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1 de set. de 2015

O livro do Gênesis: influência na construção da civilização ocidental e a zombaria dos ateus

O livro do Gênesis, especificamente os primeiros capítulos que tratam da criação do universo e do homem, é o alvo preferido da zombaria de não-religiosos. Não é uma novidade. Na sociedade greco-romana já era motivo de piada. O que talvez poucos se dão conta é que os conceitos dos direitos humanos, que moldaram a civilização ocidental, e por conseguinte, influenciaram toda a humanidade, foram deduzidos daquele relato maravilhoso de Deus tirando o homem da terra e a mulher, de sua costela. É deste relato simples e profundo que concebemos a inviolável dignidade da pessoa humana, a igualdade essencial entre os homens, a complementaridade dos sexos, a família como base social. É a mais perfeita explicação filosófica para a presença do mal no mundo e da natureza essencialmente boa do ser humano. 

Esta maravilhosa “estorinha”, iluminada por Cristo, venceu e se impôs ao mundo. Tivessem prevalecidos os relatos de criação dos egípcios, dos indianos ou das religiões dualistas e a concepção sobre quem é a pessoa humana seria outra e não seria melhor. Será coincidência que, a medida que o livro do Gênesis começou a ser achincalhado e foi sendo posto a parte por um cientificismo positivista, a civilização ocidental – e com ela o mundo todo – sofreu grave degradação moral que nos levou, por exemplo, a duas guerras monstruosas e aos campos de concentração?

Além do conceito de dignidade da pessoa humana, baseada na criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus, outro legado do relato da criação no livro do Gênesis é o descanso semanal. Após seis dias de criação, Deus “descansou” no sétimo dia. O repouso sabático tornou-se um dos pilares do judaísmo e de suma importância social para os judeus, pois o Shabat era dia de descanso, dedicado a Deus e à integração da família.

No Shabat, o descanso era estendido a todos os que habitavam Israel, fossem estrangeiros, escravos ou animais. Nenhuma outra cultura tinha um dia de descanso tão abrangente, sobretudo que incluísse os escravos.

Com a ressurreição de Jesus no primeiro dia da semana, o descanso semanal deslocou-se, com o cristianismo, para o Domenica Dies, o domingo. Desde o imperador Constantino, o domingo passou a ser feriado.

Porém, promulgado em 1792, o calendário revolucionário francês, que pretendia eliminar os vestígios de cristianismo, definiu uma “semana” de 10 dias, suprimindo, assim, o domingo e diminuindo os dias de descanso. O tal calendário não vingou, mas o advento de doutrinas laicistas e materialistas, como o liberalismo, que se adequavam à Revolução Industrial a qual exigia cada vez mais tempo de trabalho dos homens e mulheres, dificultou ao máximo o descanso semanal, especialmente aos domingos. O descanso semanal, direito sagrado, tornou-se uma luta para a classe trabalhadora. E é ainda hoje. Não há mais um único dia de descanso semanal igual para todos, como o Shabat ou o domingo, perdendo assim, quando concedido, seu caráter de culto a Deus e de agregação familiar.



25 de mar. de 2014

Igreja católica, a astronomia e o preconceito e desconhecimento que ainda perduram em nosso tempo

No último domingo (23/04/2014), estava assistindo ao Canal Livre, na Band, as entrevistas com os doutores em astronomia Douglas Galante e Sylvio Ferraz-Mello, cujo tema central era a investigação de existência de vida fora da Terra. Gosto muito do programa, apesar de uns foras que é dado por lá, principalmente pelo Fernando Mitre, que pensa saber tudo. Bom, num dado momento, foi mencionado o fato de o Observatório Astronômico do Vaticano estar participando das buscas de vida fora da Terra e entrou uma participação do padre Juarez falando sobre a relação entre fé e ciência, sobretudo entre a Igreja católica e a astronomia. Aí vieram os "foras". Ficou patente a desinformação dos participantes sobre o tema. O doutor Douglas Galante disse que conheceu os astrônomos do Observatório do Vaticano (em sua maioria jesuítas, diga-se) e que eles fazem ciência como quaisquer outros cientistas (ah, vá!). Foi perguntado que descobertas o Observatório do Vaticano tinha feito até hoje, ou seja, se tinha feito algum trabalho relevante. Todos disseram desconhecer. Bom, bastaria que se lembrassem de algo corriqueiro: a data daquele dia para notarem a maior contribuição do Observatório Astronômico do Vaticano: o nosso atual calendário. Em 1582, o Papa Gregório XIII ordenou que a equipe do Observatório Vaticano (um dos mais antigos da era moderna), preparassem a reforma do calendário. E isto não se dá sem sérias observações astronômicas e cálculos precisos. 

