19 de jan. de 2012

Perseguição aos católicos: URSS e países do Leste europeu

Esta é a segunda parte do meu artigo sobre a perseguição aos católicos na Europa durante a primeira metade do século XX. Leia a primeira parte que contém o Resumo e a Introdução

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A Revolução Francesa instaurou na Europa o modelo republicano como forma de governo. Em seu bojo, trazia o anticlericalismo clássico e o laicismo radical gestados, sobretudo, nas lojas maçônicas espalhadas por todo o continente. Mesmo em regimes democráticos e republicanos, como na França, a Igreja se viu privada de seus bens. Por exemplo, desde as leis anticlericais de 1905, a Igreja na França tem a custódia, mas não a propriedade de seus templos. Em Portugal, com o advento da república em 1910, leis anticlericais e anticatólicas foram postas em prática com o confisco das escolas confessionais, a expulsão de ordens religiosas e a proibição do uso de trajes clericais em público. Porém, os multiformes ideários maçônicos seriam apenas uma pequena amostra do que poderia ser feito à Igreja se uma verdadeira doutrina com sua forma antirreligiosa de ser e agir bem definida chegasse a ser posta em prática. E este momento chegou em 1917 com a Revolução Russa e a implantação do marxismo naquela que viria a ser conhecida como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

A oposição à religião faz parte da essência filosófica de Karl Marx. Conforme o filósofo alemão, para que o homem – medida de tudo – se liberte, é necessário, entre outras coisas, que não se prenda em dogmas e instituições eclesiásticas. Como parte da corrente do humanismo ateu, considera Deus um entrave para o livre desenvolvimento humano. Para isso, importa que desapareça a religião, a Igreja e mesmo a idéia de Deus. No conceito teleológico marxista, a religião naturalmente desapareceria com o regime capitalista, posto que é uma superestrutura deste. O movimento dialético da História se incumbiria de eliminá-la. Porém, como ainda se encontra em fase de transição para esta sociedade comunista onde o capitalismo e suas superestruturas desapareceriam, faz-se necessário uma guerra ininterrupta contra a religião e a Igreja Católica é eleita como o principal inimigo a se abater. Serão usadas as tradicionais armas do laicismo, mas se superará em métodos mais sofisticados e violentos (ROPS, 2006, pp. 39-40). É o que verificamos no primeiro país onde o marxismo se saiu vitorioso.

Apesar de a grande maioria dos cidadãos da URSS pertencer à Igreja Ortodoxa Russa, havia uma parcela não pouco significativa de católicos latinos e greco-católicos nos territórios da Rússia, Lituânia e Ucrânia. Desde o tempo dos czares, os católicos nunca tiveram plena liberdade de culto na Rússia e em diversas ocasiões foram pressionados a incorporarem-se ao patriarcado de Moscou. A violência do período stalinista levou o grande público a imaginar que as perseguições e expurgos na URSS fossem obras exclusivas de Josef Stálin. Mas, desde os primórdios do regime comunista na URSS, as perseguições aos crentes de diversas religiões se fizeram presentes, sendo mais duras contra os católicos acusados simplesmente de servirem a uma “força” estrangeira: o Vaticano.

Lênin inventou os métodos de perseguição religiosa usados por todos os regimes totalitários do século XX. Declarava Lênin, apud. Royal (2001, p. 64) sobre a religião:

A religião é o ópio do povo. Esta afirmação de Marx é a pedra de toque de toda a visão marxista do mundo no que toca ao problema da religião, todas as religiões contemporâneas, todas as igrejas e todos os tipos de organizações religiosas serão sempre vistos pelo marxismo como órgãos da reação burguesa que servem para defender a exploração e a neutralização da classe trabalhadora [...] É preciso saber como lutar contra a religião [...] Essa batalha tem que ser entendida em ligação com a práxis concreta de um movimento de classes dirigido para a eliminação das raízes sociais da religião.

Logo após a Revolução, no início de 1918, os fundos das igrejas e mosteiros foram confiscados. Templos e seminários foram nacionalizados e entregues aos sovietes locais e a Igreja passou a ser proibida de manter alguma propriedade. Publicações e bibliotecas católicas seriam dirigidas por comissários do povo. Escolas católicas passaram ao Estado ou foram fechadas. Só em São Petersburgo, 20 mil crianças católicas das 11 escolas primárias ligadas à Igreja ficaram privadas de receber educação religiosa. Um grave ataque contra a liberdade de consciência (ROYAL, 2001, p. 67).

Na grande fome de 1921-1922 que vitimou milhões de soviéticos, Lênin aproveitou a ocasião para levar a cabo o confisco dos bens da Igreja. A Santa Sé não poupou recursos humanos e financeiros, chegando a alimentar meio milhão de pessoas diariamente na URSS. Se o argumento do confisco era o de alimentar a população, o Vaticano propôs comprar os vasos sagrados e demais utensílios religiosos confiscados. Tudo em vão. A fome era somente mais um pretexto para dar continuidade à limpeza religiosa. Lênin expulsou os religiosos que alimentavam a população e ordenou a execução de membros do clero que protestasse contra o confisco, solicitando relatórios diários sobre o número de sacerdotes executados (ROYAL, 2001, p. 65).

No final de 1922, todas as igrejas de Petrogrado foram fechadas pelo exército e todo o clero, incluindo o bispo, foram presos e enviados para Moscou. Por toda a URSS, bispos e sacerdotes, acusados de agir em favor da Polônia ou do Vaticano, foram presos e enviados aos campos de trabalho forçado. Outros, brutalmente assassinados. Católicos de origem polonesa e rutenos da Ucrânia foram massacrados, outros enterrados vivos. Na costa do mar Negro, uma população católica descendente de alemães composta por 200 mil pessoas, foi deportada para a Sibéria e Cazaquistão. Mesmo com a precária situação econômica, teve início uma maciça propaganda ateísta que consumia grandes somas de dinheiro para desacreditar a Igreja com piadas grosseiras e falsas acusações contra o clero com o intuito de apresentar a Igreja como a responsável pelos males e que, portanto, deveria ser odiada. Acusados de conspiração ou atos de terrorismo (o que correspondia a ensinar o catecismo, por exemplo) as condenações iam da prisão perpétua à pena de morte. Igrejas, hóstias e objetos religiosos foram profanados. Na Ucrânia, das 68 igrejas, 52 tiveram seus objetos e fundos roubados pelo Estado (ROYAL, 2001, pp. 68-72).

Já em 1923, o número de padres católicos na Rússia caiu de 245 para setenta. Entre 1917 e 1925, duzentos mil católicos desapareceram sem deixar rastro. Em Moscou e São Petersburgo, centenas de leigos, religiosos e sacerdotes, incluindo toda a comunidade de freiras dominicanas foram presos e até hoje não se conhece seu destino final. Em 1924, não havia sequer um único bispo católico em liberdade na URSS (ROYAL, 2001, p. 73). Dez anos mais tarde, das 3300 igrejas e duas mil capelas católicas existentes na Rússia pré-revolucionária, ficaram abertas apenas duas que eram usadas pelo governo para demonstrar á comunidade internacional a liberdade religiosa existente na URSS.

Durante o regime de Stálin, o ditador levou a diante a limpeza religiosa no país. Cooptou a grande maioria da Igreja Ortodoxa Russa, principalmente após seu ato nacionalista contra os nazistas em 1943 e pressionava os católicos a abandonar Roma e aderir à Moscou. A mão de Stálin pesou principalmente sobre a Igreja Católica Grega, na Ucrânia. Em 1929, foi deflagrada uma perseguição aos padres católicos da Ucrânia. No ano seguinte, centenas de leigos e 35 padres foram presos e enviados para as ilhas Solovetski, no mar Branco, um campo de concentração para onde a maioria dos religiosos era enviada para trabalhos forçados.

Os soviéticos queriam que os prisioneiros construíssem um canal entre o mar Branco e o Báltico. Frequentemente, o trabalho consistia em ordens do dia extenuantes, que determinavam o transporte de blocos de gelo ou de neve ou o corte de madeira. A alimentação era tudo menos adequada ao tipo de trabalho e aos rigores do clima. Os barracões onde dormiam estavam de tal maneira sobrelotados que se tornava difícil respirar lá dentro. O sistema tinha sido pensado por forma a vergar lentamente os prisioneiros, com exceção dos mais fortes, extorquindo-lhes a maior quantidade possível de trabalho manual durante 16 horas por dia, sete dias por semana. Em conclusão, tratava-se de uma verdadeira escravatura (ROYAL, 2001, p. 83).

Sacerdotes e freiras eram retratados como grupos fanáticos que planejavam atos terroristas, atentados contra Stálin e o regresso ao capitalismo. Homens e mulheres da Igreja eram presos e torturados com choques elétricos e banhos frios em pleno inverno russo para que delatassem pretensos planos conspiratórios contra o regime. Sacerdotes greco-católicos tinham seus filhos ameaçados de morte. Muitos morreram nestas sessões ou acabaram seus dias num manicômio.

Em 1929, os cultos religiosos foram proibidos até mesmo nos campos de concentração. Os religiosos presos foram proibidos de usar o hábito e fornecer qualquer auxílio espiritual aos outros presos. Mas o pior ainda estava por vir. Em 1937, Stálin determinou que os ministros religiosos fossem presos “para que sejam imediatamente executados os elementos mais perniciosos através de medidas administrativas adotadas nas sessões das troikas” (WENGER apud. ROYAL, 2001, p. 63) e a medida também foi estendida aos que já estavam presos. Nicolai Yezhov, ministro de assuntos internos, se encarregou de aplicar tal determinação contra homens e mulheres da Igreja em prisões, campos de trabalho forçado, colônias e que já tivessem sido julgados por crimes ou se encontrassem em liberdade depois de cumpridas as penas. Foram rejulgados e a maioria condenada à morte (ROYAL, 2001, pp.63 e 78).

Se a perseguição à Igreja na Ucrânia já era uma realidade desde 1929, onde todos os seminários foram encerrados, os periódicos católicos proibidos de circular e as escolas católicas suprimidas, após a Segunda Guerra a situação se tornou insustentável. Acusados de colaboracionismo com os nazistas – de fato, no princípio, os nazistas foram vistos pelos ucranianos como libertadores do jugo soviético – e de serem agentes da Polônia e do Vaticano, os greco-católicos passaram a ser reprimidos sistematicamente pelo regime soviético, sobretudo na Ucrânia Ocidental, onde o número de católicos era maior.

Em 14 de março de 1945, Georgii Korpov, presidente do Conselho para os Assuntos da Igreja Ortodoxa Russa, apresentou a Stálin a Instrução 58 que propunha liquidar a Igreja Católica Grega na Ucrânia. Utilizando-se de católicos simpatizantes do regime, pressionaria os greco-católicos a unirem-se ao patriarcado de Moscou. A estratégia incluía uma série de propagandas anticatólicas acusando a Igreja Católica de colaborar com os nazistas durante a guerra e com o “império americano” no pós-guerra e, portanto, inimiga do povo ucraniano e promotora de seus males (ROYAL, 2001, pp. 102-103). No mês seguinte, os bispos se recusaram a aderir à Igreja Ortodoxa e foram presos. Somente um bispo ficou em liberdade, Teodor Romzha, que foi assassinado num hospital por uma agente da KGB disfarçada de enfermeira. A prisão era um claro sinal do destino que aguardava clérigos e leigos que recusassem a assimilação. Conforme afirma Royal (2001, p. 104), estes bispos foram condenados a longos anos de prisão. Uns morreram durante sessões de tortura, outros acabaram suas vidas nos campos de concentração.

No ano seguinte, veio o golpe final: a Igreja Católica na Ucrânia era composta por quatro dioceses, oito bispos, 2772 paróquias, 4119 igrejas e capelas, 142 mosteiros e conventos, 2628 padres diocesanos, 164 monges e 773 freiras, 229 seminaristas e mais de quatro milhões de fiéis. Foi simplesmente abolida, posta na ilegalidade. Bispos, padres e leigos que resistiram acabaram em campos de trabalho forçado, mortos pelo cansaço, executados ou exilados (ROYAL, 2001, p. 94).

Como a maioria dos registros das ações contra os católicos na URSS continuam indisponíveis aos pesquisadores é difícil afirmar quantas foram as vítimas da repressão soviética.

O que podemos, contudo, afirmar com segurança, à luz de documentos já disponibilizados, é que 344 clérigos, nos quais se incluem basicamente bispos, padres diocesanos e membros de ordens religiosas, constam dos registros oficiais como “reprimidos”. Só na Ucrânia, mais meio milhão de leigos foi preso ou mandado para o exílio interno, parte dos quais, sem dúvida, exclusivamente por motivos religiosos (ROYAL, 2001, p. 109).

