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6 de dez. de 2014

As imbecilidades de Jean Wyllys nas redes sociais e seu papel de vítima

Vi, outro dia, uma postagem do deputado Jean Wyllys onde ele dizia que está sendo ofendido nas redes sociais, sendo xingado e caluniado e que ia tomar as devidas providências. Interessante posicionamento para quem atira para todos os lados nas mesmas redes sociais. Para quem acompanha um pouco do que o deputado posta na rede, fora as imbecilidades a la Marco Feliciano, percebe que o ex-BBB parlamentar é extremamente desrespeitoso com todos aqueles que discordam de sua visão de mundo: ofende, xinga, calunia. Esquece-se até mesmo do decoro que seu cargo exige. Suas postagens sobre o Papa Bento XVI, por exemplo, eram totalmente caluniosas (e sobre os evangélicos também). Chamava-o de nazista, genocida em potencial (o que, em tese, todos somos), etc. 

A esquerda reserva para si o direito de agredir. O vitimismo faz parte do pensamento de esquerda desde quando esta surgiu, na Revolução Francesa. Em nome da revolução, do progresso, vale tudo. Os revolucionários, especialmente sobre a liderança de Robespierre, guilhotinaram 32 pessoas diariamente, durante um ano e meio. Todavia, tal brutalidade era em nome do progresso. O comunismo causou a morte de 100 milhões de pessoas, porém tudo foi justificado por um pretenso bem do povo. O historiador marxista Hobsbawm disse que a morte destas 100 milhões de pessoas tinha valido a pena. Ou seja, os extermínios em massa, os laogai's, os gulag's, os deslocamentos forçados de imensa massa populacional, as fomes artificiais, os paredões de fuzilamento, tudo isto vale a pena para melhorar a vida das pessoas, o que, de resto, nem isto aconteceu. O deputado, em menor escala, age assim. Se agride, se ofende, é devido a necessidade de remover obstáculos que impedem o progresso e que devem ser retirados a qualquer custo. É um revolucionário. Se é ofendido, é vítima daqueles reacionários que querem manter o status quo. É violência. Muito típico.



28 de out. de 2014

Eleições 2014: uma análise histórica da formação política do nordeste e do sudeste, suas diferenças básicas e o resultado nas urnas

Hostilizar os nordestinos pela eleição da Dilma é cair no odiendo discurso da divisão proposto pelo PT. Para compreender a cultura política do Nordeste faço uma análise histórica. As duas regiões mais antigas do Brasil, sudeste e nordeste, se desenvolveram separadas. Eram duas regiões distintas, isoladas, sem comunicação terrestre até o século XIX. Foram constituídos basicamente dois brasis. 

No Nordeste, predominou o latifúndio e a monocultura da cana-de-açúcar. Os latifúndios nordestinos, em extensão e na economia, eram verdadeiros feudos. Os senhores de engenho - mais tarde, os coronéis - tinham sob seus domínios territórios enormes (para se ter uma ideia, o território do estado da Paraíba era dividido por apenas três famílias até meados do século XX) e homens. Pela própria natureza deste sistema altamente privatista e antidemocrático, o clientelismo se instala. 

Com advento da república e a universalização do voto, os coronéis precisavam "conquistar" seu eleitorado e a maneira mais simples era continuar e aprofundar a prática do clientelismo, que, em bom português, é o "toma-lá-dá-cá", é a troca de favores. Vota-se naquele de quem se pode obter uma vantagem pessoal. Ferreira Gullar diz que o clientelismo era uma esperteza do pobre sem oportunidade. Mais que vítima, ele é cúmplice. 

Esta é, geral e basicamente, a cultura política do Nordeste. Por isso não surpreende que os beneficiados por programas sociais votem em massa naquele que o proporciona. Para o homem e a mulher simples acostumados com este sistema, não há a percepção de que os programas são de Estado ou de governo, mas de relações interpessoais. Exemplificando: a Dilma é a "coronela" e os beneficiados dos programas sociais, os clientes. Eles votam nela. Ela lhes dá algo em troca. 

Por sua vez, no princípio da colonização do sudeste também foi implantada uma economia latifundiária, mas a rápida expansão para o interior promovido pelos bandeirantes e jesuítas desmantelou o território em menores unidades, impossibilitando o domínio de estilo feudal; surgiram cidades livres do domínio de grandes proprietários; a descoberta de ouro e pedras preciosas em Minas Gerais e no Centro-Oeste estimulou uma rota de comércio do Rio Grande a Minas, o que criou uma porção da sociedade cuja riqueza não dependia da terra. Em Minas, Rio de São Paulo, o ideário liberal de matriz europeia se expande nas classes dos comerciantes e profissionais liberais.

Os latifúndios só começaram a ter força a partir do século XIX com a cultura do café, porém dois fatores fizeram com que o clientelismo tivesse menor impacto: a escravidão e a imigração. A república surge - e com ela a necessidade do voto das camadas baixas da sociedade - quando a imigração europeia já alcança o auge na região sudeste. Os imigrantes trazem novas ideias, influenciados mais ou menos pelos conceitos de democracia e igualdade social da Europa. Possuem tradição e cultura política forjadas por séculos. Seus pais foram servos nos campos europeus, eles não serão nos do Brasil. Muitos deles, rapidamente passam da condição de empregados a senhores. Preferem as associações de ajuda mútua a depender de particulares e do Estado. 

Em resumo e generalizando, o Nordeste - pelo menos o Nordeste "profundo" - tradicional e historicamente possui menos afeição à democracia e ao espírito público e do bem comum. O Sudeste, por sua vez, é política e economicamente mais liberal e, consequentemente, mais democrático.





9 de set. de 2014

Porque Pastor Everaldo não tem apoio dos evangélicos

Há quem analise o peso dos evangélicos nas eleições somente sob a ótica do preconceito considerando-os simples vaquinhas de presépio, prontas para votar em quem o pastor indicar e as igrejas se teriam se tornado novos currais eleitorais. Pela própria essência das igrejas evangélicas as coisas são um pouco mais complexas. As igrejas funcionam bem quando pretendem eleger determinado candidato ao legislativo. Estes candidatos precisam de menor número de votos para se elegerem. Mas a indicação da igreja ou do pastor não é determinante. Basta ver a relação entre o número de fieis daquela igreja e dos votos obtidos pelo candidato. Além disso, votar em alguém cujo eleitor se sinta representado e comungue das mesmas ideias é parte natural do processo democrático. 

