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28 de out. de 2015

O exercício da misericórdia é a missão da Igreja

A Igreja é como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todas as qualidades. No julgamento, os bons serão guardados e os maus, lançados fora. A Igreja é como a festa de núpcias onde todos são convidados, mas aquele que não traz o traje nupcial será posto para fora pelo Senhor. A tentação de formar uma Igreja de puros sempre existiu, desde os priscilianos e os donatistas passando pelos cátaros e jansenistas, e toda tentativa neste sentido, como se pode observar, terminou numa heresia. 

Nossa mãe, a Igreja, é santa, mas traz em seu seio, enquanto milita na terra, nós, seus filhos, sempre necessitados de conversão e de purificação porque somos pecadores. Ela nos oferece nos sacramentos os meios dispensados por Cristo para nossa santificação. Só os "puros" podem escandalizar -se com a presença de pecadores na Igreja. Os discípulos dAquele que comia e bebia com os pecadores não deveriam se assustar. É junto à Igreja, o Cristo estendido na História, que nós, pecadores, encontramos e seguimos o caminho da salvação, segurando firme naquela mão misericordiosa que Deus nos oferece, que é o próprio Senhor Jesus. Quanto mais avançamos no caminho da perfeição, quanto mais nos aproximamos da luz de Cristo, melhor vemos nossos defeitos, melhor vislumbramos as manchas do pecado nos recônditos da alma, mais nos sentimos indignos e necessitados da graça e mais podemos nos compadecer daqueles irmãos mais afastados de Deus. É reconhecendo as nossas misérias que podemos usar a misericórdia para medir o próximo, tão necessitado de Deus salvador quanto nós. Do contrário, acabamos tomando a atitude do fariseu diante do publicano ou a do filho mais velho, irmão do pródigo. 

A Igreja, sempre santa e imaculada, não teme tocar os impuros, como Nosso Senhor não temeu tocar o leproso. Este toque purifica. Este toque consiste no apelo à conversão, no anúncio do Evangelho, no despertar das consciências relativistas amortecidas pela amoralidade, no iluminar a vida para que, tocados pela graça, reconheçamos nossos pecados e os deixemos na pia batismal ou no confessionário. A misericórdia e o amor não permitem falsear ou mitigar o mal. Se Jesus, o médico dos médicos, veio para os doentes e não para os sãos, é preciso mostrar, como Ele mostrou sempre com caridade, a gravidade da doença e os tratamentos adequados, ainda que sejam extremamente dolorosos. Não é verdadeiramente misericordioso quem ataca os sintomas usando um bálsamo para aliviar a dor - para usar uma expressão de Santa Catarina de Sena - e não vai a fundo no mal para extirpá-lo. Quem age assim não leva a salvação, ao contrário, condena o pecador faltando-lhe com a verdade. 

Portanto, a missão da Igreja é sair ao encontro de todos e receber de portas abertas a todos, anunciando a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, sem isolar-se deste mundo corrompido, mas sendo fermento na massa, luz do mundo e sal da terra.



26 de fev. de 2015

Adoção de crianças por pares homossexuais ou a perversão da família

Sejamos francos. É simplesmente impossível afirmar que a adoção de crianças por pares homossexuais seja um bem ou um mal. O que sabemos com toda certeza é que consiste numa novidade sem precedentes na História humana. Para usar expressão da moda, uma quebra de paradigma. É um experimento sem sabermos as consequências a longo prazo. O que podemos afirmar com a pouca experiência que temos é que existem filhos de homossexuais que os louvam e outros que criam ONG's para que adoções por pares homossexuais jamais aconteçam.

O que sabemos é que a família fundada sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher - esta forma de família que possibilita inclusive que os gays existam - mesmo com seus percalços sempre funcionou. Pais ou mães homossexuais serão afetuosos e darão boa educação aos filhos? Alguns sim. Outros não. Fazer apologética de uniões homossexuais como se fossem mais virtuosas do que as heterossexuais afirmando que adotarão crianças órfãs, abandonadas ou rejeitadas por terríveis e maldosos casais héteros é, pra dizer o mínimo, canalhice. Partir de particularidades para generalizar é desonesto. Seria como ter por argumento preferir a solteirice a ser corno.

Não. Os pares homossexuais não irão esvaziar os orfanatos e abrigos para menores. Não são uma espécie de abnegados acima dos reles humanos héteros egoístas. E também, no Brasil, há mais casais querendo adotar do que crianças disponíveis à adoção. O que emperra é a burocracia. E mais: devemos negar pela segunda vez o direito de uma criança de ser criada e cuidada por um pai e uma mãe, naquela sadia diversidade e complementaridade entre um homem e uma mulher?

