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1 de set. de 2015

O livro do Gênesis: influência na construção da civilização ocidental e a zombaria dos ateus

O livro do Gênesis, especificamente os primeiros capítulos que tratam da criação do universo e do homem, é o alvo preferido da zombaria de não-religiosos. Não é uma novidade. Na sociedade greco-romana já era motivo de piada. O que talvez poucos se dão conta é que os conceitos dos direitos humanos, que moldaram a civilização ocidental, e por conseguinte, influenciaram toda a humanidade, foram deduzidos daquele relato maravilhoso de Deus tirando o homem da terra e a mulher, de sua costela. É deste relato simples e profundo que concebemos a inviolável dignidade da pessoa humana, a igualdade essencial entre os homens, a complementaridade dos sexos, a família como base social. É a mais perfeita explicação filosófica para a presença do mal no mundo e da natureza essencialmente boa do ser humano. 

Esta maravilhosa “estorinha”, iluminada por Cristo, venceu e se impôs ao mundo. Tivessem prevalecidos os relatos de criação dos egípcios, dos indianos ou das religiões dualistas e a concepção sobre quem é a pessoa humana seria outra e não seria melhor. Será coincidência que, a medida que o livro do Gênesis começou a ser achincalhado e foi sendo posto a parte por um cientificismo positivista, a civilização ocidental – e com ela o mundo todo – sofreu grave degradação moral que nos levou, por exemplo, a duas guerras monstruosas e aos campos de concentração?

Além do conceito de dignidade da pessoa humana, baseada na criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus, outro legado do relato da criação no livro do Gênesis é o descanso semanal. Após seis dias de criação, Deus “descansou” no sétimo dia. O repouso sabático tornou-se um dos pilares do judaísmo e de suma importância social para os judeus, pois o Shabat era dia de descanso, dedicado a Deus e à integração da família.

No Shabat, o descanso era estendido a todos os que habitavam Israel, fossem estrangeiros, escravos ou animais. Nenhuma outra cultura tinha um dia de descanso tão abrangente, sobretudo que incluísse os escravos.

Com a ressurreição de Jesus no primeiro dia da semana, o descanso semanal deslocou-se, com o cristianismo, para o Domenica Dies, o domingo. Desde o imperador Constantino, o domingo passou a ser feriado.

Porém, promulgado em 1792, o calendário revolucionário francês, que pretendia eliminar os vestígios de cristianismo, definiu uma “semana” de 10 dias, suprimindo, assim, o domingo e diminuindo os dias de descanso. O tal calendário não vingou, mas o advento de doutrinas laicistas e materialistas, como o liberalismo, que se adequavam à Revolução Industrial a qual exigia cada vez mais tempo de trabalho dos homens e mulheres, dificultou ao máximo o descanso semanal, especialmente aos domingos. O descanso semanal, direito sagrado, tornou-se uma luta para a classe trabalhadora. E é ainda hoje. Não há mais um único dia de descanso semanal igual para todos, como o Shabat ou o domingo, perdendo assim, quando concedido, seu caráter de culto a Deus e de agregação familiar.



27 de jun. de 2015

Carta de Jesus ao pastor: mais um texto sobre religião totalmente equivocado de Gregório Duvivier

O último artigo de Gregório Duvivier , na Folha, é uma carta de Jesus a um pastor. O humorista mediano, alçado a intelectual, demonstra, no texto, desconhecer os evangelhos e, portanto, o próprio Jesus ao qual pretende dar voz e que seus conhecimentos de História não vão além das leituras dos livros didáticos do MEC. Não quero tratar, aqui, das críticas do humorista aos pastores estelionatários da fé, nem à teologia da prosperidade de igrejolas que surgem a cada dia. Vamos aos tremendos foras sobre Jesus e História.

"... e você ler direitinho vai perceber, pastor-deputado, que eu sou de esquerda."

Bobagem. O espectro político-ideológico surge com a partidarização na Revolução Francesa, 1789 anos após Jesus. Antes disso, qualquer posição política ou ideológica de qualquer personagem da História é inclassificável e toda tentativa comete-se o "pecado do historiador": o anacronismo.

"Tem uma hora do livro em que isso fica bastante claro (atenção: SPOILER), quando um jovem rico quer ser meu amigo. Digo que, para se juntar a mim, ele tem que doar tudo para os pobres. "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus"."

A citação de Jesus é precisa. Mas faltou o que antecede esta fala de Jesus. O jovem rico se encontra com Jesus. Ele tem sede de Deus e quer saber do Mestre o que fazer para alcançar a vida eterna. Jesus lhe diz: "Observa os mandamentos"; "Quais?", pergunta o jovem; "Não matarás, não roubarás, não cometerás adultério, não levantarás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe". Ou seja, Jesus diz ao jovem que cumpra os Dez Mandamentos. O jovem lhe diz que todos estes mandamentos ele tem observado, Aí, então, vem a resposta de Jesus: "Se queres ser perfeito, uma coisa só te falta: vai, vende o que tem, dá aos pobres e me segue." O jovem rico vai embora entristecido porque tinha muitos bens. Este é o relato que consta nos evangelhos. Bom, não me parece que o pessoal da esquerda goste muito de dar seus bens aos pobres, nem por caridade, muito menos para se tornarem livres no seguimento de Jesus. Nem me parece que se empenham em cumprir os mandamentos do "esquerdista" Jesus. Aliás, matar e roubar foi o que a esquerda mais fez ao longo da história. Mas quantos cristãos não deram tudo o que tinham para seguir Jesus.

"Sou mais socialista que Marx, Engels e Bakunin -esse bando de esquerda-caviar. Sou da esquerda-roots, esquerda-pé-no-chão, esquerda-mujica.  Distribuo pão e multiplico peixe -só depois é que ensino a pescar."

O Jesus socialista não é uma bobagem inventada por Gregório Duvivier. Tem até bispo que acredita nisso. Qual esquerda-mujica? Do Mujica aborteiro, ex-presidente do Uruguai? Jesus não distribuía peixe e pão. O milagre da multiplicação não foi o antecedente do Bolsa-Família. Ao contrário, conta-nos o evangelho de São João, que, logo após o estupendo milagre, queriam proclamar Jesus como rei. Ele recusou, é óbvio. Muito diferente de demagogos que usam o discurso da pobreza para alçar ao poder. Também nos conta João, que no outro dia, o povo todo acorreu até Jesus. Repreendeu-os porque o procuravam não porque tinham visto o milagre, mas porque queriam comer pão gratuitamente. Jesus não ensinava a pescar. Pelo contrário, colocava algumas pessoas em apuros. Por exemplo, ao curar um cego ou aleijado que pedia esmola, automaticamente Jesus obrigava-os a arrumar um trabalho. Por conta deles, é claro.

"Se não quiser ler o livro, não tem problema. Basta olhar as imagens. Passei a vida descalço, pastor. Nunca fiz a barba. Eu abraçava leproso. E na época não existia álcool gel."

