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23 de out. de 2016

Cristianismo sem Eucaristia é gnosticismo

Cristianismo sem a Eucaristia, sem a fé na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados como ensina a Igreja Católica, não passa de gnosticismo, ou pior, de mitologia. Explico. A encarnação de Deus em Jesus Cristo foi um escândalo para os judeus. Isso os levou a não reconhecê-lo como o Messias e condená-lo como blasfemador. De fato, não é fácil crer que aquele homem, que aparentemente não se diferenciava em nada dos outros homens e que foi macerado na cruz, fosse o Deus eterno e todo-poderoso. A divindade de Cristo Jesus estava velada por sua humanidade. Só era possível reconhecê-la com os olhos da fé. Poucos foram testemunhas oculares da ressurreição. Mas este desafio da fé continua quando Jesus institui a Eucaristia. 

No final do sermão da Eucaristia na sinagoga de Cafarnaum (João, cap. 6), muitos deixaram de seguir a Jesus porque se escandalizaram com suas palavras. "Como pode este homem nos dar sua carne para comer e seu sangue para beber?". A Eucaristia prolonga o desafio da fé. Sob o véu do sacramento, esconde-se a humanidade e a divindade de Nosso Senhor. Só podem ser tocadas pela fé, como quando Cristo andava sobre a terra. A Eucaristia não é um símbolo. A Santa Ceia não pode ser uma ação simbólica, uma espécie de representação. O tempo dos símbolos passou com a vinda de Jesus. Na Eucaristia está o Cristo presente realmente. Sob as aparências do pão e do vinho está verdadeiramente o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Santa Missa não é uma representação da Última Ceia, mas é a atualização do sacrifício de Cristo.

A Eucaristia prolonga na História o mistério da encarnação de Deus em Jesus Cristo. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. E nós acreditamos. Porém, mesmo sendo uma verdade de fé, não vemos mais o homem Jesus. Não tocamos Sua carne como seus contemporâneos há dois mil anos, lá na Terra Santa, podiam fazer. Não sentimo-nos desafiados a crer na Sua santa humanidade, porque a natureza humana de Jesus hoje está glorificada ao lado do Pai. Mas a fé na Eucaristia, na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados, nos permite tocar Sua carne verdadeiramente. A humanidade e a divindade de Cristo Jesus se escondem sob o véu do sacramento, como sua divindade estava escondida sob o véu da humanidade. O mistério da encarnação do Verbo se faz presente em cada Missa. É por isso que as heresias que negavam a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, como os gnósticos e os catáros, por exemplo, negavam primeiramente a encarnação real de Cristo.

Fiz estes dias, duas postagens sobre a relação entre a encarnação do Verbo e a presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados. Dizia que crer na encarnação do Verbo e não crer na Eucaristia, como é ensinada pela Igreja Católica, era gnosticismo. Pois bem, trago um trecho da carta que Santo Inácio, bispo de Antioquia, escreveu aos esmirnenses, mais ou menos no ano 107 d.C., quando era levado prisioneiro para ser martirizado em Roma. Santo Inácio foi discípulo dos apóstolos e combateu a heresia nascente do docetismo gnóstico. Eis o trecho da carta:

"Abstêm-se eles [os docetistas gnósticos] da Eucaristia e da oração, por­que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou. Os que recusam o dom de Deus, morrem disputando."

Convém lembrar que o apóstolo São João escreveu o seu evangelho, no final do primeiro século, exatamente para combater o docetismo gnóstico que nascia. É por isso que o evangelho joanino é o mais explícito quanto à doutrina da encarnação do Verbo (cap. 1) e da Eucaristia (cap. 6).



28 de out. de 2015

O exercício da misericórdia é a missão da Igreja

A Igreja é como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todas as qualidades. No julgamento, os bons serão guardados e os maus, lançados fora. A Igreja é como a festa de núpcias onde todos são convidados, mas aquele que não traz o traje nupcial será posto para fora pelo Senhor. A tentação de formar uma Igreja de puros sempre existiu, desde os priscilianos e os donatistas passando pelos cátaros e jansenistas, e toda tentativa neste sentido, como se pode observar, terminou numa heresia. 

