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27 de jun. de 2015

Carta de Jesus ao pastor: mais um texto sobre religião totalmente equivocado de Gregório Duvivier

O último artigo de Gregório Duvivier , na Folha, é uma carta de Jesus a um pastor. O humorista mediano, alçado a intelectual, demonstra, no texto, desconhecer os evangelhos e, portanto, o próprio Jesus ao qual pretende dar voz e que seus conhecimentos de História não vão além das leituras dos livros didáticos do MEC. Não quero tratar, aqui, das críticas do humorista aos pastores estelionatários da fé, nem à teologia da prosperidade de igrejolas que surgem a cada dia. Vamos aos tremendos foras sobre Jesus e História.

"... e você ler direitinho vai perceber, pastor-deputado, que eu sou de esquerda."

Bobagem. O espectro político-ideológico surge com a partidarização na Revolução Francesa, 1789 anos após Jesus. Antes disso, qualquer posição política ou ideológica de qualquer personagem da História é inclassificável e toda tentativa comete-se o "pecado do historiador": o anacronismo.

"Tem uma hora do livro em que isso fica bastante claro (atenção: SPOILER), quando um jovem rico quer ser meu amigo. Digo que, para se juntar a mim, ele tem que doar tudo para os pobres. "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus"."

A citação de Jesus é precisa. Mas faltou o que antecede esta fala de Jesus. O jovem rico se encontra com Jesus. Ele tem sede de Deus e quer saber do Mestre o que fazer para alcançar a vida eterna. Jesus lhe diz: "Observa os mandamentos"; "Quais?", pergunta o jovem; "Não matarás, não roubarás, não cometerás adultério, não levantarás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe". Ou seja, Jesus diz ao jovem que cumpra os Dez Mandamentos. O jovem lhe diz que todos estes mandamentos ele tem observado, Aí, então, vem a resposta de Jesus: "Se queres ser perfeito, uma coisa só te falta: vai, vende o que tem, dá aos pobres e me segue." O jovem rico vai embora entristecido porque tinha muitos bens. Este é o relato que consta nos evangelhos. Bom, não me parece que o pessoal da esquerda goste muito de dar seus bens aos pobres, nem por caridade, muito menos para se tornarem livres no seguimento de Jesus. Nem me parece que se empenham em cumprir os mandamentos do "esquerdista" Jesus. Aliás, matar e roubar foi o que a esquerda mais fez ao longo da história. Mas quantos cristãos não deram tudo o que tinham para seguir Jesus.

"Sou mais socialista que Marx, Engels e Bakunin -esse bando de esquerda-caviar. Sou da esquerda-roots, esquerda-pé-no-chão, esquerda-mujica.  Distribuo pão e multiplico peixe -só depois é que ensino a pescar."

O Jesus socialista não é uma bobagem inventada por Gregório Duvivier. Tem até bispo que acredita nisso. Qual esquerda-mujica? Do Mujica aborteiro, ex-presidente do Uruguai? Jesus não distribuía peixe e pão. O milagre da multiplicação não foi o antecedente do Bolsa-Família. Ao contrário, conta-nos o evangelho de São João, que, logo após o estupendo milagre, queriam proclamar Jesus como rei. Ele recusou, é óbvio. Muito diferente de demagogos que usam o discurso da pobreza para alçar ao poder. Também nos conta João, que no outro dia, o povo todo acorreu até Jesus. Repreendeu-os porque o procuravam não porque tinham visto o milagre, mas porque queriam comer pão gratuitamente. Jesus não ensinava a pescar. Pelo contrário, colocava algumas pessoas em apuros. Por exemplo, ao curar um cego ou aleijado que pedia esmola, automaticamente Jesus obrigava-os a arrumar um trabalho. Por conta deles, é claro.

"Se não quiser ler o livro, não tem problema. Basta olhar as imagens. Passei a vida descalço, pastor. Nunca fiz a barba. Eu abraçava leproso. E na época não existia álcool gel."

Se Jesus andava descalço ou nunca fez a barba, jamais saberemos. Aliás, é totalmente irrelevante. Sabemos, com certeza, que Jesus usava uma túnica inconsútil, o que não era comum a um miserável. Conta-nos os evangelhos que Jesus tocou uma única vez num leproso para curá-lo. Não entrarei nas minúcias do texto original de Marcos que diz que Jesus se irou pelo fato de o leproso irromper entre a multidão para vir prostrar-se aos seus pés, o que indica que o Senhor desaprovou a atitude do leproso de desrespeitar a Lei. Mas, de fato, Jesus tinha especial atenção aos doentes e pecadores. Não me parece que a turma vermelha se interesse por leprosos, nem pela dignidade dos doentes, já que o próprio autor do texto já defendeu a eutanásia em outra ocasião. Não me parece que seja possível existir um Damião de Molokai entre ateus e comunistas.

"Fui crucificado com ladrões e disse, com todas as letras (Mateus, Lucas, todos estão de prova), que eles também iriam para o paraíso. Você acha mesmo que eu seria a favor da redução da maioridade penal?"

Que Jesus foi crucificado entre ladrões, todos os evangelhos concordam. Mas só Lucas conta a conversão daquele que viria a ser conhecido como o bom ladrão (conhecido pela tradição com o nome de Dimas). Os dois ladrões injuriavam Jesus, até que Dimas foi tocado pela graça e se converteu. Imediatamente, reprendeu o outro ladrão. Dimas se arrependeu e pediu perdão a Jesus, recebendo a promessa de estar com ele no paraíso. Só Dimas, arrependido, recebeu a promessa. O outro, não. Encaixar a questão da maioridade penal aqui é hilário. Primeiro, Jesus pode perdoar qualquer criminoso e queremos que eles se arrependam e se convertam. Mas que sejam punidos pela justiça. Jesus perdoa Dimas, mas não o tira da cruz. Aliás, o próprio Dimas reconhece que a sentença que ele e o outro ladrão cumprem é justa. Que todos os criminosos se convertam e aproveitem as penas como penitência.