Voltemos à essência das igrejas evangélicas: temos este ano um candidato a presidente genuinamente evangélico: Pastor Everaldo. O candidato tem, segundo as pesquisas eleitorais, entre 1 e 3% das intenções de votos numa população composta por 25% de evangélicos. É desproporcional? Não, se entendermos que não existe uma Igreja Evangélica. O que existe são milhares de denominações evangélicas, algumas com diferenças profundas, inclusive políticas. Ao contrário do que certos analistas pensam, não há uma unidade evangélica que possa eleger um candidato a cargos de governador ou presidente. Seria preciso uma aliança política gigantesca - e inimaginável - entre as igrejas para que se conseguisse eleger alguém somente pelo mando de pastores.



29 de dez. de 2013

Motivos para ser contra a construção da barragem no Rio Piracicaba

Eu sou contra a construção da barragem no Rio Piracicaba que vai permitir a navegação até Ártemis. Por dois motivos: é desnecessária e vai acabar com o Tanquã. Faz vinte anos que o projeto existe e lutava-se para conseguir as licenças ambientais e os recursos financeiros para a obra. Há vinte anos diziam que a Hidrovia Tietê-Paraná tinha como principal meta integrar o Mercosul. O Mercosul está morto, só falta alguém ter a coragem de enterrá-lo. Por que Piracicaba precisa de um porto fluvial? A cidade não está isolada, ao contrário, localiza-se próxima as mais importantes malhas rodoviárias do estado e do país. O que vai ser escoado pelo porto de Ártemis? Grãos ou minério que são as cargas mais transportadas pelas barcaças na hidrovia em questão? 

O outro ponto é a destruição do Tanquã, chamado de Pantanal paulista, por conta de interesses que não sabemos exatamente quais são nem de quem são. Vale a pena por fim a um ecossistema como esse, berço de aves migratórias e de peixes e casa de diversas espécies de plantas e animais e que está no roteiro turístico do município (o mesmo município que pretende, agora, destruí-lo)? Volto à questão. Se Piracicaba estivesse isolada, como muitas localidades na Amazônia, por exemplo, e se houvesse a estrita necessidade de gerar um impacto ambiental para melhorar seus acessos e movimentar a vida econômica da região, seria compreensível. Mas o caso está longe disso. Não vale a pena acabar com o Tanquã por causa de uma obra que, ao meu ver, só atende à politicagem e às empreiteiras.



15 de set. de 2013

A Igreja Católica e a dignidade das crianças: a pedofilia avança quando a sociedade se afasta do cristianismo

O tema da pedofilia voltou à cena, nos últimos dias, em dois fatos que correram o planeta: a morte de uma menina de oito anos no Iêmen, vítima de uma hemorragia provocada durante o sexo com seu marido de quarenta anos e a declaração do biólogo e ateu militante Richard Dawkins, afirmando que uma “leve pedofilia” não faz mal a ninguém.

No primeiro caso, Rawan foi vendida pelos seus pais ao marido e morreu de hemorragia durante a “noite da penetração”. Segundo a agência Zenit, “um relatório da Human Rights Watch de dezembro de 2011 diz que na terra da rainha de Sabá, 14% das meninas são dadas em casamento antes dos 15 anos, enquanto que o 52% antes dos 18”. Ainda que os costumes variem de região para região, o casamento de crianças com homens mais velhos é algo bastante comum no mundo islâmico e a legislação de vários países, como a do Iêmen, protege tais costumes. Estes costumes estão arraigados no islamismo, ou antes, na cultura árabe pré-islâmica. O fundador do Islã, Maomé, casou-se com Aisha quando esta tinha seis anos de idade e o casamento foi consumado aos nove. Portanto, se era um costume pré-islâmico, a religião maometana nada fez para eliminá-lo. Na trilogia escrita por Jean P. Sasson, que tomou o depoimento anônimo de uma princesa da família Al-Saud que governa a Arábia Saudita, é relatado como muitos árabes ricos compram meninas de famílias pobres para transar com elas e descartá-las depois.  

Mas não é só no mundo islâmico que o casamento de crianças é comum. Na Índia, apesar de proibido pela constituição do país, a prática tradicional continua bastante frequente. Famílias obrigam meninas que ainda não atingiram a puberdade a se casarem com homens muito mais velhos. Em muitas regiões da África subsaariana, a situação também pouco mudou. Crianças meninas são entregues a homens adultos. 

No segundo caso, o renomado ateu militante Richard Dawkins declarou em entrevista para à revista Times, ao contar um caso ocorrido em sua infância, quando um professor colocou-o no colo e enfiou a mão por dentro de seu short: “Estou muito consciente de que não se pode condenar as pessoas de uma época passada pelos padrões da nossa. Assim como nós não podemos olhar para os séculos 18 e 19 e condenar as pessoas por racismo, da mesma forma como condenar uma pessoa por racismo nos dias de hoje. Eu olho para as décadas da minha infância e vejo o que aconteceu como leve pedofilia, e não posso condená-lo pelos mesmos padrões que eu, ou qualquer um, teria hoje". Este é o terrível efeito do relativismo moral levado ao extremo pelo ateísmo militante para poder se opor à moralidade de cunho religioso, sobretudo cristã. A ideia de que a moral muda conforme as culturas e a época leva a aceitação de atos abjetos como a pedofilia ou qualquer tipo de parafilia e práticas sexuais. 

Neste ano, a Justiça da Holanda reconheceu o Partido da Caridade, da Liberdade e da Diversidade, que defende publicamente a pedofilia, alegando que, desde que consensual, não há problema algum na prática sexual de “menores” com adultos. A sociedade atual tende à aceitação da pedofilia. O pedófilo é um revolucionário desde o Marquês de Sade. Durante todo o século passado, com o advento da psicanálise freudiana e a revolução sexual, há defensores do direito do prazer sexual das crianças. Lembremos que o pai da sexologia, o norte-americano Alfred Kinsey, realizou inúmeras “experiências” das mais variadas práticas sexuais, inclusive com crianças, apesar de ele alegar que não as praticou, mas colheu informações durante o depoimento de um pedófilo. 

