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8 de dez. de 2014

"Perdoar é divino. Só Deus perdoa"

Quantas vezes já ouvimos esta frase dita pelas pessoas, principalmente quando necessitam perdoar ou quando alguém que as tenha ofendido lhes pede perdão. Mas não foi isso que Jesus ensinou: na oração do Pai-Nosso, pedimos para que Deus perdoe nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam. Após ensinar o Pai-Nosso, Jesus enfatiza que o perdão de Deus é condicionado ao perdão que damos ao nosso próximo: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará" (Mt. 6, 14-15). Não podemos fazer uma oração mentirosa diante de Deus.

Com a mesma medida que medimos nossos irmãos seremos medidos por Deus. Jesus exige de nós um verdadeiro ato de heroísmo quando nos manda perdoar nossos inimigos, pessoas que muitas vezes nos ofenderam ou nos prejudicaram enormemente. Por mais grave que tenha sido o pecado cometido contra nós - e há gravíssimos - não temos o luxo de não perdoar, desde que acreditemos em Deus e constantemente peçamos o Seu perdão. Jesus nos conta a parábola daquele servo que devia - tragamos para os dias atuais - um trilhão de dólares para seu senhor. Sem poder pagar, o servo lançou-se aos pés do senhor e implorou o perdão. Cheio de compaixão, o senhor perdoou-lhe toda a dívida. Saindo da presença de seu senhor, o servo encontrou um colega que lhe devia 100 reais. Pegou este pela garganta e ameaçou mandar prendê-lo se não pagasse. Quando o senhor ficou sabendo da atitude do servo, mandou chamá-lo e revogou o perdão da dívida, lançando-o na prisão. E Jesus termina a parábola novamente com a ressalva: "Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração" (Mt. 18, 35).

A lição da parábola é clara. O senhor é Deus. Os devedores somos todos nós. Cada pecado que cometemos é uma ofensa irreparável a Deus. Nada podemos fazer para quitá-lo, dependemos exclusivamente da misericórdia do Senhor. Todavia, os pecados dos nossos irmãos - tão imperfeitos e pecadores quanto nós - temos sérias dificuldades em perdoar, neste mundo onde tudo passa. Diz o Eclesiástico (28, 4-5): "Não tem misericórdia para com o seu semelhante, e roga o perdão dos seus pecados! Ele, que é apenas carne, guarda rancor, e pede a Deus que lhe seja propício! Quem, então, lhe conseguirá o perdão de seus pecados?" E o perdão que devemos ao próximo é infinito. Quando Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar, se até sete vezes (imaginando que sete vezes já seria uma boa quantia de vezes), Jesus lhe responde que deve perdoar 70 vezes 7, por dia.

Jesus nos diz que quando estivermos para levar nossa oferta ao altar - quando estamos na Santa Missa, onde ofertamos nossas vidas para se unir ao sacrifício de Jesus - devemos, antes, perdoar de todo o coração se temos algo contra alguém. Senão, a oferta de nada vale.

Há quem objete dizendo que Deus perdoa porque é perfeito e impassível. Esta objeção - e acusação, por que não - não faz sentido depois que Deus se fez homem em Nosso Senhor Jesus Cristo. Como disse acima, nossos pecados são irreparáveis. Somente Jesus, o homem perfeito podia repará-lo. Somente unindo em Sua Pessoa Deus e o homem é que o pecado podia ser tirado do mundo. Jesus conquistou o perdão de nossos pecados morrendo na cruz. Sendo santíssimo, tomou sobre si nossos pecados para aplacar a justiça de Deus. Cristo morreu por nós, pecadores. Sofreu todas as dores e humilhações em sua gloriosa Paixão e morte. O próprio Deus sofreu toda a consequência do pecado na própria carne e, do alto da cruz, perdoou a todos que faziam-no sofrer. Não mais podemos acusar a Deus de estar no alto do céu, em seu trono inatingível, exigindo de nós, míseras criaturas cheias de defeitos, que perdoemos nossos ofensores. Deus nos dá, agora, Seu Espírito para que tenhamos força para perdoar qualquer pecado cometido contra nós. Os mártires dão provas da graça de Deus agindo, quando morrem perdoando seus algozes.