Nossa mãe, a Igreja, é santa, mas traz em seu seio, enquanto milita na terra, nós, seus filhos, sempre necessitados de conversão e de purificação porque somos pecadores. Ela nos oferece nos sacramentos os meios dispensados por Cristo para nossa santificação. Só os "puros" podem escandalizar -se com a presença de pecadores na Igreja. Os discípulos dAquele que comia e bebia com os pecadores não deveriam se assustar. É junto à Igreja, o Cristo estendido na História, que nós, pecadores, encontramos e seguimos o caminho da salvação, segurando firme naquela mão misericordiosa que Deus nos oferece, que é o próprio Senhor Jesus. Quanto mais avançamos no caminho da perfeição, quanto mais nos aproximamos da luz de Cristo, melhor vemos nossos defeitos, melhor vislumbramos as manchas do pecado nos recônditos da alma, mais nos sentimos indignos e necessitados da graça e mais podemos nos compadecer daqueles irmãos mais afastados de Deus. É reconhecendo as nossas misérias que podemos usar a misericórdia para medir o próximo, tão necessitado de Deus salvador quanto nós. Do contrário, acabamos tomando a atitude do fariseu diante do publicano ou a do filho mais velho, irmão do pródigo. 

A Igreja, sempre santa e imaculada, não teme tocar os impuros, como Nosso Senhor não temeu tocar o leproso. Este toque purifica. Este toque consiste no apelo à conversão, no anúncio do Evangelho, no despertar das consciências relativistas amortecidas pela amoralidade, no iluminar a vida para que, tocados pela graça, reconheçamos nossos pecados e os deixemos na pia batismal ou no confessionário. A misericórdia e o amor não permitem falsear ou mitigar o mal. Se Jesus, o médico dos médicos, veio para os doentes e não para os sãos, é preciso mostrar, como Ele mostrou sempre com caridade, a gravidade da doença e os tratamentos adequados, ainda que sejam extremamente dolorosos. Não é verdadeiramente misericordioso quem ataca os sintomas usando um bálsamo para aliviar a dor - para usar uma expressão de Santa Catarina de Sena - e não vai a fundo no mal para extirpá-lo. Quem age assim não leva a salvação, ao contrário, condena o pecador faltando-lhe com a verdade. 

Portanto, a missão da Igreja é sair ao encontro de todos e receber de portas abertas a todos, anunciando a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, sem isolar-se deste mundo corrompido, mas sendo fermento na massa, luz do mundo e sal da terra.



13 de mai. de 2014

A herança de Jesus: Eucaristia e Nossa Senhora


















Os últimos atos e as últimas palavras de Jesus, antes de sua morte, constituem uma espécie de testamento. Os "bens" mais preciosos que Jesus nos deixou foram: a Eucaristia, o dom de Seu corpo e de Seu sangue dado como alimento na Última Ceia; e, no alto da cruz, naquele esforço enorme que o crucificado tinha que fazer para falar, nos entrega, na pessoa do discípulo amado, Sua Mãe Santíssima, para que nos acompanhe em nossa caminhada cristã. Portanto, a Eucaristia e Nossa Senhora são os dons mais preciosos que Jesus nos deixou. O cristão que rejeita esta "herança" deixada por Jesus continua cristão, mas certamente é um cristão mais pobre.



15 de abr. de 2014

A Igreja católica jamais facilitou a doutrina às custas da verdade

Um dos aspectos que me levam a crer que a doutrina católica seja verdadeira é o fato de a Igreja nunca ter tomado o caminho mais fácil. O caminho mais fácil sempre foi tomado pelas heresias, jamais pela ortodoxia. 

Alguns exemplos: a Santíssima Trindade é um dos mais difíceis de compreender. Deus é único, mas Nele há três pessoas distintas, unidas e com a mesma substância divina. Os três são Deus, mas Deus não tem seu poder diminuído sem uma delas e não é mais poderoso com as três. Já as heresias são simplificadoras: seria mais simples crer que há um único e uno Deus; ou que o Filho e o Espírito Santo são subordinados ao Pai ou inferiores ao Pai ou uma emanação do mesmo e único Deus. 

Jesus Cristo. Crer que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo eterno, se fez homem no ventre da Virgem Maria pela ação do Espírito Santo sem concurso de homem. Crer que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, consubstancial ao Pai certamente é o caminho mais difícil. Seria mais fácil e cômodo crer que Jesus foi concebido naturalmente como todos os homens. Que era uma criatura, a mais perfeita das criaturas, mas apenas uma criatura. Ou crer que é uma espécie de semideus como aqueles dos mitos antigos; ou que sendo Deus é inferior ao Pai ou de uma substância distinta ao do Pai. 

