1 de jun de 2011

A vitória do Nazismo

O Estado trava uma eterna batalha com o indivíduo. Nos regimes totalitários do período entreguerras, as ideologias do Estado foram impostas pela força, pela coação ou convencimento aos seus cidadãos, como aconteceu na Alemanha nazista, na Itália, fascista e na URSS comunista. Os regimes totalitários do século XX causaram tragédias inimagináveis e que chocaram a humanidade. As teorias nazistas e suas práticas nos campos de concentração levaram o mundo todo, após a Segunda Guerra Mundial, a unir forças para que estas não se repetissem. Criou-se a ONU, foi promulgada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tribunais e forças militares internacionais foram organizados para combater e punir crimes contra a humanidade. Porém, a liberdade individual corre risco mesmo em Estados democráticos. Após a derrota do nazifascismo e a queda do império soviético, a democracia pareceu sair vitoriosa. Sem dúvida, a democracia é a melhor forma de governo, mas podemos cair na tentação da democracia absolutista, onde a maioria sempre tem razão, pode decidir sobre tudo sem ser pautada por parâmetros morais ou éticos, ao contrário, pode até mesmo elaborá-los de acordo com suas conveniências. Além dessa ditadura da maioria, a democracia pode ser degenerada pelas minorias bem organizadas, usando de subterfúgios do Estado democrático de direito, de pretensos direitos humanos e da ideologia da vitimização e do politicamente correto conseguindo impor suas vontades.


Ao que tudo indica, os atos imorais dos regimes totalitários reaparecem pouco a pouco no século XXI. É claro que possuem nova roupagem – a do politicamente correto – para convencer os incautos, mas a sua essência desumana continua intacta. As teorias da eugenia não nasceram com o Partido Nacional-Socialista Alemão e não morreram com ele. Com o surgimento do darwinismo social acreditou-se que havia seres humanos melhor adaptados ao meio e aqueles que deveriam desaparecer. Não havia lugar para os indivíduos mais fracos cuja natureza se incumbiria de eliminar. Todavia, por que esperar a seleção natural agir se é possível colaborar com ela? Assim, com embasamento científico, a sanha evolucionista do nazismo pretendeu eliminar os deficientes físicos e mentais, as raças inferiores e degenerados de todos os tipos. Vivemos algo semelhante. São cada vez mais comuns, nos países ocidentais, as legislações que promovem o aborto de embriões e fetos com deficiências físicas e degenerativas. Portadores de Síndrome de Down estão desaparecendo na Europa e nos Estados Unidos, cujas leis pró-aborto facilitam que sejam eliminados antes de nascer. Nas fertilizações in vitro os embriões saudáveis são escolhidos e os demais descartados. Já é possível escolher a cor dos olhos, a estatura e o sexo dos indivíduos. Desse modo, volta-se às práticas nazistas na produção do homem perfeito, do super-homem, agora menos chocantes já que são realizadas no microcosmo uterino ou nos laboratórios.


Mas as práticas eugênicas também apresentam-se de maneira mais visível nos casos de eutanásia. A saúde, o vigor físico e a juventude são vistos como bens absolutos e o ápice da felicidade em nossa sociedade hedonista e materialista. Não há lugar para os deficientes, os portadores de doenças incuráveis e os idosos. Não atendem ao tecnicismo que classifica as pessoas entre úteis e inúteis para a sociedade. Nada mais consomem ou produzem. São pesos mortos nas costas de todo o restante da população. Sendo assim, países europeus, como Suíça, Bélgica e Holanda possuem leis que legalizam a prática da eutanásia. Casos pontuais são autorizados pela justiça em diversos países. Os nazistas invadiam hospitais e fuzilavam sumariamente os pacientes. As técnicas politicamente corretas são mais sutis. Levam as próprias pessoas incapacitadas a desejarem a morte.


Em busca desse conceito de felicidade e, consciente ou inconscientemente, do medo de cair à margem da sociedade e poder ser eliminado, o homem moderno preocupa-se exageradamente com o corpo. Há um verdadeiro culto ao corpo. Os regimes totalitários, especialmente de cunho racial como o nazismo, sempre tiveram por modelo os corpos torneados, robustos e jovens como deveriam ser os indivíduos da raça ariana. As academias de ginástica proliferaram neste período. Hoje não é diferente. Há forte apelo da propaganda – não mais a governamental –, onde o ideal de juventude é sinônimo de felicidade e corpos magros e bem definidos estabelecem o padrão de beleza. Vale tudo para alcançar o nirvana dos corpos sarados: as cirurgias plásticas se popularizaram assustadoramente, supervalorizam-se os exercícios físicos e pessoas colocam a saúde em risco com o uso de esteróides anabolizantes, inibidores de apetite e dietas insanas. Portanto, as teorias eugênicas que embasaram os planos políticos e sociais dos regimes totalitários, sobretudo o nacional-socialista, infelizmente não desapareceram com a derrota de Adolf Hitler. Continuam permeando as políticas de saúde dos países democráticos, apresentadas como “direitos humanos”, progresso científico e até mesmo caridade, o que convence grande parte da população relativista e moralmente amortecida do Ocidente. Somente a brutalidade na implantação de tais ideias desapareceu. Sua brutalidade intrínseca, não.



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