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11 de abr. de 2015

Santa Maria Madalena, apóstola dos apóstolos, a primeira testemunha da ressurreição tinha que ser uma mulher

Segundo o evangelho de São João, Santa Maria Madalena foi a primeira a ver o Senhor ressuscitado. Maria Madalena busca seu Amado, procura-O e se desespera por não encontrar Seu corpo. Aquela que sofrera dominada pelos demônios tinha perdido Seu libertador e protetor. Talvez viesse ao seu coração o medo da recaída. Aos anjos e ao próprio Jesus que ela pensa ser o jardineiro, pergunta onde O colocaram e que ela O buscaria. Ressoa aqui as palavras da esposa no Cântico dos Cânticos: "Durante as noites, no meu leito, busquei aquele que meu coração ama; procurei-o, sem o encontrar. Vou levantar-me e percorrer a cidade, as ruas e as praças, em busca daquele que meu coração ama; procurei-o, sem o encontrar. Os guardas encontraram-me quando faziam sua ronda na cidade. Vistes acaso aquele que meu coração ama?" "Para onde foi o teu amado, ó mais bela das mulheres? Para onde se retirou o teu amigo? Nós o buscaremos contigo."

Madalena procura o Senhor morto. Quer demonstrar seu amor, ungindo-O. Viu todo o sofrimento do Senhor na cruz. Ainda tem uma fé fraca, ela não tira os olhos do interior do sepulcro, procurando entre os mortos aquele que está vivo. Não reconhece Jesus quando este pergunta o motivo de sua tristeza. Mas ama intensamente e é recompensada. "As minhas ovelhas reconhecem minha voz". Quando Jesus a chama pelo nome, Santa Maria Madalena deixa de olhar para o túmulo, se converte, "volta-se para o Senhor" e reconhece o "rabuni", Seu Mestre Jesus. O texto não diz, mas subentende-se que Maria Madalena correu abraça-Lo, ou algo parecido. Mais uma vez, as palavras do Cântico se deixam ouvir: "Mal passara por eles, encontrei aquele que meu coração ama. Segurei-o, e não o largarei antes que o tenha introduzido na casa de minha mãe, no quarto daquela que me concebeu." Jesus pede para que não O retenha, mas que anuncie a todos que Ele ressuscitou. 

Outro aspecto interessante do trecho do evangelho de São João da liturgia de hoje é o paralelismo com o Gênesis. É o primeiro dia da semana, o primeiro dia da nova criação. No jardim, que nos lembra o Éden, está o novo Adão, Jesus. O demônio falou com Eva; os anjos falam com Maria Madalena. Jesus se dirige à Maria Madalena chamando-a primeiramente de "Mulher", tal como Adão ao ver sua companheira: "Ela se chamará mulher" (Gênesis 2, 23). Eva foi a primeira a pecar. Maria Madalena, naquele momento sublime, representa todo o gênero feminino redimido.

Jesus é seu Mestre, mas também seu Deus. O Senhor passeia pelo jardim, como Deus passeava no Éden. Mas a mulher, agora redimida, não se esconde com medo, pelo contrário, alegremente vai ao encontro do Senhor. Está aberto à humanidade o caminho da árvore da vida e Jesus mesmo é o fruto que nos dá a imortalidade e que comemos todas as vezes que tomamos a Eucaristia. Alegre, Santa Maria Madalena corre a anunciar que viu o Senhor. A primeira mulher foi portadora da desgraça; Santa Maria Madalena, representante das mulheres, é a portadora da Boa Nova da salvação. Que privilégio! Aquela que muito amou, muito lhe foi perdoado. Aquela que era dominada por sete demônios (a situação mais abjeta que um ser humano pode chegar, pois Jesus disse que quando um demônio é expulso, procura sete piores do que ele e vem habitar naquele que volta ao mal), torna-se apóstola dos apóstolos. Santa Maria Madalena, primeira esposa mística de Cristo, interceda por nós para que nossas almas encontrem e se unam firmemente a tão adorado Esposo. Amém! Aleluia!

16 de dez. de 2014

Que mulher merece ser estuprada, Bolsonaro?

Que mulher merece ser estuprada? Nenhuma. Seja ela mãe, virgem, prostituta, criminosa, bonita, feia, deputada, jornalista, de esquerda ou de direita. É uma violência absurda que devasta, humilha e traumatiza as vítimas. O estupro é um dos piores crimes que existe. O estuprador deveria ser punido com a pena de morte. Além de crime sexual, o estupro foi e é usado desgraçadamente como instrumento de tortura e de vingança porque todos sabem o mal que causa.

Ninguém merece ser estuprada. Nem que o estuprador seja bonitão (faço menção a uma postagem que rodou pelo Facebook, uma brincadeira de muito mal gosto). Ou ser violada no que há de mais íntimo, ser tratada como uma coisa ou dominada como um animal é atenuado pelo fato de o agressor ser bonito? Deve haver quem goste destas coisas, há gosto para tudo. Mas há algumas mulheres - aquelas que deveriam ser as principais interessadas em tratar o assunto com a seriedade e gravidade que merece - que tratam o assunto com tanta imbecilidade quanto o Bolsonaro.

