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23 de dez. de 2014

Especial de Natal: Rodrigo Faro na Terra Santa e um exemplo de anistoricidade dos evangélicos

Um dos grandes problemas dos protestantes e evangélicos em geral, que tende a piorar com os pentecostais, é sua anistoricidade. É fácil compreender, já que qualquer igreja protestante, evangélica, pentecostal, neopentecostal que se investigue a História, do presente para o passado, vai acabar numa ruptura. E os membros de quaisquer destas igrejas considerarão SUA História somente a partir da ruptura. Os protestantismos são feitos de rupturas sem fim. Um dia, debatendo com um evangélico, citei algo que Lutero tinha dito que contrariava o que ele pensava. Ele respondeu pura e simplesmente: "Não sou luterano"; e ele estava certo. Para ele, assim como para a maioria dos evangélicos, a História do cristianismo pula do século I para a fundação de sua igreja, independentemente do século - ou da década - e por quem tenha sido fundada. Alguns são tão radicalmente anistóricos que resvalam no gnosticismo. Bom, não fosse anistóricos, os evangélicos seriam católicos hehehe

Ontem eu assisti ao especial de Natal do Rodrigo Faro na Terra Santa. No geral, foi legal, mas o coitado teve que se ajustar ás diretrizes da IURD e aí algumas coisas ficaram a desejar. Foi um exemplo de anistoricidade. Os locais sagrados, como sabemos, são marcados na Terra Santa com uma igreja, seja católica, seja ortodoxa. Nenhuma foi mostrada. O Faro mostrou umas ruínas de casas em Nazaré (que estão no pátio da Basílica da Anunciação) e disse que a casa de Jesus era parecida. Se tivesse entrado na Basílica, teria podido mostrar parte da casa verdadeira de Jesus (a parte principal foi transportada pelos anjos para Loreto, Itália). Poderia ter andado mais um pouquinho e entrado na igreja de São José e mostrado a oficina onde o pai adotivo de Jesus e Ele próprio trabalharam. Faro foi a Cafarnaum, mostrou a sinagoga e as ruínas da casa de Pedro. O câmera, coitado, teve que fazer malabarismo para não mostrar a igreja construída sobre a casa. Foi a Caná da Galileia, entrou na igreja, mas não mostraram a igreja. Eu sei que entrou porque mostrou o subsolo, onde está a antiga sinagoga e há uma talha como a usada no milagre do vinho.

Em Jerusalém, Rodrigo Faro parou ao lado do pátio da igreja de São Pedro in Gallicantu, na beira da escadaria do Monte Sião. Disse que as ruínas que estavam sendo mostradas, eram da casa de Caifás. Não eram não. A casa de Caifás estava nas suas costas, sob a igreja do Gallicantu. Tivesse entrado na igreja, descido uma escadinha em espiral no canto esquerdo de quem entra e tinha ido direto para as ruínas da casa de Caifás, e poderia ter mostrado onde Jesus ficou preso na noite de quinta para sexta-feira. Em seguida, foi para a Via Dolorosa. Só Deus sabe quem disse para ele que uns corredores que ele mostrou fizeram parte da Fortaleza Antônia. Da fortaleza não existe mais nada, só um lajeado. Faro seguiu pela Via Dolorosa, mostrou umas estações, mas nenhuma capelinha que marca algumas delas. Comentou até aquelas estações que não são referidas nos evangelhos, mas são parte da tradição (as quedas de Jesus, o encontro com Nossa Senhora e com Verônica). Essa passou pela censura dos pastores.

A Via Dolorosa, como sabemos, termina na Basílica do Santo Sepulcro. Mas, neste momento, Faro se desviou - e muito! - da rota e acabou no Jardim de Gordon. O local conta com um rochedo, um jardim e um túmulo vazio que um oficial britânico, Gordon, no século XIX, encafifou ser o calvário, porque o rochedo lhe parecia uma caveira e aquele ser o verdadeiro túmulo de Jesus, tão somente porque estava vazio. Hoje sabemos pela arqueologia que o túmulo é do período bizantino e que tinha sido usado para vários sepultamentos. É um exemplo claro de desconsideração dos grandes trabalhos arqueológicos e a vasta documentação histórica que apontam com grande probabilidade para o Santo Sepulcro como o local da ressurreição, porém grande parte dos evangélicos defendem que ali, o Jardim de Gordon, é o verdadeiro local da ressurreição de Jesus. Coitado do Faro embarcou nessa e teve que mostrar uma mentira a seus telespectadores.