"Soube que vocês estão me esperando voltar à terra. Más notícias, pastor. Já voltei algumas vezes. Vocês é que não perceberam. Na Idade Média, voltei prostituta e cristãos me queimaram. Depois voltei negro e fui escravizado -os mesmos cristãos afirmavam que eu não tinha alma. Recentemente voltei transexual e morri espancado."

Jesus conta a parábola do fim do mundo quando vai julgar toda a humanidade e divide-a entre aqueles que fizeram obras de caridade, que deram de comer, de beber, vestiram e visitaram os mais necessitados e os que nada fizeram diante das necessidades dos homens. “Cada vez que fizerdes algo a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.” De fato, Jesus está de certa forma presente nos pobres. Mas não nos pecadores. Jesus diz que Ele e seu Pai virão àqueles que observarem seus mandamentos e neles farão sua morada. Aqui, Duvivier comete erros de História, ou melhor, parte para as clássicas acusações sem fundamento nenhum. Na Idade Média, não se queimava prostitutas. Aliás, nenhum país tentava combater a prostituição seriamente. Nem em Roma. Entendiam sua função social "assim como tem função social as cloacas das cidades". Os prostíbulos eram regidos por estatutos específicos elaborados pelo governo de cada cidade e funcionavam como uma espécie de corporação de ofício. Geralmente as prostitutas eram obrigadas a vestirem-se com uma roupa que as diferenciava das outras mulheres. Havia ordens religiosas e confrarias - sob a proteção da Santa Maria Madalena - que procuravam ajudar aquelas que queriam deixar a prostituição e, em certos períodos, a Igreja concedia indulgência plenária a quem casasse com uma prostituta.











24 de mar. de 2015

Uma heresia chamada Teologia da Prosperidade

"Aquele que quer ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz a cada dia e Me siga". Jesus não mandou tomar o sucesso profissional, a mansão, a casa de praia, os dois carros importados, as três empresas e segui-Lo. Nem tomar a cura da bereba ou do caroço não sei onde. A única coisa que Jesus oferece aos seus discípulos é a cruz. Nada mais do que a cruz. A cruz é o caminho apertado. Não há outro. Jesus crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gregos, é a porta estreita. A porta do aprisco. Quem prega outro caminho, mais cômodo e atraente, no seguimento de Jesus é ladrão e salteador, é um maldito herege que seduz as almas para o inferno.

Penso neste momento na Eucaristia. O sacrifício eucarístico é o mesmo e único sacrifício da cruz. É por isso que muitos discípulos ficaram escandalizados quando Jesus anunciou que daria como alimento Sua carne e Seu sangue - o que se realizou na última ceia, antes de Sua morte - e deixaram-No de seguir. E o que disse Jesus? Que estavam enganados, que o que Ele dizia era apenas simbólico? Não. Virou-se para os apóstolos e disse se eles queriam deixá-Lo também. Não há meias verdades para garantir ou atrair fiéis. É por isso que quem nega a Eucaristia nega a cruz e vice-versa.

Não se chega à glória da ressurreição sem passar pela cruz. Três apóstolos tiveram uma experiência da glória do Senhor na montanha - na Bíblia, o lugar de encontro com Deus. Sentiram as delícias da visão beatífica e quiseram ficar por lá. Mas tiveram que descer para a planície - na Bíblia, o lugar da batalha. Nós, discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto vivemos - mesmo que em alguns momentos Deus nos mostre, ainda que num átimo, a felicidade do Céu - estamos, com o auxílio da graça de Deus, em constante batalha. Deus não nos promete felicidade neste mundo, mas luta, sacrifício, cruz. Se quiser ser verdadeiramente discípulo de Jesus, fuja de todos os que se dizem cristãos - pastores ou padres - e que querem transformar o cristianismo num mar de rosas. O caminho largo e fácil conduz a um único lugar, ao inferno.



24 de jan. de 2015

A Europa islâmica: um caminho sem volta

As medidas de combate ao terrorismo sendo reforçadas na França e, consequentemente, em toda a Europa chegam a ser patéticas. Medidas inúteis, pois combate o efeito e não a causa. Temos que nos resignar, a Europa está perdida. Todo o Ocidente está derrotado. É um caminho inexorável: a Europa será islâmica. E mais tarde, a margem de cá deste “rio chamado Atlântico” também será. A derrocada da Europa começou há pouco mais de 200 anos quando os europeus voltaram suas costas para suas tradições, quando certas ideologias levaram os europeus a sofrerem de sentimento de culpa. Por isso, entraram num processo de autopunição e numa crise de identidade que a levou à autodestruição. Minaram seus pilares greco-romano, eslavo-germano e judaico-cristão. Atacaram a base da sociedade: a família. Implantaram o vírus mortal do relativismo moral.

Graças a este trabalho de sapa que vem minando os alicerces da sociedade europeia (e ocidental) e que nos trouxe à pós-modernidade, temos uma sociedade fragmentada. Propositadamente fragmentada pelas ideologias materialistas e laicistas cujo intuito era a da velha tática de “dividir para conquistar”. Mas nenhuma destas ideologias mostrou força suficiente para se impor de modo permanente o que possibilitaria construir uma unidade social, ainda que totalitarista. O nazifascismo e o comunismo se foram, graças a Deus. Criou-se um vácuo. Um vácuo de princípios e de ideais. Um grande ideal é aquele que motiva os homens e mulheres a morrer – e se necessário – a matar por ele. Este ideal pode ser bom e verdadeiro como o cristianismo, mas pode ser pernicioso e mentiroso como foi o comunismo. Foi um grande ideal que moveu milhares de homens a se baterem nas Cruzadas. Foi um grande ideal (ainda que deturpado, diga-se) que moveu milhares de homens das brigadas internacionais nas revoluções comunistas. Hoje, o único grande ideal que se apresenta como alternativa ao Ocidente é o Islã. Não é à toa que vemos milhares de jovens europeus muçulmanos, muitos neoconvertidos, se alistando nas fileiras do Estado Islâmico ou de organizações terroristas.

