revolução. Os casos de violência contra homossexuais são raros no Brasil e inflacionados artificialmente e não há dúvida que tais ideólogos inescrupulosos adorariam ver realmente aumentados. E muita gente de boa vontade acaba embarcando nessa, dando apoio ao que não conhece exatamente, engrossando o rebanho. Consola saber que estes esforços estão apenas no princípio. Os homossexuais não apoiam em massa os métodos truculentos. Basta considerar que na Parada Gay de São Paulo aparece um milhão de pessoas e para protestar contra Feliciano, uma dúzia. Mas é preciso conhecer os fatos e os verdadeiros objetivos que tais protestos escondem.  




8 de abr de 2013

Não à teocracia!



O deputado pastor Marco Feliciano ainda rende assunto. Ocorreu até um manifesto de artistas contra o deputado. Alguém viu protesto de artistas contra os condenados do mensalão? Pelo contrário, houve até manifestações de apoio.

Mas é sempre assim. Basta algum elemento religioso se destacar no ambiente político para que os defensores do Estado laico venham com palavras de ordem que, na verdade, demonstram que não sabem exatamente o que defendem, fazendo verdadeiras misturebas na concepção do Estado e na relação entre este e a religião. Uma destas palavras de ordem que vi várias vezes é: NÃO À TEOCRACIA!

De partida já posso afirmar que, no mundo atual, não existe nenhum regime teocrático em vigor. O Egito Antigo era teocrático, pois o Faraó era a encarnação do deus sol; o Império Romano, em seu período decadente, tornou-se uma teocracia. A China Imperial era uma teocracia. O último regime teocrático, de fato, foi o do Império do Japão e acabou com a desdivinização do imperador após a Segunda Guerra. Portanto, para um regime ser considerado uma teocracia, é necessário que o governante encarne uma divindade. O Tibete não era uma teocracia. O Vaticano e o Irã também não são. Ser governado por um líder religioso ou sob leis religiosas não faz do Estado uma teocracia, assim como ser governado por um militar não faz com que o Estado viva sob um regime militar. Ninguém com o mínimo de conhecimento poderia afirmar que, por exemplo, o governo regencial do padre Diogo Feijó fez do Brasil uma teocracia.

O termo “teocracia” é usado comumente para designar regimes baseados em leis religiosas, como são alguns países islâmicos que adotam a Sharia; ou regimes absolutistas que não se submetem a nenhum poder moderador a não ser ao poder divino. Assim pretendiam os teóricos do Direito Divino dos reis. Mas, nestes caso, é um uso inexato do termo, assim como a utilização do termo “absolutista” para algumas monarquias ocidentais também o é. 

Estados governados por líderes religiosos, onde se confunde o poder religioso com o poder secular, como no caso do Irã dos aiatolás, são Estados clericais e não teocráticos. O fato de um país adotar uma religião oficial também não faz do Estado uma teocracia e sim um Estado confessional e não leva necessariamente à restrição da liberdade religiosa ou da democracia. A Inglaterra, a Islândia, a Noruega e a Dinamarca são exemplos de Estados confessionais e não consta que sejam países com algum atraso civilizacional ou antidemocráticos, muito pelo contrário (ainda que na Inglaterra um católico não pode tornar-se primeiro-ministro. Lembremos que Tony Blair renunciou ao se converter ao catolicismo).

Portanto, o simples fato de termos líderes religiosos ou leigos praticantes de alguma religião ocupando cargos em qualquer instância do governo não põe em risco nem o Estado laico, nem a democracia, pelo contrário, ao longo da História, muitas vezes foi a religião a única oponente do totalitarismo e dos impositores de pensamento único. Os presidentes norte-americanos fazem seu juramento de posse com a mão sobre a Bíblia e os Estados Unidos continuam laicos. Se levarmos em conta que no Ocidente nossas leis derivam em grande parte do Decálogo, podemos pô-las em xeque a todo momento reivindicando a laicidade do Estado, pervertendo, assim, toda a tradição jurídica de nossa sociedade. 

