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29 de set. de 2013

A relação da mídia com o Papa Francisco: uma interpretação errônea

Conhecendo um pouquinho de História da Igreja, vejo a relação da mídia e de alguns grupos católicos com o Papa Francisco semelhante a que tiveram com Pio IX e Leão XIII. 

Com sua eleição, Pio IX foi louvado pelos liberais como um dos seus. A mídia e os oradores liberais louvavam o Papa que tinha dado abrigo ao revolucionário Luis Napoleão quando bispo e que modernizava os Estados Pontifícios com a iluminação a gás e ferrovias. Em poucos anos (só dois, para ser exato) viram que estavam enganados, Pio IX era extremamente ortodoxo (basta lembrar da Quanta Cura e do Syllabus lançados mais tarde) e os gritos de "hosana" passaram a ser de "crucifica-o". 

Com Leão XIII ocorreu a mesma coisa. Sua encíclica Rerum Novarum que sistematizou a Doutrina Social da Igreja foi acusada por uns de ser socialista e por outros de ser liberal. Seu reconhecimento dos regimes republicanos e democráticos, vistos até então como inconciliáveis com a fé católica, e, por este motivo, sua reaproximação com a França republicana fez com que piedosas senhoras de Paris organizassem novenas pedindo para, digamos, que Deus chamasse para junto de si o Santo Padre.



16 de ago. de 2013

Os adeptos da TL no Brasil se arvoram em porta-vozes do Papa Francisco

É irritante a instrumentalização que se tenta fazer das palavras do Papa Francisco. E nem me refiro à mídia laica, mas a certos "católicos" que estavam nas sombras e viraram porta-vozes do Papa no Brasil e vivem falando besteira nos meios de comunicação. Entre eles, os marxistas Frei Betto e Leonardo Boff (este último oficialmente condenado por heresia pela Igreja). Leonardo Boff andava sumido. Agora quer falar em nome do Papa e traduzir seu pensamento, ou melhor, quer que todos pensem que o Papa concorda com a Teologia da Libertação, uma forma de interpretação da Revelação divina usando os métodos marxistas. Os adeptos da Teologia da Libertação, que estão em extinção, odeiam os Papas João Paulo II e Bento XVI (principalmente Boff, que foi proibido de ensinar em nome da Igreja) e querem a todo custo opor o antecessor de Francisco a este. Espero que leiam as palavras do Papa Francisco dirigidas ao CELAM: 

"A opção pela missionariedade do discípulo sofrerá tentações. É importante saber compreender A ESTRATÉGIA DO ESPÍRITO MAU, para nos ajudar no discernimento. Não se trata de sair para expulsar demônios, mas simplesmente de lucidez e prudência evangélicas. Limito-me a mencionar algumas atitudes que configuram uma Igreja “tentada”. Trata-se de conhecer determinadas propostas atuais que podem mimetizar-se em a dinâmica do discipulado missionário e deter, ATÉ FAZÊ-LO FRACASSAR, o processo de Conversão Pastoral.

A ideologização da mensagem evangélica. É uma tentação que se verificou na Igreja desde o início: procurar uma hermenêutica de interpretação evangélica FORA da própria mensagem do Evangelho e FORA DA IGREJA. [...] Existem outras maneiras de ideologização da mensagem e, atualmente, aparecem na América Latina e no Caribe propostas desta índole. Menciono apenas algumas:

a) O reducionismo socializante. É a ideologização mais fácil de descobrir. Em alguns momentos, foi muito forte. Trata-se de uma pretensão interpretativa com base em uma hermenêutica de acordo com as ciências sociais. Engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até às categorizações marxistas." (os destaques são meus)

O discurso todo é excelente e vale a pena conferir as outras "tentações" pela qual a Igreja passa:

17 de abr. de 2009

Ai dos que causam escândalos!

O escândalo gerado esta semana ao vir à tona um filho de quase dois anos que nasceu de um relacionamento entre Viviana Rosalith Carrillo Cañete e o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, ainda quando era bispo da Igreja Católica, me fez refletir. Não sobre seu pecado – ele pode ter se arrependido e se confessado, não deve ser julgado por isso – mas sobre as péssimas contribuições da turma da moribunda Teologia da Libertação para a Igreja ao longo destes anos. Lugo é amiguinho de frei Betto e admirador de Leonardo Boff. Precisa dizer mais alguma coisa?

A Teologia da Libertação como todos sabem se tornou a forma de marxistização da Igreja, com a intenção de fazer dela, assim como sugeriu Gramsci, a caixa de ressonância da doutrina marxista. Seus adeptos dizem que a tal teologia é baseada nos ensinamentos de Cristo e na Doutrina Social da Igreja. Mentira. Toda a doutrina é revisada através da ótica marxista. Para a Igreja, a TL foi, sem dúvida, um mal. Heresias surgiram dela – vide Jon Sobino e o já citado, Leonardo Boff –, abusos litúrgicos, rompimento com a Tradição, falsa interpretação dos documentos do Concílio Vaticano II e otras cositas más.

Padres se meteram em política, e o que é pior, sem a intenção de defender os valores do Evangelho e da doutrina católica. A intenção destes padres, os padres de passeata como ficaram conhecidos, é clara: usar a Igreja para disseminar a doutrina nefasta do marxismo condenado pela Igreja tantas e tantas vezes. Fernando Lugo foi um deles. Ordenado sacerdote em 1977 e bispo em 1994, preferiu se engajar nas fileiras da esquerda política do que dos anunciadores do Evangelho. Renegou o sacramento da ordem. Preferiu ser presidente de um país do que um sucessor dos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. É isso que não consigo entender. Não há nada mais importante que o sacerdócio, do que poder oferecer ao Pai, o Santo Sacrifício, salvar almas no confessionário. Mas não, para os adeptos da TL, o importante é “defender” os pobres, “libertá-los” da opressão social. Lugo pediu a renúncia do estado clerical, pois a constituição paraguaia proíbe que um ministro de qualquer religião assuma cargos eletivos. Mesmo com a suspensão a divinis, ou seja, afastado das funções ministeriais, mas ainda bispo, Lugo desobedece a Igreja (que novidade!) e se candidata. Após ser eleito, o Papa Bento XVI aceita sua renúncia do estado clerical e o reduz ao estado laical, caso sem precedentes na Igreja. Na verdade, desde 2004 a Igreja tinha feito de Lugo, bispo emérito. Certamente não foi uma grande perda para a Igreja, pelo contrário.

Mas esta semana, para coroar tudo isto, vem a público um relacionamento com uma moça enquanto era bispo e a atitude nada admirável de renegar o filho e só assumi-lo sob pressão, acrescentando a sua carreira eclesiástica e política, um escândalo. O povo paraguaio, em sua maioria católico, votou em Lugo porque era um bispo, porque vendeu uma imagem falsa (redundância quando se trata de comunistas). O povo confiou nele, assim como confia na Igreja. Fernando Lugo traiu ambos. Mostra disso foi a queda acentuada de sua popularidade de 64,14% para 48,04%. Como disse um deputado paraguaio, que Lugo cumpra as promessas que fez ao país, porque as que fez à Igreja ele já não cumpriu. Alguém ainda acredita que ele fará isso?