A Europa adoeceu e sua doença é incurável. Ainda que haja quem reconheça o mal, evita-se o remédio. Nada pode salvar a Europa. A solução poderia vir da Igreja Católica, a única instituição que sempre soube manter a unidade e a conservar a cultura europeia em tempos de adversidades. Porém, é com tristeza que constatamos sua impotência e incapacidade para fazer frente às ameaças por conta das contradições internas de seus filhos, principalmente de seu episcopado. Muito menos podemos contar com o simulacro de unidade chamada União Europeia. É mais fácil ela aplicar a eutanásia na paciente do que salvá-la.

Uma sociedade dividida. Foi exatamente o que facilitou a expansão árabe-muçulmana nos inícios da doutrina de Maomé. A península arábica estava dividida em tribos. Os impérios bizantino e persa sofriam com conflitos internos e, portanto, estavam profundamente divididos. Certos grupos até favoreceram ou aliaram-se aos invasores, como fazem alguns grupos hoje, especialmente de esquerda, que julgam poder usar os muçulmanos a seu favor. Mas um continente não acaba. Não é o fim da Europa, é o fim de uma era, como foi o fim do Império Romano. Há décadas países muçulmanos, encabeçados por Arábia Saudita, Marrocos, Líbia, Síria e Irã, financiam a expansão do Islã pela Europa. Constroem mesquitas, inclusive com capacidade para milhares em regiões aonde o número de adeptos não chega a uma centena; promovem ajuda financeira aos imigrantes; e, é claro, financiam o terrorismo que é parte integrante do mesmo projeto.

O futuro do continente europeu é o Islã. Não o Islã dos terroristas. Os terroristas são somente os que estão no front. Fazem parte do processo de islamização, como os cavaleiros de Allah no tempo do Califado, mas não são as peças fundamentais. Servem à causa, sem dúvida, porém os verdadeiros agentes da islamização da Europa são aqueles que migram – como diz o Alcorão. A invasão muçulmana é invisível, pacífica e silenciosa, como foram no Império Romano as primeiras ondas migratórias dos bárbaros. São famílias, gente boa e honesta, que trabalham, ocupam todos os espaços da sociedade, convivem nos bairros da periferia com pessoas de outras culturas em clima de tolerância e, principalmente, suas mulheres têm taxas de fertilidade muito maiores do que qualquer outra europeia. Contudo, também são pessoas de fé. Sabem exatamente o que os diferem dos outros. Eles são os fiéis. Nós, os infiéis. Sabem que eles são o futuro.

Não é o radicalismo islâmico que vai dominar a Europa. O Islã, ao longo da História, sempre soube se deixar influenciar pelas culturas superiores que encontrou pela frente. Hauriu a cultura grega dos bizantinos e bebeu da cultura persa. Preservou a bela poesia e literatura árabe pré-islâmica. De tribos nômades que eram atingiram alto grau de refinamento cultural a ponto de não podermos ignorar suas contribuições nas artes, na arquitetura, na filosofia e nas ciências. O Islã europeu não será o que destruiu os budas de Bamiyan, mas o que preservou os monumentos egípcios, mesopotâmios e as obras de filosofia grega. Católicos, fiquem tranqüilos. A Basílica de São Pedro não será o estábulo de nenhum sultão ou califa. Pelo menos não permanentemente. O Vaticano será o Fanar do Ocidente. Poucos homens e mulheres tiveram o privilégio de testemunhar o fim de uma era. Não sei se veremos o fim de um processo que pode durar décadas. Porém, as engrenagens da História já estão em movimento. Sentem-se no sofá e aproveitem o triste espetáculo.


20 de mai. de 2014

Liberdade e verdade: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"

Hoje em dia, liberdade é um dos conceitos da moda, seguido de perto ou emparelhado com o conceito de felicidade. Mas o que é liberdade? Defende-se que liberdade é fazer o que se quer. Mas é exatamente o contrário. Liberdade é fazer o que não se quer. Ninguém é livre para sentir fome ou sede. Somos livres, pois, quando renunciamos à comida ou à bebida. A liberdade está na renúncia. Considerar-se livre por ser arrastado pelos instintos mais primitivos seria como sentir-se livre por estar preso no solo pela força da gravidade ou por ser arrastado pela correnteza de um rio, quando, na verdade, livre é aquele que alça voo ou nada contra a corrente. 

Alguém poderia objetar: "Mas somos livres para fazer escolhas. Podemos escolher, por exemplo, entre comer ou não comer e nisso consiste a liberdade". Na verdade, esse seria o livre arbítrio, o poder de tomar livremente decisões, mas não é a liberdade. A liberdade ou a falta dela são consequências do livre arbítrio. Livremente, podemos ou não nos submetermos a algo que nos escravize, mas não podemos chamar tal escravidão de liberdade. Vejamos o exemplo de Adão e Eva: livremente escolheram desobedecer a Deus e comer do fruto proibido. Como consequência, perderam o estado de justiça e santidade. Perderam o paraíso. E não podemos dizer que se tornaram mais livres, muito pelo contrário. 

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", disse Jesus. E o que é a verdade? A verdade tem um rosto, é uma pessoa: Jesus Cristo. Somente Ele pode nos dar a verdadeira liberdade - a liberdade dos filhos de Deus -, nos tornar livres do homem velho, das tendências da carne que nos prendem à terra. Em Cristo, somos livres dos modismos, dos apelos comerciais, das pressões ideológicas. Somente em Cristo podemos sair de nós mesmos, nos libertar do poder do Mal e da morte, nos libertar dos pecados que nos afastam do que somos: imagem e semelhança de Deus. 


