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23 de out. de 2016

Cristianismo sem Eucaristia é gnosticismo

Cristianismo sem a Eucaristia, sem a fé na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados como ensina a Igreja Católica, não passa de gnosticismo, ou pior, de mitologia. Explico. A encarnação de Deus em Jesus Cristo foi um escândalo para os judeus. Isso os levou a não reconhecê-lo como o Messias e condená-lo como blasfemador. De fato, não é fácil crer que aquele homem, que aparentemente não se diferenciava em nada dos outros homens e que foi macerado na cruz, fosse o Deus eterno e todo-poderoso. A divindade de Cristo Jesus estava velada por sua humanidade. Só era possível reconhecê-la com os olhos da fé. Poucos foram testemunhas oculares da ressurreição. Mas este desafio da fé continua quando Jesus institui a Eucaristia. 

No final do sermão da Eucaristia na sinagoga de Cafarnaum (João, cap. 6), muitos deixaram de seguir a Jesus porque se escandalizaram com suas palavras. "Como pode este homem nos dar sua carne para comer e seu sangue para beber?". A Eucaristia prolonga o desafio da fé. Sob o véu do sacramento, esconde-se a humanidade e a divindade de Nosso Senhor. Só podem ser tocadas pela fé, como quando Cristo andava sobre a terra. A Eucaristia não é um símbolo. A Santa Ceia não pode ser uma ação simbólica, uma espécie de representação. O tempo dos símbolos passou com a vinda de Jesus. Na Eucaristia está o Cristo presente realmente. Sob as aparências do pão e do vinho está verdadeiramente o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Santa Missa não é uma representação da Última Ceia, mas é a atualização do sacrifício de Cristo.

A Eucaristia prolonga na História o mistério da encarnação de Deus em Jesus Cristo. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. E nós acreditamos. Porém, mesmo sendo uma verdade de fé, não vemos mais o homem Jesus. Não tocamos Sua carne como seus contemporâneos há dois mil anos, lá na Terra Santa, podiam fazer. Não sentimo-nos desafiados a crer na Sua santa humanidade, porque a natureza humana de Jesus hoje está glorificada ao lado do Pai. Mas a fé na Eucaristia, na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados, nos permite tocar Sua carne verdadeiramente. A humanidade e a divindade de Cristo Jesus se escondem sob o véu do sacramento, como sua divindade estava escondida sob o véu da humanidade. O mistério da encarnação do Verbo se faz presente em cada Missa. É por isso que as heresias que negavam a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, como os gnósticos e os catáros, por exemplo, negavam primeiramente a encarnação real de Cristo.

Fiz estes dias, duas postagens sobre a relação entre a encarnação do Verbo e a presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados. Dizia que crer na encarnação do Verbo e não crer na Eucaristia, como é ensinada pela Igreja Católica, era gnosticismo. Pois bem, trago um trecho da carta que Santo Inácio, bispo de Antioquia, escreveu aos esmirnenses, mais ou menos no ano 107 d.C., quando era levado prisioneiro para ser martirizado em Roma. Santo Inácio foi discípulo dos apóstolos e combateu a heresia nascente do docetismo gnóstico. Eis o trecho da carta:

"Abstêm-se eles [os docetistas gnósticos] da Eucaristia e da oração, por­que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou. Os que recusam o dom de Deus, morrem disputando."

Convém lembrar que o apóstolo São João escreveu o seu evangelho, no final do primeiro século, exatamente para combater o docetismo gnóstico que nascia. É por isso que o evangelho joanino é o mais explícito quanto à doutrina da encarnação do Verbo (cap. 1) e da Eucaristia (cap. 6).



3 de mar. de 2014

As asneiras ideológicas do assessor da CNBB para a Campanha da Fraternidade 2014

Como é duro ter que ler asneira, ainda mais vinda de um padre. Naquela coluna do folheto O Domingo sobre a Campanha da Fraternidade, o padre Luiz Carlos Dias que é assessor da CNBB, escreveu neste domingo que a economia de mercado deixa à margem da sociedade a maioria das pessoas e que esta maioria não tem acesso aos bens de consumo, nem mesmo ao mínimo necessário para uma vida diga. 

