29 de abr de 2011

O casamento do Príncipe William e Kate Middleton



Hoje, como é mais do que sabido, casaram-se na Inglaterra o príncipe William e Kate Middleton, evento que atraiu um público de um milhão de pessoas nas ruas de Londres e cerca de dois bilhões de telespectadores ao redor do mundo. Por que um casamento atrai tanta atenção? Além da beleza presente em toda a tradição monárquica, principalmente de uma monarquia que já governou um terço do planeta, casamentos reais são - com o perdão do trocadilho - contos de fadas reais ainda mais quando estão envolvidos um príncipe e uma plebeia. A possibilidade de o casamento entre William e Kate dar certo é a mesma de qualquer casamento de simples plebeus como nós. As dificuldades e alegrias do matrimônio são exatamente iguais a de todos nós. Mas os contos de fadas terminam exatamente no casamento, no "e foram felizes para sempre". O casamento de Diana e Charles despertou tanto interesse quanto este e sabemos que esteve longe de cumprir o epílogo dos contos. O casamento representa o ápice do amor entre um homem e uma mulher e neste mundo que julga-se moderno, onde os relacionamentos são efêmeros, ainda temos a esperança do amor verdadeiro e para toda a vida.

Casamentos na nobreza sempre despertaram o interesse da população, porque selavam acordos políticos ou histórias de amor. A aura da nobreza faz com que espelhemo-nos naquele casal como símbolo do amor perfeito e esperamos o mesmo para nós. É isso, a esperança alimenta o amor. O amor é como a guerra: ou você enche-se de glórias ou acaba morto. Mas esta morte só perdura se há desesperança. Aqueles que acreditam no amor são otimistas. Hoje, assistindo às belas imagens da cerimônia na Abadia de Westminster e nas ruas da capital inglesa, tivemos um verdadeiro banquete de esperança. Nos empanturramos dela. Bonitos ou não, ricos ou pobres, todos esperamos encontrar nossa princesa ou príncipe. Hoje, foi por isso que tanta gente parou em frente a tevê para ver um casamento. Só os chatos, os materialistas e os republicanos torceram o nariz. Esqueçam os gastos. Aqueles que pagaram a conta não demonstravam descontentamento nas ruas londrinas. Tal celebração não tem preço. E, tenho certeza, fez um bem a muitas pessoas. Rezemos para que Deus abençoe o príncipe William e Kate e que sejam realmente felizes.


24 de abr de 2011

Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo

A Páscoa dos judeus faz memória da passagem do anjo sobre o Egito que causou a morte dos primogênitos das famílias cujas casas não estavam marcadas com o sangue do cordeiro e após este acontecimento o povo hebreu foi libertado da escravidão passando pelo mar Vermelho. Nós comemoramos a Páscoa, a morte do Cordeiro que nos assinala com Seu sangue, através do batismo, e Sua ressurreição, vitoria sobre a morte e libertação da escravidão do pecado.


A ressurreição de Jesus não é um símbolo, mas um fato histórico, o maior de toda a História. Cristo vence a morte, nos liberta dela, e agora, sepultados com Cristo, na Sua morte, pelo batismo, vivemos desde agora, pelo Espírito Santo que habita em nós, a vida eterna com Ele. Esta é a verdadeira Páscoa. A passagem da morte para a vida, da escravidão do pecado – pior que a do Egito – para a graça de Deus. Devemos abandonar uma vida de pecado, nos unindo cada vez mais, por amor, a Jesus Cristo, fazendo Sua vontade, para, no final dos tempos, também nós, ressuscitarmos em nossos corpos gloriosos, para vivermos em novos céus e nova terra, quando Deus for tudo em todos. O túmulo está vazio. A Vida vence a morte. Isto não quer dizer que teremos uma vida sem sofrimentos, mas que, nas tribulações, sabemos em quem pomos nossa esperança.


A morte não tem mais a ultima palavra. Cristo vence a morte, restitui a vida eterna perdida por Adão. Que nesta Páscoa, façamos um exame de consciência e deixemos a escravidão do pecado. Muitas vezes arrastamos pecados, ainda que leves, durante anos. Que nesta Páscoa façamos uma verdadeira passagem, passando do pecado para a vida na graça de Deus. Que sejamos penetrados pela luz do Cristo ressuscitado para que sejamos realmente pessoas melhores.