A eucaristia. A Igreja sempre acreditou que a eucaristia não é um simbolismo, nem a representação da última ceia, mas que o que ocorre na Missa é a atualização do sacrifício único de Jesus acontecido no Calvário. Acredita que o pão e o vinho se transubstanciam no Corpo e no Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo e que sob a aparência do pão e do vinho, está verdadeiramente o Cristo, com sua alma e divindade. Seria mais simples crer que é somente um símbolo, um memorial piedoso ou que o Cristo se faz presente espiritualmente, mas não materialmente.

A ressurreição de Cristo. Poderíamos crer que a ressurreição não foi um fato material e histórico; que houve uma construção histórico-teológica dos discípulos de Cristo e que a ressurreição significa a presença de Cristo em seus seguidores e nos valores do Reino de Deus, o que O manteria "vivo", ou seja, a ressurreição seria uma espécie de idealismo cristão. Mas não. Contra todos os céticos de todas as épocas, a Igreja afirma que Jesus ressuscitou verdadeiramente, levantando do túmulo com o mesmo corpo que foi pregado na cruz, mas transformado gloriosamente e que está vivo em corpo e alma nos Céus e em espírito no meio de nós.

É simples entender porque a Igreja trilhou o caminho mais difícil na consolidação da doutrina: a verdade não pode ser negada somente porque não é plenamente entendida ou porque não compreendemos os mistérios de Deus graças as nossas limitações humanas.

31 de out. de 2013

A Santa Missa: expectativa e realidade (Parte II)

Como deve ser: a Procissão de entrada tendo a cruz na frente e seguida pelo sacerdote é a via-sacra, o percurso de Jesus até o Calvário.

Como é: é um desfile onde se aceita tudo: leigos inúteis, apresentações artísticas parecendo a Marques de Sapucaí, cartazes com palavras de ordem. 


Como deve ser: o presbitério, em posição elevada, é o monte do Calvário, onde ocorrerá o sacrifício de Cristo. Nele sobe o sacerdote, que agindo em Persona Christi, oferece o sacrifício de forma incruenta. Com ele, sobe apenas seus auxiliares (acólitos, diácono) que são como Simão Cirineu, aquele que auxiliou Jesus a carregar a cruz.

Como é: no presbitério sobe as mulheres, os soldados romanos e boa parte da população de Jerusalém... O presbitério vive apinhado de gente. 


Como deve ser: a Santa Missa inicia-se com o sacerdote invocando, com simplicidade e decoro, a Santíssima Trindade. 

Como é: é invocada pelo povo todo em meio a uma música infantilizada e a Santa Missa começa com um aplauso, como se fosse um espetáculo teatral. 


Como deve ser: O ato penitencial é um momento de introspecção onde pedimos perdão a Deus pelos pecados que cometemos para que, purificados, possamos oferecer o sacrifício: do Corpo e Sangue de Cristo, oferecido pelo padre; e de louvor, oferecido pelos fiéis. Os pecados veniais são perdoados na Santa Missa. O “Confesso a Deus” e as invocações contidas no Missal pedindo que o Senhor tenha piedade de nós pode ser recitados ou cantados, preferencialmente em estilo gregoriano e mantendo as súplicas em língua grega. Não cantamos por agradecimento por já estamos perdoados ou louvamos a misericórdia de Deus. Mas, arrependidos, pedimos realmente perdão e somos perdoados. 
 
Como é: são substituídas por qualquer música que fale da misericórdia e do perdão de Deus, músicas açucaradas e alegrinhas de quem não percebe que estamos pedindo perdão das ofensas a Deus.


12 de ago. de 2012

Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu


A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 6, 41-51

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.” (Jo 6, 51)

Diante do discurso de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, o povo começa a criticá-Lo, por não compreender a profundidade do ensinamento sobre a Eucaristia. Para crer no grande mistério do Santíssimo Sacramento é preciso crer na encarnação do Verbo. Deus fez-se homem em Jesus Cristo, no seio da Virgem Maria. Os judeus não conseguiram acreditar no Deus encarnado. A toda menção de Sua origem divina, os judeus argumentam afirmando que conhecem Seus pais e parentes. E fica difícil entender como alguém se considera cristão, crê na encarnação, mas não crê na Eucaristia. Em Seus ensinamentos, Jesus deixa claro que este Pão que Ele nos dá é Seu corpo entregue em sacrifício. Portanto, a Santa Missa não é somente um banquete ou ceia, mas é o sacrifício de Cristo no calvário que se faz presente pelo Espírito Santo e pelas palavras do sacerdote. Participemos da Missa com profundo respeito e reverência. Que recebamos o Corpo e o Sangue do Senhor com adoração.

