24 de nov. de 2013

Mitologia, deuses gregos, neopaganismo, corpos sarados e anabolizantes

Zeus
O mito é uma forma de relato passado de geração para geração que visa explicar a origem do universo, dos seres e dos fenômenos da natureza. Os mitos gregos traziam conhecimentos sobre a natureza e questões filosóficas e éticas. Muitos mitos, principalmente sobre heróis gregos, surgiram baseados em fatos históricos. A mitologia grega era formada por deuses antropomórficos, ou seja, seus aspectos e ações eram semelhantes aos dos humanos. O que realmente os diferenciava dos seres humanos eram seus poderes extraordinários e a imortalidade. Graças a esta semelhança, os mitos acabavam regendo e avalizando aspectos sociais, como a guerra ou o amor. Os deuses eram modelos de como ser e viver.

Os deuses gregos viviam no Monte Olimpo. Há semelhanças entre as divindades gregas e de outras culturas antigas do Oriente, o que denota a forte influência que os helenos receberam destes povos. Em todas estas culturas (egípcia, babilônica, fenícia, hindu) os deuses personificam e controlam fenômenos da natureza, ações e sentimentos humanos. Já os romanos adotaram o panteão grego em sua mitologia apenas modificando os nomes de seus deuses. 

Poderíamos fazer uma analogia entre os mitos helenos e os “mitos” atuais. Nosso Monte Olimpo é a televisão. É lá que todos querem chegar. É da TV que partem os ideais estéticos, de beleza e de sucesso e, porque não, de comportamento. O que nos difere são as motivações que poderiam nos elevar a tal “glória”. Os helenos procuravam os feitos heroicos que os aproximavam dos deuses e nós, ao contrário, miramos as futilidades empregadas para tal divinização desconsiderando a falta de “poderes extraordinários”, ou seja, o talento. O que vale mesmo são os famosos quinze minutos de fama, alcançar a imortalidade do videotape.  

Poseidon
Além disso, os deuses gregos sempre são representados em suas estátuas com corpos musculosos e perfeitos - muitas vezes tão perfeitos que são irreais. Por este motivo, os helenos desenvolveram amplamente as atividades físicas aliadas às atividades intelectuais. Ter corpos sarados ia além do simples culto ao corpo. Era uma prática religiosa de aproximação à divindade, já que a religião grega não possuía regras de conduta nem de moralidade a se seguir para alcançar a imortalidade, ou Paraíso, como possui o cristianismo, parecer-se fisicamente com os deuses era parte da prática religiosa helenística. Muito diferente do que vemos hoje, onde o culto ao corpo é um fim em si mesmo e para conquistar um corpo que se julga perfeito em relação a um padrão estabelecido pela mídia e por questões mercadológicas, recorre-se a tudo, inclusive pondo a vida em risco com o uso de esteroides anabolizantes. Vivemos tempos de neopaganismo piores do que o dos antigos gregos, posto que o nosso, além de eliminar qualquer vestígio de transcendência, é mergulhado em total ignorância.  


21 de nov. de 2013

A Santa Missa: expectativa e realidade (Parte III)

Como deve ser: a música litúrgica é música sacra. O som do órgão e do canto gregoriano nos remete imediatamente às celebrações litúrgicas. É música de igreja. 

Como é: todos os ritmos e instrumentos aparecem nas igrejas. As Missas viraram shows com presença de bandas, cantores que dão “uma palhinha”, barulheira. Isso quando não parece simplesmente uma roda de viola ou um terreiro de candomblé.  


Como deve ser: os vasos litúrgicas devem ser purificados por um ministro consagrado (diácono ou sacerdote). A  purificação dos vasos que contiveram o corpo e sangue de Cristo nos remete às mulheres que enxugaram o sangue do Senhor durante a Via Dolorosa e de Nossa Senhora recolhendo o sagrado sangue de Cristo derramado no chão após a flagelação.

Como é: os vasos litúrgicos são purificados por qualquer um, por qualquer leigo e sem nenhuma ou pouca piedade, que parece mais que se está lavando a louça após um refeição. As alfaias sagradas não são guardanapos. 


Como deve ser: Sanctus é um hino composto pela junção do hino que os serafins dirigem a Deus e àquele que a multidão em Jerusalém dirige a Jesus. É um hino de louvor a Deus. 

Como é: é trocado por músicas infantilizadas acompanhadas por palmas, onde suas palavras são modificadas ao bel-prazer ou se canta alguma outra música baseada no Sanctus


Como deve ser: Os fiéis vão à Santa Missa com decoro e piedade na forma de se vestir, pois sabem que estarão diante da majestade de Deus. Colocam a melhor roupa, a “roupa de missa”. Antigamente, as mulheres usavam piedosamente o véu de missa que, diga-se, não foi abolido.
Como é: vão à Missa com qualquer roupa. Os homens vão de bermuda e camiseta regata. As mulheres chegam a ir com roupas indecorosas. 




7 de nov. de 2013

A Síria e o milagre do Papa Francisco

No dia 21 de agosto, um ataque com armas químicas matou mais de 1400 pessoas nos arredores de Damasco. Apesar de as evidências levarem ao governo sírio, não ficou comprovado que este tenha sido o autor do cruel ataque. Os países se movimentam. Fala-se de intervenção na guerra civil síria. Os EUA encabeçam as ameaças, seguidos pela França, Inglaterra e pela OTAN. Até mesmo a Liga Árabe se posiciona favorável a uma intervenção militar no país. China, Rússia e Irã dizem que defenderão sua aliada. O cheiro de guerra em proporções mundiais paira no ar. Nada parece deter um ataque iminente. Exercícios militares se iniciam no Mar Vermelho e no Mediterrâneo. Os efetivos militares norte-americanos estacionados na região são mobilizados. Uma intervenção semelhante a ocorrida na Líbia parece se desenhar. O presidente Bashar al-Assad recusa qualquer negociação e diz que está pronto para defender a Síria. O mundo espera o momento que o primeiro tomahawk lance aos ares uma instalação militar ou governamental damascena. 

Então, levanta-se em Roma o Homem de Branco. Ele não tem efetivos militares a não ser uma centena de mercenários suíços que o protegem. Ele não toma partido. Ele convoca o mundo para um dia de jejum e oração pela paz no mundo, especialmente pela Síria. Convoca todos: católicos e não-católicos e até não-crentes. Pede que todos participe de alguma forma. Obedientes ao seu apelo, no dia 7 de Setembro, mais de 100 mil pessoas se reúnem na Praça de São Pedro e, com milhares pelo mundo, juntos com o Papa, ajoelham-se - inclusive muçulmanos - diante do Santíssimo Sacramento pedindo paz no mundo e que Deus toque as consciências dos que o governam. 

Aos materialistas e descrentes, tudo aquilo é uma perda de tempo e prova da ineficácia da religião. Mas algo surpreendente acontece. Contra toda a expectativa, constrói-se um acordo. Não se procura mais culpados pelo ataque (até porque não foi possível identificá-los), nem pretende-se piorar a situação na região. A Rússia e os EUA propõem que a Síria permita que inspetores da Opaq investigue o ataque e o seu arsenal químico. Al-Assad permite. O segundo passo é que a Síria elimine suas armas químicas. Mais uma vez, o presidente sírio cede. Os inspetores da Opaq terminam a operação no final de outubro. A Síria não tem mais armas químicas. A Opaq é laureada com o Prêmio Nobel da Paz. 

Deus é o Senhor da História. Para quem crê, a conexão entre o dia de oração e jejum convocado pelo Papa e o desfecho imprevisível para o incidente químico na Síria é evidente. Deus não necessita fazer milagres estrondosos, mas apenas tocar suavemente, até de forma humanamente imperceptível os corações. Foi pelas causas segundas, iluminando os homens da diplomacia - inclusive a do Vaticano. Lembremos que o Papa Francisco enviou uma carta ao presidente russo Vladimir Putin por ocasião do encontro do G20, pedindo que propusesse aos líderes mundiais uma solução pacífica para o conflito - que encontrou-se uma solução. A guerra civil na Síria e os conflitos em tantas partes do mundo ainda permanecem. Continuemos unidos ao Papa Francisco, o homem da paz, implorando ao Príncipe da Paz para que todos eles cessem.

