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23 de dez. de 2014

Especial de Natal: Rodrigo Faro na Terra Santa e um exemplo de anistoricidade dos evangélicos

Um dos grandes problemas dos protestantes e evangélicos em geral, que tende a piorar com os pentecostais, é sua anistoricidade. É fácil compreender, já que qualquer igreja protestante, evangélica, pentecostal, neopentecostal que se investigue a História, do presente para o passado, vai acabar numa ruptura. E os membros de quaisquer destas igrejas considerarão SUA História somente a partir da ruptura. Os protestantismos são feitos de rupturas sem fim. Um dia, debatendo com um evangélico, citei algo que Lutero tinha dito que contrariava o que ele pensava. Ele respondeu pura e simplesmente: "Não sou luterano"; e ele estava certo. Para ele, assim como para a maioria dos evangélicos, a História do cristianismo pula do século I para a fundação de sua igreja, independentemente do século - ou da década - e por quem tenha sido fundada. Alguns são tão radicalmente anistóricos que resvalam no gnosticismo. Bom, não fosse anistóricos, os evangélicos seriam católicos hehehe

Ontem eu assisti ao especial de Natal do Rodrigo Faro na Terra Santa. No geral, foi legal, mas o coitado teve que se ajustar ás diretrizes da IURD e aí algumas coisas ficaram a desejar. Foi um exemplo de anistoricidade. Os locais sagrados, como sabemos, são marcados na Terra Santa com uma igreja, seja católica, seja ortodoxa. Nenhuma foi mostrada. O Faro mostrou umas ruínas de casas em Nazaré (que estão no pátio da Basílica da Anunciação) e disse que a casa de Jesus era parecida. Se tivesse entrado na Basílica, teria podido mostrar parte da casa verdadeira de Jesus (a parte principal foi transportada pelos anjos para Loreto, Itália). Poderia ter andado mais um pouquinho e entrado na igreja de São José e mostrado a oficina onde o pai adotivo de Jesus e Ele próprio trabalharam. Faro foi a Cafarnaum, mostrou a sinagoga e as ruínas da casa de Pedro. O câmera, coitado, teve que fazer malabarismo para não mostrar a igreja construída sobre a casa. Foi a Caná da Galileia, entrou na igreja, mas não mostraram a igreja. Eu sei que entrou porque mostrou o subsolo, onde está a antiga sinagoga e há uma talha como a usada no milagre do vinho.

Em Jerusalém, Rodrigo Faro parou ao lado do pátio da igreja de São Pedro in Gallicantu, na beira da escadaria do Monte Sião. Disse que as ruínas que estavam sendo mostradas, eram da casa de Caifás. Não eram não. A casa de Caifás estava nas suas costas, sob a igreja do Gallicantu. Tivesse entrado na igreja, descido uma escadinha em espiral no canto esquerdo de quem entra e tinha ido direto para as ruínas da casa de Caifás, e poderia ter mostrado onde Jesus ficou preso na noite de quinta para sexta-feira. Em seguida, foi para a Via Dolorosa. Só Deus sabe quem disse para ele que uns corredores que ele mostrou fizeram parte da Fortaleza Antônia. Da fortaleza não existe mais nada, só um lajeado. Faro seguiu pela Via Dolorosa, mostrou umas estações, mas nenhuma capelinha que marca algumas delas. Comentou até aquelas estações que não são referidas nos evangelhos, mas são parte da tradição (as quedas de Jesus, o encontro com Nossa Senhora e com Verônica). Essa passou pela censura dos pastores.

A Via Dolorosa, como sabemos, termina na Basílica do Santo Sepulcro. Mas, neste momento, Faro se desviou - e muito! - da rota e acabou no Jardim de Gordon. O local conta com um rochedo, um jardim e um túmulo vazio que um oficial britânico, Gordon, no século XIX, encafifou ser o calvário, porque o rochedo lhe parecia uma caveira e aquele ser o verdadeiro túmulo de Jesus, tão somente porque estava vazio. Hoje sabemos pela arqueologia que o túmulo é do período bizantino e que tinha sido usado para vários sepultamentos. É um exemplo claro de desconsideração dos grandes trabalhos arqueológicos e a vasta documentação histórica que apontam com grande probabilidade para o Santo Sepulcro como o local da ressurreição, porém grande parte dos evangélicos defendem que ali, o Jardim de Gordon, é o verdadeiro local da ressurreição de Jesus. Coitado do Faro embarcou nessa e teve que mostrar uma mentira a seus telespectadores.