Tudo isto é fruto do processo de descristianização do Ocidente. Foi na Civilização Ocidental, construída pela Igreja Católica, que a prática da pedofilia foi condenada. Já nos tempos bárbaros, a Igreja proibiu o casamento de crianças. Foi a Igreja que promoveu a proteção das crianças – assim como das mulheres – proclamando sua inviolável dignidade. Como é perceptível, a pedofilia é um costume em algumas civilizações, um aspecto cultural, que não choca. Há vozes dissidentes nestes países, como na Índia e em países muçulmanos, mas é inegável que consideram a pedofilia chocante porque foram influenciados pelo senso moral do Ocidente. Com o afã de opor toda e qualquer prática sexual à moral católica relativa ao sexo, admiti-se qualquer perversão. Porém, pergunta-se, se a Igreja Católica foi quem baniu a pedofilia, como se explica os casos de padres pedófilos? Pois bem. A pedofilia praticada por um padre é um dos piores crimes e pecados que se possa cometer. É pior do que a pedofilia praticada por qualquer outra pessoa que não tenha recebido as ordens sacras. É pelos sacerdotes que Cristo age na Igreja. É na pessoa de Cristo que os sacerdotes administram os sacramentos. Portanto, o padre deve encarnar o Cristo, e quando praticam monstruosidades como estas, além de um pecado sexual, praticam um sacrilégio. Devem ser punidos com rigor. Mas, os padres são homens de seu tempo. Sempre foi assim. Os pedófilos entraram na Igreja num período de grandes mudanças de comportamento. Além de distúrbios que possam ter, estes homens foram influenciados por uma sociedade moralmente libertina e, inclusive, por certas doutrinas morais que contaminaram o próprio ensino nos seminários, que pregavam uma visão liberal da sexualidade. A esmagadora maioria destes padres foi ordenada nas décadas de 1960 e 1970. O período é sintomático. Todavia, graças a Deus, os casos são relativamente poucos se comparados à totalidade dos sacerdotes. 

É injusto, portanto, querer por na conta da Igreja Católica os casos ou causas da pedofilia, como se sua moral, disciplina e o celibato favorecessem o aparecimento do pedófilo. Pelo contrário. É a Igreja Católica que condenou a prática sexual com crianças. Foi a Igreja Católica que baniu a pedofilia – mesmo a legal através do casamento – do Ocidente. Se os casos de pedofilia são cada vez mais alarmantes em nossa sociedade é porque esta se afasta a passos largos dos ensinamentos da Igreja. 



6 de set. de 2013

O brasileiro: retrato de um estatista

O estatista é aquele que adora depender do Estado. Ele luta para ser dependente. Odeia a liberdade e a responsabilidade individuais. Ele quer o Estado metido em tudo, até nos pormenores de sua vida, até mesmo que regule com quem ele dorme, seja homem ou mulher. Ele gosta de documentos oficiais. 

Como já foi dito, o estatista odeia responsabilidade individual. Ele é um filho mimado. Por exemplo, se ele, irresponsavelmente, tem uma gravidez indesejada, quer que o Estado intervenha, resolva seu problema, custe o que custar. O estatista não quer assumir as consequencias de seus atos inconsequentes. O estatista quer que o Estado acabe com a pobreza. Quer que o Estado ame seu próximo em seu lugar.

Se ele usa drogas, quer que o Estado banque tanto seu consumo quanto sua vaga na UTI caso tenha uma overdose. O estatista adora sistema público de saúde. Ele não se importa em financiar um sistema de saúde impessoal, mesmo que este promova ações contrárias às certas consciências, muitas vezes, a do próprio estatista. 

O estatista sonha em ser funcionário público. Ele luta com todas as forças para isto. Mas seu objetivo não é colocar seus conhecimentos à serviço do bem-comum, muito menos crescer profissionalmente. Ele quer um emprego estável. E de preferência que se trabalhe pouco. Ele quer não ser demitido. Ele tem medo de andar com as próprias pernas. 

O estatista gosta de verbas públicas. Ele monta uma Organização Não-Governamental cuja fonte de dinheiro é o governo. O estatista gosta de programas sociais do governo. Ele adora transferência direta de renda. Ele quer estudar o mínimo e trabalhar o mínimo. Ele quer ser sustentado pelo Estado. 

O estatista gosta de monopólio. Ele odeia concorrência. Odeia o livre mercado. Odeia produtos importados, principalmente quando é melhor que o dele. Ele quer que o Estado seja o principal investidor em todos os setores da economia.

O estatista paga altos impostos. Ele sustenta a máquina estatal que tanto adora. Ele reclama, sabe que há algo errado, mas não imagina que o problema é seu deus. Então, ele exige que o Estado faça jus a seus impostos e faça-se ainda mais presente. 

O estatista quer que o Estado regule o que ele deve assistir na TV. Ele quer que o Estado controle as propagandas para que ele não compre o que não precisa. O estatista quer que o Estado eduque seus filhos desde a mais tenra idade. 

Infelizmente, este é o retrato do brasileiro. O povo brasileiro é estatista por natureza. Sua história, dominada pelo clientelismo e paternalismo, fizeram-no dependente do Estado e, em tal situação, que não pretende se libertar. É por isso que o brasileiro se dá tão bem com ditaduras: em 124 anos de república, viveu quarenta e cinco sob regime ditatorial, sem contar a época de democracia capenga do período da política café-com-leite. Apesar dos discursos ferozes contra uma pretensa política neoliberal dos últimos anos, o fato é que somos dependentes do Estado. O Estado ainda é o grande investidor e o maior empregador. Na última década, não por coincidência, sob o governo do PT, a presença do Estado ficou ainda maior. O brasileiro clama pelo estatismo. Daí para o totalitarismo é um passo. 




31 de jul. de 2013

Os gastos com a JMJ Rio 2013 e o valor de uma alma

Qual o valor de uma alma? Em meio ao materialismo e tecnicismo, uma parcela da sociedade só conseguiu enxergar a Jornada Mundial da Juventude através dos gastos. Falou-se do emprego de verbas públicas (nem sempre com verdade) e dos desperdícios e prejuízos com a transferência dos eventos de Guaratiba para Copacabana. 

Dom Fernando Rifan contou-nos um testemunho ocorrido na pré-jornada: numa das noites, um grupo saiu da igreja de Santana, no centro do Rio, em procissão até a Catedral onde ocorreria uma vigília. Passando pela Lapa, uma prostituta aproximou-se e perguntou o que era aquilo. Uma das moças lhe disse: "venha com a gente". E ela foi. Entrou com a procissão na Catedral e participou da vigília. Terminando, a prostituta aproximou-se chorando e disse aos organizadores que ia mudar de vida. 

Somente por este único caso, a conversão desta moça, todo o gasto com a JMJ, todos os prejuízos, todos os percalços são infinitamente desprezíveis diante da salvação de uma alma. Só por esta conversão, toda a JMJ já terá valido a pena. A sociedade materialista não consegue ver além da obtenção do lucro. Não se consegue ver a alegria no céu por um único pecador que se converte; não consegue estimar o valor de uma alma. Mas nós sabemos quanto vale. Vale a morte na cruz de um Deus feito homem. Vale todo o sofrimento até a última gota de sangue derramado por aquela prostituta da Lapa.