Perdoar não é fácil, nós sabemos. Perdoar não é esquecer a ofensa, nem atenuá-la, nem ser conivente a injustiça. É limpar a alma do ressentimento e do ódio, despojarmo-nos de todo orgulho. É sermos "perfeitos como o Pai celeste é perfeito". É imitarmos o nosso Mestre e Senhor, Jesus Cristo. Muitas vezes sofremos danos irreparáveis, ofensas gravíssimas, que nos machucam profundamente. Mas, para nós que cremos em Deus e em Jesus Cristo, sabemos que somos fracos e que por nós mesmos nada podemos e que tudo é graça. Se temos algo contra o próximo, devemos pedir ao Pai de misericórdia para que nos conceda a graça de perdoar e que sejamos humildes e corajosos para pedirmos e darmos o perdão a nossos irmãos.




1 de out. de 2013

A verdadeira Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face

Hoje é dia de Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, uma das santas mais populares. Lembremos, hoje, portanto, desta monja carmelita que dedicou sua vida a Deus, morrendo com apenas 24 anos. Mas, lembremos da verdadeira Santa Tereza de Lisieux, não da menininha boba rodeada de rosas criado por um devocionismo vulgar. 

Sim, lembremos da Tereza da extrema paciência com Deus e com os homens; 

- da Tereza extremamente humilde, que fazia os serviços mais duros do Carmelo; 

- que suportava em silêncio, sem responder ao mal humor de algumas irmãs, inclusive daquela que reclamou do cheiro da flores que Tereza carregava, quando na verdade as flores eram de papel; 

- que passou, certa vez, por um alfinete caído no chão e retornou pegá-lo, pois, ao contrário teria deixado este serviço para outra fazer, demonstrando preguiça e abuso dos outros; 

- da Tereza que suportou um sofrimento atroz causado pela tuberculose, sem reclamar, sem murmurar, tanto que continuou fazendo os trabalhos do Carmelo e assistindo aos serviços religiosos da mesma forma, que quando a Superiora percebeu sua doença, já era tarde demais; 

- da Tereza, uma rocha na fé, que passou por um período de aridez tão terrível, sem sentir gosto para as coisas de Deus e permaneceu fiel a Deus e a Sua Igreja, pois fé não é emocionalismo, nem excitação dos sentidos; 

- da Tereza que passava horas em oração pela Igreja e pela conversão do mundo; 

- da Tereza que abraçou a cruz e oferecia os menores sacrifícios pela conversão dos pecadores. 

Esta é a Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face que devemos lembrar no dia de hoje. Lembrar e imitar suas virtudes.


4 de jun. de 2013

Angelina Jolie: o medo de viver

A divulgação da cirurgia de mastectomia realizada pela Angelina Jolie causou espanto. Rapidamente o caso ganhou seus defensores e seus opositores. O medo de vir a ter um câncer de mama fez com que, após um exame genético que constatou uma alta probabilidade de desenvolver a doença, a atriz tomasse essa atitude drástica. Sem entrar no mérito da questão, a atitude da atriz reflete algo inquietante da sociedade pós-moderna: o medo da vida. É comum e natural as pessoas terem medo da morte. Porém, viver virou um terror para a maioria das pessoas. A imprevisibilidade da vida faz com que as pessoas vivam em constante apreensão. Rodeados de inimigos reais ou imaginários, a vida torna-se um peso insuportável e há um medo generalizado do futuro. As pessoas têm um medo paranoico de envelhecer, de adoecer porque a felicidade está baseada em coisas passageiras: na saúde, na beleza, na força e no vigor físicos, no prazer, nas pessoas que amamos. O fato é que apesar de tantos e maravilhosos avanços tecnológicos e da medicina que nos proporcionam maior comodidade, segurança e saúde, o sofrimento é algo bastante presente nas nossas vidas. Ainda nos confrontamos com doenças terríveis e incuráveis, a fome, os desastres naturais e, apesar dos diversos meios de adiá-la, a morte de quem amamos ocorre com certa regularidade. A verdade é que o sofrimento é inevitável. 