22 de jan. de 2014

O "péssimo bom gosto" do senhor Gregorio Duvivier

O famigerado "Especial de Natal" produzido pelo humorístico Porta dos Fundos indignou os cristãos. Foram milhares que se manifestaram contra as ofensas à religião da maioria dos brasileiros. Houve ameaça de boicote (lembrando os católicos irlandeses, inventores da tática do boicote, durante a luta pela independência) dos produtos da Itaipava, principal patrocinadora do programa, sendo enviado para a empresa um abaixo-assinado com mais de 20 mil assinaturas. E os humoristas do Porta dos Fundos acusaram o golpe. Antonio Tabet deu declarações apaziguadoras. A Itaipava lançou nota tentando se distanciar do vídeo ofensivo. Mas quem mais sentiu o golpe foi Gregorio Duvivier. Não fosse assim, não teria gasto, em sua coluna na Folha (13/01/2014), 2341 caracteres para responder a menos de 140 usados por Dom Odilo Pedro Scherer para classificar o vídeo como de "péssimo mau gosto". 

Mas passemos ao teor da "carta aberta" ao cardeal de São Paulo. O senhor Duvivier não sabe exatamente o seu verdadeiro lugar. Considera-se, graças ao simples comentário de Dom Odilo - que, como todos os defensores da liberdade de expressão sabem, só usou a sua - na companhia de, nada mais nada menos, Galileu Galilei! Menos, senhor Duvivier, muito menos. Galileu foi um gênio. Foi o pai da ciência moderna. O senhor e seus companheiros estão longe da genialidade. Não figuram e me parece que jamais figurarão nem mesmo entre os gênios do humor brasileiro, tais como Oscarito, Grande Otelo, Mazzaropi, Chico Anísio, Ronald Golias, quanto mais ao seleto grupo de gênios da humanidade. Já sobre o filósofo de Nola, também citado no texto, basta dizer que foi um roteirista de Hollywood que nasceu no século errado.

O senhor Gregorio Duvivier comete um engano em datas. A tal "absolvição" de Galileu ocorreu em 1992. Mas, sem entrar na intricada história do processo de Galileu, vale lembrar que o Papa reconheceu os excessos. Há quem não os reconheça quando os comete e prefere continuar a ofender. Com efeito, reconhecer um erro demanda tempo. Às vezes muito tempo, até séculos, que talvez só a memória dos gênios, como Galileu, e a Igreja católica consigam sobreviver. Quanto ao senhor Duvivier, seus companheiros e o Porta dos Fundos podem não chegar às Olimpíadas do Rio de Janeiro. Sabem como é a momentaneidade da internet...

Mas o que me impressionou mesmo foi o "bom gosto" do senhor Duvivier! Gregorio curte fetos esquartejados e seres humanos tratados como lixo. Curte bolas batendo em bolas. Também considera de bom gosto abreviar a vida de idosos e de doentes terminais (afinal estes já não rendem "cascalhinhos"). Quer a morte de crianças anencéfalas, quando sabemos que muitas sobrevivem por muito tempo após o nascimento. Aliás, algumas chegam a fase adulta e até a fazer programas de humor... Não entendi porque o senhor Duvivier esqueceu de mencionar que a maconha figura entre seus gostos - pode ser que este bom gosto esteja afetando-lhe a memória... -, ou seja, o senhor Duvivier tem o bom gosto de alimentar a violência gerada pelo tráfico de drogas.

E, para terminar, o senhor Gregorio Duvivier demonstra não conhecer muito sobre a Igreja que tanto ataca. Não sabe nem mesmo que arquidiocese é uma jurisdição territorial eclesiástica e confunde o termo com o de "cúria". Ou o senhor Duvivier se regozija por existir alguém que tenha assistido ao vídeo em meia cidade de São Paulo? 

Reitero. Ninguém chuta cachorro morto. E os referidos humoristas do Porta dos Fundos sentiram o golpe. Parabéns aos católicos e demais cristãos que estão a fazer valer o direito de ter seus símbolos sagrados e sentimentos religiosos respeitados. 