31 de out. de 2013

A Santa Missa: expectativa e realidade (Parte II)

Como deve ser: a Procissão de entrada tendo a cruz na frente e seguida pelo sacerdote é a via-sacra, o percurso de Jesus até o Calvário.

Como é: é um desfile onde se aceita tudo: leigos inúteis, apresentações artísticas parecendo a Marques de Sapucaí, cartazes com palavras de ordem. 


Como deve ser: o presbitério, em posição elevada, é o monte do Calvário, onde ocorrerá o sacrifício de Cristo. Nele sobe o sacerdote, que agindo em Persona Christi, oferece o sacrifício de forma incruenta. Com ele, sobe apenas seus auxiliares (acólitos, diácono) que são como Simão Cirineu, aquele que auxiliou Jesus a carregar a cruz.

Como é: no presbitério sobe as mulheres, os soldados romanos e boa parte da população de Jerusalém... O presbitério vive apinhado de gente. 


Como deve ser: a Santa Missa inicia-se com o sacerdote invocando, com simplicidade e decoro, a Santíssima Trindade. 

Como é: é invocada pelo povo todo em meio a uma música infantilizada e a Santa Missa começa com um aplauso, como se fosse um espetáculo teatral. 


Como deve ser: O ato penitencial é um momento de introspecção onde pedimos perdão a Deus pelos pecados que cometemos para que, purificados, possamos oferecer o sacrifício: do Corpo e Sangue de Cristo, oferecido pelo padre; e de louvor, oferecido pelos fiéis. Os pecados veniais são perdoados na Santa Missa. O “Confesso a Deus” e as invocações contidas no Missal pedindo que o Senhor tenha piedade de nós pode ser recitados ou cantados, preferencialmente em estilo gregoriano e mantendo as súplicas em língua grega. Não cantamos por agradecimento por já estamos perdoados ou louvamos a misericórdia de Deus. Mas, arrependidos, pedimos realmente perdão e somos perdoados. 
 
Como é: são substituídas por qualquer música que fale da misericórdia e do perdão de Deus, músicas açucaradas e alegrinhas de quem não percebe que estamos pedindo perdão das ofensas a Deus.


21 de out. de 2013

Um ateu pode ser uma pessoa melhor? Ou: Crer em Deus torna as pessoas melhores?

A pesquisa do Datafolha que pretendeu situar a população brasileira no espectro político-ideológico tinha como última pergunta: “você acha que acreditar em Deus torna as pessoa melhores?”. Dos entrevistados, 85% responderam que sim. A manchete no UOL que anunciava a pesquisa destacava – e com propósitos bem definidos – exatamente este posicionamento da maioria dos entrevistados. A choradeira foi geral. O restante da pesquisa foi praticamente ignorada. Nos comentários da notícia no site e da postagem da Folha no Facebook choveu comentários dos ateus de internet e afins, bravos porque a maioria das pessoas acha isso, dizendo que para ser bom não precisa crer em Deus e, inclusive, afirmando exatamente o oposto da pergunta, que acreditar em Deus torna as pessoas piores. 

Pois bem, o que dizer? Sim, crer em Deus torna as pessoas melhores. Porém, as coisas não são assim tão simples. Comecemos do começo. Crer em Deus apenas, não basta. Já dizia São Tiago em sua carta: “Crês que há um só Deus? Fazes bem. Também os demônios creem e tremem” (2, 19). Dizia estas palavras quando desenvolvia a doutrina sobre a justificação pelas obras, tão necessária como pela fé. Portanto, o simples fato de crer em Deus não é suficiente para tornar ninguém melhor. É preciso praticar as boas obras. É preciso crescer nas virtudes. 

Posto isto, vamos à outra parte da questão. Quando o Datafolha faz uma pergunta como esta e se obtém tal resultado, é evidente que os entrevistados, advindos de uma cultura cristã, pensam logo no Deus único e verdadeiro revelado em Sua plenitude em Jesus Cristo. Não basta crer em uma divindade – ou divindades – qualquer. Não basta ser monoteísta. Não basta ter uma vaga ideia da existência de um Ser Supremo. É preciso crer, por princípio, no Deus verdadeiro. E, como já mencionado, o Deus verdadeiro revelou-se em Jesus Cristo. Para resgatar a humanidade pecadora, era preciso o homem perfeito, Santo, que reatasse as plenas relações com Deus através de uma perfeita obediência. Sendo assim, nenhum dos seres humanos, manchados desde a concepção pelo pecado original, poderia realizar esta sublime missão. Somente fazendo-se homem, Deus podia operar a redenção, pois foi o homem que tornou-se desobediente pelo pecado e ficou incapaz de voltar-se para Ele. Em Jesus, o Filho de Deus, há o encontro entre Deus e o homem. Ele é Deus feito homem. Nele, o homem Jesus, se encontra a plenitude da divindade. É verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Portanto, tendo sua vontade humana submetida livremente à vontade divina, Jesus pôde obedecer perfeitamente a Deus e obedeceu até a morte de cruz. 

Mas o que tudo isso tem a ver com a pergunta do Datafolha? Para ser bom, para tornarmo-nos melhores, é preciso, sim, crer em Deus, mas também crer naquele que Ele enviou, Jesus Cristo. Ou seja, para se tornar um ser humano melhor, tem que ser cristão. Não tenho dúvida que a grande maioria que respondeu positivamente à pergunta tinha em mente esta concepção de Deus. Assim, já temos três pontos sobre como tornar-se melhor: 1) a necessidade de crer em Deus; 2) a necessidade de crer na Encarnação e Redenção de Jesus Cristo; 3) a realização das boas obras. Continuemos. 

Estas boas obras não são quaisquer obras. São aquelas que Jesus nos mostra pelas suas palavras e ações. É Jesus, o homem perfeito, o nosso modelo de humanidade. O próprio Cristo nos diz para sermos perfeitos como o Pai celeste é perfeito (Cf. Mt. 5, 48). Ele é a imagem viva do Pai. É Nele que devemos espelhar nossa vida e nosso modo de agir para a perfeição. Porém, nossa natureza está enfraquecida pelo pecado. “Sem mim nada podeis fazer” (Jo. 12, 5), disse Jesus. Sozinhos não podemos tornarmo-nos perfeitos como o Pai. Precisamos que Sua graça venha em nosso auxílio e é pela fé em Jesus Cristo que ela nos é dada. É o Espírito Santo que nos foi dado no batismo que restaura em nós a imagem de Cristo, que nos eleva à perfeição, nos “diviniza”. As nossas boas obras, portanto, só tem valor se unidas a Jesus Cristo (Cf. Jo. 15). É imitando Jesus que amou a humanidade, deu-se inteiramente por ela, acolheu os pecadores, perdoou, cuidou dos pobres e sofridos que nos tornamos melhores. Quem não crê em nada disso (e aqui já deu para perceber que isto não diz respeito apenas aos ateus) já não pode se tornar melhor, por mais esforço que faça. Mas aqui pode-se objetar: “mas para perdoar, ser bom, fazer o bem não é preciso ser cristão, muito menos crente. Há ateus que realizam tudo isso!”. É verdade, porque o ser humano, ainda que tenha a natureza ferida pelo pecado, pode ser capaz de realizar naturalmente atos moralmente bons. Mas sem um parâmetro do que é um ser humano melhor, como saber se se está melhorando? Pode considerar-se melhor que outros, melhor que o vizinho, mas não pode-se afirmar que é melhor ser humano sem aquele padrão que é Jesus Cristo. Sem Jesus Cristo pode-se, no máximo, ser um filantropo medíocre, jamais alguém melhor. Quem não crê não pode tornar-se melhor porque, em última instância, refere todas as suas boas obras a si próprio, diferentemente do cristão para quem tudo é dom de Deus. A autorreferência é uma prisão de onde nunca se escapa do egoísmo, por mais que seja solidário e empenhado em ações humanitárias. E o egoísta jamais será alguém melhor. 