Bolsonaro é um daqueles parlamentares ricos em imbecilidade que abundam no Congresso Nacional. Seus inimigos políticos ficam na espreita para caçá-lo e cassá-lo e ele dá motivos para isso a cada cinco minutos. É um estuprador? Claro que não. Incita o crime? Claro que não. Ninguém sairá estuprando mulheres porque o Bolsonaro disse que há quem mereça (tanto porque se fossemos abrir denúncia de incitadores de crimes no Congresso o que seria dos apologistas do aborto e das drogas).

Sabemos que Bolsonaro abusa da retórica, mas argumentos deste nível não podem ser usados num debate, muito menos num debate político. É desonesto. Se é suficiente para considerar quebra de decoro, não sei. Mas que é uma imbecilidade, é.



16 de jan. de 2013

Trotula de Salerno


Trotula de Salerno (também conhecida como Trotula de Ruggiero) foi uma médica do século XI que trabalhou na Schola Medica Salernitana, a Escola de Salerno, e é considerada a primeira ginecologista do mundo. É desconhecido a data e o local de seu nascimento (provavelmente, nasceu em Salerno). Era da família dos Ruggiero e casou-se, segundo alguns historiadores, com um dos fundadores da Escola de Salerno, chamado Giovanni Plateario, tendo dois filhos, Giovanni e Matteo, que seguiram a carreira médica dos pais. Foi autora do mais célebre tratado de Obstetrícia e Ginecologia da Idade Média: De Pasionibus mulierum curandorum ante, in, post partum. Dividido em sessenta capítulos, Trotula disserta sobre as diversas técnicas cirúrgicas, preconiza realizar uma eficaz proteção perineal, aconselhando praticar as oportunas suturas no caso de produzir-se lacerações do períneo no transcurso do parto. Não esquece ainda aos lactantes dando normas a respeito do cuidado com o bebê em seus primeiros meses de vida. Outras das obras de Trotula são: Pratica secundum Trocta e De Aegritudium curatione ou De Ornatu mulierum. Neste último título, Trotula recomenda às mulheres de sua época cuidar da higiene diária, praticar regularmente exercícios físicos, massagens com óleo e uma dieta equilibrada e saudável. E completa estas recomendações com simples e curiosas receitas de cosméticos femininos:

Um creme para eliminar as rugas, a fórmula de um batom em que utiliza mel, suco de beterraba, abóbora e água de rosas. Para conservar a dentição saudável e branca recomenda limpá- los com uma infusão quente de casca de noz. Seus trabalhos serviu como base do tratamento da saúde da mulher por 400 anos, sendo conhecido por toda a Europa.

A Escola de Salerno foi a única durante os séculos X a XIII aberta às mulheres, como estudantes e professoras. Como resultado da variada influência cultural na cidade, os médicos de Salerno, tanto mulheres como homens, foram os melhores no Mediterrâneo ocidental. Muitos documentos revelam que a independência das mulheres da escola de Salerno foram parte vital do avanço científico do período. Durante a alta Idade Média, a medicina, entre as mulheres, era praticada exclusivamente pelas monjas, que, deste modo, evitava a entrada de homens no claustro. Porém, a prática da obstetrícia e os cuidados aos bebês em seus primeiros meses era confiadas às mulheres leigas.

Naqueles casos em que a mulher exerce a medicina, o realiza pela circunstância de ser esposa ou filha de médicos sendo que aprende-se a medicina com eles. A Escola de Salerno será a primeira que vai oferecer às mulheres com vocação à medicina o livre acesso a formação médica e sua titularização, sem limitar seu campo de acão às enfermidades da mulher e o cuidado dos lactantes, mas ampliá-la ao exercício da medicina geral. Com esta abertura, logo surgirão em Salerno cinco mulheres destacadas na arte da cura: Trotula, Salernitana, Constança e Calenda, a judia Rebeca Guarna e Abella, uma muçulmana. Salvo no caso de Trotula, poucas informações nos chegaram do resto destas mulheres pioneiras. De Rebeca Guarda sabemos que escreveu um tratado sobre a urina e a febre e de Abella, a muçulmana, unicamente o título de seu livro De artrabile et de natura  seminis humani.

De todas as médicas de Salerno, Trotula é a mais bem conhecida. A despeito de sua fama, os detalhes de sua vida – idade ou ano em que nasceu, quando ingressou na escola ou completou seus  estudos – são escassos, mas sabemos que ela foi a autora de importantes trabalhos médicos. Seu principal interesse e área de estudo foi a saúde da mulher. Muitas mulheres não eram tratadas porque se envergonhavam ou consideravam impróprio serem examinadas por médicos homens, especialmente em casos ginecológicos.

