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25 de mar. de 2012

2º Domingo da Quaresma - A Transfiguração de Cristo

A Boa Notícia de Jesus Cristo




Marcos 9, 2-10

“Formou-se então uma nuvem que os encobriu com sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é meu Filho muito amado; ouvi-O.” (Mc 9, 7)

Em caminho para Jerusalém, onde ia sofrer Sua Paixão e morte, Jesus leva três de seus discípulos, Pedro, Tiago e João ao monte Tabor e no alto do monte, revela-lhes Sua glória. Seis dias antes, Jesus havia declarado que alguns que estavam com Ele não morreriam antes de ver o poder do Reino de Deus. A transfiguração de Jesus é uma amostra da Sua glória que alcançará após a ressurreição. No monte – lugar onde Jesus se encontra na intimidade da oração com o Pai – a divindade de Jesus fica patente diante dos olhos dos três apóstolos, que mais tarde serão as colunas da Igreja.

Neste momento, aparecem Moisés e Elias e conversam com Jesus. Os representantes da Lei e dos Profetas, ou seja, todo o Antigo Testamento, conversam com Jesus sobre o que acontecerá em Jerusalém, onde será instituída a Nova Aliança em Seu sangue. Jesus queria ensinar a seus discípulos – àqueles e a nós – que não há glória sem cruz, ou melhor, a Sua crucificação já é Sua glorificação. No evangelho de São João, Jesus deixa isto claro: Sua glorificação começa na cruz. Pedro, em êxtase e amedrontado diante da cena, oferece-se para construir três tendas para os que conversavam. Queria se fixar no monte, mas a missão dos apóstolos e, consequentemente, de toda a Igreja ainda é na planície, em meio ano mundo. Foi preciso descer do monte e enfrentar o sofrimento que decorre em seguir Jesus Cristo. Podemos ter experiências com Deus que nos enche de alegria, mas jamais devemos alienarmo-nos.

Enquanto falava, uma nuvem, a mesma nuvem que enche o Tabernáculo, o Espírito Santo os envolvem e o Pai lhes fala como no dia do batismo de Jesus: Este é meu Filho amado: ouçam-no. Ouçamos Jesus. Ouçamos tudo o que Ele nos tem a dizer, porque só Ele tem palavras de vida eterna. Em Jesus, o amor de Deus se revela. Deus, não podendo nos dar mais, deu-Se a Si mesmo. E este amor revela-se em sua plenitude no sacrifício da cruz. Portanto, ouçamos o que Jesus tem a nos dizer, a nos ensinar. Nesta sociedade hedonista e imediatista em que vivemos, onde vale tudo para banir o sofrimento, sigamos o exemplo de nosso Mestre, tomemos nossa cruz que a cada dia nos é apresentada. A cruz é o caminho para a glorificação.




12 de set. de 2011

Parábola do servo cruel

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 18, 21-35

“Assim vos tratará meu Pai celeste se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração.” (Mt 18, 35)

São Pedro pergunta a Jesus se devemos perdoar o irmão até sete vezes. Para o apóstolo, perdoar sete vezes já seria um ato magnânimo. Antes da Lei de Talião, o injustiçado podia se vingar sete vezes sobre o agressor. Exemplo: se alguém matasse um membro de sua família, você poderia matar sete membros da família do assassino. Com a Lei de Talião, a justiça era realizada causando ao agressor o mesmo tipo de agressão: o famoso “olho por olho, dente por dente”. Jesus surpreende a Pedro e a nós: deve-se perdoar sete vezes setenta, ou seja, perdoar sempre. E para ilustrar o alcance do perdão e o porquê devemos perdoar uns aos outros, Jesus conta-nos a parábola do servo cruel.

Na parábola, o servo que não tinha como pagar o Rei devia uma fortuna em toneladas de ouro e implorando sua misericórdia, é perdoado. Todos nós nascemos com o pecado original, sem a graça de Deus. Nossa dívida com Deus é imensa e não conseguimos pagar com nossos próprios esforços. Dependemos inteiramente da misericórdia divina. Por nossas próprias forças não poderíamos nos salvar. Por isso que Deus enviou Seu Filho ao mundo e é pela fé e pelo batismo que somos perdoados. Jesus carregou todos os nossos pecados e com Sua morte pagou a dívida que tínhamos para com Deus.

Diante disso, não podemos negar o perdão às pessoas que nos ofendem. O servo que foi perdoado pelo Rei, saindo de sua presença encontra um companheiro, da mesma condição que ele, que lhe deve algumas moedas, que, comparadas a sua dívida com o Rei é absolutamente nada. Mas ele não tem piedade e obriga o companheiro a que pague. Por mais grave que seja a ofensa dirigida a nós, ela é mínima diante de qualquer pecado que fere nossa relação com Deus, pois só Ele é perfeito. Deus nos perdoa sempre que nos arrependemos desde que perdoemos sempre àqueles que pecam contra nós.

Per doar não é fácil. Às vezes, perdoar exige virtudes heróicas. Os pecados contra nós podem ser gravíssimos: o assassinato de um ente querido, um estupro, pessoas que nos prejudiquem no trabalho, na vida familiar. Para perdoar, precisamos da ajuda do Espírito Santo que age em nós, pois o perdão é um dom. Perdoar é uma decisão. É assemelhar-se com Cristo. É ser misericordioso como o Pai é misericordioso. Olhemos para Jesus na cruz: perdoou a todos os seus algozes e mais, sendo inocente, levou sobre Si todas as nossas culpas, sentindo na pele todo o mal que o pecado faz.

O perdão de Deus traz esta condicionante: só seremos perdoados se perdoarmos nossos irmãos. Na parábola, o Rei retira seu perdão ao servo ao saber que não tratou o companheiro com misericórdia. Esta condição perpassa todo o Evangelho, inclusive na oração do Pai Nosso. Por isso, quando rezamos a oração do Senhor, façamos um exame de consciência para que estejamos dizendo a verdade diante de Deus.