Richard Dawkins andou pelo Brasil. Sinceramente, não vi as repercussões. Dawkins é um dos pregadores do ateísmo militante, uma espécie de religião sem divindade. O ateísmo militante se organiza como uma religião. Tem pregadores, profetas apocalípticos, livros sagrados, oráculos, códigos morais e até santos e santas. Eu me irritava com a religião ateísta, porque via nela uma negação dos princípios do livre-pensamento, tão caro aos primeiros ateus. Mas não me irrito mais, ao contrário, vejo algumas vantagens nela.
A religião ateísta não é um fenômeno recente. Já nos primórdios do ateísmo, os ateus se organizaram em instituições para compartilhar suas ideias e fins comuns. A primeira foi na maçonaria, que não nasceu ateia, mas, por sua própria dinâmica e atração que exerceu sobre os ateus, tornou-se pouco a pouco. Depois, duas grandes correntes filosóficas atraíram os ateus: o positivismo e o marxismo. O positivismo de Auguste Comte era uma verdadeira religião. Fundaram-se até "igrejas" positivistas (a do Rio de Janeiro está lá até hoje). Porém, a maior expressão da religião materialista é o marxismo. O marxismo é um decalque do cristianismo numa complexa (ou simplória) explicação globalizante da História. Muitos textos marxistas são puros oráculos divinos comparados aos dos profetas bíblicos. É impressionante a semelhança.
Poderíamos citar outras correntes: o darwinismo, o cientismo (ou cientificismo) e até o espiritismo, religião que pode funcionar sem Deus. Estas correntes religiosas materialistas surgidas no século XIX, eu as chamo de "religiões ilustradas". Em comum, todas elas compartilham noções teleológicas: dão um sentido para a vida humana, explicam suas contradições, apontam caminhos para progredir, possuem um código moral e culminam na construção do paraíso terrestre. Finalmente, depois deste parêntese histórico, o porquê de o ateísmo militante não me irritar mais.
O ateísmo puro é insuportável. Graças a Deus, não conheço um único ateu puro sangue. Ateus nietzschianos são raros. Um ateu que crê em energias positivas (ou negativas), que torce pela recuperação de alguém que está doente, que simplesmente deseja sorte para um amigo que vai prestar vestibular ou felicidades para um casal recém-casado não pode ser um ateu puro sangue - ainda que muitos apelem a uma pseudo-ciência que respalda estas "crenças". O ateu puro não crê em nada disso. Crê nas forças cegas da natureza, nos condicionamentos psicológicos, nos determinismos biológicos. Não crê nem mesmo no amor, esta reação físico-química que serve apenas ao extinto de conservação da espécie. Mais uma vez, agradeço a Deus pela maioria dos ateus não ser pura, não ser nietzschiana, não ser niilista. O ateu puro só encontra dois caminhos: a loucura ou o suicídio.
Mostrando postagens com marcador materialismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador materialismo. Mostrar todas as postagens
4 de jun. de 2015
31 de jul. de 2013
Os gastos com a JMJ Rio 2013 e o valor de uma alma
Qual o valor de uma alma? Em meio ao materialismo e tecnicismo, uma parcela da sociedade só conseguiu enxergar a Jornada Mundial da Juventude através dos gastos. Falou-se do emprego de verbas públicas (nem sempre com verdade) e dos desperdícios e prejuízos com a transferência dos eventos de Guaratiba para Copacabana.
Dom Fernando Rifan contou-nos um testemunho ocorrido na pré-jornada: numa das noites, um grupo saiu da igreja de Santana, no centro do Rio, em procissão até a Catedral onde ocorreria uma vigília. Passando pela Lapa, uma prostituta aproximou-se e perguntou o que era aquilo. Uma das moças lhe disse: "venha com a gente". E ela foi. Entrou com a procissão na Catedral e participou da vigília. Terminando, a prostituta aproximou-se chorando e disse aos organizadores que ia mudar de vida.
Somente por este único caso, a conversão desta moça, todo o gasto com a JMJ, todos os prejuízos, todos os percalços são infinitamente desprezíveis diante da salvação de uma alma. Só por esta conversão, toda a JMJ já terá valido a pena. A sociedade materialista não consegue ver além da obtenção do lucro. Não se consegue ver a alegria no céu por um único pecador que se converte; não consegue estimar o valor de uma alma. Mas nós sabemos quanto vale. Vale a morte na cruz de um Deus feito homem. Vale todo o sofrimento até a última gota de sangue derramado por aquela prostituta da Lapa.
Marcadores:
conversão,
Francisco,
gastos,
graça,
JMJ,
jornada mundial da juventude,
materialismo,
Papa,
política,
Rio de Janeiro
Assinar:
Postagens (Atom)