22 de dez. de 2013

Reflexões do Advento (16 a 21 de dezembro)

16 de dezembro de 2013

Mateus 21, 23-27

"Jesus voltou ao Templo. Enquanto ensinava, os sumos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se dele e perguntaram: 'Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu tal autoridade?'" (Mt 11, 23)

A autoridade religiosa dos sumos sacerdotes e dos anciãos era legítima porque vinha de Deus e Jesus jamais se revoltou contra ela. Jesus "ensina como quem tem autoridade" porque é o Cristo Deus, mas os chefes religiosos, obcecados por sua autoridade, temerosos em perdê-la e tornando-a um fim em si mesma, não conseguiram reconhecê-lo, assim como não reconheceram a missão de São João Batista, enviado para preparar os corações para o encontro com Jesus. O formalismo religioso fez com que perdessem o contato com Deus que julgavam servir. Como está nosso relacionamento com Deus? Pensamos que basta praticar alguns ritos e seguir algumas normas ou temos intimidade com Deus que gera real mudança de vida? Será que temos medo de Jesus, medo de perdermos nossas pequenas "autoridades", nossos poderezinhos, a ponto de soberbamente colocá-lo contra a parede contestando sua autoridade e seus ensinamentos?

17 de dezembro de 2013 

Mateus 1, 1-17

"Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo." (Mt. 1,16)

Jesus é filho de Abraão. Nele se cumpre a promessa: todos os povos da terra são abençoados. Mostra-nos, também, que Jesus faz parte da dinastia de Davi, portanto é Rei de Israel. Jesus veio para salvar a todos os povos: judeus e gentios. Veio salvar a você e a mim. Para isso, desceu dos céus e tomou a nossa carne. Entrou na História de um povo. Interessante notar que, entre os antepassados de Jesus, não há somente santos. Longe disso. Há assassinos, adúlteros, prostitutas. Mas Jesus não teme misturar-se. São pecadores de todas as épocas que Jesus quer resgatar. Recusamos ou acolhemos a sua vinda salvadora? Somos pecadores? Não temamos. Nos arrependamos e aproximemo-nos com confiança da misericórdia de Deus e Ele nos perdoará.

18 de dezembro de 2013

Mateus 1, 18-24

"A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo." (Mt. 1, 18-19)

Muitas vezes, José passa despercebido nos evangelhos. Não há o registro de uma única palavra falada por ele. Mas é um dos grandes - se não o maior - santos da Igreja! José era justo. Isto define o homem que foi escolhido para ser legalmente o pai de Jesus. José conhecia as virtudes de Maria, por isso recusa a denunciá-la às autoridades e resolve abandoná-la discretamente porque também não podia assumir um filho cuja paternidade desconhecia. José é justo e o "justo vive da fé". Ele não conseguia compreender como tudo aconteceu, mas sabia que ela não podia ser culpada e confiou o julgamento a Deus e não a ele próprio ou à Lei. Temos esta discrição de São José? Julgamos as pessoas apressadamente sem conhecer todos os elementos que envolvem o caso ou procuramos compreendê-las? Falamos mal das pessoas e as difamamos? Apontamos o dedo para as pessoas ou procuramos ser justos?

19 de dezembro de 2013

Lucas 1, 5-25

"Mas o anjo disse: 'Não tenhas medo, Zacarias, porque Deus ouviu tua súplica. Tua esposa, Isabel, vai ter um filho, e tu lhe darás o nome de João." (Lc. 1, 13)

Zacarias e Isabel já eram de idade avançada e, além disso, Isabel era estéril. Mas os dois não perdiam a esperança, suplicando a Deus que lhes dessem um filho. Quando o anjo Gabriel anuncia a Zacarias que Isabel ficará grávida, ele chega a duvidar de tamanho milagre e é castigado com a mudez. Isabel e Zacarias representam o Antigo Testamento que se tornou estéril e sem mais nada a dizer, mas também o representam na esperança da vinda do Messias que faz tudo novo. Assim, Deus os recompensou dando-os São João Batista que será o precursor de Jesus. Sua missão será preparar os caminhos do Senhor, apelando a todos para que se convertam e façam penitência. É o último e o mais importante dos profetas. Diante das situações da vida, quando tudo parece não ter jeito, mantemos viva a esperança e confiamos em Deus sabendo que Ele pode tudo e cuida de nós? Como estamos preparando nossos corações para acolher Jesus neste tempo propício do Natal? Pela conversão que nos torna férteis em boas obras ou estamos perdidos na preparação de um natal falso e consumista e, por isso, estéril?