O que nos torna melhores é o amor. O amor (caritas, ágape) –  aquele dom de Deus sem o qual São Paulo diz que de nada serviria dar aos pobres todos os seus bens, nem entregar seu corpo às chamas (Cf. 1Cor. 13) –  pode nos elevar acima de nós mesmos. Jesus nos deu um novo mandamento: “Amai- vos uns aos outros como eu Vos amo” (Jo. 15, 12). Este é o padrão. E como Jesus nos amou? Saindo de si próprio, rebaixando-se, não se apegando a sua condição divina, mas despojando-se de tudo para servir ao próximo. Para ser melhor, o homem precisa se despojar de si próprio, sair do egoísmo, dar a vida pelos irmãos e não só na atividade apostólica e caritativa, mas também na oração, na contemplação, na ascese. E quantos exemplos nos vêm à cabeça de homens e mulheres que doaram-se inteiramente no serviço dos irmãos. O homem torna-se grande quando ajoelha-se para adorar a Deus e para lavar os pés dos irmãos. O único caminho para tornar-se melhor, insisto, é imitar a Cristo. O Cristo humilde, servo de todos. O cristão é melhor, mas não soberbamente melhor do que os outros. Não é o orgulho luciferino que faz o cristão se considerar melhor. É melhor do que si próprio, do que a comum natureza humana decaída e corrompida que, como a gravidade, força o homem para baixo e não permite elevar-se em direção à perfeição. O cristão não se considera um super-homem, como na filosofia de Nietzsche, que se eleva por conta própria acima de suas fraquezas. É exatamente reconhecendo suas fraquezas e sabendo necessitado da graça de Deus que o ser humano torna-se melhor, dá um salto evolutivo, um upgrade em sua essência humana. 

Sim, a maioria que respondeu à pergunta do Datafolha está certa: crer em Deus torna uma pessoa melhor desde que corresponda às exigências desta fé. Portanto, retomemos aqueles pontos necessários, acrescentando um quarto: 1) a necessidade de crer em Deus; 2) a necessidade de crer na Encarnação e Redenção operada por Jesus Cristo; 3) a necessidade da graça para realizar e perseverar nas boas obras; 4) o amor a Deus e ao próximo assim como Jesus amou. Esta é a receita para um ser humano tornar-se melhor, para que seja restaurada em cada pessoa a imagem e semelhança de Deus. E é este o roteiro que seguiram aqueles que chamamos de santos. 


12 de out. de 2013

A Santa Missa: expectativa e realidade (Parte I)

Como deve ser: o altar representa o Cristo, a cruz onde Cristo se sacrificou e a pedra tumular onde repousou seu corpo sem vida e de onde levantou, ressuscitado. 

Como é: é uma mesa que se assemelha a uma mesa de cozinha, somente um lugar de refeição. 


Como deve ser: o sacerdote age na pessoa de Cristo. É o próprio Senhor que age através dele para atualizar Seu sacrifício. 

Como é: o padre é o animador de auditório, o cantor, o agitador de massas, o contador de histórias, o presidente da celebração. 


Como deve ser: as diversas peças do paramento compõem a armadura do cristão descrita pelo apóstolo Paulo. Serve para despersonalizar o homem que o veste para que resplandeça o sacerdote, ministro do Único Sacerdote. A referência da Missa não é o padre. Os fiéis e o padre celebravam direcionados para o mesmo lugar, tendo o Crucifixo por referência. 

Como é: o padre é o centro das atenções, é o artista, é aquele pelo qual vão à Missa. 


Como deve ser: o presbitério, em posição elevada, é o monte do Calvário, onde ocorrerá o sacrifício de Cristo. Nele sobe o sacerdote, que agindo in persona Christi, oferece o Cristo de forma incruenta. Com ele, sobe apenas seus auxiliares (acólitos, diácono) que são tais como Simão Cirineu, aquele que auxiliou Jesus a carregar a cruz. 

Como é: no presbitério sobe as mulheres, os soldados romanos e boa parte da população de Jerusalém... O presbitério vive apinhado de gente. 


Como deve ser: a toalha do altar deve ser branca e representa o lençol que envolveu o corpo de Jesus e os panos usados no seu sepultamento. 

Como é: é uma toalha de mesa. Em muitos lugares varia de forma e de cor nada diferente de toalhas de restaurante ou pizzaria. 




1 de out. de 2013

A verdadeira Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face

Hoje é dia de Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, uma das santas mais populares. Lembremos, hoje, portanto, desta monja carmelita que dedicou sua vida a Deus, morrendo com apenas 24 anos. Mas, lembremos da verdadeira Santa Tereza de Lisieux, não da menininha boba rodeada de rosas criado por um devocionismo vulgar. 

Sim, lembremos da Tereza da extrema paciência com Deus e com os homens; 

- da Tereza extremamente humilde, que fazia os serviços mais duros do Carmelo; 

- que suportava em silêncio, sem responder ao mal humor de algumas irmãs, inclusive daquela que reclamou do cheiro da flores que Tereza carregava, quando na verdade as flores eram de papel; 

- que passou, certa vez, por um alfinete caído no chão e retornou pegá-lo, pois, ao contrário teria deixado este serviço para outra fazer, demonstrando preguiça e abuso dos outros; 

- da Tereza que suportou um sofrimento atroz causado pela tuberculose, sem reclamar, sem murmurar, tanto que continuou fazendo os trabalhos do Carmelo e assistindo aos serviços religiosos da mesma forma, que quando a Superiora percebeu sua doença, já era tarde demais; 

- da Tereza, uma rocha na fé, que passou por um período de aridez tão terrível, sem sentir gosto para as coisas de Deus e permaneceu fiel a Deus e a Sua Igreja, pois fé não é emocionalismo, nem excitação dos sentidos; 

- da Tereza que passava horas em oração pela Igreja e pela conversão do mundo; 

- da Tereza que abraçou a cruz e oferecia os menores sacrifícios pela conversão dos pecadores. 

Esta é a Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face que devemos lembrar no dia de hoje. Lembrar e imitar suas virtudes.


29 de set. de 2013

A relação da mídia com o Papa Francisco: uma interpretação errônea

Conhecendo um pouquinho de História da Igreja, vejo a relação da mídia e de alguns grupos católicos com o Papa Francisco semelhante a que tiveram com Pio IX e Leão XIII. 

Com sua eleição, Pio IX foi louvado pelos liberais como um dos seus. A mídia e os oradores liberais louvavam o Papa que tinha dado abrigo ao revolucionário Luis Napoleão quando bispo e que modernizava os Estados Pontifícios com a iluminação a gás e ferrovias. Em poucos anos (só dois, para ser exato) viram que estavam enganados, Pio IX era extremamente ortodoxo (basta lembrar da Quanta Cura e do Syllabus lançados mais tarde) e os gritos de "hosana" passaram a ser de "crucifica-o". 

Com Leão XIII ocorreu a mesma coisa. Sua encíclica Rerum Novarum que sistematizou a Doutrina Social da Igreja foi acusada por uns de ser socialista e por outros de ser liberal. Seu reconhecimento dos regimes republicanos e democráticos, vistos até então como inconciliáveis com a fé católica, e, por este motivo, sua reaproximação com a França republicana fez com que piedosas senhoras de Paris organizassem novenas pedindo para, digamos, que Deus chamasse para junto de si o Santo Padre.



