24 de mar. de 2015

Uma heresia chamada Teologia da Prosperidade

"Aquele que quer ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz a cada dia e Me siga". Jesus não mandou tomar o sucesso profissional, a mansão, a casa de praia, os dois carros importados, as três empresas e segui-Lo. Nem tomar a cura da bereba ou do caroço não sei onde. A única coisa que Jesus oferece aos seus discípulos é a cruz. Nada mais do que a cruz. A cruz é o caminho apertado. Não há outro. Jesus crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gregos, é a porta estreita. A porta do aprisco. Quem prega outro caminho, mais cômodo e atraente, no seguimento de Jesus é ladrão e salteador, é um maldito herege que seduz as almas para o inferno.

Penso neste momento na Eucaristia. O sacrifício eucarístico é o mesmo e único sacrifício da cruz. É por isso que muitos discípulos ficaram escandalizados quando Jesus anunciou que daria como alimento Sua carne e Seu sangue - o que se realizou na última ceia, antes de Sua morte - e deixaram-No de seguir. E o que disse Jesus? Que estavam enganados, que o que Ele dizia era apenas simbólico? Não. Virou-se para os apóstolos e disse se eles queriam deixá-Lo também. Não há meias verdades para garantir ou atrair fiéis. É por isso que quem nega a Eucaristia nega a cruz e vice-versa.

Não se chega à glória da ressurreição sem passar pela cruz. Três apóstolos tiveram uma experiência da glória do Senhor na montanha - na Bíblia, o lugar de encontro com Deus. Sentiram as delícias da visão beatífica e quiseram ficar por lá. Mas tiveram que descer para a planície - na Bíblia, o lugar da batalha. Nós, discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto vivemos - mesmo que em alguns momentos Deus nos mostre, ainda que num átimo, a felicidade do Céu - estamos, com o auxílio da graça de Deus, em constante batalha. Deus não nos promete felicidade neste mundo, mas luta, sacrifício, cruz. Se quiser ser verdadeiramente discípulo de Jesus, fuja de todos os que se dizem cristãos - pastores ou padres - e que querem transformar o cristianismo num mar de rosas. O caminho largo e fácil conduz a um único lugar, ao inferno.



26 de fev. de 2015

Adoção de crianças por pares homossexuais ou a perversão da família

Sejamos francos. É simplesmente impossível afirmar que a adoção de crianças por pares homossexuais seja um bem ou um mal. O que sabemos com toda certeza é que consiste numa novidade sem precedentes na História humana. Para usar expressão da moda, uma quebra de paradigma. É um experimento sem sabermos as consequências a longo prazo. O que podemos afirmar com a pouca experiência que temos é que existem filhos de homossexuais que os louvam e outros que criam ONG's para que adoções por pares homossexuais jamais aconteçam.

O que sabemos é que a família fundada sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher - esta forma de família que possibilita inclusive que os gays existam - mesmo com seus percalços sempre funcionou. Pais ou mães homossexuais serão afetuosos e darão boa educação aos filhos? Alguns sim. Outros não. Fazer apologética de uniões homossexuais como se fossem mais virtuosas do que as heterossexuais afirmando que adotarão crianças órfãs, abandonadas ou rejeitadas por terríveis e maldosos casais héteros é, pra dizer o mínimo, canalhice. Partir de particularidades para generalizar é desonesto. Seria como ter por argumento preferir a solteirice a ser corno.

Não. Os pares homossexuais não irão esvaziar os orfanatos e abrigos para menores. Não são uma espécie de abnegados acima dos reles humanos héteros egoístas. E também, no Brasil, há mais casais querendo adotar do que crianças disponíveis à adoção. O que emperra é a burocracia. E mais: devemos negar pela segunda vez o direito de uma criança de ser criada e cuidada por um pai e uma mãe, naquela sadia diversidade e complementaridade entre um homem e uma mulher?

Não podemos negar, há pais e mães que abandonam seus filhos, que os rejeitam, que os matam antes ou depois de nascerem. E há aqueles e aquelas que vivem para os filhos, sacrificam-se amorosamente por eles, preferem dar a própria vida a abortarem. Estas são vicissitudes que só uma família pode passar. Um simulacro de família não corre estes riscos, não pode viver em plenitude as alegrias e tristezas, as angústias e prazeres que uma verdadeira família sofre e goza. Sempre faltará algo. Sempre será imperfeito. Sempre será um amor infrutífero, estéril, dependente de elementos estranhos à relação. Pendurar laranjas num abacateiro não faz da árvore uma laranjeira. Podemos comparar, então, este relacionamento infrutífero ao sofrimento de casais estéreis, como fazem os canalhas? É claro que não. Casais estéreis acidentalmente não podem ter filhos. Pares homossexuais essencialmente não o podem. Eventualmente o sexo entre um homem e uma mulher não produz uma vida. Obrigatoriamente, relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo não geram absolutamente nada.