20 de dezembro de 2013

Lucas 1, 26-38

"Maria, então, disse: 'Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!'" (Lc. 1, 38)

Deus Todo-Poderoso poderia salvar a humanidade com um simples ato de sua vontade, mas Deus recusou este ato frio de "burocracia". Enviou seu Filho eterno, o Verbo divino, que se encarnou no seio da Virgem Maria. Deus quis se fazer um de nós. Desceu a nós para poder nos elevar até Ele. Não salvaria a humanidade sem a participação do ser humano e para isso escolheu a mais humilde das mulheres para sua mãe, aquela que tinha seu coração em sintonia com Deus e cuja vida tinha apenas o propósito de fazer a sua vontade. Aquele "sim" pronunciado em Nazaré mudou a História e nos abriu o Paraíso. Aquele "faça-se" nos remete ao Gênesis, ao relato da criação. Em Maria, Deus começa a fazer nova todas as coisas. Que tenhamos a coragem e a fé da Virgem Santíssima em se entregar total e incondicionalmente a Deus para que Ele conduza nossas vidas e realize em nós a Sua vontade.

21 de dezembro de 2013

Lucas 1, 39-45

"Com um grande grito, exclamou: 'Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!' Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?" (Lc. 1, 42-43)

Em Nossa Senhora, encontramos todas as virtudes (e não seria por menos, já que ela é a Toda-Santa), mas a maior delas é a humildade. Toda mulher judia tinha a expectativa de que seu filho poderia ser o Messias. Maria concebe do Espírito Santo, sabe que será a mãe do Cristo Salvador esperado por séculos, mas ela não se sente orgulhosa, porque sabe que tudo é graça de Deus. A Mãe de Deus não se sente como quem tem o rei na barriga (ainda que, de fato, tivesse...). Quando sabe, através do anjo Gabriel, que Isabel está grávida, Maria parte apressadamente, atravessa o país, para ajudá-la. É a primeira a encontrar-se com Jesus e já parte como missionária. Leva Jesus a Isabel e a João Batista que ficam cheios do Espírito Santo. Quem encontra-se com Jesus não pode guardar esta experiência só para si. Este encontro nos impele a sair da preguiça, da comodidade para anunciar Jesus pelo exemplo de vida, pela palavra e pela caridade.



1 de dez. de 2013

1º Domingo do Advento: "Portanto, ficai atentos! Porque não sabeis em que dia virá o Senhor." (Mateus 24, 37-44)

Por isso, também vós ficai preparados!
Porque na hora em que menos pensais,
o Filho do Homem virá. (Mateus 24, 44)

Hoje iniciamos mais um Ano Litúrgico com o primeiro Domingo do Advento. O Advento é tempo de preparação para a comemoração do Natal de Jesus quando Ele veio a nós. Mas também é um período em que a Igreja nos propõe refletirmos sobre a outra vinda de Jesus, quando Ele vier em sua glória para julgar a humanidade. Portanto, é uma época como a quaresma, ainda que em intensidade menor, de penitência e reflexão. No evangelho de hoje, Jesus nos avisa sobre esta sua vinda definitiva. Diz-nos que ela será repentina, sem aviso prévio, como foi o dilúvio no tempo de Noé. Dá-nos a seguinte imagem como exemplo: “Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada”. 

Portanto, como Jesus nos pede, fiquemos atentos. E o que devemos fazer? Façamos o que Paulo nos indica na carta aos romanos: “Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar. Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite já vai adiantada, o dia vem chegando: despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz. Procedamos honestamente, como em pleno dia: nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”. Jesus quer nos encontrar vivendo em estado de santidade.

Voltemos a história de Noé citada por Jesus. Em meio à humanidade corrompida, Deus encontrou Noé, um justo. Falou com ele, revelou-lhe seu plano de por fim a tanta maldade e de começar uma humanidade renovada a partir dele. Assim, Noé teve fé e construiu a arca que salvou sua família e os animais e, posteriormente, foram o germe da nova criação. Jesus também nos revelou o plano de Deus para nossas vidas. Como no tempo de Noé, fez aliança conosco, uma aliança eterna que nada pode romper se mantivermo-nos fiéis a Ele. Jesus nos fez justos e santos e nos colocou em sua arca, a Igreja, que navega sobre as turbulentas águas do mundo, conduzindo-nos rumo à Pátria definitiva. Nós somos esta humanidade renovada e são os santos que herdarão a nova terra e os novos céus que surgirão quando Jesus voltar e colocar um ponto final na História instaurando seu Reino de paz e de justiça, onde os povos “não pegarão em armas uns contra os outros e não mais travarão combate”. 

