31 de jul de 2009

Os aliados de Lula

Depois de o presidente Lula ter vendido a alma para o diabo, fazendo alianças políticas para poder governar, alianças inimagináveis para o PT há um tempo atrás, como o apoio do ex-presidente e senador Fernando Collor (quem se lembra da posição do PT e do Lula na campanha presidencial de 1989 e do impeachment?) e do senador Renan Calheiros, o que lhes valeu até elogios presidenciais, além do apoio mútuo entre o Lula e José Sarney. Mas não é somente na política interna que Lula tem apoios e apóia pessoas, digamos, de caráter contestável. Recentemente, a ONG internacional Human Rights Watch divulgou uma nota afirmando que o Brasil está usando seu voto no Conselho de Direitos Humanos da ONU “para proteger países com um espantoso registro de violações.

“Nós queríamos que o Brasil usasse a sua influência regional para mostrar um exemplo mais positivo para a promoção e proteção dos direitos humanos. E, para fazer isso, o Brasil tem que acabar com essa ideia de que a situação de direitos humanos é uma questão interna porque não é”, disse o diretor da Human Rights Watch, Iaian Levine


Vamos, então, conhecer àqueles que o governo Lula apóia:




Hugo Chávez, Venezuela: difunde e financia com seus petrodólares, em toda a América Latina, a tal “revolução bolivariana” para implantar o “Socialismo do século XXI”. Plano elaborado no Foro de São Paulo, que reúne membros da esquerda, desde políticos moderados á ditadores e terroristas. Chávez restringe cada vez mais a liberdade de expressão e imprensa na Venezuela; desrespeita outros poderes da República; persegue a oposição; expropria a seu bel-prazer propriedade privada; mudou a lei eleitoral em seu país para que possa ser eleito indefinidamente. Quer ingressar no Mercosul e, apesar de não cumprir requisitos mínimos exigidos sobre democracia e economia para tal ingresso, tem o apoio do Lula.



Evo Morales, Bolívia: outro membro do Foro de São Paulo. Fruto do marketing político que fez do cocaleiro, um indígena nato, seguidor de suas tradições (coisa que está longe de ser), rapidamente tomou a decisão de estatizar (palavra bonitinha para roubo) propriedades privadas, inclusive da Petrobrás, pagando indenização irrisória sem que Lula tomasse as devidas providências. Lula preferiu ficar ao lado de Morales e não do povo brasileiro que foi roubado. À exemplo de Chávez, também promoveu uma reforma constitucional, aumentando seus poderes e para poder se reeleger quantas vezes quiser. Persegue a oposição, fomenta atentados e dividiu o país quase e gerando uma guerra civil.






Fidel Castro, Cuba: grande ícone e fomentador do Foro de São Paulo. O apoio e a admiração de Lula ao ditador cubano são conhecidos de todos. Fidel liderou a revolução cubana em 1959 e durante seu regime ditatorial, foram mortas 300 mil pessoas, enviou tropas para lutar na África, reprimiu a oposição e o povo que se tornou prisioneiro da ilha. Os desrespeitos aos direitos humanos continuam no governo de seu irmão, Raul. Não há nenhuma perspectiva de democracia a curto e médio prazo e mesmo assim Lula defende o fim do embargo (?) a Cuba e a sua reabilitação na OEA.




Omar Al Bashir, Sudão: o governo Lula usa seu voto na ONU para defender o presidente sudanês. Por várias vezes, o Brasil, ou melhor, o governo Lula se absteve em aprovar ações mais contundentes contra o genocídio que acontece no Sudão, especialmente na região de Darfur, onde foram mortas mais de 300 mil pessoas e milhões de refugiados em seis anos de guerra. Omar Al Bashir foi condenado à prisão pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia. O Sudão fornece armas para grupos terroristas, especialmente palestinos. Bashir não esconde sua satisfação com o apoio de Brasília.






Mahmoud Ahmadinejah, Irã: o controvertido presidente iraniano conta com o apoio de Hugo Chávez. Nega o holocausto dos judeus na segunda Guerra, governa um país teocrático com sérias restrições à liberdade individual, desrespeito aos direitos humanos e foi reeleito numa eleição com grandes indícios de fraude. Financia grupos terroristas e está se armando e é clara a intenção de produzir armas nucleares. Lula apóia o programa nuclear do Irã apesar das inúmeras recomendações e restrições dos observadores da ONU e da comunidade internacional.