Filho não é direito, nem bicho de estimação, nem mercadoria. É um dom. Dom do amor. E o amor gera vida, é criativo. Senão não é amor. É qualquer coisa parecida com amor, que ousam chamar de amor. Particularmente, sou contra elevar ao status de família tudo aquilo que não o é. Minha opinião transcende os gostos e as modas. Vai além de saber se é bom ou mau. A História contemporânea está repleta de exemplos onde a vida humana foi jogada como um brinquedo com consequências desastrosas. Inverter a ordem natural das coisas pode ser mais um.



14 de fev. de 2015

Marchinhas de Carnaval em suas novas versões politicamente corretas

Atenção! Os censores do politicamente correto estão de olho nas marchinhas carnavalescas:

Olha a cabeleira do Zezé

"Olha a cabeleira do Zezé. Será que ele é? Será que ele é?"

Agora, nova versão da letra:

"Olha a cabeleira dx Zezé. Ele é o que elx quiser. Já que Zezé é livre para escolher seu gênero, sem determinismos biológicos ou imposições sociais que definem que cabelo comprido é coisa de mulher e cabelo curto é coisa de homem."

(Atenção para o "x" substituindo o artigo masculino e demonstrando a neutralidade do gênero)

"Será que ele é bossa nova?"

Nova versão da letra:

"Zezé jamais será bossa nova ou jovem guarda, movimentos musicais elitistas e alienados da situação político-social do Brasil nas décadas de 1960-1970 cujas letras não denunciavam a ditadura militar que assolava o país e traiam o país servindo à ritmos estadunidenses e vendendo-se para o cenário musical ianque."

"Será que ele é Maomé?"

Nova versão da letra:

"Zezé pode ser Maomé, pois vivemos num Estado laico e não pode ser vítima de islamofobia ao ser confundido com uma minoria radical que deturpa a religião islâmica, religião de paz e amor."

"Parece que é transviado. Mas isso eu não sei se ele é"

Nova versão da letra:

"Zezé pode parecer o que quiser, ninguém é fiscal de cu. Feliciano e Bolsonaro não me representam. Vamos queimar a casa do Levy Fidelix."

Maria sapatão

"Maria sapatão, sapatão, sapatão. De dia é Maria, de noite é João". Agora, nova versão da letra:

"Maria lésbica, lésbica, lésbica. De dia sua constituição físico-biológica é feminina, mas à noite, ou em qualquer outro período do dia, ela escolhe o gênero que quiser, pois tem o direito de se livrar das amarras desta sociedade patriarcal de tradição judaico-cristã, opressora e sexista, que impõe socialmente seu gênero aos seres humanos."

Um pouco difícil de adaptar as letras à melodia.



12 de fev. de 2015

A Igreja Católica não segue a Bíblia

Me disseram que a Igreja Católica não segue a Bíblia e me disseram, que basta uma leitura da mesma para comprovar. Eu fui ler. Lá encontrei a doutrina da Santíssima Trindade; a divindade de Jesus; a instituição da Eucaristia, do batismo, da crisma; a instituição da unção dos enfermos e da confissão dos pecados; a instituição do sacerdócio e do matrimônio; a vida celibatária e religiosa; a constituição da hierarquia da Igreja; o primado de Pedro e a instituição do Papado; o papel singular de Maria na obra de salvação, sua intercessão, sua maternidade divina, sua imaculada conceição, sua virgindade perpétua, sua assunção e coroação como rainha do Reino de Deus; a intercessão dos anjos e dos santos; o purgatório, a oração pelos mortos; a confecção de imagens sagradas; a veneração de símbolos sagrados; a veneração de relíquias; a celebração da Santa Missa como imagem do culto celeste; a guarda do domingo. Terminei de ler a Bíblia, fechei e queria ser padre da Igreja Católica. Quem sai da Igreja Católica alegando que esta não segue a Bíblia, nunca leu a Bíblia devidamente.

24 de jan. de 2015

A Europa islâmica: um caminho sem volta

As medidas de combate ao terrorismo sendo reforçadas na França e, consequentemente, em toda a Europa chegam a ser patéticas. Medidas inúteis, pois combate o efeito e não a causa. Temos que nos resignar, a Europa está perdida. Todo o Ocidente está derrotado. É um caminho inexorável: a Europa será islâmica. E mais tarde, a margem de cá deste “rio chamado Atlântico” também será. A derrocada da Europa começou há pouco mais de 200 anos quando os europeus voltaram suas costas para suas tradições, quando certas ideologias levaram os europeus a sofrerem de sentimento de culpa. Por isso, entraram num processo de autopunição e numa crise de identidade que a levou à autodestruição. Minaram seus pilares greco-romano, eslavo-germano e judaico-cristão. Atacaram a base da sociedade: a família. Implantaram o vírus mortal do relativismo moral.