Nós, cristãos, não devemos temer o “fim do mundo”. Pelo contrário, será o retorno de Jesus Cristo, Aquele que amamos e que nos ama, Aquele que recebemos docemente na Eucaristia. É Ele que retornará e nos transformará e viveremos eternamente com Ele. Não sejamos como os homens e mulheres do tempo de Noé e que podemos reconhecer facilmente ainda nesta nossa época, que voltam as costas para Deus e não reconhecem seus sinais, preferindo viver numa vida de pecado. Aqueles foram submergidos pelas águas e, quando Cristo voltar, infelizmente encontrará parte da humanidade em pecado, não querendo saber de Deus. Mas nós não. A nós, Jesus alerta: “Estejam preparados!” Que hoje demos ouvidos ao chamado de Jesus e nos convertamos para vivermos na graça de Deus, fazendo sua vontade, e, assim, esperemos alegremente este encontro definitivo, face-a-face, com Jesus. 

Vem, Senhor Jesus!




24 de dez. de 2011

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo




As luzes coloridas, os enfeites variados, as decorações grandiosas, a preocupação com a ceia e os presentes, a onipresença do Papai Noel podem nos levar a esquecer o mistério do Natal. Um grande mistério. Não comemoramos no dia 25 de dezembro apenas um natal, ou seja, o nascimento de mais uma criança. Todos os nascimentos são maravilhosos, a manifestação da vida é um mistério e um milagre em si mesma, mas nada, absolutamente nada se compara com o que aconteceu há dois milênios em Belém da Judeia quando ouviu-se o choro estridente de uma criança quebrando o silêncio daquela noite e dividindo a História dos homens. O Verbo feito carne veio à luz. O Filho de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro deixa a glória celeste e Se torna um de nós. O Eterno entra no tempo, o Todo se faz parte na fragilidade de uma criança. É um acontecimento extraordinário.

Sem estardalhaço, agindo suave e delicadamente, Deus se fez homem. Ninguém percebe. Ninguém sabe. Sua Mãe Santíssima, que durante nove meses meditou em seu imaculado coração tudo o que o arcanjo Gabriel lhe disse em Nazaré, sabe que Seu Filho é Deus; São José, seu pai legal, após tantas dúvidas, sabe que aquela criança foi gerada pelo Espírito Santo. Os anjos vão aos campos para anunciar aos mais pobres de Israel, aos pastores, que o tão esperado Cristo Salvador nasceu na Cidade de Davi e estes imediatamente correm para o presépio e encontram uma criança que não apresenta nada em especial, envolta em pobres faixas, indefesa e recostada numa manjedoura. Os magos do Oriente perscrutam os céus e encontram um sinal: um astro refulge no firmamento. É a natureza sinalizando que Deus vem em socorro da humanidade.

Assim como criou o mundo e tudo o que existe, Deus podia salvar a humanidade com um simples ato de Sua vontade, mas foi pela mulher que o pecado entrou no mundo, então era preciso que pela mulher a salvação entrasse no mundo. Foi na carne que o homem se perdeu e era preciso que na carne fosse salvo. Deus exigia a obediência total do homem em reparação à desobediência de Adão, porém sendo todos os homens pecadores, Deus, rico em misericórdia, envia Seu próprio Filho para resgatar a humanidade decaída e ferida pelo pecado, essa ovelha perdida que o Pastor toma nos ombros quando assume a nossa carne no ventre da Virgem Maria. Em Sua infinita misericórdia, Deus olha para os homens e desce para ver seus sofrimentos. Sente o que os homens sentem. Despoja-se inteiramente de Sua glória para habitar conosco por amor a cada um de nós. Sua divindade está escondida numa criança. Sendo Onipotente, fica totalmente dependente dos cuidados de Seus pais. São eles que O salvarão das garras de Herodes; sendo Onisciente, Sua única manifestação é o choro; sendo Onipresente, está limitado pela natureza humana. Deus, não podendo dar mais, deu-se a Si mesmo. Admiramos uma pessoa rica quando renuncia a suas riquezas, doa prodigamente o que tem aos pobres ou ocupa altos cargos e não é soberba. Mas nada se compara à humildade de Jesus tão visível naquele cocho. Infinita humildade! Quanto amor por nós!

