10 de jul de 2009

As origens da igreja anglicana - Parte II


São Thomas Becket
Dando continuidade a refutação sobre a origem do anglicanismo informada pelo reverendo Aldo e por nosso leitor Alex. A partir do século X, a Grã-Bretanha, juntamente com o continente europeu, sofre uma segunda invasão bárbara: a dos vikings que a devastaram. Muitos cristãos são martirizados e basta uma breve consulta sobre a sucessão dos arcebispos da Cantuária neste período para se confirmar isto. Somente com a cristianização dos povos escandinavos que o terror cessa. Os vikings tomam a Grã-Bretanha e em 1017, Canuto I (que viria a ser imperador escandinavo) é coroado rei de toda a Inglaterra. Em peregrinação à Roma (1027) colocou seu reino sob a obediência direta do Papa. Porém, não se pode afirmar que a Igreja na Inglaterra tenha sido obrigada a se submeter à Roma. Ao contrário. A Igreja na Inglaterra sempre teve que lutar pela sua liberdade frente à ingerência real. O arcebispo da Cantuária, São Thomas Becket, que lutava pela liberdade da Igreja motivado pela reforma gregoriana que visava por fim às investiduras laicas, foi martirizado no ano de 1170 pelo rei Henrique II. A liberdade da Igreja na Inglaterra só foi garantida na Carta Magna (1215).


O fundador da igreja Anglicana (chamada também de Episcopal) foi o rei inglês Henrique VIII. Este recebeu do Papa Leão X o título de "Defensor da Fé" pela sua obra "Afirmação dos Sete Sacramentos" em resposta a obra de Lutero chamada "O Cativeiro Babilônico". Todavia, em resposta à recusa da anulação de seu casamento feita pelo Papa (posteriormente Henrique VIII casou-se e descasou-se sete vezes), o Rei instigou, em fevereiro de 1531, a assembléia do clero a proclamá-lo "Chefe Supremo da Igreja na Inglaterra" o que na prática rompia a relação e a subordinação eclesiástica com a Santa Sé. Em 1532, o rei elevou à categoria de arcebispo de Cantuária (cargo mais alto da hierarquia anglicana) Thomas Cranmer que, numa viagem a Alemanha, tinha entrado em contato com o luteranismo.



A partir daí, a Igreja Anglicana afastou-se em muitos aspectos da doutrina católica, sendo muito influenciada por idéias calvinistas e luteranas. Consequentemente, muitos mosteiros foram fechados, relíquias e imagens foram destruídas. Apesar de guardar alguns aspectos da doutrina católica como os sete sacramentos e a hierarquia episcopal, nega a comunhão dos santos e a veneração à Virgem Maria. Não obstante, a hierarquia episcopal anglicana não é reconhecida pelo Vaticano, uma vez que foi reconstituída por Elisabeth I no ano de 1559, após ter sido praticamente extinta pelo rei anterior, quando nomeou um capelão dela a categoria de arcebispo de Cantuária, segundo um ritual novo chamado "Ordinal", confeccionado no reinado de Eduardo VI. (Bettencourt)

Henrique VIII
Henrique VIII desapropriou a Igreja e os católicos e os perseguiu condenando-os à morte. Inclusive seu chanceler, São Thomas More foi condenado à decapitação. As ordenações na igreja anglicana são inválidas e, portanto, se à época de Henrique VIII constituía um cisma, hoje a situação é mais grave:


“Por isto, e aderindo estritamente, neste caso, aos decretos dos pontífices, nossos predecessores, e confirmando-os mais completamente, e, como o foi, renovando-os por nossa autoridade, de nossa própria iniciativa e de conhecimento próprio, pronunciamos e declaramos que as ordenações conduzidas de acordo com o rito Anglicano foram, e são, absolutamente nulas e totalmente inválidas.” (Papa Leão XIII, Bula Apostolicae Cureae, 36 Apud. BRODBECK)


“O defeito de forma, no Ordinale eduardino, foi uma das razões mais fortes que determinou a decisão de Leão XIII contra a validez das ordenações anglicanas; defeito de forma que, como em seguida se vê, reflete um defeito de intenção. A razão que levou Leão XIII a não reconhecer como válidas – por defeito de forma – as ordenações anglicanas é substancialmente a mesma pela qual o Cardeal Legado Polo, enviado à Inglaterra nos tempos de Maria Tudor, não reconheceu como válidas as ordenações anglicanas realizadas de 1550 a 1553, sob Eduardo VI. Só quem tivesse sido ordenado antes de 1550, isto é, antes da composição do Ordinale eduardino, é que foi reconhecido como verdadeiro Bispo e como verdadeiro sacerdote tanto pelo Legado Polo como pela Rainha Maria. Quem tivesse sido ordenado segundo o Ordinale eduardino e manifestasse o desejo de ainda se dedicar à vida sacerdotal, era re-ordenado ‘de novo et absolute’. Os casos registrados são muitos, tanto antes como depois de 1704, ano em que essa disciplina foi declarada obrigatória pela Igreja Católica.” (REGINA, Prof. Giuseppe. O Anglicanismo. Panorama histórico e síntese doutrinária, São Paulo: Paulinas, 1960, p. 191, Ibidem)


Referências:

BETTENCOURT, Dom Estêvão. Apostolado Veritatis Splendor: O PROTESTANTISMO E SUA GENEALOGIA - PARTE II. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/801. Desde 02/07/2003.

BRODBECK, Rafael Vitola. Apostolado Veritatis Splendor: A SUCESSÃO APOSTÓLICA NA IGREJA ANGLICANA. A QUESTÃO DAS ORDENAÇÕES ANGLICANAS SEGUNDO LEÃO XIII. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4411. Desde 17/08/2007.


2 comentários:

  1. Fostes só pela versão fantasiosa,onde o autores consultados(dom estevão e rafael vitola brodbeck)além de serem membros de uma ordem episcopal/papista romana,ao escreverem tal obra,antes de mais nada deveriam escrever os mesmos,usando critérios que não fossem contra dogmas papais.POIS POIS MACUNAÍMA,TENS QUE ACORDAR,ANTES O SOL VOS DERRETA O RESTO DE VOSSO CÉREBRO(SE ÉS QUE AINDA POSSUAS UM)!

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  2. Fantasiosa? História virou fantasia, pois é. rsrsrs

    Claro. Henrique VIII foi um santo homem, honesto, tolerante, fiel a esposa (qual das sete?). Eu me divirto.

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