25 de mar de 2012

5º Domingo da Quaresma - O grão de trigo, morto, produz muito fruto

A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 12, 20-33

“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto.” (Jo 12, 24)

Os gregos que foram a Jerusalém querem se encontrar com Jesus e pedem para que o apóstolo Felipe intermedeie este encontro. Dirigem-se a um apóstolo com nome grego e natural de Betsaida, cidade ao norte da Galileia onde havia muitos estrangeiros. Não sabemos se o encontro aconteceu, mas Jesus nos informa de um encontro ainda maior, que reunirá gregos e judeus, todos os povos da Terra. Será glorificado na cruz. A cruz já é Sua glória. Quando Jesus for crucificado, atrairá todos a Si. Toda a humanidade estará sendo redimida pelo Seu sangue na cruz. Em Cristo se encontrará todos os povos que crerão n’Ele. Ele reunirá os filhos dispersos de Deus.

Jesus anuncia a necessidade de Sua morte para a salvação do mundo. Sua morte gerará os filhos de Deus. Na cruz, Jesus Cristo vence o diabo e seus seguidores precisarão seguir em tudo o Seu exemplo, sacrificando suas vidas por Ele e pelos irmãos. Somente o sacrifício da própria vida dá frutos para a eternidade.

Deus poderia salvar a humanidade por diversos meios, até mesmo por um ato de Sua vontade, mas escolheu enviar Seu Filho para que unindo a divindade à humanidade, pudesse aplacar a justiça divina, pois, nem mesmo o homem mais justo e santo que existisse não poderia restituir a graça de Deus. Somente Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem pôde fazer em tudo a vontade do Pai. Os pecados da humanidade se elevaram até atingir o maior deles: o assassinato do Filho de Deus. E como Deus somente permite o mal para que dele tire um bem maior, da morte de Jesus Cristo veio a salvação. Sendo obediente até a morte de cruz, Jesus venceu o diabo. Morrendo, venceu a morte e ressuscitando nos deu a vida. Assim como Jesus, sejamos obedientes ao Pai. Façamos, com o auxílio de Sua graça, a Sua vontade e não a nossa.



Sandy, como boa campineira, apoia casamento gay

Em entrevista publicada hoje (24/03) no jornal O Globo, Sandy, como boa campineira que é, revelou que é favorável ao casamento gay. Na verdade eu não vi a entrevista, mas o que foi publicado sobre ela no UOL (veja aqui). Achei as respostas sem pé nem cabeça. Mas vamos lá.

Primeiramente, Sandy afirma que não se considera atriz e que não tem a pretensão de se tornar a Fernanda Montenegro da noite para o dia. Sandy já está sendo pretensiosa. Não se tornaria a Fernanda Montenegro nem de um século para outro, quanto mais em tão pouco espaço de tempo.

"Não posso dizer que me sinto diferente, nem que as pessoas tenham preconceitos contra minha pessoa como atriz, por um único motivo: eu não sou atriz. Eu estava brincando de ser atriz. Nesses momentos posso ser chamada de atriz, mas não tenho essa formação. Então, melhor eu não me encaixar muito para não ser comparada com as feras. Não tenho a pretensão de virar a Fernanda Montenegro da noite para o dia."

Em seguida, Sandy afirma que é a favor da descriminalização do aborto. Mas a resposta é tão confusa que pareceu aos leitores da notícia que houve má intenção do jornalista querendo criar polêmica sobre o assunto. Vejam:

"Aborto, sob o ponto de vista jurídico, é crime. Eu defendo a descriminalização, principalmente quando a gravidez representa risco para a mãe ou o bebê".

Ou Sandy é totalmente ignorante sobre as leis ou a resposta não foi bem essa. Primeiro, diz que o aborto é crime sobre o ponto de vista jurídico. Ah vá! Depois defende a descriminalização em caso de risco para a mãe, mas a lei já prevê isto (lembrando que o aborto, em qualquer caso, pode não ser crime, mas é um assassinato, um pecado grave). E o mais interessante é defender o aborto em caso de risco para o bebê. Há alguma coisa que ponha a vida do bebê mais em risco do que o aborto? A lógica é a seguinte: o bebê está em risco de morte no útero materno. Solução: matá-lo!