Diferentemente da maioria de outros trabalhos do período, Trotula nunca prescreveu encantamentos ou a astrologia como tratamento para as doenças. Em vez disso, dava conselhos práticos - de fato, muitos de seus tratamentos preconizados ainda estão em uso hoje! No De Pasionibus mulierum, ela mostra teoricamente as causas bem como os tratamentos para várias questões da saúde da mulher, incluindo infertilidade e problemas com a menstruação e com o parto. 

Em seu livro, a menstruação é vista como saudável e importante, e escreve sobre diferentes modos para regular o seu ciclo. Em seu De Ornatu mulierum, aborda não só receitas de maquiagens e dicas de aplicação, mas aconselha sobre o cuidado com a pele, com a saúde dos dentes e a higiene, tratamento da acne e contra a queda de cabelo.

Afirmou que tanto os homens quanto as mulheres podem ser responsáveis pela infertilidade – uma radical posição para a época – e também defendeu que as mulheres tinham o direito de não sofrer durante o parto. Para este fim, ela experimentou opiácios e soporíferos, além de um incontável número de ervas. Aconselhou uma recuperação longa e tranquila para obter êxito na cura das doenças e após o parto e teve sucesso  em processos de  cesariana. Em geral, desenvolveu a medicina preventiva como chave para promover a boa saúde para as mulheres.

Como professora da Escola de Salerno, Trotula ensinou seus alunos a manter uma interação lenta com seus pacientes. Ela acreditava que era preciso fazer muitas perguntas, não somente sobre os sintomas que os pacientes estavam sentindo, mas também sobre o seu estilo de vida e problemas em geral. Assim, afirmava, o médico estaria mais atento sobre o paciente, tendo uma melhor compreensão do seu estado físico e podendo tratar o problema com mais rapidez e eficácia.

Pelas informações escassas sobre sua biografia, assim como ocorre com sua data de nascimento, é desconhecida a data de sua morte. 

3 de ago. de 2012

A Revolução Feminista a serviço dos homens


O feminismo deve ter sido inventado por um homem. Não houve jamais um movimento de mulheres que tenha beneficiado tanto a nós indivíduos do sexo masculino. Primeiramente, a emancipação financeira da mulher foi-nos uma benção. Mulheres em casa davam gastos exorbitantes. Ficavam na segurança do lar, cuidando da casa e dos filhos, longe do estresse, da competição voraz e das doenças cardíacas, enquanto nós enfrentávamos o mundo lá fora cheio de perigos. A mulher trabalhando fora de casa nos aliviou imensamente. Sobra até um dinheirinho para a cerveja, o churrasco com os amigos, o futebol do fim-de-semana. 

Direitos iguais nos possibilitaram pequenos prazeres como continuarmos sentados no ônibus sem qualquer constrangimento enquanto senhoritas viajam em pé. Donas do próprio corpo, vemos mulher pelada até quando não queremos. E a liberação sexual então nem se fala! Para os homens, sexo era só casando ou pagando. As coisas ficaram imensamente mais fáceis, baratas e irresponsáveis. Não precisamos mais nos prender numa só mulher, elas se libertaram pelo divórcio. E não precisamos mais ter filhos enchendo o saco todos os dias depois do trabalho. Só precisamos encontrá-los aos finais de semana. 

E aquele castigo divino chamado gravidez que deixam as mulheres temporariamente incapacitadas e nada as diferem tanto dos homens, sendo a maior afronta à igualdade de gêneros? Para isso, o movimento feminista já tem o remédio: quando todos os outros métodos falham resta o aborto. Mas nesse caso as feministas pisaram na bola conosco, homens. Em todo o planeta, dois terços dos fetos abortados são do sexo feminino, fazendo a balança populacional pender para os homens. No mundo, há mais homens do que mulheres! Assim não dá!

18 de mai. de 2012

Mulheres da Idade Média - Adela de Blois (ou da Normandia)

                                                       

Adela da Normandia, também conhecida como Adela de Blois ou Adela da Inglaterra (Normandia, França, c. 1062 – Marcigny-sur-Loire, França, c. 1137) foi condessa de Blois. Sexta filha de Guilherme, o Conquistador e de Matilde de Flandres. Irmã predileta do rei inglês Henrique I, foi uma mulher culta. Considerada amável e letrada, criou em Blois toda uma atividade cultural. Também se dedicou à poesia e as letras. Era defensora dos poetas. A decoração de seu castelo era fastuosa. Sábia, artística e intelectual, ao seu redor esteve um círculo de poetas, sábios e historiadores, que a louvaram.

Em 1080, após longa negociação, Adela casou-se com Estevão II, Conde de Blois e Chartres, com quem teve treze filhos, dentre eles Estêvão, conde de Bolonha, que se tornou rei de Inglaterra em 1135. Por casamento, tornou-se Condessa de Blois, Chartres e Meaux. Grande administradora, desempenhou um papel importante na gestão das terras de seu marido.

