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9 de jun. de 2014

Patrícia Abravanel discute religião e fala asneira: "A África não se desenvolve por que é muito 'mística'"

Neste domingo, durante o Programa Sílvio Santos, a Patrícia Abravanel soltou, ou melhor, reproduziu uma bela asneira. Creio que ninguém, assiste ao Programa Sílvio Santos esperando por um papo-cabeça. O programa é tipicamente de entretenimento, cheio de baboseira e eu gosto de assistir por isso. Mas o problema é quando se quer falar sério e o que se ouve é um zurro em alto e bom som. Tudo começou quando a Lívia Andrade, que é adepta de religiões afro-brasileiras, disse que pratica uma verdadeira mistureba de religiões. Então, Patrícia interveio com a malfadada teoria carregada de ignorância, preconceito, calvinismo de quinta categoria e uma leitura rápida da orelha de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber. 

A filha do dono disse: "Existe países que são mais místicos, como os da África, por exemplo, onde as pessoas não pensam em trabalhar e por causa disso não se desenvolvem. E há países protestantes, como os EUA, onde as pessoas pensam em trabalhar e cuidar da família e o país se desenvolve por causa disso". Patrícia Abravanel não conhece a História, nem da África, nem dos EUA. Reduziu todo o complexo problema historico-socio-econômico a um simples aspecto religioso. Tese do proselitismo barato do protestantismo norte-americano, cuja imagem clássica que faz de seus vizinhos latino-americanos é do homem dormindo com um chapéu cobrindo a cara em frente a uma igreja. Aliás, é muito comum vermos reduzir-se ao elemento religioso a causa de diferentes níveis de desenvolvimento dos países. Os ateus também fazem este proselitismo rasteiro, afirmando que países menos religiosos são mais desenvolvidos. 

Patrícia esqueceu dos milhares de escravos negros que construíram a América, submetidos a escravidão mais brutal do continente, onde os escravos eram totalmente despersonalizados, passavam por verdadeiras lavagens cerebrais, a ponto de a cultura e a religião genuinamente africanas nos EUA terem sido praticamente extintas, ao contrário do que aconteceu nos países católicos latino-americanos, mais tolerantes. Patrícia deve ter comprado a ideia do Destino Manifesto quando estava aprendendo a ser pastora nos EUA. 

Patrícia não leva em conta que a África é um continente com países bastante diferentes entre si e com níveis de desenvolvimento diversos. Não leva em conta sua História repleta de impérios e reinos pujantes. Não leva em conta que a África foi partilhada por aqueles que, como ela, acreditavam no fardo do homem branco. Patrícia desconhece os processos de colonização e descolonização do continente africano, com suas lutas, guerras, ganâncias, genocídios e, é claro, seus aspectos religiosos, que são importantes, como em qualquer sociedade, mas não determinam, sozinhos, a formação e desenvolvimento das nações. Patrícia é patricinha. Não deveriam falar muito de África nos colégios da Suíça e dos EUA. Desconhece a África, pessoalmente e à distância. Vai estudar, Patrícia!








20 de mai. de 2014

Liberdade e verdade: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"

Hoje em dia, liberdade é um dos conceitos da moda, seguido de perto ou emparelhado com o conceito de felicidade. Mas o que é liberdade? Defende-se que liberdade é fazer o que se quer. Mas é exatamente o contrário. Liberdade é fazer o que não se quer. Ninguém é livre para sentir fome ou sede. Somos livres, pois, quando renunciamos à comida ou à bebida. A liberdade está na renúncia. Considerar-se livre por ser arrastado pelos instintos mais primitivos seria como sentir-se livre por estar preso no solo pela força da gravidade ou por ser arrastado pela correnteza de um rio, quando, na verdade, livre é aquele que alça voo ou nada contra a corrente. 