Para finalizar, Sandy opina sobre religião:

"Eu me casei na igreja católica e luterana, que é a do meu marido. Não sou a favor de alguns preceitos da igreja. Sou contra o celibato, por exemplo, e acho muito retrógrado não usar camisinha".

A cantora diz que, apesar de batizada, não é católica praticante. Sendo favorável ao "casamento gay" e ao aborto já deu pra perceber. Sandy é contra o celibato! Justo quem era virgem até ontem! Fica claro que os motivos não eram religiosos. Talvez fossem malthusianos.


2º Domingo da Quaresma - A Transfiguração de Cristo

A Boa Notícia de Jesus Cristo




Marcos 9, 2-10

“Formou-se então uma nuvem que os encobriu com sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é meu Filho muito amado; ouvi-O.” (Mc 9, 7)

Em caminho para Jerusalém, onde ia sofrer Sua Paixão e morte, Jesus leva três de seus discípulos, Pedro, Tiago e João ao monte Tabor e no alto do monte, revela-lhes Sua glória. Seis dias antes, Jesus havia declarado que alguns que estavam com Ele não morreriam antes de ver o poder do Reino de Deus. A transfiguração de Jesus é uma amostra da Sua glória que alcançará após a ressurreição. No monte – lugar onde Jesus se encontra na intimidade da oração com o Pai – a divindade de Jesus fica patente diante dos olhos dos três apóstolos, que mais tarde serão as colunas da Igreja.

Neste momento, aparecem Moisés e Elias e conversam com Jesus. Os representantes da Lei e dos Profetas, ou seja, todo o Antigo Testamento, conversam com Jesus sobre o que acontecerá em Jerusalém, onde será instituída a Nova Aliança em Seu sangue. Jesus queria ensinar a seus discípulos – àqueles e a nós – que não há glória sem cruz, ou melhor, a Sua crucificação já é Sua glorificação. No evangelho de São João, Jesus deixa isto claro: Sua glorificação começa na cruz. Pedro, em êxtase e amedrontado diante da cena, oferece-se para construir três tendas para os que conversavam. Queria se fixar no monte, mas a missão dos apóstolos e, consequentemente, de toda a Igreja ainda é na planície, em meio ano mundo. Foi preciso descer do monte e enfrentar o sofrimento que decorre em seguir Jesus Cristo. Podemos ter experiências com Deus que nos enche de alegria, mas jamais devemos alienarmo-nos.

Enquanto falava, uma nuvem, a mesma nuvem que enche o Tabernáculo, o Espírito Santo os envolvem e o Pai lhes fala como no dia do batismo de Jesus: Este é meu Filho amado: ouçam-no. Ouçamos Jesus. Ouçamos tudo o que Ele nos tem a dizer, porque só Ele tem palavras de vida eterna. Em Jesus, o amor de Deus se revela. Deus, não podendo nos dar mais, deu-Se a Si mesmo. E este amor revela-se em sua plenitude no sacrifício da cruz. Portanto, ouçamos o que Jesus tem a nos dizer, a nos ensinar. Nesta sociedade hedonista e imediatista em que vivemos, onde vale tudo para banir o sofrimento, sigamos o exemplo de nosso Mestre, tomemos nossa cruz que a cada dia nos é apresentada. A cruz é o caminho para a glorificação.




18 de mar de 2012

4º Domingo da Quaresma - Alegremo-nos, Deus nos ama!

