Mostrando postagens com marcador rei. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rei. Mostrar todas as postagens

28 de set. de 2013

A democracia na Idade Média

A grande maioria das pessoas tem em mente que o período medieval foi uma época de autoritarismo. Nada mais enganoso, pelo menos quando se trata da Baixa Idade Média (séculos X a XV). Com a palavra, um dos maiores medievalistas de nosso tempo, Jacques Le Goff: 

"A base das decisões da comunidade é teoricamente tão ampla quanto possível em virtude dos dois princípios segundo os quais Quod omnes tangit ab omnibus tractari et approbari debet ("o que toca a todos deve ser tratado e aprovado por todos") e as decisões lícitas devem ser tomadas pela maior et sanior pars, isto é, pela maior parte e a mais sã da comunidade." (O Apogeu da Cidade Medieval, p. 84)

As decisões jamais são monocráticas, sejam elas municipais ou mesmo reais. As assembleias, tanto rurais como urbanas, tomam decisões e resolvem suas questões através do voto. Todos votam, inclusive as mulheres. O sistema de votação varia de região para região. Em algumas, os votos são por indivíduos; em outras, um voto por família. As cidades que conquistam sua franquia têm câmaras municipais, cujos representantes do povo são eleitos dentre os "homens bons". Não há uma única forma no governo das cidades. Algumas são governadas pela própria assembleia municipal, outras por representantes eleitos (cônsules, escabinos, prefeitos ou conselheiros), cujo número varia de cidade para cidade. Nas cidades que não são totalmente francas, as assembleias contrabalançam o poder de seus senhores, mesmo que este seja o rei. Há exemplos de ações judiciais movidas pelas cidades que foram apresentadas no Parlamento de Paris contra o rei e que tiveram suas causas ganhas. 

O poder do rei é limitado pelos costumes e pela moral religiosa. Se o rei abusar de suas atribuições, corre o risco de ser excomungado e perder legitimidade perante os súditos e seus vassalos. O sistema feudal também impede a autocracia do monarca. O rei jamais toma uma decisão solitariamente. Na Inglaterra, o poder do Parlamento fazia contraponto ao do rei desde o século XIII. No restante dos países, um conselho consultivo sempre o assiste (pensemos na Távola Redonda do legendário rei Artur). Aliás, nem sempre com vantagem. As infindáveis discussões dos conselheiros no Reino Latino de Jerusalém atrasavam decisões e prejudicaram a causa dos cruzados na Terra Santa. Além disso, de tempos em tempos, os reis convocam uma assembleia com representantes dos três estados tradicionais no Medievo (povo, nobreza e clero) para deliberar sobre assuntos de maior importância para o reino. 

Por fim, há quem objete que as cidades medievais tinham uma democracia capenga, dominada pelo poder econômico dos burgueses. É verdade, mas bem sabemos que este não é um problema restrito ao período medieval. De toda forma, o absolutismo dos reis nos séculos seguintes e os totalitarismos surgidos no século XX seriam inimagináveis na Idade Média.


21 de jan. de 2013

Há 220 anos, Luis XVI era executado

É uma tristeza o quanto as pessoas não se importam com a pesquisa historiográfica. Basta conferir os comentários desta grande descoberta publicada em vários sites para verificar aonde chega a ignorância e o descaso com a História. 

Mas qual é a importância em se comprovar que o sangue encontrado num lenço guardado dentro de um cofre por 220 anos é o sangue do rei Luis XVI decapitado pelos revolucionários franceses? É um grande indício que o "cidadão Luis Capeto" não era um tirano odiado pelo povo como querem que acreditemos. 

Pessoas do povo não embebedam seus lenços no sangue de criminosos, mas de mártires. Foi como um mártir que o povo francês católico mais humilde viu seu rei ser executado por uma aliança de burgueses, maçons e protestantes. Nisso consiste a importância da descoberta relatada na notícia. Como nossa sociedade é fruto da Revolução Francesa, é preciso justificá-la apresentando Luis XVI como o tirano odiado pelo povo. 

20 de nov. de 2011

Festa de Cristo Rei do Universo

A Boa Notícia de Jesus Cristo

Mateus 25, 31-46

“Responderá o Rei: Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40)

O Reino de Deus foi inaugurado com a vinda de Jesus Cristo e continua na Igreja por Ele fundada. Aonde a Igreja chega, chega o Reino e Jesus reina nas almas purificadas pelo batismo, naqueles que estão na graça de Deus. E a lei deste Reino é o amor. O indivisível amor a Deus e ao próximo é o sinal da presença do Reinado de Jesus. Ele mesmo deu-nos o exemplo: sendo Rei veio para servir e continua vindo humildemente em cada eucaristia celebrada. Assim como, pelo batismo, participamos do ministério régio de Cristo, sejamos servidores dos nossos irmãos mais necessitados. E quando Jesus voltar e implantar definitivamente seu Reino, seremos todos julgados. Na parábola, Jesus se dirige a Sua Igreja, pois os de fora já estão condenados. Julgará não somente nossa fé, mas também nossas obras.

O motivo da condenação de Jesus era verdadeiro: Ele é o rei dos judeus. Mas não aquele rei-messias que os judeus esperavam, que libertaria Israel da dominação romana. Para quem assistia a crucificação, lá pendia um rei derrotado, inerte, que é desafiado pelos sacerdotes, pelo povo, pelos soldados a se salvar. Um de seus companheiros de suplício pedia-lhe que se salvasse e que salvasse a eles também. Mas era exatamente isto que Jesus fazia. Ele reinava a partir da cruz, vencia o verdadeiro inimigo, o demônio. O bom ladrão conseguiu perceber isto, que Jesus era Rei, mas que Seu Reino não era deste mundo e que a Sua arma era o amor até o fim e não a espada. Jesus reina. Ele venceu a cruz, ressuscitou. Infelizmente poucos creram e crêem para que Jesus reine em suas vidas.