28 de set. de 2013

A democracia na Idade Média

A grande maioria das pessoas tem em mente que o período medieval foi uma época de autoritarismo. Nada mais enganoso, pelo menos quando se trata da Baixa Idade Média (séculos X a XV). Com a palavra, um dos maiores medievalistas de nosso tempo, Jacques Le Goff: 

"A base das decisões da comunidade é teoricamente tão ampla quanto possível em virtude dos dois princípios segundo os quais Quod omnes tangit ab omnibus tractari et approbari debet ("o que toca a todos deve ser tratado e aprovado por todos") e as decisões lícitas devem ser tomadas pela maior et sanior pars, isto é, pela maior parte e a mais sã da comunidade." (O Apogeu da Cidade Medieval, p. 84)

As decisões jamais são monocráticas, sejam elas municipais ou mesmo reais. As assembleias, tanto rurais como urbanas, tomam decisões e resolvem suas questões através do voto. Todos votam, inclusive as mulheres. O sistema de votação varia de região para região. Em algumas, os votos são por indivíduos; em outras, um voto por família. As cidades que conquistam sua franquia têm câmaras municipais, cujos representantes do povo são eleitos dentre os "homens bons". Não há uma única forma no governo das cidades. Algumas são governadas pela própria assembleia municipal, outras por representantes eleitos (cônsules, escabinos, prefeitos ou conselheiros), cujo número varia de cidade para cidade. Nas cidades que não são totalmente francas, as assembleias contrabalançam o poder de seus senhores, mesmo que este seja o rei. Há exemplos de ações judiciais movidas pelas cidades que foram apresentadas no Parlamento de Paris contra o rei e que tiveram suas causas ganhas. 

O poder do rei é limitado pelos costumes e pela moral religiosa. Se o rei abusar de suas atribuições, corre o risco de ser excomungado e perder legitimidade perante os súditos e seus vassalos. O sistema feudal também impede a autocracia do monarca. O rei jamais toma uma decisão solitariamente. Na Inglaterra, o poder do Parlamento fazia contraponto ao do rei desde o século XIII. No restante dos países, um conselho consultivo sempre o assiste (pensemos na Távola Redonda do legendário rei Artur). Aliás, nem sempre com vantagem. As infindáveis discussões dos conselheiros no Reino Latino de Jerusalém atrasavam decisões e prejudicaram a causa dos cruzados na Terra Santa. Além disso, de tempos em tempos, os reis convocam uma assembleia com representantes dos três estados tradicionais no Medievo (povo, nobreza e clero) para deliberar sobre assuntos de maior importância para o reino. 

Por fim, há quem objete que as cidades medievais tinham uma democracia capenga, dominada pelo poder econômico dos burgueses. É verdade, mas bem sabemos que este não é um problema restrito ao período medieval. De toda forma, o absolutismo dos reis nos séculos seguintes e os totalitarismos surgidos no século XX seriam inimagináveis na Idade Média.


15 de set. de 2013

A Igreja Católica e a dignidade das crianças: a pedofilia avança quando a sociedade se afasta do cristianismo

O tema da pedofilia voltou à cena, nos últimos dias, em dois fatos que correram o planeta: a morte de uma menina de oito anos no Iêmen, vítima de uma hemorragia provocada durante o sexo com seu marido de quarenta anos e a declaração do biólogo e ateu militante Richard Dawkins, afirmando que uma “leve pedofilia” não faz mal a ninguém.

No primeiro caso, Rawan foi vendida pelos seus pais ao marido e morreu de hemorragia durante a “noite da penetração”. Segundo a agência Zenit, “um relatório da Human Rights Watch de dezembro de 2011 diz que na terra da rainha de Sabá, 14% das meninas são dadas em casamento antes dos 15 anos, enquanto que o 52% antes dos 18”. Ainda que os costumes variem de região para região, o casamento de crianças com homens mais velhos é algo bastante comum no mundo islâmico e a legislação de vários países, como a do Iêmen, protege tais costumes. Estes costumes estão arraigados no islamismo, ou antes, na cultura árabe pré-islâmica. O fundador do Islã, Maomé, casou-se com Aisha quando esta tinha seis anos de idade e o casamento foi consumado aos nove. Portanto, se era um costume pré-islâmico, a religião maometana nada fez para eliminá-lo. Na trilogia escrita por Jean P. Sasson, que tomou o depoimento anônimo de uma princesa da família Al-Saud que governa a Arábia Saudita, é relatado como muitos árabes ricos compram meninas de famílias pobres para transar com elas e descartá-las depois.  

Mas não é só no mundo islâmico que o casamento de crianças é comum. Na Índia, apesar de proibido pela constituição do país, a prática tradicional continua bastante frequente. Famílias obrigam meninas que ainda não atingiram a puberdade a se casarem com homens muito mais velhos. Em muitas regiões da África subsaariana, a situação também pouco mudou. Crianças meninas são entregues a homens adultos. 

No segundo caso, o renomado ateu militante Richard Dawkins declarou em entrevista para à revista Times, ao contar um caso ocorrido em sua infância, quando um professor colocou-o no colo e enfiou a mão por dentro de seu short: “Estou muito consciente de que não se pode condenar as pessoas de uma época passada pelos padrões da nossa. Assim como nós não podemos olhar para os séculos 18 e 19 e condenar as pessoas por racismo, da mesma forma como condenar uma pessoa por racismo nos dias de hoje. Eu olho para as décadas da minha infância e vejo o que aconteceu como leve pedofilia, e não posso condená-lo pelos mesmos padrões que eu, ou qualquer um, teria hoje". Este é o terrível efeito do relativismo moral levado ao extremo pelo ateísmo militante para poder se opor à moralidade de cunho religioso, sobretudo cristã. A ideia de que a moral muda conforme as culturas e a época leva a aceitação de atos abjetos como a pedofilia ou qualquer tipo de parafilia e práticas sexuais. 

Neste ano, a Justiça da Holanda reconheceu o Partido da Caridade, da Liberdade e da Diversidade, que defende publicamente a pedofilia, alegando que, desde que consensual, não há problema algum na prática sexual de “menores” com adultos. A sociedade atual tende à aceitação da pedofilia. O pedófilo é um revolucionário desde o Marquês de Sade. Durante todo o século passado, com o advento da psicanálise freudiana e a revolução sexual, há defensores do direito do prazer sexual das crianças. Lembremos que o pai da sexologia, o norte-americano Alfred Kinsey, realizou inúmeras “experiências” das mais variadas práticas sexuais, inclusive com crianças, apesar de ele alegar que não as praticou, mas colheu informações durante o depoimento de um pedófilo. 

Tudo isto é fruto do processo de descristianização do Ocidente. Foi na Civilização Ocidental, construída pela Igreja Católica, que a prática da pedofilia foi condenada. Já nos tempos bárbaros, a Igreja proibiu o casamento de crianças. Foi a Igreja que promoveu a proteção das crianças – assim como das mulheres – proclamando sua inviolável dignidade. Como é perceptível, a pedofilia é um costume em algumas civilizações, um aspecto cultural, que não choca. Há vozes dissidentes nestes países, como na Índia e em países muçulmanos, mas é inegável que consideram a pedofilia chocante porque foram influenciados pelo senso moral do Ocidente. Com o afã de opor toda e qualquer prática sexual à moral católica relativa ao sexo, admiti-se qualquer perversão. Porém, pergunta-se, se a Igreja Católica foi quem baniu a pedofilia, como se explica os casos de padres pedófilos? Pois bem. A pedofilia praticada por um padre é um dos piores crimes e pecados que se possa cometer. É pior do que a pedofilia praticada por qualquer outra pessoa que não tenha recebido as ordens sacras. É pelos sacerdotes que Cristo age na Igreja. É na pessoa de Cristo que os sacerdotes administram os sacramentos. Portanto, o padre deve encarnar o Cristo, e quando praticam monstruosidades como estas, além de um pecado sexual, praticam um sacrilégio. Devem ser punidos com rigor. Mas, os padres são homens de seu tempo. Sempre foi assim. Os pedófilos entraram na Igreja num período de grandes mudanças de comportamento. Além de distúrbios que possam ter, estes homens foram influenciados por uma sociedade moralmente libertina e, inclusive, por certas doutrinas morais que contaminaram o próprio ensino nos seminários, que pregavam uma visão liberal da sexualidade. A esmagadora maioria destes padres foi ordenada nas décadas de 1960 e 1970. O período é sintomático. Todavia, graças a Deus, os casos são relativamente poucos se comparados à totalidade dos sacerdotes. 

