3 de jul de 2013

As manifestações populares e a defesa do estatismo

O que me admira nas manifestações é grande parte da população querer mais do mesmo. Referências à alta carga tributária, ao excesso de impostos foram insignificantes. O estopim das manifestações foi exatamente a reivindicação para que pagássemos mais impostos! Ou alguém pensa que o passe livre para o transporte público seria gratuito?

Não há uma discussão séria sobre transporte público, onde opera uma verdadeira máfia, com histórico de assassinato de sindicalistas e prefeitos, inclusive. Ao invés de exigir que o Estado nos cobre mais impostos para garantir um preço razoável da tarifa de transporte, não estaria na hora de pensar seriamente em entregar o transporte público para a iniciativa privada, onde a livre concorrência melhoraria a qualidade, a velha lei da oferta e da procura manteria os preços em valores adequados e os governos fariam apenas o seu papel, ou seja, o de gerente, fiscalizando e aplicando as devidas sanções quando o prestador de serviço descumprisse seus deveres? 

Seria o fim dos monopólios, dos cartéis, das maracutaias em licitações, da promiscuidade entre o público e o privado, da ineficiência operacional de quem sabe que seu lucro está garantido por subsídios governamentais, o que desestimula as melhorias na qualidade do serviço.

"Nós somos os patrões do Estado" (ou do governo. São coisas diferentes ou deveriam ser). Ando vendo esta afirmação neste clima de protestos. É bela e falsa. Como um "ente" que consome cinco meses de nosso trabalho, queiramos ou não, pode ser nosso "empregado"? Se somos o patrão, quando podemos demitir este empregado que só nos dá prejuízo? 

Só o governo federal gasta 23% do orçamento no custeio da máquina pública e ainda somos nós que estamos no comando? Um povo realmente soberano, que é patrão do governo ou do Estado, é aquele que não precisa sustentá-lo, que toma a iniciativa para si, que faz ao invés de exigir. A frase é falsa a partir do momento que se protesta para que o Estado ofereça serviços públicos em vez de a exigência ser exatamente oposta: que o Estado não nos sobrecarregue de impostos para que tenhamos dinheiro suficiente para pagar por saúde e educação de qualidade, como só a iniciativa privada sabe oferecer. 

Jamais seremos "patrões" do Estado enquanto formos dependentes dele.


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