Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens

8 de dez. de 2014

"Perdoar é divino. Só Deus perdoa"

Quantas vezes já ouvimos esta frase dita pelas pessoas, principalmente quando necessitam perdoar ou quando alguém que as tenha ofendido lhes pede perdão. Mas não foi isso que Jesus ensinou: na oração do Pai-Nosso, pedimos para que Deus perdoe nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam. Após ensinar o Pai-Nosso, Jesus enfatiza que o perdão de Deus é condicionado ao perdão que damos ao nosso próximo: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará" (Mt. 6, 14-15). Não podemos fazer uma oração mentirosa diante de Deus.

Com a mesma medida que medimos nossos irmãos seremos medidos por Deus. Jesus exige de nós um verdadeiro ato de heroísmo quando nos manda perdoar nossos inimigos, pessoas que muitas vezes nos ofenderam ou nos prejudicaram enormemente. Por mais grave que tenha sido o pecado cometido contra nós - e há gravíssimos - não temos o luxo de não perdoar, desde que acreditemos em Deus e constantemente peçamos o Seu perdão. Jesus nos conta a parábola daquele servo que devia - tragamos para os dias atuais - um trilhão de dólares para seu senhor. Sem poder pagar, o servo lançou-se aos pés do senhor e implorou o perdão. Cheio de compaixão, o senhor perdoou-lhe toda a dívida. Saindo da presença de seu senhor, o servo encontrou um colega que lhe devia 100 reais. Pegou este pela garganta e ameaçou mandar prendê-lo se não pagasse. Quando o senhor ficou sabendo da atitude do servo, mandou chamá-lo e revogou o perdão da dívida, lançando-o na prisão. E Jesus termina a parábola novamente com a ressalva: "Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração" (Mt. 18, 35).

A lição da parábola é clara. O senhor é Deus. Os devedores somos todos nós. Cada pecado que cometemos é uma ofensa irreparável a Deus. Nada podemos fazer para quitá-lo, dependemos exclusivamente da misericórdia do Senhor. Todavia, os pecados dos nossos irmãos - tão imperfeitos e pecadores quanto nós - temos sérias dificuldades em perdoar, neste mundo onde tudo passa. Diz o Eclesiástico (28, 4-5): "Não tem misericórdia para com o seu semelhante, e roga o perdão dos seus pecados! Ele, que é apenas carne, guarda rancor, e pede a Deus que lhe seja propício! Quem, então, lhe conseguirá o perdão de seus pecados?" E o perdão que devemos ao próximo é infinito. Quando Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar, se até sete vezes (imaginando que sete vezes já seria uma boa quantia de vezes), Jesus lhe responde que deve perdoar 70 vezes 7, por dia.

Jesus nos diz que quando estivermos para levar nossa oferta ao altar - quando estamos na Santa Missa, onde ofertamos nossas vidas para se unir ao sacrifício de Jesus - devemos, antes, perdoar de todo o coração se temos algo contra alguém. Senão, a oferta de nada vale.

Há quem objete dizendo que Deus perdoa porque é perfeito e impassível. Esta objeção - e acusação, por que não - não faz sentido depois que Deus se fez homem em Nosso Senhor Jesus Cristo. Como disse acima, nossos pecados são irreparáveis. Somente Jesus, o homem perfeito podia repará-lo. Somente unindo em Sua Pessoa Deus e o homem é que o pecado podia ser tirado do mundo. Jesus conquistou o perdão de nossos pecados morrendo na cruz. Sendo santíssimo, tomou sobre si nossos pecados para aplacar a justiça de Deus. Cristo morreu por nós, pecadores. Sofreu todas as dores e humilhações em sua gloriosa Paixão e morte. O próprio Deus sofreu toda a consequência do pecado na própria carne e, do alto da cruz, perdoou a todos que faziam-no sofrer. Não mais podemos acusar a Deus de estar no alto do céu, em seu trono inatingível, exigindo de nós, míseras criaturas cheias de defeitos, que perdoemos nossos ofensores. Deus nos dá, agora, Seu Espírito para que tenhamos força para perdoar qualquer pecado cometido contra nós. Os mártires dão provas da graça de Deus agindo, quando morrem perdoando seus algozes.

Perdoar não é fácil, nós sabemos. Perdoar não é esquecer a ofensa, nem atenuá-la, nem ser conivente a injustiça. É limpar a alma do ressentimento e do ódio, despojarmo-nos de todo orgulho. É sermos "perfeitos como o Pai celeste é perfeito". É imitarmos o nosso Mestre e Senhor, Jesus Cristo. Muitas vezes sofremos danos irreparáveis, ofensas gravíssimas, que nos machucam profundamente. Mas, para nós que cremos em Deus e em Jesus Cristo, sabemos que somos fracos e que por nós mesmos nada podemos e que tudo é graça. Se temos algo contra o próximo, devemos pedir ao Pai de misericórdia para que nos conceda a graça de perdoar e que sejamos humildes e corajosos para pedirmos e darmos o perdão a nossos irmãos.




31 de mai. de 2014

A Bíblia confirma: Maria, Mãe de Deus

Hoje, dia 31 de maio, comemora-se a festa da visitação de Nossa Senhora. A Virgem Santíssima, ao ser informada pelo arcanjo Gabriel que Isabel estava grávida, partiu para a Judeia pra ajudá-la. A leitura do evangelho da Missa de hoje (Lc. 1, 39-56), que conta este encontro, traz elementos importantes, como a analogia entre Maria e a Arca da Aliança, mas por ora quero me deter na base bíblica do dogma da maternidade divina de Maria.

De todos os dogmas relacionados à Nossa Senhora, talvez nenhum outro seja tão explícito na Bíblia quanto ao da maternidade divina. Maria, chegando na casa de Zacarias, ao cumprimentar Isabel, esta ficou cheia do Espírito Santo e exclamou: "Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?" (Lc. 1, 42-43).