20 de abr de 2011

Humilde súplica ao Senhor da Igreja

Por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracaju
Jesus!
Não permitas que tua Igreja desvie o olhar de ti!
Não permitas que, em teu nome, nos descuidemos de te amar, de preocuparmo-nos contigo, de te proclamar, amorosa e convictamente, como o único Deus verdadeiro, o único caminho, o Bem supremo e definitivo de toda a humanidade!
São tantas as desculpas para nos distrairmos de ti:
À esquerda, as preocupações pelas causas sociais.
Então, os olhos de muitos brilham quando fazem intermináveis e irreais análises de conjuntura, quando falam de questões como a fome, a pobreza, a ecologia, a falta de políticas públicas sérias, os vários sistemas econômicos... O discurso ideológico – e alienado, porque fora da realidade e dentro de uma gaiola ideológica que torna bobas as pessoas que, ainda assim, se pensam espertas e cheias de senso crítico – o discurso ideológico ocupa a vida desses que, pensam fazer isto por ti, mas de ti pouco se lembram...
Tudo é instrumentalizado e sacrificado por esses teus discípulos iludidos no altar maldito e estéril da ideologia; tudo é manipulado em prol da doutrinação ideológica, como os intelectuais orgânicos do marxista ateu Antônio Gramsci: a liturgia é desfigurada, o dogma é manipulado, a santidade é esquecida, as virtudes cristãs são deixadas em segundo plano... Assim, por ti – e não é por ti! – se esquecem de ti! Tem-se, então, Senhor meu, uma Igreja sem graça, masculina, do fazer, da luta, do combate, dos slogans tolos e cansativos, da patrulha ideológica! Uma Igreja que não atrai, não encanta e que se mostra cada vez mais estéril!
Esta pseudo-igreja dos que de ti se afastam pela esquerda já não te considera mais como o único Salvador: colocam-te abaixo e em função de um mentiroso diálogo interreligioso: consideram todas as religiões iguais e tu, Salvador nosso, tornas-te somente mais uma ilusão que só serve enquanto inspira lutas de ilusória e chata e mentirosa libertação...
Não, definitivamente, esta não é a Igreja que tu sonhaste, Senhor! É uma deturpação pobre da tua Pessoa, do teu Evangelho e do que tu pensaste... Tudo no molho do marxismo requentado e de um sociologismo tolo, que só agrada e convence aos incultos ou aos que disso se aproveitam, usando a Igreja para obter benefícios políticos ou econômicos... Em suma: uma Igreja que finge ser a tua, mas para ti não olha e contigo não se encanta... Basta ver o desleixo com o que é teu e o entusiasmo com o que é deste mundo...
À direita, a situação não é muito melhor: outras desculpas, também falsas, mas com o mesmo efeito: desviam o olhar de ti, que és o Essencial. Confundem evangelizar com fazer show, falar na linguagem de hoje com ser vulgar e secularizado. Transformam o sacerdócio em meio para se promover artisticamente, usam o teu Evangelho para aparecerem, deixando-te na penumbra. Pensam que juntar gente seja sinal de evangelização, esquecendo-se esses que não é a quantidade de pessoas que marca a verdadeira evangelização, mas a intensidade com que se anuncia a ti, Salvador nosso bendito, e a fidelidade à tua verdade!
À direita, quantos astros, ó Cristo, que se esquecem que somente tu és o Sol que não tem ocaso! Quantos ministros teus bonitinhos, simpaticozinhos, com coreografias e piruetas... Tu e o Reino que vieste anunciar tornam-se, então, somente um sentimento, um adocicado xarope de um Evangelho falsificado que cabe em qualquer programa de televisão e que pode ser proclamado numa passarela de samba, numa pista de dança ou até mesmo numa festinha pouco honesta. Tu entraste na casa de Zaqueu e o converteste; esses entram e saem em tudo quando é mundano e nada convertem: só amortecem as consciência e abençoam o que tu reprovas