Regimes democráticos não mudam ao sabor de quem governa, nem restringem os direitos políticos dos cidadãos por eles serem líderes religiosos ou professarem alguma religião, nem atentam contra uma sadia laicidade ou contra a religiosidade do povo. Teocracias dependem de concepções profundas sobre a origem do poder e sobre a divindade e não do simples fato da existência de líderes religiosos ocupando cargos públicos. Percebe-se que a concepção de Estado é mais complexa do que pretendem as frases de efeito dos ativistas sem-noção.



2 de abr de 2013

A origem dos símbolos da Páscoa: o coelho e os ovos


A festa da Páscoa da ressurreição de Jesus Cristo possui variados símbolos. Os símbolos religiosos, tais como as velas e o cordeiro, são de fácil compreensão, ao menos, para a maioria das pessoas. Mas o que tem a ver com a Páscoa o coelho e os ovos? Coelhos não botam ovo, ainda mais de chocolate. Vejamos. A Páscoa cristã tem sua origem na Páscoa judaica. Enquanto a Páscoa judaica comemora a libertação do povo de Israel que vivia sob jugo egípcio, a páscoa cristã comemora a ressurreição de Jesus Cristo. Diversos elementos da Páscoa cristã derivam da Páscoa judaica. Mas, sem dúvida, os símbolos pascais mais conhecidos são o coelho e os ovos. É difícil encontrar a origem desta simbologia. 

A inculturação do cristianismo é a tese mais provável. Ao chegar ao norte da Europa, a Igreja encontrou-se com povos que cultuavam a natureza. A chegada da primavera era bastante comemorada, pois o inverno rigoroso tinha terminado; a vida ressurgia em todo o seu vigor. Os povos pagãos festejavam a fertilidade tão ostensiva da nova estação, sendo representada pelo coelho que se reproduz abundantemente e pelo ovo que, para os antigos, representava a origem misteriosa da vida. Era comum, então, presentear uns aos outros com um ovo. Como a Páscoa também é comemorada no início da primavera no hemisfério norte, a Igreja decidiu não destruir tais elementos, tão importantes para aqueles povos, mas cristianizá-los. Tal prática não era uma novidade. A Páscoa judaica já tinha adotado e adaptado elementos das festas primaveris dos camponeses e pastores do Oriente Médio que também comemoravam a fertilidade da nova estação.
A Igreja deu novo significado aos símbolos. O ovo passou a simbolizar a vida nova em Cristo, a renovação da criação. Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana, o que remetia ao Gênesis, ao início da criação. Era o princípio da nova criação. A fertilidade do coelho passou a representar a Igreja que gera os filhos de Deus, através da graça conquistada por Jesus Cristo pela sua morte e ressurreição. Desse modo, os símbolos pagãos das celebrações de primavera no norte da Europa, passaram a fazer parte da Páscoa cristã. Esta é a tese mais provável. Há a possibilidade de o ovo surgir na festa da Páscoa cristã também adaptado da Páscoa judaica, já que faz parte dos símbolos da ceia pascal judaica, um elemento relativamente novo introduzido já na era cristã. Na Idade Média, em algumas localidades do Leste europeu, as pessoas trocavam ovos coloridos durante a Páscoa. Mas este costume ficou praticamente restrito ao norte da Europa e posteriormente foi conservado pelas igrejas luterana e anglicana até o seculo XIX, quando a influência britânica pelo mundo popularizou os símbolos (assim como aconteceu com a árvore de Natal e o Papai Noel, mas esta é outra história). Ovos de chocolate existem desde o século XVIII, porém somente no século XX ficaram populares. O chocolate não acrescenta nada de novo ao símbolo. O uso do chocolate deu-se apenas pela criatividade dos confeiteiros franceses. Mas os motivos são o que menos importa já que todos concordam que é muito melhor ganhar um ovo de chocolate do que um ovo cozido com a casca colorida. Sem relacionar o coelho e os ovos com a ressurreição de Jesus Cristo, ambos perderam a função de símbolos. Hoje, não representam nada, nem a Páscoa, muito menos a primavera, são apenas personagens comerciais numa história sem pé nem cabeça onde coelhos trazem – só Deus sabe de onde – ovos de chocolate.