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16 de jan. de 2013

Trotula de Salerno


Trotula de Salerno (também conhecida como Trotula de Ruggiero) foi uma médica do século XI que trabalhou na Schola Medica Salernitana, a Escola de Salerno, e é considerada a primeira ginecologista do mundo. É desconhecido a data e o local de seu nascimento (provavelmente, nasceu em Salerno). Era da família dos Ruggiero e casou-se, segundo alguns historiadores, com um dos fundadores da Escola de Salerno, chamado Giovanni Plateario, tendo dois filhos, Giovanni e Matteo, que seguiram a carreira médica dos pais. Foi autora do mais célebre tratado de Obstetrícia e Ginecologia da Idade Média: De Pasionibus mulierum curandorum ante, in, post partum. Dividido em sessenta capítulos, Trotula disserta sobre as diversas técnicas cirúrgicas, preconiza realizar uma eficaz proteção perineal, aconselhando praticar as oportunas suturas no caso de produzir-se lacerações do períneo no transcurso do parto. Não esquece ainda aos lactantes dando normas a respeito do cuidado com o bebê em seus primeiros meses de vida. Outras das obras de Trotula são: Pratica secundum Trocta e De Aegritudium curatione ou De Ornatu mulierum. Neste último título, Trotula recomenda às mulheres de sua época cuidar da higiene diária, praticar regularmente exercícios físicos, massagens com óleo e uma dieta equilibrada e saudável. E completa estas recomendações com simples e curiosas receitas de cosméticos femininos:

Um creme para eliminar as rugas, a fórmula de um batom em que utiliza mel, suco de beterraba, abóbora e água de rosas. Para conservar a dentição saudável e branca recomenda limpá- los com uma infusão quente de casca de noz. Seus trabalhos serviu como base do tratamento da saúde da mulher por 400 anos, sendo conhecido por toda a Europa.

A Escola de Salerno foi a única durante os séculos X a XIII aberta às mulheres, como estudantes e professoras. Como resultado da variada influência cultural na cidade, os médicos de Salerno, tanto mulheres como homens, foram os melhores no Mediterrâneo ocidental. Muitos documentos revelam que a independência das mulheres da escola de Salerno foram parte vital do avanço científico do período. Durante a alta Idade Média, a medicina, entre as mulheres, era praticada exclusivamente pelas monjas, que, deste modo, evitava a entrada de homens no claustro. Porém, a prática da obstetrícia e os cuidados aos bebês em seus primeiros meses era confiadas às mulheres leigas.

Naqueles casos em que a mulher exerce a medicina, o realiza pela circunstância de ser esposa ou filha de médicos sendo que aprende-se a medicina com eles. A Escola de Salerno será a primeira que vai oferecer às mulheres com vocação à medicina o livre acesso a formação médica e sua titularização, sem limitar seu campo de acão às enfermidades da mulher e o cuidado dos lactantes, mas ampliá-la ao exercício da medicina geral. Com esta abertura, logo surgirão em Salerno cinco mulheres destacadas na arte da cura: Trotula, Salernitana, Constança e Calenda, a judia Rebeca Guarna e Abella, uma muçulmana. Salvo no caso de Trotula, poucas informações nos chegaram do resto destas mulheres pioneiras. De Rebeca Guarda sabemos que escreveu um tratado sobre a urina e a febre e de Abella, a muçulmana, unicamente o título de seu livro De artrabile et de natura  seminis humani.

De todas as médicas de Salerno, Trotula é a mais bem conhecida. A despeito de sua fama, os detalhes de sua vida – idade ou ano em que nasceu, quando ingressou na escola ou completou seus  estudos – são escassos, mas sabemos que ela foi a autora de importantes trabalhos médicos. Seu principal interesse e área de estudo foi a saúde da mulher. Muitas mulheres não eram tratadas porque se envergonhavam ou consideravam impróprio serem examinadas por médicos homens, especialmente em casos ginecológicos.

Diferentemente da maioria de outros trabalhos do período, Trotula nunca prescreveu encantamentos ou a astrologia como tratamento para as doenças. Em vez disso, dava conselhos práticos - de fato, muitos de seus tratamentos preconizados ainda estão em uso hoje! No De Pasionibus mulierum, ela mostra teoricamente as causas bem como os tratamentos para várias questões da saúde da mulher, incluindo infertilidade e problemas com a menstruação e com o parto. 

Em seu livro, a menstruação é vista como saudável e importante, e escreve sobre diferentes modos para regular o seu ciclo. Em seu De Ornatu mulierum, aborda não só receitas de maquiagens e dicas de aplicação, mas aconselha sobre o cuidado com a pele, com a saúde dos dentes e a higiene, tratamento da acne e contra a queda de cabelo.

Afirmou que tanto os homens quanto as mulheres podem ser responsáveis pela infertilidade – uma radical posição para a época – e também defendeu que as mulheres tinham o direito de não sofrer durante o parto. Para este fim, ela experimentou opiácios e soporíferos, além de um incontável número de ervas. Aconselhou uma recuperação longa e tranquila para obter êxito na cura das doenças e após o parto e teve sucesso  em processos de  cesariana. Em geral, desenvolveu a medicina preventiva como chave para promover a boa saúde para as mulheres.