Kim Jong-il, Coreia do Norte: em meio às pressões internacionais e ações – como embargos financeiros – contra a Coréia do Norte, que, sob comando do ditador Kim Jong-il, realiza testes nucleares e balísticos contrariando resoluções proibitivas da ONU, ameaçando começar uma guerra na região. Além disso, a Coreia do Norte é famosa pelos seus campos de concentração e pela fome que atinge metade da população. Mesmo assim, Lula pretende abrir uma embaixada naquele país que não recebe turistas, tem uma relação comercial insignificante com o Brasil. Por que abrir uma embaixada em Pyongyang senão por aproximação ideológica? Afinal, o governo Lula já se absteve de condenar os campos de trabalho forçado norte-coreanos.

Além de todos estes líderes, o governo Lula também mantém relações com grupos terroristas – como os Hamas – e narcoterroristas, como as FARC’s, tradicional aliada desde o Foro de São Paulo. Com a fachada do asilo político, mantém Olivério Medina – membro das FARC’s – como embaixador do grupo guerrilheiro. As relações entre o governo, o PT e as FARC’s ficaram comprovadas nos registros encontrados no computador do líder Raúl Reyes. Tudo leva a crer que as FARC’s tenham doado dinheiro – do tráfico de drogas, diga-se – para a campanha presidencial de Lula.

O governo Lula apóia a China, famosa pelos desrespeitos aos direitos humanos, censura, perseguição política e religiosa, cerceamento das liberdades individuais. O governo Lula quer desesperadamente conseguir um assento no Conselho de Segurança da ONU, ou melhor, quer produzir mais uma ação de efeito para enganar o povo, se mostrando como o maior e melhor governo que o Brasil já teve, querendo dar a entender que elevou o país no cenário mundial. Por causa disso, se põe ao lado de qualquer país que possa apoiá-lo. Neste sentido, Lula se alinha com países islâmicos e árabes, como o Paquistão e Arábia Saudita, conhecidos pelos seus históricos de crimes contra os direitos humanos. Vota alinhado com eles, inclusive, protegendo o já citado Al-Bashir, que tem livre acesso nos países-membro da Liga Árabe. Lula até preferiu apoiar o egípcio Farouk Hosny em vez do brasileiro Márcio Barbosa para ocupar o cargo de diretor-geral da UNESCO. O governo Lula também se omitiu na ONU diante dos massacres ocorridos no Sri Lanka entre o governo e militantes dos Tigres Tâmil.

O Brasil sempre teve a boa fama de ser um país pacífico e que resolve seus conflitos diplomaticamente. Porém, ser pacífico não significa ser omisso, principalmente quando os direitos básicos do ser humano está sendo violado. Corremos o sério risco de passarmos de um país pacífico para um país passivo. E todos sabem em que lugar os passivos tomam.



26 de jul de 2009

A Multiplicação dos pães (João 6, 1-15)


"Jesus, percebendo que queriam arrebatá-lo e fazê-lo rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte.” (Jo. 6, 15)

Jesus faz o milagre da multiplicação dos pães, alimentando, com apenas cinco pães e dois peixes, uma multidão de mais de cinco mil pessoas que O seguia e ouvia Seus ensinamentos. Estas pessoas não tinham aonde comer e nem comprar o alimento. Jesus, contando com a generosidade de um menino que lhe doou os pães e os peixes, pôde alimentá-las e ainda sobraram doze cestos cheios. Diante deste maravilhoso milagre, a multidão queria coroá-lo rei, o que Ele rejeita imediatamente. Aquelas pessoas não haviam compreendido o significado profundo de tal milagre. Não era o fato de tê-los alimentado que contava. Jesus, no dia seguinte, faz Seu discurso sobre o Pão da Vida, a eucaristia. Ele mesmo daria Sua carne e Seu sangue como alimento, o verdadeiro alimento que não mantém a vida do corpo, mas dá a vida eterna. É Seu corpo, único pão, que se multiplica nos altares de Sua Igreja e alimenta Seu povo. A sobra de doze cestos cheios significa exatamente isto: seus doze apóstolos foram encarregados de distribuir os pães e em seus doze cestos sobraram aquele pão que era destinado a alimentar outras pessoas que não estavam ali. Estas pessoas somos nós que recebemos o Pão das mãos dos sucessores dos apóstolos, os bispos e seus colaboradores, os padres.