22 de jan. de 2014

O "péssimo bom gosto" do senhor Gregorio Duvivier

O famigerado "Especial de Natal" produzido pelo humorístico Porta dos Fundos indignou os cristãos. Foram milhares que se manifestaram contra as ofensas à religião da maioria dos brasileiros. Houve ameaça de boicote (lembrando os católicos irlandeses, inventores da tática do boicote, durante a luta pela independência) dos produtos da Itaipava, principal patrocinadora do programa, sendo enviado para a empresa um abaixo-assinado com mais de 20 mil assinaturas. E os humoristas do Porta dos Fundos acusaram o golpe. Antonio Tabet deu declarações apaziguadoras. A Itaipava lançou nota tentando se distanciar do vídeo ofensivo. Mas quem mais sentiu o golpe foi Gregorio Duvivier. Não fosse assim, não teria gasto, em sua coluna na Folha (13/01/2014), 2341 caracteres para responder a menos de 140 usados por Dom Odilo Pedro Scherer para classificar o vídeo como de "péssimo mau gosto". 

Mas passemos ao teor da "carta aberta" ao cardeal de São Paulo. O senhor Duvivier não sabe exatamente o seu verdadeiro lugar. Considera-se, graças ao simples comentário de Dom Odilo - que, como todos os defensores da liberdade de expressão sabem, só usou a sua - na companhia de, nada mais nada menos, Galileu Galilei! Menos, senhor Duvivier, muito menos. Galileu foi um gênio. Foi o pai da ciência moderna. O senhor e seus companheiros estão longe da genialidade. Não figuram e me parece que jamais figurarão nem mesmo entre os gênios do humor brasileiro, tais como Oscarito, Grande Otelo, Mazzaropi, Chico Anísio, Ronald Golias, quanto mais ao seleto grupo de gênios da humanidade. Já sobre o filósofo de Nola, também citado no texto, basta dizer que foi um roteirista de Hollywood que nasceu no século errado.

O senhor Gregorio Duvivier comete um engano em datas. A tal "absolvição" de Galileu ocorreu em 1992. Mas, sem entrar na intricada história do processo de Galileu, vale lembrar que o Papa reconheceu os excessos. Há quem não os reconheça quando os comete e prefere continuar a ofender. Com efeito, reconhecer um erro demanda tempo. Às vezes muito tempo, até séculos, que talvez só a memória dos gênios, como Galileu, e a Igreja católica consigam sobreviver. Quanto ao senhor Duvivier, seus companheiros e o Porta dos Fundos podem não chegar às Olimpíadas do Rio de Janeiro. Sabem como é a momentaneidade da internet...

Mas o que me impressionou mesmo foi o "bom gosto" do senhor Duvivier! Gregorio curte fetos esquartejados e seres humanos tratados como lixo. Curte bolas batendo em bolas. Também considera de bom gosto abreviar a vida de idosos e de doentes terminais (afinal estes já não rendem "cascalhinhos"). Quer a morte de crianças anencéfalas, quando sabemos que muitas sobrevivem por muito tempo após o nascimento. Aliás, algumas chegam a fase adulta e até a fazer programas de humor... Não entendi porque o senhor Duvivier esqueceu de mencionar que a maconha figura entre seus gostos - pode ser que este bom gosto esteja afetando-lhe a memória... -, ou seja, o senhor Duvivier tem o bom gosto de alimentar a violência gerada pelo tráfico de drogas.

E, para terminar, o senhor Gregorio Duvivier demonstra não conhecer muito sobre a Igreja que tanto ataca. Não sabe nem mesmo que arquidiocese é uma jurisdição territorial eclesiástica e confunde o termo com o de "cúria". Ou o senhor Duvivier se regozija por existir alguém que tenha assistido ao vídeo em meia cidade de São Paulo? 

Reitero. Ninguém chuta cachorro morto. E os referidos humoristas do Porta dos Fundos sentiram o golpe. Parabéns aos católicos e demais cristãos que estão a fazer valer o direito de ter seus símbolos sagrados e sentimentos religiosos respeitados.