Não podemos negar, há pais e mães que abandonam seus filhos, que os rejeitam, que os matam antes ou depois de nascerem. E há aqueles e aquelas que vivem para os filhos, sacrificam-se amorosamente por eles, preferem dar a própria vida a abortarem. Estas são vicissitudes que só uma família pode passar. Um simulacro de família não corre estes riscos, não pode viver em plenitude as alegrias e tristezas, as angústias e prazeres que uma verdadeira família sofre e goza. Sempre faltará algo. Sempre será imperfeito. Sempre será um amor infrutífero, estéril, dependente de elementos estranhos à relação. Pendurar laranjas num abacateiro não faz da árvore uma laranjeira. Podemos comparar, então, este relacionamento infrutífero ao sofrimento de casais estéreis, como fazem os canalhas? É claro que não. Casais estéreis acidentalmente não podem ter filhos. Pares homossexuais essencialmente não o podem. Eventualmente o sexo entre um homem e uma mulher não produz uma vida. Obrigatoriamente, relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo não geram absolutamente nada.

Filho não é direito, nem bicho de estimação, nem mercadoria. É um dom. Dom do amor. E o amor gera vida, é criativo. Senão não é amor. É qualquer coisa parecida com amor, que ousam chamar de amor. Particularmente, sou contra elevar ao status de família tudo aquilo que não o é. Minha opinião transcende os gostos e as modas. Vai além de saber se é bom ou mau. A História contemporânea está repleta de exemplos onde a vida humana foi jogada como um brinquedo com consequências desastrosas. Inverter a ordem natural das coisas pode ser mais um.



13 de mai. de 2012

6º Domingo da Páscoa - Amai-vos uns aos outros como eu vos amo


A Boa Notícia de Jesus Cristo:

João 15, 9-17

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” (Jo. 15, 12)

O evangelho de hoje é continuidade do evangelho sobre a videira e os ramos que foi proclamado no domingo passado. Nós, como os ramos desta videira que é Jesus, só podemos permanecer nela perseverando no amor. Para permanecermos no amor de Deus, em Sua graça, devemos amá-lo com toda a nossa alma, com toda a nossa força. E como O amamos? Guardando Seus mandamentos. É na obediência a Deus, realizando a Sua vontade em todos os momentos da nossa vida que provamos nosso amor ao Senhor. Deus é amor. E a dinâmica deste amor se encontra na Santíssima Trindade entre o Pai e o Filho. A unidade das pessoas da Trindade se dá no amor. Portanto, ao sermos inseridos em Jesus Cristo, passamos a fazer parte deste amor, entramos em plena comunhão com Deus.

Esta vida em Deus, ou seja, no amor absoluto, por sua própria dinâmica, não pode ficar reduzido ao cumprimento dos mandamentos, mas este amor se estende para todos os homens e mulheres. Não um amor abstrato, que fique só na teoria, um amor que seja da boca pra fora. Ás vezes é fácil dizermos que amamos as crianças famintas da África, posto que estão a milhares de quilômetros de nós. Temos que amar àquelas pessoas do nosso convívio, primeiramente nossos familiares, nossos pais, filhos, vizinhos, amigos e inimigos também. Devemos amar àqueles que não vamos com a cara. E não basta suportá-los, aturar suas companhias, mas o jeito de amar que Jesus nos ordena a dar a vida por um deles se isso for necessário.

Nosso padrão de amor é Jesus Cristo. Ele nos dá esse novo mandamento do amor: amar uns aos outros como Ele nos amou. E nos amou dando a vida por nós na cruz: “Ninguém tem maior amor do que aquele que fá a vida por seus amigos”. Jesus nos amou até o fim. Quando este amor exigiu todo o Seu sofrimento, Jesus se dispôs a suportá-lo. Por isso, este mandamento de Jesus não tem nada de romântico. Ao contrário, exige de nós algo que só podemos realizar com a ajuda da graça de Deus.Que Deus nos auxilie para que permaneçamos sempre em Seu amor sendo filhos obedientes como o Senhor Jesus, o Filho, foi obediente até à cruz. 

6 de mai. de 2012

5º Domingo da Páscoa - Jesus é a videira


A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 15, 1-8

“Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em Mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer.” (Jo. 15, 5)

A imagem da videira aparece por todo o Antigo Testamento. é comparada com o povo de Israel que Deus plantou e cuida como propriedade Sua esperando que ela dê os bons frutos no momento oportuno. Porém, esta videira, apesar de ser tratada com tanto cuidado, acaba decepcionando o vinhateiro. O povo de Israel comete infidelidade, peca contra Deus. Jesus retoma esta imagem, mas a torna pessoal. Ele é a videira verdadeira. Nele, não somente os judeus, mas toda a humanidade pode ser enxertada. É Nele que, pela fé e pelo batismo, somos incorporados e formamos a Igreja. A seiva do amor alimenta esta videira. Quem ama permanece unido ao tronco, a Jesus, e seu amor se alastra para os outros membros.