Alguém poderia objetar: "Mas somos livres para fazer escolhas. Podemos escolher, por exemplo, entre comer ou não comer e nisso consiste a liberdade". Na verdade, esse seria o livre arbítrio, o poder de tomar livremente decisões, mas não é a liberdade. A liberdade ou a falta dela são consequências do livre arbítrio. Livremente, podemos ou não nos submetermos a algo que nos escravize, mas não podemos chamar tal escravidão de liberdade. Vejamos o exemplo de Adão e Eva: livremente escolheram desobedecer a Deus e comer do fruto proibido. Como consequência, perderam o estado de justiça e santidade. Perderam o paraíso. E não podemos dizer que se tornaram mais livres, muito pelo contrário. 

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", disse Jesus. E o que é a verdade? A verdade tem um rosto, é uma pessoa: Jesus Cristo. Somente Ele pode nos dar a verdadeira liberdade - a liberdade dos filhos de Deus -, nos tornar livres do homem velho, das tendências da carne que nos prendem à terra. Em Cristo, somos livres dos modismos, dos apelos comerciais, das pressões ideológicas. Somente em Cristo podemos sair de nós mesmos, nos libertar do poder do Mal e da morte, nos libertar dos pecados que nos afastam do que somos: imagem e semelhança de Deus. 


13 de mai. de 2013

Injustiça histórica: os abolicionistas negros continuam esquecidos



Esse ano estamos comemorando 125 anos da Lei Áurea que pôs fim à página trágica e vergonhosa da escravidão no Brasil. Em 13 de maio de 1888, como todos nós sabemos, a princesa Isabel promulgou a lei que libertou o que ainda restava de escravos no Império. Interessante notar a pouca manifestação ao redor da data. Aliás, há bons anos que o 13 de maio passa despercebido.

Explica-se os motivos. Os movimentos negros, estas ONG's que julgam representar todos os cidadãos brasileiros que possuem ancestral africano, por estarem contaminados pelo marxismo e não conseguirem ver os fatos a não ser por esta ótica, resolveram esquecer a importante data. Não que sejam contra a libertação dos escravos, longe disso, mas, segundo eles, não se comemora um fato – a libertação dos escravos – que  foi decisão dos poderosos, do “sistema”, da branca Isabel. Não levam em conta que a Lei Áurea tenha sido o último capítulo de anos e anos da luta abolicionista que envolveu brancos, mestiços, mulatos, negros e, finalmente, a Família Imperial. 

Não se menciona as personalidades negras que empenharam a vida para o fim do escravismo: André Rebouças, Luiz Gama, José do Patrocínio, Cruz e Sousa, entre outros. Por que é tão pouco conhecido todos estes homens incríveis da História do Brasil, homens que honraram a cor de sua pele e colocaram as suas inteligências e forças na causa abolicionista? Por que os movimentos negros preferem Zumbi dos Palmares a qualquer um destes nomes citados? Porque eles faziam parte do já citado “sistema”. Eram profissionais liberais bem sucedidos, intelectuais reconhecidos e, em sua grande maioria, monarquistas. Não eram revolucionários, não se rebelaram contra o governo. Ao invés disso, preferiram ponderar, usar a arma que dispunham que era a influência na sociedade. Para os ideólogos do movimento negro, esses seus "irmãos" advogados, jornalistas, engenheiros, políticos venderam-se ao sistema e a abolição, ao fim das contas, foi um acordo entre as elites (o que a própria História desmente com a derrubada da monarquia) e não a adorada luta de classes que move a História.

Mas a ideologia que contamina os movimentos negros prefere o líder do Quilombo dos Palmares, este sim, segundo sua concepção, um representante legítimo da luta de classes. Forjaram o Dia da Consciência Negra, dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi que substituiu o dia 13 de maio como o verdadeiro dia da libertação do negro brasileiro. É claro que Zumbi é um personagem importante de nossa história, assim como os supracitados abolicionistas, mas os historiadores marxistas conseguem cometer o anacronismo de reconhecer “marxistas” anteriores a Marx. Nada diferente, diga-se, de sistemas religiosos, como o Islã, que reconhecem muçulmanos antes de Maomé ou os espíritas que encontram kardecistas antes de Allan Kardec. 

