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16 de nov. de 2014

Impeachment de Dilma e o impeachment do Collor

Não se iludam acreditando que foram os caras-pintadas os protagonistas da queda do Collor. Isto é um mito. Collor caiu quando começou a promover a abertura econômica do país, descontentando os empresários que viviam mamando há anos no estatismo dos militares e se viram ameaçados pela concorrência dos produtos importados melhores e mais baratos. Os grupelhos de esquerda e parte da imprensa também viram nele o monstro neoliberal e comandaram os caras-pintadas e direcionaram a opinião pública. Em resumo, o que derrubou o Collor não foram as denúncias de corrupção (que perto dos escândalos dos governos petistas é brincadeira de criança). Foi o Consenso de Washington.

O PT jamais chegaria ao poder se tivesse continuado a combater o grande capital nacional. Foi preciso estabelecer esta relação promíscua com os grandes empresários e empreiteiros do país que foi demonstrada, ontem, na nova fase da Operação Lava Jato da PF. É o poder econômico do grande capital que mantém o PT no poder. O resto é retórica do Lula. Aliás, o PT segue a estratégia da Nova Esquerda mundial que não combate o capitalismo de frente, mas alia-se com os metacapitalistas para garantir interesses escusos. Burro é o PSOL.




4 de jul. de 2013

Pula Catraca Piracicaba: sem argumentos válidos, manifestações perdem legitimidade e apoio

"Quem exagera o argumento prejudica a causa". Foi esta famosa frase do filósofo alemão Friedrich Hegel que me veio à mente hoje ao saber que DE NOVO, NOVAMENTE e MAIS UMA VEZ o grupelho Pula Catraca iria fazer uma manifestação contra o reajuste da tarifa de ônibus em frente ao Terminal Central de Piracicaba. 

O problema é que a causa já não é a redução da tarifa (o que já aconteceu) se é que já foi um dia. A intenção do Pula Catraca é político-partidária. Quando o grupelho não tinha nenhuma expressividade, peguei um panfleto durante uma manifestação em frente à Câmara de Vereadores. A linguagem era de quem tem a cabeça no século XIX, quando muito em meados do vinte. O mesmo blá-blá-blá marxista, propondo estatização de tudo e de todos. Sobre a tarifa de ônibus pouco se dizia. O que importava era atacar o prefeito e o seu partido, o PSDB. De lá para cá, recusou-se a discutir com o prefeito. Preferiu o confronto ao diálogo. 

A manifestação em Piracicaba com 12 mil pessoas em pleno calor dos protestos em nível nacional encheram-lhe os olhos. O fato é que a tarifa foi reduzida, a manifestação se esfriou e hoje o grupelho voltou a sê-lo: não consegue reunir duas centenas de pessoas. E não consegue por alguns motivos: primeiro, a população não é contrária ao prefeito que foi eleito com votação expressiva a menos de um ano e não deseja e nem tem motivos para pedir sua saída, como quer o Pula Catraca; segundo, que 12 mil pessoas foram às ruas piracicabanas influenciadas pela onda de manifestos. Só faltou as camisetas: "Protestos 2013. Eu fui!". A modinha já passou. 

O Pula Catraca, sem mandato para isto, quer falar em nome do povo piracicabano. Isto não lhes dá o direito de atrapalhar que trabalhadores voltem para suas casas depois de um dia duro de trabalho (coisa que devem desconhecer). Não lhes dá o direito de incitar a violência ou querer chantagear o prefeito e a população com frases dizendo que vai "tocar o terror" se suas reivindicações não forem atendidas ou declarações antidemocráticas que pretendem derrubar o prefeito legitimamente eleito. O Pula Catraca não representa ninguém: nem estudantes, nem trabalhadores, muito menos a população piracicabana. Descontente com o acordo entre o prefeito e os estudantes universitários de Piracicaba que reduziu o aumento das tarifas de ônibus, o Pula Catraca exige a revogação total do aumento, porém não apresenta um estudo alternativo demonstrando como seria viável a redução sem impactar as finanças do municípios (a redução da tarifa já deixou um rombo de 4,3 milhões de reais nos cofres do município) o que seria um argumento mais contundente do que fazer bagunça. A verdade é que agora o grupelho só tem um objetivo: desestabilizar o governo enchendo o saco do prefeito Gabriel Ferrato.