Bóris Casoy, depois que o padre Juarez disse que a Igreja sempre apoiou a astronomia, disse que não era bem assim e que muitos "astrônomos" foram queimados pela Igreja (que desinformado! Isto é uma vergonha!). Quais? Ninguém citou nenhum e nem eu os conheço. O cardeal Pedro d'Ailly (1350-1420) defendeu o movimento de rotação da Terra; o cardeal Nicolau de Cusa (1401-1464) e Copérnico defenderam o heliocentrismo sem serem molestados por isso. Galileu não foi queimado e os próprios participantes do programa reconheceram que seu processo foi complexo e que as acusações que mais pesaram não foram exatamente sobre as discussões em torno do heliocentrismo. Giordano Bruno (1548-1600) também foi citado e Mitre lembrou (desta vez ele deu uma bola dentro) que o filósofo de Nola viajava na maionese em inúmeras heresias e que não foi condenado à fogueira por suas pesquisas astronômicas. De fato, elas nem mesmo existiram. Na verdade, Giordano Bruno acreditava que o universo era infinito (se não o próprio Deus) e que nele havia vários mundos habitados e tantos deuses quanto mundos.

A Igreja não só não se opôs as pesquisas astronômicas como as encorajou e as financiou. Os participantes do programa também desconhecem que, quando os jesuítas astrônomos do Colégio Romano souberam que Johannes Kepler (1571-1630) estava sem um telescópio, enviaram-no um. Desconhecem nomes como o dos irmãos Antonio e Luigi Lilio e do padre Christopher Clavius (1538-1612) que compuseram a equipe que reformou o calendário; do grande  padre Angelo Secchi (1818-1878), diretor do Observatório Vaticano, e de suas descobertas - entre muitas outras descobertas e invenções - sobre o sol. Também desconhecem certamente o padre Georges Lemaître (1894-1966), que descobriu a expansão do universo e propôs, pela primeira vez, a teoria do Big Bang. Por fim, para se ter uma vaga ideia sobre a importância da Igreja católica para a astronomia, basta dá uma espiadela num mapa lunar e conferir o tanto de nome de jesuítas (entre outros cientistas, padres ou não, ligados à Igreja) que batiza as crateras de lá. É uma pena que ainda haja tanto desconhecimento e preconceito quando se trata da relação entre a Igreja católica e a ciência.

Para quem quiser ver a entrevista: http://noticias.band.uol.com.br/canallivre/ 

27 de nov. de 2013

A parcialidade da mídia: tentativas de desacreditar o Cristianismo e as evidências históricas de Jesus Cristo

"Arqueólogos descobrem local onde Buda teria nascido no século 6 a.C.". Bela notícia para a arqueologia e para a História. Mas gostaria de chamar a atenção para a diferença de tom entre este achado importantíssimo e os vestígios arqueológicos do cristianismo. Onde estão no corpo da notícia, expressões que denotam incerteza, tais como: "o suposto lugar", "segundo se crê", "segundo 'tal' acredita que"? Onde estão os pretensos estudiosos céticos que nunca tem seus nomes ou obras citados? Por que esta má vontade com o cristianismo? Diz um trecho da matéria:

"Foi possível checar o nome e determinar que trata-se realmente o lugar do nascimento de Buda graças a um pilar de arenito do século 3 a.C. que continha a informação em uma inscrição gravada durante a visita do imperador Asoka, explicou a Unesco."

Sendo assim, por que a dúvida quanto ao local de nascimento de Jesus ou o local de sua crucificação, sepultura e ressurreição onde já foram realizadas importantes escavações arqueológicas que comprovam a autenticidade dos locais? Por que as investigações sobre os lugares santos conduzidas por Santa Helena no século IV que resultaram nas construções das basílicas da Natividade, em Belém, e do Santo Sepulcro, em Jerusalém merecem tanta dúvida? Por que a presença ininterrupta da comunidade cristã, juntamente com seus bispos, em Jerusalém não mereceriam um testemunho credível sobre a veracidade dos lugares santos?

Um exemplo mais recente foi dado nas matérias sobre as relíquias de São Pedro expostas pela primeira vez no domingo passado durante a Santa Missa da festa de Cristo Rei e encerramento do Ano da Fé. Quase todas as matérias da imprensa secular puseram em dúvida a autenticidade das relíquias, mesmo depois de 23 anos de pesquisa arqueológica nos subterrâneos da Basílica Vaticana, onde foi encontrado o túmulo e os restos mortais de São Pedro. Em resumo, a mídia e boa parte dos pesquisadores preferem atender as suas concepções ideológicas do que aos métodos científicos.

