24 de nov de 2013

Mitologia, deuses gregos, neopaganismo, corpos sarados e anabolizantes

Zeus
O mito é uma forma de relato passado de geração para geração que visa explicar a origem do universo, dos seres e dos fenômenos da natureza. Os mitos gregos traziam conhecimentos sobre a natureza e questões filosóficas e éticas. Muitos mitos, principalmente sobre heróis gregos, surgiram baseados em fatos históricos. A mitologia grega era formada por deuses antropomórficos, ou seja, seus aspectos e ações eram semelhantes aos dos humanos. O que realmente os diferenciava dos seres humanos eram seus poderes extraordinários e a imortalidade. Graças a esta semelhança, os mitos acabavam regendo e avalizando aspectos sociais, como a guerra ou o amor. Os deuses eram modelos de como ser e viver.

Os deuses gregos viviam no Monte Olimpo. Há semelhanças entre as divindades gregas e de outras culturas antigas do Oriente, o que denota a forte influência que os helenos receberam destes povos. Em todas estas culturas (egípcia, babilônica, fenícia, hindu) os deuses personificam e controlam fenômenos da natureza, ações e sentimentos humanos. Já os romanos adotaram o panteão grego em sua mitologia apenas modificando os nomes de seus deuses. 

Poderíamos fazer uma analogia entre os mitos helenos e os “mitos” atuais. Nosso Monte Olimpo é a televisão. É lá que todos querem chegar. É da TV que partem os ideais estéticos, de beleza e de sucesso e, porque não, de comportamento. O que nos difere são as motivações que poderiam nos elevar a tal “glória”. Os helenos procuravam os feitos heroicos que os aproximavam dos deuses e nós, ao contrário, miramos as futilidades empregadas para tal divinização desconsiderando a falta de “poderes extraordinários”, ou seja, o talento. O que vale mesmo são os famosos quinze minutos de fama, alcançar a imortalidade do videotape.  

Poseidon
Além disso, os deuses gregos sempre são representados em suas estátuas com corpos musculosos e perfeitos - muitas vezes tão perfeitos que são irreais. Por este motivo, os helenos desenvolveram amplamente as atividades físicas aliadas às atividades intelectuais. Ter corpos sarados ia além do simples culto ao corpo. Era uma prática religiosa de aproximação à divindade, já que a religião grega não possuía regras de conduta nem de moralidade a se seguir para alcançar a imortalidade, ou Paraíso, como possui o cristianismo, parecer-se fisicamente com os deuses era parte da prática religiosa helenística. Muito diferente do que vemos hoje, onde o culto ao corpo é um fim em si mesmo e para conquistar um corpo que se julga perfeito em relação a um padrão estabelecido pela mídia e por questões mercadológicas, recorre-se a tudo, inclusive pondo a vida em risco com o uso de esteroides anabolizantes. Vivemos tempos de neopaganismo piores do que o dos antigos gregos, posto que o nosso, além de eliminar qualquer vestígio de transcendência, é mergulhado em total ignorância.  


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