É injusto, portanto, querer por na conta da Igreja Católica os casos ou causas da pedofilia, como se sua moral, disciplina e o celibato favorecessem o aparecimento do pedófilo. Pelo contrário. É a Igreja Católica que condenou a prática sexual com crianças. Foi a Igreja Católica que baniu a pedofilia – mesmo a legal através do casamento – do Ocidente. Se os casos de pedofilia são cada vez mais alarmantes em nossa sociedade é porque esta se afasta a passos largos dos ensinamentos da Igreja. 



6 de set. de 2013

O brasileiro: retrato de um estatista

O estatista é aquele que adora depender do Estado. Ele luta para ser dependente. Odeia a liberdade e a responsabilidade individuais. Ele quer o Estado metido em tudo, até nos pormenores de sua vida, até mesmo que regule com quem ele dorme, seja homem ou mulher. Ele gosta de documentos oficiais. 

Como já foi dito, o estatista odeia responsabilidade individual. Ele é um filho mimado. Por exemplo, se ele, irresponsavelmente, tem uma gravidez indesejada, quer que o Estado intervenha, resolva seu problema, custe o que custar. O estatista não quer assumir as consequencias de seus atos inconsequentes. O estatista quer que o Estado acabe com a pobreza. Quer que o Estado ame seu próximo em seu lugar.

Se ele usa drogas, quer que o Estado banque tanto seu consumo quanto sua vaga na UTI caso tenha uma overdose. O estatista adora sistema público de saúde. Ele não se importa em financiar um sistema de saúde impessoal, mesmo que este promova ações contrárias às certas consciências, muitas vezes, a do próprio estatista. 

O estatista sonha em ser funcionário público. Ele luta com todas as forças para isto. Mas seu objetivo não é colocar seus conhecimentos à serviço do bem-comum, muito menos crescer profissionalmente. Ele quer um emprego estável. E de preferência que se trabalhe pouco. Ele quer não ser demitido. Ele tem medo de andar com as próprias pernas. 

O estatista gosta de verbas públicas. Ele monta uma Organização Não-Governamental cuja fonte de dinheiro é o governo. O estatista gosta de programas sociais do governo. Ele adora transferência direta de renda. Ele quer estudar o mínimo e trabalhar o mínimo. Ele quer ser sustentado pelo Estado. 

O estatista gosta de monopólio. Ele odeia concorrência. Odeia o livre mercado. Odeia produtos importados, principalmente quando é melhor que o dele. Ele quer que o Estado seja o principal investidor em todos os setores da economia.

O estatista paga altos impostos. Ele sustenta a máquina estatal que tanto adora. Ele reclama, sabe que há algo errado, mas não imagina que o problema é seu deus. Então, ele exige que o Estado faça jus a seus impostos e faça-se ainda mais presente. 

O estatista quer que o Estado regule o que ele deve assistir na TV. Ele quer que o Estado controle as propagandas para que ele não compre o que não precisa. O estatista quer que o Estado eduque seus filhos desde a mais tenra idade. 

Infelizmente, este é o retrato do brasileiro. O povo brasileiro é estatista por natureza. Sua história, dominada pelo clientelismo e paternalismo, fizeram-no dependente do Estado e, em tal situação, que não pretende se libertar. É por isso que o brasileiro se dá tão bem com ditaduras: em 124 anos de república, viveu quarenta e cinco sob regime ditatorial, sem contar a época de democracia capenga do período da política café-com-leite. Apesar dos discursos ferozes contra uma pretensa política neoliberal dos últimos anos, o fato é que somos dependentes do Estado. O Estado ainda é o grande investidor e o maior empregador. Na última década, não por coincidência, sob o governo do PT, a presença do Estado ficou ainda maior. O brasileiro clama pelo estatismo. Daí para o totalitarismo é um passo. 




23 de ago. de 2013

JMJ Rio 2013: lições para toda a vida

Na celebração da Acolhida do Papa em Copacabana, Francisco citou em sua homilia a passagem da transfiguração de Jesus. Realmente, foi bastante oportuna a escolha deste relato evangélico. Creio que era exatamente como no Tabor que a grande maioria dos peregrinos se sentia na JMJ.

Portanto, é a partir da reflexão deste trecho dos evangelhos que começo a descrever minhas impressões sobre a Jornada Mundial da Juventude ocorrida no Rio de Janeiro neste ano de 2013. A minha primeira forte experiência foi a notória catolicidade da Igreja. Estavam reunidos no Rio, católicos de 178 países diferentes, praticamente de todo o planeta. A variedade de nações era visível através das bandeiras, algumas, para mim, desconhecidas. É uma alegria ver que o evangelho de Cristo se estende, com menor ou maior intensidade, por toda a terra. O mandato de Cristo, aliás, o lema desta JMJ, “Ide e fazei discípulos meus entre todas as nações” era perceptível pela diversidade de rostos, de cores de pele e de línguas. 

Outra impressão foi a unicidade e unidade da Igreja. Como já foi dito, tínhamos no Rio peregrinos de todos os cantos do mundo. Todos recebemos um só batismo e professamos uma só fé. Todos formamos uma grande família, filhos de um mesmo Pai e todos possuímos um só Senhor, Jesus Cristo. Apesar das diferenças, todos fazemos parte do Corpo Místico de Cristo, a Igreja. E esta unicidade e unidade ficam evidentes com a presença da Cabeça visível da Igreja, o Papa. É o Papa o sinal visível da unidade católica. 

Foi uma semana em que pude tocar a Providência Divina. Não apenas aquela Providência distante que conduz toda a História, mas o cuidado que Deus tem com cada um de nós em particular. Apesar de ter ido sozinho para o Rio, sem conhecer exatamente a cidade, Deus sempre colocou as pessoas certas no lugar certo que puderam me ajudar. Foi assim, por exemplo, no trem ao encontrar-me com Bruno, um morador de Santa Cruz (bairro onde eu estava alojado). Sem saber ao certo como ir da estação de trem até a casa aonde eu estava alojado, Bruno se dispôs a me ajudar, pois a Kombi que ele pegava todo dia para voltar para a casa passava exatamente na rua que eu estava alojado. Aliás, os cariocas são bastante solícitos. A todos que pedi informação – pessoas na rua, cobradores de ônibus, guardas e policiais – foram atenciosos e educados. Houve até um caso em que eu estava consultando o mapa e um senhor ofereceu ajuda sem que eu pedisse. Foram pequenos gestos de solidariedade que eu não esquecerei e que me serviu de lição para o trato com o próximo. 

Foram dias em que senti a solidariedade cristã, principalmente dos mais pobres. Como costuma ser, os pobres são mais generosos. Foram eles, na maioria dos casos, que abriram as casas para alojar os peregrinos. E aqui, aproveito para agradecer a dona Fátima e sua família que me acolheram em sua casa. Não foram dias de conforto. Em muitos alojamentos faltou água quente. Dormir no chão, apenas com o saco de dormir e, na Vigília, a céu aberto numa noite fria, serviu para percebermos que há aqueles que não podem escolher dormir de outra forma, ou ainda, dormem todos os dias em situação ainda pior, sem um saco de dormir para manter a temperatura, sem um teto, sem segurança. Há aqueles que não podem tomar um banho, nem mesmo frio. Esta experiência não pode ser considerada apenas uma aventura e sim, após sentirmos na pele estas pequenas privações, levar-nos a refletir que há irmãos e irmãs nossos que não podem optar nem como nem onde dormem e passam dias sem tomar um banho digno ou fazer qualquer tipo de higiene. 

