22 de jun de 2013

Sem violência-a-a-a, sem violência-a-a-a. Mas se ela vier, será bem-vinda

O vandalismo e a pilhagem tornaram-se freqüentes nas manifestações. Seria um erro – e mais, desonestidade – generalizar. É visível a grande massa de pessoas de bem que participam dos protestos. Porém, também é um erro considerar que as manifestações não têm nada a ver com isso, pelo menos em parte. Vejamos. 

Tudo começou com um grupo paulistano desconhecido: o Movimento Passe Livre (MPL). Nos primeiros dias de manifestações, onde o grupelho marchava lado a lado com bandeiras desfraldadas do PSTU e do PCO pela Avenida Paulista, houve depredações, pichações e só não houve roubo porque comunista que se preza não leva vantagem pessoal. Para um grupo que se declara anticapitalista, devastar o centro financeiro da maior cidade do hemisfério sul é bastante significativo. Houve agressões a policiais e um deles quase foi linchado. Em meio a essas manifestações, diante da violência e das agressões, a polícia agiu. No terceiro dia de manifestação, a Tropa de Choque entrou em ação e a coisa azedou. Vários feridos de ambos os lados e de terceiros, entre eles cidadãos que não participavam do protesto e jornalistas. A polícia fez dezenas de prisões. Aqueles que pagavam fiança – com recursos próprios ou ajudados pelo MPL – saíam ostensivamente como heróis, sentindo-se e autodenominando-se, num anacronismo sem igual, presos políticos de um regime autoritário. Eram em sua maioria, membros do MPL e tinham, de fato, promovido pichações e depredações. O MPL não se posicionou contra a ação de seus correligionários, pelo contrário. Houve justificações para a violência. Algumas delas correram pelo Facebook. 

O confronto com a Tropa de Choque teve como resultado uma jornalista com o olho arrebentado por uma bala de borracha e a prisão arbitrária de um jornalista que carregava um frasco de vinagre. Foi o que bastou. Motivada pelo espírito de corpo, a mídia escolheu o lado a defender. Num maniqueísmo que é próprio da imprensa, a polícia era o bandido e os manifestantes eram os mocinhos da história. Foi então que o movimento cresceu, a par da agenda do MPL. Influenciados pela mídia que não contou a história toda, mas apenas apresentou um Estado repressivo diante de manifestações justas e pacíficas, descontentes de todos os tipos agregaram-se ao movimento, cada um defendendo uma causa. Estes fazem parte da massa que citei no início. São pessoas pacíficas, que, apesar de não saberem exatamente o porquê estão insatisfeitas e nem quem é o culpado por isso, sabem que o Brasil não é este mar de rosas que o governo do PT quer vender. 

E os vândalos? No princípio, eram parte integrante do movimento. Não se distinguiam do restante e nem havia o esforço midiático ou da própria liderança do movimento em diferenciá-los. A partir da reunião com o governo do estado de São Paulo, onde foi concertado que ações violentas da polícia e do movimento (até então, o movimento era simplesmente o MPL) eram prejudiciais para a imagem de todos, o movimento passou a fazer o discurso da não-violência. Com 65 mil pessoas na rua, a grande maioria não alinhada com as propostas do MPL (o lema: “Não é só por 20 centavos” surgiu daquelas e não do MPL) a violência passou a ser mal vista e estrategicamente imprópria para a liderança do movimento.

Mas os atos de vandalismo, depredações de bens públicos e privados e os saques continuaram e aumentaram. Os “vândalos” são um mal para o movimento? De certa forma, não. Lembremos que os membros das primeiras manifestações carregavam bandeiras com a estampa de Che Guevara e não de São Francisco de Assis ou Mahatma Gandhi. A violência faz parte do jogo. Amedronta as autoridades e a população se vê acuada. Cria um clima de insegurança e instabilidade dos governos. É uma estratégia revolucionária. Assim, dois tipos de pessoas acabam servindo à causa: os inocentes úteis que involuntariamente apoiam propostas que não são as deles e os vândalos, seja eles quem for, que botam o terror. 

São infiltrados? Sim e não. Não, quando se vê que na origem o vandalismo faz parte da tática do movimento. Sim, quando por infiltrado entende-se que há bandidos oportunistas que aproveitam o rebuliço para cometerem crimes, principalmente os saques. Mas é sempre de se desconfiar. O MST sempre usou o argumento dos “infiltrados” para esquivar-se das ações criminosas. E o espírito que move o MST no campo, move estes grupos (como o MPL) nas cidades. E aí entramos em outro ponto. 

O que inspira o movimento, em sua origem, é um espírito marxista revolucionário. E como sabemos não se faz revolução atirando bexigas d’água. Carrega em si uma motivação violenta intrínseca. Valem-lhes o princípio maquiavélico onde os fins justificam os meios. Como consequência aparecem os vândalos e criminosos “infiltrados” porque o clima do movimento lhes atrai. Comparemos com as manifestações de religiosos que aconteceram no início do mês de junho em Brasília. Foram 70 mil pessoas reunidas na Esplanada dos Ministérios, em dois dias de manifestações, sem um único incidente violento, sem depredações de prédios públicos, sem agressões, sem precisar de reforço policial. Por quê? Onde estavam os pretensos infiltrados que poderiam aproveitar-se da multidão. Não apareceram, porque o clima do movimento não propiciava as suas ações. 

E o que são manifestações pacíficas? Quando não há quebra-pau? Nem sempre. Ocupar ruas e rodovias retirando o direito de ir e vir que têm os outros cidadãos que não se manifestam, não pode ser considerada uma maneira justa de se manifestar. Gerar prejuízo aos lojistas que com medo precisam fechar o comércio também não. Prejudicar pessoas que precisam tomar um avião ou dificultar a locomoção de ambulâncias, idem. Manifestações podem, na santa paz, prejudicar muita gente “inocente”. Tirar o corpo fora é uma boa estratégia para não se responsabilizar diante da violência e não queimar o filme diante da opinião pública. Desde Pôncio Pilatos... 


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