Detenhamo-nos na expressão: a mãe do meu Senhor. Meu Senhor era uma das formas que os judeus chamavam a Deus, posto que a Lei proibia que se pronunciasse o nome de Deus, Yahweh. Então, por todo o Antigo Testamento, o nome de Deus era substituído pela palavra hebraica Adonai, que significa Meu Senhor. Quando a Bíblia hebraica (Antigo Testamento) foi traduzida para o grego (na chamada Septuaginta), o nome de Deus foi traduzido como κύριος (Senhor, pronuncia-se kyrios).

Pois bem, Lucas escreveu o evangelho em grego e conta que, Isabel, cheia do Espirito Santo e, portanto, inspirada por Ele, chama à Virgem Maria de "a mãe do meu Senhor" (no evangelho em grego: μήτηρ τοῦ κυρίου μου), ou seja, a mãe de Deus, já que, para a mãe de João Batista, judia, chamar o filho que Maria traz no ventre de "meu Senhor" equivale a chamá-lo "Adonai" e que Lucas traduz para o grego como kyrios, termos usados para designar, na Bíblia hebraica e grega, respectivamente, o nome de Deus. Portanto, a maternidade divina de Maria é claramente encontrada na Bíblia, que não pode, de forma alguma, ser negligenciada. Talvez, por isso, os primeiros reformadores protestantes defenderam que Maria era e deveria ser considerada a Mãe de Deus.


27 de abr. de 2014

Oscar Schmidt adorou o Papa Francisco ao ajoelhar-se diante dele? A Bíblia responde.

É coisa antiga, mas só vi agora. Quando o Santo Padre esteve no Brasil por ocasião da JMJ, Oscar Schmidt encontrou-se com ele e - como deve ser - ajoelhou-se diante do Papa. Isto eu vi. O que eu não tinha visto era a acusação (velhíssima, por sinal) de que o ex-jogador de basquete tinha "adorado" o Papa. Acusação feita por aqueles que julgam - e gabam-se de - conhecer a Bíblia de trás pra frente. Será que ajoelhar-se, prostrar-se diante de alguém é adorá-lo? 

Só vou dar um exemplo porque a hora já vai adiantada e eu estou com sono. Em diversas passagens da Bíblia, aparecem pessoas prostrando-se diante de outras pessoas em sinal, por diversos motivos, de reverência e respeito. Vamos a um trecho que relata o reencontro de Jacó com seu irmão Esaú:

"E ele, passando adiante, prostrou-se até a terra sete vezes antes de se aproximar do seu irmão." (Gênesis 33,3) 

Na Septuaginta (versão grega) temos: 

αὐτὸς δὲ προῆλθεν ἔμπροσθεν αὐτῶν καὶ προσεκύνησεν ἐπὶ τὴν γῆν ἑπτάκις ἕως τοῦ ἐγγίσαι τοῦ ἀδελφοῦ αὐτοῦ

O verbo "prostrar" é traduzido a partir do verbo grego προσκυνέω (pronuncia-se proskynós) que significa reverenciar, adorar. Não me parece que Jacó adorou seu irmão como se adora a Deus. Na mesma cena, as mulheres de Jacó, seus filhos e servas também "adoram" Esaú. 

A tradução latina (Vulgata) é ainda mais descarada: 

Et ipse prægrediens adoravit pronus in terram septies donec adpropinquaret frater ejus.

Mas alguém poderia objetar: "Ah, mas o Antigo Testamento foi escrito em hebraico, não em grego, muito menos em latim!". Pois temos o hebraico também: 

והוא עבר לפניהם וישתחו ארצה שבע פעמים עד גשתו עד אחיו

(וישתחו = adorou) 

Com efeito, o verbo προσκυνέω também é usado quando se trata da adoração exclusiva a Deus, como nesta passagem: 

"Samuel voltou, pois, com o rei, e este adorou o Senhor." (I Samuel 15, 31)

Na Septuaginta: 

καὶ ἀνέστρεψεν Σαμουηλ ὀπίσω Σαουλ καὶ προσεκύνησεν τῷ κυρίῳ

Na Vulgata:

Reversus ergo Samuhel secutus est Saulem et adoravit Saul Dominum

No hebraico:

וישב שמואל אחרי שאול וישתחו שאול ליהוה

(וישתחו = adorou)

Portanto, a Bíblia (em sua língua original e nas mais antigas versões grega e latina) não tem palavras distintas para o ato de adorar a Deus e para o de reverenciar alguém. Se a própria Bíblia - e não podemos negligenciá-la - traz o mesmo termo sem que haja nenhuma dúvida ou confusão relativas à diferença entre a adoração devida somente a Deus e a reverência profunda expressa pelo corpo no ato de prostrar-se, por que acusar o nosso querido Oscar - e a tantos católicos - de idolatria quando se reverencia através da expressão corporal (prostrando-se ou ajoelhando-se) a quem merece tal reverência, seja ele um sucessor dos apóstolos ou um santo? Quem acusa um católico por isso está acusando a própria Bíblia.


8 de dez. de 2013

Imaculada Conceição da Virgem Maria

Porei inimizade entre ti e a mulher,
entre a tua descendência e a dela.
Esta te ferirá a cabeça
e tu lhe ferirás o calcanhar. (Gn. 3, 15)

Um visível crescimento de atos de blasfêmia e sacrilégio contra Nossa Senhora me leva a refletir sobre este trecho do Gênesis, o chamado “proto-evangelho”. Por que tanto ódio sentido pela Mãe de Deus? É impressionante o desrespeito pela Santíssima Virgem. Dentre imagens dos mais variados santos e de Jesus, as de Maria são os alvos prediletos do ataque de sacrílegos e blasfemadores. Num episódio recente que podemos lembrar, foram imagens de Nossa Senhora que feministas profanaram durante a JMJ. São imagens de Nossa Senhora que aparecem em poses eróticas, ridicularizadas e ofensivas em algumas pretensas obras de arte. 