Foram dias de paz. Eram milhões de pessoas e em nenhum momento foi presenciado uma só agressão física ou verbal. Nenhum tumulto, mesmo quando o transporte público testava a virtude da paciência. Nenhum ato de vandalismo – destruição de lixeiras, de telefones públicos, carros amassados ou com a lataria riscada, etc – que os moradores de Copacabana dizem ser comum em eventos ocorridos no bairro. Havia respeito mútuo (um morador de Copacabana observou, do alto de seu apartamento, que não presenciou ninguém furando fila nos banheiros químicos ou nos restaurantes). Até mesmo a quantidade de lixo recolhido nas ruas foi menor do que em outros eventos. Interessante notar que os números da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro demonstram que o crime mais registrado foi o de furto, ainda assim menor que em outros eventos, mas nada de agressões, nada de bebedeiras, nada de drogas. Nenhum peregrino ferido. A violência ficou a cargo daqueles e daquelas manifestantes que consideram a religião um mal a ser extirpado. Nada disso deve soar estranho ou um fato em que devamos nos vangloriar. Foram pequenos testemunhos dados por nós, católicos, como servos inúteis que somos. Não fizemos nada além do que deveríamos ter feito. Porém, que toda esta experiência de convivência fraterna nos sirva de aprendizado. Uma jornalista, de uma mídia laica, citando alguns destes dados e presenciando a convivência pacífica de tantas pessoas, arrematou: “Não podia ser sempre assim?”

Foram dias maravilhosos e inesquecíveis. Dias de encontro com Deus em todas as ocasiões (porque Deus se revela a todo o momento. Basta estarmos atentos). Para mim, foi uma verdadeira peregrinação, um retiro espiritual. Pela manhã, a catequese, seguida pela Santa Missa celebrada pelo bispo catequista; depois, as visitas às igrejas; o sacramento da penitência recebido na Quinta da Boa Vista; os momentos de adoração ao Santíssimo; o lucro das indulgências. Uma semana retirado do mundo (apesar de, paradoxalmente, ter andado tanto pelas ruas movimentadas do Rio de Janeiro e em meio de milhares de pessoas), sem TV, sem internet, sem jornais, sem as distrações do mundo, despreocupado com as necessidades materiais, quase alienado, eu diria. Senhor, é bom estarmos aqui... 

Aqui retomo o relato da transfiguração. Os evangelhos nos contam que Jesus levou três de seus apóstolos – Pedro, Tiago e João – para o alto do monte Tabor e lá, diante deles, se transfigurou, revelando-lhes toda a sua glória. Pedro, tomando a palavra, afirmou que era bom estarem ali e queria preparar tendas para lá permanecerem. Após ouvirem a voz do Pai que declarava que Jesus era seu Filho eleito e ordenava que lhe escutassem, tudo voltou à normalidade. Enquanto tudo isso acontecia no alto do monte, na planície os outros apóstolos tentavam, em vão, libertar um menino de possessão demoníaca. Quando Jesus e os três apóstolos retornaram, o pai do menino explicou-lhes o que estava acontecendo. Após repreender a falta de fé de seus discípulos, Jesus expulsou o demônio. Poucas vezes se faz a ligação entre a transfiguração e a luta contra o demônio ocorridas ao mesmo tempo. Recordo-me que há uma obra de Rafael Sanzio que faz a conexão entre as sequências do evangelho que comumente aparecem separadas na liturgia. No quadro aparece Jesus transfigurado no monte enquanto lá embaixo os apóstolos tentam libertar o menino possesso. 

Pois é, a JMJ terminou e foi preciso voltar para a “planície”. Mas voltamos com a fé renovada como daqueles apóstolos que testemunharam antecipadamente a glória do Senhor. Se no Tabor os apóstolos tiveram um prelúdio da ressurreição, hoje sabemos que Ele está vivo e estará conosco até o fim dos tempos. Fortalecidos e confirmados na fé pelo Sucessor de Pedro, amparados por nossos irmãos e irmãs, tanto da Igreja militante, quanto – e, sobretudo – da Igreja triunfante e sob a proteção da Virgem Santíssima enfrentemos com toda a coragem a “planície”, onde ocorrem as batalhas cotidianas contra as forças do Mal, com a certeza que elas não podem nos submergir, pois Cristo está conosco, fazemos parte de Sua Igreja e o poder do mal não pode prevalecer sobre ela. Ouvimos a ordem do Senhor: “Ide e fazei discípulos meus entre todas as nações”. Não podemos ficar parados, olhando para cima, como os apóstolos na ocasião da Ascensão do Senhor. Temos que obedecer. Temos que ir, anunciando a todos a Boa Nova de Jesus Cristo, alargando as fronteiras do Reino de Deus que aonde chega expulsa todo mal. 




16 de ago. de 2013

Os adeptos da TL no Brasil se arvoram em porta-vozes do Papa Francisco

É irritante a instrumentalização que se tenta fazer das palavras do Papa Francisco. E nem me refiro à mídia laica, mas a certos "católicos" que estavam nas sombras e viraram porta-vozes do Papa no Brasil e vivem falando besteira nos meios de comunicação. Entre eles, os marxistas Frei Betto e Leonardo Boff (este último oficialmente condenado por heresia pela Igreja). Leonardo Boff andava sumido. Agora quer falar em nome do Papa e traduzir seu pensamento, ou melhor, quer que todos pensem que o Papa concorda com a Teologia da Libertação, uma forma de interpretação da Revelação divina usando os métodos marxistas. Os adeptos da Teologia da Libertação, que estão em extinção, odeiam os Papas João Paulo II e Bento XVI (principalmente Boff, que foi proibido de ensinar em nome da Igreja) e querem a todo custo opor o antecessor de Francisco a este. Espero que leiam as palavras do Papa Francisco dirigidas ao CELAM: 

"A opção pela missionariedade do discípulo sofrerá tentações. É importante saber compreender A ESTRATÉGIA DO ESPÍRITO MAU, para nos ajudar no discernimento. Não se trata de sair para expulsar demônios, mas simplesmente de lucidez e prudência evangélicas. Limito-me a mencionar algumas atitudes que configuram uma Igreja “tentada”. Trata-se de conhecer determinadas propostas atuais que podem mimetizar-se em a dinâmica do discipulado missionário e deter, ATÉ FAZÊ-LO FRACASSAR, o processo de Conversão Pastoral.

A ideologização da mensagem evangélica. É uma tentação que se verificou na Igreja desde o início: procurar uma hermenêutica de interpretação evangélica FORA da própria mensagem do Evangelho e FORA DA IGREJA. [...] Existem outras maneiras de ideologização da mensagem e, atualmente, aparecem na América Latina e no Caribe propostas desta índole. Menciono apenas algumas:

a) O reducionismo socializante. É a ideologização mais fácil de descobrir. Em alguns momentos, foi muito forte. Trata-se de uma pretensão interpretativa com base em uma hermenêutica de acordo com as ciências sociais. Engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até às categorizações marxistas." (os destaques são meus)

O discurso todo é excelente e vale a pena conferir as outras "tentações" pela qual a Igreja passa:

9 de ago. de 2013

A bomba atômica de Nagasaki: motivos religiosos influenciaram na escolha da cidade como alvo?

Há 68 anos, um bombardeiro norte-americano lançava sobre Nagasaki uma segunda bomba atômica. A primeira tinha sido lançada fazia três dias, destruindo Hiroshima. O porquê de Nagasaki ter sido escolhida como alvo ainda não é totalmente esclarecido. Não configurava entre as primeiras cidades-alvo sugeridas pelo Estado Maior norte-americano. Militarmente não era a mais importante, ainda mais na altura dos acontecimentos onde o Japão estava enfraquecido, já que suas forças aérea e marítima haviam sido liquidadas. Surge uma teoria, dificílima de ser comprovada, mas que pode ter pesado na triste escolha de Nagasaki: um motivo religioso. 