A incompreensão do povo que presenciou este milagre continua quando quer coroar Jesus como rei. De fato, Jesus é rei, mas Seu Reino não é deste mundo e queriam que fosse seu rei somente porque se saciaram. O Reino de Deus é mais do que bem-estar. Aliás, Jesus nunca prometeu isto para quem quer segui-Lo. Hoje, vemos muitos líderes que surgem em duas áreas, atraindo o povo prometendo exatamente isto. Uma das áreas é na religião. Proliferam-se igrejas e pastores prometendo bem-estar, vida confortável. Há casos, como nas áreas mais pobres ou como aconteceu na Guatemala após a passagem de um furacão, que estes pastores e missionários evangélicos, mostram e oferecem alimento aos necessitados para que se convertam à suas igrejas. Isto contraria a caridade que deve ser desinteressada. A caridade pode atrair as pessoas que reconhecem em quem a pratica, a bondade de Deus. Boas obras – se é que tais atitudes podem ser consideradas boas – jamais podem ser moeda de troca. Jesus nunca coagiu ninguém a se converter, nem antes nem depois de um milagre.


Outra área que tais líderes aparecem, é na política. O populismo que avança, principalmente nos países da América Latina, é uma prova disto. Aqueles governos que prometem ou dão dinheiro em forma de bolsa aquilo, bolsa isso, de maneira puramente assistencialista, são os mais populares. São estes presidentes que são aclamados “reis”. E usam esta popularidade para manipular o povo, chantageá-lo – caso saiam do governo, a mamata acaba – para se perpetuarem no poder. E, por detrás destes governos, há ações imorais e anticristãs.


Devemos combater a fome no mundo e, sem dúvida, a Igreja é a principal instituição que a faz. Deus nos deu alimento suficiente para alimentar satisfatoriamente toda a população do planeta. As técnicas agrícolas inovadoras que aumentaram e baratearam a produção de alimentos contrariaram todas as previsões catastróficas que apontavam para uma carestia em níveis nunca vistos. O que nos falta é distribuir este alimento, não desperdiçá-lo e os mais ricos colaborarem com tecnologia e planos de desenvolvimento agrícola nas áreas mais pobres do planeta. Ou seja, o que nos falta é conversão, é deixarmo-nos guiar pela caridade de Cristo aumentada em nós pela eucaristia. E lembremos sempre que "não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus". E que Palavra é essa senão Aquela que se fez carne por nós?



10 de jul de 2009

As origens da igreja anglicana - Parte II


São Thomas Becket
Dando continuidade a refutação sobre a origem do anglicanismo informada pelo reverendo Aldo e por nosso leitor Alex. A partir do século X, a Grã-Bretanha, juntamente com o continente europeu, sofre uma segunda invasão bárbara: a dos vikings que a devastaram. Muitos cristãos são martirizados e basta uma breve consulta sobre a sucessão dos arcebispos da Cantuária neste período para se confirmar isto. Somente com a cristianização dos povos escandinavos que o terror cessa. Os vikings tomam a Grã-Bretanha e em 1017, Canuto I (que viria a ser imperador escandinavo) é coroado rei de toda a Inglaterra. Em peregrinação à Roma (1027) colocou seu reino sob a obediência direta do Papa. Porém, não se pode afirmar que a Igreja na Inglaterra tenha sido obrigada a se submeter à Roma. Ao contrário. A Igreja na Inglaterra sempre teve que lutar pela sua liberdade frente à ingerência real. O arcebispo da Cantuária, São Thomas Becket, que lutava pela liberdade da Igreja motivado pela reforma gregoriana que visava por fim às investiduras laicas, foi martirizado no ano de 1170 pelo rei Henrique II. A liberdade da Igreja na Inglaterra só foi garantida na Carta Magna (1215).