O Natal é apresentado hoje como uma festa mágica, infantil e consumista. Dominado pelo mercado e secularizado por este para poder agradar a todos, o profundo e verdadeiro significado do Natal foi sufocado. Sem dúvida, o maior acontecimento da História deve ser comemorado: enfeitemos os lugares com luzes, pois estávamos nas trevas do pecado e a Luz brilhou sobre nós; que as decorações demonstrem nossa alegria pelo Senhor que veio, vem e virá; que a ceia seja uma festa para comemorarmos a Salvação que entrou no mundo para nos livrar do jugo do pecado e da morte. Além de um tempo legítimo de festa, pois tudo o que fazemos para comemorar o nascimento de Cristo ainda é pouco diante deste fato tão extraordinário, o Natal oferece-nos um período de meditação e reflexão. Mais uma vez a agitação do natal secularizado pode-nos desviar destes propósitos. Conversão e penitência são palavras que não aparecem nas propagandas natalinas. A triste realidade é que, para a maioria das pessoas, Jesus é um estorvo, alguém prescindível e desnecessário, quando muito um personagem admirável e não a razão de nossas vidas, aquela pérola preciosa que nos motiva a abandonar tudo para possuí-la.

Diante do Menino, reflitamos sobre nossas vidas. Diante de tanto amor que Deus nos oferece, como estamos correspondendo? Progredimos em santidade entre o Natal passado e este Natal ou ano após ano estamos exatamente iguais ou, o que é pior, retrocedemos? Que nossas comemorações estejam centradas na pessoa de Jesus. Que, entre as comemorações, nossa prioridade seja a Santa Missa, onde o Cristo se dá na Eucaristia, manso e humilde como na gruta de Belém, onde a aparência do pão e do vinho esconde Sua divindade assim como estava escondida naquela criança nascida na Casa do Pão (Bethlehem) e colocada profeticamente na manjedoura significando que o Pão vivo descido do céu seria nosso alimento. Que o Cristo Senhor nasça em cada coração!


19 de dez. de 2011

Quarto Domingo do Advento - Fiat!

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Lucas 1, 26-38

Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc. 1, 38)

Neste quarto Domingo do Advento temos o trecho do evangelho que nos conta a anunciação do anjo a Maria. Esta passagem é bastante conhecida. O anjo Gabriel anuncia a Nossa Senhora que Deus a havia escolhido para ser a Mãe do Salvador. Desde toda a eternidade, Deus tinha escolhido Maria. O Senhor olhou para todas as mulheres, de todos os tempos e lugares, e viu em Maria aquela em quem cumpriria Suas promessas, viu nela a mulher que esmagaria a cabeça da serpente. Olhou para a humildade de sua serva, justamente para a virtude que faltou a Eva. Assim, como a mulher que seria Sua mãe era do povo judeu, Deus escolheu este povo para que, dele, nascesse o Salvador.

É por causa de Maria que Deus não escolheu nenhum outro povo, mas os judeus. Deus preparou Maria preservando-a do pecado original. Tinha que ser imaculada porque recebia em seu ventre o próprio Deus. Assim como a presença do Senhor não permanecia no Templo de Jerusalém quando este era profanado e se tornava impuro, do mesmo modo, Deus não poderia habitar na Virgem Maria – quanto mais receber sua carne – se esta estivesse manchada pelo pecado. Assim nos revela o arcanjo Gabriel quando lhe chama por um novo nome: cheia de graça. A Santíssima Virgem é repleta da graça de Deus não tendo espaço para o mal.

Em resposta ao anjo, Maria faz-se, na fé, totalmente obediente a Deus: que se faça nela a vontade de Deus. Maria nada reservou de si. Entregou-se totalmente ao projeto de Deus. Que também nós sejamos obedientes a Deus, dóceis a Sua palavra e creiamos de todo o coração como Maria acreditou.

11 de dez. de 2011

3º Domingo do Advento - João Batista: testemunha da Luz

A Boa Notícia de Jesus Cristo

João 1, 6-8.19-28

“João respondeu: Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis.” (Jo 1, 26)

A sociedade moderna passa pela mesma dificuldade que a sociedade judaica contemporânea a João: não conseguem reconhecer o Cristo entre nós. A dureza do coração diante de Jesus Cristo faz com que muitos busquem falsos profetas e falsas doutrinas, se embrenhando em religiões estranhas, nas heresias histéricas e que criam falsas ilusões em nome de Jesus, no esoterismo, ou ainda esta sociedade que busca o sensível, a experiência como prova – o que vem acontecendo mesmo entre os cristãos – esquecendo da suavidade da presença de Cristo no meio de nós.