Neste mundo relativista, é comum ouvirmos que o importante é ser bom, fazer coisas boas, ajudar o próximo independentemente da religião. Porém, nosso Senhor ensina que sem Ele nada podemos fazer, ou seja, sem estarmos unidos a Cristo não conquistamos mérito nenhum diante de Deus por mais que façamos boas obras. E os cristãos que são os ramos desta videira que é Cristo, precisam produzir frutos, perseverando na fé e na caridade, vivendo na graça de Deus. Mesmo sendo cristãos, se formos estéreis, vivendo no pecado e na falta de amor ao próximo, nos separamos de Jesus Cristo. Resumindo: aqueles que não são cristãos não podem se salvar pelas obras; e os cristãos, sem obras, não podem ser salvos. 

4 de set. de 2011

A correção fraterna

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 18, 15-20

“Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvires terás ganho teu irmão.” (Mt. 18, 16)

No mundo que vivemos impera a ditadura do relativismo. Não há mais o certo e o errado. Cada um é seu próprio legislador, faz sua própria moral. Todos estão certos, não há verdade absoluta. E se não há verdade absoluta que importância tem a Igreja, o Cristo, Deus? E graças a este conceito que contaminou nossa sociedade, vivemos um terrível período de decadência moral e seus efeitos já podem ser sentidos e não são bons. Nós como cristãos somos luz do mundo e sal da terra e, por isso, devemos denunciar o pecado. Amar o próximo não é deixá-lo fazer o que bem entende. Isto é indiferença. O maior ato de caridade que há é apresentar a ele a sã doutrina, mostrar ao próximo que ele está no caminho errado e ensiná-lo o verdadeiro.

Se conhecemos a Verdade apresentada por Cristo e não a comunicamos àqueles que estão no erro, pecamos por omissão. Nosso dever é lançar as sementes sem exagerado respeito humano, sem se preocupar em sermos “politicamente corretos”. Muitas vezes ouvimos o argumento, até mesmo entre nós, católicos, que afirma o “não julgará” quando se trata em corrigir fraternalmente as pessoas. Neste trecho do Evangelho, Jesus mostra claramente que as coisas não são bem assim. Ordena que corrijamos nossos irmãos – e deixemo-nos corrigir – sem orgulho ou para humilhá-las, mas com amor, pois a intenção é que se convertam.

A correção deve acontecer na privacidade, sem causar escândalos que podem mais prejudicar do que ajudar o irmão. Deve contar com pessoas preparadas e que nada aconteça sem a autoridade da Igreja que sabe discernir o certo e o errado. É neste ponto que também devemos entender a correção: a Igreja, sustentáculo da verdade, tem a sã doutrina e é guardiã dos ensinamentos puros de Cristo. Lembremos que fora dela não existe salvação, portanto, as religiões não são todas boas, nem as heresias estão abolidas. Há uma verdade e esta se encontra na Igreja fundada por Cristo, Una, Santa, Católica e Apostólica, a qual o próprio Senhor deu o poder de ligar e desligar na terra.



20 de fev. de 2011

“Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?”

A Boa Notícia de Jesus Cristo:
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Mateus 5, 38-48

“Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?” (Mt. 5, 46)

No trecho do Evangelho deste domingo continuamos o sermão da montanha. Jesus nos ensina a fugir de qualquer tipo de vingança. Não Se opõe a justiça, mas quer que fujamos do ódio que a injustiça pode nos causar. Ao sofrermos alguma injustiça, temos a tentação de nos revoltar e de querer dar o troco. É a famosa lei do “olho por olho, dente por dente”. Esta lei, presente no Código de Hamurabi, na Babilônia, já era um avanço na questão de como as vítimas de agressões poderiam reagir. Limitava um antigo costume de vingar-se sete vezes do agressor, muitas vezes estendendo a vingança aos seus parentes.
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Era uma violência sem fim. Mas a lei do Evangelho vai além. É a lei da misericórdia. Necessariamente não temos que ser ressarcido em tudo. Podemos e devemos perdoar, relevar. A lei de Cristo é a lei do amor. Por amor a Deus devemos amar a todas as pessoas, sem distinção, até mesmo nossos inimigos. É exatamente na demonstração deste amor incondicional que testemunhamos Deus que é Amor. Deus ama a todos mesmo sabendo que nem todos correspondem a este amor.
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Portanto, amar nossos inimigos, fazer o bem a quem nos odeia, é o distintivo do cristão diante do mundo. É um sacrifício imenso. Conta-se que, por volta do século VI, os monges irlandeses, massacrados pelos anglo-saxões, cogitaram não enviar missionários a Grã-Bretanha para que estes, sem conhecer a Cristo, fossem para o inferno. Mas os missionários chegaram à ilha e todos os anglo-saxões se converteram.
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Amar aqueles que nos amam ou nos tratam bem é fácil. Só amando nossos inimigos, ou ainda menos, amando aqueles que não vamos com a cara, que não temos afinidade, alcançamos mérito diante de Deus. Só assim é restaurada em nós a imagem e semelhança do Pai celeste. Não é fácil, todavia Jesus, na cruz, nos deixou o exemplo de como deve reagir um cristão, mesmo sendo injustiçado, perdoando seus agressores.