Nos países comunistas do Leste europeu, os católicos eram proibidos de ascender profissionalmente. A vida daqueles que faziam parte da Igreja era obstaculizada nas universidades. As crianças eram desencorajadas a aprender religião desde o ensino primário, posto que a continuação dos estudos universitários podia ser barrada por este motivo. Os católicos formavam uma casta inferior nos países comunistas ocupando os postos de trabalho mais humildes e mal remunerados. Um verdadeiro apartheid.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Leste europeu caiu sob o domínio do comunismo e entrou na órbita da URSS. Na Polônia, entre 1945 e 1947, mesmo anterior a perseguição aberta, cerca de duzentos padres mais influentes simplesmente desapareceram (ROYAL, 2001, p. 270). Após as eleições de 1947, o regime comunista passou a tratar a Igreja como era típico, confiscando seus bens, expropriando hospitais e escolas religiosas e proibindo publicações católicas. A propaganda governamental, assim como na Ucrânia, acusava a Igreja de colaborar com os nazistas e o clero, de imoralidades. No ano seguinte, quatrocentos padres estavam encarcerados e um entre eles já havia sido condenado à morte (ROYAL, 2001, p. 270).

Na Hungria, a Igreja Católica sempre esteve próxima ao governo e este relacionamento manteve-se com o regime comunista. Contra este improvável casamento, levantou-se o cardeal primaz da Hungria, Joszef Mindszenty, que acabou preso com outros seiscentos padres. Torturados por quarenta dias ininterruptos e ameaçados de deportação para trabalhos forçados na Sibéria, capitularam. Sendo assim, a Igreja perdeu sua força na Hungria tendo como resultado o confisco de todas as escolas religiosas e o banimento de todas as ordens religiosas húngaras fazendo com que dois mil religiosos tentassem fugir do país. Muitos foram presos e mortos (ROYAL, 2001, p. 273).

Em 1950, o governo da Tchecoslováquia eliminou as ordens religiosas transformando os mosteiros e conventos em campos de concentração onde os próprios religiosos eram mantidos presos e condenados a trabalhos forçados. Setenta e cinco por cento dos quinze mil religiosos, metade dos sete mil padres e milhares de leigos foi condenada a trabalhos forçados em regime de escravidão e enviados às minas e pedreiras do país (ROYAL, 2001, p. 277).

Na Albânia, o regime comunista aplicou os métodos de perseguição tradicional: fechou jornais católicos, confiscou bens da Igreja, nacionalizou escolas, creches e hospitais. Padres e leigos que protestavam eram presos e expulsos do país se fossem estrangeiros. A Ação Católica foi desmantelada. O governo tentou criar uma igreja nacional pressionando o clero a abandonar a comunhão com Roma. A hierarquia católica recusou com veemência. As conseqüências da recusa não demoraram a vir: padres e religiosos estrangeiros foram expulsos; em 1945, a Companhia de Jesus foi considerada ilegal; em 1947, foi a vez dos franciscanos serem banidos do país. Membros do clero foram presos, torturados e condenados à morte. Certa vez, vinte clérigos foram fuzilados de uma só vez. As execuções eram transmitidas pela rádio. Quem escapasse da morte era condenado a trabalhos forçados (ROYAL, 2001, p. 293). Em 1948, havia somente um bispo vivo e livre na Albânia. Mas não era apenas o clero que sofria todas estas atrocidades. Milhares de leigos que não se declararam publicamente contra o clero foram presos e torturados. Não se sabe o número exato de leigos executados, mas as penas variavam entre o fuzilamento e a fogueira. Em 1949, o confisco das propriedades da Igreja foi levado a cabo. Templos eram convertidos em prédios públicos. A catedral de Shkodra tornou-se um ginásio de basquete. Freiras foram expulsas dos conventos e proibidas de usarem o hábito. O governo exigiu que as instituições religiosas apresentassem suas constituições para que fossem oficializadas. Todas foram aprovadas, menos as dos católicos (ROYAL, 2001, p. 295).

Tal como todos os outros países comunistas, a Albânia declarou que a família era “reacionária” e tentou fazer com que as crianças informassem as entidades oficiais quando os pais lhes dessem instrução religiosa em casa. Os pais foram proibidos de dar aos filhos nomes “religiosos”. Uma família que rezasse o terço em casa podia apanhar cinco anos de prisão; ensinar o sinal da cruz a uma criança podia implicar um castigo semelhante. A mera posse de literatura religiosa podia levar à pena de morte. [...] Dos 156 padres existentes antes do início da perseguição, 65 foram martirizados e 64 morreram durante ou após o encarceramento (ROYAL, 2001, p. 298).

A Lituânia sempre foi conhecida pelo fervor religioso de sua população. A grande maioria do povo lituano era formada por católicos quando começaram as perseguições na década de 1940. O sentimento católico era um obstáculo ao domínio da URSS. Mais de um milhão de lituanos foram enviados aos campos de concentração soviéticos. A perseguição na Lituânia seguiu o conhecido roteiro: confisco de escolas e instituições católicas e fechamento das publicações da Igreja; o casamento religioso foi considerado ilegal e os feriados religiosos abolidos. Durante apenas um ano, “todos os padres do país experimentaram a detenção, a prisão ou os interrogatórios” (ROYAL, 2001, p. 307). Cerca de 150 dentre eles foram torturados para que abandonassem a Igreja. Vários morreram. Após a Segunda Guerra, a Igreja na Lituânia viveu um curto período de paz. Porém, a perseguição retomou sua força. Sacerdotes eram proibidos de dar assistência religiosa a prisioneiros e enfermos. Os professores eram obrigados a ensinar o ateísmo. Os seminários foram encerrados. O governo proibiu as celebrações religiosas e impôs impostos abusivos sobre os edifícios da Igreja. Todos os bispos, os superiores de ordens religiosas e grande número de padres foram presos (ROYAL, 2001, p. 309). Em setembro de 1947, os lituanos escreveram clandestinamente uma carta ao papa Pio XII denunciando as atrocidades contra o povo.

Entre os abusos especificamente religiosos, a carta refere à pressão para criar uma igreja nacional separada de Roma, a prisão sumária e o desaparecimento de padres que se recusaram a tornarem-se informantes do regime, a vigilância generalizada das atividades religiosas, a supressão de associações católicas, bem como da imprensa, das escolas, dos seminários, dos hospitais e de obras de caridade, entre muitas outras coisas. Os detidos eram submetidos a torturas e muitos deles enlouqueceram, a comida eram-lhes tirada e o sono interrompido; a sentença mais “simpática” correspondia a dez anos na Sibéria. Aqueles que sobreviviam à viagem de um mês praticamente sem água nem alimentos não duravam, regra geral, mais de cinco anos. Por meio destes meios diretos e indiretos, mas sempre cuidadosamente ocultados, os soviéticos conseguiram ver-se livres de muitos clérigos e leigos sem darem origem a célebres mártires (ROYAL, 2001, p. 309).

Em 1948, o Partido Comunista da Romênia assume o poder e impõe o regime marxista à nação. Havia um milhão e meio de católicos no país. No final do regime, restarão apenas 500 mil. A Igreja Católica na Romênia era formada por católicos de rito latino e de rito grego. O governo cooptou a Igreja Ortodoxa Romena e esta, sob pressão, convocou um sínodo para declarar que os católicos gregos estavam integrados à ela. Assim, “em 1948, a Igreja Católica Grega foi liquidada, as milhares de igrejas que detinham foram confiscadas e convertidas para o uso dos ortodoxos” (ROYAL, 2001, p. 316). Havia seis bispos greco-católicos na Romênia e todos foram presos acusados de traírem à nação por estarem a serviço de uma força estrangeira, o Vaticano. Sofriam pressão para aderirem à Igreja Ortodoxa. Todos rejeitaram e morreram na prisão. Seiscentos padres foram presos; metade deles morreu na prisão. Nos presídios, eram torturados para que se “convertessem” à ortodoxia. A inventividade das torturas era enorme: ia dos tradicionais choques elétricos e queimaduras a estadias em esgotos infestados por ratazanas. Um quarto dos sacerdotes cedeu, passando à Igreja Ortodoxa.

Não foi apenas a Igreja Católica Grega que sofreu. A Igreja Católica de rito latino era vista como “o único obstáculo à democracia na Romênia”, como afirmou o secretário-geral do Partido Comunista, Gheorghiu-Dej, “e que o governo não permitiria que os cidadãos católicos obedecessem às ordens de líderes estrangeiros, como o Papa, que agia a serviço dos Estados Unidos” (ROYAL, 2001, p. 321). Vários sacerdotes desapareceram e foram assassinados. Segundo Royal (2001, p. 322), “em junho de 1949, não havia nenhum bispo católico romano em atividade na Romênia, quase todas as igrejas estavam fechadas, os católicos romanos tinham uma marca especial no bilhete de identidade”. Dezenas de paróquias estavam ocupadas por milícias.

Apesar da violência que em nada deixa a desejar quando comparada a que sofreram outros grupos religiosos ou raciais, o número de vítimas nas perseguições aos católicos na URSS e nos países comunistas do Leste europeu ainda são desconhecidos. A historiografia pouco se ocupa em pesquisar e relatar o sofrimento imposto aos católicos nos países onde os regimes marxistas triunfaram. A memória dos inúmeros roubos, expropriações, abusos, torturas e assassinatos é mantida, sobretudo, por historiadores que tenham alguma ligação com a Igreja Católica.




14 de jan. de 2012

Os Primeiros Discípulos de Jesus

A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 1, 35-42

“Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus” (Jo 1, 37)

André e João eram discípulos de João Batista. Este, sabendo que tinha vindo ao mundo com a missão de preparar os caminhos do Senhor, testemunhou que Jesus era o cordeiro de Deus e lhes apontou Aquele que tira o pecado do mundo, o que fez com que imediatamente os seus discípulos O seguissem. Seguem-No sem saber direito quem realmente Ele é. Confiam nas palavras daquele que consideravam um profeta. Pensam ser apenas mais um mestre e assim o chamam.

Querem saber onde Jesus mora para que possam visitá-Lo, ouvi-Lo outras vezes. Porém, o Filho do homem não tem onde recostar a cabeça. Quem quiser ser seu discípulo, terá que viver com Ele. Jesus não tem habitação, não é o Templo sua residência. Ele próprio é o Templo, é Nele que devemos habitar, onde encontraremos repouso. Mas, para habitar no Templo do Senhor, devemos ter as mãos limpas e o coração puro. Após ficarem com

Ele algumas horas daquele dia, já percebem que Jesus não é apenas um mestre ou um profeta como São João Batista. O reconhecem e O anunciam como o Messias, o Cristo Salvador. Não nos basta apenas ouvir Suas palavras, admirá-las ou sermos ritualistas pensando que só por ir à igreja e fazer algumas orações, apesar de indispensável, seja o suficiente. Para segui-Lo temos que fazer a Sua vontade renunciando a nossa.

Após ficar aquele fim de tarde com Jesus, André sai a procura de seu irmão Simão e lhe conta que encontraram o Messias. Leva-o ao Senhor e este já, em seu primeiro encontro, troca o nome de Simão para Pedro, significando sua missão futura de ser fundamento da unidade de Sua Igreja. E este encontro pessoal com Jesus Cristo nos abre ao apostolado. Quem já experimentou este maravilhoso encontro sabe que espontaneamente surge dentro de nós o desejo de levar a todos para encontrar-se com o Cristo.



13 de jan. de 2012

Jean Wyllys avisa: O Papa que se cuide!

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL – RJ) ficou indignado após o Papa Bento XVI declarar o que todo o mundo está cansado de saber: as práticas homossexuais são pecados e não se deve promovê-las com a legalização das uniões homoafetivas. Grande novidade! Mas o deputado, pela internet, atacou gravemente o Papa: “O papa suspeito e acusado de ser simpático ao nazismo disse que o casamento civil igualitário é uma ameaça à humanidade. Ameaça ao futuro da humanidade são o fascismo, as guerras religiosas, a pedofilia e os abusos sexuais praticados por membros da Igreja e acobertados por ele mesmo. Espero que os estados laicos do Ocidente não cedam à pressão desse genocida em potencial”.

