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16 de nov. de 2014

Impeachment de Dilma e o impeachment do Collor

Não se iludam acreditando que foram os caras-pintadas os protagonistas da queda do Collor. Isto é um mito. Collor caiu quando começou a promover a abertura econômica do país, descontentando os empresários que viviam mamando há anos no estatismo dos militares e se viram ameaçados pela concorrência dos produtos importados melhores e mais baratos. Os grupelhos de esquerda e parte da imprensa também viram nele o monstro neoliberal e comandaram os caras-pintadas e direcionaram a opinião pública. Em resumo, o que derrubou o Collor não foram as denúncias de corrupção (que perto dos escândalos dos governos petistas é brincadeira de criança). Foi o Consenso de Washington.

O PT jamais chegaria ao poder se tivesse continuado a combater o grande capital nacional. Foi preciso estabelecer esta relação promíscua com os grandes empresários e empreiteiros do país que foi demonstrada, ontem, na nova fase da Operação Lava Jato da PF. É o poder econômico do grande capital que mantém o PT no poder. O resto é retórica do Lula. Aliás, o PT segue a estratégia da Nova Esquerda mundial que não combate o capitalismo de frente, mas alia-se com os metacapitalistas para garantir interesses escusos. Burro é o PSOL.




3 de mar. de 2014

As asneiras ideológicas do assessor da CNBB para a Campanha da Fraternidade 2014

Como é duro ter que ler asneira, ainda mais vinda de um padre. Naquela coluna do folheto O Domingo sobre a Campanha da Fraternidade, o padre Luiz Carlos Dias que é assessor da CNBB, escreveu neste domingo que a economia de mercado deixa à margem da sociedade a maioria das pessoas e que esta maioria não tem acesso aos bens de consumo, nem mesmo ao mínimo necessário para uma vida diga. 

O reverendo padre deveria saber que são nos países de economia de mercado que encontramos as menores desigualdades sociais. Que são nas economias de mercado que os índices de IDH são maiores, portanto, a maioria da população destes países tem acesso as bens de consumo e muito mais ao necessário para uma vida digna. O reverendo padre deveria saber que é justamente o contrário que acontece: nos países de economia planificada ou onde a economia de mercado é restringida ou sufocada é que a maioria das pessoas não têm acesso a bens de consumo, ou melhor, a bem nenhum. 

Que país o reverendo padre gostaria de citar: Cuba, onde a maioria não tem um sabonete para tomar banho ou Venezuela, onde não tem papel higiênico para limpar a bunda? O reverendo padre deveria deixar-se guiar mais pela Doutrina Social da Igreja, cujo compêndio defende explicitamente a economia de mercado, do que pelas suas preferências ideológicas.



29 de dez. de 2013

Motivos para ser contra a construção da barragem no Rio Piracicaba

Eu sou contra a construção da barragem no Rio Piracicaba que vai permitir a navegação até Ártemis. Por dois motivos: é desnecessária e vai acabar com o Tanquã. Faz vinte anos que o projeto existe e lutava-se para conseguir as licenças ambientais e os recursos financeiros para a obra. Há vinte anos diziam que a Hidrovia Tietê-Paraná tinha como principal meta integrar o Mercosul. O Mercosul está morto, só falta alguém ter a coragem de enterrá-lo. Por que Piracicaba precisa de um porto fluvial? A cidade não está isolada, ao contrário, localiza-se próxima as mais importantes malhas rodoviárias do estado e do país. O que vai ser escoado pelo porto de Ártemis? Grãos ou minério que são as cargas mais transportadas pelas barcaças na hidrovia em questão? 

O outro ponto é a destruição do Tanquã, chamado de Pantanal paulista, por conta de interesses que não sabemos exatamente quais são nem de quem são. Vale a pena por fim a um ecossistema como esse, berço de aves migratórias e de peixes e casa de diversas espécies de plantas e animais e que está no roteiro turístico do município (o mesmo município que pretende, agora, destruí-lo)? Volto à questão. Se Piracicaba estivesse isolada, como muitas localidades na Amazônia, por exemplo, e se houvesse a estrita necessidade de gerar um impacto ambiental para melhorar seus acessos e movimentar a vida econômica da região, seria compreensível. Mas o caso está longe disso. Não vale a pena acabar com o Tanquã por causa de uma obra que, ao meu ver, só atende à politicagem e às empreiteiras.