O reverendo padre deveria saber que são nos países de economia de mercado que encontramos as menores desigualdades sociais. Que são nas economias de mercado que os índices de IDH são maiores, portanto, a maioria da população destes países tem acesso as bens de consumo e muito mais ao necessário para uma vida digna. O reverendo padre deveria saber que é justamente o contrário que acontece: nos países de economia planificada ou onde a economia de mercado é restringida ou sufocada é que a maioria das pessoas não têm acesso a bens de consumo, ou melhor, a bem nenhum. 

Que país o reverendo padre gostaria de citar: Cuba, onde a maioria não tem um sabonete para tomar banho ou Venezuela, onde não tem papel higiênico para limpar a bunda? O reverendo padre deveria deixar-se guiar mais pela Doutrina Social da Igreja, cujo compêndio defende explicitamente a economia de mercado, do que pelas suas preferências ideológicas.



21 de nov. de 2013

A Santa Missa: expectativa e realidade (Parte III)

Como deve ser: a música litúrgica é música sacra. O som do órgão e do canto gregoriano nos remete imediatamente às celebrações litúrgicas. É música de igreja. 

Como é: todos os ritmos e instrumentos aparecem nas igrejas. As Missas viraram shows com presença de bandas, cantores que dão “uma palhinha”, barulheira. Isso quando não parece simplesmente uma roda de viola ou um terreiro de candomblé.  


Como deve ser: os vasos litúrgicas devem ser purificados por um ministro consagrado (diácono ou sacerdote). A  purificação dos vasos que contiveram o corpo e sangue de Cristo nos remete às mulheres que enxugaram o sangue do Senhor durante a Via Dolorosa e de Nossa Senhora recolhendo o sagrado sangue de Cristo derramado no chão após a flagelação.

Como é: os vasos litúrgicos são purificados por qualquer um, por qualquer leigo e sem nenhuma ou pouca piedade, que parece mais que se está lavando a louça após um refeição. As alfaias sagradas não são guardanapos. 


Como deve ser: o Sanctus é um hino composto pela junção do hino que os serafins dirigem a Deus e àquele que a multidão em Jerusalém dirige a Jesus. É um hino de louvor a Deus. 

Como é: é trocado por músicas infantilizadas acompanhadas por palmas, onde suas palavras são modificadas ao bel-prazer ou se canta alguma outra música baseada no Sanctus. 


Como deve ser: Os fiéis vão à Santa Missa com decoro e piedade na forma de se vestir, pois sabem que estarão diante da majestade de Deus. Colocam a melhor roupa, a “roupa de missa”. Antigamente, as mulheres usavam piedosamente o véu de missa que, diga-se, não foi abolido.
Como é: vão à Missa com qualquer roupa. Os homens vão de bermuda e camiseta regata. As mulheres chegam a ir com roupas indecorosas. 




31 de out. de 2013

A Santa Missa: expectativa e realidade (Parte II)

Como deve ser: a Procissão de entrada tendo a cruz na frente e seguida pelo sacerdote é a via-sacra, o percurso de Jesus até o Calvário.

Como é: é um desfile onde se aceita tudo: leigos inúteis, apresentações artísticas parecendo a Marques de Sapucaí, cartazes com palavras de ordem. 


Como deve ser: o presbitério, em posição elevada, é o monte do Calvário, onde ocorrerá o sacrifício de Cristo. Nele sobe o sacerdote, que agindo em Persona Christi, oferece o sacrifício de forma incruenta. Com ele, sobe apenas seus auxiliares (acólitos, diácono) que são como Simão Cirineu, aquele que auxiliou Jesus a carregar a cruz.

Como é: no presbitério sobe as mulheres, os soldados romanos e boa parte da população de Jerusalém... O presbitério vive apinhado de gente. 


Como deve ser: a Santa Missa inicia-se com o sacerdote invocando, com simplicidade e decoro, a Santíssima Trindade. 

Como é: é invocada pelo povo todo em meio a uma música infantilizada e a Santa Missa começa com um aplauso, como se fosse um espetáculo teatral. 


Como deve ser: O ato penitencial é um momento de introspecção onde pedimos perdão a Deus pelos pecados que cometemos para que, purificados, possamos oferecer o sacrifício: do Corpo e Sangue de Cristo, oferecido pelo padre; e de louvor, oferecido pelos fiéis. Os pecados veniais são perdoados na Santa Missa. O “Confesso a Deus” e as invocações contidas no Missal pedindo que o Senhor tenha piedade de nós pode ser recitados ou cantados, preferencialmente em estilo gregoriano e mantendo as súplicas em língua grega. Não cantamos por agradecimento por já estamos perdoados ou louvamos a misericórdia de Deus. Mas, arrependidos, pedimos realmente perdão e somos perdoados. 
 