4 de ago. de 2012

Eu sou o Pão da Vida


A Boa Notícia de Jesus Cristo:

João 6, 24-35

“Jesus replicou: ‘Eu sou o Pão da Vida: aquele que vem a mim não terá fome e aquele que crê em mim jamais terá sede.’” (Jo. 6, 35)

Após o milagre da multiplicação dos pães, Jesus volta para Cafarnaum. A multidão que tinha sido alimentada o persegue até lá, o que Jesus repreende acusando-os de segui-lo não por causa do maravilhoso milagre que tinham presenciado, mas porque tinham se saciado. O povo pensava que Jesus, novo Moisés, os alimentaria como seus antepassados tinham sido alimentados no deserto com o maná. Pesar daquele milagre que ocorreu no dia anterior, preferia Moisés que havia intercedido junto á Deus e Este enviou pão do céu, o maná, durante quarenta anos.

O povo acreditava que Jesus instauraria uma vida ociosa, dando-lhe alimentação. Mas Jesus falava-lhes de outro pão. Falhava-lhes de Si próprio, o verdadeiro Pão que o Pai dava ao Seu povo. Ele é o alimento imperecível que dá a vida eterna. O maná alimentava o corpo. Jesus alimenta a alma, dá vida à alma purificando-a do pecado e livrando-a da morte. É através da fé que nos alimentamos deste pão. “O justo viverá da fé”, diz o profeta. Jesus é o alimento que nos sacia plenamente.

Mais tarde, Jesus falará que o pão é Sua carne e Seu sangue é verdadeira bebida: É a Eucaristia, remédio de imortalidade. Diante de um mundo onde as pessoas estão famintas e sedentas de um sentido para a vida e se alimentando tão mal em doutrinas, ideologias e comportamentos que oferecem respostas insatisfatórias e prazeres momentâneos, Jesus nos oferece um verdadeiro banquete, o banquete eucarístico que nos completa, nos preenche com Sua Divina presença e nos une a Deus. 

7 de jun. de 2012

Corpus Christi, a festa do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo


                                          


A Eucaristia é o maior dom que Jesus poderia ter nos deixado. Durante a Última Ceia, antes de Sua Paixão e morte na cruz, o Senhor deixa como herança à Sua Igreja Seu Corpo e Sangue como alimentos. O antigo sacrifício pascal é substituído. Assim como na noite de Páscoa, os judeus sacrificavam o cordeiro pascal e comiam sua carne, Cristo, o Cordeiro de Deus, dá Sua carne para ser verdadeiramente comida. O Cordeiro que sacrifica-se na cruz é comido na mesa eucarística. O pão e o vinho não são símbolos do corpo e sangue de Jesus Cristo, mas tornam-se verdadeiramente Sua Carne e Seu Sangue após as palavras que o sacerdote pronuncia durante a consagração na Santa Missa. As palavras do sacerdote são as palavras de Jesus Cristo na Santa Ceia, ou melhor, é o próprio Cristo, único Sacerdote, que age através de seus ministros para nos oferecer este admirável e misterioso dom.

Muitas vezes nós comungamos como um ato mecânico ou só porque estamos na Santa Missa. Não nos atentamos para o magnífico ato que estamos cometendo. Absolutamente nada como comungar do Corpo de Cristo nos aproxima tanto da realidade celeste; na hóstia consagrada não está apenas a carne e o sangue do Senhor Jesus, mas também sua alma e sua divindade. E como as Pessoas da Santíssima Trindade são inseparáveis, o Pai e o Espírito Santo também estão presentes; e como os santos da Igreja militante, padecente e triunfante fazem parte do Corpo Místico de Cristo, eles também fazem-se presentes. É a antecipação do céu, a presença diante de Deus que viveremos por toda a eternidade. Comungar e unir-se a Deus de tal forma que tornamo-nos um com Ele. Não se entende um cristão que rejeite a Santíssima Eucaristia; não se entende alguém que ame sinceramente a Jesus Cristo e renegue a Santa Missa. Nada é comparável à Santa Missa. Qualquer momento de oração, qualquer culto, por mais piedoso que seja, é infinitamente inferior à Santa Missa. Que venham todos os cristão sentarem-se à mesa do banquete nupcial do Cordeiro que durará pelo século dos séculos. 