Em 1096, seu marido, o Conde Estevão II parte para a primeira cruzada. Adela emprega sua fortuna pessoal na operação militar do marido. Estando o conde na Terra Santa, tornou-se regente dos condados do marido. Dois anos mais tarde, o Conde Estevão II deserta em Antioquia. Mesmo voltando para suas terras carregado de ricos despojos de guerra, Adela ficou furiosa e envergonhada com a deserção do marido, julgando que este não havia cumprido seu voto de cruzado e considerando-o covarde. Pressionou-o a voltar para o Levante o que ocorreu no ano de 1101. O Conde Estevão II morre no ano seguinte durante um cerco, na segunda batalha de Ramla, substituindo a vergonha da deserção pelo heroismo. Com a morte do marido, Adela seguiu administrando suas propriedades e educando seus filhos. Sua influência política se estendia pela Inglaterra e norte da França.

Em 1100, Henrique, com o apoio de sua irmã Adela, suplanta seu irmão mais velho, Roberto, e sobe ao trono da Inglaterra. A condessa Adela governou Blois e Chartres até 1107. Garantindo a segurança de suas posses, passou o poder para as mãos de seu filho, Teobaldo. Guilherme, o filho mais velho de Adela era originalmente o herdeiro dos domínios de seu pai, mas esta honra foi dada a seu irmão mais novo, Teobaldo, com Adela trabalhando ativamente com ele no governo dos estados.

Adela manteve-se em comunicação regular com o arcebispo de Canterbury exilado, Anselmo, e com o Papa Pascoal II. Ela foi patrona de outros líderes da igreja na França e na Inglaterra, empregando suas posses na construção e manutenção de igrejas e mosteiros. Mantendo ligações com o mosteiro de Cluny, Adela apoiou os princípios da reforma papal, mais tarde conhecida como reforma gregoriana, com tendência para o humanismo e a liberdade, que retirou as jurisdições monásticas e episcopais do domínio secular, onde bispos e abades eram escolhidos pelos senhores feudais, prática que ficou conhecida como investidura laica. Ela também sustentou poetas, incluindo o Abade Baudri de Bourgueil, mais tarde Bispo de Dol (com o apoio de Adela). que escreveu um poema que dedicado a sua patrona.

Em 1113, Adela e seu filho Teobaldo juntaram-se ao rei Henrique I da Inglaterra na luta contra as forças dos Capetos, Felipe I e seu filho Luís. Eles entraram em combate novamente em 1118, com Adela tendo um papel diplomático ativo.

Adela se retirou para um convento em 1130, na localidade de Marcigny-sur-Loire, em Marselha. Em 1135, o filho de Adela, Estevão, dirigiu-se rapidamente após a morte de seu tio, Henrique I, para tomar a coroa da Inglaterra. Henrique tinha designado sua filha, a imperatriz Matilda, como sua sucessora, e fez com que seus nobres declarassem lealdade a ela. Mas com a ação de Estevão, uma prolongada guerra civil começou na Inglaterra. Adela não era para ver o fim dessa batalha, nem a derrota final de seu filho. Ela morreu em 8 de março de 1137, aos 74 anos de idade. 



30 de ago. de 2010

Mulheres da Idade Média: Matilde de Canossa


Matilde de Canossa (? - 1046 - Bondeno de Roncore, 24 de julho de 1115). Filha caçula de Bonifácio III da Toscana e Beatriz de Ardennes-Bar. Foi educada por Arduino della Padule nas artes militares e recebeu boa formação cultural. Falava, além do latim, "a língua teutônica" (alemão) e "a bela língua dos francos" (francês) de acordo com seu biógrafo, Donizoni (Livro II, cap. IV).


No ano de 1052, seu pai foi assassinado e um ano mais tarde, sua irmã mais velha, Beatriz, também morreu. Dois anos após a morte de Bonifácio, sua mãe casa-se com Godofredo, duque da Lorena Superior, inimigo declarado do imperador Henrique III. Furioso com o casamento, o imperador se dirige à Itália, colocando Beatriz e seus filhos, Matilde e Frederico, sob sua custódia. Frederico, então margrave da Toscana, morre e Matilde, aos oito anos de idade, torna-se a única herdeira das possessões de seu pai. Um ano após o cativeiro, Beatriz e Matilde são restabelecidas a Godofredo.


Ao atingir a maioridade, obedecendo ao acordo feito com seu padrasto Godofredo, morto em 1069, casa-se com seu filho, Godofredo, o Corcunda, indo residir na Lorena. Em 1071, dá à luz sua filha, Beatriz. Devido a um parto extremamente difícil, Beatriz falece alguns dias após o nascimento. A acusação da família do marido por não ter dado um herdeiro a Godofredo – principal, senão única função das esposas - e as preocupações com seus territórios na Toscana, fizeram com que Matilde fugisse para junto de sua mãe, em Canossa. Juntas, governaram o extenso território do condado localizado na Itália média e superior, do Lazio ao Lago de Garda, justamente entre o Sacro Império e os Estados Pontifícios.

Em abril de 1073, é eleito o Papa Gregório VII e dá-se continuidade à luta pelo fim da ingerência laica na Igreja e pela reforma eclesiástica. Matilde torna-se grande aliada do novo Papa e de seus sucessores. Entre 1073 e 1074, Godofredo se dirige à Itália na tentativa de reconquistar Matilde que o rejeitou. Três anos mais tarde, Godofredo é assassinado em suas terras. No mesmo ano, sua mãe, Beatriz falece, e Matilde, aos trinta anos, torna-se a única governante de todas as suas possessões.