Como é: são substituídas por qualquer música que fale da misericórdia e do perdão de Deus, músicas açucaradas e alegrinhas de quem não percebe que estamos pedindo perdão das ofensas a Deus.


12 de out. de 2013

A Santa Missa: expectativa e realidade (Parte I)

Como deve ser: o altar representa o Cristo, a cruz onde Cristo se sacrificou e a pedra tumular onde repousou seu corpo sem vida e de onde levantou, ressuscitado. 

Como é: é uma mesa que se assemelha a uma mesa de cozinha, somente um lugar de refeição. 


Como deve ser: o sacerdote age na pessoa de Cristo. É o próprio Senhor que age através dele para atualizar Seu sacrifício. 

Como é: o padre é o animador de auditório, o cantor, o agitador de massas, o contador de histórias, o presidente da celebração. 


Como deve ser: as diversas peças do paramento compõem a armadura do cristão descrita pelo apóstolo Paulo. Serve para despersonalizar o homem que o veste para que resplandeça o sacerdote, ministro do Único Sacerdote. A referência da Missa não é o padre. Os fiéis e o padre celebravam direcionados para o mesmo lugar, tendo o Crucifixo por referência. 

Como é: o padre é o centro das atenções, é o artista, é aquele pelo qual vão à Missa. 


Como deve ser: o presbitério, em posição elevada, é o monte do Calvário, onde ocorrerá o sacrifício de Cristo. Nele sobe o sacerdote, que agindo in persona Christi, oferece o Cristo de forma incruenta. Com ele, sobe apenas seus auxiliares (acólitos, diácono) que são tais como Simão Cirineu, aquele que auxiliou Jesus a carregar a cruz. 

Como é: no presbitério sobe as mulheres, os soldados romanos e boa parte da população de Jerusalém... O presbitério vive apinhado de gente. 


Como deve ser: a toalha do altar deve ser branca e representa o lençol que envolveu o corpo de Jesus e os panos usados no seu sepultamento. 

Como é: é uma toalha de mesa. Em muitos lugares varia de forma e de cor nada diferente de toalhas de restaurante ou pizzaria. 




23 de ago. de 2013

JMJ Rio 2013: lições para toda a vida

Na celebração da Acolhida do Papa em Copacabana, Francisco citou em sua homilia a passagem da transfiguração de Jesus. Realmente, foi bastante oportuna a escolha deste relato evangélico. Creio que era exatamente como no Tabor que a grande maioria dos peregrinos se sentia na JMJ.

Portanto, é a partir da reflexão deste trecho dos evangelhos que começo a descrever minhas impressões sobre a Jornada Mundial da Juventude ocorrida no Rio de Janeiro neste ano de 2013. A minha primeira forte experiência foi a notória catolicidade da Igreja. Estavam reunidos no Rio, católicos de 178 países diferentes, praticamente de todo o planeta. A variedade de nações era visível através das bandeiras, algumas, para mim, desconhecidas. É uma alegria ver que o evangelho de Cristo se estende, com menor ou maior intensidade, por toda a terra. O mandato de Cristo, aliás, o lema desta JMJ, “Ide e fazei discípulos meus entre todas as nações” era perceptível pela diversidade de rostos, de cores de pele e de línguas. 

Outra impressão foi a unicidade e unidade da Igreja. Como já foi dito, tínhamos no Rio peregrinos de todos os cantos do mundo. Todos recebemos um só batismo e professamos uma só fé. Todos formamos uma grande família, filhos de um mesmo Pai e todos possuímos um só Senhor, Jesus Cristo. Apesar das diferenças, todos fazemos parte do Corpo Místico de Cristo, a Igreja. E esta unicidade e unidade ficam evidentes com a presença da Cabeça visível da Igreja, o Papa. É o Papa o sinal visível da unidade católica. 