Graças a este trabalho de sapa que vem minando os alicerces da sociedade europeia (e ocidental) e que nos trouxe à pós-modernidade, temos uma sociedade fragmentada. Propositadamente fragmentada pelas ideologias materialistas e laicistas cujo intuito era a da velha tática de “dividir para conquistar”. Mas nenhuma destas ideologias mostrou força suficiente para se impor de modo permanente o que possibilitaria construir uma unidade social, ainda que totalitarista. O nazifascismo e o comunismo se foram, graças a Deus. Criou-se um vácuo. Um vácuo de princípios e de ideais. Um grande ideal é aquele que motiva os homens e mulheres a morrer – e se necessário – a matar por ele. Este ideal pode ser bom e verdadeiro como o cristianismo, mas pode ser pernicioso e mentiroso como foi o comunismo. Foi um grande ideal que moveu milhares de homens a se baterem nas Cruzadas. Foi um grande ideal (ainda que deturpado, diga-se) que moveu milhares de homens das brigadas internacionais nas revoluções comunistas. Hoje, o único grande ideal que se apresenta como alternativa ao Ocidente é o Islã. Não é à toa que vemos milhares de jovens europeus muçulmanos, muitos neoconvertidos, se alistando nas fileiras do Estado Islâmico ou de organizações terroristas.

A Europa adoeceu e sua doença é incurável. Ainda que haja quem reconheça o mal, evita-se o remédio. Nada pode salvar a Europa. A solução poderia vir da Igreja Católica, a única instituição que sempre soube manter a unidade e a conservar a cultura europeia em tempos de adversidades. Porém, é com tristeza que constatamos sua impotência e incapacidade para fazer frente às ameaças por conta das contradições internas de seus filhos, principalmente de seu episcopado. Muito menos podemos contar com o simulacro de unidade chamada União Europeia. É mais fácil ela aplicar a eutanásia na paciente do que salvá-la.

Uma sociedade dividida. Foi exatamente o que facilitou a expansão árabe-muçulmana nos inícios da doutrina de Maomé. A península arábica estava dividida em tribos. Os impérios bizantino e persa sofriam com conflitos internos e, portanto, estavam profundamente divididos. Certos grupos até favoreceram ou aliaram-se aos invasores, como fazem alguns grupos hoje, especialmente de esquerda, que julgam poder usar os muçulmanos a seu favor. Mas um continente não acaba. Não é o fim da Europa, é o fim de uma era, como foi o fim do Império Romano. Há décadas países muçulmanos, encabeçados por Arábia Saudita, Marrocos, Líbia, Síria e Irã, financiam a expansão do Islã pela Europa. Constroem mesquitas, inclusive com capacidade para milhares em regiões aonde o número de adeptos não chega a uma centena; promovem ajuda financeira aos imigrantes; e, é claro, financiam o terrorismo que é parte integrante do mesmo projeto.

O futuro do continente europeu é o Islã. Não o Islã dos terroristas. Os terroristas são somente os que estão no front. Fazem parte do processo de islamização, como os cavaleiros de Allah no tempo do Califado, mas não são as peças fundamentais. Servem à causa, sem dúvida, porém os verdadeiros agentes da islamização da Europa são aqueles que migram – como diz o Alcorão. A invasão muçulmana é invisível, pacífica e silenciosa, como foram no Império Romano as primeiras ondas migratórias dos bárbaros. São famílias, gente boa e honesta, que trabalham, ocupam todos os espaços da sociedade, convivem nos bairros da periferia com pessoas de outras culturas em clima de tolerância e, principalmente, suas mulheres têm taxas de fertilidade muito maiores do que qualquer outra europeia. Contudo, também são pessoas de fé. Sabem exatamente o que os diferem dos outros. Eles são os fiéis. Nós, os infiéis. Sabem que eles são o futuro.

Não é o radicalismo islâmico que vai dominar a Europa. O Islã, ao longo da História, sempre soube se deixar influenciar pelas culturas superiores que encontrou pela frente. Hauriu a cultura grega dos bizantinos e bebeu da cultura persa. Preservou a bela poesia e literatura árabe pré-islâmica. De tribos nômades que eram atingiram alto grau de refinamento cultural a ponto de não podermos ignorar suas contribuições nas artes, na arquitetura, na filosofia e nas ciências. O Islã europeu não será o que destruiu os budas de Bamiyan, mas o que preservou os monumentos egípcios, mesopotâmios e as obras de filosofia grega. Católicos, fiquem tranqüilos. A Basílica de São Pedro não será o estábulo de nenhum sultão ou califa. Pelo menos não permanentemente. O Vaticano será o Fanar do Ocidente. Poucos homens e mulheres tiveram o privilégio de testemunhar o fim de uma era. Não sei se veremos o fim de um processo que pode durar décadas. Porém, as engrenagens da História já estão em movimento. Sentem-se no sofá e aproveitem o triste espetáculo.