Catedral de Nagasaki destruída após a explosão atômica
Nagasaki era - e ainda é, apesar do número reduzido de católicos japoneses - a capital católica do Japão. No período entre-guerras, o catolicismo vivia uma expansão jamais vista no Império do Sol Nascente. Neste tempo, São Maximiliano Maria Kolbe, partindo como missionário para o Japão, tinha conseguido resultados extraordinários naquele país. A base de operações do renascimento católico, como desde os primórdios da evangelização japonesa, continuava a ser Nagasaki. Coincidentemente, o epicentro da explosão foi exatamente o distrito de Urakami, o bairro católico da cidade. 

Por que os EUA escolheriam Nagasaki
por motivo religioso? Bem, vejamos. Os EUA são conhecidos por ser um país livre e, quanto à relação com a religião, de sadia laicidade. Mas nem tanto. Houve nos EUA, até meados do século XX, um forte sentimento anticatólico com profundas raízes históricas. Muitas das colônias britânicas que mais tarde viriam a formar os EUA tiveram origens religiosas. Praticamente todas as denominações que eram perseguidas pelo anglicanismo oficial da Inglaterra fugiram para o Novo Continente e tiveram seu pedaço de terra na América: puritanos em Massachusetts; quakers na Pensilvânia; católicos em Maryland. 

Poucas pessoas sabem, mas a primeira constituição da História moderna (século XVIII) que declarava liberdade religiosa para todos os cidadãos foi a da católica Maryland. Graças a isso, milhares de pessoas que eram perseguidas por causa de sua religião, inclusive em outras colônias americanas, migraram para Maryland. Mas o aumento do número de protestantes foi o fim da liberdade religiosa. Indignados por viver sob um governo católico, arquitetaram uma revolta, destruíram a capital Baltimore e tomaram o poder na colônia. Era o fim da liberdade religiosa. 

Com a independência, a liberdade religiosa e a laicidade do Estado foram princípios estabelecidos e consolidados pela Constituição, graças aos esforços do arcebispo de Baltimore John Carroll (seu irmão, Charles Carroll é um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos). O ódio anticatólico aumentou no século seguinte, graças a imigração massiva de irlandeses e italianos para os EUA, aumentando o número de católicos no país. Havia uma mistura de racismo com anticatolicismo que ganhou corpo com os W.A.S.P. (White, Anglo-Saxon and Protestant) que afirmavam que os EUA eram para brancos, anglo-saxões e protestantes e cuja expressão violenta foi a Ku Klux Klan, que perseguia os católicos tanto quanto negros e judeus. 

Durante a primeira metade do século XX pouco mudou. O catolicismo era acusado de ser antidemocrático e contrário aos princípios norte-americanos. Julgava-se incompatível ser norte-americano e católico. Ainda que o governo, obedecendo o princípio da laicidade, não se imiscuísse nos assuntos religiosos, sucederam-se na presidência maçons e protestantes nada simpáticos à Igreja Católica. O governo norte-americano apoiou formalmente o México durante a perseguição aos católicos imposta neste país e fomentou o envio de missionários protestantes por toda a América Latina para quebrar a unidade católica do continente. 

Em 1961, a eleição do católico John Kennedy para a presidência dos EUA foi um marco histórico sem precedentes, comparável aos dias de hoje com a eleição do negro Barack Obama. Somente a partir de então e dos movimentos reivindicativos dos direitos civis é que o anticatolicismo norte-americano perdeu forças. Mas voltemos a Segunda Guerra. Houve um precedente que leva a crer na motivação religiosa da escolha de Nagasaki como alvo atômico: a destruição de Monte Cassino. Monte Cassino foi a abadia fundada por São Bento, o pai do monaquismo ocidental, no século VI. Estes mosteiros beneditinos foram os redutos de civilização e cultura durante as trevas das invasões bárbaras na Europa. Foram eles que salvaram o patrimônio cultural e religioso do Ocidente. Por isso, São Bento foi declarado padroeiro da Europa. 

Abadia de Monte Cassino: antes e depois do bombardeio
Em 15 de fevereiro de 1944, Monte Cassino - zona neutra e de propriedade da Santa Sé - foi bombardeado por um grupo de B-17, onde o primeiro dos aviões a bombardear tinha o intrigante código 666. Foi o maior bombardeio da História sobre um único edifício. O argumento era que o mosteiro tinha se tornado uma fortaleza nazista. Na verdade estavam no mosteiro, além dos monges, refugiados civis. Não havia nazistas entrincheirados no mosteiro. Jamais houve. Por incrível que pareça, um general alemão salvou a biblioteca e obras de arte de Monte Cassino, transportando-as para o Vaticano. 

Sendo assim, não é descabido pensar que a escolha de Nagasaki como alvo do segundo ataque nuclear dos EUA tenha alguma motivação religiosa. A explosão matou 90% dos católicos da cidade, dizimou o clero e destruiu as obras missionárias. Nagasaki tornava-se um centro de irradiação do catolicismo não somente para o Japão, mas para toda o Extremo Oriente. A preocupação com a expansão da Igreja no Japão e, consequentemente, pela Ásia após a guerra, pode ter sido, ainda que não determinante, estrategicamente importante na escolha da cidade, pois assim os EUA conseguiriam anular ou ao menos atrasar os esforços da Igreja Católica, considerada, então, contrária aos princípios, interesses e tendências filosóficas e religiosas norte-americanos. 


31 de jul. de 2013

Os gastos com a JMJ Rio 2013 e o valor de uma alma

Qual o valor de uma alma? Em meio ao materialismo e tecnicismo, uma parcela da sociedade só conseguiu enxergar a Jornada Mundial da Juventude através dos gastos. Falou-se do emprego de verbas públicas (nem sempre com verdade) e dos desperdícios e prejuízos com a transferência dos eventos de Guaratiba para Copacabana. 

Dom Fernando Rifan contou-nos um testemunho ocorrido na pré-jornada: numa das noites, um grupo saiu da igreja de Santana, no centro do Rio, em procissão até a Catedral onde ocorreria uma vigília. Passando pela Lapa, uma prostituta aproximou-se e perguntou o que era aquilo. Uma das moças lhe disse: "venha com a gente". E ela foi. Entrou com a procissão na Catedral e participou da vigília. Terminando, a prostituta aproximou-se chorando e disse aos organizadores que ia mudar de vida. 

Somente por este único caso, a conversão desta moça, todo o gasto com a JMJ, todos os prejuízos, todos os percalços são infinitamente desprezíveis diante da salvação de uma alma. Só por esta conversão, toda a JMJ já terá valido a pena. A sociedade materialista não consegue ver além da obtenção do lucro. Não se consegue ver a alegria no céu por um único pecador que se converte; não consegue estimar o valor de uma alma. Mas nós sabemos quanto vale. Vale a morte na cruz de um Deus feito homem. Vale todo o sofrimento até a última gota de sangue derramado por aquela prostituta da Lapa.




21 de jul. de 2013

De São Pedro ao Papa Francisco: a invencibilidade da Igreja

Às vésperas da chegada do Papa ao Brasil, refletimos sobre as palavras de Jesus dirigidas ao primeiro Papa, São Pedro: “E as portas do inferno não prevalecerão sobre ela [a Igreja]”. A promessa de Jesus é verificável na História. De fato, a Igreja é invencível. Nenhuma instituição puramente humana sobreviveria a 2000 anos, atravessaria todos os períodos em que classicamente dividimos a História, venceria o Império Romano perseguidor, resistiria à invasão dos bárbaros que colocou a Europa de cabeça para baixo, às heresias e cismas que dilaceraram o Corpo Místico de Cristo, às pressões dos governos, às revoluções liberais e comunistas que banharam o mundo com sangue católico e, por fim, aos pecados, traições, escândalos e contra-testemunho dos seus filhos. 