A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 3, 14-21

“Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu Seu Filho único, para que todo que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3, 16)

Ninguém pode duvidar do amor de Deus para conosco. Ainda quando éramos pecadores, Deus nos deu o Seu Filho gerado desde toda a eternidade para que possamos ser salvos por Sua morte e ressurreição. Deus nos amou primeiro e, para que sejamos salvos de nossos pecados, exige que aceitemos este convite ao amor, crendo em Jesus Cristo, Seu Filho, como nosso Senhor e Salvador.

Jesus nos diz que aqueles que não creem Nele, não podem se salvar. Não é uma falha em Sua misericórdia. Deus respeita a liberdade humana e nada pode diante daqueles que livremente rejeitam a salvação. Infelizmente a cada dia vemos aumentar a rejeição a Cristo e à Sua Igreja numa crescente cristianofobia que, inclusive, já ceifou vidas de cristãos em pleno século XXI. A humanidade mergulha a cada dia nas trevas e a chama de luz.


15 de mar de 2012

A perseguição ao padre Paulo Ricardo

Por falta de um sacerdote não perecerá a lei, nem pela falta de um sábio, o conselho, ou pela falta de um profeta, a palavra divina. Vinde e firamo-lo com a língua, não lhe demos ouvidos às palavras. (Jeremias 18, 18)

Ataques realizados por inimigos externos à Igreja são compreensíveis. Agora, quando os inimigos estão dentro da Igreja, dividem o pão contigo, a coisa fica feia. Padre Paulo Ricardo despontou no cenário religioso nacional como exemplo de total fidelidade ao magistério da Igreja. Coisa raríssima de se ver entre os religiosos, padres e bispos do nosso querido Brasil. Então, quando sua voz começou a ser ouvida pelos católicos e soou diferente daquelas vozes que cantam inofensivas músicas “católicas” infantilóides ou melosas, daquelas que criticam o Papa ou a tradição da Igreja e, surpreendentemente para aqueles que querem “modernizar” a Igreja, atraiu muitos jovens, o Padre Paulo Ricardo começou a causar incomodar uma parte de seus “irmãos”. Assim como a Igreja, Padre Paulo Ricardo se opõe ao marxismo, em todas as suas vertentes. Obediente às normas, é zeloso com a liturgia. Como um sacerdote deve ser, defende a doutrina católica em sua integridade. Resumindo, é fiel à Roma. Nada especial, pois é o que se espera de todos os católicos, clérigos ou leigos.

Graças a tudo isso, o padre Paulo Ricardo passou a ser perseguido por quem menos se espera – será? – por seus irmãos no sacerdócio. As suas palavras – se discutível no tom, acertadas no conteúdo – entraram como um punhal no peito daqueles que deveriam pastorear o povo e aproveitar o período quaresmal para rever suas posições e se converterem. Padre Paulo Ricardo só denuncia o que é evidente: a secularização do clero. Um grande mal que entrou na Igreja, causando escândalos e afugentando os fiéis. Seus opositores simplesmente resolveram calar o padre Paulo Ricardo. Depois de chamar o padre de “amargurado, fatigado, raivoso, compulsivo, profundamente infeliz e transtornado”, entre outros “elogios” direcionados por aqueles que afirmam fazer tudo em prol da unidade e da caridade, pedem, pura e simplesmente, que o padre Paulo Ricardo seja afastado de suas funções sacerdotais, seja calado e mantido em isolamento. Os defensores da liberdade de opinião querem calar o padre Paulo Ricardo.

Um dos temas que geraram a revolta foi o uso da batina. É claro que “o hábito não faz o monge”, mas o fato é que o traje clerical jamais foi abolido, ao contrário, segundo o Código de Direito Canônico (cân. 284) é obrigatório. E aos religiosos, segundo o cânon 669, parágrafo 1, é obrigatório o uso do hábito religioso. Porém, é raríssimo vermos um clérigo com os trajes convenientes: a batina ou o clergyman ou, para os religiosos, o hábito. Clérigos andam à paisana. É um sinal de secularização.