12 de abr. de 2013

Marco Feliciano, Yoani Sánchez, democracia e as tropas de assalto da esquerda moderna


A democracia no Brasil está sendo sorrateiramente minada nesta última década. O que está acontecendo no caso do deputado pastor Marco Feliciano é mais uma amostra disso. Impressiona como os incautos de plantão são levados a acreditar que o caso trata-se da relação entre o Estado e a religião ou que as asneiras ditas pelo deputado demonstram racismo ou homofobia. Mas é compreensível. A geração Twitter não lê nada que contenha mais do que 140 caracteres. Por isso, fica impossível ter uma visão global do que acontece, posto que é mais fácil ficar preso à frases de efeito e manchetes. Além do que se vê, tem muito mais por trás (sem trocadilhos) do movimento gay.

Se o deputado em questão é ignorante e incompetente – e já deu mostras de ser – é outra história, mas o fato é que ele foi eleito democraticamente. Foi escolhido como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados conforme as regras da Casa. Ninguém é obrigado a concordar com os seus posicionamentos, mas é preciso respeitar o jogo democrático. Não se faz oposição inviabilizando o debate na base da gritaria, causando tumulto  e impossibilitando que o deputado faça seu trabalho. Aliás, na Sexta-Feira Santa, o deputado foi perturbado durante um culto religioso, ou seja, fora das suas funções de parlamentar. Mas algo é preciso notar. Os que protestam de forma violenta contra Marco Feliciano (militantes do PT, do PSOL e do PC do B) são os mesmos que atacaram truculentamente a cubana Yoani Sanchéz, acusando-a de trair um governo ditatorial, porque denuncia a miséria e a opressão mantidas pela família Castro em Cuba. Naquela ocasião, de maneira vergonhosa, impediram que ela se pronunciasse em público. Nada mais antidemocrático. Agem como a S.A., a famosa tropa de assalto nazista que saía à caça de opositores da ideologia. O ex-BBB deputado Jean Wyllys (PSOL - RJ), que durante seu mandato já disse tantas asneiras quanto Feliciano, é partidário destes métodos. Nestes três anos como deputado, preferiu a bravata do que apresentar projetos de lei que possam ser discutidos seriamente pelo parlamento.

Será somente coincidência que os partidos de esquerda abraçaram a causa gay? Vejamos. Nos países comunistas, o homossexualismo era crime. Para os marxistas, o homossexualismo era uma das provas cabal da degradação moral da sociedade capitalista. Gays foram perseguidos, presos e mortos na URSS, na China e em Cuba. Mas o que mudou na mentalidade da esquerda? Seria uma guinada em direção à compaixão? Não. O motivo é a luta de classes, ou seja, continua tão marxista quanto antes. Tal concepção surgiu na esquerda norte-americana, tendo como teórico o filósofo Herbert Marcuse. A luta de classes penetrou pouco no operariado norte-americano e este pouco foi habilmente anulado pelo governo nas primeiras décadas do pós-guerra. Não podendo contar com os protagonistas da revolução, a nova esquerda norte-americana precisou criar outras “classes”, reforçando ou produzindo antagonismos dentro da sociedade. A luta pelos direitos civis da população negra era uma causa justa. Assim, os movimentos negros foram abraçados pelos marxistas norte-americanos. Surgiram os movimentos hippies, feministas e homossexuais. Era preciso lançar negros contra brancos, mulheres contra homens, gays contra héteros, ou seja, a eterna luta entre oprimidos e opressores que move a História e levaria inexoravelmente a uma nova sociedade: a comunista. Neste contexto é que surge o “politicamente correto”, uma forma eficaz de patrulhamento ideológico que inviabiliza o debate e o contraditório, elementos típicos da democracia, através da ameaça e da censura.

Portanto, vemos como que por detrás de toda uma pretensa luta de direitos esconde-se ideologias revolucionárias perniciosas que pretende o fim do regime democrático, implantando o totalitarismo. Os homossexuais são utilizados como massa de manobra. Para esses partidos políticos, cuja ideologia sempre repugnou o homossexualismo, os interesses dos gays não são tão importantes. O que importa, de fato, é o êxito da revolução. Os casos de violência contra homossexuais são raros no Brasil e inflacionados artificialmente e não há dúvida que tais ideólogos inescrupulosos adorariam ver realmente aumentados. E muita gente de boa vontade acaba embarcando nessa, dando apoio ao que não conhece exatamente, engrossando o rebanho. Consola saber que estes esforços estão apenas no princípio. Os homossexuais não apoiam em massa os métodos truculentos. Basta considerar que na Parada Gay de São Paulo aparece um milhão de pessoas e para protestar contra Feliciano, uma dúzia. Mas é preciso conhecer os fatos e os verdadeiros objetivos que tais protestos escondem.  




8 de abr. de 2013

Não à teocracia!



O deputado pastor Marco Feliciano ainda rende assunto. Ocorreu até um manifesto de artistas contra o deputado. Alguém viu protesto de artistas contra os condenados do mensalão? Pelo contrário, houve até manifestações de apoio.

Mas é sempre assim. Basta algum elemento religioso se destacar no ambiente político para que os defensores do Estado laico venham com palavras de ordem que, na verdade, demonstram que não sabem exatamente o que defendem, fazendo verdadeiras misturebas na concepção do Estado e na relação entre este e a religião. Uma destas palavras de ordem que vi várias vezes é: NÃO À TEOCRACIA!

De partida já posso afirmar que, no mundo atual, não existe nenhum regime teocrático em vigor. O Egito Antigo era teocrático, pois o Faraó era a encarnação do deus sol; o Império Romano, em seu período decadente, tornou-se uma teocracia. A China Imperial era uma teocracia. O último regime teocrático, de fato, foi o do Império do Japão e acabou com a desdivinização do imperador após a Segunda Guerra. Portanto, para um regime ser considerado uma teocracia, é necessário que o governante encarne uma divindade. O Tibete não era uma teocracia. O Vaticano e o Irã também não são. Ser governado por um líder religioso ou sob leis religiosas não faz do Estado uma teocracia, assim como ser governado por um militar não faz com que o Estado viva sob um regime militar. Ninguém com o mínimo de conhecimento poderia afirmar que, por exemplo, o governo regencial do padre Diogo Feijó fez do Brasil uma teocracia.

O termo “teocracia” é usado comumente para designar regimes baseados em leis religiosas, como são alguns países islâmicos que adotam a Sharia; ou regimes absolutistas que não se submetem a nenhum poder moderador a não ser ao poder divino. Assim pretendiam os teóricos do Direito Divino dos reis. Mas, nestes caso, é um uso inexato do termo, assim como a utilização do termo “absolutista” para algumas monarquias ocidentais também o é. 