Se as declarações do Papa não foram nenhuma novidade, as acusações do deputado também não é. Aliás, são as mesmas acusações de sempre. Interessante é notar que os Papas se sucedem e as acusações continuam as mesmas: fascista não era Pio XI? Não era Pio XII, o nazista? Após a acusação do nobre deputado, pergunto eu: ele incomoda Bento XVI? De maneira alguma. A diferença entre os dois, mal comparando, está como do diabo para Deus. Acusado pela própria consciência, Jean Wyllys ataca o Papa. O Sumo Pontífice nem toma conhecimento de quem seja ele. Seu discurso foi corajosamente dirigido ao corpo diplomático do Vaticano. O deputado fala para meia dúzia de “fãs” em um ataque de chilique na internet. Como comparar o professor doutor Joseph Ratzinger, um dos maiores intelectuais e teólogo do século XX, poliglota, autor de dezenas de livros e centenas de artigos, com Jean Wyllys? Vejamos: Jean Wyllys era tido como um intelectual que participou do Big Brother Brasil – se bem que, comparado aos outros participantes, até um chimpanzé bem adestrado passa por intelectual.

Como professor (sem trocadilhos, ok), esperava-se mais de Jean Wyllys. Sua capacidade de argumentação é essa? Só isso para um intelectual? Está certo que Jean Wyllys é graduado em jornalismo, ou seja, segundo o STF, exerce uma profissão, cujo exercício não requer nem mesmo um diploma. Mas, continuemos. Como já foi dito, Jean Wyllys participo do BBB. Que professor fica três meses trancafiado numa casa? E seus alunos, como ficam nisso tudo? Parece que suas aulas não eram tão prescindíveis assim e, após vencer o programa, foi trabalhar com Ana Maria Braga. Mas também fracassou lá. Não me admira. O Louro José me parece mais inteligente. Assim, como ex-BBB, tentou a vida na política (este artigo parece coisa da Desciclopédia, mas não é).

Candidatou-se a deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro. Crendo na sua “grande” popularidade demonstrada nos milhões de votos na final do BBB, Jean Wyllys achou que ia ser moleza. Talvez se esqueceu que o mesmo público que lhe deu um milhão de reais no reality show, deu R$ 1,5 milhão para o “homofóbico” Marcelo Dourado. Resultado: recebeu pífios 13.018 votos. Não recebu os votos de protesto ou de zombaria como recebeu o Tiririca, não foi votado por ser uma pseudo-celebridade. Foi solenemente ignorado. O referido deputado não tem representatividade. Não representa ninguém. Graças à expressiva votação de seu colega de partido, Chico Alencar, foi eleito pelo quociente eleitoral e não pelo povo. Assim, Jean Wyllys quer mostrar serviço. E uma maneira encontrada foi descarregar seu preconceito contra os religiosos. Já sugeriu censurar pastores e padres. Sugeriu cassar a concessão de canais que veiculam programas religiosos que mencionem o homossexualismo. O que incomoda Jean Wyllys não são os pastores, o Papa, a Bíblia, mas sua própria condição.

Entre as falácias do paseudo-intelectual, tenho que concordar com algumas verdades. Realmente o fascismo, as guerras religiosas, a pedofilia e os abusos sexuais são ameaças para a humanidade. Mas também são o comunismo, cujo deputado é adepto, o homossexualismo, a destruição da família, o aborto e todas as formas de atentados contra a vida. A outra acusação soa até como piada: “genocida em potencial”. O que seria isso? Genocidas têm algo em especial? Creio que não. Em potencial podemos ser qualquer coisa, boas ou más. Ou não? Se procurarmos motivações para genocidas podemos analisar alguns casos específicos: há muitos historiadores que afirmam que Alexandre Magno era gay e suas campanhas pela Ásia massacraram um milhão de pessoas; o general romano Júlio Cesar mantinha relações homossexuais e exterminou a população gaulesa; o imperador Adriano, homossexual público, esmagou os judeus e extinguiu a Judeia; alguns estudos sérios apontam o homossexualismo de Adolf Hitler! Pois bem, seria o homossexualismo um desencadeador das práticas genocidas em potência dentro de todos os seres humanos? Pouco provável, não?

Vamos ao paradoxo do ex-BBB, ex-Mais Você, Vossa Excelência, o deputado federal Jean Wyllys: começa pelo nome de seu partido PSOL, Partido Socialismo e Liberdade. Convenhamos que somente numa sigla de partido os dois conceitos podem aparecer juntos. Exemplos temos aos montes e nem precisamos citar a falecida URSS: aí está Cuba, China, Coreia do Norte que não nos deixam mentir. Jean Wyllys é filiado a um partido comunista. Talvez ele se esqueça que o homossexualismo era visto pelos marxistas como a maior prova da degeneração que se encontrava a sociedade capitalista. O homossexualismo era crime previsto na constituição da URSS; em Cuba, homossexuais eram enviados para campos de trabalho forçado, mortos ou exilados. O deputado não sabe destas ações de seus correligionários? Caríssimo deputado, agradeça a Deus – caso creia Nele – por viver em um dos “países laicos do Ocidente”, no mundo livre criado pelo cristianismo, onde transar com qualquer um nem ilegal é. Que bom vivermos em plena democracia onde cada pessoa pode expressar suas ideias e opiniões. O que é certo é que Jean Wyllys passará pela Câmara como mais um deputado exótico, como o índio Juruna e o palhaço Tiririca.

Para terminar, afirmo que as acusações contra a Igreja taxando-a de homofóbica é infundada. Se a Igreja (o Papa, os bispos, os padres e demais fieis) odiasse àqueles que praticam atos homossexuais, não se preocuparia com suas almas, ao contrário, deixando-os em seus pecados, veria, com prazer, todos condenados eternamente ao inferno. A Igreja oferece outro caminho àqueles que sofrem (é exatamente esta a palavra) no homossexualismo. As pessoas homossexuais são livres, podem escolher a vida que querem viver sem patrulhamento ideológico, sem pressão de pretensos grupos que querem defendê-las. Não precisam se “assumir”, manchar suas almas. Há outro caminho: Jesus Cristo, onde todos podem viver na graça e no Espírito de Deus.



8 de jan. de 2012

Epifania do Senhor

Mateus 2, 1-12

“Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (Mt. 2, 12)

Hoje comemoramos a Epifania do Senhor. Jesus é apresentado a toda humanidade representada pelos magos pagãos vindos do Oriente. A Tradição sempre representou os magos como originários dos três continentes até então conhecidos quando Jesus nasceu exatamente para demonstrar a universalidade da mensagem de Jesus. Sua salvação se estende a toda a Terra e não somente aos judeus.

Aqueles magos, sábios vindos do Oriente, puderam, através dos sinais da natureza, serem guiados até Cristo. Neste mundo onde se rejeita Deus e se idolatra a tecnologia e o cientificismo domina as mentalidades e que considera-se ignorantes àqueles que creem em Deus, os sábios do Oriente mostram que Deus pode ser encontrado através da razão por aqueles que O procuram. Mas não basta encontrá-Lo pelos estudos, formular uma teoria sobre Ele. É preciso ir adorá-lo, mover-se, mudar de vida, andar por outro caminho. O evangelho não é uma ideologia, mas o encontro pessoal com Jesus Cristo ressuscitado.

O rei Herodes também convocou os sábios do Reino. Através da razão também poderia descobrir o Cristo. Porém, seu orgulho, o temor de perder o trono (ou seja, ter que mudar de vida) para aquele que era verdadeiramente o rei dos judeus, já que ele, Herodes, era o rei dos judeus, fez com que planejasse eliminar Jesus. Quantos filósofos e pensadores não pretenderam e pretendem fazer isto quando se sentem incomodados pela existência de Deus. Que a exemplo dos magos, encontremos, adoremos a Cristo e nos convertamos.



5 de jan. de 2012

Genocídio silencioso: a perseguição aos católicos na Europa na primeira metade do século XX


Terceira parte: Espanha (1931-1939)

Quarta parte: Alemanha e territórios ocupados pelos nazistas


Resumo
O presente artigo tem o objetivo de demonstrar, através da revisão bibliográfica das obras de diversos autores especializados na história da perseguição aos católicos contemporâneos e história da Igreja, a tentativa de uma eliminação sistemática sofrida pelos católicos da Europa nas primeiras décadas do século XX, com destaque para a Espanha, URSS e países do bloco soviético e para a Alemanha nazista e as nações dominadas pelo nazismo. Esta perseguição foi motivada por ideologias laicistas, materialistas e ateias que surgiram durante os séculos XVIII e XIX e que influenciaram os regimes democráticos e totalitários do século XX. Estes fatos na história da Igreja Católica geram pouca repercussão nos organismos internacionais e veículos de comunicação, na historiografia e, principalmente, é evidente o descaso às vítimas católicas deste genocídio no ensino de História.

Palavras-chave: Perseguição aos católicos. Igreja. Totalitarismo. Comunismo. Nazismo.


Introdução

A perseguição aos católicos – e aos cristãos em geral – sempre foi um fato constante desde o surgimento da Igreja. As histórias dos mártires apresentados como modelos de perfeição cristã mostram isto, mas o século XX foi pródigo em regimes e ideologias que procuraram sistematicamente exterminar a Igreja Católica. Em nenhuma outra época da História os católicos foram tão perseguidos, torturados e mortos através de meios estatais. Como afirma Royal (2001), um verdadeiro genocídio pouco documentado pela História geral e pouco divulgado pela grande mídia. Portanto, um genocídio silencioso. Apesar de não se saber ao certo o número de vítimas,

Um universitário americano, David B. Barett, diretor da seriíssima Christian World Encyclopedy, julgou poder apresentar o número de 40 milhões de mártires cristãos desde a época de Cristo até hoje, dos quais 26,7 no século XX (DELUMEAU, 2007, p. 36).

Já no início do século, a Revolta dos Boxers, na China, vitimou 30 mil cristãos, incluindo cinco bispos e dezenas de padres. Entre 1915 e 1917, número semelhante de leigos foi morto pelos turcos otomanos na Armênia, juntamente com sete bispos, 126 padres e 47 freiras. Outra onda de perseguição que merece destaque aconteceu no México após a revolução de 1917, sobretudo no governo de Plutarco Elias Calles (1924-1928) onde foram mortos e expulsos centenas de padres e assassinados cerca de 5300 leigos (ROPS, 2006, p. 437). Apesar de as perseguições terem ocorrido em todas as partes do planeta durante todo o século XX, esta tentativa de aniquilar a Igreja mostrou-se mais violenta na Europa, especialmente durante a primeira metade do século XX. As raízes que levaram os diversos regimes a combaterem os católicos encontram-se nos dois séculos antecedentes. Desde o Iluminismo no século XVIII, passando pelas ideologias materialistas e ateias do século XIX, que culminaram no liberalismo, no nazismo e no marxismo, concepções filosóficas e políticas inspiraram o extermínio da Igreja.

Por mais antagônicas que estas ideologias possam ser ou pareçam ser, todas têm em comum o fato de considerar a Igreja Católica “como reacionária, opositora do progresso social e apologista de várias formas de exploração, acusada de inimiga da humanidade, e que, portanto, deveria ser eliminada para ceder lugar a uma sociedade melhor” (ROYAL, 2001, p. 26).

Foram os filósofos do Iluminismo francês do século XVIII que iniciaram a ferrenha campanha moderna anticatólica. Atrelada ao Antigo Regime, a Igreja foi taxada como aliada da nobreza e inimiga do povo. Voltaire é, senão a principal, a mais conhecida personalidade do Iluminismo. Segundo Gray (1999, p. 7), Voltaire passou toda a vida pregando uma fé secular, procurando a substituição do cristianismo pela crença humanista e instigando, para isso, uma paradoxal intolerância e violência tão combatidas pelo filósofo. Tornou-se famosa a expressão de Voltaire referindo-se à Igreja: “Esmaguem a Infame”. Os revolucionários franceses tentaram cumprir à risca esta ordem e como a Igreja Católica não é uma abstração, mas é composta de homens e mulheres, estes foram as vítimas do conselho de Voltaire posto em prática. Neste caldo filosófico, explode a Revolução Francesa, cujos ideais liberais incluíam a eliminação da Igreja.

Discípulos dos filósofos e dos enciclopedistas, os revolucionários inspiraram-se diretamente nos seus ensinamentos, e, tal como eles, foram unânimes, apesar das suas divergências, em querer eliminar o cristianismo e obrigar a bater em retirada o Deus revelado dos cristãos (ROPS, 2003, p. 486).

Se não poderia ser eliminada, ao menos, a Igreja deveria ser submissa ao Estado francês, como ficou claro na Constituição Civil do Clero (1790). Os clérigos e religiosas que não prestaram juramento à Constituição foram perseguidos e guilhotinados.

A Revolução Francesa abriu caminho às demais ideologias que defendiam a eliminação da Igreja. Os pensadores do século XIX consideravam-se herdeiros dos iluministas e “por todo o século irão desenvolver-se, sempre no sentido da irreligião total, doutrinas que culminarão naquilo que, [...] Nietzsche, profeta do abismo, definirá numa palavra inesquecível: a morte de Deus” (ROPS, 2003, p. 487).