3 de jul. de 2013

As manifestações populares e a defesa do estatismo

O que me admira nas manifestações é grande parte da população querer mais do mesmo. Referências à alta carga tributária, ao excesso de impostos foram insignificantes. O estopim das manifestações foi exatamente a reivindicação para que pagássemos mais impostos! Ou alguém pensa que o passe livre para o transporte público seria gratuito?

Não há uma discussão séria sobre transporte público, onde opera uma verdadeira máfia, com histórico de assassinato de sindicalistas e prefeitos, inclusive. Ao invés de exigir que o Estado nos cobre mais impostos para garantir um preço razoável da tarifa de transporte, não estaria na hora de pensar seriamente em entregar o transporte público para a iniciativa privada, onde a livre concorrência melhoraria a qualidade, a velha lei da oferta e da procura manteria os preços em valores adequados e os governos fariam apenas o seu papel, ou seja, o de gerente, fiscalizando e aplicando as devidas sanções quando o prestador de serviço descumprisse seus deveres? 

Seria o fim dos monopólios, dos cartéis, das maracutaias em licitações, da promiscuidade entre o público e o privado, da ineficiência operacional de quem sabe que seu lucro está garantido por subsídios governamentais, o que desestimula as melhorias na qualidade do serviço.

"Nós somos os patrões do Estado" (ou do governo. São coisas diferentes ou deveriam ser). Ando vendo esta afirmação neste clima de protestos. É bela e falsa. Como um "ente" que consome cinco meses de nosso trabalho, queiramos ou não, pode ser nosso "empregado"? Se somos o patrão, quando podemos demitir este empregado que só nos dá prejuízo? 

Só o governo federal gasta 23% do orçamento no custeio da máquina pública e ainda somos nós que estamos no comando? Um povo realmente soberano, que é patrão do governo ou do Estado, é aquele que não precisa sustentá-lo, que toma a iniciativa para si, que faz ao invés de exigir. A frase é falsa a partir do momento que se protesta para que o Estado ofereça serviços públicos em vez de a exigência ser exatamente oposta: que o Estado não nos sobrecarregue de impostos para que tenhamos dinheiro suficiente para pagar por saúde e educação de qualidade, como só a iniciativa privada sabe oferecer. 

Jamais seremos "patrões" do Estado enquanto formos dependentes dele.


22 de jun. de 2013

Sem violência-a-a-a, sem violência-a-a-a. Mas se ela vier, será bem-vinda

O vandalismo e a pilhagem tornaram-se freqüentes nas manifestações. Seria um erro – e mais, desonestidade – generalizar. É visível a grande massa de pessoas de bem que participam dos protestos. Porém, também é um erro considerar que as manifestações não têm nada a ver com isso, pelo menos em parte. Vejamos. 

Tudo começou com um grupo paulistano desconhecido: o Movimento Passe Livre (MPL). Nos primeiros dias de manifestações, onde o grupelho marchava lado a lado com bandeiras desfraldadas do PSTU e do PCO pela Avenida Paulista, houve depredações, pichações e só não houve roubo porque comunista que se preza não leva vantagem pessoal. Para um grupo que se declara anticapitalista, devastar o centro financeiro da maior cidade do hemisfério sul é bastante significativo. Houve agressões a policiais e um deles quase foi linchado. Em meio a essas manifestações, diante da violência e das agressões, a polícia agiu. No terceiro dia de manifestação, a Tropa de Choque entrou em ação e a coisa azedou. Vários feridos de ambos os lados e de terceiros, entre eles cidadãos que não participavam do protesto e jornalistas. A polícia fez dezenas de prisões. Aqueles que pagavam fiança – com recursos próprios ou ajudados pelo MPL – saíam ostensivamente como heróis, sentindo-se e autodenominando-se, num anacronismo sem igual, presos políticos de um regime autoritário. Eram em sua maioria, membros do MPL e tinham, de fato, promovido pichações e depredações. O MPL não se posicionou contra a ação de seus correligionários, pelo contrário. Houve justificações para a violência. Algumas delas correram pelo Facebook. 

O confronto com a Tropa de Choque teve como resultado uma jornalista com o olho arrebentado por uma bala de borracha e a prisão arbitrária de um jornalista que carregava um frasco de vinagre. Foi o que bastou. Motivada pelo espírito de corpo, a mídia escolheu o lado a defender. Num maniqueísmo que é próprio da imprensa, a polícia era o bandido e os manifestantes eram os mocinhos da história. Foi então que o movimento cresceu, a par da agenda do MPL. Influenciados pela mídia que não contou a história toda, mas apenas apresentou um Estado repressivo diante de manifestações justas e pacíficas, descontentes de todos os tipos agregaram-se ao movimento, cada um defendendo uma causa. Estes fazem parte da massa que citei no início. São pessoas pacíficas, que, apesar de não saberem exatamente o porquê estão insatisfeitas e nem quem é o culpado por isso, sabem que o Brasil não é este mar de rosas que o governo do PT quer vender. 