Esvaziaram tua mensagem, tornaram apenas um fantasma a tua Pessoa, amoleceram e imbecilizaram tua Palavra santa! Para esses, a missa é show, a pregação é conferência afetada e sem conteúdo sólido, a liturgia é colocada a serviço da emotividade, do intimismo e do individualismo. No fundo, tu, o Jesus real, o Jesus da Igreja, o Jesus que nos foi transmitido por gerações de cristãos, é falseado e desaparece na penumbra desse cristianismo barato e invertebrado...
E há também aqueles, à direita, à esquerda e ao centro, que se esquecem de ti e para ti não mais olham, muito empenhados no ativismo da prática pastoral, nos mil planos de evangelização, pensando que a "pastoralite" é prova de amor a ti e de construção do Reino que trouxeste.
Há ainda os que se perdem numa visão burocrática e fria de Igreja, pensando que cuidar de ti, ó Salvador, é ser administrador de uma instituição, de obras ou de projetos pastorais...
Há os que confundem Tradição com tradicionalismo e pastoreio com jogos de poder; há, finalmente, os que pensam que zelo pela liturgia e pelo sagrado confunde-se com uma preocupação excessiva e gosto discutível por rendas e brocados, sem nenhuma expressão de piedade, sem profundidade espiritual, sem preocupação com a tua glória, sem máscula sobriedade... Aí, a beleza da santa liturgia já não é por ti, mas para o brilho das lantejoulas e a beleza sóbria e digna dos paramentos é confundida com o gosto do exótico, do chamativo, do extravagante... Tudo tão alheio ao verdadeiro espírito litúrgico e à sã tradição da Igreja, que sempre nos levam a ti somente...
Jesus! Jesus, Senhor nosso!
Ser cristão é te amar, é te escutar, é olhar-te nos olhos, é encantar-se contigo!
Tua Igreja é a comunidade dos que te amam, dos que já não saberiam viver sem ti! Por ti largam-se a si mesmos, por teu amor rezam e fazem penitência, procurando tua santa vontade, crescem humildemente na virtude e na caridade... Tua Igreja celebra com zelo e respeito profundo a santa Liturgia, jamais instrumentaliza a tua Palavra ou falsifica a reta doutrina católica...
Tua Igreja – nossa Mãe católica – é a assembleia dos que proclamam que somente tu és Senhor, somente tu és Salvador, somente tu és a Verdade. Os da tua Igreja respeitam a todos, respeitam a todas as religiões, mas sabem, sem medo nem complexos, que somente no cristianismo encontra-se a verdade que o próprio Deus-Pai, por ti, nos revelou nas Escrituras e na Tradição apostólica e, por ti, nos deu como graça e vida dos sacramentos.
Teus discípulos, filhos da Mãe católica têm certeza plena que somente aquela Igreja unida a Pedro é a tua Igreja, a única e una Igreja que fundaste e à qual prometeste que as portas do Inferno não prevaleceriam sobre ela...
Senhor, que tua Igreja seja feminina:
Esposa tua, Mãe nossa,
acolhedora da Palavra,
virgem pela fé guardada fielmente,
fecunda pela abertura serena e profunda ao Espírito que nos gera para ti,
terna pela beleza de sua liturgia celebrada com decoro e piedade,
compassiva pelas pobrezas, penas e debilidades humanas,
cuidadosa pela capacidade de ser atenta aos detalhes, coisa de quem ama,
apaixonada pela esperança coloca em ti, Esposo, de modo inabalável...
Senhor, cuida e orienta a tua Igreja, nossa Mãe católica!
Não nos deixes desviar do reto caminho nas estradas tão tortuosas da história humana, peregrinação no tempo rumo à eternidade.
Senhor fiel e bom, faze que o teu Espírito impila tua Igreja a dizer-te, cada dia, em cada ação, em cada respiro: “Vem!”
E tu, Esposo fidelíssimo, fá-la ouvir a cada momento tua resposta certa e consoladora: “Eis que venho em breve!”
Amém!