O plano destes pensadores era desonrar a Igreja, desacreditá-la perante o povo e a opinião pública. A crítica racionalista pôs em xeque o Jesus histórico e as bases da Igreja. O anticlericalismo dominou a literatura e a imprensa. A historiografia fornecia uma poderosa arma: espalham-se os horrores da Inquisição, o processo de Galileu, a papisa Joana, a libertinagem dos Bórgias e a civilização cristã da Idade Média é apresentada como cruel, ignorante e obscura (ROPS, 2003, p. 513).

Várias correntes de pensamento pregavam o fim da religião como um todo e da Igreja Católica em particular. Destas, as que influenciariam todo o Ocidente no próximo século seriam o positivismo e o marxismo. O francês Auguste Comte desenvolve o positivismo, onde afirma que a religião – ou estado teológico – está ultrapassada e agora tudo deve ser explicado pela observação do real, pela experimentação e pela técnica. Comte institui a religião da humanidade cujo deus é o homem. Na doutrina filosófica de Karl Marx, a religião aparece como uma superestrutura do capitalismo que deve ser eliminada, pois é a principal causa da alienação do homem, é “o ópio do povo”. No desenvolvimento da sociedade comunista, a religião desapareceria porque não haveria razão de existir (ROPS, 2003, pp. 505-506).

Assim, colocadas as bases do mundo contemporâneo sobre o materialismo, lugar em que a religião não tem mais lugar e a Igreja Católica é vista como a maior ameaça e obstáculo na construção e avanço desta nova sociedade laicista, inicia-se, sob a morte de Deus preconizada por Nietzsche, o século XX que seria palco das piores atrocidades contra os católicos, vítimas de espoliações, humilhações, abusos, torturas e assassinatos jamais vistos em toda a História da Europa.



Leia a continuação deste artigo:

Segunda parte: URSS e países do Leste europeu

Terceira parte: Espanha (1931-1939)

Quarta parte: Alemanha e territórios ocupados pelos nazistas



24 de dez. de 2011

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo




As luzes coloridas, os enfeites variados, as decorações grandiosas, a preocupação com a ceia e os presentes, a onipresença do Papai Noel podem nos levar a esquecer o mistério do Natal. Um grande mistério. Não comemoramos no dia 25 de dezembro apenas um natal, ou seja, o nascimento de mais uma criança. Todos os nascimentos são maravilhosos, a manifestação da vida é um mistério e um milagre em si mesma, mas nada, absolutamente nada se compara com o que aconteceu há dois milênios em Belém da Judeia quando ouviu-se o choro estridente de uma criança quebrando o silêncio daquela noite e dividindo a História dos homens. O Verbo feito carne veio à luz. O Filho de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro deixa a glória celeste e Se torna um de nós. O Eterno entra no tempo, o Todo se faz parte na fragilidade de uma criança. É um acontecimento extraordinário.

Sem estardalhaço, agindo suave e delicadamente, Deus se fez homem. Ninguém percebe. Ninguém sabe. Sua Mãe Santíssima, que durante nove meses meditou em seu imaculado coração tudo o que o arcanjo Gabriel lhe disse em Nazaré, sabe que Seu Filho é Deus; São José, seu pai legal, após tantas dúvidas, sabe que aquela criança foi gerada pelo Espírito Santo. Os anjos vão aos campos para anunciar aos mais pobres de Israel, aos pastores, que o tão esperado Cristo Salvador nasceu na Cidade de Davi e estes imediatamente correm para o presépio e encontram uma criança que não apresenta nada em especial, envolta em pobres faixas, indefesa e recostada numa manjedoura. Os magos do Oriente perscrutam os céus e encontram um sinal: um astro refulge no firmamento. É a natureza sinalizando que Deus vem em socorro da humanidade.

Assim como criou o mundo e tudo o que existe, Deus podia salvar a humanidade com um simples ato de Sua vontade, mas foi pela mulher que o pecado entrou no mundo, então era preciso que pela mulher a salvação entrasse no mundo. Foi na carne que o homem se perdeu e era preciso que na carne fosse salvo. Deus exigia a obediência total do homem em reparação à desobediência de Adão, porém sendo todos os homens pecadores, Deus, rico em misericórdia, envia Seu próprio Filho para resgatar a humanidade decaída e ferida pelo pecado, essa ovelha perdida que o Pastor toma nos ombros quando assume a nossa carne no ventre da Virgem Maria. Em Sua infinita misericórdia, Deus olha para os homens e desce para ver seus sofrimentos. Sente o que os homens sentem. Despoja-se inteiramente de Sua glória para habitar conosco por amor a cada um de nós. Sua divindade está escondida numa criança. Sendo Onipotente, fica totalmente dependente dos cuidados de Seus pais. São eles que O salvarão das garras de Herodes; sendo Onisciente, Sua única manifestação é o choro; sendo Onipresente, está limitado pela natureza humana. Deus, não podendo dar mais, deu-se a Si mesmo. Admiramos uma pessoa rica quando renuncia a suas riquezas, doa prodigamente o que tem aos pobres ou ocupa altos cargos e não é soberba. Mas nada se compara à humildade de Jesus tão visível naquele cocho. Infinita humildade! Quanto amor por nós!

O Natal é apresentado hoje como uma festa mágica, infantil e consumista. Dominado pelo mercado e secularizado por este para poder agradar a todos, o profundo e verdadeiro significado do Natal foi sufocado. Sem dúvida, o maior acontecimento da História deve ser comemorado: enfeitemos os lugares com luzes, pois estávamos nas trevas do pecado e a Luz brilhou sobre nós; que as decorações demonstrem nossa alegria pelo Senhor que veio, vem e virá; que a ceia seja uma festa para comemorarmos a Salvação que entrou no mundo para nos livrar do jugo do pecado e da morte. Além de um tempo legítimo de festa, pois tudo o que fazemos para comemorar o nascimento de Cristo ainda é pouco diante deste fato tão extraordinário, o Natal oferece-nos um período de meditação e reflexão. Mais uma vez a agitação do natal secularizado pode-nos desviar destes propósitos. Conversão e penitência são palavras que não aparecem nas propagandas natalinas. A triste realidade é que, para a maioria das pessoas, Jesus é um estorvo, alguém prescindível e desnecessário, quando muito um personagem admirável e não a razão de nossas vidas, aquela pérola preciosa que nos motiva a abandonar tudo para possuí-la.

Diante do Menino, reflitamos sobre nossas vidas. Diante de tanto amor que Deus nos oferece, como estamos correspondendo? Progredimos em santidade entre o Natal passado e este Natal ou ano após ano estamos exatamente iguais ou, o que é pior, retrocedemos? Que nossas comemorações estejam centradas na pessoa de Jesus. Que, entre as comemorações, nossa prioridade seja a Santa Missa, onde o Cristo se dá na Eucaristia, manso e humilde como na gruta de Belém, onde a aparência do pão e do vinho esconde Sua divindade assim como estava escondida naquela criança nascida na Casa do Pão (Bethlehem) e colocada profeticamente na manjedoura significando que o Pão vivo descido do céu seria nosso alimento. Que o Cristo Senhor nasça em cada coração!


19 de dez. de 2011

Quarto Domingo do Advento - Fiat!

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Lucas 1, 26-38

Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc. 1, 38)

Neste quarto Domingo do Advento temos o trecho do evangelho que nos conta a anunciação do anjo a Maria. Esta passagem é bastante conhecida. O anjo Gabriel anuncia a Nossa Senhora que Deus a havia escolhido para ser a Mãe do Salvador. Desde toda a eternidade, Deus tinha escolhido Maria. O Senhor olhou para todas as mulheres, de todos os tempos e lugares, e viu em Maria aquela em quem cumpriria Suas promessas, viu nela a mulher que esmagaria a cabeça da serpente. Olhou para a humildade de sua serva, justamente para a virtude que faltou a Eva. Assim, como a mulher que seria Sua mãe era do povo judeu, Deus escolheu este povo para que, dele, nascesse o Salvador.

É por causa de Maria que Deus não escolheu nenhum outro povo, mas os judeus. Deus preparou Maria preservando-a do pecado original. Tinha que ser imaculada porque recebia em seu ventre o próprio Deus. Assim como a presença do Senhor não permanecia no Templo de Jerusalém quando este era profanado e se tornava impuro, do mesmo modo, Deus não poderia habitar na Virgem Maria – quanto mais receber sua carne – se esta estivesse manchada pelo pecado. Assim nos revela o arcanjo Gabriel quando lhe chama por um novo nome: cheia de graça. A Santíssima Virgem é repleta da graça de Deus não tendo espaço para o mal.

Em resposta ao anjo, Maria faz-se, na fé, totalmente obediente a Deus: que se faça nela a vontade de Deus. Maria nada reservou de si. Entregou-se totalmente ao projeto de Deus. Que também nós sejamos obedientes a Deus, dóceis a Sua palavra e creiamos de todo o coração como Maria acreditou.

11 de dez. de 2011

3º Domingo do Advento - João Batista: testemunha da Luz

A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 1, 6-8.19-28

“João respondeu: Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis.” (Jo 1, 26)

A sociedade moderna passa pela mesma dificuldade que a sociedade judaica contemporânea a João: não conseguem reconhecer o Cristo entre nós. A dureza do coração diante de Jesus Cristo faz com que muitos busquem falsos profetas e falsas doutrinas, se embrenhando em religiões estranhas, nas heresias histéricas e que criam falsas ilusões em nome de Jesus, no esoterismo, ou ainda esta sociedade que busca o sensível, a experiência como prova – o que vem acontecendo mesmo entre os cristãos – esquecendo da suavidade da presença de Cristo no meio de nós.

As pessoas supervalorizam os milagres extraordinários, as manifestações de dons e carismas e até – pasmem! – shows de possessão demoníaca, reais ou não. Será que cansamos de andar na luz que é Cristo ou nos acostumamos tanto com Sua presença que Ele passa despercebido por nós, como em Sua presença real, mas encoberta sob o véu do sacramento da Eucaristia? Desde a ressurreição, Cristo está vivo no meio de nós, sem jamais nos abandonar. Não cremos mais em Sua presença?

A voz da Igreja continua soando no deserto como a de João Batista. Numa aridez cada vez maior, a Igreja se mantém firme em anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo, dando testemunho da Luz, porém é sempre vista com desconfiança, ameaçada, caluniada por aqueles que não querem reconhecer em Jesus o Cristo Senhor. Que neste Natal abramos o coração para receber Aquele que veio nos salvar de nossos pecados através da humildade e simplicidade de uma criança que aparentemente nada tinha de especial e era o próprio Deus feito homem.



5 de dez. de 2011

2º Domingo do Advento - O precursor João Batista

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Marcos 1, 1-8

“Uma voz clama no deserto: traçai o caminho do Senhor, aplainai as suas veredas.” (Mc 1, 3)

A missão de São João Batista era preparar o povo para receber o Salvador, Jesus Cristo. Seu batismo não era sacramento, mas o preparava através do arrependimento para que se voltasse para o Cristo, Aquele que nos justifica pela água e pelo Espírito Santo. Os profetas sempre foram aqueles que clamam no deserto, que acabam falando ao vento, sem que os homens e mulheres dêem ouvidos ao que estão dizendo. E a Igreja segue este caminho. Sendo luz das nações, estas preferem andar nas trevas a escutá-La. 

Cada um se considera seu próprio profeta, que perscruta o coração de Deus e pode decidir por si mesmo a Sua vontade. Vivemos no tempo da conversão, de nos prepararmos para o Senhor que veio, vem e virá. Eliminemos o pecado de nossas vidas. Voltemos para Deus enquanto é tempo. Ouçamos a voz do Espírito que fala através da Sua Igreja.

27 de nov. de 2011

1º Domingo do Advento - Vigiai!

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Marcos 13, 33-37

“Ficai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo.” (Mc 13,33)

Ainda que saibamos que Jesus voltará, não sabemos a data, mas temos certeza que iremos nos encontrar diante do tribunal de Deus assim que morrermos. E ali, Jesus Cristo, Supremo Juiz, definirá nosso destino eterno: salvação ou condenação. Não podemos deixar pra amanhã nossa conversão, fazer a vontade de Deus e a prática de boas obras.
.Mesmo que gozemos de boa saúde, sejamos jovens ou crianças, não imaginemos que temos tempo, adiando dia após dia nossa conversão, pois não sabemos que hora a morte pode nos visitar. Não temamos a morte que é inevitável, mas temamos o pecado que pode nos condenar ao sofrimento eterno.
.
Se vivermos na graça de Deus, perseverantes na fé, nada tememos, nem a vinda do Senhor, nem nossa morte, pois encontraremos Aquele que amamos e no amor não há temor. Mas o que vemos é um descaso com Deus, cada um vivendo como bem entende e se é verdade que Deus é amor, também é verdade que é justiça.