Foi uma semana em que pude tocar a Providência Divina. Não apenas aquela Providência distante que conduz toda a História, mas o cuidado que Deus tem com cada um de nós em particular. Apesar de ter ido sozinho para o Rio, sem conhecer exatamente a cidade, Deus sempre colocou as pessoas certas no lugar certo que puderam me ajudar. Foi assim, por exemplo, no trem ao encontrar-me com Bruno, um morador de Santa Cruz (bairro onde eu estava alojado). Sem saber ao certo como ir da estação de trem até a casa aonde eu estava alojado, Bruno se dispôs a me ajudar, pois a Kombi que ele pegava todo dia para voltar para a casa passava exatamente na rua que eu estava alojado. Aliás, os cariocas são bastante solícitos. A todos que pedi informação – pessoas na rua, cobradores de ônibus, guardas e policiais – foram atenciosos e educados. Houve até um caso em que eu estava consultando o mapa e um senhor ofereceu ajuda sem que eu pedisse. Foram pequenos gestos de solidariedade que eu não esquecerei e que me serviu de lição para o trato com o próximo. 

Foram dias em que senti a solidariedade cristã, principalmente dos mais pobres. Como costuma ser, os pobres são mais generosos. Foram eles, na maioria dos casos, que abriram as casas para alojar os peregrinos. E aqui, aproveito para agradecer a dona Fátima e sua família que me acolheram em sua casa. Não foram dias de conforto. Em muitos alojamentos faltou água quente. Dormir no chão, apenas com o saco de dormir e, na Vigília, a céu aberto numa noite fria, serviu para percebermos que há aqueles que não podem escolher dormir de outra forma, ou ainda, dormem todos os dias em situação ainda pior, sem um saco de dormir para manter a temperatura, sem um teto, sem segurança. Há aqueles que não podem tomar um banho, nem mesmo frio. Esta experiência não pode ser considerada apenas uma aventura e sim, após sentirmos na pele estas pequenas privações, levar-nos a refletir que há irmãos e irmãs nossos que não podem optar nem como nem onde dormem e passam dias sem tomar um banho digno ou fazer qualquer tipo de higiene. 

Foram dias de paz. Eram milhões de pessoas e em nenhum momento foi presenciado uma só agressão física ou verbal. Nenhum tumulto, mesmo quando o transporte público testava a virtude da paciência. Nenhum ato de vandalismo – destruição de lixeiras, de telefones públicos, carros amassados ou com a lataria riscada, etc – que os moradores de Copacabana dizem ser comum em eventos ocorridos no bairro. Havia respeito mútuo (um morador de Copacabana observou, do alto de seu apartamento, que não presenciou ninguém furando fila nos banheiros químicos ou nos restaurantes). Até mesmo a quantidade de lixo recolhido nas ruas foi menor do que em outros eventos. Interessante notar que os números da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro demonstram que o crime mais registrado foi o de furto, ainda assim menor que em outros eventos, mas nada de agressões, nada de bebedeiras, nada de drogas. Nenhum peregrino ferido. A violência ficou a cargo daqueles e daquelas manifestantes que consideram a religião um mal a ser extirpado. Nada disso deve soar estranho ou um fato em que devamos nos vangloriar. Foram pequenos testemunhos dados por nós, católicos, como servos inúteis que somos. Não fizemos nada além do que deveríamos ter feito. Porém, que toda esta experiência de convivência fraterna nos sirva de aprendizado. Uma jornalista, de uma mídia laica, citando alguns destes dados e presenciando a convivência pacífica de tantas pessoas, arrematou: “Não podia ser sempre assim?”

Foram dias maravilhosos e inesquecíveis. Dias de encontro com Deus em todas as ocasiões (porque Deus se revela a todo o momento. Basta estarmos atentos). Para mim, foi uma verdadeira peregrinação, um retiro espiritual. Pela manhã, a catequese, seguida pela Santa Missa celebrada pelo bispo catequista; depois, as visitas às igrejas; o sacramento da penitência recebido na Quinta da Boa Vista; os momentos de adoração ao Santíssimo; o lucro das indulgências. Uma semana retirado do mundo (apesar de, paradoxalmente, ter andado tanto pelas ruas movimentadas do Rio de Janeiro e em meio de milhares de pessoas), sem TV, sem internet, sem jornais, sem as distrações do mundo, despreocupado com as necessidades materiais, quase alienado, eu diria. Senhor, é bom estarmos aqui... 