17 de abr de 2011

Domingo de Ramos

A Boa Notícia de Jesus Cristo:


Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo


Jesus Cristo entra em Jerusalém aclamado como rei. Ele não se ilude com tal manifestação, sabe o que acontecerá na Cidade Santa, como aquele mesmo povo que o saúda, preferirá Barrabás diante de Pilatos. Jesus é verdadeiramente rei. Diz isto para Pilatos. Mas é coroado de espinhos e recebe como trono a cruz. Foi para isto que ele veio; para ser obediente ao Pai até a morte, humilhando-Se, sendo flagelado e vilipendiado pelos soldados e pelo povo – aquele mesmo povo pelo qual Ele dava a vida – que passa diante da cruz. Vence a desobediência e a soberba de Adão.


Jesus morre por causa dos nossos pecados. Foi cada pecado meu e seu que O levou ao sofrimento, à humilhação, a Se sentir abandonado por Deus. Seu sacrifício traz agora, para os que crêem, são batizados e perseveram na graça de Deus, a salvação. E cada vez que pecamos, cada vez que rejeitamos Sua graça, é como se crucificássemos Jesus Cristo novamente. Olhemos para o Cristo crucificado e que a contemplação de Sua imagem nos leve à conversão. Devemos amar a Deus sobre todas as coisas para retribuir o mesmo amor que Ele teve por nós, nos amando sobre todas as coisas, inclusive sobre si mesmo. Também devemos renunciar a nós mesmos, nossa vontade, para fazer a vontade do Pai, ainda que isto nos traga grandes sofrimentos.


Depois de Jesus Cristo, não podemos mais duvidar do amor de Deus por nós. Se duvidarmos, basta olhar para o Crucifixo e saber que toda a Paixão e morte de Jesus Cristo foi por amor a você e a mim. E este mesmo sacrifício se torna presente em cada celebração da sagrada Eucaristia, dom maior do Seu amor por nós.

10 de abr de 2011

Quinto Domingo da Quaresma - A ressurreição de Lázaro

A Boa Notícia de Jesus Cristo:


João 11, 1-45


Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.” (Jo. 11, 25)


No Evangelho deste quinto domingo da Quaresma, ouvimos novamente o conhecido relato da ressurreição de Lázaro. Maria, Marta e Lázaro eram os amigos de Jesus que moravam em Betânia. Lázaro ficou doente, mas Jesus afirma que aquela doença não o levaria a morte, porém, seu amigo morreu. O que isto quer dizer? Jesus se enganou? Não. A doença física não leva a morte definitiva, a morte espiritual, ao inferno. Enganam-se quem pensa as doenças são frutos diretos de influências demoníacas e que os doentes necessitam de exorcismos espetaculosos para ficarem sãos.


As doenças são conseqüência de nossa fragilidade natural. Se doenças são obras do diabo, um dia ele acaba vencendo, pois, em algum momento, morremos vítima de alguma enfermidade. A doença que satanás implantou no coração do homem foi o pecado. Esta doença sim pode nos levar à morte espiritual, nos separar do amor de Deus e nos lançar no inferno. Não tenhamos medo das doenças, nem dos males físicos que podem nos ocorrer, ainda que eles nos tragam sofrimentos terríveis. O mal moral – o pecado – é o pior mal que pode existir. Não podemos evitar a morte física, cedo ou tarde ela chega para todos. E mesmo assim tememos morrer e evitamo-la a qualquer custo. Mas não nos esforçamos com tanto vigor para evitar o pecado que pode nos levar à morte eterna, mesmo quando sabemos que viveremos eternamente se formos santos.


A ressurreição de Lázaro é um prelúdio da ressurreição de Jesus Cristo e Seu poder sobre a morte. Lázaro foi ressuscitado em seu corpo físico e voltou a morrer posteriormente. Mas Cristo Jesus ressuscitou em Seu corpo glorioso, imortal. Nós que morremos com Cristo no batismo e que temos o Espírito de Deus, ressuscitaremos com Ele. Aqueles que viverem em Cristo ressurgiram, no Dia do Juízo, com corpos gloriosos como o Dele. Neste dia, Jesus vencerá definitivamente a morte. A exemplo de Marta, creiamos que Jesus é o Messias, o Filho de Deus que salva a humanidade, que em Sua morte e ressurreição, libertou-nos das amarras do pecado e da morte. E não nos esqueçamos do remédio de imortalidade que nosso Senhor nos deixou, a Eucaristia, pois aquele que come sua carne e bebe seu sangue viverá eternamente.

3 de abr de 2011

4º Domingo da Quaresma - O cego de nascença

A Boa Notícia de Jesus Cristo:


João 9, 1-41


Jesus então disse: “Vim ao mundo para fazer uma discriminação: os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos.” (Jo. 9, 39)


Neste 4º Domingo da Quaresma, o Evangelho de São João nos relata a cura do cego de nascença. Mais uma catequese batismal. No início da Igreja, o batismo também era chamado de iluminação. Aqueles que estão nas trevas do pecado são iluminados pelo Espírito Santo, tornando-se filhos da luz. Ao verem o cego, os discípulos perguntam a Jesus se a sua cegueira era castigo pelos pecados dele ou dos pais. Jesus afirma que os defeitos físicos não são castigos divinos. O pecado não nos cega fisicamente, mas espiritualmente. Ficamos às escuras, tateando sem saber o caminho. Assim, corremos o risco de nos perdermos tomando caminhos errados em nossas vidas e, muitas vezes, graças ao obscurecimento de nossa consciência, amortizada por uma cultura relativista e amoral, nem ao menos conseguimos perceber que estamos no erro. Mas no cego de nascença irá se manifestar a obra de Deus. Obra em dia de sábado, portanto, proibida. O legalismo judaico chega ao ponto de impedir até mesmo Deus de trabalhar.