20 de nov. de 2011

Festa de Cristo Rei do Universo

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 25, 31-46

“Responderá o Rei: Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40)

O Reino de Deus foi inaugurado com a vinda de Jesus Cristo e continua na Igreja por Ele fundada. Aonde a Igreja chega, chega o Reino e Jesus reina nas almas purificadas pelo batismo, naqueles que estão na graça de Deus. E a lei deste Reino é o amor. O indivisível amor a Deus e ao próximo é o sinal da presença do Reinado de Jesus. Ele mesmo deu-nos o exemplo: sendo Rei veio para servir e continua vindo humildemente em cada eucaristia celebrada. Assim como, pelo batismo, participamos do ministério régio de Cristo, sejamos servidores dos nossos irmãos mais necessitados. E quando Jesus voltar e implantar definitivamente seu Reino, seremos todos julgados. Na parábola, Jesus se dirige a Sua Igreja, pois os de fora já estão condenados. Julgará não somente nossa fé, mas também nossas obras.

O motivo da condenação de Jesus era verdadeiro: Ele é o rei dos judeus. Mas não aquele rei-messias que os judeus esperavam, que libertaria Israel da dominação romana. Para quem assistia a crucificação, lá pendia um rei derrotado, inerte, que é desafiado pelos sacerdotes, pelo povo, pelos soldados a se salvar. Um de seus companheiros de suplício pedia-lhe que se salvasse e que salvasse a eles também. Mas era exatamente isto que Jesus fazia. Ele reinava a partir da cruz, vencia o verdadeiro inimigo, o demônio. O bom ladrão conseguiu perceber isto, que Jesus era Rei, mas que Seu Reino não era deste mundo e que a Sua arma era o amor até o fim e não a espada. Jesus reina. Ele venceu a cruz, ressuscitou. Infelizmente poucos creram e crêem para que Jesus reine em suas vidas.


13 de nov. de 2011

Parábola dos Talentos

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 25, 14-30

“A um deu cinco talentos; a outro dois; e a outro um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu.” (Mt 25, 15)

O Senhor Jesus reparte Seus dons entre Seus servos para que eles os façam produzir. Sabe da capacidade, das limitações e fraquezas de cada um de nós e nunca exige mais do que podemos. O que nos atrapalha, como na parábola, é o medo. Hoje, temos medo de amar, somos egoístas, juntamos apenas para nós e não somente bens materiais. Não somos donos de nada, nem do nosso corpo, nem de nossa vida. Somos meros administradores dos bens de Deus. A fé somente não nos basta. Tem que vir acompanhada de obras e para realizá-las é que Deus nos capacita. Na Sua volta – ou quando nós formos ao Seu encontro – teremos algo para apresentar? Será que estamos produzindo algum fruto de penitência, justiça, caridade para apresentar ao Senhor ou tememos perder o que temos e nos agarramos às coisas passageiras desta vida e esquecemos nossos bens eternos?



6 de nov. de 2011

Solenidade de Todos os Santos

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 5, 1-12

Neste domingo, comemoramos o dia de todos os santos aqueles que foram fiéis a Jesus Cristo. Lemos no evangelho de hoje as bem-aventuranças, a “receita” de santidade que Jesus nos deu. Olhemos para os santos que a Igreja nos apresenta como modelos e obras-primas de Deus para que possamos imitá-los em nossa vida cristã. Neste dia, não honramos apenas os santos canonizados, mas todos aqueles anônimos que estão nos céus. O mundo de hoje não quer ouvir falar em santidade, que demanda sacrifício, renúncia de si próprio, entrega total a Providência Divina. Uma vida mais confortável, o imediatismo, o prazer desenfreado, fez com que o céu se tornasse desinteressante. A humanidade quer o céu aqui e agora. Abramos os nossos corações corajosamente a Jesus Cristo. Desejemos somente Ele, nosso Sumo Bem. Abandonemos o pecado e olhemos para os santos de Deus. “Se eles puderam, por que não podemos também?”

Fazemos nestes dias memória de todos aqueles que morreram na graça de Deus, tanto os que estão em Sua glória, os santos, quanto os que, ainda que salvos, estão em estado de purificação, pagando as penas temporais que não puderam ou não tiveram a oportunidade de pagar na terra. Comemoramos todos os santos, que foram fiéis a Cristo e que, no céu, não cessam de orar por nós. De nossa parte, ofereçamos a Deus nossas orações por nossos irmãos que padecem no purgatório, para que sejam purificados e adentrem a presença de Deus. Fazemos parte do mesmo Corpo místico de Cristo, estamos em comunhão, no amor que não acaba com a morte. A morte não tem a última palavra para os que crêem em Cristo. Nosso fim último é a ressurreição.



16 de out. de 2011

O que é de César e o que é de Deus

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 22, 15-21

“Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” (Mt 22, 21) 

Mais uma vez, tentam capturar Jesus numa armadilha. É perguntado a Ele se é permitido pagar o imposto a Roma. Como todos sabem, no tempo de Jesus, a Judeia era um protetorado romano e devia pagar por isso. Os cobradores de impostos eram odiados pelos judeusm pois representavam a exploração romana. Jesus pede a moeda com a qual se pagava o imposto e vê nela a imagem do imperador e a inscrição que apresentava o imperador como divino e filho de Deus. Se a moeda tem a imagem do imperador que é tido por um deus, Jesus manda que se devolva ao imperador aquilo que é dele. O imperador não é um deus. Nem filho de Deus. Este título cabe verdadeiramente a um só: Jesus Cristo. Não se deve adorar o imperador, mas respeitar o Estado. 
Graças a filosofia liberal o laicismo invadiu o Ocidente. A doutrina católica sempre defendeu a cooperação, sem mistura, sem um entrar na jurisdição do outro, entre o Estado e a Igreja, ou seja, que a Igreja tenha autoridade religiosa e o Estado autoridade civil e, em assuntos em que está em jogo a salvação das almas, a cooperação de ambos, sendo, nestes casos, superior a autoridade da Igreja por ser a guardiã dos valores morais aos quais todos estão sujeitos. 
Nem a Igreja pode ou quer ter o governo civil, nem o Estado tem autoridade religiosa. O que vemos hoje é uma repulsa à Igreja no âmbito civil, relegando a religião à prática pessoal quando não a proíbe. Os católicos estão cada dia mais privados de defender seus valores publicamente. A mentalidade laicista quer retirar da vida pública qualquer manifestação religiosa e atenta contra a liberdade de consciência. Toda autoridade vem de Deus, mesmo numa democracia, pois Ele tem as rédeas da História em suas mãos. Temos obrigação de cumprir nossos deveres civis desde que estes não sejam contrários à lei moral. Fujamos de toda e qualquer estatolatria.


9 de out. de 2011

Parábola da festa das bodas

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 22, 1-14

“Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos.” (Mt. 22, 14)

Jesus utiliza-se de uma analogia comum nas Sagradas Escrituras: a figura da festa de casamento com a aliança de Deus com os homens. Na parábola, o rei é Deus que celebra as bodas de seu Filho, que, encarnando-Se, uniu-se com a humanidade em Cristo Jesus. Os convidados especiais para este casamento eram os judeus. O povo judeu foi o depositário da aliança divina, ratificada por Moises no Monte Sinai. Porém, o povo judeu, em sua maioria, rejeitou a aliança, tornando-se infiel.

Quando chegou a plenitude dos tempos em que a aliança definitiva seria selada em Jesus, o Messias, os judeus foram os primeiros convidados. Mas, infelizmente, rejeitaram o convite, desprezaram os enviados de Deus, mataram muitos deles. Então, o rei mandou que fossem convidados todos que se encontravam nos caminhos, todos os povos, de todas as nações para que celebrassem as bodas e entrassem no Reino de Deus, a Igreja que em sua catolicidade, acolhe todos os povos. Quando o rei entrou na festa para ver os convidados, notou que um deles se encontrava sem o traje nupcial, a “roupa de festa”. E mandou que o pusessem para fora, pois não estava trajado condignamente.

Quantas vezes os enviados de Deus nos convidam para que façamos parte da festa das bodas de Seu Filho Jesus e nós recusamos. Os enviados de Deus são maltratados, zombados, ignorados e muitos são mortos como comprova o grande número de mártires no último século e início deste. Não sejamos como estas pessoas, pois a parábola diz que o rei castigou severamente àqueles que rejeitaram seu amoroso convite. No mundo há cerca de 1,150 bilhão de católicos. Quantos destes são praticantes e vivem em santidade buscando fazer a vontade de Deus?

Vimos que não basta ser convidado para o Reino de Deus, nem aceitar o convite: é preciso estar vestido com a roupa conveniente, com a veste de justiça e santidade. Estar na Igreja, ser católico não é garantia de salvação para ninguém. Participar apenas da Santa Missa dominical, fazer algumas orações, dar alguma esmola, ou melhor, fazer o “arroz com feijão”, não é suficiente. É preciso mais, é preciso se entregar totalmente a Deus, ser fiel à Igreja de Cristo e amar os irmãos como Jesus nos amou.

3 de out. de 2011

Os vinhateiros homicidas

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 21, 33-43

“Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus e será dado a um povo que produzirá frutos dele.”(Mt. 21, 43)

A vinha do Senhor, plantada e tratada com tanto carinho, é povo de Israel, escolhido por Deus para que, através dele, fosse implantado Seu Reino. Durante toda sua História, grande parte dos judeus foi infiel à Aliança que fizeram com Deus. Trataram mal esta preciosa vinha em vez de fazê-la produzir frutos de justiça e santidade. Não quiseram vê-la como dom, mas como propriedade.

Ele então enviou seus profetas. Ao longo de toda a História de Israel, os profetas tiveram a missão de colocar o povo de Deus nos seus trilhos, chamando a cada um para fazer a vontade de Deus e para que fosse preparadi um povo bem disposto para receber o Messias, mas eles não os ouviram, os perseguiram e mataram-nos. Quando Jesus veio, o próprio Filho, a maioria dos judeus não creu Nele como o Messias prometido, renegando-O. Os sumos sacerdotes e anciãos do povo, membros do Sinédrio - para quem Jesus está dirigindo esta parábola - entregaram Jesus Cristo aos romanos e estes o conduziram para fora da vinha - Jerusalém - e o mataram.

Desta forma, com a rejeição de parte dos judeus, Deus chamou para formar Seu Reino, Sua Igreja, pessoas de todos os povos e nações. Esta é nossa responsabilidade. Através da fé e do batismo, nós entramos para trabalhar nesta vinha. E estamos produzindo frutos? Fazemos penitência, obras de misericórdia, amamos a Deus e aos irmãos? Quando o Senhor da vinha vier – ou nós irmos ao Seu encontro – teremos frutos para apresentar?

12 de set. de 2011

Se o 11 de setembro fosse no Brasil

Vendo as celebrações que recordaram os dez anos dos trágicos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e o blá-blá-blá da esquerda anti-americana - a mesma esquerda que muitas vezes se aliou e financiou os terroristas - dizendo que os milhares de mortos nas guerras que os EUA empreenderam após os atentatos não foram lembrados, como se todas aquelas três mil vítimas inocentes do dia 11/09 tivessem merecido morrer por estar em solo americano ou fossem responsáveis pela política externa dos EUA, me veio à cabeça como seria a reação do governo brasileiro comandado pelo PT nestes últimos anos, caso um atentado como estes ocorresse no Brasil. As medidas tomadas seriam:

1. O governo colocaria a culpa do atentado no governo FHC e na política neoliberal;

2. A mídia seria culpabilizada por mostrar somente um dos lados do atentado; 

3. O governo perdoaria a Al-Qaeda, pois esta é uma vítima da sociedade capitalista e por isso agiu assim;

4. O governo do PT abriria uma linha de crédito no BNDES para a Al-Qaeda.


Parábola do servo cruel

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 18, 21-35

“Assim vos tratará meu Pai celeste se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração.” (Mt 18, 35)

São Pedro pergunta a Jesus se devemos perdoar o irmão até sete vezes. Para o apóstolo, perdoar sete vezes já seria um ato magnânimo. Antes da Lei de Talião, o injustiçado podia se vingar sete vezes sobre o agressor. Exemplo: se alguém matasse um membro de sua família, você poderia matar sete membros da família do assassino. Com a Lei de Talião, a justiça era realizada causando ao agressor o mesmo tipo de agressão: o famoso “olho por olho, dente por dente”. Jesus surpreende a Pedro e a nós: deve-se perdoar sete vezes setenta, ou seja, perdoar sempre. E para ilustrar o alcance do perdão e o porquê devemos perdoar uns aos outros, Jesus conta-nos a parábola do servo cruel.