31 de jul. de 2011

A primeira multiplicação dos pães

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Mateus 14, 13-21

“Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos.” (Mt. 14, 20)

O trecho do Evangelho de hoje contrasta com a passagem anterior que narra o banquete natalício de Herodes, onde os prazeres do mundo são desfrutados, e este banquete é o tribunal onde João Batista é condenado. Mas o banquete servido por Jesus não atende aos prazeres oferecidos pelo mundo. Foi assim que o Senhor afastou o tentador quando este lhe desafiou a transformar pedras em pão: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”; e esta “Palavra se fez carne” e é o “pão descido dos céus”.

A essência deste milagre não está na partilha do alimento com quem tem fome, mas na doação de Si próprio que Cristo realiza na cruz e que se perpetua na Eucaristia. É nela que Cristo se multiplica sobre os altares do mundo todo, transubstanciando o pão em Sua carne e alimentando Seu povo, durante nossa peregrinação terrestre, através de Seus sacerdotes que são os sucessores dos apóstolos, os quais receberam o mandato de “dar eles mesmos de comer” aos discípulos de Jesus.

É após participarmos da Eucaristia, sacramento da caridade, onde comungamos o corpo de Cristo, do qual nós somos membros, que devemos ir ao encontro dos necessitados, nos doando uns aos outros, a exemplo de Cristo. É alimentados com o Pão da Vida que nos abre o coração para acabar com a fome – e não só de alimento – que assola o mundo. Que sejamos assíduos no Banquete do Cordeiro, na Santa Missa, onde o Cristo nos alimenta.



8 de mai. de 2011

3º Domingo da Páscoa - Os discípulos de Emaús

A Boa Notícia de Jesus Cristo


Lucas 24, 13-35


Mas eles forçaram-no a parar: “Fica conosco, já é tarde e já declina o dia.” Entrou então com eles. (Lc. 24, 29)


Estes dois discípulos haviam posto suas esperanças no Messias político que iria restaurar o Reino de Israel em sua glória davídica e que, agora, era derrotado na cruz. Esta tristeza e falta de esperança fizeram com que não reconhecessem Cristo, que, mesmo ressuscitado, escondia Sua glória.


Ao chegaram, quiseram que Ele ficasse porque as explicações das Escrituras lhes confortavam. Reconhecem o Cristo quando este parte o pão. E voltam imediatamente, à noite, a Jerusalém. O caminho de Emaús segue o itinerário da Santa Missa. Devemos crer na presença de Cristo que está entre nós, através de Sua palavra e, sobretudo, na Eucaristia, onde, como a caminho de Emaús, Sua glória, apesar de real, está velada.


Não podemos, após este encontro pessoal com o Senhor ressuscitado, continuarmos na mesma vida, no medo e na desesperança, pois Cristo é a luz do mundo e não mais andamos nas trevas. Os discípulos de Emaús voltaram para os apóstolos, para a Igreja. Ao encontrarmos com Jesus Cristo, não fiquemos estáticos, mas imediatamente voltemos para a Igreja. Não podemos ser verdadeiros cristãos se formos “freelancers”, individualistas, achando que o encontro pessoal com o Senhor nos dispensa da Igreja fundada sobre os apóstolos. Sem a Eucaristia, não podemos afirmar que conhecemos o Cristo vivo. Ele não passará de uma lembrança lida nas Escrituras.



10 de abr. de 2011

Quinto Domingo da Quaresma - A ressurreição de Lázaro

A Boa Notícia de Jesus Cristo:


João 11, 1-45


Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.” (Jo. 11, 25)


No Evangelho deste quinto domingo da Quaresma, ouvimos novamente o conhecido relato da ressurreição de Lázaro. Maria, Marta e Lázaro eram os amigos de Jesus que moravam em Betânia. Lázaro ficou doente, mas Jesus afirma que aquela doença não o levaria a morte, porém, seu amigo morreu. O que isto quer dizer? Jesus se enganou? Não. A doença física não leva a morte definitiva, a morte espiritual, ao inferno. Enganam-se quem pensa as doenças são frutos diretos de influências demoníacas e que os doentes necessitam de exorcismos espetaculosos para ficarem sãos.


As doenças são conseqüência de nossa fragilidade natural. Se doenças são obras do diabo, um dia ele acaba vencendo, pois, em algum momento, morremos vítima de alguma enfermidade. A doença que satanás implantou no coração do homem foi o pecado. Esta doença sim pode nos levar à morte espiritual, nos separar do amor de Deus e nos lançar no inferno. Não tenhamos medo das doenças, nem dos males físicos que podem nos ocorrer, ainda que eles nos tragam sofrimentos terríveis. O mal moral – o pecado – é o pior mal que pode existir. Não podemos evitar a morte física, cedo ou tarde ela chega para todos. E mesmo assim tememos morrer e evitamo-la a qualquer custo. Mas não nos esforçamos com tanto vigor para evitar o pecado que pode nos levar à morte eterna, mesmo quando sabemos que viveremos eternamente se formos santos.


