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23 de out. de 2016

Cristianismo sem Eucaristia é gnosticismo

Cristianismo sem a Eucaristia, sem a fé na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados como ensina a Igreja Católica, não passa de gnosticismo, ou pior, de mitologia. Explico. A encarnação de Deus em Jesus Cristo foi um escândalo para os judeus. Isso os levou a não reconhecê-lo como o Messias e condená-lo como blasfemador. De fato, não é fácil crer que aquele homem, que aparentemente não se diferenciava em nada dos outros homens e que foi macerado na cruz, fosse o Deus eterno e todo-poderoso. A divindade de Cristo Jesus estava velada por sua humanidade. Só era possível reconhecê-la com os olhos da fé. Poucos foram testemunhas oculares da ressurreição. Mas este desafio da fé continua quando Jesus institui a Eucaristia. 

No final do sermão da Eucaristia na sinagoga de Cafarnaum (João, cap. 6), muitos deixaram de seguir a Jesus porque se escandalizaram com suas palavras. "Como pode este homem nos dar sua carne para comer e seu sangue para beber?". A Eucaristia prolonga o desafio da fé. Sob o véu do sacramento, esconde-se a humanidade e a divindade de Nosso Senhor. Só podem ser tocadas pela fé, como quando Cristo andava sobre a terra. A Eucaristia não é um símbolo. A Santa Ceia não pode ser uma ação simbólica, uma espécie de representação. O tempo dos símbolos passou com a vinda de Jesus. Na Eucaristia está o Cristo presente realmente. Sob as aparências do pão e do vinho está verdadeiramente o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Santa Missa não é uma representação da Última Ceia, mas é a atualização do sacrifício de Cristo.

A Eucaristia prolonga na História o mistério da encarnação de Deus em Jesus Cristo. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. E nós acreditamos. Porém, mesmo sendo uma verdade de fé, não vemos mais o homem Jesus. Não tocamos Sua carne como seus contemporâneos há dois mil anos, lá na Terra Santa, podiam fazer. Não sentimo-nos desafiados a crer na Sua santa humanidade, porque a natureza humana de Jesus hoje está glorificada ao lado do Pai. Mas a fé na Eucaristia, na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados, nos permite tocar Sua carne verdadeiramente. A humanidade e a divindade de Cristo Jesus se escondem sob o véu do sacramento, como sua divindade estava escondida sob o véu da humanidade. O mistério da encarnação do Verbo se faz presente em cada Missa. É por isso que as heresias que negavam a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, como os gnósticos e os catáros, por exemplo, negavam primeiramente a encarnação real de Cristo.

Fiz estes dias, duas postagens sobre a relação entre a encarnação do Verbo e a presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados. Dizia que crer na encarnação do Verbo e não crer na Eucaristia, como é ensinada pela Igreja Católica, era gnosticismo. Pois bem, trago um trecho da carta que Santo Inácio, bispo de Antioquia, escreveu aos esmirnenses, mais ou menos no ano 107 d.C., quando era levado prisioneiro para ser martirizado em Roma. Santo Inácio foi discípulo dos apóstolos e combateu a heresia nascente do docetismo gnóstico. Eis o trecho da carta:

"Abstêm-se eles [os docetistas gnósticos] da Eucaristia e da oração, por­que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou. Os que recusam o dom de Deus, morrem disputando."

Convém lembrar que o apóstolo São João escreveu o seu evangelho, no final do primeiro século, exatamente para combater o docetismo gnóstico que nascia. É por isso que o evangelho joanino é o mais explícito quanto à doutrina da encarnação do Verbo (cap. 1) e da Eucaristia (cap. 6).