No conturbado ano de 1076, após o Sínodo de Worms, convocado pelo imperador Henrique IV, depor o Papa Gregório VII, este não viu outra alternativa senão excomungá-lo. A maioria dos príncipes alemães se opôs ao imperador. Com medo de perder o trono, Henrique IV decide se reconciliar com o Papa. Em meio a um rigoroso inverno, o imperador se dirige à Itália. Ao saber disso, o Papa viaja até a Lombardia, sendo hospedado por Matilde no castelo de Canossa. A condessa intermediou o encontro. Henrique IV aguardou por três dias e três noites com os pés descalços e a cabeça coberta de cinzas diante do castelo de Canossa até ser recebido pelo Papa. Reconciliado e tendo apaziguado e eliminado a oposição dentro do Sacro Império, o imperador voltou a investir contra o Papado, realizando operações militares na Itália. Em 1080, é novamente excomungado e, desde então, Matilde combateu o imperador, muitas vezes vestindo armadura e de espada em punho para liderar pessoalmente seus exércitos e enviando à Roma, o tesouro de Canossa para financiar as operações militares do Papa.



Em 1081, a condessa sofre algumas derrotas e Henrique IV a depõe formalmente. Além disso, Gregório VII perde o controle de Roma e se refugia em Castel Sant'Angelo. Matilde continuou combatendo o imperador. Em 1084, o Papa Gregório VII foi exilado em Salerno. Matilde resistiu bravamente aos exércitos imperiais e em julho de 1084 surpreendentemente consegue superá-los na batalha de Sorbara. No ano de 1086, o Papa Gregório VII morre no exílio.

Para suceder Gregório VII, é eleito Vitor III. Logo após a sua coroação é expulso de Roma pelo antipapa Clemente III, nomeado pelo imperador. Matilde, então, avança para Roma a frente de seu exército, ocupa Castel Sant’Angelo e restabelece Vitor III. Logo depois, pressionado pelo imperador, o Papa abandona Roma. Seu pontificado tem duração de apenas dois anos. Seu sucessor será Urbano II que pede a Matilde que case-se com o jovem Guelfo V, duque da Baviera e da Caríntia, poderoso aliado do Papa. A diferença de idade entre os dois era enorme. A condessa tinha 43 anos e seu marido, dezessete. O casamento não foi consumado e os dois se separaram.



Em 1090, Henrique IV volta à Itália para atacar Matilde que já havia perdido seus territórios na Lorena. Conquista a capital Mântua e vários castelos. Alguns vassalos de Matilde se unem ao imperador, mas a Grã-condessa mantém-se fiel ao Papa e, apesar de todas as dificuldades e perda de apoio, até mesmo de seu marido, continua a combater Henrique IV. Graças a sua persistência e à rede de fortalezas nos Apeninos, em 1092, Matilde inflige, diante de Canossa, uma derrota ao exército imperial, enfraquecendo o poder de Henrique IV na Itália. Em 1095, o imperador alemão tenta uma última investida contra Matilde, atacando o castelo de Nogara. Porém, a chegada de Matilde liderando um exército o faz recuar. Dois anos depois, Henrique IV retira-se definitivamente da Itália. Desde então, Matilde reina soberanamente, e, através de bem-sucedidas operações militares, sucessivamente recupera as cidades conquistadas pelo imperador: Ferrara (1101), Parma (1104), Prato (1107), Mântua (1114). Além disso, Milão, Cremona, Lodi e Piacenza fogem do controle imperial e aliam-se à condessa.

O imperador Henrique IV morre em 1106. Seu filho, Henrique V, torna-se o novo imperador do Sacro Império Romano Germânico, mostrando outro comportamento diante de Matilde. No outono de 1110, o imperador entra na Itália para ser coroado imperador pelo Papa. Retornando ao Sacro Império, Henrique V permanece três dias no castelo de Bianello junto à condessa. Matilde presta-lhe homenagem e o imperador a nomeia vice-regente imperial da Ligúria.


Matilde morre de gota em 1115 e foi sepultada em San Benedetto Pó. Em 1633, por ordem do Papa Urbano VIII, seu corpo foi transferido para Castel Sant’Angelo, em Roma. Finalmente, em 1645, seus restos mortais foram depositados na Basílica de São Pedro. Seu túmulo, esculpido por Bernini, é chamado de Honra e Glória da Itália.



25 de jun. de 2009

Idade das Trevas - A Mulher na Idade Média

O total desrespeito e opressão às mulheres é uma das lendas sobre a Idade Média. Nada mais falso. Além de a mulher ter tido uma liberdade verdadeira, comparada somente com nossa época, foi na Idade Média que o modo de os homens tratarem às mulheres ganhou mais delicadeza. Basta dizer que é dessa época que surgiu o termo cavalheiro, cujas regras englobam o trato com as mulheres. 