13 de mai. de 2014

A herança de Jesus: Eucaristia e Nossa Senhora


















Os últimos atos e as últimas palavras de Jesus, antes de sua morte, constituem uma espécie de testamento. Os "bens" mais preciosos que Jesus nos deixou foram: a Eucaristia, o dom de Seu corpo e de Seu sangue dado como alimento na Última Ceia; e, no alto da cruz, naquele esforço enorme que o crucificado tinha que fazer para falar, nos entrega, na pessoa do discípulo amado, Sua Mãe Santíssima, para que nos acompanhe em nossa caminhada cristã. Portanto, a Eucaristia e Nossa Senhora são os dons mais preciosos que Jesus nos deixou. O cristão que rejeita esta "herança" deixada por Jesus continua cristão, mas certamente é um cristão mais pobre.



22 de jan. de 2014

O "péssimo bom gosto" do senhor Gregorio Duvivier

O famigerado "Especial de Natal" produzido pelo humorístico Porta dos Fundos indignou os cristãos. Foram milhares que se manifestaram contra as ofensas à religião da maioria dos brasileiros. Houve ameaça de boicote (lembrando os católicos irlandeses, inventores da tática do boicote, durante a luta pela independência) dos produtos da Itaipava, principal patrocinadora do programa, sendo enviado para a empresa um abaixo-assinado com mais de 20 mil assinaturas. E os humoristas do Porta dos Fundos acusaram o golpe. Antonio Tabet deu declarações apaziguadoras. A Itaipava lançou nota tentando se distanciar do vídeo ofensivo. Mas quem mais sentiu o golpe foi Gregorio Duvivier. Não fosse assim, não teria gasto, em sua coluna na Folha (13/01/2014), 2341 caracteres para responder a menos de 140 usados por Dom Odilo Pedro Scherer para classificar o vídeo como de "péssimo mau gosto". 

Mas passemos ao teor da "carta aberta" ao cardeal de São Paulo. O senhor Duvivier não sabe exatamente o seu verdadeiro lugar. Considera-se, graças ao simples comentário de Dom Odilo - que, como todos os defensores da liberdade de expressão sabem, só usou a sua - na companhia de, nada mais nada menos, Galileu Galilei! Menos, senhor Duvivier, muito menos. Galileu foi um gênio. Foi o pai da ciência moderna. O senhor e seus companheiros estão longe da genialidade. Não figuram e me parece que jamais figurarão nem mesmo entre os gênios do humor brasileiro, tais como Oscarito, Grande Otelo, Mazzaropi, Chico Anísio, Ronald Golias, quanto mais ao seleto grupo de gênios da humanidade. Já sobre o filósofo de Nola, também citado no texto, basta dizer que foi um roteirista de Hollywood que nasceu no século errado.

O senhor Gregorio Duvivier comete um engano em datas. A tal "absolvição" de Galileu ocorreu em 1992. Mas, sem entrar na intricada história do processo de Galileu, vale lembrar que o Papa reconheceu os excessos. Há quem não os reconheça quando os comete e prefere continuar a ofender. Com efeito, reconhecer um erro demanda tempo. Às vezes muito tempo, até séculos, que talvez só a memória dos gênios, como Galileu, e a Igreja católica consigam sobreviver. Quanto ao senhor Duvivier, seus companheiros e o Porta dos Fundos podem não chegar às Olimpíadas do Rio de Janeiro. Sabem como é a momentaneidade da internet...

Mas o que me impressionou mesmo foi o "bom gosto" do senhor Duvivier! Gregorio curte fetos esquartejados e seres humanos tratados como lixo. Curte bolas batendo em bolas. Também considera de bom gosto abreviar a vida de idosos e de doentes terminais (afinal estes já não rendem "cascalhinhos"). Quer a morte de crianças anencéfalas, quando sabemos que muitas sobrevivem por muito tempo após o nascimento. Aliás, algumas chegam a fase adulta e até a fazer programas de humor... Não entendi porque o senhor Duvivier esqueceu de mencionar que a maconha figura entre seus gostos - pode ser que este bom gosto esteja afetando-lhe a memória... -, ou seja, o senhor Duvivier tem o bom gosto de alimentar a violência gerada pelo tráfico de drogas.

E, para terminar, o senhor Gregorio Duvivier demonstra não conhecer muito sobre a Igreja que tanto ataca. Não sabe nem mesmo que arquidiocese é uma jurisdição territorial eclesiástica e confunde o termo com o de "cúria". Ou o senhor Duvivier se regozija por existir alguém que tenha assistido ao vídeo em meia cidade de São Paulo? 

Reitero. Ninguém chuta cachorro morto. E os referidos humoristas do Porta dos Fundos sentiram o golpe. Parabéns aos católicos e demais cristãos que estão a fazer valer o direito de ter seus símbolos sagrados e sentimentos religiosos respeitados. 



27 de nov. de 2013

A parcialidade da mídia: tentativas de desacreditar o Cristianismo e as evidências históricas de Jesus Cristo

"Arqueólogos descobrem local onde Buda teria nascido no século 6 a.C.". Bela notícia para a arqueologia e para a História. Mas gostaria de chamar a atenção para a diferença de tom entre este achado importantíssimo e os vestígios arqueológicos do cristianismo. Onde estão no corpo da notícia, expressões que denotam incerteza, tais como: "o suposto lugar", "segundo se crê", "segundo 'tal' acredita que"? Onde estão os pretensos estudiosos céticos que nunca tem seus nomes ou obras citados? Por que esta má vontade com o cristianismo? Diz um trecho da matéria:

"Foi possível checar o nome e determinar que trata-se realmente o lugar do nascimento de Buda graças a um pilar de arenito do século 3 a.C. que continha a informação em uma inscrição gravada durante a visita do imperador Asoka, explicou a Unesco."