Nas diversas ocasiões que a Igreja foi perseguida, proibir o uso do traje clerical ou do hábito religioso foi praxe. Descaracterizar os religiosos sempre foi a primeira medida tomada por todos os governos anticatólicos na tentativa de acabar com a Igreja. Todos sabem o respeito que o povo católico tem pelos seus sacerdotes, especialmente quando são facilmente reconhecidos. Digo mais, até mesmo pessoas de outras confissões cristãs e religiões demonstram certa reverência com o sacerdote trajado como tal. Eu já presenciei este fato. Que bom quando se reconhece um padre em meio às outras pessoas.

Os padres revoltosos afirmam que o padre Paulo Ricardo promove a discórdia e a divisão da Igreja. Pois bem, onde estão as críticas àqueles sacerdotes e religiosos que atacam e desobedecem ao Papa, que pregam doutrinas contrárias à moral católica, que apóiam partidos ideologicamente anticatólicos, que cometem abusos na liturgia? Tudo isso não divide a Igreja e não gera confusão entre o povo de Deus?

O que nós, povo de Deus, queremos são pastores que defendam o rebanho e não os animaizinhos e as árvores da Amazônia, que nos defendam dos mercenários que proliferam suas heresias pelo Brasil, arrasando o rebanho de Cristo, que profeticamente condenem partidos e políticas anticatólicos, que celebrem a Santa Missa com decoro, que ensinem a doutrina católica, que estejam em plena comunhão com o pastor universal da Igreja, que se preocupem mais com as filas vazias do confessionário do que com as filas cheias dos hospitais públicos.

Enfim, rezemos pela santificação do clero. Rezemos para que o Santo Padre, o Papa Bento XVI continue sendo dócil ao Espírito Santo na condução da Igreja. Lembremos que a Reforma Gregoriana empreendida entre os séculos X e XII visava combater a secularização do clero e encontrou forte resistência. Já passamos por períodos conturbados, mas a Barca de Pedro sempre navegou segura, quando teve em seu leme um piloto como São Gregório VII ou Bento XVI.




11 de mar de 2012

3º Domingo da Quaresma - A purificação do Templo

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

João 2,13-25

“Respondeu-lhes Jesus: ‘Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias’”. (Jo. 2, 19)

Jesus sobe a Jerusalém para celebrar a festa da Páscoa. Encontra no átrio dos gentios que era a área do Templo reservada aos não-judeus que iam a Cidade Santa adorar ao Deus de Israel um grande comércio de animais para o sacrifício e bancas de câmbio, onde as moedas estrangeiras, consideradas idolátricas por conter a efígie do imperador, eram trocadas por moedas judaicas. Este comércio que começou a ser realizado nas proximidades do Templo, logo passou para dentro, com a tolerância e provável ganho das autoridades do Templo. Jesus constata a decadência do Templo e a proximidade de seu fim material.

Como sinal, Jesus purifica aquela que seria a casa de oração para todos os povos e que havia se transformado num lugar de disputas, comércio e negociatas de todos os tipos. Com a ocupação do átrio dos gentios, o Templo fechava suas portas para os não-judeus. Mas, com a vinda de Jesus, havia chegado o fim definitivo do Templo. Este não seria mais necessário – e, de fato, seria destruído definitivamente pelos romanos no ano 70 –, pois o Templo de Deus estava entre os homens. Não um Templo construído pelas mãos humanas, mas que tinha se feito carne no ventre da Virgem Maria. “O Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós”, esta tenda que remete ao primeiro templo do Deus verdadeiro, o tabernáculo móvel que acompanhou o Povo de Deus no deserto de perdurou até o reinado de Davi.