Alguém pode dizer: “mas imagens são somente imagens”. Este seria um belo sofisma. Sabemos muito bem que imagens são representações de algo real e que os ataques desferidos contra elas são endereçadas ao que elas representam e não ao que elas são. Ninguém coloca fogo na bandeira dos EUA porque quer queimar um pano com cinquenta estrelas sobre fundo azul e listras horizontais vermelhas e brancas. Ao longo da História, o ódio a Nossa Senhora foi demonstrado através de ataques às representações de Nossa Senhora. Alguns exemplos: um atentado à bomba contra Guadalupe, a imagem de Aparecida estilhaçada contra o chão, a Pietá de Michelângelo com um braço arrancado e o rosto deformado pelos golpes de uma marreta. Isso tudo produzido por pessoas sem fé ou desequilibras. E quando estes ataques partem daqueles que se proclamam cristãos. Que tristeza! Está lá a “cicatriz” no rosto de Nossa Senhora de Czestochowa que não me deixa mentir. E quantos atos deste tipo aconteceram pelo Brasil nos últimos anos. Até ações judiciais andam movendo contra a Virgem Santa! 

As forças do Mal continuam se movendo contra aquela que nos trouxe o Salvador. Até o fim dos tempos, o Dragão continuará vomitando um rio para submergir a Mulher (Ap. 12, 15). Como para Deus nada é impossível (Lc. 1,37), Maria foi a primeira pessoa salva pelos méritos de Cristo. Desde sua concepção foi cheia da graça de Deus (Lc. 1,28), isenta do pecado original Aquela de cuja carne puríssima nasceria o Salvador. Foi pela mulher que o pecado entrou no mundo; foi pela Mulher que a graça entrou no mundo. Foi a mulher que deu o fruto da perdição ao homem; foi a Mulher que nos deu o fruto – bendito fruto do seu ventre (Lc. 1,42) – da nossa salvação.  Não é para menos que o diabo odeia a Santíssima Virgem Maria, pois foi nela que ele começou a ser derrotado e seria definitivamente com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. O diabo usa dos seus filhos para atacar suas imagens. Age como uma criança birrenta. Ele não tem poder contra a Mãe de Deus que reina gloriosamente ao lado de Seu Filho e que intercede constantemente para que seus filhos sobre a terra, vivendo em Cristo, também possam vencer as forças do Mal. 

Ó Maria concebida sem pecado. Rogai por nós, que recorremos a vós! 



21 de out. de 2013

Um ateu pode ser uma pessoa melhor? Ou: Crer em Deus torna as pessoas melhores?

A pesquisa do Datafolha que pretendeu situar a população brasileira no espectro político-ideológico tinha como última pergunta: “você acha que acreditar em Deus torna as pessoa melhores?”. Dos entrevistados, 85% responderam que sim. A manchete no UOL que anunciava a pesquisa destacava – e com propósitos bem definidos – exatamente este posicionamento da maioria dos entrevistados. A choradeira foi geral. O restante da pesquisa foi praticamente ignorada. Nos comentários da notícia no site e da postagem da Folha no Facebook choveu comentários dos ateus de internet e afins, bravos porque a maioria das pessoas acha isso, dizendo que para ser bom não precisa crer em Deus e, inclusive, afirmando exatamente o oposto da pergunta, que acreditar em Deus torna as pessoas piores. 

Pois bem, o que dizer? Sim, crer em Deus torna as pessoas melhores. Porém, as coisas não são assim tão simples. Comecemos do começo. Crer em Deus apenas, não basta. Já dizia São Tiago em sua carta: “Crês que há um só Deus? Fazes bem. Também os demônios creem e tremem” (2, 19). Dizia estas palavras quando desenvolvia a doutrina sobre a justificação pelas obras, tão necessária como pela fé. Portanto, o simples fato de crer em Deus não é suficiente para tornar ninguém melhor. É preciso praticar as boas obras. É preciso crescer nas virtudes. 

Posto isto, vamos à outra parte da questão. Quando o Datafolha faz uma pergunta como esta e se obtém tal resultado, é evidente que os entrevistados, advindos de uma cultura cristã, pensam logo no Deus único e verdadeiro revelado em Sua plenitude em Jesus Cristo. Não basta crer em uma divindade – ou divindades – qualquer. Não basta ser monoteísta. Não basta ter uma vaga ideia da existência de um Ser Supremo. É preciso crer, por princípio, no Deus verdadeiro. E, como já mencionado, o Deus verdadeiro revelou-se em Jesus Cristo. Para resgatar a humanidade pecadora, era preciso o homem perfeito, Santo, que reatasse as plenas relações com Deus através de uma perfeita obediência. Sendo assim, nenhum dos seres humanos, manchados desde a concepção pelo pecado original, poderia realizar esta sublime missão. Somente fazendo-se homem, Deus podia operar a redenção, pois foi o homem que tornou-se desobediente pelo pecado e ficou incapaz de voltar-se para Ele. Em Jesus, o Filho de Deus, há o encontro entre Deus e o homem. Ele é Deus feito homem. Nele, o homem Jesus, se encontra a plenitude da divindade. É verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Portanto, tendo sua vontade humana submetida livremente à vontade divina, Jesus pôde obedecer perfeitamente a Deus e obedeceu até a morte de cruz. 

