13 de mai de 2013

Injustiça histórica: os abolicionistas negros continuam esquecidos



Esse ano estamos comemorando 125 anos da Lei Áurea que pôs fim à página trágica e vergonhosa da escravidão no Brasil. Em 13 de maio de 1888, como todos nós sabemos, a princesa Isabel promulgou a lei que libertou o que ainda restava de escravos no Império. Interessante notar a pouca manifestação ao redor da data. Aliás, há bons anos que o 13 de maio passa despercebido.

Explica-se os motivos. Os movimentos negros, estas ONG's que julgam representar todos os cidadãos brasileiros que possuem ancestral africano, por estarem contaminados pelo marxismo e não conseguirem ver os fatos a não ser por esta ótica, resolveram esquecer a importante data. Não que sejam contra a libertação dos escravos, longe disso, mas, segundo eles, não se comemora um fato – a libertação dos escravos – que  foi decisão dos poderosos, do “sistema”, da branca Isabel. Não levam em conta que a Lei Áurea tenha sido o último capítulo de anos e anos da luta abolicionista que envolveu brancos, mestiços, mulatos, negros e, finalmente, a Família Imperial. 

Não se menciona as personalidades negras que empenharam a vida para o fim do escravismo: André Rebouças, Luiz Gama, José do Patrocínio, Cruz e Sousa, entre outros. Por que é tão pouco conhecido todos estes homens incríveis da História do Brasil, homens que honraram a cor de sua pele e colocaram as suas inteligências e forças na causa abolicionista? Por que os movimentos negros preferem Zumbi dos Palmares a qualquer um destes nomes citados? Porque eles faziam parte do já citado “sistema”. Eram profissionais liberais bem sucedidos, intelectuais reconhecidos e, em sua grande maioria, monarquistas. Não eram revolucionários, não se rebelaram contra o governo. Ao invés disso, preferiram ponderar, usar a arma que dispunham que era a influência na sociedade. Para os ideólogos do movimento negro, esses seus "irmãos" advogados, jornalistas, engenheiros, políticos venderam-se ao sistema e a abolição, ao fim das contas, foi um acordo entre as elites (o que a própria História desmente com a derrubada da monarquia) e não a adorada luta de classes que move a História.

Mas a ideologia que contamina os movimentos negros prefere o líder do Quilombo dos Palmares, este sim, segundo sua concepção, um representante legítimo da luta de classes. Forjaram o Dia da Consciência Negra, dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi que substituiu o dia 13 de maio como o verdadeiro dia da libertação do negro brasileiro. É claro que Zumbi é um personagem importante de nossa história, assim como os supracitados abolicionistas, mas os historiadores marxistas conseguem cometer o anacronismo de reconhecer “marxistas” anteriores a Marx. Nada diferente, diga-se, de sistemas religiosos, como o Islã, que reconhecem muçulmanos antes de Maomé ou os espíritas que encontram kardecistas antes de Allan Kardec. 

Para os marxistas ou marxistizantes – que dominam os movimentos negros –, Zumbi foi um revolucionário, combateu o sistema opressor da Coroa portuguesa, governou Palmares, uma sociedade igualitária. E, por fim, foi morto pelos “conservadores”. Nada melhor para os marxistas que adoram o papel de vítima. Tudo isso nos soa falso. Zumbi jamais defendeu o fim da escravidão, pelo contrário, mantinha escravos domésticos. O quilombo tinha rígida hierarquia, cujo vértice era ocupado pela família de Zumbi, que o governava com mão de ferro. Recusou um acordo com os portugueses que lhe garantiria a autonomia do quilombo, o que lhe valeu sua destruição.

Sem sombra de dúvida, a imagem de Zumbi é mais atraente. É preferível apresentar um líder com uma lança na mão, colar de ossos e tanga do que homens de terno e gravata e tendo por arma, uma caneta. É a imagem do mito, de um super-herói dos quadrinhos para ser mais exato. O resultado dos esforços dos abolicionistas negros foi a abolição da escravatura. Mas há quem prefira homenagear e cultuar aquele, cujo único resultado de suas lutas foi um estrondoso fracasso.





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