Mas, vemos artigos e livros, pretensamente históricos, principalmente escritos por historiadoras feministas (aliás, mais feministas que historiadoras), como Maria do Amparo Tavares Maleval, por exemplo, cheios de jargões feministas, que pinçam entre os escritos medievais, textos (fora de contexto muitas vezes) para provar uma misoginia medieval, uma perseguição às mulheres. E, como não pode faltar, tudo patrocinado pela Igreja, é óbvio. É na Idade Média que surge o amor cortês, cujo centro é a mulher. Vejamos uma dessas canções do século XII:

Nem por trabalho nem por pena
Nem por dor que tenha 
Nem por ira dolorosa
Nem por mal que sofra
Jamais abandonarei

A minha dama um só dia.

Senhora, de todas a única
Bela e boa, justamente louvada.
Belo prazer, a quem não ouso dar nome.

Senhora, de quem não ouso dizer o nome,
Na qual todas as virtudes se confundem
De cortesia tendes fama
E de valor admirada.

Obra de Deus, digna, louvada
Mais do que qualquer pessoa
De todos os bens e virtudes dotada
Quer de espírito como de caráter.

(PERNOUD, Régine. Luz sobre a Idade Média. Publicações Europa-América. Lisboa, 1997, p. 117)

Agora, vejamos uma canção dedicada às mulheres no século XX/XXI:

Olha a cachorra!!
Deixa a cachorra passar (Ela quer rebolar!)
Deixa a cachorra passar (Chama ela pra cá!)
Deixa a cachorra passar (Ela quer provocar!)

Mexe o bumbum, mexe o bumbum mexe e vem pra cá
Ela anda rebolando
Ela só quer te provocar

Não é tchutchuca e nem gatinha, é uma cachorra
Em todo o canto da cidade ela tá sempre por aí
É só olhar na cara dela ela só falta latir
É meia-noite é meio-dia ela nunca quer saber
Mexe o bumbum a toda a hora e me faz enlouquecer

Eu to mordido eu to bolado mesmo sendo o Tigrão
Vem latir no meu colinho que eu já vou te dar pressão
...
Deixa a cachorra passar (Ela quer rebolar!)
Deixa a cachorra passar (Chama ela pra cá!)
Deixa a cachorra passar (Ela quer provocar!)
Mexe o bumbum, mexe o bumbum, e vem pra cá!

Academia, malhação, ta posando um avião
Marquinha de biquini que dispara o coração
Não adinta disfarçar, todo mundo quer pegar
Senta aí,fica ligado que o tigrão vai te ensinar
Vou prender numa coleira, dar pressão a noite inteira

A cachorra quer brincar, vou chamar ela pra cá
Tá com o rabo balançando, tá querendo provocar
Pra lá, pra cá

Deixa a cachorra passar (ela quer rebolar) 
Deixa a cachorra passar (chama ela pra cá)
Deixa a cachorra passar (ela quer provocar)
Então maxe o bumbum, mexe o bumbum, e vem pra cá

(Bonde do Tigrão)

Esta é só uma das várias músicas que denigrem a mulher. E não apenas no funk carioca. Há músicas sertanejas, pagodes, músicas de axé, ou seja, dos mais variados estilos e ritmos, que coisificam a mulher. E não é um fenômeno somente brasileiro. Assim é tratada a mulher no Ocidente. Se os historiadores forem “seletivos” na coleta de material para as pesquisas sobre nossa época, qual será a conclusão sobre a condição das mulheres e o tratamento dado a elas?



7 de abr. de 2009

A Família: Igreja doméstica, célula da sociedade

No princípio, Deus criou o homem e a mulher (Gn. 2) para que em suas diferenças singulares se completassem e, desta complementaridade, no amor, gerassem frutos, os filhos. Estava, portanto, instituída a família, imagem da Trindade Santa, eterna família. Mas quando veio a plenitude dos tempos (Gal. 4,4) Deus envia seu Filho que quis ter uma família e Se encarnou no seio de uma mulher, a santíssima Virgem Maria, tendo como pai adotivo e guardião, o glorioso São José. Deste modo, Deus revela assim a dignidade da família. E, tamanha dignidade é manifestada quando Jesus eleva o matrimônio a sacramento da Nova Aliança e imagem da união de Cristo e Sua Igreja. Todavia, em nossos dias, como tudo que vem de Deus sofre ataques implacáveis, a família não passa incólume dos inimigos de tudo que é sagrado. Ao contrário, se tornou uns dos alvos prediletos, juntamente com a Igreja, corpo de Cristo, e a pessoa humana, imagem de Deus. Os ataques são contra a manutenção do casamento, a fidelidade, a geração de filhos e sua educação.