Se Jesus andava descalço ou nunca fez a barba, jamais saberemos. Aliás, é totalmente irrelevante. Sabemos, com certeza, que Jesus usava uma túnica inconsútil, o que não era comum a um miserável. Conta-nos os evangelhos que Jesus tocou uma única vez num leproso para curá-lo. Não entrarei nas minúcias do texto original de Marcos que diz que Jesus se irou pelo fato de o leproso irromper entre a multidão para vir prostrar-se aos seus pés, o que indica que o Senhor desaprovou a atitude do leproso de desrespeitar a Lei. Mas, de fato, Jesus tinha especial atenção aos doentes e pecadores. Não me parece que a turma vermelha se interesse por leprosos, nem pela dignidade dos doentes, já que o próprio autor do texto já defendeu a eutanásia em outra ocasião. Não me parece que seja possível existir um Damião de Molokai entre ateus e comunistas.

"Fui crucificado com ladrões e disse, com todas as letras (Mateus, Lucas, todos estão de prova), que eles também iriam para o paraíso. Você acha mesmo que eu seria a favor da redução da maioridade penal?"

Que Jesus foi crucificado entre ladrões, todos os evangelhos concordam. Mas só Lucas conta a conversão daquele que viria a ser conhecido como o bom ladrão (conhecido pela tradição com o nome de Dimas). Os dois ladrões injuriavam Jesus, até que Dimas foi tocado pela graça e se converteu. Imediatamente, reprendeu o outro ladrão. Dimas se arrependeu e pediu perdão a Jesus, recebendo a promessa de estar com ele no paraíso. Só Dimas, arrependido, recebeu a promessa. O outro, não. Encaixar a questão da maioridade penal aqui é hilário. Primeiro, Jesus pode perdoar qualquer criminoso e queremos que eles se arrependam e se convertam. Mas que sejam punidos pela justiça. Jesus perdoa Dimas, mas não o tira da cruz. Aliás, o próprio Dimas reconhece que a sentença que ele e o outro ladrão cumprem é justa. Que todos os criminosos se convertam e aproveitem as penas como penitência.

"Soube que vocês estão me esperando voltar à terra. Más notícias, pastor. Já voltei algumas vezes. Vocês é que não perceberam. Na Idade Média, voltei prostituta e cristãos me queimaram. Depois voltei negro e fui escravizado -os mesmos cristãos afirmavam que eu não tinha alma. Recentemente voltei transexual e morri espancado."

Jesus conta a parábola do fim do mundo quando vai julgar toda a humanidade e divide-a entre aqueles que fizeram obras de caridade, que deram de comer, de beber, vestiram e visitaram os mais necessitados e os que nada fizeram diante das necessidades dos homens. “Cada vez que fizerdes algo a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.” De fato, Jesus está de certa forma presente nos pobres. Mas não nos pecadores. Jesus diz que Ele e seu Pai virão àqueles que observarem seus mandamentos e neles farão sua morada. Aqui, Duvivier comete erros de História, ou melhor, parte para as clássicas acusações sem fundamento nenhum. Na Idade Média, não se queimava prostitutas. Aliás, nenhum país tentava combater a prostituição seriamente. Nem em Roma. Entendiam sua função social "assim como tem função social as cloacas das cidades". Os prostíbulos eram regidos por estatutos específicos elaborados pelo governo de cada cidade e funcionavam como uma espécie de corporação de ofício. Geralmente as prostitutas eram obrigadas a vestirem-se com uma roupa que as diferenciava das outras mulheres. Havia ordens religiosas e confrarias - sob a proteção da Santa Maria Madalena - que procuravam ajudar aquelas que queriam deixar a prostituição e, em certos períodos, a Igreja concedia indulgência plenária a quem casasse com uma prostituta.











4 de jun. de 2015

A Religião Ateísta: ateísmo puro é insuportável. Graças a Deus, não conheço um único ateu puro sangue

Richard Dawkins andou pelo Brasil. Sinceramente, não vi as repercussões. Dawkins é um dos pregadores do ateísmo militante, uma espécie de religião sem divindade. O ateísmo militante se organiza como uma religião. Tem pregadores, profetas apocalípticos, livros sagrados, oráculos, códigos morais e até santos e santas. Eu me irritava com a religião ateísta, porque via nela uma negação dos princípios do livre-pensamento, tão caro aos primeiros ateus. Mas não me irrito mais, ao contrário, vejo algumas vantagens nela.

A religião ateísta não é um fenômeno recente. Já nos primórdios do ateísmo, os ateus se organizaram em instituições para compartilhar suas ideias e fins comuns. A primeira foi na maçonaria, que não nasceu ateia, mas, por sua própria dinâmica e atração que exerceu sobre os ateus, tornou-se pouco a pouco. Depois, duas grandes correntes filosóficas atraíram os ateus: o positivismo e o marxismo. O positivismo de Auguste Comte era uma verdadeira religião. Fundaram-se até "igrejas" positivistas (a do Rio de Janeiro está lá até hoje). Porém, a maior expressão da religião materialista é o marxismo. O marxismo é um decalque do cristianismo numa complexa (ou simplória) explicação globalizante da História. Muitos textos marxistas são puros oráculos divinos comparados aos dos profetas bíblicos. É impressionante a semelhança.

Poderíamos citar outras correntes: o darwinismo, o cientismo (ou cientificismo) e até o espiritismo, religião que pode funcionar sem Deus. Estas correntes religiosas materialistas surgidas no século XIX, eu as chamo de "religiões ilustradas". Em comum, todas elas compartilham noções teleológicas: dão um sentido para a vida humana, explicam suas contradições, apontam caminhos para progredir, possuem um código moral e culminam na construção do paraíso terrestre. Finalmente, depois deste parêntese histórico, o porquê de o ateísmo militante não me irritar mais.

O ateísmo puro é insuportável. Graças a Deus, não conheço um único ateu puro sangue. Ateus nietzschianos são raros. Um ateu que crê em energias positivas (ou negativas), que torce pela recuperação de alguém que está doente, que simplesmente deseja sorte para um amigo que vai prestar vestibular ou felicidades para um casal recém-casado não pode ser um ateu puro sangue - ainda que muitos apelem a uma pseudo-ciência que respalda estas "crenças". O ateu puro não crê em nada disso. Crê nas forças cegas da natureza, nos condicionamentos psicológicos, nos determinismos biológicos. Não crê nem mesmo no amor, esta reação físico-química que serve apenas ao extinto de conservação da espécie. Mais uma vez, agradeço a Deus pela maioria dos ateus não ser pura, não ser nietzschiana, não ser niilista. O ateu puro só encontra dois caminhos: a loucura ou o suicídio.



24 de jan. de 2015

A Europa islâmica: um caminho sem volta

As medidas de combate ao terrorismo sendo reforçadas na França e, consequentemente, em toda a Europa chegam a ser patéticas. Medidas inúteis, pois combate o efeito e não a causa. Temos que nos resignar, a Europa está perdida. Todo o Ocidente está derrotado. É um caminho inexorável: a Europa será islâmica. E mais tarde, a margem de cá deste “rio chamado Atlântico” também será. A derrocada da Europa começou há pouco mais de 200 anos quando os europeus voltaram suas costas para suas tradições, quando certas ideologias levaram os europeus a sofrerem de sentimento de culpa. Por isso, entraram num processo de autopunição e numa crise de identidade que a levou à autodestruição. Minaram seus pilares greco-romano, eslavo-germano e judaico-cristão. Atacaram a base da sociedade: a família. Implantaram o vírus mortal do relativismo moral.