Para os marxistas ou marxistizantes – que dominam os movimentos negros –, Zumbi foi um revolucionário, combateu o sistema opressor da Coroa portuguesa, governou Palmares, uma sociedade igualitária. E, por fim, foi morto pelos “conservadores”. Nada melhor para os marxistas que adoram o papel de vítima. Tudo isso nos soa falso. Zumbi jamais defendeu o fim da escravidão, pelo contrário, mantinha escravos domésticos. O quilombo tinha rígida hierarquia, cujo vértice era ocupado pela família de Zumbi, que o governava com mão de ferro. Recusou um acordo com os portugueses que lhe garantiria a autonomia do quilombo, o que lhe valeu sua destruição.

Sem sombra de dúvida, a imagem de Zumbi é mais atraente. É preferível apresentar um líder com uma lança na mão, colar de ossos e tanga do que homens de terno e gravata e tendo por arma, uma caneta. É a imagem do mito, de um super-herói dos quadrinhos para ser mais exato. O resultado dos esforços dos abolicionistas negros foi a abolição da escravatura. Mas há quem prefira homenagear e cultuar aquele, cujo único resultado de suas lutas foi um estrondoso fracasso.





12 de dez. de 2012

Zumbi dos Palmares: a pessoa por detrás do mito


O Dia da Consciência Negra foi instituído no dia em que se comemora a morte de Zumbi, líder do quilombo dos Palmares. Penso que este dia deveria se referir diretamente a ele, como no dia de Tiradentes. Mas deram a esse dia esse nome estranhíssimo. 

É interessante observar como se constrói um mito. As nações passam por isso e grupos específicos também. Ocorre comumente na elaboração da "História Oficial". Assim aconteceu com o já citado Tiradentes e acontece com Zumbi dos Palmares. Sem dúvida, foi um grande líder negro, governou Palmares, o maior quilombo do Brasil e resistiu bravamente em sua defesa. Mas foi um heroi? Um defensor da liberdade e da igualdade em tempos de escravidão? Definitivamente não. 

Por exemplo, Zumbi tinha escravos. Isso não o diminui. A escravidão era um estatuto do período e mais comum no continente africano do que em qualquer outra parte do mundo. Zumbi não se diferenciava em nada se comparado a qualquer outro chefe na África, cuja riqueza pessoal - onde as terras eram comunais e o dinheiro, inexistente - era determinada pela posse de vacas, escravos e mulheres. Exatamente nessa ordem. Zumbi nunca realizou um só ato contra a escravidão. Os africanos não compunham uma unidade étnica para lutar por liberdade. Um membro de uma nação ou tribo diferente era tão estranho e considerado inimigo tanto quanto os brancos. O que uniam os negros no Brasil era a escravidão, não a liberdade.

Zumbi não liderou nem mesmo uma só ação heroica para libertar escravos nas senzalas. Os quilombolas de Palmares atacavam senzalas e tribos indígenas para raptar mulheres, escassas no quilombo. Os governados por Zumbi não viviam num mundo idílico e democrático. Nem poderiam, condicionados pela cultura e pela época. A hierarquia de Palmares era rígida, tendo no topo da pirâmide a família de Zumbi. Isso nada tem de espantoso, apenas reproduzia a organização tribal africana. 

Zumbi também não mostrou muita sagacidade no governo do quilombo. Seu tio, Ganga Zumba estava próximo de fechar um acordo com a Coroa portuguesa que prometia a emancipação do quilombo, ainda que submetido como qualquer cidade, ao governo português. Mas o líder foi misteriosamente envenenado, Zumbi assumiu o governo e rompeu qualquer negociação, o que levou a uma guerra que acabou com sua morte e com o quilombo. Assim nascem os mitos, servindo às causas político-ideológicas e deformando a História.