Na parábola, o servo que não tinha como pagar o Rei devia uma fortuna em toneladas de ouro e implorando sua misericórdia, é perdoado. Todos nós nascemos com o pecado original, sem a graça de Deus. Nossa dívida com Deus é imensa e não conseguimos pagar com nossos próprios esforços. Dependemos inteiramente da misericórdia divina. Por nossas próprias forças não poderíamos nos salvar. Por isso que Deus enviou Seu Filho ao mundo e é pela fé e pelo batismo que somos perdoados. Jesus carregou todos os nossos pecados e com Sua morte pagou a dívida que tínhamos para com Deus.

Diante disso, não podemos negar o perdão às pessoas que nos ofendem. O servo que foi perdoado pelo Rei, saindo de sua presença encontra um companheiro, da mesma condição que ele, que lhe deve algumas moedas, que, comparadas a sua dívida com o Rei é absolutamente nada. Mas ele não tem piedade e obriga o companheiro a que pague. Por mais grave que seja a ofensa dirigida a nós, ela é mínima diante de qualquer pecado que fere nossa relação com Deus, pois só Ele é perfeito. Deus nos perdoa sempre que nos arrependemos desde que perdoemos sempre àqueles que pecam contra nós.

Per doar não é fácil. Às vezes, perdoar exige virtudes heróicas. Os pecados contra nós podem ser gravíssimos: o assassinato de um ente querido, um estupro, pessoas que nos prejudiquem no trabalho, na vida familiar. Para perdoar, precisamos da ajuda do Espírito Santo que age em nós, pois o perdão é um dom. Perdoar é uma decisão. É assemelhar-se com Cristo. É ser misericordioso como o Pai é misericordioso. Olhemos para Jesus na cruz: perdoou a todos os seus algozes e mais, sendo inocente, levou sobre Si todas as nossas culpas, sentindo na pele todo o mal que o pecado faz.

O perdão de Deus traz esta condicionante: só seremos perdoados se perdoarmos nossos irmãos. Na parábola, o Rei retira seu perdão ao servo ao saber que não tratou o companheiro com misericórdia. Esta condição perpassa todo o Evangelho, inclusive na oração do Pai Nosso. Por isso, quando rezamos a oração do Senhor, façamos um exame de consciência para que estejamos dizendo a verdade diante de Deus.



4 de set. de 2011

A correção fraterna

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 18, 15-20

“Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvires terás ganho teu irmão.” (Mt. 18, 16)

No mundo que vivemos impera a ditadura do relativismo. Não há mais o certo e o errado. Cada um é seu próprio legislador, faz sua própria moral. Todos estão certos, não há verdade absoluta. E se não há verdade absoluta que importância tem a Igreja, o Cristo, Deus? E graças a este conceito que contaminou nossa sociedade, vivemos um terrível período de decadência moral e seus efeitos já podem ser sentidos e não são bons. Nós como cristãos somos luz do mundo e sal da terra e, por isso, devemos denunciar o pecado. Amar o próximo não é deixá-lo fazer o que bem entende. Isto é indiferença. O maior ato de caridade que há é apresentar a ele a sã doutrina, mostrar ao próximo que ele está no caminho errado e ensiná-lo o verdadeiro.

Se conhecemos a Verdade apresentada por Cristo e não a comunicamos àqueles que estão no erro, pecamos por omissão. Nosso dever é lançar as sementes sem exagerado respeito humano, sem se preocupar em sermos “politicamente corretos”. Muitas vezes ouvimos o argumento, até mesmo entre nós, católicos, que afirma o “não julgará” quando se trata em corrigir fraternalmente as pessoas. Neste trecho do Evangelho, Jesus mostra claramente que as coisas não são bem assim. Ordena que corrijamos nossos irmãos – e deixemo-nos corrigir – sem orgulho ou para humilhá-las, mas com amor, pois a intenção é que se convertam.

A correção deve acontecer na privacidade, sem causar escândalos que podem mais prejudicar do que ajudar o irmão. Deve contar com pessoas preparadas e que nada aconteça sem a autoridade da Igreja que sabe discernir o certo e o errado. É neste ponto que também devemos entender a correção: a Igreja, sustentáculo da verdade, tem a sã doutrina e é guardiã dos ensinamentos puros de Cristo. Lembremos que fora dela não existe salvação, portanto, as religiões não são todas boas, nem as heresias estão abolidas. Há uma verdade e esta se encontra na Igreja fundada por Cristo, Una, Santa, Católica e Apostólica, a qual o próprio Senhor deu o poder de ligar e desligar na terra.



28 de ago. de 2011

Tome sua cruz e Me siga

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 16, 21-27 

“Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a sua alma?” (Mt 16, 26)

São Pedro acabara de confessar que Jesus era o Cristo. Logo após, ao ouvir o anúncio de Sua Paixão, o primeiro dos apóstolos, ainda contaminado pela idéia do Messias político, imediatamente repreende-o. Como é difícil compreender a loucura de amor que Deus demonstrou por nós ao Se encarnar e morrer da morte mais infame na cruz. Somente com o Espírito Santo podemos compreender que a cruz é a nossa vitória e quantos inimigos da cruz existem nesse mundo. Até mesmo igrejas que se dizem cristãs rejeitam veementemente a cruz de Cristo ou quando a utilizam, apresentam-na vazia argumentando que o Senhor não permaneceu nela, mas ressuscitou. De fato, mas a cruz vazia também não representa nada. Todas as cruzes ficavam vazias assim que o condenado morria e era retirado. Cristãos, não se envergonhem da cruz de Cristo! E, além dos tabus com imagens, certas igrejas também não adotaram a ideologia do mundo: sem encontrar razão para o sofrimento, sem mortificações, sem sacrifícios, prometendo uma vida saudável, feliz e próspera, quanto o Senhor Jesus jamais prometeu tal vida a seus seguidores? 

Hoje em dia, a palavra de ordem é aproveitar a vida com todo o prazer que ela possa nos proporcionar. Assim como Pedro se dirigiu a Jesus tentando convencê-Lo a não Se sacrificar, o diabo, através das ideologias do individualismo, materialismo, da busca pelo prazer, nos diz que a vida é curta e devemos aproveitá-la. Nada mais de mortificações dos sentidos e do corpo – e, infelizmente, muitas correntes cristãs embarcaram nessa – faça o que tiver vontade. Parece um bom conselho. O ídolo principal hoje se chama felicidade. Em busca dessa falsa felicidade inventada no Iluminismo retiram-se tudo que pareça obstáculo pra alcançá-la. Filho indesejado? Aborto. Doenças terminais e incuráveis? Eutanásia. Quer fazer sexo? Faça com quem, como e na hora que quiser. Gaste todo seu esforço e tempo para alcançar dinheiro. Tenha uma vida confortável. Do que adianta viver uma vida confortável, acovardada e "feliz" se, ao morrermos, formos condenados ao eterno sofrimento, no inferno. 

A verdadeira felicidade consiste em fazer a vontade de Deus. Não há salvação sem cruz. Não há ressurreição sem cruz, esta é a verdade do Evangelho e quem quiser seguir a Jesus Cristo terá que carregar a sua cruz. é uma condição, não há outra. Mas a cruz que o Senhor nos dá é um fardo leve, é o jugo de Cristo que devemos tomar sobre os ombros. E no que consiste esta cruz? Nos sacrifícios diários das nossas vontades egoístas, da fuga do pecado, dos prazeres ilegítimos (e dos legítimos também para aperfeiçoar nossa vontade) e, sobretudo, o amor a todos, suportando aqueles que nos maltratam, os inconvenientes e toda sorte de contratempos em nossas vidas. Realmente a vida é curta e única e define nossa eternidade no céu ou no inferno. A decisão é nossa.


24 de ago. de 2011

Se isto é estar na pior...




Nesse verão, muitos jovens decidiram fazer algo diferente. Decidiram ficar em sua Casa, a Igreja e se reuniram na Europa, na Espanha. Dividiram suas vidas, seus anseios e esperanças entre si e com o Papa. Enfrentaram o calor e a chuva e mergulharam no amor de Deus.


Quase dois milhões de jovens (de todas as idades) se encontraram com o Papa Bento XVI na Jornada Mundial da Juventude 2011, em Madrid, entre 16 e 21 de agosto. A JMJ 2011 em um país cujo governo socialista de Zapatero (que reflete, em modo geral, a governança da Europa) facilitou o aborto para adolescentes, aprovou o casamento entre homossexuais, está a um passo da eutanásia, afundou a economia espanhola e a agenda laicista impõe dificuldades para a Igreja na Espanha, foi um espetacular sucesso que poucos veículos da mídia e analistas de plantão poderiam apostar. Mais uma vez, contra todas as espectativas, assim como na visita aos EUA e ao Reino Unido, o Papa Bento XVI saiu vitorioso e com ele, a Igreja.


E tem gente dizendo que a Igreja está na pior. Se isto é estar na pior... PORRA, o que quer dizer tá bem, né?



21 de ago. de 2011

Assunção da Santíssima Virgem Maria

A Boa Notícia de Jesus Cristo
Lucas 1, 39-56
“Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações porque realizou em mim maravilhas aquele que é Poderoso e cujo nome é Santo.” (Lc. 1, 48-49)
Hoje celebramos a assunção da Santíssima Virgem Maria. Aquela que foi escolhida por Deus desde todos os tempos para ser a mãe do Cristo Salvador, Deus feito homem, após sua vida terrena, foi levada ao céu, por Seu Filho, em corpo e alma. A Imaculada não podia ficar entregue à corrupção. Seu Filho, cumpridor de toda a Lei, honrou Sua mãe até o fim, entronizando-a no Reino de Deus, coroando-a como Rainha. Se um dos primeiros atos de Salomão foi colocar a sua direita, um trono para sua mãe e sendo ela uma adúltera foi coroada rainha do Povo de Deus, quanto mais a incomparável Virgem Maria, cujo trono, “Aquele que é maior que Salomão”, não é infinitamente mais digna de tal honra. Ela é a imagem da Igreja gloriosa. Todas as promessas de Deus se cumpriram primeiramente em Maria. É a ela que devemos imitar. 

A humildade de Maria derrota a soberba de Eva. Eva rejeita a Deus; Maria se submete inteiramente ao Senhor. A imaculada virgem Eva oferece ao homem o fruto do pecado, a imaculada virgem Maria oferece á humanidade o fruto da salvação. Todos os atributos de Maria se relacionam diretamente a Jesus Cristo e Sua missão salvífica. Tudo em Maria foi realizado por Deus Todo-Poderoso, portanto quando bendizemos Nossa Senhora, bendizemos a Deus porque o elogio não pára na obra, mas se refere ao Artista. Maria é a obra-prima de Deus, e, sendo glorificada em corpo e alma, representa e inaugura o que será a Igreja quando Cristo voltar. Em Maria, antecipa-se a vitória da Igreja. Por isso, Nossa Senhora é sinal de esperança para todos os cristãos.


7 de ago. de 2011

Jesus anda sobre as águas

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Mateus 14, 22-33

“Mas Jesus logo lhes disse: ‘Tranqüilizai-vos, sou eu, não tenhais medo! ’” (Mt 14, 27)

Andando sobre as águas, Jesus mostra que é verdadeiro Deus demonstrando que as leis da natureza não O dominam. Jesus está em oração no alto do monte. Está na presença do Pai, está junto do Pai e vê a aflição de seus amigos. Desse modo, vai socorrer os apóstolos que corriam o risco de naufragar, pois o vento era-lhes contrário e as ondas lançavam a pequena barca de um lado para outro. Ao avistarem o vulto do Senhor em meio à tempestade, o medo toma conta deles, porque pensam ser um fantasma. Não crêem ser possível um homem andar sobre a água! Eles só se tranqüilizam ao ouvirem Sua voz. Mesmo assim, Pedro quer comprovar se é realmente Jesus e, diante do desafio de ir ao seu encontro, sai da barca e caminha em sua direção.