Graças a este trabalho de sapa que vem minando os alicerces da sociedade europeia (e ocidental) e que nos trouxe à pós-modernidade, temos uma sociedade fragmentada. Propositadamente fragmentada pelas ideologias materialistas e laicistas cujo intuito era a da velha tática de “dividir para conquistar”. Mas nenhuma destas ideologias mostrou força suficiente para se impor de modo permanente o que possibilitaria construir uma unidade social, ainda que totalitarista. O nazifascismo e o comunismo se foram, graças a Deus. Criou-se um vácuo. Um vácuo de princípios e de ideais. Um grande ideal é aquele que motiva os homens e mulheres a morrer – e se necessário – a matar por ele. Este ideal pode ser bom e verdadeiro como o cristianismo, mas pode ser pernicioso e mentiroso como foi o comunismo. Foi um grande ideal que moveu milhares de homens a se baterem nas Cruzadas. Foi um grande ideal (ainda que deturpado, diga-se) que moveu milhares de homens das brigadas internacionais nas revoluções comunistas. Hoje, o único grande ideal que se apresenta como alternativa ao Ocidente é o Islã. Não é à toa que vemos milhares de jovens europeus muçulmanos, muitos neoconvertidos, se alistando nas fileiras do Estado Islâmico ou de organizações terroristas.

A Europa adoeceu e sua doença é incurável. Ainda que haja quem reconheça o mal, evita-se o remédio. Nada pode salvar a Europa. A solução poderia vir da Igreja Católica, a única instituição que sempre soube manter a unidade e a conservar a cultura europeia em tempos de adversidades. Porém, é com tristeza que constatamos sua impotência e incapacidade para fazer frente às ameaças por conta das contradições internas de seus filhos, principalmente de seu episcopado. Muito menos podemos contar com o simulacro de unidade chamada União Europeia. É mais fácil ela aplicar a eutanásia na paciente do que salvá-la.

Uma sociedade dividida. Foi exatamente o que facilitou a expansão árabe-muçulmana nos inícios da doutrina de Maomé. A península arábica estava dividida em tribos. Os impérios bizantino e persa sofriam com conflitos internos e, portanto, estavam profundamente divididos. Certos grupos até favoreceram ou aliaram-se aos invasores, como fazem alguns grupos hoje, especialmente de esquerda, que julgam poder usar os muçulmanos a seu favor. Mas um continente não acaba. Não é o fim da Europa, é o fim de uma era, como foi o fim do Império Romano. Há décadas países muçulmanos, encabeçados por Arábia Saudita, Marrocos, Líbia, Síria e Irã, financiam a expansão do Islã pela Europa. Constroem mesquitas, inclusive com capacidade para milhares em regiões aonde o número de adeptos não chega a uma centena; promovem ajuda financeira aos imigrantes; e, é claro, financiam o terrorismo que é parte integrante do mesmo projeto.

O futuro do continente europeu é o Islã. Não o Islã dos terroristas. Os terroristas são somente os que estão no front. Fazem parte do processo de islamização, como os cavaleiros de Allah no tempo do Califado, mas não são as peças fundamentais. Servem à causa, sem dúvida, porém os verdadeiros agentes da islamização da Europa são aqueles que migram – como diz o Alcorão. A invasão muçulmana é invisível, pacífica e silenciosa, como foram no Império Romano as primeiras ondas migratórias dos bárbaros. São famílias, gente boa e honesta, que trabalham, ocupam todos os espaços da sociedade, convivem nos bairros da periferia com pessoas de outras culturas em clima de tolerância e, principalmente, suas mulheres têm taxas de fertilidade muito maiores do que qualquer outra europeia. Contudo, também são pessoas de fé. Sabem exatamente o que os diferem dos outros. Eles são os fiéis. Nós, os infiéis. Sabem que eles são o futuro.

Não é o radicalismo islâmico que vai dominar a Europa. O Islã, ao longo da História, sempre soube se deixar influenciar pelas culturas superiores que encontrou pela frente. Hauriu a cultura grega dos bizantinos e bebeu da cultura persa. Preservou a bela poesia e literatura árabe pré-islâmica. De tribos nômades que eram atingiram alto grau de refinamento cultural a ponto de não podermos ignorar suas contribuições nas artes, na arquitetura, na filosofia e nas ciências. O Islã europeu não será o que destruiu os budas de Bamiyan, mas o que preservou os monumentos egípcios, mesopotâmios e as obras de filosofia grega. Católicos, fiquem tranqüilos. A Basílica de São Pedro não será o estábulo de nenhum sultão ou califa. Pelo menos não permanentemente. O Vaticano será o Fanar do Ocidente. Poucos homens e mulheres tiveram o privilégio de testemunhar o fim de uma era. Não sei se veremos o fim de um processo que pode durar décadas. Porém, as engrenagens da História já estão em movimento. Sentem-se no sofá e aproveitem o triste espetáculo.


6 de dez. de 2014

As imbecilidades de Jean Wyllys nas redes sociais e seu papel de vítima

Vi, outro dia, uma postagem do deputado Jean Wyllys onde ele dizia que está sendo ofendido nas redes sociais, sendo xingado e caluniado e que ia tomar as devidas providências. Interessante posicionamento para quem atira para todos os lados nas mesmas redes sociais. Para quem acompanha um pouco do que o deputado posta na rede, fora as imbecilidades a la Marco Feliciano, percebe que o ex-BBB parlamentar é extremamente desrespeitoso com todos aqueles que discordam de sua visão de mundo: ofende, xinga, calunia. Esquece-se até mesmo do decoro que seu cargo exige. Suas postagens sobre o Papa Bento XVI, por exemplo, eram totalmente caluniosas (e sobre os evangélicos também). Chamava-o de nazista, genocida em potencial (o que, em tese, todos somos), etc. 

A esquerda reserva para si o direito de agredir. O vitimismo faz parte do pensamento de esquerda desde quando esta surgiu, na Revolução Francesa. Em nome da revolução, do progresso, vale tudo. Os revolucionários, especialmente sobre a liderança de Robespierre, guilhotinaram 32 pessoas diariamente, durante um ano e meio. Todavia, tal brutalidade era em nome do progresso. O comunismo causou a morte de 100 milhões de pessoas, porém tudo foi justificado por um pretenso bem do povo. O historiador marxista Hobsbawm disse que a morte destas 100 milhões de pessoas tinha valido a pena. Ou seja, os extermínios em massa, os laogai's, os gulag's, os deslocamentos forçados de imensa massa populacional, as fomes artificiais, os paredões de fuzilamento, tudo isto vale a pena para melhorar a vida das pessoas, o que, de resto, nem isto aconteceu. O deputado, em menor escala, age assim. Se agride, se ofende, é devido a necessidade de remover obstáculos que impedem o progresso e que devem ser retirados a qualquer custo. É um revolucionário. Se é ofendido, é vítima daqueles reacionários que querem manter o status quo. É violência. Muito típico.