Como professora da Escola de Salerno, Trotula ensinou seus alunos a manter uma interação lenta com seus pacientes. Ela acreditava que era preciso fazer muitas perguntas, não somente sobre os sintomas que os pacientes estavam sentindo, mas também sobre o seu estilo de vida e problemas em geral. Assim, afirmava, o médico estaria mais atento sobre o paciente, tendo uma melhor compreensão do seu estado físico e podendo tratar o problema com mais rapidez e eficácia.

Pelas informações escassas sobre sua biografia, assim como ocorre com sua data de nascimento, é desconhecida a data de sua morte. 

3 de abr. de 2009

A Idade das Trevas?


Apesar de a maioria dos historiadores modernos não usarem mais o termo Idade das Trevas para designar os mil anos que se seguiram (Séc. V – XV) após a queda do Império Romano, ainda muitos, movidos por ideologias ateístas e por aquele velho ódio e ranço pela Igreja, que surgiu no protestantismo em plena Renascença e ganhou força no Iluminismo, insistem em tratar de maneira preconceituosa, pejorativa e mentirosa a Idade Média, em especial durante os séculos da Cristandade (Séc. XI – XIV). A maioria dos professores enche a boca para detratar deste período em que o Evangelho de Cristo era o parâmetro da lei, onde Estado e Igreja colaboram entre si, onde o homem mantinha diante dos olhos seu fim: Deus. Caíram no conto iluminista reforçado pelo marxismo e repassam isto para os alunos. Não sabemos se é falta de estudo ou má-fé. Coitados. Sabemos da má formação que recebem nossos professores e talvez muitos só vendam o que compraram. O que sabemos com toda a certeza é que quem elabora estes materiais didáticos, tanto na formação dos professores como na dos alunos, sabe muito bem o que está fazendo e segue um ordenamento que pretende (que esforço inútil, a Igreja é invencível!) destruir a Santa Igreja Católica. E qual é o período onde a Igreja teve seu apogeu, onde todos os esforços eram postos na salvação da pessoa humana? Isto mesmo, na Idade Média.

Seria esta uma era de obscurantismo, de superstição, de atraso científico, onde reinava a violência, a falta de liberdade, a censura e a barbárie? Poderíamos encontrar estas características durante os períodos das invasões bárbaras anteriores e posteriores ao império de Carlos Magno quando a escuridão da barbárie cobriu a Europa ocidental, mas, ainda nesta época, a Igreja – e somente Ela – foi um luzeiro em meio à noite escura onde se preservou a ordem, a civilização e a cultura. Todavia, o alvo predileto é a Cristandade. É claro que não era a sociedade perfeita, aliás, sabemos que ela não existe e só será realidade quando Cristo voltar em Sua glória e restaurar todas as coisas em Seu Reino eterno onde os santos reinarão com Ele. Porém, a Idade Média está longe de merecer todos os adjetivos maledicentes que lhe foram outorgados desde o inicio da Idade Moderna. Como a Igreja estava no centro da era medieval, os difamadores da Igreja, anticlericais, ateus, aqueles que consideram a Igreja uma pedra no sapato para suas ideologias imorais, somente destacam o que houve de mau e discutível na Idade Média, sem levar em conta a mentalidade da época e imputando à Igreja, fatores sociais e acontecimentos históricos, que, em muitos casos, a Igreja condenou e combateu, como se fossem aprovados e incentivados por Ela. Além disso, nada sobre os avanços científicos, filosóficos, tecnológicos, humanistas, artísticos são citados ou quando são ditos é de maneira muito superficialmente. O pensamento ilógico sugere que tudo isto ficou hibernando até que num belo dia acordou e assim surgiu a Renascença. E mais, muitos dos fatos atribuídos ao período medievo, na verdade se encontram no Renascimento. Mas isto não importa aos inimigos declarados ou implícitos da Igreja desde que a acusada continue sendo nossa Mãe e Mestra.

Hoje, graças a Deus, muitos estudiosos das mais variadas áreas do conhecimento redescobrem que a sociedade católica medieval construiu a civilização ocidental. Reconhecem que a Igreja foi quem sustentou esta civilização que hoje lhe vira as costas, numa atitude, no mínimo, de ingratidão para com Ela.

Neste blog, compararemos a sociedade cristã medieval com a sociedade greco-romana e veremos seus progressos frente a esta, como a Igreja soube purificar a Europa. Também compararemos a sociedade medieval com a nossa sociedade que se gaba de viver a sua maior era da História. E, como a Idade Média não foi um período curto, não seria justo compará-la apenas com nossas ultimas décadas, mas abrangeremos todo o período da Idade Moderna e Contemporânea. Veremos o quanto nosso mundo estaria melhor se nossa sociedade ocidental tivesse continuado fortemente baseada na doutrina católica como na Idade Média em vez de negar e destruir suas raízes. Seria realmente o período medieval católico, a Idade da Luz de Cristo, a temida Idade das Trevas? Ou a Idade das Trevas seria o período em que vivemos?