Aqui retomo o relato da transfiguração. Os evangelhos nos contam que Jesus levou três de seus apóstolos – Pedro, Tiago e João – para o alto do monte Tabor e lá, diante deles, se transfigurou, revelando-lhes toda a sua glória. Pedro, tomando a palavra, afirmou que era bom estarem ali e queria preparar tendas para lá permanecerem. Após ouvirem a voz do Pai que declarava que Jesus era seu Filho eleito e ordenava que lhe escutassem, tudo voltou à normalidade. Enquanto tudo isso acontecia no alto do monte, na planície os outros apóstolos tentavam, em vão, libertar um menino de possessão demoníaca. Quando Jesus e os três apóstolos retornaram, o pai do menino explicou-lhes o que estava acontecendo. Após repreender a falta de fé de seus discípulos, Jesus expulsou o demônio. Poucas vezes se faz a ligação entre a transfiguração e a luta contra o demônio ocorridas ao mesmo tempo. Recordo-me que há uma obra de Rafael Sanzio que faz a conexão entre as sequências do evangelho que comumente aparecem separadas na liturgia. No quadro aparece Jesus transfigurado no monte enquanto lá embaixo os apóstolos tentam libertar o menino possesso. 

Pois é, a JMJ terminou e foi preciso voltar para a “planície”. Mas voltamos com a fé renovada como daqueles apóstolos que testemunharam antecipadamente a glória do Senhor. Se no Tabor os apóstolos tiveram um prelúdio da ressurreição, hoje sabemos que Ele está vivo e estará conosco até o fim dos tempos. Fortalecidos e confirmados na fé pelo Sucessor de Pedro, amparados por nossos irmãos e irmãs, tanto da Igreja militante, quanto – e, sobretudo – da Igreja triunfante e sob a proteção da Virgem Santíssima enfrentemos com toda a coragem a “planície”, onde ocorrem as batalhas cotidianas contra as forças do Mal, com a certeza que elas não podem nos submergir, pois Cristo está conosco, fazemos parte de Sua Igreja e o poder do mal não pode prevalecer sobre ela. Ouvimos a ordem do Senhor: “Ide e fazei discípulos meus entre todas as nações”. Não podemos ficar parados, olhando para cima, como os apóstolos na ocasião da Ascensão do Senhor. Temos que obedecer. Temos que ir, anunciando a todos a Boa Nova de Jesus Cristo, alargando as fronteiras do Reino de Deus que aonde chega expulsa todo mal. 




12 de ago. de 2012

Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu


A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 6, 41-51

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.” (Jo 6, 51)

Diante do discurso de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, o povo começa a criticá-Lo, por não compreender a profundidade do ensinamento sobre a Eucaristia. Para crer no grande mistério do Santíssimo Sacramento é preciso crer na encarnação do Verbo. Deus fez-se homem em Jesus Cristo, no seio da Virgem Maria. Os judeus não conseguiram acreditar no Deus encarnado. A toda menção de Sua origem divina, os judeus argumentam afirmando que conhecem Seus pais e parentes. E fica difícil entender como alguém se considera cristão, crê na encarnação, mas não crê na Eucaristia. Em Seus ensinamentos, Jesus deixa claro que este Pão que Ele nos dá é Seu corpo entregue em sacrifício. Portanto, a Santa Missa não é somente um banquete ou ceia, mas é o sacrifício de Cristo no calvário que se faz presente pelo Espírito Santo e pelas palavras do sacerdote. Participemos da Missa com profundo respeito e reverência. Que recebamos o Corpo e o Sangue do Senhor com adoração.

4 de ago. de 2012

Eu sou o Pão da Vida


A Boa Notícia de Jesus Cristo:

João 6, 24-35

“Jesus replicou: ‘Eu sou o Pão da Vida: aquele que vem a mim não terá fome e aquele que crê em mim jamais terá sede.’” (Jo. 6, 35)

Após o milagre da multiplicação dos pães, Jesus volta para Cafarnaum. A multidão que tinha sido alimentada o persegue até lá, o que Jesus repreende acusando-os de segui-lo não por causa do maravilhoso milagre que tinham presenciado, mas porque tinham se saciado. O povo pensava que Jesus, novo Moisés, os alimentaria como seus antepassados tinham sido alimentados no deserto com o maná. Pesar daquele milagre que ocorreu no dia anterior, preferia Moisés que havia intercedido junto á Deus e Este enviou pão do céu, o maná, durante quarenta anos.

O povo acreditava que Jesus instauraria uma vida ociosa, dando-lhe alimentação. Mas Jesus falava-lhes de outro pão. Falhava-lhes de Si próprio, o verdadeiro Pão que o Pai dava ao Seu povo. Ele é o alimento imperecível que dá a vida eterna. O maná alimentava o corpo. Jesus alimenta a alma, dá vida à alma purificando-a do pecado e livrando-a da morte. É através da fé que nos alimentamos deste pão. “O justo viverá da fé”, diz o profeta. Jesus é o alimento que nos sacia plenamente.