A ressurreição de Lázaro é um prelúdio da ressurreição de Jesus Cristo e Seu poder sobre a morte. Lázaro foi ressuscitado em seu corpo físico e voltou a morrer posteriormente. Mas Cristo Jesus ressuscitou em Seu corpo glorioso, imortal. Nós que morremos com Cristo no batismo e que temos o Espírito de Deus, ressuscitaremos com Ele. Aqueles que viverem em Cristo ressurgiram, no Dia do Juízo, com corpos gloriosos como o Dele. Neste dia, Jesus vencerá definitivamente a morte. A exemplo de Marta, creiamos que Jesus é o Messias, o Filho de Deus que salva a humanidade, que em Sua morte e ressurreição, libertou-nos das amarras do pecado e da morte. E não nos esqueçamos do remédio de imortalidade que nosso Senhor nos deixou, a Eucaristia, pois aquele que come sua carne e bebe seu sangue viverá eternamente.

17 de jan. de 2011

Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo

A Boa Notícia de Jesus Cristo:
João 1, 29-34
“No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’.” (Jo 1, 29)
João testemunha que Jesus é o Filho de Deus, o Cristo Salvador da humanidade. Chama-o de cordeiro se referindo ao cordeiro que recebia simbolicamente sobre si os pecados do povo de Israel e era imolado para expiá-los, e, sobretudo, ao cordeiro pascal, anunciando assim, que Jesus carregará todos os nossos pecados e dará Sua vida, por amor, para nos libertar da morte e da escravidão do pecado.
De fato, no dia em que o cordeiro era imolado, na ceia pascal, o Cristo deu Sal vida em remissão da humanidade. Os hebreus no Egito deveriam marcar suas casas com o sangue do cordeiro o que salvaria a vida dos primogênitos. Nós, cristãos, pelo batismo somos marcados com o sangue de Cristo, a marca indelével dos escolhidos de Deus. Se a morte dos primogênitos do Egito, especialmente do Faraó, foi causa de liberdade para o povo hebreu, a morte do Primogênito libertou a todos nós.
Saibamos que o Cordeiro de Deus que foi imolado está de pé, ressuscitado. E este único e definitivo sacrifício pascal se estenderá, por todas as gerações, em cada celebração eucarística. Não é a ciência, a política ou ideologias que redimem a humanidade, mas Jesus Cristo. Não são os problemas financeiros, as doenças e os desastres que causam o sofrimento das pessoas, mas tudo isto é consequencia do pecado. Coloquemos toda a nossa esperança Naquele que pode nos salvar.


16 de ago. de 2009

A História do Santo Cálice, o verdadeiro Santo Graal




Tanto pelos dados arqueológicos como pelo testemunho da Tradição e os documentos que se possuem, é perfeitamente plausível que esta bela taça estava nas mãos do Senhor, quando na véspera de sua paixão, tomou o pão em suas santas e veneráveis mãos, e levantando os olhos para o céu, para Ti, Deus, seu Pai Onipotente, dando-lhe graças o abençoou, partiu-o e deu-o aos seus discípulos dizendo:


“Tomai, todos, e comei: Isto é o meu Corpo, que será entregue por vós”. Do mesmo modo, ao fim da ceia, Ele tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o deu a seus discípulos, dizendo: “Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos, para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim.” (Oração Eucarística I, Canon Romano. Cf. Matheus 26, 26-29; Marcos 14, 22-25; Lucas 22, 15-20 e I Coríntios 11, 23-25)


A primeira impressão


O Santo Cálice de Valência, ao mesmo tempo, desperta sentimentos de admiração e ceticismo. O visitante se sente primeiramente cativado pela beleza do Graal, a sua perfeita forma e estranha os detalhes de ouro, pérolas e pedras preciosas; também o observador tem a mente cheia de lendas, filmes e até mesmo está prevenido pelos romances e literatura pseudo-científicas de temas "graálicos”.


Mas também com ceticismo:


Como pode este cálice de aparência medieval ser a taça da Última Ceia? Por que em Valência? Não será um dos muitos alegados Graais? Porque não é tão famoso como o santo Sudário de Turim ou a túnica de Tréveris? E assim como muitas outras perguntas que nós ouvimos todos os dias na Catedral.