Mas o que tudo isso tem a ver com a pergunta do Datafolha? Para ser bom, para tornarmo-nos melhores, é preciso, sim, crer em Deus, mas também crer naquele que Ele enviou, Jesus Cristo. Ou seja, para se tornar um ser humano melhor, tem que ser cristão. Não tenho dúvida que a grande maioria que respondeu positivamente à pergunta tinha em mente esta concepção de Deus. Assim, já temos três pontos sobre como tornar-se melhor: 1) a necessidade de crer em Deus; 2) a necessidade de crer na Encarnação e Redenção de Jesus Cristo; 3) a realização das boas obras. Continuemos. 

Estas boas obras não são quaisquer obras. São aquelas que Jesus nos mostra pelas suas palavras e ações. É Jesus, o homem perfeito, o nosso modelo de humanidade. O próprio Cristo nos diz para sermos perfeitos como o Pai celeste é perfeito (Cf. Mt. 5, 48). Ele é a imagem viva do Pai. É Nele que devemos espelhar nossa vida e nosso modo de agir para a perfeição. Porém, nossa natureza está enfraquecida pelo pecado. “Sem mim nada podeis fazer” (Jo. 12, 5), disse Jesus. Sozinhos não podemos tornarmo-nos perfeitos como o Pai. Precisamos que Sua graça venha em nosso auxílio e é pela fé em Jesus Cristo que ela nos é dada. É o Espírito Santo que nos foi dado no batismo que restaura em nós a imagem de Cristo, que nos eleva à perfeição, nos “diviniza”. As nossas boas obras, portanto, só tem valor se unidas a Jesus Cristo (Cf. Jo. 15). É imitando Jesus que amou a humanidade, deu-se inteiramente por ela, acolheu os pecadores, perdoou, cuidou dos pobres e sofridos que nos tornamos melhores. Quem não crê em nada disso (e aqui já deu para perceber que isto não diz respeito apenas aos ateus) já não pode se tornar melhor, por mais esforço que faça. Mas aqui pode-se objetar: “mas para perdoar, ser bom, fazer o bem não é preciso ser cristão, muito menos crente. Há ateus que realizam tudo isso!”. É verdade, porque o ser humano, ainda que tenha a natureza ferida pelo pecado, pode ser capaz de realizar naturalmente atos moralmente bons. Mas sem um parâmetro do que é um ser humano melhor, como saber se se está melhorando? Pode considerar-se melhor que outros, melhor que o vizinho, mas não pode-se afirmar que é melhor ser humano sem aquele padrão que é Jesus Cristo. Sem Jesus Cristo pode-se, no máximo, ser um filantropo medíocre, jamais alguém melhor. Quem não crê não pode tornar-se melhor porque, em última instância, refere todas as suas boas obras a si próprio, diferentemente do cristão para quem tudo é dom de Deus. A autorreferência é uma prisão de onde nunca se escapa do egoísmo, por mais que seja solidário e empenhado em ações humanitárias. E o egoísta jamais será alguém melhor. 

O que nos torna melhores é o amor. O amor (caritas, ágape) –  aquele dom de Deus sem o qual São Paulo diz que de nada serviria dar aos pobres todos os seus bens, nem entregar seu corpo às chamas (Cf. 1Cor. 13) –  pode nos elevar acima de nós mesmos. Jesus nos deu um novo mandamento: “Amai- vos uns aos outros como eu Vos amo” (Jo. 15, 12). Este é o padrão. E como Jesus nos amou? Saindo de si próprio, rebaixando-se, não se apegando a sua condição divina, mas despojando-se de tudo para servir ao próximo. Para ser melhor, o homem precisa se despojar de si próprio, sair do egoísmo, dar a vida pelos irmãos e não só na atividade apostólica e caritativa, mas também na oração, na contemplação, na ascese. E quantos exemplos nos vêm à cabeça de homens e mulheres que doaram-se inteiramente no serviço dos irmãos. O homem torna-se grande quando ajoelha-se para adorar a Deus e para lavar os pés dos irmãos. O único caminho para tornar-se melhor, insisto, é imitar a Cristo. O Cristo humilde, servo de todos. O cristão é melhor, mas não soberbamente melhor do que os outros. Não é o orgulho luciferino que faz o cristão se considerar melhor. É melhor do que si próprio, do que a comum natureza humana decaída e corrompida que, como a gravidade, força o homem para baixo e não permite elevar-se em direção à perfeição. O cristão não se considera um super-homem, como na filosofia de Nietzsche, que se eleva por conta própria acima de suas fraquezas. É exatamente reconhecendo suas fraquezas e sabendo necessitado da graça de Deus que o ser humano torna-se melhor, dá um salto evolutivo, um upgrade em sua essência humana. 

Sim, a maioria que respondeu à pergunta do Datafolha está certa: crer em Deus torna uma pessoa melhor desde que corresponda às exigências desta fé. Portanto, retomemos aqueles pontos necessários, acrescentando um quarto: 1) a necessidade de crer em Deus; 2) a necessidade de crer na Encarnação e Redenção operada por Jesus Cristo; 3) a necessidade da graça para realizar e perseverar nas boas obras; 4) o amor a Deus e ao próximo assim como Jesus amou. Esta é a receita para um ser humano tornar-se melhor, para que seja restaurada em cada pessoa a imagem e semelhança de Deus. E é este o roteiro que seguiram aqueles que chamamos de santos. 


1 de out. de 2013

A verdadeira Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face

Hoje é dia de Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, uma das santas mais populares. Lembremos, hoje, portanto, desta monja carmelita que dedicou sua vida a Deus, morrendo com apenas 24 anos. Mas, lembremos da verdadeira Santa Tereza de Lisieux, não da menininha boba rodeada de rosas criado por um devocionismo vulgar. 