Estados governados por líderes religiosos, onde se confunde o poder religioso com o poder secular, como no caso do Irã dos aiatolás, são Estados clericais e não teocráticos. O fato de um país adotar uma religião oficial também não faz do Estado uma teocracia e sim um Estado confessional e não leva necessariamente à restrição da liberdade religiosa ou da democracia. A Inglaterra, a Islândia, a Noruega e a Dinamarca são exemplos de Estados confessionais e não consta que sejam países com algum atraso civilizacional ou antidemocráticos, muito pelo contrário (ainda que na Inglaterra um católico não pode tornar-se primeiro-ministro. Lembremos que Tony Blair renunciou ao se converter ao catolicismo).

Portanto, o simples fato de termos líderes religiosos ou leigos praticantes de alguma religião ocupando cargos em qualquer instância do governo não põe em risco nem o Estado laico, nem a democracia, pelo contrário, ao longo da História, muitas vezes foi a religião a única oponente do totalitarismo e dos impositores de pensamento único. Os presidentes norte-americanos fazem seu juramento de posse com a mão sobre a Bíblia e os Estados Unidos continuam laicos. Se levarmos em conta que no Ocidente nossas leis derivam em grande parte do Decálogo, podemos pô-las em xeque a todo momento reivindicando a laicidade do Estado, pervertendo, assim, toda a tradição jurídica de nossa sociedade. 

Regimes democráticos não mudam ao sabor de quem governa, nem restringem os direitos políticos dos cidadãos por eles serem líderes religiosos ou professarem alguma religião, nem atentam contra uma sadia laicidade ou contra a religiosidade do povo. Teocracias dependem de concepções profundas sobre a origem do poder e sobre a divindade e não do simples fato da existência de líderes religiosos ocupando cargos públicos. Percebe-se que a concepção de Estado é mais complexa do que pretendem as frases de efeito dos ativistas sem-noção.



6 de mar. de 2013

A farsa das UPP's cariocas


Essas UPP's do governo Cabral em parceria ostensiva com o governo do PT (Lula/Dilma), mais a cobertura midiática da Globo, são verdadeiras e unicamente belas propagandas eleitoreiras, especialmente agora que Sérgio Cabral quer ser candidato à vice de Dilma em 2014. Até aí nada de mais, já que é mais um pmdbista lambe-botas. 

Quem não se lembra da multidão de criminosos fugindo do Alemão quando a polícia invadiu? O que aconteceu com eles? Hoje são homens de bem? Abandonaram o crime? Evaporaram? Porque ninguém foi preso e nem morto pela polícia. Sérgio Cabral, que já se declarou favorável a legalização das drogas e sobre o aborto respondeu candidamente que "quem já não teve uma namoradinha que fez um", simplesmente colocou os policiais do RJ para defenderem o tráfico com os louvores da opinião pública. 

A intenção das ocupações é clara: a desterritorialização do tráfico e não o combate que vise acabar com a venda de drogas. É praticamente um trato entre o Estado e o tráfico: o traficante não domina mais a favela e a polícia não atrapalha seu comércio. A Polícia carioca virou segurança particular de traficante. 

Vejam como as ocupações ocorrem: a secretaria de segurança pública avisa com antecedência a área a ser invadida; a polícia (e/ou os homens das Forças Armadas) sobem o morro; não há confronto, nenhum tiro, nenhum morto, nenhum preso; a polícia ocupa a favela e fixa-se uma UPP. E os criminosos continuam livres e praticando os mesmos crimes, só que agora não precisam mais se preocupar em vigiar a favela, nem precisam mais entrar em confronto com grupos rivais ou com a polícia. Ficou tudo pacificado. Inclusive para o tráfico.


23 de set. de 2012

O primeiro é aquele que serve

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Marcos 9, 30-37

“Sentando-se, chamou os Doze e lhes disse: ‘Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos’.” (Mc. 9, 35)

Jesus se prepara para ir à Jerusalém para a festa da Páscoa. Será a última. Jesus será preso pelos judeus, entregue aos romanos e estes o condenarão. Sabendo disso, pela segunda vez, Jesus adverte Seus discípulos de tudo o que acontecerá, inclusive que a cruz não será Seu ponto final, mas que ressuscitará depois de três dias, o que deixa Seus discípulos totalmente confusos, pois não entendem o que Ele quer dizer e não Lhe perguntam por medo, conforme nos revela o evangelista Marcos. Seria realmente o medo que os impede de perguntar ou, como a segunda parte do evangelho deste domingo deixa transparecer, o orgulho que começava a brotar entre eles fazia com que escondessem a dúvida para que não dessem a entender que não conseguiam compreender as palavras do Mestre? 

Para todo aquele que procura a Verdade de coração sincero, o orgulho torna-se um obstáculo intransponível. A Verdade está em Jesus Cristo, aliás, Ele é a Verdade que se revela aos humildes e simples. Querer se arvorar em mestre na busca da Verdade põe tudo a perder. Para encontrar Jesus é preciso colocar-se como discípulo. Para aquele que tem dúvida – e quem não a tem? – sobre a própria existência e o sentido da vida e da História, querer descobrir tudo sozinho o fará ainda mais perdido. Nesta busca, poderá até percorrer caminhos falsos em outras religiões, encontrar uma parcela da Verdade em comunidades evangélicas, mas, para todos que buscam a Deus com toda a sinceridade, Este o conduz para a plenitude de Sua revelação. Basta deixá-Lo agir, ou seja, não se levar pelo orgulho. 

Quando voltam a Cafarnaum, Jesus pergunta-lhes sobre o que discutiam no caminho. A vergonha toma conta do grupo, porque os Doze discutiam qual dentre eles era o maior, o mais importante do grupo. Jesus se senta. Parece um detalhe insignificante deste trecho evangélico, mas não é. Com isso, o evangelista demonstra a condição magistral de Jesus. O mestre judeu, o Rabi, sentava-se para ensinar. Nas sinagogas havia a “cadeira de Moisés” de onde o Rabi ensinava a doutrina. Jesus é o maior, o único mestre. Todo discípulo que um dia querer ensinar, deverá imitá-Lo. É imitando a Jesus que o discípulo se iguala a Ele. Sentado, o Mestre se mostra humilde, vulnerável, ao alcance de todos, inclusive dos pequenos, como o menino que Jesus abraça para ensinar a todos que ao receber um pobre, um pequenino deste mundo, recebe a ele próprio. Aquele que quiser ser o maior deverá colocar-se por último e servir a todos. 