E os vândalos? No princípio, eram parte integrante do movimento. Não se distinguiam do restante e nem havia o esforço midiático ou da própria liderança do movimento em diferenciá-los. A partir da reunião com o governo do estado de São Paulo, onde foi concertado que ações violentas da polícia e do movimento (até então, o movimento era simplesmente o MPL) eram prejudiciais para a imagem de todos, o movimento passou a fazer o discurso da não-violência. Com 65 mil pessoas na rua, a grande maioria não alinhada com as propostas do MPL (o lema: “Não é só por 20 centavos” surgiu daquelas e não do MPL) a violência passou a ser mal vista e estrategicamente imprópria para a liderança do movimento.

Mas os atos de vandalismo, depredações de bens públicos e privados e os saques continuaram e aumentaram. Os “vândalos” são um mal para o movimento? De certa forma, não. Lembremos que os membros das primeiras manifestações carregavam bandeiras com a estampa de Che Guevara e não de São Francisco de Assis ou Mahatma Gandhi. A violência faz parte do jogo. Amedronta as autoridades e a população se vê acuada. Cria um clima de insegurança e instabilidade dos governos. É uma estratégia revolucionária. Assim, dois tipos de pessoas acabam servindo à causa: os inocentes úteis que involuntariamente apoiam propostas que não são as deles e os vândalos, seja eles quem for, que botam o terror. 

São infiltrados? Sim e não. Não, quando se vê que na origem o vandalismo faz parte da tática do movimento. Sim, quando por infiltrado entende-se que há bandidos oportunistas que aproveitam o rebuliço para cometerem crimes, principalmente os saques. Mas é sempre de se desconfiar. O MST sempre usou o argumento dos “infiltrados” para esquivar-se das ações criminosas. E o espírito que move o MST no campo, move estes grupos (como o MPL) nas cidades. E aí entramos em outro ponto. 

O que inspira o movimento, em sua origem, é um espírito marxista revolucionário. E como sabemos não se faz revolução atirando bexigas d’água. Carrega em si uma motivação violenta intrínseca. Valem-lhes o princípio maquiavélico onde os fins justificam os meios. Como consequência aparecem os vândalos e criminosos “infiltrados” porque o clima do movimento lhes atrai. Comparemos com as manifestações de religiosos que aconteceram no início do mês de junho em Brasília. Foram 70 mil pessoas reunidas na Esplanada dos Ministérios, em dois dias de manifestações, sem um único incidente violento, sem depredações de prédios públicos, sem agressões, sem precisar de reforço policial. Por quê? Onde estavam os pretensos infiltrados que poderiam aproveitar-se da multidão. Não apareceram, porque o clima do movimento não propiciava as suas ações. 

E o que são manifestações pacíficas? Quando não há quebra-pau? Nem sempre. Ocupar ruas e rodovias retirando o direito de ir e vir que têm os outros cidadãos que não se manifestam, não pode ser considerada uma maneira justa de se manifestar. Gerar prejuízo aos lojistas que com medo precisam fechar o comércio também não. Prejudicar pessoas que precisam tomar um avião ou dificultar a locomoção de ambulâncias, idem. Manifestações podem, na santa paz, prejudicar muita gente “inocente”. Tirar o corpo fora é uma boa estratégia para não se responsabilizar diante da violência e não queimar o filme diante da opinião pública. Desde Pôncio Pilatos... 


20 de jun. de 2013

MPL não me representa

Não adianta. Apesar de tantos louvores midiáticos e de comentaristas de internet, estas manifestações não me conquistaram. Explico o porquê. 

Primeiro: Tudo começa neste Movimento Passe Livre. Não gosto de suas propostas nem de seu modus operandi. Para quem não conhece, basta entrar no site da entidade. Lembremos que no primeiro dia de protesto, com umas mil pessoas, eles devastaram a av. Paulista. Será que já tinha os "infiltrados" desde aquela hora? Na quinta-feira, diante da bandalheira generalizada, a polícia desceu o sarrafo. Manifestantes e o governo de SP perceberam que o confronto era ruim para todos os lados. Segunda-feira se reuniram e entraram em acordo sobre como o movimento e a polícia se comportariam. A partir deste momento - e só deste - o MPL tomou ares de boa moça. 