O fundador da igreja Anglicana (chamada também de Episcopal) foi o rei inglês Henrique VIII. Este recebeu do Papa Leão X o título de "Defensor da Fé" pela sua obra "Afirmação dos Sete Sacramentos" em resposta a obra de Lutero chamada "O Cativeiro Babilônico". Todavia, em resposta à recusa da anulação de seu casamento feita pelo Papa (posteriormente Henrique VIII casou-se e descasou-se sete vezes), o Rei instigou, em fevereiro de 1531, a assembléia do clero a proclamá-lo "Chefe Supremo da Igreja na Inglaterra" o que na prática rompia a relação e a subordinação eclesiástica com a Santa Sé. Em 1532, o rei elevou à categoria de arcebispo de Cantuária (cargo mais alto da hierarquia anglicana) Thomas Cranmer que, numa viagem a Alemanha, tinha entrado em contato com o luteranismo.



A partir daí, a Igreja Anglicana afastou-se em muitos aspectos da doutrina católica, sendo muito influenciada por idéias calvinistas e luteranas. Consequentemente, muitos mosteiros foram fechados, relíquias e imagens foram destruídas. Apesar de guardar alguns aspectos da doutrina católica como os sete sacramentos e a hierarquia episcopal, nega a comunhão dos santos e a veneração à Virgem Maria. Não obstante, a hierarquia episcopal anglicana não é reconhecida pelo Vaticano, uma vez que foi reconstituída por Elisabeth I no ano de 1559, após ter sido praticamente extinta pelo rei anterior, quando nomeou um capelão dela a categoria de arcebispo de Cantuária, segundo um ritual novo chamado "Ordinal", confeccionado no reinado de Eduardo VI. (Bettencourt)

Henrique VIII
Henrique VIII desapropriou a Igreja e os católicos e os perseguiu condenando-os à morte. Inclusive seu chanceler, São Thomas More foi condenado à decapitação. As ordenações na igreja anglicana são inválidas e, portanto, se à época de Henrique VIII constituía um cisma, hoje a situação é mais grave:


“Por isto, e aderindo estritamente, neste caso, aos decretos dos pontífices, nossos predecessores, e confirmando-os mais completamente, e, como o foi, renovando-os por nossa autoridade, de nossa própria iniciativa e de conhecimento próprio, pronunciamos e declaramos que as ordenações conduzidas de acordo com o rito Anglicano foram, e são, absolutamente nulas e totalmente inválidas.” (Papa Leão XIII, Bula Apostolicae Cureae, 36 Apud. BRODBECK)


“O defeito de forma, no Ordinale eduardino, foi uma das razões mais fortes que determinou a decisão de Leão XIII contra a validez das ordenações anglicanas; defeito de forma que, como em seguida se vê, reflete um defeito de intenção. A razão que levou Leão XIII a não reconhecer como válidas – por defeito de forma – as ordenações anglicanas é substancialmente a mesma pela qual o Cardeal Legado Polo, enviado à Inglaterra nos tempos de Maria Tudor, não reconheceu como válidas as ordenações anglicanas realizadas de 1550 a 1553, sob Eduardo VI. Só quem tivesse sido ordenado antes de 1550, isto é, antes da composição do Ordinale eduardino, é que foi reconhecido como verdadeiro Bispo e como verdadeiro sacerdote tanto pelo Legado Polo como pela Rainha Maria. Quem tivesse sido ordenado segundo o Ordinale eduardino e manifestasse o desejo de ainda se dedicar à vida sacerdotal, era re-ordenado ‘de novo et absolute’. Os casos registrados são muitos, tanto antes como depois de 1704, ano em que essa disciplina foi declarada obrigatória pela Igreja Católica.” (REGINA, Prof. Giuseppe. O Anglicanismo. Panorama histórico e síntese doutrinária, São Paulo: Paulinas, 1960, p. 191, Ibidem)


Referências:

BETTENCOURT, Dom Estêvão. Apostolado Veritatis Splendor: O PROTESTANTISMO E SUA GENEALOGIA - PARTE II. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/801. Desde 02/07/2003.

BRODBECK, Rafael Vitola. Apostolado Veritatis Splendor: A SUCESSÃO APOSTÓLICA NA IGREJA ANGLICANA. A QUESTÃO DAS ORDENAÇÕES ANGLICANAS SEGUNDO LEÃO XIII. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4411. Desde 17/08/2007.