Na cruz, Jesus inverte a lógica deste mundo onde o poder, a riqueza, a ciência, a política – verdadeiros ídolos – podem colocar o homem no topo. É no fracasso da cruz que Jesus destrói a obra do demônio e instaura Seu Reino. No paradoxo de Jesus, para ser o maior é preciso rebaixar-se, humilhar-se, ou seja, ser como Ele mesmo, o Deus encarnado, rebaixado à condição humana, para abraçar a todos nós, pecadores, sofredores com os males deste mundo degenerado. Para ser o primeiro, é preciso amar a Deus e ao próximo com todo o coração, sacrificando a própria vida se este serviço assim exigir. E assim, o cristão deve utilizar-se do poder, da riqueza, da ciência, da política não como um status, não para levar vantagem sobre os outros ou aproveitar-se das benesses que tudo isto pode lhe trazer, mas para servir a todos, imprimindo a marca de Cristo em todo lugar e em todas as ocasiões do cotidiano. 



27 de jul. de 2011

Golpe Militar de 1964 e o Perigo Comunista




O golpe (ou revolução, contrarrevolução, contra-golpe. O termo não importa tanto) de 1964 não é consenso entre os historiadores, talvez porque os atores deste processo histórico ainda estão vivos, as paixões ideológicas à flor da pele e, após a redemocratização, somente um lado - a esquerda - consegue (ou pode) dar sua versão. Defender o golpe de 1964 e criticar a esquerda armada é politicamente incorreto. Se havia um perigo comunista que ameaçava efetivamente o país é difícil saber. Se não existia, levaram os militares a acreditar que existia. Um dos sinais detectado foi a condecoração de Che Guevara por Jânio Quadros no ano de 1961. O que sabemos é que revoluções comunistas, após o sucesso na Rússia, em 1917, foram tentadas em diversos países, fracassando em muitos, como no próprio Brasil, em 1935 e saindo-se vitoriosa em outros, como na China (1949) e em Cuba (1959). O sonho da revolução jamais morreu, ao contrário, reacendeu depois da Revolução liderada por Fidel. O PCB era financiado por Moscou. Aliou-se a João Goulart, o que levava Luis Carlos Prestes, o mesmo que liderou a tentativa de golpe em 1935 e secretário-geral do PCB a afirmar: "Já temos o poder, basta-nos apenas tomar o governo" [1].

Jango propôs as Reformas de Base que tinham viés socialista, principalmente nas propostas de reforma rural e urbana, onde terras e imóveis seriam confiscados e pagos com títulos da dívida pública, o que necessitaria de mudanças constitucionais. João Goulart enviou ao Congresso, em 1963, uma proposta de emenda constitucional com este propósito, mas a emenda foi rejeitada, provocando fortes reações nos grupos de esquerda. O presidente estava cada vez mais isolado politicamente e resolveu usar a estratégia de falar diretamente às massas, apoiado pelas organizações de esquerda. Foi assim que aconteceu o primeiro comício na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, onde Jango discursou para 150.000 trabalhadores [2]. As Reformas de Base foram vistas como um programa vago, podendo ser habilmente dirigida à implantação do socialismo no Brasil por via constitucional. As tentativas de mudar a Constituição de 1946, levaram os militares a agir, já que esta previa que as Forças Armadas deveriam garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem (BRASIL, Constituição Federal, art. 177, 1946). [3]

[...] a imagem de João Goulart como um presidente frágil, indeciso e que procurava tenuemente equilibrar-se entre uma esquerda e uma direita radicais, entra em contradição frontal com depoimentos que atestam sua intenção, desde o primeiro dia após sua posse, de manobrar o Congresso para não só derrubar o parlamentarismo (com a antecipação do plebiscito, inicialmente marcado para coincidir com o fim de seu mandato), mas para ampliar sensivelmente o poder presidencial (Cf. COUTO, 1999, p. 32). Essa impressão, amplamente documentada tanto por seus opositores quanto até por seus aliados mais próximos, vem reforçada por denúncias que teria procurado apoio militar para depor a democracia em pelo menos duas ocasiões: em 1960, para afastar Juscelino da presidência e suspender as eleições que davam amplo favoritismo a Jânio Quadros, segundo denúncia de Armando Falcão (Cf. SILVA, 1978, p. 297); e em 1962, quando pressionava o Congresso a antecipar o plebiscito para restaurar o presidencialismo, como denunciou Chermont de Britto (Cf. COUTO, 1999, p. 52). [4]

Outro fator que assustou os militares e levou-os ao golpe foi a revolta dos marinheiros em 25 de março de 1964. Os marinheiros realizavam uma reunião da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, que era considerada ilegal. Na reunião, estavam presentes sindicalistas e Leonel Brizola, cunhado de João Goulart. O ministro da Marinha emitiu uma ordem de prisão contra os organizadores do evento que contava com dois mil marinheiros e fuzileiros navais. O pelotão com seu comandante designado para fazer a prisão aderiu à resistência. O presidente desautorizou o ministro da Marinha, proibindo as prisões e anistiou os revoltosos. [5] Deste modo, o presidente desrespeitou a hierarquia militar. O episódio demonstrou que parte das Forças Armadas poderia dar apoio militar a um possível golpe comunista.

Grupos da esquerda revolucionária, como o MRT e a ORM-POLOP foram fundados antes do golpe, em 1962 e 1961, respectivamente e a Frente de Mobilização Popular, liderada por Brizola, unificou todas as esquerdas: Comando Geral dos Trabalhadores, Ligas Camponesas, UNE, Ação Popular, a esquerda do Partido Socialista Brasileiro, a esquerda mais radical do PCB, os movimentos de sargentos e marinheiros. Brizola ainda organizou os Grupos de Onze, que propunha a luta armada ainda em 1963, e possuía uma cartilha com indicações como:

No terceiro capítulo, sobre a ação preliminar, os companheiros são instados a tentar conseguir o quanto antes armamentos para o "Momento Supremo". E a lista contempla desde espingardas a pistolas e metralhadoras. Com um lembrete: "Não esquecer os preciosos coquetéis Molotov e outros tipos de bombas incendiárias, até mesmo estopa e panos embebidos em óleo ou gasolina." A instrução reconhece a escassez de armas no movimento, mas conta com aliados militares (segundo o documento, "que possuímos em toda as Forças Armadas") e garante ter o apoio da população rural. "Os camponeses virão destruindo e queimando as plantações, engenhos, celeiros e armazéns." [6]

Em centros urbanos, a tática adotada será assumidamente a de guerra suja, com a utilização de escudos civis, principalmente mulheres e crianças. "Nas cidades, os companheiros [...] incitarão a opinião pública com gritos e frases patrióticas, procurando levantar a bandeira das mais sentidas reivindicações populares, devendo, para a vitória desta tática, atrair o maior número de mulheres e crianças para a frente da massa popular." Agitação é a palavra de ordem, com direito a depredação de estabelecimentos comerciais, saques e incêndios de edifícios públicos e de empresas particulares. Também estão incluídos ataques a centrais telefônicas, emissoras de rádio e TV. O objetivo? "Com as autoridades policiais e militares totalmente desorientadas, estaremos, nesse momento, a um passo da tomada efetiva do Poder-Nação." [7]

Continua Leonel Brizola: "No caso de derrota do nosso movimento, o que é improvável, mas não impossível [...] e esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição." [8]

Portanto, o argumento que os grupos de esquerda foram forçados à luta armada após 1964 não é verdadeiro. Eles já existiam e passaram a combater o regime porque não mais vislumbraram a possibilidade de atingir o poder através da via democrática, ou seja, do presidente João Goulart. Não é possível que de uma hora para outra este grupos que defendiam a implantação de um regime ditatorial de esquerda no país passaram a lutar pela democracia. Podemos ver que o risco de um golpe comunista existia e a sociedade pressentia, tanto que é claramente perceptível que o golpe civil-militar foi feito ás pressas, já que não possuía liderança e plano ideológico definidos.