As autoridades não se opuseram ao ato de Jesus porque não era ilegal. Jesus devolvia ao Templo a sua dignidade de casa de Deus, mas os judeus querem saber com qual autoridade faz isso. E Jesus responde: “Destruam este templo e eu o reerguerei em três dias”. Ficam alarmados com tal resposta, pois é impossível reconstruí-lo em tão pouco tempo. Jesus fala de Si mesmo: anuncia Sua morte e ressurreição, cujo sentido os discípulos reconhecerão após a Páscoa definitiva; Seu corpo que será dilacerado com os açoites e na cruz. Os judeus não entendem que estão diante do Templo definitivo de Deus e que as autoridades judaicas, entregando-O aos romanos, O destruirão. Mas Jesus não ficará na morte. Este Templo não ficará em ruínas, como ficará o de Jerusalém a partir do ano 70. Jesus ressuscitará após três dias. O Templo será reconstruído e nunca mais será destruído. Jesus ressuscitará verdadeiramente em Seu corpo glorioso e jamais experimentará a morte e pela fé serão incorporados neste Templo, como pedras vivas, não somente os judeus, mas todos os povos da Terra.

2 de mar de 2012

Perseguição aos católicos na Europa


Conclusão

Concluímos, portanto, que o século XX foi o palco da destruição e expropriações de bens da Igreja Católica, da intolerância, tortura e do massacre de milhares, senão milhões, de católicos pelo simples e único fato de serem católicos, caracterizando, assim, um verdadeiro genocídio. As ideologias que sustentaram governos, partidos e instituições, tendo como herança e ponto de partida a Revolução Francesa, pretenderam eliminar a Igreja Católica do solo europeu. Maçons, liberais, positivistas, marxistas e nazistas consideravam a Igreja o grande obstáculo para o progresso dos diversos povos da Europa e, consequentemente, do progresso humano. O número de vítimas, os roubos e as destruições de igrejas e monumentos católicos na URSS e demais países comunistas, na Espanha e na Alemanha com todos os seus domínios demonstra que não houve um simples confronto de ideias contra oposicionistas ou limitações de pretensas regalias. O que houve foi uma tentativa de exterminar sistematicamente qualquer sinal da Igreja Católica em seus territórios, nem que para isso fossem assassinados milhares de seres humanos inocentes. Declarada culpada pelas atrocidades ocorridas na História ocidental, opressora e retrógrada, a Igreja Católica foi condenada à extinção e considerada um inimigo a ser abatido por todos os meios. Dessa forma, bispos, padres, freiras, religiosos e leigos foram caçados, presos, torturados e assassinados. Em pleno século XX, dois papas foram vitimas da intolerância: Pio XII livrou-se de um plano de sequestro dos nazistas e João Paulo II sobreviveu a um atentado a tiros (ROYAL, 2001, p. 16).

A impossibilidade de se chegar próximo a uma cifra das vítimas dos diferentes regimes que perseguiram os fiéis da Igreja Católica acaba por não transparecer a tragédia e a violência deste genocídio. Os números disponíveis se referem aos membros da hierarquia. Sendo alvos preferenciais, pois a destruição da hierarquia é a destruição da Igreja, se tornaram mais fáceis de ser rastreados. A perseguição aos católicos ocorrida na Europa na primeira metade do século XX, principalmente nas décadas de 1920 a 1940, não causa o mesmo interesse aos estudiosos como as práticas genocidas contra outros grupos étnicos ou religiosos, como o que sofreram os judeus, para citar como exemplo o genocídio mais emblemático. Royal (2001, p. 16) afirma que o genocídio dos católicos é relativamente pouco documentado e que a maioria dos relatos sobre os fatos foi produzida sob uma perspectiva puramente política. Para citar um exemplo, a obra O Livro Negro do Comunismo mal menciona a perseguição aos católicos. A literatura sobre o assunto é, sobretudo, produzida por autores que mantém relações com a Igreja e que não pretendem que tais massacres caiam no esquecimento e que estes não voltem a acontecer.