Segundo: As manifestações são irracionais. Protesta-se sem apresentar propostas. Querem que o valor da passagem de ônibus não suba, mas, a despeito dos argumentos apresentados para o aumento, não indicam como manter os preços diante da alta da inflação e do aumento dos combustíveis neste ano. Sem contra-argumentos, não há negociação. Os protestos serão ad eternum. 

Terceiro: Graças a Deus, vivemos numa democracia. Não é ideal, mas é uma democracia. Numa democracia, há leis e elas devem ser obedecidas. Se políticos ou a polícia não obedecem a lei, isto não justifica a desobediência. Protestos populares fazem parte da democracia. Destruição de patrimônio público ou privado, não. Tentativa de linchamento de policiais, também não. Houve manifestantes que justificaram os atos de vandalismo demagogicamente, alegando que o número de homicídio, a precariedade dos hospitais e afins é que eram atos de vandalismo. Como diria Sócrates (o filósofo, não o jogador), um erro não justifica outro. Isto tudo aconteceu antes do MPL se tornar a donzela de hoje. 

Quarto: Com o afã de mostrar força, o MPL fez convocação geral. Isto atraiu descontentes e baderneiros de todos os matizes. Resultado: perdeu o controle. Há muita gente boa que aderiu ao movimento pacificamente. Porém, junto, vieram os arruaceiros. Nenhum ato de violência é justificável. Depredar patrimônio público, invadir sedes de governo, atacar a polícia e a imprensa, saquear lojas e incendiar carros são coisa de bandido. 

Quinto: Toda esta gente protesta contra tudo e contra nada. Não há foco. Não há objetivo, pelo contrário, há bastante subjetivismo. É um monte de descontentes, mas descontentes com o quê? Quem são os culpados? Um protesta contra a violência. Tem alguém a favor? Outro, contra a corrupção, mas não se sabe se é contra o ato ou contra a impunidade. É uma mistura de otimismo e ingenuidade que, no fim das contas, leva a nada. 

Sexto: Vocês que leem o que eu posto - se é que leem... - já devem ter percebido o quanto repudio o PT e a década que está no governo. E não só. Repudio tudo que cheire esquerdismo, o que me parece óbvio devido às tragédias que o marxismo/ comunismo/socialismo provocaram no século passado. O MPL aparenta ser apartidário, mas não ideologicamente neutro. Palavras de ordem do tipo: "Fora, Dilma" ou "Fora, Alckmin", não cabem no regime democrático. Governantes são destituídos nas urnas. Mesmo achando que o governo Dilma, assim como o Lula, é uma merda, não há nenhum motivo para apoiar um impeachment. Isso não é democracia, é golpismo.


8 de jan. de 2012

Epifania do Senhor

Mateus 2, 1-12

“Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (Mt. 2, 12)

Hoje comemoramos a Epifania do Senhor. Jesus é apresentado a toda humanidade representada pelos magos pagãos vindos do Oriente. A Tradição sempre representou os magos como originários dos três continentes até então conhecidos quando Jesus nasceu exatamente para demonstrar a universalidade da mensagem de Jesus. Sua salvação se estende a toda a Terra e não somente aos judeus.

Aqueles magos, sábios vindos do Oriente, puderam, através dos sinais da natureza, serem guiados até Cristo. Neste mundo onde se rejeita Deus e se idolatra a tecnologia e o cientificismo domina as mentalidades e que considera-se ignorantes àqueles que creem em Deus, os sábios do Oriente mostram que Deus pode ser encontrado através da razão por aqueles que O procuram. Mas não basta encontrá-Lo pelos estudos, formular uma teoria sobre Ele. É preciso ir adorá-lo, mover-se, mudar de vida, andar por outro caminho. O evangelho não é uma ideologia, mas o encontro pessoal com Jesus Cristo ressuscitado.

O rei Herodes também convocou os sábios do Reino. Através da razão também poderia descobrir o Cristo. Porém, seu orgulho, o temor de perder o trono (ou seja, ter que mudar de vida) para aquele que era verdadeiramente o rei dos judeus, já que ele, Herodes, era o rei dos judeus, fez com que planejasse eliminar Jesus. Quantos filósofos e pensadores não pretenderam e pretendem fazer isto quando se sentem incomodados pela existência de Deus. Que a exemplo dos magos, encontremos, adoremos a Cristo e nos convertamos.