As pessoas supervalorizam os milagres extraordinários, as manifestações de dons e carismas e até – pasmem! – shows de possessão demoníaca, reais ou não. Será que cansamos de andar na luz que é Cristo ou nos acostumamos tanto com Sua presença que Ele passa despercebido por nós, como em Sua presença real, mas encoberta sob o véu do sacramento da Eucaristia? Desde a ressurreição, Cristo está vivo no meio de nós, sem jamais nos abandonar. Não cremos mais em Sua presença?

A voz da Igreja continua soando no deserto como a de João Batista. Numa aridez cada vez maior, a Igreja se mantém firme em anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo, dando testemunho da Luz, porém é sempre vista com desconfiança, ameaçada, caluniada por aqueles que não querem reconhecer em Jesus o Cristo Senhor. Que neste Natal abramos o coração para receber Aquele que veio nos salvar de nossos pecados através da humildade e simplicidade de uma criança que aparentemente nada tinha de especial e era o próprio Deus feito homem.



27 de nov. de 2011

1º Domingo do Advento - Vigiai!

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Marcos 13, 33-37

“Ficai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo.” (Mc 13,33)

Ainda que saibamos que Jesus voltará, não sabemos a data, mas temos certeza que iremos nos encontrar diante do tribunal de Deus assim que morrermos. E ali, Jesus Cristo, Supremo Juiz, definirá nosso destino eterno: salvação ou condenação. Não podemos deixar pra amanhã nossa conversão, fazer a vontade de Deus e a prática de boas obras.
.Mesmo que gozemos de boa saúde, sejamos jovens ou crianças, não imaginemos que temos tempo, adiando dia após dia nossa conversão, pois não sabemos que hora a morte pode nos visitar. Não temamos a morte que é inevitável, mas temamos o pecado que pode nos condenar ao sofrimento eterno.
.
Se vivermos na graça de Deus, perseverantes na fé, nada tememos, nem a vinda do Senhor, nem nossa morte, pois encontraremos Aquele que amamos e no amor não há temor. Mas o que vemos é um descaso com Deus, cada um vivendo como bem entende e se é verdade que Deus é amor, também é verdade que é justiça.

2 de jan. de 2011

Epifania do Senhor

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 2, 1-12

“Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém” (Mt 2, 1)

Hoje comemoramos a epifania do Senhor, isto é, a manifestação do Salvador para o mundo todo representado pelos três magos. A Tradição diz que eram reis; a Bíblia apenas afirma que eram magos, ou seja, estudiosos da natureza, observadores do céu. Assim como, seguindo a tradição das anunciações, os anjos apareceram aos pastores, que representavam os judeus, para anunciar o nascimento do Cristo Salvador, os magos, representantes dos gentios, pressentiram o fato através da observação da natureza, pois é assim que, aqueles que não conhecem o Deus verdadeiro podem reconhecer Sua existência. Não ficaram parados naquele astro. Se puseram a caminho, foram ao encontro Daquele que é a plenitude da revelação divina e sem O qual ninguém pode se salvar, seja judeu ou gentio. Jesus põe fim a divisão dos povos chamando todos a Sua Igreja.

Os judeus, confiando nas promessas contidas nas Sagradas Escrituras, sempre esperaram o Cristo Salvador. Os não-judeus, não tendo as Escrituras e o conhecimento do Deus único e verdadeiro, procuram na natureza os sinais de Sua vontade, e Ele sempre se revela a quem O procura sinceramente. Os magos, que buscavam nos astros as respostas divinas, encontraram a verdadeira Estrela, Jesus, que lhes conduziriam a salvação. Jesus Cristo é a Luz das nações, Salvador de toda a humanidade. Não precisamos fazer parte do povo judeu para sermos salvos, mas crermos Nele. Devemos ser como estes magos que encontraram e reconheceram o Deus encarnado e que após adorá-Lo, voltaram por outro caminho, ou seja, se converteram, não mais voltando ao ódio, inveja, ambição e orgulho que Herodes representava.

25 de dez. de 2010

Feliz Natal!




O Natal é mais do que a comemoração de um simples nascimento. Comemoramos a entrada de Deus na nossa História. O Filho, o Verbo divino, Deus de Deus, deixa a glória celeste, se despoja inteiramente e se encarna no seio da Virgem Maria. Quanta humildade! Quanto amor pela humanidade! Deus vem em nosso socorro.

