20 de jun de 2013

MPL não me representa

Não adianta. Apesar de tantos louvores midiáticos e de comentaristas de internet, estas manifestações não me conquistaram. Explico o porquê. 

Primeiro: Tudo começa neste Movimento Passe Livre. Não gosto de suas propostas nem de seu modus operandi. Para quem não conhece, basta entrar no site da entidade. Lembremos que no primeiro dia de protesto, com umas mil pessoas, eles devastaram a av. Paulista. Será que já tinha os "infiltrados" desde aquela hora? Na quinta-feira, diante da bandalheira generalizada, a polícia desceu o sarrafo. Manifestantes e o governo de SP perceberam que o confronto era ruim para todos os lados. Segunda-feira se reuniram e entraram em acordo sobre como o movimento e a polícia se comportariam. A partir deste momento - e só deste - o MPL tomou ares de boa moça. 

Segundo: As manifestações são irracionais. Protesta-se sem apresentar propostas. Querem que o valor da passagem de ônibus não suba, mas, a despeito dos argumentos apresentados para o aumento, não indicam como manter os preços diante da alta da inflação e do aumento dos combustíveis neste ano. Sem contra-argumentos, não há negociação. Os protestos serão ad eternum. 

Terceiro: Graças a Deus, vivemos numa democracia. Não é ideal, mas é uma democracia. Numa democracia, há leis e elas devem ser obedecidas. Se políticos ou a polícia não obedecem a lei, isto não justifica a desobediência. Protestos populares fazem parte da democracia. Destruição de patrimônio público ou privado, não. Tentativa de linchamento de policiais, também não. Houve manifestantes que justificaram os atos de vandalismo demagogicamente, alegando que o número de homicídio, a precariedade dos hospitais e afins é que eram atos de vandalismo. Como diria Sócrates (o filósofo, não o jogador), um erro não justifica outro. Isto tudo aconteceu antes do MPL se tornar a donzela de hoje. 

Quarto: Com o afã de mostrar força, o MPL fez convocação geral. Isto atraiu descontentes e baderneiros de todos os matizes. Resultado: perdeu o controle. Há muita gente boa que aderiu ao movimento pacificamente. Porém, junto, vieram os arruaceiros. Nenhum ato de violência é justificável. Depredar patrimônio público, invadir sedes de governo, atacar a polícia e a imprensa, saquear lojas e incendiar carros são coisa de bandido. 

Quinto: Toda esta gente protesta contra tudo e contra nada. Não há foco. Não há objetivo, pelo contrário, há bastante subjetivismo. É um monte de descontentes, mas descontentes com o quê? Quem são os culpados? Um protesta contra a violência. Tem alguém a favor? Outro, contra a corrupção, mas não se sabe se é contra o ato ou contra a impunidade. É uma mistura de otimismo e ingenuidade que, no fim das contas, leva a nada. 

Sexto: Vocês que leem o que eu posto - se é que leem... - já devem ter percebido o quanto repudio o PT e a década que está no governo. E não só. Repudio tudo que cheire esquerdismo, o que me parece óbvio devido às tragédias que o marxismo/ comunismo/socialismo provocaram no século passado. O MPL aparenta ser apartidário, mas não ideologicamente neutro. Palavras de ordem do tipo: "Fora, Dilma" ou "Fora, Alckmin", não cabem no regime democrático. Governantes são destituídos nas urnas. Mesmo achando que o governo Dilma, assim como o Lula, é uma merda, não há nenhum motivo para apoiar um impeachment. Isso não é democracia, é golpismo.


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