2 de jul de 2009

Michael Jackson e o sofrimento na sociedade contemporânea


Uma overdose de analgésicos foi a primeira e mais forte hipótese levantada sobre a morte do cantor Michael Jackson. Sabia-se que Jackson fazia uso de medicamentos que tinham efeitos semelhantes à morfina e, provavelmente, fosse viciado nestes remédios. Michael Jackson teve uma infância marcada por sessões de espancamentos e humilhações praticadas por seu pai. O menor erro nos ensaios dos Jackson’s Five era motivo para as surras. Seu pai o humilhava quanto a sua aparência na adolescência, sobretudo destacando seu nariz e suas espinhas. Tanto era o medo que o pequeno Michael sentia do pai que chegava a vomitar. Tudo isto causou marcas e traumas profundos no cantor que, apesar do sucesso e dinheiro, teve uma vida marcada pelos sofrimentos, inclusive causados pelas acusações – pelo que parece – injustas de abuso de crianças. Michael se refugiou nos remédios. Analgésicos, tranqüilizantes, antidepressivos, levam a uma sensação de bem-estar. Funcionam como escape do mundo, das dores, das dificuldades, assim como todas as drogas. Isto leva-nos a refletir sobre o momento que o mundo moderno atravessa. Há um medo da dor. Um medo do sofrimento e da morte. Mais do que um medo, que é natural e benéfico ao ser humano, uma fobia, um pavor do sofrimento.

Desde que se iniciou uma descristianização do Ocidente, nossa sociedade não encontra mais sentido no sofrimento. Há uma tentativa de aboli-lo a qualquer custo. É justo que nos esforcemos para aliviar o sofrimento das pessoas, seja este físico ou psíquico. A Igreja, a exemplo de Seu Mestre, sempre se esforçou para isto. Porém, o sofrimento, assim como a morte, é decorrência do pecado e mostra nossas limitações. Todo esforço para aliviar o sofrimento será sempre paliativo.

Nossa sociedade entrou numa busca desenfreada do prazer, do hedonismo que desemboca invariavelmente no egoísmo, no desamor para consigo e com o próximo. E quando não se consegue atingir esta felicidade, impossível de alcançá-la nesta vida terrena, fora de Deus, o ser humano busca refúgio nas drogas, na violência, e até no extremo do suicídio. O sofrimento, como já foi dito, existiu e existirá. Jesus Cristo deu novo sentido ao sofrimento. Diante do sofrimento que antevia no Getsêmani, Jesus sentiu uma suprema angústia que O fez suar sangue (Cf. Lc. 22, 39-44). Porém, não recuou diante do horror da cruz. Quando foram crucificá-Lo, rejeitou o vinho misturado com mirra que Lhe ofereciam (Cf. Mc. 15, 23) e que tinha o efeito de sedativo (deixo claro que não é imoral aliviar o sofrimento de moribundos, pessoas em estado terminal ou que sofram de dores terríveis). Jesus tinha o poder de descer da cruz e seus adversários desafiaram-No a fazer isto (Cf. Mc. 15, 32), porém Ele sabia que do Seu sofrimento e morte, Deus – que jamais quer o sofrimento para seus filhos – tiraria um bem maior, a salvação do gênero humano.


Nossa sociedade rejeita Deus, Suas leis, Sua Igreja. Num ambiente cada vez mais relativista e secularizado, cada pessoa faz sua própria moral e, ainda que não se declarem ateias, vivem como se Deus não existissem ou acabam criando seu próprio deus; a palavra de ordem é aproveitar a vida com todos os gozos que ela possa oferecer. Se não há vida eterna, por que se sacrificar? Qual valor em renunciar a nossos impulsos e paixões? Diante deste quadro, aparecem as conseqüências terríveis ao sermos atingidos, mais cedo ou mais tarde, pelo sofrimento. Não sabemos mais lidar com ele. A Igreja sempre ensinou que podemos unir nossos sofrimentos ao sofrimento de Cristo para a salvação do mundo. Ou seja, não sofremos em vão. Completamos em nós o que falta na paixão de Cristo (Cf. Cl. 1, 24). Deus está no comando de nossas vidas. Se sofremos por conseqüência dos nossos atos ou dos atos de outros, Deus tirará daí um bem. Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus (Rm. 8, 28). Através do sofrimento, Ele poda-nos para que demos mais frutos (Cf. Jo. 15, 1-8). Lembremos sempre que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada (Rm. 8, 18). Paciência e resignação não fazem mal a ninguém.