Podemos contorná-lo, evitá-lo na medida de nossas possibilidades, mas, cedo ou tarde, nos deparamos com ele. O sofrimento sempre existiu e talvez tenha sido ainda maior em outras épocas. O que mudou, então, para que o medo do sofrimento seja maior em nossos dias? Vejamos. Interessante notar que o período da baixa Idade Média (entre os séculos XI e XIV) é marcado pela alegria. A despeito dos preconceituosos que pouco conhecem a Idade Média, medievalistas tais como Pernoud e Le Goff afirmam esta característica tão marcante em uma época em que a medicina apresentava pouquíssimos recursos e o ser humano estava à mercê das intempéries da natureza e de maior insegurança.

O que diferenciava o homem medieval do homem pós-moderno? A resposta é evidente: a fé. O homem medieval era, sobretudo e apesar de tudo, um cristão. Tinha em mente que "os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada". Mesmo sem entender, tinha certeza de que sua vida e a História estavam nas mãos da Providência Divina e que Deus, mesmo não sendo o autor do sofrimento humano, O permite para que deste sofrimento tire um bem maior. Seu exemplo está na Cruz. É o sofrimento do Filho de Deus, o maior dos sofrimentos, que lhe garantiu a salvação. Foi deste crime terrível que Deus tirou a redenção do mundo. Este era o motivo de sua alegria em meio a tantas dificuldades. Mas o cristão não é uma espécie extinta, que viveu sobre a terra em outros tempos, como os dinossauros. Eles existem, nós existimos. 

Para o cristão, o sofrimento - que continua sendo um mal que deve ser superado dentro dos limites da ética - torna-se em Cristo, caminho de redenção. Todo e qualquer sofrimento unido à cruz de Cristo misteriosamente contribui para a remissão própria e do mundo inteiro. São Paulo nos dá mostra disso quando afirma que "completa em sua carne o que falta aos sofrimentos de Cristo, por seu corpo que é a Igreja ". Para o cristão, diferentemente do homem de mentalidade pós-moderna. o sofrimento (antes, todos os atos humanos) deve ser oferecido a Deus. Seu sofrimento não é em vão. O cristão crê como o apóstolo São Paulo quando afirma "que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus". Não deve procurar deliberadamente o sofrimento. Não é um masoquismo, longe disso. A realidade é que ninguém está inume ao sofrimento, mas nem todos conseguem (e isso é graça de Deus) encontrar sentido no sofrimento.

No auge do materialismo e do ateísmo, os filósofos do seculo XIX afirmavam que a vida era algo sem sentido e tornaram-se os profetas do nada. Seus amores, prazeres, sofrimentos, tudo acabariam em nada. Esta ideia-motor adentrou o século XX e ganhou ainda mais força após as desilusões provocadas pela Segunda Guerra, que colocou fim às teorias evolucionistas e progressistas do Iluminismo, também materialistas, mas que davam um sentido e um fim a vida e a História. Em decorrência deste medo do sofrimento é que entendemos os índices alarmantes de suicídio, de consumo de drogas e de remédios antidepressivos e calmantes, do alcoolismo apresentados no Ocidente nos últimos 150 anos. 

Impressiona saber que o medo da vida é mais forte do que o medo da morte. A vida só é considerada plena se for vivida num corpo perfeito, de preferência jovem e saudável. Assim, em primeiro lugar, surge a  ideia da eutanásia. O pavor da vida, ainda que com limitações, leva a considerar a morte provocada como um ato de caridade. Em seguida, o aborto e a eugenia também são apresentados como solução para o fim do sofrimento e surge a tentação de técnicas imorais para a cura de doenças, como são o uso de células-tronco embrionárias. 