13 de nov. de 2014

Livro O Colecionador de Lágrimas, de Augusto Cury: crítica de um leitor que gostou do livro

Provavelmente você não vai ler nem o livro, muito menos a pequena crítica que escrevi sobre ele. Caso for ler ambos, aviso que este artigo contém spoilers.

Acabei de ler o primeiro volume do livro O Colecionador de Lágrimas, de Augusto Cury. O autor é conhecidíssimo, vende livro que nem água, mas eu nunca tinha lido um livro dele. Apesar de não vir a tornar-se um clássico da literatura (longe disso), ter algumas passagens que pretendem ser profundas, mas beiram a cafonice e uma linguagem e uma narração um tanto de literatura juvenil, eu gostei do livro. É bom, prende a atenção.

Através do livro podemos conhecer um pouco o perfil psicológico de Hitler, seu modo de agir e da história do nazismo. O livro narra a vida de um psicólogo que se tornou professor de História e especializado no nazismo e na Segunda Guerra. Torna-se um grande intelectual. Passa a ter pesadelos realísticos vivenciando cenas de atrocidades cometidas pelos nazistas. Os fatos dos pesadelos tornam-se reais e ele passa a ser perseguido por nazistas, até que um grupo de cientistas e militares alemães o convidam para participar de uma experiência: viajar no tempo e mudar o rumo da História.

Particularmente, encontrei alguns furos na interpretação que o autor faz da história de Hitler e do nazismo. Por exemplo, Augusto Cury endossa o senso comum de que Hitler conquistou a Alemanha exclusivamente através da manipulação de massas e que suas ideias ganharam espaço por força da conjuntura socioeconômica que a Alemanha vivia. Esses foram elementos que contribuíram para a ascensão de Hitler, mas não foram os únicos. Parece que o autor tende excessivamente para o materialismo histórico, desconsidera o clima antissemita da Europa no século XIX e primeiras décadas do XX. Não leva em conta que a sociedade alemã respirava a filosofia do século XIX impregnada de ideias que embasaram o nazismo. Enfim, faltou um pouco de Hannah Arendt, que, de fato, não aparece nas referências bibliográficas no fim do livro.

O personagem levanta vários pontos da História que, se mudados, poderiam evitar as atrocidades do nazismo, sem que fosse preciso eliminar fisicamente a Hitler. Um deles é convencer a Polônia a entregar Danzig. O autor está convencido de que a entrega da cidade polonesa que divide a Prússia, poderia evitar a invasão da Polônia e, consequentemente, a guerra. Ledo engano. O autor não leva em conta o pangermanismo, nem as pretensões expansionistas de Hitler para alcançar o “espaço vital” para os alemães. Além disso, Hitler já tinha anexado a Áustria e os Sudetos (na Tchecoslováquia) com a anuência das grandes potências europeias, sem que isto tivesse aplacado sua sede expansionista.

Outro ponto. Cury cita o apoio de igrejas alemãs a Hitler. É verdade, infelizmente. Foi criada a Igreja do Reich formada pela maioria das igrejas protestantes. Em oposição, protestantes contrários ao nazismo criaram a Igreja Confessante. Vale fazer justiça ao episcopado católico, que em conjunto abominava o nazismo e o clero possuía poucos admiradores do regime. Mas o autor foca-se apenas nos cristãos, generaliza, e esquece-se de citar o apoio explícito de Amin al-Husseini, o Grão-Mufti de Jerusalém, ao regime de Hitler.

Para terminar, há um trecho do livro em que um dos cientistas que faz parte do projeto de viagem no tempo mostra ao professor vários artigos de civilizações antigas coletados por um comerciante que viajou no tempo por diversas épocas e povos. Diz que foram realizados testes de carbono 14 e ficou comprovada a antiguidade das peças. Aqui comete-se um equívoco (ainda que seja uma ficção): se os artigos foram trazidos diretamente da Antiguidade, não poderiam ser datados por testes de carbono 14, já que o carbono se deteriora lentamente e é o nível de deterioração que possibilita sua datação. Os artigos não “envelheceram” e, portanto, as taxas de carbono 14 teriam que ser exatamente as mesmas do período que foram fabricados. Além disso, o teste de carbono 14 só pode ser realizado em materiais orgânicos, como tecidos, por exemplo.



27 de nov. de 2013

A parcialidade da mídia: tentativas de desacreditar o Cristianismo e as evidências históricas de Jesus Cristo

"Arqueólogos descobrem local onde Buda teria nascido no século 6 a.C.". Bela notícia para a arqueologia e para a História. Mas gostaria de chamar a atenção para a diferença de tom entre este achado importantíssimo e os vestígios arqueológicos do cristianismo. Onde estão no corpo da notícia, expressões que denotam incerteza, tais como: "o suposto lugar", "segundo se crê", "segundo 'tal' acredita que"? Onde estão os pretensos estudiosos céticos que nunca tem seus nomes ou obras citados? Por que esta má vontade com o cristianismo? Diz um trecho da matéria:

"Foi possível checar o nome e determinar que trata-se realmente o lugar do nascimento de Buda graças a um pilar de arenito do século 3 a.C. que continha a informação em uma inscrição gravada durante a visita do imperador Asoka, explicou a Unesco."

Sendo assim, por que a dúvida quanto ao local de nascimento de Jesus ou o local de sua crucificação, sepultura e ressurreição onde já foram realizadas importantes escavações arqueológicas que comprovam a autenticidade dos locais? Por que as investigações sobre os lugares santos conduzidas por Santa Helena no século IV que resultaram nas construções das basílicas da Natividade, em Belém, e do Santo Sepulcro, em Jerusalém merecem tanta dúvida? Por que a presença ininterrupta da comunidade cristã, juntamente com seus bispos, em Jerusalém não mereceriam um testemunho credível sobre a veracidade dos lugares santos?

Um exemplo mais recente foi dado nas matérias sobre as relíquias de São Pedro expostas pela primeira vez no domingo passado durante a Santa Missa da festa de Cristo Rei e encerramento do Ano da Fé. Quase todas as matérias da imprensa secular puseram em dúvida a autenticidade das relíquias, mesmo depois de 23 anos de pesquisa arqueológica nos subterrâneos da Basílica Vaticana, onde foi encontrado o túmulo e os restos mortais de São Pedro. Em resumo, a mídia e boa parte dos pesquisadores preferem atender as suas concepções ideológicas do que aos métodos científicos.

Para ver a matéria:


29 de set. de 2013

A relação da mídia com o Papa Francisco: uma interpretação errônea

Conhecendo um pouquinho de História da Igreja, vejo a relação da mídia e de alguns grupos católicos com o Papa Francisco semelhante a que tiveram com Pio IX e Leão XIII. 

Com sua eleição, Pio IX foi louvado pelos liberais como um dos seus. A mídia e os oradores liberais louvavam o Papa que tinha dado abrigo ao revolucionário Luis Napoleão quando bispo e que modernizava os Estados Pontifícios com a iluminação a gás e ferrovias. Em poucos anos (só dois, para ser exato) viram que estavam enganados, Pio IX era extremamente ortodoxo (basta lembrar da Quanta Cura e do Syllabus lançados mais tarde) e os gritos de "hosana" passaram a ser de "crucifica-o". 