Para ver a matéria:


16 de jan. de 2013

Trotula de Salerno


Trotula de Salerno (também conhecida como Trotula de Ruggiero) foi uma médica do século XI que trabalhou na Schola Medica Salernitana, a Escola de Salerno, e é considerada a primeira ginecologista do mundo. É desconhecido a data e o local de seu nascimento (provavelmente, nasceu em Salerno). Era da família dos Ruggiero e casou-se, segundo alguns historiadores, com um dos fundadores da Escola de Salerno, chamado Giovanni Plateario, tendo dois filhos, Giovanni e Matteo, que seguiram a carreira médica dos pais. Foi autora do mais célebre tratado de Obstetrícia e Ginecologia da Idade Média: De Pasionibus mulierum curandorum ante, in, post partum. Dividido em sessenta capítulos, Trotula disserta sobre as diversas técnicas cirúrgicas, preconiza realizar uma eficaz proteção perineal, aconselhando praticar as oportunas suturas no caso de produzir-se lacerações do períneo no transcurso do parto. Não esquece ainda aos lactantes dando normas a respeito do cuidado com o bebê em seus primeiros meses de vida. Outras das obras de Trotula são: Pratica secundum Trocta e De Aegritudium curatione ou De Ornatu mulierum. Neste último título, Trotula recomenda às mulheres de sua época cuidar da higiene diária, praticar regularmente exercícios físicos, massagens com óleo e uma dieta equilibrada e saudável. E completa estas recomendações com simples e curiosas receitas de cosméticos femininos:

Um creme para eliminar as rugas, a fórmula de um batom em que utiliza mel, suco de beterraba, abóbora e água de rosas. Para conservar a dentição saudável e branca recomenda limpá- los com uma infusão quente de casca de noz. Seus trabalhos serviu como base do tratamento da saúde da mulher por 400 anos, sendo conhecido por toda a Europa.

A Escola de Salerno foi a única durante os séculos X a XIII aberta às mulheres, como estudantes e professoras. Como resultado da variada influência cultural na cidade, os médicos de Salerno, tanto mulheres como homens, foram os melhores no Mediterrâneo ocidental. Muitos documentos revelam que a independência das mulheres da escola de Salerno foram parte vital do avanço científico do período. Durante a alta Idade Média, a medicina, entre as mulheres, era praticada exclusivamente pelas monjas, que, deste modo, evitava a entrada de homens no claustro. Porém, a prática da obstetrícia e os cuidados aos bebês em seus primeiros meses era confiadas às mulheres leigas.

Naqueles casos em que a mulher exerce a medicina, o realiza pela circunstância de ser esposa ou filha de médicos sendo que aprende-se a medicina com eles. A Escola de Salerno será a primeira que vai oferecer às mulheres com vocação à medicina o livre acesso a formação médica e sua titularização, sem limitar seu campo de acão às enfermidades da mulher e o cuidado dos lactantes, mas ampliá-la ao exercício da medicina geral. Com esta abertura, logo surgirão em Salerno cinco mulheres destacadas na arte da cura: Trotula, Salernitana, Constança e Calenda, a judia Rebeca Guarna e Abella, uma muçulmana. Salvo no caso de Trotula, poucas informações nos chegaram do resto destas mulheres pioneiras. De Rebeca Guarda sabemos que escreveu um tratado sobre a urina e a febre e de Abella, a muçulmana, unicamente o título de seu livro De artrabile et de natura  seminis humani.

De todas as médicas de Salerno, Trotula é a mais bem conhecida. A despeito de sua fama, os detalhes de sua vida – idade ou ano em que nasceu, quando ingressou na escola ou completou seus  estudos – são escassos, mas sabemos que ela foi a autora de importantes trabalhos médicos. Seu principal interesse e área de estudo foi a saúde da mulher. Muitas mulheres não eram tratadas porque se envergonhavam ou consideravam impróprio serem examinadas por médicos homens, especialmente em casos ginecológicos.

Diferentemente da maioria de outros trabalhos do período, Trotula nunca prescreveu encantamentos ou a astrologia como tratamento para as doenças. Em vez disso, dava conselhos práticos - de fato, muitos de seus tratamentos preconizados ainda estão em uso hoje! No De Pasionibus mulierum, ela mostra teoricamente as causas bem como os tratamentos para várias questões da saúde da mulher, incluindo infertilidade e problemas com a menstruação e com o parto. 

Em seu livro, a menstruação é vista como saudável e importante, e escreve sobre diferentes modos para regular o seu ciclo. Em seu De Ornatu mulierum, aborda não só receitas de maquiagens e dicas de aplicação, mas aconselha sobre o cuidado com a pele, com a saúde dos dentes e a higiene, tratamento da acne e contra a queda de cabelo.