Sendo assim, por que a dúvida quanto ao local de nascimento de Jesus ou o local de sua crucificação, sepultura e ressurreição onde já foram realizadas importantes escavações arqueológicas que comprovam a autenticidade dos locais? Por que as investigações sobre os lugares santos conduzidas por Santa Helena no século IV que resultaram nas construções das basílicas da Natividade, em Belém, e do Santo Sepulcro, em Jerusalém merecem tanta dúvida? Por que a presença ininterrupta da comunidade cristã, juntamente com seus bispos, em Jerusalém não mereceriam um testemunho credível sobre a veracidade dos lugares santos?

Um exemplo mais recente foi dado nas matérias sobre as relíquias de São Pedro expostas pela primeira vez no domingo passado durante a Santa Missa da festa de Cristo Rei e encerramento do Ano da Fé. Quase todas as matérias da imprensa secular puseram em dúvida a autenticidade das relíquias, mesmo depois de 23 anos de pesquisa arqueológica nos subterrâneos da Basílica Vaticana, onde foi encontrado o túmulo e os restos mortais de São Pedro. Em resumo, a mídia e boa parte dos pesquisadores preferem atender as suas concepções ideológicas do que aos métodos científicos.

Para ver a matéria:


28 de set. de 2013

A democracia na Idade Média

A grande maioria das pessoas tem em mente que o período medieval foi uma época de autoritarismo. Nada mais enganoso, pelo menos quando se trata da Baixa Idade Média (séculos X a XV). Com a palavra, um dos maiores medievalistas de nosso tempo, Jacques Le Goff: 

"A base das decisões da comunidade é teoricamente tão ampla quanto possível em virtude dos dois princípios segundo os quais Quod omnes tangit ab omnibus tractari et approbari debet ("o que toca a todos deve ser tratado e aprovado por todos") e as decisões lícitas devem ser tomadas pela maior et sanior pars, isto é, pela maior parte e a mais sã da comunidade." (O Apogeu da Cidade Medieval, p. 84)

As decisões jamais são monocráticas, sejam elas municipais ou mesmo reais. As assembleias, tanto rurais como urbanas, tomam decisões e resolvem suas questões através do voto. Todos votam, inclusive as mulheres. O sistema de votação varia de região para região. Em algumas, os votos são por indivíduos; em outras, um voto por família. As cidades que conquistam sua franquia têm câmaras municipais, cujos representantes do povo são eleitos dentre os "homens bons". Não há uma única forma no governo das cidades. Algumas são governadas pela própria assembleia municipal, outras por representantes eleitos (cônsules, escabinos, prefeitos ou conselheiros), cujo número varia de cidade para cidade. Nas cidades que não são totalmente francas, as assembleias contrabalançam o poder de seus senhores, mesmo que este seja o rei. Há exemplos de ações judiciais movidas pelas cidades que foram apresentadas no Parlamento de Paris contra o rei e que tiveram suas causas ganhas. 

O poder do rei é limitado pelos costumes e pela moral religiosa. Se o rei abusar de suas atribuições, corre o risco de ser excomungado e perder legitimidade perante os súditos e seus vassalos. O sistema feudal também impede a autocracia do monarca. O rei jamais toma uma decisão solitariamente. Na Inglaterra, o poder do Parlamento fazia contraponto ao do rei desde o século XIII. No restante dos países, um conselho consultivo sempre o assiste (pensemos na Távola Redonda do legendário rei Artur). Aliás, nem sempre com vantagem. As infindáveis discussões dos conselheiros no Reino Latino de Jerusalém atrasavam decisões e prejudicaram a causa dos cruzados na Terra Santa. Além disso, de tempos em tempos, os reis convocam uma assembleia com representantes dos três estados tradicionais no Medievo (povo, nobreza e clero) para deliberar sobre assuntos de maior importância para o reino. 

Por fim, há quem objete que as cidades medievais tinham uma democracia capenga, dominada pelo poder econômico dos burgueses. É verdade, mas bem sabemos que este não é um problema restrito ao período medieval. De toda forma, o absolutismo dos reis nos séculos seguintes e os totalitarismos surgidos no século XX seriam inimagináveis na Idade Média.


4 de jun. de 2013

Angelina Jolie: o medo de viver

A divulgação da cirurgia de mastectomia realizada pela Angelina Jolie causou espanto. Rapidamente o caso ganhou seus defensores e seus opositores. O medo de vir a ter um câncer de mama fez com que, após um exame genético que constatou uma alta probabilidade de desenvolver a doença, a atriz tomasse essa atitude drástica. Sem entrar no mérito da questão, a atitude da atriz reflete algo inquietante da sociedade pós-moderna: o medo da vida. É comum e natural as pessoas terem medo da morte. Porém, viver virou um terror para a maioria das pessoas. A imprevisibilidade da vida faz com que as pessoas vivam em constante apreensão. Rodeados de inimigos reais ou imaginários, a vida torna-se um peso insuportável e há um medo generalizado do futuro. As pessoas têm um medo paranoico de envelhecer, de adoecer porque a felicidade está baseada em coisas passageiras: na saúde, na beleza, na força e no vigor físicos, no prazer, nas pessoas que amamos. O fato é que apesar de tantos e maravilhosos avanços tecnológicos e da medicina que nos proporcionam maior comodidade, segurança e saúde, o sofrimento é algo bastante presente nas nossas vidas. Ainda nos confrontamos com doenças terríveis e incuráveis, a fome, os desastres naturais e, apesar dos diversos meios de adiá-la, a morte de quem amamos ocorre com certa regularidade. A verdade é que o sofrimento é inevitável. 

Podemos contorná-lo, evitá-lo na medida de nossas possibilidades, mas, cedo ou tarde, nos deparamos com ele. O sofrimento sempre existiu e talvez tenha sido ainda maior em outras épocas. O que mudou, então, para que o medo do sofrimento seja maior em nossos dias? Vejamos. Interessante notar que o período da baixa Idade Média (entre os séculos XI e XIV) é marcado pela alegria. A despeito dos preconceituosos que pouco conhecem a Idade Média, medievalistas tais como Pernoud e Le Goff afirmam esta característica tão marcante em uma época em que a medicina apresentava pouquíssimos recursos e o ser humano estava à mercê das intempéries da natureza e de maior insegurança.