Com Leão XIII ocorreu a mesma coisa. Sua encíclica Rerum Novarum que sistematizou a Doutrina Social da Igreja foi acusada por uns de ser socialista e por outros de ser liberal. Seu reconhecimento dos regimes republicanos e democráticos, vistos até então como inconciliáveis com a fé católica, e, por este motivo, sua reaproximação com a França republicana fez com que piedosas senhoras de Paris organizassem novenas pedindo para, digamos, que Deus chamasse para junto de si o Santo Padre.



28 de set. de 2013

A democracia na Idade Média

A grande maioria das pessoas tem em mente que o período medieval foi uma época de autoritarismo. Nada mais enganoso, pelo menos quando se trata da Baixa Idade Média (séculos X a XV). Com a palavra, um dos maiores medievalistas de nosso tempo, Jacques Le Goff: 

"A base das decisões da comunidade é teoricamente tão ampla quanto possível em virtude dos dois princípios segundo os quais Quod omnes tangit ab omnibus tractari et approbari debet ("o que toca a todos deve ser tratado e aprovado por todos") e as decisões lícitas devem ser tomadas pela maior et sanior pars, isto é, pela maior parte e a mais sã da comunidade." (O Apogeu da Cidade Medieval, p. 84)

As decisões jamais são monocráticas, sejam elas municipais ou mesmo reais. As assembleias, tanto rurais como urbanas, tomam decisões e resolvem suas questões através do voto. Todos votam, inclusive as mulheres. O sistema de votação varia de região para região. Em algumas, os votos são por indivíduos; em outras, um voto por família. As cidades que conquistam sua franquia têm câmaras municipais, cujos representantes do povo são eleitos dentre os "homens bons". Não há uma única forma no governo das cidades. Algumas são governadas pela própria assembleia municipal, outras por representantes eleitos (cônsules, escabinos, prefeitos ou conselheiros), cujo número varia de cidade para cidade. Nas cidades que não são totalmente francas, as assembleias contrabalançam o poder de seus senhores, mesmo que este seja o rei. Há exemplos de ações judiciais movidas pelas cidades que foram apresentadas no Parlamento de Paris contra o rei e que tiveram suas causas ganhas. 

O poder do rei é limitado pelos costumes e pela moral religiosa. Se o rei abusar de suas atribuições, corre o risco de ser excomungado e perder legitimidade perante os súditos e seus vassalos. O sistema feudal também impede a autocracia do monarca. O rei jamais toma uma decisão solitariamente. Na Inglaterra, o poder do Parlamento fazia contraponto ao do rei desde o século XIII. No restante dos países, um conselho consultivo sempre o assiste (pensemos na Távola Redonda do legendário rei Artur). Aliás, nem sempre com vantagem. As infindáveis discussões dos conselheiros no Reino Latino de Jerusalém atrasavam decisões e prejudicaram a causa dos cruzados na Terra Santa. Além disso, de tempos em tempos, os reis convocam uma assembleia com representantes dos três estados tradicionais no Medievo (povo, nobreza e clero) para deliberar sobre assuntos de maior importância para o reino. 

Por fim, há quem objete que as cidades medievais tinham uma democracia capenga, dominada pelo poder econômico dos burgueses. É verdade, mas bem sabemos que este não é um problema restrito ao período medieval. De toda forma, o absolutismo dos reis nos séculos seguintes e os totalitarismos surgidos no século XX seriam inimagináveis na Idade Média.


21 de jul. de 2013

De São Pedro ao Papa Francisco: a invencibilidade da Igreja

Às vésperas da chegada do Papa ao Brasil, refletimos sobre as palavras de Jesus dirigidas ao primeiro Papa, São Pedro: “E as portas do inferno não prevalecerão sobre ela [a Igreja]”. A promessa de Jesus é verificável na História. De fato, a Igreja é invencível. Nenhuma instituição puramente humana sobreviveria a 2000 anos, atravessaria todos os períodos em que classicamente dividimos a História, venceria o Império Romano perseguidor, resistiria à invasão dos bárbaros que colocou a Europa de cabeça para baixo, às heresias e cismas que dilaceraram o Corpo Místico de Cristo, às pressões dos governos, às revoluções liberais e comunistas que banharam o mundo com sangue católico e, por fim, aos pecados, traições, escândalos e contra-testemunho dos seus filhos. 

“Dentro de setenta anos não haverá mais Igreja”, quem disse esta frase está morto há 235 anos: Voltaire. 

“Morreu o último papa”, escreveu o carcereiro no relatório oficial enviado a Napoleão por ocasião da morte de Pio VI, mantido preso pelas tropas francesas na fortaleza de Valence. Era o ano de 1799. Os revolucionários afirmavam que era o fim do Papado e consequentemente da Igreja. De Pio VI a Francisco já tivemos dezesseis Papas. 

“Quantas divisões militares tem o Papa?”, perguntou Stálin debochando da condenação ao comunismo proferida por Pio XI. Perguntamos: onde está a União Soviética? 

A Rocha sobre a qual a Igreja está edificada não é abalada, muito menos derrotada. Pelo Sólio Pontifício já passaram homens de todas as espécies: pescadores, mártires, sábios e ignorantes, ex-escravos, pastores de rebanhos, filhos de empregada doméstica, órfãos abandonados, nobres, príncipes, cientistas, filósofos, médicos, adolescentes, corruptos, políticos, assassinos, devassos e, sobretudo, santos, aliás, muitos santos. Porém, todos foram legitimamente Papas. Todos foram escolhidos pelo Espírito Santo, independentemente se o conclave foi limpo ou repleto de pressões externas ou de compra de votos como já ocorreu na História. Todos serviram a Igreja, ou melhor, foram servidos por Deus como instrumentos, muitas vezes indignos, para governar Sua Igreja. A água limpa da graça não se contamina mesmo percorrendo canos enferrujados. Todos tiveram suma importância no tempo em que governaram a Igreja, demonstrando que, em última instância, é sempre o Sumo e Eterno Pontífice, Jesus Cristo quem governa a Igreja através das vicissitudes da História. 

Estudando a história da Igreja, encontra-se uma das provas de que realmente foi instituída por Cristo e é acompanhada pelo Espírito Santo. É em sua história que reconhecemos que é Santa, pois se não a fosse, os pecados de seus filhos a teriam destruído. Porém, fixamo-nos neste ponto de unidade da Igreja, em sua Cabeça visível, no Vigário de Cristo, o Papa, aquele que foi incumbido de pastorear as ovelhas do Sumo Pastor e confirmar os irmãos na fé. De São Pedro a Francisco vemos a perenidade da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, atacada de todos os lados, mas jamais vencida. 

Viva o Papa Francisco!




21 de jan. de 2013

Há 220 anos, Luis XVI era executado

É uma tristeza o quanto as pessoas não se importam com a pesquisa historiográfica. Basta conferir os comentários desta grande descoberta publicada em vários sites para verificar aonde chega a ignorância e o descaso com a História. 

Mas qual é a importância em se comprovar que o sangue encontrado num lenço guardado dentro de um cofre por 220 anos é o sangue do rei Luis XVI decapitado pelos revolucionários franceses? É um grande indício que o "cidadão Luis Capeto" não era um tirano odiado pelo povo como querem que acreditemos. 