Sim, lembremos da Tereza da extrema paciência com Deus e com os homens; 

- da Tereza extremamente humilde, que fazia os serviços mais duros do Carmelo; 

- que suportava em silêncio, sem responder ao mal humor de algumas irmãs, inclusive daquela que reclamou do cheiro da flores que Tereza carregava, quando na verdade as flores eram de papel; 

- que passou, certa vez, por um alfinete caído no chão e retornou pegá-lo, pois, ao contrário teria deixado este serviço para outra fazer, demonstrando preguiça e abuso dos outros; 

- da Tereza que suportou um sofrimento atroz causado pela tuberculose, sem reclamar, sem murmurar, tanto que continuou fazendo os trabalhos do Carmelo e assistindo aos serviços religiosos da mesma forma, que quando a Superiora percebeu sua doença, já era tarde demais; 

- da Tereza, uma rocha na fé, que passou por um período de aridez tão terrível, sem sentir gosto para as coisas de Deus e permaneceu fiel a Deus e a Sua Igreja, pois fé não é emocionalismo, nem excitação dos sentidos; 

- da Tereza que passava horas em oração pela Igreja e pela conversão do mundo; 

- da Tereza que abraçou a cruz e oferecia os menores sacrifícios pela conversão dos pecadores. 

Esta é a Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face que devemos lembrar no dia de hoje. Lembrar e imitar suas virtudes.


16 de set. de 2012

Tome a sua cruz e siga-me!


Marcos 8, 27-35

“Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mc. 8, 34)

Jesus está fora da Galileia, próximo a Cesareia, capital da antiga tetrarquia de Traconítide de Felipe, na nascente do rio Jordão. Lá, num momento de privacidade com os Seus discípulos, Jesus lhes pergunta o que o povo diz sobre Ele. Não é uma pesquisa de popularidade como costumam fazer os políticos e personalidades influentes. Jesus não está preocupado com isso; sabe que a Verdade que anuncia está longe de agradar a todos. Esta será uma lição importante àqueles que o acompanham e serão as colunas de Sua Igreja. A Igreja deve anunciar a Verdade, proclamar os direitos de Deus e a dignidade humana sem covardia, sem palavras adocicadas, sem meias-verdades. Não importam as ameaças, as pressões dos poderes políticos e econômicos. Obedecendo ao mandamento do amor, a Igreja deverá colocar Deus e Sua imagem e semelhança – o homem – sobre todas as coisas. 

Os discípulos relatam a Jesus as opiniões que as pessoas têm sobre Ele. Uns acham que Ele é João Batista que tinha sido executado por Herodes e ressuscitado em seguida. Outros pensam que Ele é o profeta Elias que, segundo as profecias, deveria voltar ao mundo antes da vinda do Messias. Outros, ainda, acham que Jesus é algum dos profetas. Todas as opiniões não correspondem à verdade. Então, Jesus se dirige aos Seus discípulos: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Pedro responde, inspirado por Deus, que Jesus é o Messias. Sim, Pedro e Seus discípulos sabiam quem Ele era. Era o Messias (em grego, Cristo) prometido que viria resgatar o povo de Israel. Jesus impede que divulguem ao povo que Ele é o Cristo, pois a mentalidade corrente definia o Messias como um chefe militar, o rei de Israel que poderia fim ao domínio romano e restauraria o Reinado como no tempo de Davi. 

Jesus ensina Seus discípulos que esta mentalidade estava errada ou pouco esclarecida. Era verdade que os profetas tinham anunciado o Messias, mas este seria o Servo sofredor e não um rei glorioso, sendo rejeitado por todas as autoridades e condenado à morte; se era verdade que era rei, Seu reino não era desse mundo. O Reino de Deus não seria um lugar geográfico, mas se estenderia pelo mundo todo e eram aqueles homens que estavam ali com Ele que começariam a estendê-lo pacificamente pelo globo terrestre. E este Reino seria instaurado com a vitória do Messias não sobre os romanos, mas sobre o pior dos inimigos: o pecado e a morte. Aquela mesma mentalidade popular sobre quem era o Messias também a tinha os discípulos. Pedro novamente intervém, porém, desta vez repreende o Mestre. Para ele, não tem cabimento que o Messias seja um derrotado. Jesus volta para ele e o coloca no seu lugar de discípulo, de aprendiz. Quantas vezes queremos saber mais do que nossos mestres! Somos rebeldes, desobedientes com as coisas de Deus e com a doutrina da Igreja, nossa Mãe e Mestra. 

E Jesus ensina qual é o caminho que devemos seguir. O caminho é imitá-Lo. Quem quiser ser seu discípulo deverá segui-lo com a cruz. É na renúncia a nós próprios, às nossas más tendências, a tudo aquilo que nos faz sermos menos humanos que consiste no seguimento de Jesus. É o amor sem limites, ou seja, a entrega sacrifical e cotidiana da própria vida a Deus e ao próximo que chamamos de santidade. Se o Messias, morrendo por amor, venceu a morte para Seus discípulos a exigência não será diferente. Os acomodados, os conformados, os orgulhosos e egoístas jamais encontrarão a vida. Os que rejeitam seguir a Cristo vivem como zumbis. São corpos sem alma perambulando sem sentido e sem destino, ora entregando-se aos prazeres do consumismo, do tecnicismo, do sexo, das drogas, enfim dos vícios, ora caindo na desesperança e no nada existencial. 

Não tenhamos medo de Jesus Cristo. Não creiamos naqueles que afirmam que Ele nos rouba a liberdade e nos impõe o sofrimento através de uma vida reprimida. Abramos o coração para o Messias, o libertador de nossas almas, que pode nos dar a vida eterna, vida esta que se inicia aqui e jamais termina. Não nos agarremos com toda a força nesta vida tão frágil e passageira, o que tem feito com que os homens cometam injustiças e pecados para mantê-la desesperadamente. As cruzes aparecerão nas nossas vidas, com ou sem Cristo, mas com Ele, toda e qualquer vicissitude da vida humana tem sentido e nos aproxima ainda mais de Deus. 