Mattera, apud. Socci (2003, p. 25) diz que, devido as perseguições, os católicos “contam suas vítimas aos milhares, seus fiéis sofrem torturas e humilhações de todo o tipo. Mas a opinião pública ocidental, precisamente a ‘cultura cristã’, não concede nenhuma atenção a esse drama, exceto em ambientes restritos”. O pouco interesse dos historiadores, organizações internacionais e demais agentes da mídia no assassinato de milhares de católicos ocorrido neste período que o artigo abrange e de todo o século XX se deve ao fato de a grande maioria compartilhar as ideologias que promoveram esse massacre. Exceto o nazismo que hoje é considerado crime na maioria dos países, todas as outras ideologias que serviram de motivação aos governos perseguidores têm seus adeptos nestes ambientes. Quando retratam os massacres, dificilmente a fazem com neutralidade e acabam apresentando os fatos do mesmo ponto de vista dos perseguidores: os católicos durante séculos perseguiram e mataram movidos pela intolerância, mas os jacobinos, bolcheviques e demais revolucionários mataram e destruíram em prol da justiça, retirando o obstáculo, a pedra do meio do caminho para o progresso e bem de todos (ORTÍ, 1990, pp. 393-394).

O que é visto, em regra geral, na historiografia e nos veículos da mídia são as repetições das mesmas acusações feitas à Igreja desde o Iluminismo. A força dos argumentos é tamanha que muitos membros da Igreja Católica, incluindo bispos e padres, em vez de conduzir um contra-argumento sério aos que acusam a Igreja, acabam aderindo às críticas e, muitas vezes, realizando uma autocrítica tão ou mais ferrenha, no que Messori chama de masoquismo dos católicos (MESSORI, 2004, p. 11). A divulgação do genocídio sofrido pelos católicos pode causar a comoção da opinião pública e esta passar a vê-los como vítimas, contrariando interesses político-ideológicos que tradicionalmente os apresentam como vilões.

De certa forma, a maneira como a Igreja Católica enxerga os mártires, ou seja, aqueles que são mortos in odium fidei ou in odium eclessae, pode colaborar para amenizar os relatos trágicos da perseguição. Para a Igreja, o martírio é a glória suprema, o sublime testemunho que um católico pode dar de sua fé e a imitação perfeita de seu fundador, Jesus Cristo. Enquanto os massacres vividos pelos judeus são denominados de Shoah, ou seja, destruição, desgraça, para a Igreja, a perseguição e o martírio, representam um momento de purificação, de prova de amor a Deus e aos irmãos e a cooperação com a redenção de Cristo (Lumen Gentium, 42).

Os regimes totalitários do século XX viram na Igreja Católica uma inimiga lógica e resolveram eliminá-la. Certamente, foi durante estes regimes que os católicos mais sofreram. Porém, a perseguição aos católicos continuou durante todo o século XX, em diversos países e das mais variadas formas. No entanto, não foram aprovadas leis que amparassem ou protegessem especificamente os católicos, proibindo ou criminalizando qualquer ideologia, publicação ou manifestação anticatólicas. Não há museus que preservam a memória das vítimas deste genocídio, a não ser igrejas dedicadas àquelas vítimas que foram oficialmente declarados mártires pela Igreja Católica. Entramos no século XXI sem nenhuma perspectiva no aumento da tolerância para com a Igreja Católica. Grande parte da perseguição ocorre, hoje, nos países de maioria muçulmana, mas os casos de intolerância, discriminação e violência voltam a crescer na Europa, através de sutis publicações, atos isolados de vandalismo e leis laicistas que limitam a liberdade e a consciência dos católicos. Ao conhecer o massacre pelo qual passaram os católicos europeus no século XX, estes fatos não deixam de ser preocupantes.



Referências Bibliográficas:

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ORTÍ, Vicente Cárcel. La Persecución Religiosa en España durante la Segunda República (1931-1939). 2. ed. Madrid: Rialp, 1990.

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ROYAL, Robert. Os Mártires Católicos do Século XX: uma História do Tamanho do Mundo. Cascais: Principia, 2001.

SOCCI, Antonio. Los Nuevos Perseguidos: Investigación sobre la Intolerancia Anticristiana en el Nuevo Siglo del Martirio. Madrid: Encuentro, 2003.

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