A aparência não nos deve enganar


Na realidade, a relíquia é a parte superior, que é uma taça de ágata finamente polida, mostrando estrias de cores quentes, quando a refrata a luz, é uma preciosa "taça Alexandrina" que os arqueólogos consideram de origem oriental, datada entre os anos 100 e 50 antes de Cristo. Esta é a conclusão do estudo realizado pelo Professor D. Antonio Beltran, publicado em 1960 ("O Santo Cálice da Catedral de Valência"), nunca refutado, e que constitui a base do crescente respeito e conhecimento do Santo Cálice.


Muito mais posteriores são as alças e os pés de ouro, finamente gravado, que fecha a taça ou “naveta" de alabastro, de arte islâmica, diferente da taça; todas, assim como as jóias que adornam a base são medievais. As dimensões são modestas: 17 cm de altura, 9 cm de largura da taça e 14,5 x 9,7 cm da base elíptica.


Veneza e outros lugares conservam cálices de pedras semipreciosas de origem bizantina e na Espanha há exemplares semelhantes dos séculos XI e XII, mas se tratam de alfaias litúrgicas, engastadas em ouro e prata e tendo o interior revestido com metal. Contudo, ao compor o cálice de Valência, os ourives destacaram a taça, sem ornamentos, com grandes asas para transportá-la sem tocar o precioso e delicado vaso de pedra translúcida.




A Tradição dos primeiros séculos


A Tradição nos diz que é a mesma taça usada pelo Senhor na Última Ceia para a instituição da Eucaristia, que logo foi levada à Roma por São Pedro e os Papas a conservaram, até São Sisto II, onde, através do diácono São Lourenço, oriundo da Espanha, foi enviada a sua terra natal de Huesca, no século III, para livrá-la da perseguição do Imperador Valeriano. Recomenda esta permanência do Santo Cálice em Roma, a frase do Cânon Romano mencionada anteriormente: "Tomo este cálice glorioso”, praeclarum hoc calicem; admirável expressão que não encontramos em outras anáforas antigas, e não podemos esquecer que a oração eucarística romana é a versão latina de outra oração em língua grega, pois esta foi a oração própria da Igreja de Roma até o Papa São Damaso, no século V.



A história do Santo Cálice na Espanha


Durante a invasão muçulmana, a partir do ano 713, foi ocultado na região dos Pirineus, passando por Yebra, Siresa, Santa Maria de Sasabe (hoje, San Adrián) Bailio e, finalmente, no mosteiro de San Juan de la Peña ( Huesca), aonde refere-se a ele, um documento do ano 1071 que menciona um precioso cálice de pedra.


A relíquia foi entregue em 1399 ao Rei de Aragão, Martín, o Humano, que o manteve no palácio real da Alfajería de Zaragoza e, em seguida, até a sua morte, no Real de Barcelona, em 1410, mencionando o Santo Cálice no inventário de seus bens (Manuscrito 136, de Martín, o Humano. Arquivos da Coroa de Aragão. Barcelona, que descreve a história do cálice sagrado) Em 1424, o segundo sucessor de Don Martín, o rei Alfonso V, o Magnânimo, levou o relicário real ao Palácio de Valência, e durante a estada do Rei, em Nápoles, foi entregue com as demais relíquias régias para a Catedral de Valência, no ano 1437 (Volume 3532, fol.36 v. Do Arquivo da Catedral).


Inscrição árabe em caracteres cúficos.

Transcreve-se: li-izahirati ou lilzáhira: "para o que reluz"


O Santo Cálice em Valência


Foi conservado e venerado por séculos entre as relíquias da Catedral e até o século XVIII foi utilizado para conter a matéria consagrada no "monumento" da Quinta-feira Santa. Durante a Guerra da Independência entre 1809 e 1813, foi levado por Alicante e Ibiza para Palma de Maiorca, escapando da rapacidade dos invasores napoleônicos. Em 1916, foi finalmente instalado na antiga Sala Capitular, habilitada como Capela do Santo Cálice. Precisamente esta exposição pública permanente da relíquia sagrada que tornou possível a divulgação de seu conhecimento, que foi muito reduzido enquanto permaneceu reservado no relicário da Catedral.


Durante a Guerra Civil (1936-1939) permaneceu oculto no povoado de Carlet. O beato João XXIII concedeu indulgência plenária no dia de sua festa anual, o Papa João Paulo II celebrou a Eucaristia com o Santo Cálice durante sua visita à Valência em 8 de novembro de 1982 e o mesmo aconteceu com Sua Santidade Bento XVI que celebrou a Eucaristia durante o V Encontro Mundial das Famílias, em 8 de julho de 2006.