Por fim, o sofrimento está presente na vida humana. É consequência do pecado e, apesar de todos os nossos esforços, estaremos sujeitos a ele até o fim dos tempos. É por isso que necessitamos da redenção conquistada por Cristo. Somente quando Seu Reino for implantado definitivamente sobre a terra é que o pecado e a morte serão destruídos e Ele "enxugará toda lágrima dos olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor". Porém, enquanto o Cristo Senhor não retorna, temos que decidir a maneira de como enfrentamos o sofrimento. Os que confiam em Deus sabem que todo sofrimento é passageiro e aproveitam todas as oportunidades para se aproximarem do Pai celeste. Sua felicidade está naquilo que não passa, no próprio Deus, fonte de alegria e de vida eterna. Não que o cristão não tema o sofrimento. Jesus mesmo apavorou-se a ponto de suar sangue quando, no Getsêmani, antecipadamente viu diante dos olhos os horrores da cruz. Mas o cristão sofre na paciência e naquela paz de Cristo, tão diferente da paz que o mundo dá. 

O cristão alegra-se na medida em que sabe que seu sofrimento, unido ao de Cristo, faz bem ao mundo. E não somente os males físicos, como as dores ou as doenças, mas também o sofrimento causado pelas contrariedades, pela tentação constantemente combatida, pelas renúncias, pelos atos de amor ao próximo e até, se for preciso, pelo martírio. Estas palavras podem soar como loucura - a loucura da cruz - numa sociedade hedonista e imediatista como a que vivemos e mesmo entre cristãos nestes tempos de heresias que pregam a prosperidade e a vida mansa como sinônimos de vida cristã. Confiemos em Deus. Que os exames genéticos (que não são condenáveis em si mesmos) não venham a substituir as cartomantes e adivinhos. Lembremos daquele velho ditado: "o futuro a Deus pertence" e que "a cada dia basta a sua preocupação". Deus está no controle de nossas vidas, mesmo quando não entendemos de imediato o que se passa e é um Pai amoroso que cuida de cada um de nós. 



23 de set. de 2012

O primeiro é aquele que serve

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Marcos 9, 30-37

“Sentando-se, chamou os Doze e lhes disse: ‘Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos’.” (Mc. 9, 35)

Jesus se prepara para ir à Jerusalém para a festa da Páscoa. Será a última. Jesus será preso pelos judeus, entregue aos romanos e estes o condenarão. Sabendo disso, pela segunda vez, Jesus adverte Seus discípulos de tudo o que acontecerá, inclusive que a cruz não será Seu ponto final, mas que ressuscitará depois de três dias, o que deixa Seus discípulos totalmente confusos, pois não entendem o que Ele quer dizer e não Lhe perguntam por medo, conforme nos revela o evangelista Marcos. Seria realmente o medo que os impede de perguntar ou, como a segunda parte do evangelho deste domingo deixa transparecer, o orgulho que começava a brotar entre eles fazia com que escondessem a dúvida para que não dessem a entender que não conseguiam compreender as palavras do Mestre? 

Para todo aquele que procura a Verdade de coração sincero, o orgulho torna-se um obstáculo intransponível. A Verdade está em Jesus Cristo, aliás, Ele é a Verdade que se revela aos humildes e simples. Querer se arvorar em mestre na busca da Verdade põe tudo a perder. Para encontrar Jesus é preciso colocar-se como discípulo. Para aquele que tem dúvida – e quem não a tem? – sobre a própria existência e o sentido da vida e da História, querer descobrir tudo sozinho o fará ainda mais perdido. Nesta busca, poderá até percorrer caminhos falsos em outras religiões, encontrar uma parcela da Verdade em comunidades evangélicas, mas, para todos que buscam a Deus com toda a sinceridade, Este o conduz para a plenitude de Sua revelação. Basta deixá-Lo agir, ou seja, não se levar pelo orgulho. 