As “profecias científicas” sobre catástrofes ambientais causando escassez de alimento e água para as futuras gerações acabam incutindo – e não seria esta a intenção? – nas pessoas um verdadeiro pânico em ter filhos, afinal, ninguém gostaria de colocar filhos num mundo tão difícil de se viver. Assim, acabam justificando a imoralidade do controle de natalidade através de métodos anticoncepcionais desde as pílulas até o aborto. Outra forma de criar repulsa à geração de filhos vem do culto ao corpo, da beleza estética. Alardeiam que mulheres que engravidam, perdem a beleza do corpo, suas formas. Ficam menos atrativas sexualmente. E para indivíduos inseridos numa sociedade baseada no hedonismo e na vaidade, estes argumentos são mais do que suficientes para evitar filhos. Aliás, hoje em dia, entre o nascituro e um câncer no útero não há muitas diferenças para muitos. Os dois trazem transtornos à vida da mulher que se auto-proclama senhora de seu corpo. No egoísmo que assola nossa sociedade moderna, os filhos atrapalham as carreiras profissionais, dão gastos excessivos, educá-los despendem tempo e “tempo é dinheiro”. Ao mesmo tempo, temos aqueles que fazem de tudo até mesmo ultrapassando os limites morais para conseguir gerar um filho. Partem para as técnicas de fertilização in vitro e artificial, sêmen ou óvulos doados por anônimos, métodos que são ótimos quando empregados no melhoramento genético de gado, mas nunca no trato com a pessoa humana ainda mais quando revela a satisfação de uma vontade egoísta. Por que não tomemos uma atitude solidária e que revela em nós o amor gratuito de Deus e adotamos crianças que esperam ansiosas por uma família? Será que a carga genética tem tanta importância assim para deixarmo-nos manipular como animais?

A Igreja defende a paternidade responsável, um planejamento familiar, mas muito diferente do conceito de planejamento que vemos por aí. A Igreja quer que cada família tenha um número de filhos compatível com suas possibilidades e o que vemos são casais que poderiam ter uma prole numerosa, mas, ao invés disso, possuem apenas um ou dois filhos. E é sempre a mesma desculpa esfarrapada da condição financeira, porém, na verdade, não querem perder certas regalias como viagens anuais, a troca do automóvel ou da casa. Sem dizer nos casais que preferem tratar animais de estimação como filhos, inclusive chegando a gastar mais com eles, com a vantagem de terem menos trabalho para cuidar. Mais uma vez o individualismo, o egoísmo. E em busca desta condição elevada de bem-estar, pais e mães acabam priorizando suas carreiras profissionais, trabalhando excessivamente e “terceirizando” a educação de seus filhos o que é sua obrigação específica. A desvalorização do trabalho da mulher como mãe e dona-de-casa que a denotaria como submissa, dependente, colabora muito para este fenômeno. Por outro lado, vemos este mesmo aspecto em famílias que passam por necessidades materiais onde o marido e a mulher são levados a trabalhar para sustentar sua casa, prejudicando a formação dos filhos. Mas nada justifica a ausência na educação dos filhos. Que cada tempo livre seja utilizado para este fim. Outrora, em especial no campo, as mulheres trabalhavam e criavam seus filhos com uma educação esmerada. Era no colo das mães que aprendiam conceitos de solidariedade, justiça, amor. Que recebiam a primeira catequese. Hoje, graças a um conceito equivocado sobre o papel do Estado, relegam a educação às escolas. Não ensinam mais sobre Deus e Sua Igreja. E isto reflete no aumento de índices de violência, pois uma formação moral impede ou, ao menos, minimiza as chances de uma pessoa se tornar uma criminosa muito mais que melhores condições socioeconômicas. As famílias que eram verdadeiramente igrejas domésticas, lugar de oração e evangelização, passaram a ser um conjunto de pessoas que mal se relacionam. E tudo isto é influência do laicismo de nossa sociedade ocidental que empurra a religião a uma prática meramente individual. Não é raro escutar: “Não batizarei meu filho. Quando ele crescer, escolherá a religião que quer seguir”. Há pais que se dizem católicos, e muitos até mesmo são praticantes, dando aos filhos a mesma educação sexual mundana. Querem ser modernos. Seguem correntes da psicologia (hoje, até mesmo ultrapassadas, mas o estrago já foi feito) que proíbem qualquer cerceamento da “liberdade” dos filhos, sob o risco de lhes causar traumas. Permitem que os filhos façam sexo dentro da própria casa. É melhor aqui do que na rua, dizem eles. Fazem questão de darem preservativos a eles. O que importa é que não contraiam uma doença ainda que suas almas sejam lançadas no inferno. Neste falso conceito de liberdade, proliferam as mães e pais solteiros, os filhos órfãos de pais vivos.