É autêntico?


Já dissemos que a crítica negativa afirma que desde os tempos de Jesus era uma antiguidade valiosa e há um costume judaico que nos dá um dado positivo importante; Com efeito, cada família judia conserva com carinho a “taça de benção” para as ceias pascal e sabáticas. Os Evangelhos nos dizem que Jesus celebrou o rito pascal numa sala decorada, mobiliada com divãs (Mt.14,15). Seria estranho que a família que O acolheu não pusesse diante do Senhor a preciosa taça familiar para que pronunciasse as bênçãos rituais, a última das quais se tornou na primeira consagração eucarística do vinho no Sangue do Redentor? Temos visto cenas demasiadamente “pobres” da Última Ceia, com os discípulos sentados no chão e Jesus tomando em Suas mãos uma humilde taça de barro... mas não foi assim.


Assim, pois, os apóstolos e os primeiros cristãos puderam identificar a taça da primeira Eucaristia e conservá-lo apesar de sua fragilidade. Como pôde ter sido conservado intacto durante os primeiros e malogrados mil anos senão porque o protegia a memória de um mistério sacratíssimo?


As Lendas do Graal


O tema da busca do Graal, objeto maravilhoso e fonte de vida, é fundamental na literatura franco-germânica, e sua origem está, sobretudo, nas obras de Chretien de Troyes, que deixou inacabada, em 1190, sua obra Perceval ou O Conto do Graal. Aqui não se explica qual é a natureza desta jóia, e foi Wolfram Von Eschenbach quem lhe deu forma de cálice em seu poema “Perceval, o Galês”. Acredita-se que concebeu seu Parsifal em princípios do século XIII, em Wartburg, mítico castelo, berço de poetas e trovadores, e que o finalizou em 1215. Ali, neste castelo, onde estes mestres cantores cantavam o amor e cujas três regras principais, Deus, seu senhor e a mulher amada, constituíam a fonte de suas inspirações, compôs Wolfram sua obra magna. Pois ele foi o príncipe dos trovadores, a máxima figura junto a Walter Von der Volgelweide e Heinrich Tannhäuser.


Recentes investigadores, como Michael Hesemann (“Die Entdeckung dês Heiligen Grals. Das Ende einer Suche”, Ed. Pattloch, 2003), situam a origem das lendas na Espanha e sobre a base do cálice de ágata de San Juan de La Peña e não podemos esquecer que foram a fonte de inspiração para as grandes obras poético-musicais de Richard Wagner: "Tannhäuser", "Parsifal" e "Lohengrin".


Um tema da atualidade


Se a literatura graálica medieval encontrou na busca do sagrado cálice, um símbolo de purificação e de renúncia para chegar à perfeição pessoal e à salvação, vemos nestes últimos anos, a aparição de romances fingidamente históricos e a toda uma literatura esotérica que faz do Graal um objeto obscuro ou uma tradição ocultada através dos séculos que conservaria a autêntica história do Cristianismo ou a verdadeira história de Jesus de Nazaré. Parece que o que não conseguiu a crítica liberal e o materialismo antirreligioso, pretende-se agora lograr com esta pseudo-divulgação para destruir a limpa fé da Igreja em Jesus Cristo, o Senhor. Deste modo, a suspeita e a falsidade buscam ofuscar o que foi e deveria seguir sendo um ícone da cultura cristã.


Por isso, o cálice, com sua autenticidade arqueológica e sua tradição com elementos maravilhosos, nos remete à época de Jesus e nos recorda a instituição da Eucaristia como momentos históricos que transcendem o tempo e chegam até nós como mistério de salvação. Assim, o vivemos quando a sagrada relíquia é trasladada de sua preciosa capela, a antiga sala capitular (século XIV), até o altar-mor na celebração da Santa Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa e na festa solene na última quinta-feira do mês de outubro.


Esta é a mensagem que se deseja proclamar desde a Catedral de Valência, com o apoio de beneméritas associações como a Real Irmandade e a Confraria do Santo Cálice que, junto com o Cabido Metropolitano, mantêm o culto e a difusão da devoção do Santo Cálice, que se expressa em peregrinações de paróquias e entidades religiosas e cívicas, todas as semanas, na celebração da “quinta-feira do Santo Cálice”.


Texto original no site da Catedral de Valência: http://www.catedraldevalencia.es/el-santo-caliz_historia.php



Tradução: Rodrigo Castellani