O que diferenciava o homem medieval do homem pós-moderno? A resposta é evidente: a fé. O homem medieval era, sobretudo e apesar de tudo, um cristão. Tinha em mente que "os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada". Mesmo sem entender, tinha certeza de que sua vida e a História estavam nas mãos da Providência Divina e que Deus, mesmo não sendo o autor do sofrimento humano, O permite para que deste sofrimento tire um bem maior. Seu exemplo está na Cruz. É o sofrimento do Filho de Deus, o maior dos sofrimentos, que lhe garantiu a salvação. Foi deste crime terrível que Deus tirou a redenção do mundo. Este era o motivo de sua alegria em meio a tantas dificuldades. Mas o cristão não é uma espécie extinta, que viveu sobre a terra em outros tempos, como os dinossauros. Eles existem, nós existimos. 

Para o cristão, o sofrimento - que continua sendo um mal que deve ser superado dentro dos limites da ética - torna-se em Cristo, caminho de redenção. Todo e qualquer sofrimento unido à cruz de Cristo misteriosamente contribui para a remissão própria e do mundo inteiro. São Paulo nos dá mostra disso quando afirma que "completa em sua carne o que falta aos sofrimentos de Cristo, por seu corpo que é a Igreja ". Para o cristão, diferentemente do homem de mentalidade pós-moderna. o sofrimento (antes, todos os atos humanos) deve ser oferecido a Deus. Seu sofrimento não é em vão. O cristão crê como o apóstolo São Paulo quando afirma "que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus". Não deve procurar deliberadamente o sofrimento. Não é um masoquismo, longe disso. A realidade é que ninguém está inume ao sofrimento, mas nem todos conseguem (e isso é graça de Deus) encontrar sentido no sofrimento.

No auge do materialismo e do ateísmo, os filósofos do seculo XIX afirmavam que a vida era algo sem sentido e tornaram-se os profetas do nada. Seus amores, prazeres, sofrimentos, tudo acabariam em nada. Esta ideia-motor adentrou o século XX e ganhou ainda mais força após as desilusões provocadas pela Segunda Guerra, que colocou fim às teorias evolucionistas e progressistas do Iluminismo, também materialistas, mas que davam um sentido e um fim a vida e a História. Em decorrência deste medo do sofrimento é que entendemos os índices alarmantes de suicídio, de consumo de drogas e de remédios antidepressivos e calmantes, do alcoolismo apresentados no Ocidente nos últimos 150 anos. 

Impressiona saber que o medo da vida é mais forte do que o medo da morte. A vida só é considerada plena se for vivida num corpo perfeito, de preferência jovem e saudável. Assim, em primeiro lugar, surge a  ideia da eutanásia. O pavor da vida, ainda que com limitações, leva a considerar a morte provocada como um ato de caridade. Em seguida, o aborto e a eugenia também são apresentados como solução para o fim do sofrimento e surge a tentação de técnicas imorais para a cura de doenças, como são o uso de células-tronco embrionárias. 

Por fim, o sofrimento está presente na vida humana. É consequência do pecado e, apesar de todos os nossos esforços, estaremos sujeitos a ele até o fim dos tempos. É por isso que necessitamos da redenção conquistada por Cristo. Somente quando Seu Reino for implantado definitivamente sobre a terra é que o pecado e a morte serão destruídos e Ele "enxugará toda lágrima dos olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor". Porém, enquanto o Cristo Senhor não retorna, temos que decidir a maneira de como enfrentamos o sofrimento. Os que confiam em Deus sabem que todo sofrimento é passageiro e aproveitam todas as oportunidades para se aproximarem do Pai celeste. Sua felicidade está naquilo que não passa, no próprio Deus, fonte de alegria e de vida eterna. Não que o cristão não tema o sofrimento. Jesus mesmo apavorou-se a ponto de suar sangue quando, no Getsêmani, antecipadamente viu diante dos olhos os horrores da cruz. Mas o cristão sofre na paciência e naquela paz de Cristo, tão diferente da paz que o mundo dá. 

O cristão alegra-se na medida em que sabe que seu sofrimento, unido ao de Cristo, faz bem ao mundo. E não somente os males físicos, como as dores ou as doenças, mas também o sofrimento causado pelas contrariedades, pela tentação constantemente combatida, pelas renúncias, pelos atos de amor ao próximo e até, se for preciso, pelo martírio. Estas palavras podem soar como loucura - a loucura da cruz - numa sociedade hedonista e imediatista como a que vivemos e mesmo entre cristãos nestes tempos de heresias que pregam a prosperidade e a vida mansa como sinônimos de vida cristã. Confiemos em Deus. Que os exames genéticos (que não são condenáveis em si mesmos) não venham a substituir as cartomantes e adivinhos. Lembremos daquele velho ditado: "o futuro a Deus pertence" e que "a cada dia basta a sua preocupação". Deus está no controle de nossas vidas, mesmo quando não entendemos de imediato o que se passa e é um Pai amoroso que cuida de cada um de nós. 