Quando voltam a Cafarnaum, Jesus pergunta-lhes sobre o que discutiam no caminho. A vergonha toma conta do grupo, porque os Doze discutiam qual dentre eles era o maior, o mais importante do grupo. Jesus se senta. Parece um detalhe insignificante deste trecho evangélico, mas não é. Com isso, o evangelista demonstra a condição magistral de Jesus. O mestre judeu, o Rabi, sentava-se para ensinar. Nas sinagogas havia a “cadeira de Moisés” de onde o Rabi ensinava a doutrina. Jesus é o maior, o único mestre. Todo discípulo que um dia querer ensinar, deverá imitá-Lo. É imitando a Jesus que o discípulo se iguala a Ele. Sentado, o Mestre se mostra humilde, vulnerável, ao alcance de todos, inclusive dos pequenos, como o menino que Jesus abraça para ensinar a todos que ao receber um pobre, um pequenino deste mundo, recebe a ele próprio. Aquele que quiser ser o maior deverá colocar-se por último e servir a todos. 

Na cruz, Jesus inverte a lógica deste mundo onde o poder, a riqueza, a ciência, a política – verdadeiros ídolos – podem colocar o homem no topo. É no fracasso da cruz que Jesus destrói a obra do demônio e instaura Seu Reino. No paradoxo de Jesus, para ser o maior é preciso rebaixar-se, humilhar-se, ou seja, ser como Ele mesmo, o Deus encarnado, rebaixado à condição humana, para abraçar a todos nós, pecadores, sofredores com os males deste mundo degenerado. Para ser o primeiro, é preciso amar a Deus e ao próximo com todo o coração, sacrificando a própria vida se este serviço assim exigir. E assim, o cristão deve utilizar-se do poder, da riqueza, da ciência, da política não como um status, não para levar vantagem sobre os outros ou aproveitar-se das benesses que tudo isto pode lhe trazer, mas para servir a todos, imprimindo a marca de Cristo em todo lugar e em todas as ocasiões do cotidiano. 



12 de ago. de 2012

Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu


A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 6, 41-51

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.” (Jo 6, 51)

Diante do discurso de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, o povo começa a criticá-Lo, por não compreender a profundidade do ensinamento sobre a Eucaristia. Para crer no grande mistério do Santíssimo Sacramento é preciso crer na encarnação do Verbo. Deus fez-se homem em Jesus Cristo, no seio da Virgem Maria. Os judeus não conseguiram acreditar no Deus encarnado. A toda menção de Sua origem divina, os judeus argumentam afirmando que conhecem Seus pais e parentes. E fica difícil entender como alguém se considera cristão, crê na encarnação, mas não crê na Eucaristia. Em Seus ensinamentos, Jesus deixa claro que este Pão que Ele nos dá é Seu corpo entregue em sacrifício. Portanto, a Santa Missa não é somente um banquete ou ceia, mas é o sacrifício de Cristo no calvário que se faz presente pelo Espírito Santo e pelas palavras do sacerdote. Participemos da Missa com profundo respeito e reverência. Que recebamos o Corpo e o Sangue do Senhor com adoração.

7 de jun. de 2012

Corpus Christi, a festa do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo


                                          


A Eucaristia é o maior dom que Jesus poderia ter nos deixado. Durante a Última Ceia, antes de Sua Paixão e morte na cruz, o Senhor deixa como herança à Sua Igreja Seu Corpo e Sangue como alimentos. O antigo sacrifício pascal é substituído. Assim como na noite de Páscoa, os judeus sacrificavam o cordeiro pascal e comiam sua carne, Cristo, o Cordeiro de Deus, dá Sua carne para ser verdadeiramente comida. O Cordeiro que sacrifica-se na cruz é comido na mesa eucarística. O pão e o vinho não são símbolos do corpo e sangue de Jesus Cristo, mas tornam-se verdadeiramente Sua Carne e Seu Sangue após as palavras que o sacerdote pronuncia durante a consagração na Santa Missa. As palavras do sacerdote são as palavras de Jesus Cristo na Santa Ceia, ou melhor, é o próprio Cristo, único Sacerdote, que age através de seus ministros para nos oferecer este admirável e misterioso dom.

