8 de mai de 2010

As diferenças entre monarquias medievais e modernas

O poder descentralizado, o respeito ao principio da subsidiariedade, maior independência das cidades, mais democracia e liberdade econômica, por incrível que pareça, são marcas do regime monárquico da era medieval. No Absolutismo tudo isto acaba. É um retrocesso.

Não foram apenas fatores econômicos que levaram ao Absolutismo como a historiografia marxista adora enfatizar. Houve uma mudança de mentalidade na baixa Idade Média; a releitura dos clássicos da Antiguidade grega, em especial de Platão e o resgate do Direito romano, em sua "pureza" legitimaram e desencadearam nos monarcas a ganância imperialista e o desejo do poder absoluto. Não é de se admirar que as guerras de conquista eclodem na Europa. A paz da Idade Média foi-se.

Com o cativeiro de Avinhão que causou o Grande Cisma do Ocidente, o Papado fica enfraquecido possibilitando a contestação da legitimidade do único poder moderador da Europa ocidental. Se ninguém mais sabe quem é o Papa legítimo, a quem devem dar ouvidos? A Cristandade é dividida e o golpe de misericórdia é dado pela reforma protestante, caindo como uma luva aos interesses absolutistas, sendo que, o rei se tornará chefe da igreja em muitas nações como na Inglaterra e nos países nórdicos.

A teoria maquiavélica da autonomia moral do Estado se torna norma. Excomunhões e interditos são surtem mais o mínimo efeito. Os reis só podem ser julgados por Deus e ninguém mais. Os interesses de Estado estão acima de qualquer outro. A fidelidade vassálica dá lugar a exércitos mercenários e os exércitos regulares tem um único comandante, o rei.
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Grande parte da nobreza - a classe dos que lutam - perde seu lugar na sociedade. Nobres tornam-se parasitas palacianos, já que perderam sua função de proteger os plebeus e estes, por sua vez, continuam pagando seus tributos, sustentando uma nobreza que não lhes dá nenhum tipo de retorno. Estes, graças aos confiscos de terras, especialmente dos mosteiros e bispados, que passaram para as mãos da burguesia gananciosa, formam uma massa de pobres que migram para as cidades.

Assim, o poder absoluto dos reis legitimado pela teoria do direito divino foi contestado pela Igreja, mas já era tarde. A sociedade ocidental começava, lentamente, a virar às costas para os ensinamentos da Santa Mãe. A insensibilidade da nobreza e da monarquia diante dos mais pobres (a caridade e solidariedade entre as classes foi marca da Idade Média) e a total falta de percepção dos reis sobre o que estas mudanças acarretariam, fomentaram ideologias e resultaram nas revoluções burguesas, sendo a principal e mais trágica, a Revolução Francesa, em 1789.


São Luis IX, rei da França (1224 - 1270), lavando os pés dos pobres...



...contrasta com a opulência do rei Luis XIV (1643 - 1715), símbolo do Absolutismo francês.




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