10 de jan. de 2015

Ataque ao Charlie Hebdo: a Europa - e todo o Ocidente - colhe o que plantou

A Europa colhe o que plantou. Ontem, vi que pelo menos dois mil jovens europeus já se juntaram ao Estado Islâmico. A Europa virou as costas para suas raízes cristãs. Se envergonha de sua História e de seus valores (não apenas dos valores essencialmente cristãos). Entrou em processo autodestrutivo, graças a seu complexo de culpa - já afirmava Levi-Strauss. O futuro da Europa é obscuro. Estamos diante de uma daquelas fases de transição civilizacional, como o fim do Império Romano. A Europa tem uma doença incurável e está em estado terminal. Não tem mais nada a oferecer. Antes de sofrer com a crise econômica, a Europa sofre uma crise de identidade. A eleição de um Papa não europeu após 1200 anos é sintomático. Nunca a expressão Velho Continente fez tanto sentido.


A Europa colhe o que plantou. Não só a Europa, mas todo o Ocidente. A cultura pós-moderna, fluída, relativista, jogou o ser humano na incerteza e no niilismo. Pensou que o Estado de bem-estar social, o materialismo, poderia suprir todas as necessidades do homem, inclusive as existenciais. O ser humano precisa de um ideal, precisa de um sentido para a vida. Sentido este que a cultura ocidental vem destruindo sistematicamente. "Nem só de pão vive o homem..." Não é surpreendente ver milhares de jovens europeus se alistando nas fileiras do Estado Islâmico. Eles não procuram o terrorismo. Procuram um sentido para a vida. E como a civilização ocidental foi á pique, ficamos na superfície de um mar tenebroso e violento, que joga-nos de um lado a outro e qualquer coisa que passe boiando ao nosso lado serve de tábua de salvação, ainda que seja a violência injustificada do terrorismo. Mas não só. Há outros radicalismos dos grupelhos politicamente corretos que atrai muita gente e demostra tanta irracionalidade quanto ao do EI.


Quando vivemos em plena ditadura do relativismo, onde é abolida a verdade absoluta e a consciência individual passa a ser a instância suprema do bem e do mal, há aqueles que encontram legitimidade em debochar da religião e em defender sua fé matando quem a ofende. Parece um paradoxo, mas ambos estão do mesmo lado, porque a ditadura do relativismo, como não podia ser diferente, não é totalitária, nem abrange o corpo todo da sociedade. É composta por indivíduos que se agrupam em torno de uma causa comum. Não defende a tolerância geral, mas a tolerância para si, para seu grupo e para aquilo que defende. Se puder, impõe seus ideais aos restantes. Os islâmicos, radicais ou não, marcham de braços dados na Europa com feministas e grupos gays. Servem-se do estatuto de minorias. Após o ataque ao Charlie Hebdo o que mais se ouve é um apelo contra a islamofobia, que, como a maioria das "fobias", é um mito criado para vitimizar a minoria muçulmana na Europa. Uma sociedade relativista, onde as ideologias, algumas estapafúrdias, pululam livremente, é um convite ao totalitarismo. Basta alguma delas se sobressair, rompendo o equilíbrio de tolerância. Não é à toa - e por mais estranho que possa parecer - que o marxismo e o nazifascismo se consideravam herdeiros da Revolução Francesa.

Para concluir, é ótimo que lideranças influentes do Islã condenem ataques terroristas cometidos por extremistas muçulmanos. Agora, dizer que o Islã, histórica e tradicionalmente, é uma religião de paz é brincadeira. É querer distorcer a História. O islã se expandiu à base da espada. Apenas cem anos após a morte de Maomé, a religião islâmica se estendia do Irã à Espanha. E não foi por força de seus missionários, mas de seus guerreiros, "daqueles que migram", como diz o Alcorão. Tentou avançar pela Europa e sua marcha foi detida já no centro da França, graças a Providência divina, por Carlos Martel. Mais tarde, outros muçulmanos, agora turcos, avançaram até o centro da Europa entre os séculos XV e XVII. A cultura árabe-muçulmana deixou muitas contribuições positivas para a humanidade e, particularmente para a civilização ocidental. Mas reescrever a História não dá.





23 de dez. de 2014

Especial de Natal: Rodrigo Faro na Terra Santa e um exemplo de anistoricidade dos evangélicos

Um dos grandes problemas dos protestantes e evangélicos em geral, que tende a piorar com os pentecostais, é sua anistoricidade. É fácil compreender, já que qualquer igreja protestante, evangélica, pentecostal, neopentecostal que se investigue a História, do presente para o passado, vai acabar numa ruptura. E os membros de quaisquer destas igrejas considerarão SUA História somente a partir da ruptura. Os protestantismos são feitos de rupturas sem fim. Um dia, debatendo com um evangélico, citei algo que Lutero tinha dito que contrariava o que ele pensava. Ele respondeu pura e simplesmente: "Não sou luterano"; e ele estava certo. Para ele, assim como para a maioria dos evangélicos, a História do cristianismo pula do século I para a fundação de sua igreja, independentemente do século - ou da década - e por quem tenha sido fundada. Alguns são tão radicalmente anistóricos que resvalam no gnosticismo. Bom, não fosse anistóricos, os evangélicos seriam católicos hehehe