A coragem e a fé de Pedro são admiráveis até o momento que se apavora ao perceber a situação em que se encontra: sobre a água revolta, sem apoio para os pés, em meio à ventania. É uma situação insólita. Pedro esquece-se de Jesus e o medo toma conta de seu coração. Perde a confiança e diante da realidade evidente, afunda. Na noite em que Jesus foi preso, Pedro fraquejará na fé novamente. Horas antes disse que morreria com Cristo e naquela mesma noite negará o Senhor por três vezes. No mar da Galileia, Jesus tomou Pedro pela mão e o reconduziu à barca; com o olhar misericordioso de Jesus ao sair da casa de Caifás e a tríplice profissão de amor (Jo. 21, 15-19) de Pedro, o Senhor o reconduzirá ao timão da barca, ao pastoreio universal de Seu rebanho, à cabeça da Igreja.

No mundo de hoje, não são poucas as pessoas que vivem no medo, na insegurança. O elevado número de pessoas com depressão, chamada de o mal do século, comprovam isto. Os motivos para isto são muitos e, olhando a nossa volta, não conseguimos ver nenhuma solução. Há também pessoas que vivem uma vida materialmente confortável, mas não põem sua confiança em Deus. Estas pessoas vêem Jesus como um fantasma, um vulto histórico que nada pode fazer para ajudá-los ou que nem mesmo necessitam de Sua ajuda.

Porém, o Senhor Jesus está sobre o monte, está junto do Pai, à Sua direita e nos vê do alto dos céus e vem em nosso auxílio. Em meio às trevas, às dificuldades do mundo, invoquemos o Senhor para que nos socorra e não deixe-nos afundar. Mantenhamos os olhos fixos em Jesus e, mesmo que em algum momento de nossas vidas, desviando o olhar Dele, acabamos afundando – no pecado, no desespero – roguemos como Pedro: “Senhor, me salva!” e Cristo estendendo a Sua mão nos socorrerá.



31 de jul. de 2011

A primeira multiplicação dos pães

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Mateus 14, 13-21

“Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos.” (Mt. 14, 20)

O trecho do Evangelho de hoje contrasta com a passagem anterior que narra o banquete natalício de Herodes, onde os prazeres do mundo são desfrutados, e este banquete é o tribunal onde João Batista é condenado. Mas o banquete servido por Jesus não atende aos prazeres oferecidos pelo mundo. Foi assim que o Senhor afastou o tentador quando este lhe desafiou a transformar pedras em pão: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”; e esta “Palavra se fez carne” e é o “pão descido dos céus”.

A essência deste milagre não está na partilha do alimento com quem tem fome, mas na doação de Si próprio que Cristo realiza na cruz e que se perpetua na Eucaristia. É nela que Cristo se multiplica sobre os altares do mundo todo, transubstanciando o pão em Sua carne e alimentando Seu povo, durante nossa peregrinação terrestre, através de Seus sacerdotes que são os sucessores dos apóstolos, os quais receberam o mandato de “dar eles mesmos de comer” aos discípulos de Jesus.

É após participarmos da Eucaristia, sacramento da caridade, onde comungamos o corpo de Cristo, do qual nós somos membros, que devemos ir ao encontro dos necessitados, nos doando uns aos outros, a exemplo de Cristo. É alimentados com o Pão da Vida que nos abre o coração para acabar com a fome – e não só de alimento – que assola o mundo. Que sejamos assíduos no Banquete do Cordeiro, na Santa Missa, onde o Cristo nos alimenta.



27 de jul. de 2011

Golpe Militar de 1964 e o Perigo Comunista




O golpe (ou revolução, contrarrevolução, contra-golpe. O termo não importa tanto) de 1964 não é consenso entre os historiadores, talvez porque os atores deste processo histórico ainda estão vivos, as paixões ideológicas à flor da pele e, após a redemocratização, somente um lado - a esquerda - consegue (ou pode) dar sua versão. Defender o golpe de 1964 e criticar a esquerda armada é politicamente incorreto. Se havia um perigo comunista que ameaçava efetivamente o país é difícil saber. Se não existia, levaram os militares a acreditar que existia. Um dos sinais detectado foi a condecoração de Che Guevara por Jânio Quadros no ano de 1961. O que sabemos é que revoluções comunistas, após o sucesso na Rússia, em 1917, foram tentadas em diversos países, fracassando em muitos, como no próprio Brasil, em 1935 e saindo-se vitoriosa em outros, como na China (1949) e em Cuba (1959). O sonho da revolução jamais morreu, ao contrário, reacendeu depois da Revolução liderada por Fidel. O PCB era financiado por Moscou. Aliou-se a João Goulart, o que levava Luis Carlos Prestes, o mesmo que liderou a tentativa de golpe em 1935 e secretário-geral do PCB a afirmar: "Já temos o poder, basta-nos apenas tomar o governo" [1].

Jango propôs as Reformas de Base que tinham viés socialista, principalmente nas propostas de reforma rural e urbana, onde terras e imóveis seriam confiscados e pagos com títulos da dívida pública, o que necessitaria de mudanças constitucionais. João Goulart enviou ao Congresso, em 1963, uma proposta de emenda constitucional com este propósito, mas a emenda foi rejeitada, provocando fortes reações nos grupos de esquerda. O presidente estava cada vez mais isolado politicamente e resolveu usar a estratégia de falar diretamente às massas, apoiado pelas organizações de esquerda. Foi assim que aconteceu o primeiro comício na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, onde Jango discursou para 150.000 trabalhadores [2]. As Reformas de Base foram vistas como um programa vago, podendo ser habilmente dirigida à implantação do socialismo no Brasil por via constitucional. As tentativas de mudar a Constituição de 1946, levaram os militares a agir, já que esta previa que as Forças Armadas deveriam garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem (BRASIL, Constituição Federal, art. 177, 1946). [3]

[...] a imagem de João Goulart como um presidente frágil, indeciso e que procurava tenuemente equilibrar-se entre uma esquerda e uma direita radicais, entra em contradição frontal com depoimentos que atestam sua intenção, desde o primeiro dia após sua posse, de manobrar o Congresso para não só derrubar o parlamentarismo (com a antecipação do plebiscito, inicialmente marcado para coincidir com o fim de seu mandato), mas para ampliar sensivelmente o poder presidencial (Cf. COUTO, 1999, p. 32). Essa impressão, amplamente documentada tanto por seus opositores quanto até por seus aliados mais próximos, vem reforçada por denúncias que teria procurado apoio militar para depor a democracia em pelo menos duas ocasiões: em 1960, para afastar Juscelino da presidência e suspender as eleições que davam amplo favoritismo a Jânio Quadros, segundo denúncia de Armando Falcão (Cf. SILVA, 1978, p. 297); e em 1962, quando pressionava o Congresso a antecipar o plebiscito para restaurar o presidencialismo, como denunciou Chermont de Britto (Cf. COUTO, 1999, p. 52). [4]

Outro fator que assustou os militares e levou-os ao golpe foi a revolta dos marinheiros em 25 de março de 1964. Os marinheiros realizavam uma reunião da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, que era considerada ilegal. Na reunião, estavam presentes sindicalistas e Leonel Brizola, cunhado de João Goulart. O ministro da Marinha emitiu uma ordem de prisão contra os organizadores do evento que contava com dois mil marinheiros e fuzileiros navais. O pelotão com seu comandante designado para fazer a prisão aderiu à resistência. O presidente desautorizou o ministro da Marinha, proibindo as prisões e anistiou os revoltosos. [5] Deste modo, o presidente desrespeitou a hierarquia militar. O episódio demonstrou que parte das Forças Armadas poderia dar apoio militar a um possível golpe comunista.

Grupos da esquerda revolucionária, como o MRT e a ORM-POLOP foram fundados antes do golpe, em 1962 e 1961, respectivamente e a Frente de Mobilização Popular, liderada por Brizola, unificou todas as esquerdas: Comando Geral dos Trabalhadores, Ligas Camponesas, UNE, Ação Popular, a esquerda do Partido Socialista Brasileiro, a esquerda mais radical do PCB, os movimentos de sargentos e marinheiros. Brizola ainda organizou os Grupos de Onze, que propunha a luta armada ainda em 1963, e possuía uma cartilha com indicações como:

No terceiro capítulo, sobre a ação preliminar, os companheiros são instados a tentar conseguir o quanto antes armamentos para o "Momento Supremo". E a lista contempla desde espingardas a pistolas e metralhadoras. Com um lembrete: "Não esquecer os preciosos coquetéis Molotov e outros tipos de bombas incendiárias, até mesmo estopa e panos embebidos em óleo ou gasolina." A instrução reconhece a escassez de armas no movimento, mas conta com aliados militares (segundo o documento, "que possuímos em toda as Forças Armadas") e garante ter o apoio da população rural. "Os camponeses virão destruindo e queimando as plantações, engenhos, celeiros e armazéns." [6]

Em centros urbanos, a tática adotada será assumidamente a de guerra suja, com a utilização de escudos civis, principalmente mulheres e crianças. "Nas cidades, os companheiros [...] incitarão a opinião pública com gritos e frases patrióticas, procurando levantar a bandeira das mais sentidas reivindicações populares, devendo, para a vitória desta tática, atrair o maior número de mulheres e crianças para a frente da massa popular." Agitação é a palavra de ordem, com direito a depredação de estabelecimentos comerciais, saques e incêndios de edifícios públicos e de empresas particulares. Também estão incluídos ataques a centrais telefônicas, emissoras de rádio e TV. O objetivo? "Com as autoridades policiais e militares totalmente desorientadas, estaremos, nesse momento, a um passo da tomada efetiva do Poder-Nação." [7]

Continua Leonel Brizola: "No caso de derrota do nosso movimento, o que é improvável, mas não impossível [...] e esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição." [8]

Portanto, o argumento que os grupos de esquerda foram forçados à luta armada após 1964 não é verdadeiro. Eles já existiam e passaram a combater o regime porque não mais vislumbraram a possibilidade de atingir o poder através da via democrática, ou seja, do presidente João Goulart. Não é possível que de uma hora para outra este grupos que defendiam a implantação de um regime ditatorial de esquerda no país passaram a lutar pela democracia. Podemos ver que o risco de um golpe comunista existia e a sociedade pressentia, tanto que é claramente perceptível que o golpe civil-militar foi feito ás pressas, já que não possuía liderança e plano ideológico definidos.



24 de jul. de 2011

O tesouro e a pérola

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Mateus 13, 44-52

“O Reino de Deus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que tem e a compra.” (Mt. 13, 45-46)

O Reino de Deus é o próprio Jesus Cristo. Na história da Igreja, muitos O encontraram por acaso como aquele que encontrou um tesouro no campo. Outros O encontraram depois de muito procurar como no exemplo do negociante de pérolas. Cristo é a Verdade, o único tesouro e a pérola de grande valor que muitas pessoas passam a vida toda procurando em várias religiões ou em ideologias políticas e filosóficas, sem encontrá-la.

Esta sede de Deus é natural em todo ser humano. Nós sentimos nostalgia de Deus e é nosso dever moral procurar a verdade que já se revelou no Filho de Deus. De fato, todas as religiões possuem sementes do Verbo, são “pérolas” de menor valor. A bondade, o amor, o fazer o bem e evitar o mal levam-nos e nos permitem a procura da Verdade que é Jesus Cristo. Outros se dizem cristãos, mas fazem de Jesus apenas mais uma de suas “pérolas”, numa mistura de religiões, crendo falsamente que todas sejam boas e tenham o mesmo valor.

Mas o Cristo é anunciado em toda esquina, em canais da TV. Como saber se a mensagem é verdadeira? É por isso que Jesus deixou-nos a Igreja fundada sobre os apóstolos e continuada em seus sucessores, os bispos. É na Igreja católica que a plena verdade de Cristo está presente. Ao encontrarmo-nos com Cristo, devemos nos converter e a conversão exige renúncias: “vender tudo o que tem”, se desvencilhar dos pecados e das práticas incompatíveis com o Evangelho. Só Ele basta. Ele é o Salvador que nos dá a Vida.



17 de jul. de 2011

Parábola do joio e o trigo

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Mateus 13, 24-43

“No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo em meu celeiro.” (Mt. 13, 30)

Os filhos do Reino são aqueles que vivem na graça de Deus, enquanto os filhos do demônio são os que vivem no pecado. E o primeiro pecado é não adorar o Deus único e verdadeiro e reconhecer Jesus como o Cristo Salvador. Muitas vezes questionamos o silêncio de Deus diante da maldade no mundo. Queríamos que Deus agisse e esta aparente inércia é motivo de descrença de muitos. Na conhecida parábola do joio e do trigo, vemos que Deus é o Senhor da História e acompanha cada um de nós. Não confundamos a Sua longanimidade com indiferença.

Deus quer que todos sejam salvos. Se fizermos um sincero exame de consciência perceberemos que, em muitas vezes durante nossas vidas, oscilamos entre sermos joio e sermos trigo. Quando Jesus vier como Justo Juiz, dará a cada um conforme Suas obras.