15 de nov. de 2009

Lula explica o problema do clima

"Então, essa questão do clima é delicada por quê? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado ou retangular e a gente soubesse que o nosso território está a 14 mil quilômetros de distância dos centros mais poluidores, ótimo, vai ficar só lá. Mas como o mundo gira e a gente também passa lá embaixo onde está mais poluído, a responsabilidade é de todos". 
Não acredita? Veja!

Maldito Galileu Galilei!!
Quer dizer que se eu ficar pairando num balão, daqui a pouco Roma ou Paris ou Tóquio passa por baixo de mim? E que, a cada 12 horas, respiramos o ar poluído da China ou sentimos o cheiro do peido de algum japonês? 
Se o Obama ganhou o Nobel da Paz, depois dessa teoria, o Lula leva o de Física.


6 de nov. de 2009

Trote do Lula


Notícia publicada no Portal Imprensa:
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Uma pessoa ainda não identificada se passou pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deu entrevistas para emissoras de rádio no exterior.
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Segundo o Blog do Boleiro, de Luciano Borges, na última segunda-feira (2), emissoras que mantêm programas em língua portuguesa, como a SBS, da Austrália, e um canal estatal no Timor Leste, receberam um email de um suposto assessor de Lula, chamado Caio Martins, oferecendo uma entrevista individual com o presidente.
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Para ver a notícia completa, clique
aqui.
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Entenda
porque o trote foi tão bem sucedido
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Vejamos outros trechos da reportagem:
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“De acordo com o e-mail - que continha vários erros de pontuação e grafia (...)”
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“Beatriz falou por 23 minutos com um homem com a voz idêntica à de Lula e com um jeito de falar parecido, informou o Blog do Boleiro. O homem falou sobre as Olimpíadas e, perguntado sobre outros temas, o falso Lula não soube responder direito.”
...
Quem não acreditaria?



30 de out. de 2009

Cabeças Vazias...


Basta os senadores não estarem pensando em empregar seus parentes e amigos, em ganhar uma grana por fora e em como esconder suas falcatruas para fazerem cagada. Cabeça desocupada dá nisso.

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Comissão do Senado aprova ingresso da Venezuela no Mercosul (ou seja, amplia-se a área de atuação da ALBA – Aliança Bolivariana para as Américas – para a implantação do socialismo bolivariano do ditador Hugo Chávez).

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Senado aprova educação básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos (nosso parlamento legisla como se vivêssemos na Dinamarca. Haja vaga nas escolas para toda essa criançada! Mais um passo do Estado para restringir os pais no legítimo direito de educar seus filhos).

26 de jul. de 2009

A Multiplicação dos pães (João 6, 1-15)


"Jesus, percebendo que queriam arrebatá-lo e fazê-lo rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte.” (Jo. 6, 15)

Jesus faz o milagre da multiplicação dos pães, alimentando, com apenas cinco pães e dois peixes, uma multidão de mais de cinco mil pessoas que O seguia e ouvia Seus ensinamentos. Estas pessoas não tinham aonde comer e nem comprar o alimento. Jesus, contando com a generosidade de um menino que lhe doou os pães e os peixes, pôde alimentá-las e ainda sobraram doze cestos cheios. Diante deste maravilhoso milagre, a multidão queria coroá-lo rei, o que Ele rejeita imediatamente. Aquelas pessoas não haviam compreendido o significado profundo de tal milagre. Não era o fato de tê-los alimentado que contava. Jesus, no dia seguinte, faz Seu discurso sobre o Pão da Vida, a eucaristia. Ele mesmo daria Sua carne e Seu sangue como alimento, o verdadeiro alimento que não mantém a vida do corpo, mas dá a vida eterna. É Seu corpo, único pão, que se multiplica nos altares de Sua Igreja e alimenta Seu povo. A sobra de doze cestos cheios significa exatamente isto: seus doze apóstolos foram encarregados de distribuir os pães e em seus doze cestos sobraram aquele pão que era destinado a alimentar outras pessoas que não estavam ali. Estas pessoas somos nós que recebemos o Pão das mãos dos sucessores dos apóstolos, os bispos e seus colaboradores, os padres.

A incompreensão do povo que presenciou este milagre continua quando quer coroar Jesus como rei. De fato, Jesus é rei, mas Seu Reino não é deste mundo e queriam que fosse seu rei somente porque se saciaram. O Reino de Deus é mais do que bem-estar. Aliás, Jesus nunca prometeu isto para quem quer segui-Lo. Hoje, vemos muitos líderes que surgem em duas áreas, atraindo o povo prometendo exatamente isto. Uma das áreas é na religião. Proliferam-se igrejas e pastores prometendo bem-estar, vida confortável. Há casos, como nas áreas mais pobres ou como aconteceu na Guatemala após a passagem de um furacão, que estes pastores e missionários evangélicos, mostram e oferecem alimento aos necessitados para que se convertam à suas igrejas. Isto contraria a caridade que deve ser desinteressada. A caridade pode atrair as pessoas que reconhecem em quem a pratica, a bondade de Deus. Boas obras – se é que tais atitudes podem ser consideradas boas – jamais podem ser moeda de troca. Jesus nunca coagiu ninguém a se converter, nem antes nem depois de um milagre.


Outra área que tais líderes aparecem, é na política. O populismo que avança, principalmente nos países da América Latina, é uma prova disto. Aqueles governos que prometem ou dão dinheiro em forma de bolsa aquilo, bolsa isso, de maneira puramente assistencialista, são os mais populares. São estes presidentes que são aclamados “reis”. E usam esta popularidade para manipular o povo, chantageá-lo – caso saiam do governo, a mamata acaba – para se perpetuarem no poder. E, por detrás destes governos, há ações imorais e anticristãs.