16 de jan. de 2013

Trotula de Salerno


Trotula de Salerno (também conhecida como Trotula de Ruggiero) foi uma médica do século XI que trabalhou na Schola Medica Salernitana, a Escola de Salerno, e é considerada a primeira ginecologista do mundo. É desconhecido a data e o local de seu nascimento (provavelmente, nasceu em Salerno). Era da família dos Ruggiero e casou-se, segundo alguns historiadores, com um dos fundadores da Escola de Salerno, chamado Giovanni Plateario, tendo dois filhos, Giovanni e Matteo, que seguiram a carreira médica dos pais. Foi autora do mais célebre tratado de Obstetrícia e Ginecologia da Idade Média: De Pasionibus mulierum curandorum ante, in, post partum. Dividido em sessenta capítulos, Trotula disserta sobre as diversas técnicas cirúrgicas, preconiza realizar uma eficaz proteção perineal, aconselhando praticar as oportunas suturas no caso de produzir-se lacerações do períneo no transcurso do parto. Não esquece ainda aos lactantes dando normas a respeito do cuidado com o bebê em seus primeiros meses de vida. Outras das obras de Trotula são: Pratica secundum Trocta e De Aegritudium curatione ou De Ornatu mulierum. Neste último título, Trotula recomenda às mulheres de sua época cuidar da higiene diária, praticar regularmente exercícios físicos, massagens com óleo e uma dieta equilibrada e saudável. E completa estas recomendações com simples e curiosas receitas de cosméticos femininos:

Um creme para eliminar as rugas, a fórmula de um batom em que utiliza mel, suco de beterraba, abóbora e água de rosas. Para conservar a dentição saudável e branca recomenda limpá- los com uma infusão quente de casca de noz. Seus trabalhos serviu como base do tratamento da saúde da mulher por 400 anos, sendo conhecido por toda a Europa.

A Escola de Salerno foi a única durante os séculos X a XIII aberta às mulheres, como estudantes e professoras. Como resultado da variada influência cultural na cidade, os médicos de Salerno, tanto mulheres como homens, foram os melhores no Mediterrâneo ocidental. Muitos documentos revelam que a independência das mulheres da escola de Salerno foram parte vital do avanço científico do período. Durante a alta Idade Média, a medicina, entre as mulheres, era praticada exclusivamente pelas monjas, que, deste modo, evitava a entrada de homens no claustro. Porém, a prática da obstetrícia e os cuidados aos bebês em seus primeiros meses era confiadas às mulheres leigas.

Naqueles casos em que a mulher exerce a medicina, o realiza pela circunstância de ser esposa ou filha de médicos sendo que aprende-se a medicina com eles. A Escola de Salerno será a primeira que vai oferecer às mulheres com vocação à medicina o livre acesso a formação médica e sua titularização, sem limitar seu campo de acão às enfermidades da mulher e o cuidado dos lactantes, mas ampliá-la ao exercício da medicina geral. Com esta abertura, logo surgirão em Salerno cinco mulheres destacadas na arte da cura: Trotula, Salernitana, Constança e Calenda, a judia Rebeca Guarna e Abella, uma muçulmana. Salvo no caso de Trotula, poucas informações nos chegaram do resto destas mulheres pioneiras. De Rebeca Guarda sabemos que escreveu um tratado sobre a urina e a febre e de Abella, a muçulmana, unicamente o título de seu livro De artrabile et de natura  seminis humani.

De todas as médicas de Salerno, Trotula é a mais bem conhecida. A despeito de sua fama, os detalhes de sua vida – idade ou ano em que nasceu, quando ingressou na escola ou completou seus  estudos – são escassos, mas sabemos que ela foi a autora de importantes trabalhos médicos. Seu principal interesse e área de estudo foi a saúde da mulher. Muitas mulheres não eram tratadas porque se envergonhavam ou consideravam impróprio serem examinadas por médicos homens, especialmente em casos ginecológicos.

Diferentemente da maioria de outros trabalhos do período, Trotula nunca prescreveu encantamentos ou a astrologia como tratamento para as doenças. Em vez disso, dava conselhos práticos - de fato, muitos de seus tratamentos preconizados ainda estão em uso hoje! No De Pasionibus mulierum, ela mostra teoricamente as causas bem como os tratamentos para várias questões da saúde da mulher, incluindo infertilidade e problemas com a menstruação e com o parto. 

Em seu livro, a menstruação é vista como saudável e importante, e escreve sobre diferentes modos para regular o seu ciclo. Em seu De Ornatu mulierum, aborda não só receitas de maquiagens e dicas de aplicação, mas aconselha sobre o cuidado com a pele, com a saúde dos dentes e a higiene, tratamento da acne e contra a queda de cabelo.

Afirmou que tanto os homens quanto as mulheres podem ser responsáveis pela infertilidade – uma radical posição para a época – e também defendeu que as mulheres tinham o direito de não sofrer durante o parto. Para este fim, ela experimentou opiácios e soporíferos, além de um incontável número de ervas. Aconselhou uma recuperação longa e tranquila para obter êxito na cura das doenças e após o parto e teve sucesso  em processos de  cesariana. Em geral, desenvolveu a medicina preventiva como chave para promover a boa saúde para as mulheres.

Como professora da Escola de Salerno, Trotula ensinou seus alunos a manter uma interação lenta com seus pacientes. Ela acreditava que era preciso fazer muitas perguntas, não somente sobre os sintomas que os pacientes estavam sentindo, mas também sobre o seu estilo de vida e problemas em geral. Assim, afirmava, o médico estaria mais atento sobre o paciente, tendo uma melhor compreensão do seu estado físico e podendo tratar o problema com mais rapidez e eficácia.

Pelas informações escassas sobre sua biografia, assim como ocorre com sua data de nascimento, é desconhecida a data de sua morte. 

18 de out. de 2012

O Brasil vai ser a Europa!


Hoje saiu os dados do IBGE que confirmam a tendência de envelhecimento e consequente diminuição da população do Brasil, do jovem Brasil, diga-se. Aí, foi cogitado quais serão as políticas públicas para essa grande massa de idosos: atendimento médico-hospitalar, casas de assistência, aposentadoria, já que haverá uma grande parcela da população aposentada, maior do que a parcela dos que estão em idade economicamente ativa. 