Ao encarnar toma nos ombros a humanidade, a ovelha perdida. Sendo onipotente, fica totalmente dependente dos cuidados de Sua mãe; sendo onisciente, Sua única manifestação é o choro; sendo onipresente, está limitado pela natureza humana. Deus, não podendo dar mais, deu a Si mesmo e pede a nós que Lhe demos nosso coração, nossa vida, que retribuamos este amor, nesta verdadeira troca de presentes. Se esta troca não ocorrer, todas as outras serão inúteis e o Natal passará a ser somente mais uma festa. Voltemos o olhar a Jesus, nosso Deus e Salvador e abandonemos os pecados, o orgulho, a indiferença, o desamor.

Feliz Natal a todos.



21 de dez. de 2010

4º Domingo do Advento

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Mateus 1, 18-24

“Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, que significa Deus está conosco.” (Mt. 1, 22s)

O sinal da Virgem profetizado em Isaías realiza-se em Maria. Desposada com São José, Maria Santíssima concebe pelo poder do Espírito Santo. Diante das dúvidas de seu esposo, o mesmo anjo que anunciou a Maria, em sonho ilumina o coração de José e lhe dá a grande e incomparável missão de ser o guardião do Filho de Deus e de Nossa Senhora. Quantas vezes nossa fé é abalada por tantas "descobertas" resultadas de "estudos" sobre a vida de Jesus, especialmente sobre a concepção virginal de Sua Mãe, que surgem "coincidentemente" na época do Advento. Que tenhamos a convicção de São José, o homem justo que acreditou nas palavras de Deus e abraçou em sua fé silenciosa os desígnios do Salvador.

O Natal é apresentado hoje como uma festa mágica, infantil, consumista para que o mundo esconda a grandiosidade do Deus que tanto amou a humanidade, que se encarnou para nos salvar. Precisamos meditar sobre este magnífico acontecimento onde o Eterno entra no tempo, o Todo que se faz parte. Deus podia salvar a humanidade com um simples ato de Sua vontade, mas foi na carne que o homem se perdeu e era preciso que na carne fosse salvo; foi pela mulher que o pecado entrou no mundo, foi preciso que pela mulher a salvação, do mesmo modo, entrasse no mundo. Que ao comemorarmos o Natal, tenhamos a certeza que Deus veio ao encontro da humanidade e não nos abandona jamais.

11 de dez. de 2010

3º Domingo do Advento

A Boa Notícia de Jesus Cristo:

Mateus 11, 2-11

“Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?” (Mt. 11, 3)

No Evangelho deste terceiro domingo do Advento, fica claro que João Batista não duvida que Jesus é o Cristo, mas envia seus discípulos para que estes creiam. São João Batista é o último dos profetas, o elo entre o Antigo e o Novo Testamento, aquele que deveria preceder o Messias, preparando-Lhe o caminho. Portanto, Jesus responde aos discípulos de João de acordo com as profecias sobre os sinais messiânicos que O acompanham: os milagres dão testemunho do Cristo.
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Jesus tece um elogio ao seu parente e precursor: elogia sua vida austera, afirma que João é um profeta, o maior homem que já existiu, mas em seguida acrescenta: “porém, o menor no Reino dos céus é maior do que ele”. Interessante observação. João ainda vive sobre o regime da Lei. Ainda que tenha visto o Cristo, preparado Sua vinda, faz parte do Antigo Testamento. Assim, o povo da Nova Aliança, por menor que seja um de nós, cristãos, é maior que qualquer patriarca, rei ou profeta que “desejaram ver e ouvir o que nós vimos e ouvimos – ou seja, Jesus Cristo e Seu Evangelho – e não puderam”. Atentemos para esta graça nos dada por Deus que muitas vezes nos passa despercebidas e a desperdiçamos com tanta facilidade. Vivemos no tempo da graça, no Reino de Deus instaurado com o nascimento de Nosso Senhor.
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“Felizes aqueles para quem eu não for ocasião de queda”. Quantas pessoas vivem como se Deus não existisse ou não se preocupasse conosco, comemoram este natal secularizado, que pouco menciona o maior acontecimento da História: o nascimento do Salvador dos homens, a entrada do Deus imortal e eterno no tempo e no espaço que vem resgatar cada um de nós das garras do Maligno. Que Jesus Cristo nos seja motivo de salvação, jamais de perdição.