12 de ago. de 2012

Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu


A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 6, 41-51

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.” (Jo 6, 51)

Diante do discurso de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, o povo começa a criticá-Lo, por não compreender a profundidade do ensinamento sobre a Eucaristia. Para crer no grande mistério do Santíssimo Sacramento é preciso crer na encarnação do Verbo. Deus fez-se homem em Jesus Cristo, no seio da Virgem Maria. Os judeus não conseguiram acreditar no Deus encarnado. A toda menção de Sua origem divina, os judeus argumentam afirmando que conhecem Seus pais e parentes. E fica difícil entender como alguém se considera cristão, crê na encarnação, mas não crê na Eucaristia. Em Seus ensinamentos, Jesus deixa claro que este Pão que Ele nos dá é Seu corpo entregue em sacrifício. Portanto, a Santa Missa não é somente um banquete ou ceia, mas é o sacrifício de Cristo no calvário que se faz presente pelo Espírito Santo e pelas palavras do sacerdote. Participemos da Missa com profundo respeito e reverência. Que recebamos o Corpo e o Sangue do Senhor com adoração.

4 de ago. de 2012

Eu sou o Pão da Vida


A Boa Notícia de Jesus Cristo:

João 6, 24-35

“Jesus replicou: ‘Eu sou o Pão da Vida: aquele que vem a mim não terá fome e aquele que crê em mim jamais terá sede.’” (Jo. 6, 35)

Após o milagre da multiplicação dos pães, Jesus volta para Cafarnaum. A multidão que tinha sido alimentada o persegue até lá, o que Jesus repreende acusando-os de segui-lo não por causa do maravilhoso milagre que tinham presenciado, mas porque tinham se saciado. O povo pensava que Jesus, novo Moisés, os alimentaria como seus antepassados tinham sido alimentados no deserto com o maná. Pesar daquele milagre que ocorreu no dia anterior, preferia Moisés que havia intercedido junto á Deus e Este enviou pão do céu, o maná, durante quarenta anos.

O povo acreditava que Jesus instauraria uma vida ociosa, dando-lhe alimentação. Mas Jesus falava-lhes de outro pão. Falhava-lhes de Si próprio, o verdadeiro Pão que o Pai dava ao Seu povo. Ele é o alimento imperecível que dá a vida eterna. O maná alimentava o corpo. Jesus alimenta a alma, dá vida à alma purificando-a do pecado e livrando-a da morte. É através da fé que nos alimentamos deste pão. “O justo viverá da fé”, diz o profeta. Jesus é o alimento que nos sacia plenamente.

Mais tarde, Jesus falará que o pão é Sua carne e Seu sangue é verdadeira bebida: É a Eucaristia, remédio de imortalidade. Diante de um mundo onde as pessoas estão famintas e sedentas de um sentido para a vida e se alimentando tão mal em doutrinas, ideologias e comportamentos que oferecem respostas insatisfatórias e prazeres momentâneos, Jesus nos oferece um verdadeiro banquete, o banquete eucarístico que nos completa, nos preenche com Sua Divina presença e nos une a Deus. 

31 de jul. de 2011

A primeira multiplicação dos pães

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Mateus 14, 13-21

“Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos.” (Mt. 14, 20)

O trecho do Evangelho de hoje contrasta com a passagem anterior que narra o banquete natalício de Herodes, onde os prazeres do mundo são desfrutados, e este banquete é o tribunal onde João Batista é condenado. Mas o banquete servido por Jesus não atende aos prazeres oferecidos pelo mundo. Foi assim que o Senhor afastou o tentador quando este lhe desafiou a transformar pedras em pão: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”; e esta “Palavra se fez carne” e é o “pão descido dos céus”.

A essência deste milagre não está na partilha do alimento com quem tem fome, mas na doação de Si próprio que Cristo realiza na cruz e que se perpetua na Eucaristia. É nela que Cristo se multiplica sobre os altares do mundo todo, transubstanciando o pão em Sua carne e alimentando Seu povo, durante nossa peregrinação terrestre, através de Seus sacerdotes que são os sucessores dos apóstolos, os quais receberam o mandato de “dar eles mesmos de comer” aos discípulos de Jesus.

É após participarmos da Eucaristia, sacramento da caridade, onde comungamos o corpo de Cristo, do qual nós somos membros, que devemos ir ao encontro dos necessitados, nos doando uns aos outros, a exemplo de Cristo. É alimentados com o Pão da Vida que nos abre o coração para acabar com a fome – e não só de alimento – que assola o mundo. Que sejamos assíduos no Banquete do Cordeiro, na Santa Missa, onde o Cristo nos alimenta.