15 de abr de 2014

A Igreja católica jamais facilitou a doutrina às custas da verdade

Um dos aspectos que me levam a crer que a doutrina católica seja verdadeira é o fato de a Igreja nunca ter tomado o caminho mais fácil. O caminho mais fácil sempre foi tomado pelas heresias, jamais pela ortodoxia. 

Alguns exemplos: a Santíssima Trindade é um dos mais difíceis de compreender. Deus é único, mas Nele há três pessoas distintas, unidas e com a mesma substância divina. Os três são Deus, mas Deus não tem seu poder diminuído sem uma delas e não é mais poderoso com as três. Já as heresias são simplificadoras: seria mais simples crer que há um único e uno Deus; ou que o Filho e o Espírito Santo são subordinados ao Pai ou inferiores ao Pai ou uma emanação do mesmo e único Deus. 

Jesus Cristo. Crer que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo eterno, se fez homem no ventre da Virgem Maria pela ação do Espírito Santo sem concurso de homem. Crer que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, consubstancial ao Pai certamente é o caminho mais difícil. Seria mais fácil e cômodo crer que Jesus foi concebido naturalmente como todos os homens. Que era uma criatura, a mais perfeita das criaturas, mas apenas uma criatura. Ou crer que é uma espécie de semideus como aqueles dos mitos antigos; ou que sendo Deus é inferior ao Pai ou de uma substância distinta ao do Pai. 

A eucaristia. A Igreja sempre acreditou que a eucaristia não é um simbolismo, nem a representação da última ceia, mas que o que ocorre na Missa é a atualização do sacrifício único de Jesus acontecido no Calvário. Acredita que o pão e o vinho se transubstanciam no Corpo e no Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo e que sob a aparência do pão e do vinho, está verdadeiramente o Cristo, com sua alma e divindade. Seria mais simples crer que é somente um símbolo, um memorial piedoso ou que o Cristo se faz presente espiritualmente, mas não materialmente.

A ressurreição de Cristo. Poderíamos crer que a ressurreição não foi um fato material e histórico; que houve uma construção histórico-teológica dos discípulos de Cristo e que a ressurreição significa a presença de Cristo em seus seguidores e nos valores do Reino de Deus, o que O manteria "vivo", ou seja, a ressurreição seria uma espécie de idealismo cristão. Mas não. Contra todos os céticos de todas as épocas, a Igreja afirma que Jesus ressuscitou verdadeiramente, levantando do túmulo com o mesmo corpo que foi pregado na cruz, mas transformado gloriosamente e que está vivo em corpo e alma nos Céus e em espírito no meio de nós.

É simples entender porque a Igreja trilhou o caminho mais difícil na consolidação da doutrina: a verdade não pode ser negada somente porque não é plenamente entendida ou porque não compreendemos os mistérios de Deus graças as nossas limitações humanas.

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