Diante da maravilha de ser restaurada a visão de um homem que nasceu cego, os verdadeiros cegos, os fariseus, verão apenas que Aquele que o curou “desrespeitou” o repouso sabático. Jesus cuspiu no chão, fez lodo com a saliva e ungiu os olhos do cego. É um sinal visível que Jesus usa para transmitir Sua graça: prefigura os sacramentos da Igreja. Depois, sem ter dito uma única palavra anteriormente, Jesus manda o cego lavar-se na piscina de Siloé. Não sabemos a distância que o cego percorreu, nem se conhecia bem a direção. Mas ele, na fé, obedece. Também nós, em meio às incertezas que o mundo moderno nos oferece, devemos confiar nas palavras de Jesus e ainda que não enxerguemos para onde o caminho pode nos levar, não entendamos muitas vezes o porquê de tantos sofrimentos e contrariedades em nossa peregrinação terrestre, continuemos andando na fé, que é a certeza daquilo que não se vê. O cego lava-se na piscina de Siloé, que quer dizer “Enviado” e passa a ver. O Enviado do Pai é a fonte de luz que ilumina o mundo. É Nele que somos batizados e passamos à luz. Que tristeza, quantas pessoas ainda amam as trevas e rejeitam a Luz do mundo.


Diante do milagre, as pessoas se maravilham e chegam a duvidar que seja a mesma pessoa que era cega. Os fariseus o interrogam várias vezes, interrogam seus pais, não para confirmar a ação de Deus, mas para acusar Jesus. Não vemos o mesmo acontecendo hoje com Seu Corpo, a Igreja, que é o prolongamento de Cristo na História? Homens e mulheres sujos, piores que os fariseus, lançam no rosto da Igreja os pecados de seus filhos, dão exagerada ênfase aos escândalos de poucos membros do clero como se todos se comportassem da mesma maneira. Esquecem de todas as contribuições da Igreja para a formação da cultura ocidental, da caridade exercida no mundo, campo onde nada nem ninguém a supera, dos santos e santas e, principalmente, de ser sacramento de salvação para os homens.


O cego dá testemunho de Jesus diante de todos. Julga-O profeta. Não O conhece com profundidade, nem ainda tinha visto Seu rosto. Mas sabe que Deus age Nele. Sendo assim, os fariseus o excomungam. Não aceitaram ser ensinados por um homem nascido todo em pecado. Os fariseus criam que a cegueira era sinal dos pecados. Em seu orgulho obstinado, não perceberão que todos nós – perfeitos ou deficientes – nascemos com o pecado original e precisamos ser iluminados por Deus. No final do Evangelho, Jesus irá afirmar a alguns fariseus que O acompanhavam que cego é aquele que não quer ver, não quer reconhecer o Cristo e permanecem no pecado. Porém, ao cego de nascença que agora via perfeitamente faltava-lhe fazer a sua profissão de fé. Jesus o procura. Ele não conhece a fisionomia do Senhor, mas Jesus o conhece, assim como conhece a cada um de nós e não Se cansa de procurar-nos. E Ele lhe pergunta se crê no Filho do homem, no Messias prometido, no Salvador. O ex-cego ainda pensa que Aquele que o curou é um profeta e que está lhe anunciando o Cristo. Todavia, Jesus Se revela a ele: “TU O VÊS”, não somente com os olhos físicos, mas, sobretudo com os olhos da alma. E ele crê e O adora.


A maioria de nós foi batizada quando éramos bebê. Fomos iluminados na fonte do Espírito e passamos ao Reino de Luz. Mas quantos de nós não fizemos ainda a nossa profissão de fé, não crescemos na vida cristã, não nos prostramos aos pés de nosso Senhor Jesus Cristo. Nesta Quaresma, tempo forte de conversão, façamos um bom exame de consciência, revejamos nossas vidas diante de Deus, se ainda estamos nas trevas do pecado e se queremos continuar nela. Que Deus nos dê esta coragem de rompermos com nosso orgulho e deixemos Jesus Cristo iluminar a nossa alma.