Pessoas do povo não embebedam seus lenços no sangue de criminosos, mas de mártires. Foi como um mártir que o povo francês católico mais humilde viu seu rei ser executado por uma aliança de burgueses, maçons e protestantes. Nisso consiste a importância da descoberta relatada na notícia. Como nossa sociedade é fruto da Revolução Francesa, é preciso justificá-la apresentando Luis XVI como o tirano odiado pelo povo. 

16 de jan. de 2013

Trotula de Salerno


Trotula de Salerno (também conhecida como Trotula de Ruggiero) foi uma médica do século XI que trabalhou na Schola Medica Salernitana, a Escola de Salerno, e é considerada a primeira ginecologista do mundo. É desconhecido a data e o local de seu nascimento (provavelmente, nasceu em Salerno). Era da família dos Ruggiero e casou-se, segundo alguns historiadores, com um dos fundadores da Escola de Salerno, chamado Giovanni Plateario, tendo dois filhos, Giovanni e Matteo, que seguiram a carreira médica dos pais. Foi autora do mais célebre tratado de Obstetrícia e Ginecologia da Idade Média: De Pasionibus mulierum curandorum ante, in, post partum. Dividido em sessenta capítulos, Trotula disserta sobre as diversas técnicas cirúrgicas, preconiza realizar uma eficaz proteção perineal, aconselhando praticar as oportunas suturas no caso de produzir-se lacerações do períneo no transcurso do parto. Não esquece ainda aos lactantes dando normas a respeito do cuidado com o bebê em seus primeiros meses de vida. Outras das obras de Trotula são: Pratica secundum Trocta e De Aegritudium curatione ou De Ornatu mulierum. Neste último título, Trotula recomenda às mulheres de sua época cuidar da higiene diária, praticar regularmente exercícios físicos, massagens com óleo e uma dieta equilibrada e saudável. E completa estas recomendações com simples e curiosas receitas de cosméticos femininos:

Um creme para eliminar as rugas, a fórmula de um batom em que utiliza mel, suco de beterraba, abóbora e água de rosas. Para conservar a dentição saudável e branca recomenda limpá- los com uma infusão quente de casca de noz. Seus trabalhos serviu como base do tratamento da saúde da mulher por 400 anos, sendo conhecido por toda a Europa.

A Escola de Salerno foi a única durante os séculos X a XIII aberta às mulheres, como estudantes e professoras. Como resultado da variada influência cultural na cidade, os médicos de Salerno, tanto mulheres como homens, foram os melhores no Mediterrâneo ocidental. Muitos documentos revelam que a independência das mulheres da escola de Salerno foram parte vital do avanço científico do período. Durante a alta Idade Média, a medicina, entre as mulheres, era praticada exclusivamente pelas monjas, que, deste modo, evitava a entrada de homens no claustro. Porém, a prática da obstetrícia e os cuidados aos bebês em seus primeiros meses era confiadas às mulheres leigas.

Naqueles casos em que a mulher exerce a medicina, o realiza pela circunstância de ser esposa ou filha de médicos sendo que aprende-se a medicina com eles. A Escola de Salerno será a primeira que vai oferecer às mulheres com vocação à medicina o livre acesso a formação médica e sua titularização, sem limitar seu campo de acão às enfermidades da mulher e o cuidado dos lactantes, mas ampliá-la ao exercício da medicina geral. Com esta abertura, logo surgirão em Salerno cinco mulheres destacadas na arte da cura: Trotula, Salernitana, Constança e Calenda, a judia Rebeca Guarna e Abella, uma muçulmana. Salvo no caso de Trotula, poucas informações nos chegaram do resto destas mulheres pioneiras. De Rebeca Guarda sabemos que escreveu um tratado sobre a urina e a febre e de Abella, a muçulmana, unicamente o título de seu livro De artrabile et de natura  seminis humani.

De todas as médicas de Salerno, Trotula é a mais bem conhecida. A despeito de sua fama, os detalhes de sua vida – idade ou ano em que nasceu, quando ingressou na escola ou completou seus  estudos – são escassos, mas sabemos que ela foi a autora de importantes trabalhos médicos. Seu principal interesse e área de estudo foi a saúde da mulher. Muitas mulheres não eram tratadas porque se envergonhavam ou consideravam impróprio serem examinadas por médicos homens, especialmente em casos ginecológicos.

Diferentemente da maioria de outros trabalhos do período, Trotula nunca prescreveu encantamentos ou a astrologia como tratamento para as doenças. Em vez disso, dava conselhos práticos - de fato, muitos de seus tratamentos preconizados ainda estão em uso hoje! No De Pasionibus mulierum, ela mostra teoricamente as causas bem como os tratamentos para várias questões da saúde da mulher, incluindo infertilidade e problemas com a menstruação e com o parto. 

Em seu livro, a menstruação é vista como saudável e importante, e escreve sobre diferentes modos para regular o seu ciclo. Em seu De Ornatu mulierum, aborda não só receitas de maquiagens e dicas de aplicação, mas aconselha sobre o cuidado com a pele, com a saúde dos dentes e a higiene, tratamento da acne e contra a queda de cabelo.

Afirmou que tanto os homens quanto as mulheres podem ser responsáveis pela infertilidade – uma radical posição para a época – e também defendeu que as mulheres tinham o direito de não sofrer durante o parto. Para este fim, ela experimentou opiácios e soporíferos, além de um incontável número de ervas. Aconselhou uma recuperação longa e tranquila para obter êxito na cura das doenças e após o parto e teve sucesso  em processos de  cesariana. Em geral, desenvolveu a medicina preventiva como chave para promover a boa saúde para as mulheres.

Como professora da Escola de Salerno, Trotula ensinou seus alunos a manter uma interação lenta com seus pacientes. Ela acreditava que era preciso fazer muitas perguntas, não somente sobre os sintomas que os pacientes estavam sentindo, mas também sobre o seu estilo de vida e problemas em geral. Assim, afirmava, o médico estaria mais atento sobre o paciente, tendo uma melhor compreensão do seu estado físico e podendo tratar o problema com mais rapidez e eficácia.

Pelas informações escassas sobre sua biografia, assim como ocorre com sua data de nascimento, é desconhecida a data de sua morte. 

12 de dez. de 2012

Zumbi dos Palmares: a pessoa por detrás do mito


O Dia da Consciência Negra foi instituído no dia em que se comemora a morte de Zumbi, líder do quilombo dos Palmares. Penso que este dia deveria se referir diretamente a ele, como no dia de Tiradentes. Mas deram a esse dia esse nome estranhíssimo. 

É interessante observar como se constrói um mito. As nações passam por isso e grupos específicos também. Ocorre comumente na elaboração da "História Oficial". Assim aconteceu com o já citado Tiradentes e acontece com Zumbi dos Palmares. Sem dúvida, foi um grande líder negro, governou Palmares, o maior quilombo do Brasil e resistiu bravamente em sua defesa. Mas foi um heroi? Um defensor da liberdade e da igualdade em tempos de escravidão? Definitivamente não. 