O Reino de Deus também é comparado ao fermento posto na massa. Entre todos os ingredientes das receitas, o fermento é a menor quantidade, mas sem ele a massa não cresce. Nós, os cristãos, devemos ser o fermento da massa. Somos poucos diante da população, mas devemos fazer a diferença, testemunhando Cristo através da caridade e da santidade de vida.

10 de jul. de 2011

Parábola do Semeador

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Mateus 13, 1-23

“Outras, enfim, caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um. Aquele que tem ouvidos, ouça.” (Mt. 13, 8-9)

Jesus é o semeador, Aquele que nos traz a revelação plena de Deus, e, através de seus pregadores, por toda a História, continua a espalhar Sua palavra. Muitas pessoas já ouviram ou até mesmo leram o Evangelho, mas não deixaram que esta palavra, que é o próprio Cristo, Verbo de Deus, surtisse algum efeito nelas. Muitas não dão a devida atenção a ela, ou não crêem ou crêem no que lhes são convenientes. Ainda que a moção à conversão já seja graça de Deus, preparar este terreno para recebê-la precisa de nossa colaboração. E, após recebê-la, não estamos livres de deixá-la infrutífera dentro de nós. Não basta apenas ouvirmos, lermos ou crermos nela. Devemos nos converter e praticarmos as boas obras, conforme o dom dado a cada um, que esta conversão exige.

4 de jul. de 2011

Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo

A Boa Notícia de Jesus Cristo
Mateus 16, 13-19
“E Eu te declaro: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja.” (Mt. 16, 18)

Jesus pergunta a seus discípulos quem o povo pensava que era Ele. Simão, primeiro entre os apóstolos, declara inspirado pelo Pai, que Ele é o Cristo. Jesus, por sua vez, declara que Simão é a pedra sobre a qual edificará a Sua Igreja. Deste modo, Jesus une Pedro a Si, constituindo-o cabeça visível de Sua Igreja, pastor de Seu rebanho para assegurar a unidade da Igreja, não simbolicamente, mas com os poderes necessários para isto, representados pelas chaves do Reino. É com a fé de Pedro que toda a Igreja deve concordar. Pedro é mais que um nome, é uma missão que continua ao longo de toda a História, em seus sucessores, o Papa, bispos de Roma, cidade a qual Pedro foi crucificado de cabeça para baixo – martirizado juntamente com São Paulo, decapitado – por amor a Cristo. Devemos, portanto, mantermo-nos em comunhão plena com o Papa para que haja uma só fé e uma só Igreja.

Hoje, se a mesma pergunta de Jesus fosse dirigida a nós, a gama de respostas seria maior: uns dizem que Jesus foi um profeta; outros, um rabino; um homem bom; um revolucionário; um espírito elevado; alguns até dizem que foi um extraterrestre ou o fruto da imaginação e criatividade de homens da Palestina. Mesmo entre os cristãos, várias heresias distorceram a imagem de Cristo. Pedro, representando toda a Igreja, declara a fé onde a Igreja é estabelecida. Mesmo que precisemos de um encontro pessoal com Jesus Cristo, a fé não é uma impressão pessoal que temos do Senhor e sim o assentimento à fé da Igreja. Hoje, graças ao Espírito da Verdade que desceu em Pentecostes e nunca mais. Ele é o Messias anunciado no Antigo Testamento. O deixou a Igreja, conhecemos mais profundamente a pessoa de Jesus Salvador do gênero humano. O Deus encarnado. Para nós, quem é Jesus?



1 de jul. de 2011

As 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus


Entre os anos de 1673 e 1675, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu diversas vezes à religiosa francesa Santa Margarida Maria Alacoque. Nestas aparições, onde Seu coração estava à mostra significando toda Sua misericóridia e o amor com que amou o mundo, num período onde a heresia jansenista apresentava Deus e a condição do homem pecador tão terrível e desesperadora, Jesus fez doze promessas:

1ª - Eu lhes darei todas as graças necessárias ao seu estado de vida;

2ª - Eu farei reinar a paz em suas famílias;

3ª - Eu os consolarei em todas as suas aflições;

4ª - Serei seu refúgio seguro durante a vida e sobretudo na morte;

5ª - Derramarei muitíssimas bênçãos sobre todas as suas empresas;

6ª - Os pecadores encontrão em meu Coração a fonte e o mar infinito da misericórdia;

7ª - As almas tíbias se tornarão fervorosas;

8ª - As almas fervorosas elevar-se-ão rapidamente a grande perfeição;

9ª - Abençoarei Eu mesmo as casas onde a imagem do meu Coração estiver exposta e venerada;

10ª - Darei aos sacerdotes o dom de abrandar os corações mais endurecidos;

11ª - As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes escritos no meu Coração e dele nunca serão apagados;

12ª - No excesso da misericórdia do meu amor todo poderoso darei a graça da perseverança final aos que comungarem na primeira sexta-feira de nove meses seguidos.


19 de jun. de 2011

Solenidade da Santíssima Trindade

A Boa Notícia de Jesus Cristo


"Com efeito, de tal forma Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo. 3, 16)


Ninguém pode duvidar do amor de Deus para conosco. Ainda quando éramos pecadores, Deus nos deu o Seu Filho gerado desde toda a eternidade para que possamos ser salvos por Sua morte e ressurreição. Deus nos amou primeiro e, para que sejamos salvos de nossos pecados, exige que aceitemos este convite ao amor, crendo em Jesus Cristo, Seu Filho, como nosso Senhor e Salvador. Jesus nos diz que aqueles que não creem Nele, não podem se salvar. Não é uma falha em Sua misericórdia. Deus respeita a liberdade humana e nada pode diante daqueles que livremente rejeitam a salvação. Infelizmente a cada dia vemos aumentar a rejeição a Cristo e à Sua Igreja numa crescente cristianofobia que, inclusive, já ceifou vidas de cristãos em pleno século XXI. A humanidade mergulha a cada dia nas trevas e a chama de luz.


A fé cristã tem como fundamento o mistério da Santíssima Trindade, Um só Deus em três Pessoas que não dividem entre si a divindade, mas cada uma delas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – é Deus por inteiro. É Deus a primeira comunidade, a família original que vive desde toda a eternidade no amor. E, mesmo não precisando de nosso amor, mas nos amando gratuitamente, quis que participássemos deste amor, criando-nos. E, mesmo quando voltamos às costas para Seu amor, o Pai envia Seu Filho amado, que Se encarna no seio da Virgem Maria e não poupa nem a Si mesmo para nos resgatar e nos dar Seu Espírito Santo para que continue conosco eternamente. Apesar de todo o nosso pecado, a Trindade Santa não nos abandona e, por Jesus Cristo, nós, míseras criaturas, nos unimos a Ela. E não somente após nossa morte, mas desde já, pela fé e pelo batismo, nos tornamos morada do Deus Uno e Trino.

17 de jun. de 2011

Luan Santana e a propaganda gay

É mais do que evidente que vivemos uma enxurrada de propaganda ideológica "gayzista". Há personagens gays a dar com pau – desculpem o trocadilho – nas novelas da Globo e do SBT. O tema está em alta. Será que, sem saber, Luan Santana é parte desta propaganda? A música "Amar não é pecado" já é sucesso e sua letra é, no mínimo, estranha. O teor da letra não se refere à mulher, aliás, não é possível definir a qual gênero é dirigido.


Desconheço a intenção dos compositores (segundo sites de letras de música: Fred, Gustavo, Marco Aurélio, Márcia Araújo). O mais óbvio é que, ao não se referir a homens ou à mulheres, a música romântica possa ser gravada por um cantor ou uma cantora, já que possivelmente a composição não era exclusiva para o Luan Santana. Vamos à letra:


Eu não sei, de onde vem, essa força que me leva pra você
Eu só sei que faz bem, mas confesso que no fundo eu duvidei
Tive medo, e em segredo, guardei o sentimento e me sufoquei
Mas agora, é a hora, eu vou gritar pra todo mundo de uma vez


Eu tô apaixonado
Eu tô contando tudo e não tô nem ligando pro que vão dizer
Amar não é pecado
E se eu tiver errado que se dane o mundo, eu só quero você


A letra basicamente é isso. O resto da música é só repeteco. Convenhamos, a letra remete-nos ao homossexualismo. Vejamos: a primeira parte fala do amor como uma força estranha, anormal e incompreensível que o leva a duvidar do que está sentindo. Por quê? Nada mais natural do que o amor entre um homem e uma mulher.


Aí, por causa deste sentimento novo que o assusta mantém segredo, esconde o que sente. Estaria o eu-lírico (não o Luan, entendam, por favor) no "armário" até, não aguentando mais, resolve se revelar? São somente perguntas. No refrão, a biba não se preocupa com mais nada. É aqui, no refrão, que os velhos chavões gays aparecem: não liga para o pessoal preconceituoso e quer viver a vida como bem entende pouco importando se está errado – e está –, o que importa é a satisfação própria. Soa-nos familiar e “moderno”.


A parte do refrão que dá título à canção é, diríamos, o slogan gay: Amar não é pecado. Ou seja, o amor entre pessoas do mesmo sexo é igual ao amor entre pessoas de sexos distintos. Não, não são iguais, pois no amor (pode-se dizer, conjugal) está incluso a complementaridade e a abertura à geração da vida. Dois aspectos impossíveis entre pares homossexuais. Fica a reflexão sobre a música. Será que o coitado do Luan Santana está sendo canal da famigerada propaganda gay?


11 de jun. de 2011

Solenidade de Pentecostes

A Boa Notícia de Jesus Cristo:
O Espírito Santo é o dom de Deus, conquistado pela morte e ressurreição de Cristo. Jesus nos enviou da parte do Pai o Espírito para nos santificar, para realizar em nós a redenção. Pelo Espírito nos tornamos filhos de Deus e nos unimos aos irmãos, num mesmo corpo, a Igreja, onde Cristo é a cabeça.

Já no domingo da ressurreição, Jesus Cristo, aparecendo aos apóstolos dá a eles o Espírito Santo soprando sobre eles. Este sopro alude ao sopro de Deus na criação de Adão, dando-lhe a vida. Jesus restitui nossa vida da alma na graça de Deus, derramando sobre nós o Seu Espírito. O Espírito Santo vem em Pentecostes e assim nasce a Igreja. Se em Babel, a humanidade orgulhosa que tentava chegar ao céu por forças próprias é dividida pelas diferentes línguas, na Igreja, nesta construção divina, pessoas de todas as raças, nações, povos e línguas serão reunidas numa só família.

É na força do Espírito Santo, nosso Defensor, que a Igreja prega o evangelho da salvação a toda a humanidade e, pelo poder do mesmo Espírito que foi dado aos apóstolos em Pentecostes e permanece na Igreja eternamente, aplica a remissão dos pecados conquistada por Cristo a todos que, pela fé e pelo batismo, ingressam Nela. Abramos nosso coração para que o Espírito Santo que recebemos no batismo realize sua obra, nos dê força, Seus dons e carismas para seguirmos a Cristo, dando a nossa vida por Ele.


5 de jun. de 2011

Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo

A Boa Notícia de Jesus Cristo
Mateus 28, 16-20
“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.” (Mt 28, 20b)
Comemoramos a Ascensão do Senhor. Após cumprir Sua missão salvífica, Jesus Cristo volta a Sua glória junto ao Pai de onde tinha saído e está sentado à direita de Deus. Deus veio ao socorro da humanidade Se encarnando. O pastor veio resgatar a ovelha perdida e agora tomando-a nos ombros a carrega consigo. Pela Sua humanidade, Jesus Cristo abre-nos o céu fechado por Adão. E da direita de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo voltará com seus anjos para julgar a todos e por fim à história.
Ele voltará glorioso, não Se reencarnará e nascerá novamente. Para continuar Sua missão, Jesus deixa Sua Igreja, que, na força do Espírito Santo, prega o Evangelho a toda a terra e ministra os sacramentos da salvação instituídos por Ele. E, através de Seu Espírito, Jesus, cabeça da Igreja, a acompanha por toda a História, não permitindo que se desvie da sã doutrina.
No poder do Espírito Santo, Sua missão é anunciar o Evangelho e livrar do pecado, pelo batismo, a todos os homens que crerem. A Igreja torna-se o Cristo prolongado na História. Além de estar presente por Seu Espírito, Cristo se faz presente na Igreja, todos os dias, ou melhor, todo o momento, na Eucaristia, em cada celebração do Santo Sacrifício e em cada sacrário de nossas igrejas. Não tenhamos medo. Cristo vive e está conosco até o fim dos tempos quando Ele voltar em toda a Sua glória.