3 de jun. de 2012

Santíssima Trindade


Hoje, celebramos a solenidade da Santíssima Trindade. Não é fácil explicar este grande mistério que o centro da nossa fé. Antes de procurarmos entendê-lo, devemos amar e adorar o Deus Uno e Trino. A religião cristã é monoteísta, ou seja, assim como no Islã e no Judaísmo, cremos em um único Deus. Mas, diferentemente, cremos que Deus é único, mas não é sozinho. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são Deus. Não são três deuses, nem a divindade se manifesta de três formas, mas a mesma essência divina está nas três pessoas sem diferença e sem se misturar. Deus se revelou para o povo de Israel. Em meio a tantos povos politeístas, que possuíam uma infinidade de deuses, Deus chama Abraão para formar Seu povo do qual nasceria o Salvador.

Na plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho que se encarnou no ventre da Virgem Maria, para nossa salvação. O Filho foi gerado pelo Pai desde toda a eternidade. Não foi criado e é Deus com o Pai. Jesus nos revelou o amor do Pai, nos mostro que Ele nos ama acima de tudo e com Sua morte e ressurreição restaurou a comunhão entre Deus e os homens. Voltando para junto do Pai, nos enviou o Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade, o Amor entre o Pai e o Filho é nos dado para que entremos em plena comunhão com Deus. Através do Espírito Santo, nos tornamos templo da Santíssima Trindade. Ao sermos batizados, Deus faz morada em nós. Passamos, então, a fazer parte do amor da Santíssima Trindade, somos introduzidos na Família Divina, pelo Espírito Santo, em Cristo Senhor. Portanto, pela graça, estamos em plena comunhão com Deus e tornamo-nos co-herdeiros de Jesus Cristo. Vivamos na graça de Deus, longe de qualquer pecado, para que não nos separemos de Deus e vivamos eternamente na Sua presença. 

13 de mai. de 2012

6º Domingo da Páscoa - Amai-vos uns aos outros como eu vos amo


A Boa Notícia de Jesus Cristo:

João 15, 9-17

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” (Jo. 15, 12)

O evangelho de hoje é continuidade do evangelho sobre a videira e os ramos que foi proclamado no domingo passado. Nós, como os ramos desta videira que é Jesus, só podemos permanecer nela perseverando no amor. Para permanecermos no amor de Deus, em Sua graça, devemos amá-lo com toda a nossa alma, com toda a nossa força. E como O amamos? Guardando Seus mandamentos. É na obediência a Deus, realizando a Sua vontade em todos os momentos da nossa vida que provamos nosso amor ao Senhor. Deus é amor. E a dinâmica deste amor se encontra na Santíssima Trindade entre o Pai e o Filho. A unidade das pessoas da Trindade se dá no amor. Portanto, ao sermos inseridos em Jesus Cristo, passamos a fazer parte deste amor, entramos em plena comunhão com Deus.

Esta vida em Deus, ou seja, no amor absoluto, por sua própria dinâmica, não pode ficar reduzido ao cumprimento dos mandamentos, mas este amor se estende para todos os homens e mulheres. Não um amor abstrato, que fique só na teoria, um amor que seja da boca pra fora. Ás vezes é fácil dizermos que amamos as crianças famintas da África, posto que estão a milhares de quilômetros de nós. Temos que amar àquelas pessoas do nosso convívio, primeiramente nossos familiares, nossos pais, filhos, vizinhos, amigos e inimigos também. Devemos amar àqueles que não vamos com a cara. E não basta suportá-los, aturar suas companhias, mas o jeito de amar que Jesus nos ordena a dar a vida por um deles se isso for necessário.

Nosso padrão de amor é Jesus Cristo. Ele nos dá esse novo mandamento do amor: amar uns aos outros como Ele nos amou. E nos amou dando a vida por nós na cruz: “Ninguém tem maior amor do que aquele que fá a vida por seus amigos”. Jesus nos amou até o fim. Quando este amor exigiu todo o Seu sofrimento, Jesus se dispôs a suportá-lo. Por isso, este mandamento de Jesus não tem nada de romântico. Ao contrário, exige de nós algo que só podemos realizar com a ajuda da graça de Deus.Que Deus nos auxilie para que permaneçamos sempre em Seu amor sendo filhos obedientes como o Senhor Jesus, o Filho, foi obediente até à cruz. 

6 de abr. de 2012

Quinta-feira Santa: Jesus no Getsêmani

Afresco na abside da Igreja do Getsêmani - Jerusalém

Nesta noite, Jesus sente todo o peso dos nossos pecados. Sua angústia é insuportável. Pela Sua mente perpassa todos os pecados da humanidade, de todos os tempos. Os nossos também. Cada pecado que cometemos, seja os mais leves, feriu o Senhor nesta noite. Está sozinho. Seus companheiros dormem, despreocupados. Agora tudo só depende Dele. Implora ao Pai para que a Sua vontade seja feita. As torturas, a dor, a crucificação O aterrorizam. Começa a suar sangue tanto é Seu pavor. Ele vacila. Valerá a pena? Novamente vêm ao Seu coração, os pecados dos homens e mulheres. Especialmente os pecados dos cristãos. Aqueles que creem n'Ele o crucificarão cada vez que pecam novamente.