Por exemplo, Zumbi tinha escravos. Isso não o diminui. A escravidão era um estatuto do período e mais comum no continente africano do que em qualquer outra parte do mundo. Zumbi não se diferenciava em nada se comparado a qualquer outro chefe na África, cuja riqueza pessoal - onde as terras eram comunais e o dinheiro, inexistente - era determinada pela posse de vacas, escravos e mulheres. Exatamente nessa ordem. Zumbi nunca realizou um só ato contra a escravidão. Os africanos não compunham uma unidade étnica para lutar por liberdade. Um membro de uma nação ou tribo diferente era tão estranho e considerado inimigo tanto quanto os brancos. O que uniam os negros no Brasil era a escravidão, não a liberdade.

Zumbi não liderou nem mesmo uma só ação heroica para libertar escravos nas senzalas. Os quilombolas de Palmares atacavam senzalas e tribos indígenas para raptar mulheres, escassas no quilombo. Os governados por Zumbi não viviam num mundo idílico e democrático. Nem poderiam, condicionados pela cultura e pela época. A hierarquia de Palmares era rígida, tendo no topo da pirâmide a família de Zumbi. Isso nada tem de espantoso, apenas reproduzia a organização tribal africana. 

Zumbi também não mostrou muita sagacidade no governo do quilombo. Seu tio, Ganga Zumba estava próximo de fechar um acordo com a Coroa portuguesa que prometia a emancipação do quilombo, ainda que submetido como qualquer cidade, ao governo português. Mas o líder foi misteriosamente envenenado, Zumbi assumiu o governo e rompeu qualquer negociação, o que levou a uma guerra que acabou com sua morte e com o quilombo. Assim nascem os mitos, servindo às causas político-ideológicas e deformando a História.

16 de fev. de 2011

A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Episódio 11

Série A Igreja Católica: Construtora da Civilização, da EWTN, apresentada por Thomas E. Woods, autor do livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental. Décimo primeiro episódio dividido em três partes com legenda em português.







12 de jan. de 2011

A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Episódio 10

Série A Igreja Católica: Construtora da Civilização, da EWTN, apresentada por Thomas E. Woods, autor do livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental. Décimo episódio dividido em três partes com legenda em português.






15 de dez. de 2010

A história da educação no Brasil


Introdução


Esta dissertação tem como objetivo descrever e comentar os aspectos históricos e filosóficos da educação no Brasil desde o período colonial até a primeira República. Demonstraremos a educação jesuítica que monopolizou a educação na colônia, a reforma pombalina, as reformas educacionais de Dom João VI em solo brasileiro, bem como as reformas na educação durante o primeiro e o segundo Império. Por fim, veremos o que foi feito em prol da educação na Primeira República.


Período Jesuítico (1549 – 1759)

A história da educação no Brasil desde seu início no século XVI é marcada pelo descaso das autoridades públicas frente à democratização de um sistema de ensino de qualidade. Em 1549, meio século após o descobrimento do Brasil pelos portugueses desembarcaram na colônia os primeiros padres da Companhia de Jesus que se destacavam na Europa no âmbito educacional. Os jesuítas têm por fundador Santo Inácio de Loyola, que, no contexto da Contrarreforma católica, criou a Companhia de Jesus, cujos objetivos eram combater o avanço protestante através da pregação missionária e a educação. Em solo brasileiro, os jesuítas fundaram escolas de instrução elementar e colégios para atender às necessidades educacionais dos filhos dos colonos e transpor a didática europeia aos índios. Além disso, as escolas jesuíticas também eram centros de evangelização dos povos indígenas, visando levá-los ao cristianismo e à civilização. A educação brasileira colonial ficou majoritariamente ao encargo dos padres jesuítas durante 210 anos, financiados pelo poder público e pelas rendas obtidas nas propriedades da Companhia. Havia outras instituições de ensino de menor expressão mantidas pelas ordens religiosas, como a dos franciscanos, mas nenhum tipo de educação pública gerida pelo Estado. A educação jesuítica era baseada no Ratio Studiorum, que reunia a didática da Companhia de Jesus, baseada na Escolástica medieval. A educação jesuítica no Brasil teve fim quando o Marquês de Pombal determinou a expulsão dos jesuítas de todas as colônias de Portugal.


Período Pombalino (1760 – 1808)

Durante o reinado de Dom José I, ascende ao cargo de primeiro-ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. Imbuído em retirar Portugal de sua decadência e consolidar o Estado, o Marquês implementou diversas reformas. Entre suas decisões, em 1759, expulsou os jesuítas de Portugal e de todas as colônias alegando que estes serviam aos interesses da Ordem e não aos do Estado português. Com a expulsão, os colégios jesuíticos fecharam as portas e a educação no Brasil estagnou-se, já que não havia um plano imediato para substituí-las. Para substituir as escolas jesuíticas, Pombal criou as aulas régias de latim, grego e retórica e criou a Diretoria de Estudos. As aulas régias foram um fracasso, posto que eram autônomas, isoladas e cada aula não se relacionava com as outras. Os professores ficavam meses sem receber pagamento. A educação brasileira ainda encontrava alguma organização e qualidade junto às instituições religiosas, como os seminários. Assim, a educação no Brasil ficou totalmente estagnada até o início do século XIX.


Período Joanino (1808 – 1822)

Com a chegada da corte portuguesa, em 1808, houve profundas transformações no Brasil, inclusive no âmbito educacional. Necessitando de urgente formação de quadros técnicos e burocráticos para atender à Corte, o príncipe regente Dom João VI criou academias de engenharia e medicina. O ensino foi divido entre primário, secundário e superior, sendo o último priorizado. O ensino primário visava ensinar a população a ler e escrever, mas foi totalmente desmotivada, havendo escolas apenas nos grandes centros urbanos e destinadas a uma parcela pequena da população. Sem dúvida, são visíveis os avanços na educação brasileira durante o Período Joanino, todavia a grande maioria da população continuava analfabeta e sem acesso à educação básica.


Primeiro Imperial (1822 – 1889)

Em 1822, Dom Pedro I proclama a independência do Brasil e torna-se o primeiro imperador. Dois anos depois, outorga, sob influência liberal, a primeira Constituição do Brasil, onde propunha ensino primário para todos e a criação de escolas em todas as cidades, vilas e lugares populosos. Por falta de professores qualificados e escolas, implantou-se o método Lancaster: um aluno instruído ensinava uma turma composta por outros dez colegas. O método, que perdurou por quinze anos, foi um fracasso. Apesar de várias propostas sobre a educação terem sido enviadas para a Assembleia, nenhum foi concretizado, mostrando o descaso que impera na educação brasileira. Durante o período da Regência, a educação foi descentralizada, ficando sob a rsponsabilidade das províncias. Em 1835, é criada a primeira escola normal do país, em Niterói, o futuro Colégio Pedro II. Foram criadas escolas técnicas para suprir a carência de profissionais qualificados. O sistema de ensino continuou, durante todo o Período Imperial, reservado priomordialmente à elite.