“Dentro de setenta anos não haverá mais Igreja”, quem disse esta frase está morto há 235 anos: Voltaire. 

“Morreu o último papa”, escreveu o carcereiro no relatório oficial enviado a Napoleão por ocasião da morte de Pio VI, mantido preso pelas tropas francesas na fortaleza de Valence. Era o ano de 1799. Os revolucionários afirmavam que era o fim do Papado e consequentemente da Igreja. De Pio VI a Francisco já tivemos dezesseis Papas. 

“Quantas divisões militares tem o Papa?”, perguntou Stálin debochando da condenação ao comunismo proferida por Pio XI. Perguntamos: onde está a União Soviética? 

A Rocha sobre a qual a Igreja está edificada não é abalada, muito menos derrotada. Pelo Sólio Pontifício já passaram homens de todas as espécies: pescadores, mártires, sábios e ignorantes, ex-escravos, pastores de rebanhos, filhos de empregada doméstica, órfãos abandonados, nobres, príncipes, cientistas, filósofos, médicos, adolescentes, corruptos, políticos, assassinos, devassos e, sobretudo, santos, aliás, muitos santos. Porém, todos foram legitimamente Papas. Todos foram escolhidos pelo Espírito Santo, independentemente se o conclave foi limpo ou repleto de pressões externas ou de compra de votos como já ocorreu na História. Todos serviram a Igreja, ou melhor, foram servidos por Deus como instrumentos, muitas vezes indignos, para governar Sua Igreja. A água limpa da graça não se contamina mesmo percorrendo canos enferrujados. Todos tiveram suma importância no tempo em que governaram a Igreja, demonstrando que, em última instância, é sempre o Sumo e Eterno Pontífice, Jesus Cristo quem governa a Igreja através das vicissitudes da História. 

Estudando a história da Igreja, encontra-se uma das provas de que realmente foi instituída por Cristo e é acompanhada pelo Espírito Santo. É em sua história que reconhecemos que é Santa, pois se não a fosse, os pecados de seus filhos a teriam destruído. Porém, fixamo-nos neste ponto de unidade da Igreja, em sua Cabeça visível, no Vigário de Cristo, o Papa, aquele que foi incumbido de pastorear as ovelhas do Sumo Pastor e confirmar os irmãos na fé. De São Pedro a Francisco vemos a perenidade da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, atacada de todos os lados, mas jamais vencida. 

Viva o Papa Francisco!




4 de jul. de 2013

Pula Catraca Piracicaba: sem argumentos válidos, manifestações perdem legitimidade e apoio

"Quem exagera o argumento prejudica a causa". Foi esta famosa frase do filósofo alemão Friedrich Hegel que me veio à mente hoje ao saber que DE NOVO, NOVAMENTE e MAIS UMA VEZ o grupelho Pula Catraca iria fazer uma manifestação contra o reajuste da tarifa de ônibus em frente ao Terminal Central de Piracicaba. 

O problema é que a causa já não é a redução da tarifa (o que já aconteceu) se é que já foi um dia. A intenção do Pula Catraca é político-partidária. Quando o grupelho não tinha nenhuma expressividade, peguei um panfleto durante uma manifestação em frente à Câmara de Vereadores. A linguagem era de quem tem a cabeça no século XIX, quando muito em meados do vinte. O mesmo blá-blá-blá marxista, propondo estatização de tudo e de todos. Sobre a tarifa de ônibus pouco se dizia. O que importava era atacar o prefeito e o seu partido, o PSDB. De lá para cá, recusou-se a discutir com o prefeito. Preferiu o confronto ao diálogo. 

A manifestação em Piracicaba com 12 mil pessoas em pleno calor dos protestos em nível nacional encheram-lhe os olhos. O fato é que a tarifa foi reduzida, a manifestação se esfriou e hoje o grupelho voltou a sê-lo: não consegue reunir duas centenas de pessoas. E não consegue por alguns motivos: primeiro, a população não é contrária ao prefeito que foi eleito com votação expressiva a menos de um ano e não deseja e nem tem motivos para pedir sua saída, como quer o Pula Catraca; segundo, que 12 mil pessoas foram às ruas piracicabanas influenciadas pela onda de manifestos. Só faltou as camisetas: "Protestos 2013. Eu fui!". A modinha já passou. 

O Pula Catraca, sem mandato para isto, quer falar em nome do povo piracicabano. Isto não lhes dá o direito de atrapalhar que trabalhadores voltem para suas casas depois de um dia duro de trabalho (coisa que devem desconhecer). Não lhes dá o direito de incitar a violência ou querer chantagear o prefeito e a população com frases dizendo que vai "tocar o terror" se suas reivindicações não forem atendidas ou declarações antidemocráticas que pretendem derrubar o prefeito legitimamente eleito. O Pula Catraca não representa ninguém: nem estudantes, nem trabalhadores, muito menos a população piracicabana. Descontente com o acordo entre o prefeito e os estudantes universitários de Piracicaba que reduziu o aumento das tarifas de ônibus, o Pula Catraca exige a revogação total do aumento, porém não apresenta um estudo alternativo demonstrando como seria viável a redução sem impactar as finanças do municípios (a redução da tarifa já deixou um rombo de 4,3 milhões de reais nos cofres do município) o que seria um argumento mais contundente do que fazer bagunça. A verdade é que agora o grupelho só tem um objetivo: desestabilizar o governo enchendo o saco do prefeito Gabriel Ferrato.





3 de jul. de 2013

As manifestações populares e a defesa do estatismo

O que me admira nas manifestações é grande parte da população querer mais do mesmo. Referências à alta carga tributária, ao excesso de impostos foram insignificantes. O estopim das manifestações foi exatamente a reivindicação para que pagássemos mais impostos! Ou alguém pensa que o passe livre para o transporte público seria gratuito?

Não há uma discussão séria sobre transporte público, onde opera uma verdadeira máfia, com histórico de assassinato de sindicalistas e prefeitos, inclusive. Ao invés de exigir que o Estado nos cobre mais impostos para garantir um preço razoável da tarifa de transporte, não estaria na hora de pensar seriamente em entregar o transporte público para a iniciativa privada, onde a livre concorrência melhoraria a qualidade, a velha lei da oferta e da procura manteria os preços em valores adequados e os governos fariam apenas o seu papel, ou seja, o de gerente, fiscalizando e aplicando as devidas sanções quando o prestador de serviço descumprisse seus deveres? 

Seria o fim dos monopólios, dos cartéis, das maracutaias em licitações, da promiscuidade entre o público e o privado, da ineficiência operacional de quem sabe que seu lucro está garantido por subsídios governamentais, o que desestimula as melhorias na qualidade do serviço.

"Nós somos os patrões do Estado" (ou do governo. São coisas diferentes ou deveriam ser). Ando vendo esta afirmação neste clima de protestos. É bela e falsa. Como um "ente" que consome cinco meses de nosso trabalho, queiramos ou não, pode ser nosso "empregado"? Se somos o patrão, quando podemos demitir este empregado que só nos dá prejuízo? 

Só o governo federal gasta 23% do orçamento no custeio da máquina pública e ainda somos nós que estamos no comando? Um povo realmente soberano, que é patrão do governo ou do Estado, é aquele que não precisa sustentá-lo, que toma a iniciativa para si, que faz ao invés de exigir. A frase é falsa a partir do momento que se protesta para que o Estado ofereça serviços públicos em vez de a exigência ser exatamente oposta: que o Estado não nos sobrecarregue de impostos para que tenhamos dinheiro suficiente para pagar por saúde e educação de qualidade, como só a iniciativa privada sabe oferecer. 

Jamais seremos "patrões" do Estado enquanto formos dependentes dele.