Nesta noite, Jesus será traído por um amigo. Jesus vislumbra o futuro e percebe que será traído muitas vezes por sacerdotes tíbios, bispos infieis, cristãos relapsos. O diabo O tenta. Por que tanto sofrimento. Tudo será em vão. Jesus ora, os anjos lhe confortam. Prostrado no solo, o futuro se faz presente em Seu santíssimo coração. Vê São Paulo de Tarso caído no chão, milhares de cristãos enfrentando o Império Romano e não renunciando à fé, simples meninas como Cecília, Ágata, Inês, Bárbara, encarando olho no olho os poderosos e dizendo-lhes "não" ao autoritarismo, Santo Agostinho banhado em lágrimas, São Francisco de Assis e Santa Clara seguindo-O tão de perto, Seus encontros com mulheres fortes como Catarina de Sena e Tereza D'Ávila, João Maria Vianney, João Bosco, Pio de Pietrelcina, Josemaría Escrivá, padres piedosíssimos consumindo suas vidas por Ele.


O amor maternal de Tereza de Calcutá e a doçura de Terezinha do Menino Jesus lhe encantam. Contemplará o zelo de uma multidão de pastores como Leão Magno, Gregório VII, Carlos Borromeo, Francisco de Salles, Afonso Maria de Ligório, Pio IX, Pio XII, João Paulo II. Milhões de fieis confiando apenas em Ti diante de poderes totalitários e declaradamente anticristãos. Não O negarão. Jamais O trairão. Jesus levanta-Se. Chegou a hora. Seu sangue derramado não será em vão. O trigo caído no chão e morto produzirá abundantes frutos. Aproxima-se o traidor trazendo aqueles que O prenderão. Deixa-Se levar. Viu que Sua morte mudará o mundo. Vencerá as trevas. O amor de Deus se espalhará por toda a Terra até o fim dos tempos.



29 de jan. de 2012

Jesus ensina com autoridade

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Marcos 1, 21-28

“Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.” (Mc 1, 22)

Jesus é o novo Moisés, o profeta ao qual este se referiu, que seria como ele e que Deus suscitaria para que guiasse o povo e, como ele, falaria com Deus face a face. Mas Jesus é mais do que um simples profeta e Sua relação com o Pai vai muito além do que a de Moisés. Ele é Um com o Pai e dá o sentido verdadeiro da Lei, pois é seu legislador.

Muito mais do que a Lei, Jesus traz a graça para poder cumpri-la. Este ensinamento da Lei, junto com a restauração do verdadeiro sentido do sábado e o poder sobre as forças do Mal, revelam a divindade de Jesus que escandaliza principalmente aqueles que interpretavam e aplicavam a Lei mosaica.

Ou Jesus é um louco, um herege ou realmente é o Deus verdadeiro que se fez homem. E é por isso que acaba sendo condenado: por essa igualdade com Deus. Que nos deixemos ser conduzidos por Ele.

24 de dez. de 2011

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo




As luzes coloridas, os enfeites variados, as decorações grandiosas, a preocupação com a ceia e os presentes, a onipresença do Papai Noel podem nos levar a esquecer o mistério do Natal. Um grande mistério. Não comemoramos no dia 25 de dezembro apenas um natal, ou seja, o nascimento de mais uma criança. Todos os nascimentos são maravilhosos, a manifestação da vida é um mistério e um milagre em si mesma, mas nada, absolutamente nada se compara com o que aconteceu há dois milênios em Belém da Judeia quando ouviu-se o choro estridente de uma criança quebrando o silêncio daquela noite e dividindo a História dos homens. O Verbo feito carne veio à luz. O Filho de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro deixa a glória celeste e Se torna um de nós. O Eterno entra no tempo, o Todo se faz parte na fragilidade de uma criança. É um acontecimento extraordinário.

Sem estardalhaço, agindo suave e delicadamente, Deus se fez homem. Ninguém percebe. Ninguém sabe. Sua Mãe Santíssima, que durante nove meses meditou em seu imaculado coração tudo o que o arcanjo Gabriel lhe disse em Nazaré, sabe que Seu Filho é Deus; São José, seu pai legal, após tantas dúvidas, sabe que aquela criança foi gerada pelo Espírito Santo. Os anjos vão aos campos para anunciar aos mais pobres de Israel, aos pastores, que o tão esperado Cristo Salvador nasceu na Cidade de Davi e estes imediatamente correm para o presépio e encontram uma criança que não apresenta nada em especial, envolta em pobres faixas, indefesa e recostada numa manjedoura. Os magos do Oriente perscrutam os céus e encontram um sinal: um astro refulge no firmamento. É a natureza sinalizando que Deus vem em socorro da humanidade.

Assim como criou o mundo e tudo o que existe, Deus podia salvar a humanidade com um simples ato de Sua vontade, mas foi pela mulher que o pecado entrou no mundo, então era preciso que pela mulher a salvação entrasse no mundo. Foi na carne que o homem se perdeu e era preciso que na carne fosse salvo. Deus exigia a obediência total do homem em reparação à desobediência de Adão, porém sendo todos os homens pecadores, Deus, rico em misericórdia, envia Seu próprio Filho para resgatar a humanidade decaída e ferida pelo pecado, essa ovelha perdida que o Pastor toma nos ombros quando assume a nossa carne no ventre da Virgem Maria. Em Sua infinita misericórdia, Deus olha para os homens e desce para ver seus sofrimentos. Sente o que os homens sentem. Despoja-se inteiramente de Sua glória para habitar conosco por amor a cada um de nós. Sua divindade está escondida numa criança. Sendo Onipotente, fica totalmente dependente dos cuidados de Seus pais. São eles que O salvarão das garras de Herodes; sendo Onisciente, Sua única manifestação é o choro; sendo Onipresente, está limitado pela natureza humana. Deus, não podendo dar mais, deu-se a Si mesmo. Admiramos uma pessoa rica quando renuncia a suas riquezas, doa prodigamente o que tem aos pobres ou ocupa altos cargos e não é soberba. Mas nada se compara à humildade de Jesus tão visível naquele cocho. Infinita humildade! Quanto amor por nós!