República Velha (1889 – 1930)
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O marechal Deodoro da Fonseca instaura a República em 15 de novembro de 1889 e a elite cafeeira juntamente com o exercito assume o poder político no Brasil. A elite brasileira trazia ideais liberais e positivistas. O analfabetismo atingia 80% da população. Um dos mais renomados políticos brasileiros, Rui Barbosa, concluiu que o atraso no desenvolvimento do país era fruto da má qualidade do ensino. A partir de 1890, suprimiu o ensino religioso e tornou o ensino obrigatório e gratuito. O ensino tornou-se um dever do Estado. Outras propostas vieram durante a República Velha, como a Reforma Epitácio Pessoa (1901), dando ênfase para o ensino superior; a Reforma Rivadávia Corrêa (1911) que retirou do Estado o monopólio sobre a educação, dando autonomia administrativa e didática às instituições de ensino; a Reforma Carlos Maximiliano (1915), que devolveu ao Estado as responsabilidades com o ensino público e priorizou o ensino superior de caráter elitista; e por fim, a Reforma Luís Vaz/Rocha Vaz (1925), onde Estados e União se uniram para a promoção do ensino primário que visava qualificar a mão-de-obra. Extinguiu a autonomia administrativa e didática. Este período, e, especial a década de 1920, ficou conhecido como “Otimismo Pedagógico”, pois, numa sociedade que se industrializava e precisava de qualificação profissional, foi necessário democratizar e expandir o ensino público e gratuito. Estas mudanças estão relacionadas com os ideais da Escola Nova. Podemos destacar três nomes importantes na educação brasileira que contribuíram para a difusão da Escola Nova no país: Anísio Teixeira, Lourenço Filho e Fernando Azevedo. Porém, o sistema de ensino brasileiro, durante o período da República Velha, continuou tendo caráter elitista e não contribuía efetivamente para a superação das desigualdades sociais.


Conclusão

Concluímos que desde os primórdios da formação do Estado e da nação brasileiros houve preocupações sinceras com a educação, ainda que, na maioria das vezes, sem o empenho necessário para solucionar seus problemas. Na colônia, os jesuítas serviam da educação para fins religiosos, para a propagação da fé católica e europeização dos indígenas. O Marquês de Pombal, que estagnou a educação brasileira, voltou o ensino aos interesses do Estado português. Com a chegada da família real no Brasil, sua independência e período imperial, foi concretizado o caráter elitista da educação no país. Por fim, na República Velha houve esforços na democratização do ensino diante da necessidade crescente de mão-de-obra qualificada para atender à industrialização do país, porém, de modo geral, a educação continuou voltada às elites, sobretudo o ensino superior, e esteve longe de ser democrática


Referências bibliográficas:

Centro Universitário Claretiano. Educação brasileira: do período colonial à primeira república – aspectos históricos e filosóficos: unidade 1 – Educação jesuítica na colônia. Batatais, set. 2009.

Centro Universitário Claretiano. Educação brasileira: do período colonial à primeira república – aspectos históricos e filosóficos: unidade 2 – Educação joanina e princípios da educação no Império. Batatais, set. 2009.

Centro Universitário Claretiano. Educação brasileira: do período colonial à primeira república: aspectos históricos e filosóficos: unidade 3 – Educação na República Velha. Batatais, set. 2009.


Referências da internet:
História da Educação. Disponível em: <http://heloisa_c.sites.uol.com.br/hieduc1.htm>. Acesso em: 14 nov. 2010.

STIGAR, Robson, SHUNCK, Neivor. Refletindo sobre a história da educação no Brasil. Disponível em: <http://www.opet.com.br/comum/paginas/arquivos/artigos/Refletindo%20sobre%20a%20historia%20da%20educacao%20no%20Brasil%20OPET.pdf> . Acesso em: 12 nov. 2010.

2 de nov. de 2010

A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Episódio 9

Série A Igreja Católica: Construtora da Civilização, da EWTN, apresentada por Thomas E. Woods, autor do livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental. Nono episódio dividido em três partes com legenda em português.









16 de ago. de 2010

A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Episódio 8

Série A Igreja Católica: Construtora da Civilização, da EWTN, apresentada por Thomas E. Woods, autor do livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental. Oitavo episódio dividido em três partes com legenda em português.





8 de mai. de 2010

As diferenças entre monarquias medievais e modernas

O poder descentralizado, o respeito ao principio da subsidiariedade, maior independência das cidades, mais democracia e liberdade econômica, por incrível que pareça, são marcas do regime monárquico da era medieval. No Absolutismo tudo isto acaba. É um retrocesso.

Não foram apenas fatores econômicos que levaram ao Absolutismo como a historiografia marxista adora enfatizar. Houve uma mudança de mentalidade na baixa Idade Média; a releitura dos clássicos da Antiguidade grega, em especial de Platão e o resgate do Direito romano, em sua "pureza" legitimaram e desencadearam nos monarcas a ganância imperialista e o desejo do poder absoluto. Não é de se admirar que as guerras de conquista eclodem na Europa. A paz da Idade Média foi-se.

Com o cativeiro de Avinhão que causou o Grande Cisma do Ocidente, o Papado fica enfraquecido possibilitando a contestação da legitimidade do único poder moderador da Europa ocidental. Se ninguém mais sabe quem é o Papa legítimo, a quem devem dar ouvidos? A Cristandade é dividida e o golpe de misericórdia é dado pela reforma protestante, caindo como uma luva aos interesses absolutistas, sendo que, o rei se tornará chefe da igreja em muitas nações como na Inglaterra e nos países nórdicos.

A teoria maquiavélica da autonomia moral do Estado se torna norma. Excomunhões e interditos são surtem mais o mínimo efeito. Os reis só podem ser julgados por Deus e ninguém mais. Os interesses de Estado estão acima de qualquer outro. A fidelidade vassálica dá lugar a exércitos mercenários e os exércitos regulares tem um único comandante, o rei.
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Grande parte da nobreza - a classe dos que lutam - perde seu lugar na sociedade. Nobres tornam-se parasitas palacianos, já que perderam sua função de proteger os plebeus e estes, por sua vez, continuam pagando seus tributos, sustentando uma nobreza que não lhes dá nenhum tipo de retorno. Estes, graças aos confiscos de terras, especialmente dos mosteiros e bispados, que passaram para as mãos da burguesia gananciosa, formam uma massa de pobres que migram para as cidades.

Assim, o poder absoluto dos reis legitimado pela teoria do direito divino foi contestado pela Igreja, mas já era tarde. A sociedade ocidental começava, lentamente, a virar às costas para os ensinamentos da Santa Mãe. A insensibilidade da nobreza e da monarquia diante dos mais pobres (a caridade e solidariedade entre as classes foi marca da Idade Média) e a total falta de percepção dos reis sobre o que estas mudanças acarretariam, fomentaram ideologias e resultaram nas revoluções burguesas, sendo a principal e mais trágica, a Revolução Francesa, em 1789.


São Luis IX, rei da França (1224 - 1270), lavando os pés dos pobres...



...contrasta com a opulência do rei Luis XIV (1643 - 1715), símbolo do Absolutismo francês.




1 de mai. de 2010

A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Episódio 7

Série A Igreja Católica: Construtora da Civilização, da EWTN, apresentada por Thomas E. Woods, autor do livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental. Sétimo episódio dividido em três partes com legenda em português.
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