Mais tarde, Jesus falará que o pão é Sua carne e Seu sangue é verdadeira bebida: É a Eucaristia, remédio de imortalidade. Diante de um mundo onde as pessoas estão famintas e sedentas de um sentido para a vida e se alimentando tão mal em doutrinas, ideologias e comportamentos que oferecem respostas insatisfatórias e prazeres momentâneos, Jesus nos oferece um verdadeiro banquete, o banquete eucarístico que nos completa, nos preenche com Sua Divina presença e nos une a Deus. 

7 de jun. de 2012

Corpus Christi, a festa do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo


                                          


A Eucaristia é o maior dom que Jesus poderia ter nos deixado. Durante a Última Ceia, antes de Sua Paixão e morte na cruz, o Senhor deixa como herança à Sua Igreja Seu Corpo e Sangue como alimentos. O antigo sacrifício pascal é substituído. Assim como na noite de Páscoa, os judeus sacrificavam o cordeiro pascal e comiam sua carne, Cristo, o Cordeiro de Deus, dá Sua carne para ser verdadeiramente comida. O Cordeiro que sacrifica-se na cruz é comido na mesa eucarística. O pão e o vinho não são símbolos do corpo e sangue de Jesus Cristo, mas tornam-se verdadeiramente Sua Carne e Seu Sangue após as palavras que o sacerdote pronuncia durante a consagração na Santa Missa. As palavras do sacerdote são as palavras de Jesus Cristo na Santa Ceia, ou melhor, é o próprio Cristo, único Sacerdote, que age através de seus ministros para nos oferecer este admirável e misterioso dom.

Muitas vezes nós comungamos como um ato mecânico ou só porque estamos na Santa Missa. Não nos atentamos para o magnífico ato que estamos cometendo. Absolutamente nada como comungar do Corpo de Cristo nos aproxima tanto da realidade celeste; na hóstia consagrada não está apenas a carne e o sangue do Senhor Jesus, mas também sua alma e sua divindade. E como as Pessoas da Santíssima Trindade são inseparáveis, o Pai e o Espírito Santo também estão presentes; e como os santos da Igreja militante, padecente e triunfante fazem parte do Corpo Místico de Cristo, eles também fazem-se presentes. É a antecipação do céu, a presença diante de Deus que viveremos por toda a eternidade. Comungar e unir-se a Deus de tal forma que tornamo-nos um com Ele. Não se entende um cristão que rejeite a Santíssima Eucaristia; não se entende alguém que ame sinceramente a Jesus Cristo e renegue a Santa Missa. Nada é comparável à Santa Missa. Qualquer momento de oração, qualquer culto, por mais piedoso que seja, é infinitamente inferior à Santa Missa. Que venham todos os cristão sentarem-se à mesa do banquete nupcial do Cordeiro que durará pelo século dos séculos. 



31 de jul. de 2011

A primeira multiplicação dos pães

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Mateus 14, 13-21

“Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos.” (Mt. 14, 20)

O trecho do Evangelho de hoje contrasta com a passagem anterior que narra o banquete natalício de Herodes, onde os prazeres do mundo são desfrutados, e este banquete é o tribunal onde João Batista é condenado. Mas o banquete servido por Jesus não atende aos prazeres oferecidos pelo mundo. Foi assim que o Senhor afastou o tentador quando este lhe desafiou a transformar pedras em pão: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”; e esta “Palavra se fez carne” e é o “pão descido dos céus”.

A essência deste milagre não está na partilha do alimento com quem tem fome, mas na doação de Si próprio que Cristo realiza na cruz e que se perpetua na Eucaristia. É nela que Cristo se multiplica sobre os altares do mundo todo, transubstanciando o pão em Sua carne e alimentando Seu povo, durante nossa peregrinação terrestre, através de Seus sacerdotes que são os sucessores dos apóstolos, os quais receberam o mandato de “dar eles mesmos de comer” aos discípulos de Jesus.

É após participarmos da Eucaristia, sacramento da caridade, onde comungamos o corpo de Cristo, do qual nós somos membros, que devemos ir ao encontro dos necessitados, nos doando uns aos outros, a exemplo de Cristo. É alimentados com o Pão da Vida que nos abre o coração para acabar com a fome – e não só de alimento – que assola o mundo. Que sejamos assíduos no Banquete do Cordeiro, na Santa Missa, onde o Cristo nos alimenta.