O Natal é apresentado hoje como uma festa mágica, infantil e consumista. Dominado pelo mercado e secularizado por este para poder agradar a todos, o profundo e verdadeiro significado do Natal foi sufocado. Sem dúvida, o maior acontecimento da História deve ser comemorado: enfeitemos os lugares com luzes, pois estávamos nas trevas do pecado e a Luz brilhou sobre nós; que as decorações demonstrem nossa alegria pelo Senhor que veio, vem e virá; que a ceia seja uma festa para comemorarmos a Salvação que entrou no mundo para nos livrar do jugo do pecado e da morte. Além de um tempo legítimo de festa, pois tudo o que fazemos para comemorar o nascimento de Cristo ainda é pouco diante deste fato tão extraordinário, o Natal oferece-nos um período de meditação e reflexão. Mais uma vez a agitação do natal secularizado pode-nos desviar destes propósitos. Conversão e penitência são palavras que não aparecem nas propagandas natalinas. A triste realidade é que, para a maioria das pessoas, Jesus é um estorvo, alguém prescindível e desnecessário, quando muito um personagem admirável e não a razão de nossas vidas, aquela pérola preciosa que nos motiva a abandonar tudo para possuí-la.

Diante do Menino, reflitamos sobre nossas vidas. Diante de tanto amor que Deus nos oferece, como estamos correspondendo? Progredimos em santidade entre o Natal passado e este Natal ou ano após ano estamos exatamente iguais ou, o que é pior, retrocedemos? Que nossas comemorações estejam centradas na pessoa de Jesus. Que, entre as comemorações, nossa prioridade seja a Santa Missa, onde o Cristo se dá na Eucaristia, manso e humilde como na gruta de Belém, onde a aparência do pão e do vinho esconde Sua divindade assim como estava escondida naquela criança nascida na Casa do Pão (Bethlehem) e colocada profeticamente na manjedoura significando que o Pão vivo descido do céu seria nosso alimento. Que o Cristo Senhor nasça em cada coração!


11 de dez. de 2011

3º Domingo do Advento - João Batista: testemunha da Luz

A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 1, 6-8.19-28

“João respondeu: Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis.” (Jo 1, 26)

A sociedade moderna passa pela mesma dificuldade que a sociedade judaica contemporânea a João: não conseguem reconhecer o Cristo entre nós. A dureza do coração diante de Jesus Cristo faz com que muitos busquem falsos profetas e falsas doutrinas, se embrenhando em religiões estranhas, nas heresias histéricas e que criam falsas ilusões em nome de Jesus, no esoterismo, ou ainda esta sociedade que busca o sensível, a experiência como prova – o que vem acontecendo mesmo entre os cristãos – esquecendo da suavidade da presença de Cristo no meio de nós.

As pessoas supervalorizam os milagres extraordinários, as manifestações de dons e carismas e até – pasmem! – shows de possessão demoníaca, reais ou não. Será que cansamos de andar na luz que é Cristo ou nos acostumamos tanto com Sua presença que Ele passa despercebido por nós, como em Sua presença real, mas encoberta sob o véu do sacramento da Eucaristia? Desde a ressurreição, Cristo está vivo no meio de nós, sem jamais nos abandonar. Não cremos mais em Sua presença?

A voz da Igreja continua soando no deserto como a de João Batista. Numa aridez cada vez maior, a Igreja se mantém firme em anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo, dando testemunho da Luz, porém é sempre vista com desconfiança, ameaçada, caluniada por aqueles que não querem reconhecer em Jesus o Cristo Senhor. Que neste Natal abramos o coração para receber Aquele que veio nos salvar de nossos pecados através da humildade e simplicidade de uma criança que aparentemente nada tinha de especial e era o próprio Deus feito homem.



19 de jun. de 2011

Solenidade da Santíssima Trindade

A Boa Notícia de Jesus Cristo


"Com efeito, de tal forma Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo. 3, 16)


Ninguém pode duvidar do amor de Deus para conosco. Ainda quando éramos pecadores, Deus nos deu o Seu Filho gerado desde toda a eternidade para que possamos ser salvos por Sua morte e ressurreição. Deus nos amou primeiro e, para que sejamos salvos de nossos pecados, exige que aceitemos este convite ao amor, crendo em Jesus Cristo, Seu Filho, como nosso Senhor e Salvador. Jesus nos diz que aqueles que não creem Nele, não podem se salvar. Não é uma falha em Sua misericórdia. Deus respeita a liberdade humana e nada pode diante daqueles que livremente rejeitam a salvação. Infelizmente a cada dia vemos aumentar a rejeição a Cristo e à Sua Igreja numa crescente cristianofobia que, inclusive, já ceifou vidas de cristãos em pleno século XXI. A humanidade mergulha a cada dia nas trevas e a chama de luz.


A fé cristã tem como fundamento o mistério da Santíssima Trindade, Um só Deus em três Pessoas que não dividem entre si a divindade, mas cada uma delas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – é Deus por inteiro. É Deus a primeira comunidade, a família original que vive desde toda a eternidade no amor. E, mesmo não precisando de nosso amor, mas nos amando gratuitamente, quis que participássemos deste amor, criando-nos. E, mesmo quando voltamos às costas para Seu amor, o Pai envia Seu Filho amado, que Se encarna no seio da Virgem Maria e não poupa nem a Si mesmo para nos resgatar e nos dar Seu Espírito Santo para que continue conosco eternamente. Apesar de todo o nosso pecado, a Trindade Santa não nos abandona e, por Jesus Cristo, nós, míseras criaturas, nos unimos a Ela. E não somente após nossa morte, mas desde já, pela fé e pelo batismo, nos tornamos morada do Deus Uno e Trino.