Muitas vezes nós comungamos como um ato mecânico ou só porque estamos na Santa Missa. Não nos atentamos para o magnífico ato que estamos cometendo. Absolutamente nada como comungar do Corpo de Cristo nos aproxima tanto da realidade celeste; na hóstia consagrada não está apenas a carne e o sangue do Senhor Jesus, mas também sua alma e sua divindade. E como as Pessoas da Santíssima Trindade são inseparáveis, o Pai e o Espírito Santo também estão presentes; e como os santos da Igreja militante, padecente e triunfante fazem parte do Corpo Místico de Cristo, eles também fazem-se presentes. É a antecipação do céu, a presença diante de Deus que viveremos por toda a eternidade. Comungar e unir-se a Deus de tal forma que tornamo-nos um com Ele. Não se entende um cristão que rejeite a Santíssima Eucaristia; não se entende alguém que ame sinceramente a Jesus Cristo e renegue a Santa Missa. Nada é comparável à Santa Missa. Qualquer momento de oração, qualquer culto, por mais piedoso que seja, é infinitamente inferior à Santa Missa. Que venham todos os cristão sentarem-se à mesa do banquete nupcial do Cordeiro que durará pelo século dos séculos. 



28 de ago. de 2011

Tome sua cruz e Me siga

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 16, 21-27 

“Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a sua alma?” (Mt 16, 26)

São Pedro acabara de confessar que Jesus era o Cristo. Logo após, ao ouvir o anúncio de Sua Paixão, o primeiro dos apóstolos, ainda contaminado pela idéia do Messias político, imediatamente repreende-o. Como é difícil compreender a loucura de amor que Deus demonstrou por nós ao Se encarnar e morrer da morte mais infame na cruz. Somente com o Espírito Santo podemos compreender que a cruz é a nossa vitória e quantos inimigos da cruz existem nesse mundo. Até mesmo igrejas que se dizem cristãs rejeitam veementemente a cruz de Cristo ou quando a utilizam, apresentam-na vazia argumentando que o Senhor não permaneceu nela, mas ressuscitou. De fato, mas a cruz vazia também não representa nada. Todas as cruzes ficavam vazias assim que o condenado morria e era retirado. Cristãos, não se envergonhem da cruz de Cristo! E, além dos tabus com imagens, certas igrejas também não adotaram a ideologia do mundo: sem encontrar razão para o sofrimento, sem mortificações, sem sacrifícios, prometendo uma vida saudável, feliz e próspera, quanto o Senhor Jesus jamais prometeu tal vida a seus seguidores? 

Hoje em dia, a palavra de ordem é aproveitar a vida com todo o prazer que ela possa nos proporcionar. Assim como Pedro se dirigiu a Jesus tentando convencê-Lo a não Se sacrificar, o diabo, através das ideologias do individualismo, materialismo, da busca pelo prazer, nos diz que a vida é curta e devemos aproveitá-la. Nada mais de mortificações dos sentidos e do corpo – e, infelizmente, muitas correntes cristãs embarcaram nessa – faça o que tiver vontade. Parece um bom conselho. O ídolo principal hoje se chama felicidade. Em busca dessa falsa felicidade inventada no Iluminismo retiram-se tudo que pareça obstáculo pra alcançá-la. Filho indesejado? Aborto. Doenças terminais e incuráveis? Eutanásia. Quer fazer sexo? Faça com quem, como e na hora que quiser. Gaste todo seu esforço e tempo para alcançar dinheiro. Tenha uma vida confortável. Do que adianta viver uma vida confortável, acovardada e "feliz" se, ao morrermos, formos condenados ao eterno sofrimento, no inferno. 

A verdadeira felicidade consiste em fazer a vontade de Deus. Não há salvação sem cruz. Não há ressurreição sem cruz, esta é a verdade do Evangelho e quem quiser seguir a Jesus Cristo terá que carregar a sua cruz. é uma condição, não há outra. Mas a cruz que o Senhor nos dá é um fardo leve, é o jugo de Cristo que devemos tomar sobre os ombros. E no que consiste esta cruz? Nos sacrifícios diários das nossas vontades egoístas, da fuga do pecado, dos prazeres ilegítimos (e dos legítimos também para aperfeiçoar nossa vontade) e, sobretudo, o amor a todos, suportando aqueles que nos maltratam, os inconvenientes e toda sorte de contratempos em nossas vidas. Realmente a vida é curta e única e define nossa eternidade no céu ou no inferno. A decisão é nossa.