Ontem eu assisti ao especial de Natal do Rodrigo Faro na Terra Santa. No geral, foi legal, mas o coitado teve que se ajustar ás diretrizes da IURD e aí algumas coisas ficaram a desejar. Foi um exemplo de anistoricidade. Os locais sagrados, como sabemos, são marcados na Terra Santa com uma igreja, seja católica, seja ortodoxa. Nenhuma foi mostrada. O Faro mostrou umas ruínas de casas em Nazaré (que estão no pátio da Basílica da Anunciação) e disse que a casa de Jesus era parecida. Se tivesse entrado na Basílica, teria podido mostrar parte da casa verdadeira de Jesus (a parte principal foi transportada pelos anjos para Loreto, Itália). Poderia ter andado mais um pouquinho e entrado na igreja de São José e mostrado a oficina onde o pai adotivo de Jesus e Ele próprio trabalharam. Faro foi a Cafarnaum, mostrou a sinagoga e as ruínas da casa de Pedro. O câmera, coitado, teve que fazer malabarismo para não mostrar a igreja construída sobre a casa. Foi a Caná da Galileia, entrou na igreja, mas não mostraram a igreja. Eu sei que entrou porque mostrou o subsolo, onde está a antiga sinagoga e há uma talha como a usada no milagre do vinho.

Em Jerusalém, Rodrigo Faro parou ao lado do pátio da igreja de São Pedro in Gallicantu, na beira da escadaria do Monte Sião. Disse que as ruínas que estavam sendo mostradas, eram da casa de Caifás. Não eram não. A casa de Caifás estava nas suas costas, sob a igreja do Gallicantu. Tivesse entrado na igreja, descido uma escadinha em espiral no canto esquerdo de quem entra e tinha ido direto para as ruínas da casa de Caifás, e poderia ter mostrado onde Jesus ficou preso na noite de quinta para sexta-feira. Em seguida, foi para a Via Dolorosa. Só Deus sabe quem disse para ele que uns corredores que ele mostrou fizeram parte da Fortaleza Antônia. Da fortaleza não existe mais nada, só um lajeado. Faro seguiu pela Via Dolorosa, mostrou umas estações, mas nenhuma capelinha que marca algumas delas. Comentou até aquelas estações que não são referidas nos evangelhos, mas são parte da tradição (as quedas de Jesus, o encontro com Nossa Senhora e com Verônica). Essa passou pela censura dos pastores.

A Via Dolorosa, como sabemos, termina na Basílica do Santo Sepulcro. Mas, neste momento, Faro se desviou - e muito! - da rota e acabou no Jardim de Gordon. O local conta com um rochedo, um jardim e um túmulo vazio que um oficial britânico, Gordon, no século XIX, encafifou ser o calvário, porque o rochedo lhe parecia uma caveira e aquele ser o verdadeiro túmulo de Jesus, tão somente porque estava vazio. Hoje sabemos pela arqueologia que o túmulo é do período bizantino e que tinha sido usado para vários sepultamentos. É um exemplo claro de desconsideração dos grandes trabalhos arqueológicos e a vasta documentação histórica que apontam com grande probabilidade para o Santo Sepulcro como o local da ressurreição, porém grande parte dos evangélicos defendem que ali, o Jardim de Gordon, é o verdadeiro local da ressurreição de Jesus. Coitado do Faro embarcou nessa e teve que mostrar uma mentira a seus telespectadores.



16 de dez. de 2014

Que mulher merece ser estuprada, Bolsonaro?

Que mulher merece ser estuprada? Nenhuma. Seja ela mãe, virgem, prostituta, criminosa, bonita, feia, deputada, jornalista, de esquerda ou de direita. É uma violência absurda que devasta, humilha e traumatiza as vítimas. O estupro é um dos piores crimes que existe. O estuprador deveria ser punido com a pena de morte. Além de crime sexual, o estupro foi e é usado desgraçadamente como instrumento de tortura e de vingança porque todos sabem o mal que causa.

Ninguém merece ser estuprada. Nem que o estuprador seja bonitão (faço menção a uma postagem que rodou pelo Facebook, uma brincadeira de muito mal gosto). Ou ser violada no que há de mais íntimo, ser tratada como uma coisa ou dominada como um animal é atenuado pelo fato de o agressor ser bonito? Deve haver quem goste destas coisas, há gosto para tudo. Mas há algumas mulheres - aquelas que deveriam ser as principais interessadas em tratar o assunto com a seriedade e gravidade que merece - que tratam o assunto com tanta imbecilidade quanto o Bolsonaro.