Ora, a solução vem da Europa! Eutanásia! Sim, os velhos europeus, quando internados em hospitais de países onde a eutanásia é permitida, simplesmente são eliminados, mas tudo muito humano, indolor, com uma injeçãozinha letal enquanto o velhinho dorme tranquilo. A Suíça, inclusive, já oferece pacotes de viagem (chamados turismo da morte) para cidadãos de países retrógrados e conservadores que querem se ver livres de seus pais, aqueles velhos inconvenientes que para nada mais servem. Aliás, era exatamente isso que Platão recomendava. Segue o exemplo europeu, Brasil!

25 de set. de 2012

Discursos de Dilma e Obama na ONU e a liberdade religiosa


Vários discursos na ONU sobre liberdade religiosa, condenação do preconceito contra muçulmanos e nenhuma palavrinha sobre os 20% de cristãos que sofrem contínua perseguição e dos 100 mil que perdem a vida todo ano pelo simples fato de serem cristãos? Nenhuma palavra sobre a crescente discriminação de cristãos na Europa? 

Nenhuma palavra do sr. Obama sobre seus projetos que ferem de morte a liberdade de consciência e religiosa nos EUA, chegando ao extremo de os bispos norte-americanos precisarem processá-lo para que lhes fossem respeitados seus direitos, direitos estes que fundaram os EUA?

Nenhuma condenação à China ou à Arábia Saudita, perseguidoras implacáveis do cristianismo? Nenhuma reprovação ao Paquistão que envia para a cadeia pessoas acusadas de blasfêmia, sendo que uma cristã aguarda ser executada por isso e até mesmo uma menina com Síndrome de Down foi posta atrás das grades acusada de rasgar uma página do Alcorão?

Nenhuma palavra sobre o vandalismo e ameaça cada vez mais constante aos cristãos de Israel, sendo que a ultima foi a pichação em hebraico dos muros de um mosteiro, dizendo que crucificariam os monges e blasfemando contra Jesus e Maria? Ou a proibição dos cristãos palestinos de receberem auxílio espiritual? 

Nenhuma lembrança sobre os massacres perpetrados por grupos extremistas, financiados e protegidos por parte do governo da Nigéria que mataram aproximadamente 500 cristãos só este ano no país? Ou de cem egípcios cristãos que foram barbaramente assassinados pelo crime de assistirem à Missa na noite de Natal?

Nenhum alerta à Índia, onde em diversos Estados é proibida a conversão para o cristianismo, nem aos nacionalistas de Orissa que massacraram cerca de 1000 cristãos e queimaram as casas deixando umas 50 mil pessoas desabrigadas, que para fugirem da perseguição, morreriam de fome e atacadas por tigres nas florestas indianas?

Não entendi qual preconceito foi condenado e qual liberdade religiosa foi defendida.

3 de jun. de 2009

O Ocidente abandona suas tradições

O Ocidente abandona a cada dia suas tradições, resolveu esquecê-las, ou pior, tem vergonha de seu passado, de suas raízes. Como exemplo podemos citar a Constituição da União Européia que não faz nenhuma referência às raízes cristãs do Velho Continente. As mesmas raízes que fizeram da Europa o que ela é. Consideram a Igreja um empecilho que precisa ser superado em prol da união das nações, união esta que não é nem sombra da Cristandade medieval.

No ocidente, o presente é sempre visto como melhor que o passado. Vive-se uma ânsia de superá-lo. Talvez seja por isso que o Ocidente seja a parte do planeta onde as transformações acontecem com maior rapidez, de uma década para outra, e também, por isso, seja a região que mais desvaloriza os idosos. Estamos subindo uma escada cujos degraus anteriores desaparecem.

Nos transformamos nos maiores importadores de tradições da História. E se no rótulo destas tradições vier a inscrição "milenar", melhor ainda. O que aconteceu com nossas tradições milenares? As nossas são piores que a dos outros? A cada dia surge uma dessas religiões com inspiração oriental ou modinhas como a yoga, meditações, mantras. Não se suporta uma missa em latim, mas repetir um monte de bobagens em sânscrito, sem entender uma palavra sequer é ser cool. Foi e continua sendo do Ocidente os maiores avanços na medicina, porém eleva-se louvores à acupunturas, à medicina ayurvedica, destacando seus sete milênios e esquece-se que indianos e chineses sempre morreram como moscas e se a saúde na naquela região do planeta melhorou um pouco, foi graças a influência da medicina ocidental. Está acontecendo uma orientalização do Ocidente. Quando o fenômeno oposto ameaçou as tradições do Oriente, a resposta não demorou a vir e, muitas vezes, veio de forma violenta, como no Irã ou no Afeganistão. Não vejo a mínima reação no Ocidente. Pelo contrário.

A Europa secularizada, ou melhor, laicista, corre o risco de se tornar muçulmana dentro de algumas décadas graças ao grande número de imigrantes e pelas taxas de natalidade entre os islâmicos serem maiores. E se a Turquia se tornar membro da União Européia, a coisa desanda de vez. Tornar-se-á a porta de entrada dos muçulmanos na Europa. Por aí vemos o total desprezo pelas tradições cristãs da Europa. O que a Turquia tem em comum com nossa cultura ocidental? Nada. O que não conseguiram pela força, os seguidores de Maomé conseguirão por esta manobra bem orquestrada – ou alguém duvida que tudo é pura coincidência? Os muçulmanos sempre olharam com olhos de cobiça para a Europa com seu clima ameno e terras férteis, mas sempre foram escorraçados pelos cristãos e obrigados a viverem comendo areia.

As mesquitas na Europa se espalham a cada dia e são financiadas pelos grandes países islâmicos (Arábia Saudita, Argélia, Marrocos) e o proselitismo, especialmente nos subúrbios das grandes cidades, não apenas na Europa, mas até mesmo no Brasil, começa a dar resultado. Hoje vemos uma nova invasão bárbara e os que hoje aplaudem e gabam-se de construir uma sociedade “pós-cristã”, perceberão que eram felizes e não sabiam.