Afirmou que tanto os homens quanto as mulheres podem ser responsáveis pela infertilidade – uma radical posição para a época – e também defendeu que as mulheres tinham o direito de não sofrer durante o parto. Para este fim, ela experimentou opiácios e soporíferos, além de um incontável número de ervas. Aconselhou uma recuperação longa e tranquila para obter êxito na cura das doenças e após o parto e teve sucesso  em processos de  cesariana. Em geral, desenvolveu a medicina preventiva como chave para promover a boa saúde para as mulheres.

Como professora da Escola de Salerno, Trotula ensinou seus alunos a manter uma interação lenta com seus pacientes. Ela acreditava que era preciso fazer muitas perguntas, não somente sobre os sintomas que os pacientes estavam sentindo, mas também sobre o seu estilo de vida e problemas em geral. Assim, afirmava, o médico estaria mais atento sobre o paciente, tendo uma melhor compreensão do seu estado físico e podendo tratar o problema com mais rapidez e eficácia.

Pelas informações escassas sobre sua biografia, assim como ocorre com sua data de nascimento, é desconhecida a data de sua morte. 

15 de abr. de 2012

2º Domingo da Páscoa - São Tomé: ver para crer




A Boa Notícia de Jesus Cristo:

João 20, 19-31

“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, os discípulos estavam reunidos, com as portas fechadas por medo dos judeus. Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: “A paz esteja convosco.” (Jo. 20, 19)

Segundo o evangelho de São João, Jesus ressuscitado se apresenta aos discípulos no final daquele mesmo dia em que ressuscitou. O Senhor entra no recinto fechado. É um grande mistério. Jesus está vivo, ressuscitou na própria carne, é o mesmo corpo que foi crucificado, pois, para provar que é Ele mesmo, mostra-lhes as marcas dos pregos nas mãos e nos pés, mas não está mais sujeito à natureza. As paredes não são obstáculos para Ele. É um corpo glorioso. Foge de qualquer dominação do tempo e do espaço.

Ao por-Se no meio deles, Jesus lhes deseja a paz. A paz que Jesus lhes dá é diferente da paz do mundo, a Pax Romana da época, conquistada através da repressão e da dominação dos povos. A paz que Jesus nos dá vem da alegria da certeza que temos de Ele estar vivo e que o Senhor tem a História em suas mãos. Sabemos que Jesus está no meio de nós, não nos abandonou e cuida de cada um de nós, Se preocupa comigo e me conduz ainda que, na maioria das vezes, em meio ao sofrimento e as incertezas, não entenda ou não vislumbre o caminho, nem a meta. Saibamos que, caminhando na fé, Jesus nos conduz ao Pai.

São Tomé não está com os outros discípulos e não acredita quando seus companheiros lhes contam que o Senhor Jesus está vivo e apareceu a eles. Quer provas. Quer ver as marcas da crucificação. Quer tocar, experimentar. A incredulidade do apóstolo frente à ressurreição e frente a Deus acompanhará os homens de todos os tempos. Querem provas de Sua existência. Procurarão crer somente no que é palpável, alcançado através do experimento científico, da metodologia rigorosa que lhes tragam resultados definitivos e comprovações irrefutáveis. Eis o homem moderno diante de Deus. Oito dias depois, novamente no primeiro dia da semana, que mais tarde virá a ser nosso domingo, Jesus volta a encontrar-Se com seus discípulos, estando, desta vez, Tomé entre eles. Oferece-lhe as marcas da Paixão para que São Tomé as toque. Mas já não há esta necessidade para o apóstolo que faz sua profissão de fé: “Meu Senhor e Meu Deus!”.

Jesus lhe repreende a incredulidade. Bastaria o testemunho dos apóstolos. E realmente bastará. Não vimos o Senhor ressuscitado. Cremos sem ter visto. Cremos no testemunho dos apóstolos continuado através dos tempos em seus sucessores. É em Jesus Cristo que encontramos a verdadeira paz. É n’Ele, que venceu a morte, que está nossa vitória perante os percalços que a vida nos impõe. Tenhamos plena confiança em Deus. “E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (I Jo 5, 4b-5).



11 de dez. de 2009

Aquecimento global: Verdade ou Mentira?

Posto aqui alguns trechos da entrevista feita pelo jornalista Carlos Madeiro (UOL Ciência e Saúde) com o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion, representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.
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UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?..
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.
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UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
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Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.
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UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
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Molion: Depende de como se mede.

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UOL: Mede-se errado hoje?

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Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.
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UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?

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Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.
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UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?

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Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.
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UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
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Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. (...)
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UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
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Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.
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UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
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Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.
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UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
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Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.
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UOL: Mas o mar não está avançando?

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Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.
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UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
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Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.
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Sugiro que pesquisem sobre a Petição de Heidelberg, a Petição do Oregon Institute e a Declaração de Leipzig.