Bolsonaro é um daqueles parlamentares ricos em imbecilidade que abundam no Congresso Nacional. Seus inimigos políticos ficam na espreita para caçá-lo e cassá-lo e ele dá motivos para isso a cada cinco minutos. É um estuprador? Claro que não. Incita o crime? Claro que não. Ninguém sairá estuprando mulheres porque o Bolsonaro disse que há quem mereça (tanto porque se fossemos abrir denúncia de incitadores de crimes no Congresso o que seria dos apologistas do aborto e das drogas).

Sabemos que Bolsonaro abusa da retórica, mas argumentos deste nível não podem ser usados num debate, muito menos num debate político. É desonesto. Se é suficiente para considerar quebra de decoro, não sei. Mas que é uma imbecilidade, é.



8 de dez. de 2014

"Perdoar é divino. Só Deus perdoa"

Quantas vezes já ouvimos esta frase dita pelas pessoas, principalmente quando necessitam perdoar ou quando alguém que as tenha ofendido lhes pede perdão. Mas não foi isso que Jesus ensinou: na oração do Pai-Nosso, pedimos para que Deus perdoe nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam. Após ensinar o Pai-Nosso, Jesus enfatiza que o perdão de Deus é condicionado ao perdão que damos ao nosso próximo: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará" (Mt. 6, 14-15). Não podemos fazer uma oração mentirosa diante de Deus.

Com a mesma medida que medimos nossos irmãos seremos medidos por Deus. Jesus exige de nós um verdadeiro ato de heroísmo quando nos manda perdoar nossos inimigos, pessoas que muitas vezes nos ofenderam ou nos prejudicaram enormemente. Por mais grave que tenha sido o pecado cometido contra nós - e há gravíssimos - não temos o luxo de não perdoar, desde que acreditemos em Deus e constantemente peçamos o Seu perdão. Jesus nos conta a parábola daquele servo que devia - tragamos para os dias atuais - um trilhão de dólares para seu senhor. Sem poder pagar, o servo lançou-se aos pés do senhor e implorou o perdão. Cheio de compaixão, o senhor perdoou-lhe toda a dívida. Saindo da presença de seu senhor, o servo encontrou um colega que lhe devia 100 reais. Pegou este pela garganta e ameaçou mandar prendê-lo se não pagasse. Quando o senhor ficou sabendo da atitude do servo, mandou chamá-lo e revogou o perdão da dívida, lançando-o na prisão. E Jesus termina a parábola novamente com a ressalva: "Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração" (Mt. 18, 35).

A lição da parábola é clara. O senhor é Deus. Os devedores somos todos nós. Cada pecado que cometemos é uma ofensa irreparável a Deus. Nada podemos fazer para quitá-lo, dependemos exclusivamente da misericórdia do Senhor. Todavia, os pecados dos nossos irmãos - tão imperfeitos e pecadores quanto nós - temos sérias dificuldades em perdoar, neste mundo onde tudo passa. Diz o Eclesiástico (28, 4-5): "Não tem misericórdia para com o seu semelhante, e roga o perdão dos seus pecados! Ele, que é apenas carne, guarda rancor, e pede a Deus que lhe seja propício! Quem, então, lhe conseguirá o perdão de seus pecados?" E o perdão que devemos ao próximo é infinito. Quando Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar, se até sete vezes (imaginando que sete vezes já seria uma boa quantia de vezes), Jesus lhe responde que deve perdoar 70 vezes 7, por dia.

Jesus nos diz que quando estivermos para levar nossa oferta ao altar - quando estamos na Santa Missa, onde ofertamos nossas vidas para se unir ao sacrifício de Jesus - devemos, antes, perdoar de todo o coração se temos algo contra alguém. Senão, a oferta de nada vale.

Há quem objete dizendo que Deus perdoa porque é perfeito e impassível. Esta objeção - e acusação, por que não - não faz sentido depois que Deus se fez homem em Nosso Senhor Jesus Cristo. Como disse acima, nossos pecados são irreparáveis. Somente Jesus, o homem perfeito podia repará-lo. Somente unindo em Sua Pessoa Deus e o homem é que o pecado podia ser tirado do mundo. Jesus conquistou o perdão de nossos pecados morrendo na cruz. Sendo santíssimo, tomou sobre si nossos pecados para aplacar a justiça de Deus. Cristo morreu por nós, pecadores. Sofreu todas as dores e humilhações em sua gloriosa Paixão e morte. O próprio Deus sofreu toda a consequência do pecado na própria carne e, do alto da cruz, perdoou a todos que faziam-no sofrer. Não mais podemos acusar a Deus de estar no alto do céu, em seu trono inatingível, exigindo de nós, míseras criaturas cheias de defeitos, que perdoemos nossos ofensores. Deus nos dá, agora, Seu Espírito para que tenhamos força para perdoar qualquer pecado cometido contra nós. Os mártires dão provas da graça de Deus agindo, quando morrem perdoando seus algozes.