O que motiva o casamento é o amor. Mas não este amor subjetivo e açucarado que o mundo nos apresenta, mas o amor sacrifical. Não é por acaso que São Paulo, na carta aos efésios (Cf. 5, 21-33), compara o amor matrimonial ao sacrifício de Cristo na cruz e Sua união à Igreja. Porém, nesta sociedade que prima pelo hedonismo e pelo consumismo, qualquer sacrifício neste sentido é loucura. Seus argumentos são a felicidade e o prazer como finalidade do casamento. Nem por amor aos filhos os casais querem se sacrificar. Puro egoísmo. O divórcio é um mal que se espalha e a sociedade, amortecida, é indiferente a ele. Deformam a imagem da família: pai, mãe, filhos. São inúmeros parceiros e parceiras ao longo da vida, vários meio-irmãos e enteado, e tudo isto vivido com uma naturalidade assustadora. Não é de se admirar que acompanhemos pelo noticiário, vários crimes praticados dentro de famílias desestruturadas. Não há uma estatística que comprove a maior incidência de crimes no interior de famílias desestruturas do que nas de famílias “tradicionais”, mas esta afirmação parece poder ser claramente observada. É difundido, principalmente pela mídia, que o sucesso do casamento depende quase que exclusivamente do sexo. Disto surgem teorias que incentivam o sexo antes do casamento como um “teste drive”, quando sabemos que o namoro é o período de o casal se conhecer, de amadurecer o amor para que receba o sacramento do matrimônio. E nesta ânsia de manter o casamento através do sexo – mais uma vez o hedonismo –, é introduzido no relacionamento do casal hábitos imorais como a pornografia ou, ainda pior, mantém-se um relacionamento aberto onde os dois se submetem à práticas animalescas em prol de manter “a chama acesa”. E muitos têm o cinismo de chamar tudo isto de amor; apregoam que pelo amor vale tudo. Só não vale carregar a cruz de Cristo; só não vale renunciar a si mesmo. Mas aí é exigir demais! Imoralidades dentro do matrimônio não é novidade de nossos tempos (Cf. Cor. 5, 1), aliás, “não há nada de novo debaixo do sol” (Ecl. 1,9), mas o assustador é o indiferentismo da sociedade perante todos estes acontecimentos. O individualismo que leva as pessoas a não se preocuparem com os outros desde que não sejam tocadas.

E quando o casamento vai mal recorrem à terapia de casal. Paga-se uma fortuna a psicólogos que, em muitas vezes, não darão uma orientação cristã. Onde está o diretor espiritual do casal? Onde está o momento de oração em família? É claro que a ajuda profissional não é descartada, porém Deus já deu as graças de estado para que o casal cumpra seu dever na família. O que falta é crer.

O divórcio se tornou algo comum. Tão comum que, em Portugal, casais podem se divorciar pela internet. Qualquer motivo é causa do divórcio. Basta o cônjuge não agradar em algum aspecto da vida conjugal para que se divorciem. Mais uma vez vemos a falta de sacrifício, de renunciar-se em prol de um bem maior, a família. E numa sociedade relativista que molda um deus a sua imagem, se divorciam e recasam sem o mínimo de peso de consciência diante da indissolubilidade do matrimônio e sem levar em conta que o casamento é a imagem das núpcias eternas do Cordeiro com Sua Esposa Imaculada, afinal, o que Deus quer é que sejamos felizes. As relações matrimoniais acabaram tomando aspectos consumistas onde o cônjuge é a mercadoria. Quando esta perde o vigor físico, a beleza, troca-se por outra. O importante é ser feliz. Nem que seja apenas nesta vida. Se é que há alguma concepção verdadeira da vida eterna, já que, para alguns ela não existe, morreu acabou e para outros, concebem um Deus que é amor e misericordioso e no final das contas todos se salvam.

Muitos casais nem mesmo se preocupam em casar. Alegam que o amor basta, entretanto, que amor é este que não culmina na maior prova de amor que é demonstrada no sacramento do matrimônio? Alguns chegam a afirmar a estupidez que o sacramento dá azar para o relacionamento, porque conhecem casais que viveram amasiados por vários anos e quando se casaram, o relacionamento não perdurou. Não perdurou porque viviam em pecado e depois de casados diante de Deus as tentações aumentaram. O diabo não quer perder suas presas. E usando o amor, este amor puramente humano – onde nem se pode ser chamado amor, já que exclui o Amor, Deus – como argumento, tenta-se legitimar as uniões homossexuais dando-lhes as mesmas prerrogativas da família, inclusive promovendo adoções de crianças, fadando-as a uma educação nem um pouco sadia, tanto psicológica como moral. Não podemos aceitar as uniões civis de homossexuais porque o Estado não pode modificar ou definir o que é ou como é formada a família, pois esta o precede.

Enfim, os ataques contra a família se intensificam e já podemos notar os males causados por estes ataques. A família é a célula da sociedade e se esta célula sofre agressões, fica doente, toda a sociedade sofre. A ligação entre o enfraquecimento das famílias e o aumento da violência é evidente. Mas as famílias cristãs, como sal da terra e luz do mundo, devem testemunhar uma vida de amor e solidariedade entre seus membros, fé em Deus. É natural que o entusiasmo do início tenda a diminuir e neste momento devem ser exemplos de perseverança no amor diante de tantas dificuldades que encontramos dentro do matrimônio, colocando Deus em primeiro lugar. Que estas famílias, igrejas domésticas, sejam fonte de evangelização e catequese e voltem a ser escolas de justiça, amor, solidariedade.