Devemos combater a fome no mundo e, sem dúvida, a Igreja é a principal instituição que a faz. Deus nos deu alimento suficiente para alimentar satisfatoriamente toda a população do planeta. As técnicas agrícolas inovadoras que aumentaram e baratearam a produção de alimentos contrariaram todas as previsões catastróficas que apontavam para uma carestia em níveis nunca vistos. O que nos falta é distribuir este alimento, não desperdiçá-lo e os mais ricos colaborarem com tecnologia e planos de desenvolvimento agrícola nas áreas mais pobres do planeta. Ou seja, o que nos falta é conversão, é deixarmo-nos guiar pela caridade de Cristo aumentada em nós pela eucaristia. E lembremos sempre que "não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus". E que Palavra é essa senão Aquela que se fez carne por nós?



22 de abr. de 2009

É proibido fumar: a intromissão do Estado

No último dia 7, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou o projeto de lei antifumo que foi proposto pelo governador José Serra (PSDB). O projeto de lei 577/2008 “proíbe o consumo de quaisquer produtos fumígenos, derivados ou não do tabaco, em recintos de uso coletivo e cria ambientes livres de tabaco”. A lei proíbe que se fume em qualquer ambiente fechado ou parcialmente fechado, como bares, restaurantes e até mesmo no local de trabalho. Ficam livres apenas tabacarias. Realmente a fumaça de cigarro incomoda os não-fumantes, eu mesmo fico muito incomodado. Mas não é esta a questão. A questão é: o Estado pode intervir nos espaços privados? Ainda que nestes possa afluir grande número de pessoas, seria o proprietário quem deveria ditar as regras para seu estabelecimento ou empresa e não o Estado. Ou falta educação aos fumantes para desrespeitarem regras internas de qualquer ambiente? Eu não vejo desrespeito àquelas simples plaquinhas dizendo ou indicando que é proibido fumar. Na minha opinião, isto já bastaria.

Se a maioria dos freqüentadores de um restaurante ou bar fica incomodada com a fumaça do cigarro alheio, a sensibilidade do proprietário o levaria a beneficiar a maioria e proibir que se fume no interior de seu estabelecimento. E pior que isto é a proibição de se fumar no ambiente de trabalho, nem mesmo nos fumódromos. Não há afluxo de público em grande parte das empresas. Sua área interna fica restrita aos funcionários e a empresa deve decidir se permite ou não a seus funcionários de utilizarem áreas reservadas para o fumo. Na verdade, esta lei é uma grande bobagem. Quem vai fiscalizar? A polícia? Quem vai denunciar? O primeiro dedo-duro incomodado da mesa ao lado?

Houve manifestações de pessoas ligadas ao Sindicato dos Comerciários de São Paulo e à Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi) que alegaram que tais proibições causarão desemprego nestes setores. Mas também tem gente que acha que tudo que se vai fazer no Brasil causará desemprego, o caminho não é por aí. O problema é mais grave. Quando o estado começa a meter o nariz em assuntos privados, como o que deve ou não deve ser permitido em lugares privados, a coisa começa a ficar perigosa. Ah, e me esqueci de mencionar que é permitido fumar em casa. Por enquanto.



17 de abr. de 2009

Ai dos que causam escândalos!

O escândalo gerado esta semana ao vir à tona um filho de quase dois anos que nasceu de um relacionamento entre Viviana Rosalith Carrillo Cañete e o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, ainda quando era bispo da Igreja Católica, me fez refletir. Não sobre seu pecado – ele pode ter se arrependido e se confessado, não deve ser julgado por isso – mas sobre as péssimas contribuições da turma da moribunda Teologia da Libertação para a Igreja ao longo destes anos. Lugo é amiguinho de frei Betto e admirador de Leonardo Boff. Precisa dizer mais alguma coisa?

A Teologia da Libertação como todos sabem se tornou a forma de marxistização da Igreja, com a intenção de fazer dela, assim como sugeriu Gramsci, a caixa de ressonância da doutrina marxista. Seus adeptos dizem que a tal teologia é baseada nos ensinamentos de Cristo e na Doutrina Social da Igreja. Mentira. Toda a doutrina é revisada através da ótica marxista. Para a Igreja, a TL foi, sem dúvida, um mal. Heresias surgiram dela – vide Jon Sobino e o já citado, Leonardo Boff –, abusos litúrgicos, rompimento com a Tradição, falsa interpretação dos documentos do Concílio Vaticano II e otras cositas más.

Padres se meteram em política, e o que é pior, sem a intenção de defender os valores do Evangelho e da doutrina católica. A intenção destes padres, os padres de passeata como ficaram conhecidos, é clara: usar a Igreja para disseminar a doutrina nefasta do marxismo condenado pela Igreja tantas e tantas vezes. Fernando Lugo foi um deles. Ordenado sacerdote em 1977 e bispo em 1994, preferiu se engajar nas fileiras da esquerda política do que dos anunciadores do Evangelho. Renegou o sacramento da ordem. Preferiu ser presidente de um país do que um sucessor dos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. É isso que não consigo entender. Não há nada mais importante que o sacerdócio, do que poder oferecer ao Pai, o Santo Sacrifício, salvar almas no confessionário. Mas não, para os adeptos da TL, o importante é “defender” os pobres, “libertá-los” da opressão social. Lugo pediu a renúncia do estado clerical, pois a constituição paraguaia proíbe que um ministro de qualquer religião assuma cargos eletivos. Mesmo com a suspensão a divinis, ou seja, afastado das funções ministeriais, mas ainda bispo, Lugo desobedece a Igreja (que novidade!) e se candidata. Após ser eleito, o Papa Bento XVI aceita sua renúncia do estado clerical e o reduz ao estado laical, caso sem precedentes na Igreja. Na verdade, desde 2004 a Igreja tinha feito de Lugo, bispo emérito. Certamente não foi uma grande perda para a Igreja, pelo contrário.

Mas esta semana, para coroar tudo isto, vem a público um relacionamento com uma moça enquanto era bispo e a atitude nada admirável de renegar o filho e só assumi-lo sob pressão, acrescentando a sua carreira eclesiástica e política, um escândalo. O povo paraguaio, em sua maioria católico, votou em Lugo porque era um bispo, porque vendeu uma imagem falsa (redundância quando se trata de comunistas). O povo confiou nele, assim como confia na Igreja. Fernando Lugo traiu ambos. Mostra disso foi a queda acentuada de sua popularidade de 64,14% para 48,04%. Como disse um deputado paraguaio, que Lugo cumpra as promessas que fez ao país, porque as que fez à Igreja ele já não cumpriu. Alguém ainda acredita que ele fará isso?