Perdoar não é fácil, nós sabemos. Perdoar não é esquecer a ofensa, nem atenuá-la, nem ser conivente a injustiça. É limpar a alma do ressentimento e do ódio, despojarmo-nos de todo orgulho. É sermos "perfeitos como o Pai celeste é perfeito". É imitarmos o nosso Mestre e Senhor, Jesus Cristo. Muitas vezes sofremos danos irreparáveis, ofensas gravíssimas, que nos machucam profundamente. Mas, para nós que cremos em Deus e em Jesus Cristo, sabemos que somos fracos e que por nós mesmos nada podemos e que tudo é graça. Se temos algo contra o próximo, devemos pedir ao Pai de misericórdia para que nos conceda a graça de perdoar e que sejamos humildes e corajosos para pedirmos e darmos o perdão a nossos irmãos.




6 de dez. de 2014

As imbecilidades de Jean Wyllys nas redes sociais e seu papel de vítima

Vi, outro dia, uma postagem do deputado Jean Wyllys onde ele dizia que está sendo ofendido nas redes sociais, sendo xingado e caluniado e que ia tomar as devidas providências. Interessante posicionamento para quem atira para todos os lados nas mesmas redes sociais. Para quem acompanha um pouco do que o deputado posta na rede, fora as imbecilidades a la Marco Feliciano, percebe que o ex-BBB parlamentar é extremamente desrespeitoso com todos aqueles que discordam de sua visão de mundo: ofende, xinga, calunia. Esquece-se até mesmo do decoro que seu cargo exige. Suas postagens sobre o Papa Bento XVI, por exemplo, eram totalmente caluniosas (e sobre os evangélicos também). Chamava-o de nazista, genocida em potencial (o que, em tese, todos somos), etc. 

A esquerda reserva para si o direito de agredir. O vitimismo faz parte do pensamento de esquerda desde quando esta surgiu, na Revolução Francesa. Em nome da revolução, do progresso, vale tudo. Os revolucionários, especialmente sobre a liderança de Robespierre, guilhotinaram 32 pessoas diariamente, durante um ano e meio. Todavia, tal brutalidade era em nome do progresso. O comunismo causou a morte de 100 milhões de pessoas, porém tudo foi justificado por um pretenso bem do povo. O historiador marxista Hobsbawm disse que a morte destas 100 milhões de pessoas tinha valido a pena. Ou seja, os extermínios em massa, os laogai's, os gulag's, os deslocamentos forçados de imensa massa populacional, as fomes artificiais, os paredões de fuzilamento, tudo isto vale a pena para melhorar a vida das pessoas, o que, de resto, nem isto aconteceu. O deputado, em menor escala, age assim. Se agride, se ofende, é devido a necessidade de remover obstáculos que impedem o progresso e que devem ser retirados a qualquer custo. É um revolucionário. Se é ofendido, é vítima daqueles reacionários que querem manter o status quo. É violência. Muito típico.



16 de nov. de 2014

Impeachment de Dilma e o impeachment do Collor

Não se iludam acreditando que foram os caras-pintadas os protagonistas da queda do Collor. Isto é um mito. Collor caiu quando começou a promover a abertura econômica do país, descontentando os empresários que viviam mamando há anos no estatismo dos militares e se viram ameaçados pela concorrência dos produtos importados melhores e mais baratos. Os grupelhos de esquerda e parte da imprensa também viram nele o monstro neoliberal e comandaram os caras-pintadas e direcionaram a opinião pública. Em resumo, o que derrubou o Collor não foram as denúncias de corrupção (que perto dos escândalos dos governos petistas é brincadeira de criança). Foi o Consenso de Washington.

O PT jamais chegaria ao poder se tivesse continuado a combater o grande capital nacional. Foi preciso estabelecer esta relação promíscua com os grandes empresários e empreiteiros do país que foi demonstrada, ontem, na nova fase da Operação Lava Jato da PF. É o poder econômico do grande capital que mantém o PT no poder. O resto é retórica do Lula. Aliás, o PT segue a estratégia da Nova Esquerda mundial que não combate o capitalismo de frente, mas alia-se com os metacapitalistas para garantir interesses escusos. Burro é o PSOL.




13 de nov. de 2014

Livro O Colecionador de Lágrimas, de Augusto Cury: crítica de um leitor que gostou do livro

Provavelmente você não vai ler nem o livro, muito menos a pequena crítica que escrevi sobre ele. Caso for ler ambos, aviso que este artigo contém spoilers.

Acabei de ler o primeiro volume do livro O Colecionador de Lágrimas, de Augusto Cury. O autor é conhecidíssimo, vende livro que nem água, mas eu nunca tinha lido um livro dele. Apesar de não vir a tornar-se um clássico da literatura (longe disso), ter algumas passagens que pretendem ser profundas, mas beiram a cafonice e uma linguagem e uma narração um tanto de literatura juvenil, eu gostei do livro. É bom, prende a atenção.

Através do livro podemos conhecer um pouco o perfil psicológico de Hitler, seu modo de agir e da história do nazismo. O livro narra a vida de um psicólogo que se tornou professor de História e especializado no nazismo e na Segunda Guerra. Torna-se um grande intelectual. Passa a ter pesadelos realísticos vivenciando cenas de atrocidades cometidas pelos nazistas. Os fatos dos pesadelos tornam-se reais e ele passa a ser perseguido por nazistas, até que um grupo de cientistas e militares alemães o convidam para participar de uma experiência: viajar no tempo e mudar o rumo da História.

Particularmente, encontrei alguns furos na interpretação que o autor faz da história de Hitler e do nazismo. Por exemplo, Augusto Cury endossa o senso comum de que Hitler conquistou a Alemanha exclusivamente através da manipulação de massas e que suas ideias ganharam espaço por força da conjuntura socioeconômica que a Alemanha vivia. Esses foram elementos que contribuíram para a ascensão de Hitler, mas não foram os únicos. Parece que o autor tende excessivamente para o materialismo histórico, desconsidera o clima antissemita da Europa no século XIX e primeiras décadas do XX. Não leva em conta que a sociedade alemã respirava a filosofia do século XIX impregnada de ideias que embasaram o nazismo. Enfim, faltou um pouco de Hannah Arendt, que, de fato, não aparece nas referências bibliográficas no fim do livro.

O personagem levanta vários pontos da História que, se mudados, poderiam evitar as atrocidades do nazismo, sem que fosse preciso eliminar fisicamente a Hitler. Um deles é convencer a Polônia a entregar Danzig. O autor está convencido de que a entrega da cidade polonesa que divide a Prússia, poderia evitar a invasão da Polônia e, consequentemente, a guerra. Ledo engano. O autor não leva em conta o pangermanismo, nem as pretensões expansionistas de Hitler para alcançar o “espaço vital” para os alemães. Além disso, Hitler já tinha anexado a Áustria e os Sudetos (na Tchecoslováquia) com a anuência das grandes potências europeias, sem que isto tivesse aplacado sua sede expansionista.

Outro ponto. Cury cita o apoio de igrejas alemãs a Hitler. É verdade, infelizmente. Foi criada a Igreja do Reich formada pela maioria das igrejas protestantes. Em oposição, protestantes contrários ao nazismo criaram a Igreja Confessante. Vale fazer justiça ao episcopado católico, que em conjunto abominava o nazismo e o clero possuía poucos admiradores do regime. Mas o autor foca-se apenas nos cristãos, generaliza, e esquece-se de citar o apoio explícito de Amin al-Husseini, o Grão-Mufti de Jerusalém, ao regime de Hitler.

Para terminar, há um trecho do livro em que um dos cientistas que faz parte do projeto de viagem no tempo mostra ao professor vários artigos de civilizações antigas coletados por um comerciante que viajou no tempo por diversas épocas e povos. Diz que foram realizados testes de carbono 14 e ficou comprovada a antiguidade das peças. Aqui comete-se um equívoco (ainda que seja uma ficção): se os artigos foram trazidos diretamente da Antiguidade, não poderiam ser datados por testes de carbono 14, já que o carbono se deteriora lentamente e é o nível de deterioração que possibilita sua datação. Os artigos não “envelheceram” e, portanto, as taxas de carbono 14 teriam que ser exatamente as mesmas do período que foram fabricados. Além disso, o teste de carbono 14 só pode ser realizado em materiais orgânicos, como tecidos, por exemplo.



28 de out. de 2014

Eleições 2014: uma análise histórica da formação política do nordeste e do sudeste, suas diferenças básicas e o resultado nas urnas

Hostilizar os nordestinos pela eleição da Dilma é cair no odiendo discurso da divisão proposto pelo PT. Para compreender a cultura política do Nordeste faço uma análise histórica. As duas regiões mais antigas do Brasil, sudeste e nordeste, se desenvolveram separadas. Eram duas regiões distintas, isoladas, sem comunicação terrestre até o século XIX. Foram constituídos basicamente dois brasis. 

No Nordeste, predominou o latifúndio e a monocultura da cana-de-açúcar. Os latifúndios nordestinos, em extensão e na economia, eram verdadeiros feudos. Os senhores de engenho - mais tarde, os coronéis - tinham sob seus domínios territórios enormes (para se ter uma ideia, o território do estado da Paraíba era dividido por apenas três famílias até meados do século XX) e homens. Pela própria natureza deste sistema altamente privatista e antidemocrático, o clientelismo se instala. 

Com advento da república e a universalização do voto, os coronéis precisavam "conquistar" seu eleitorado e a maneira mais simples era continuar e aprofundar a prática do clientelismo, que, em bom português, é o "toma-lá-dá-cá", é a troca de favores. Vota-se naquele de quem se pode obter uma vantagem pessoal. Ferreira Gullar diz que o clientelismo era uma esperteza do pobre sem oportunidade. Mais que vítima, ele é cúmplice. 

Esta é, geral e basicamente, a cultura política do Nordeste. Por isso não surpreende que os beneficiados por programas sociais votem em massa naquele que o proporciona. Para o homem e a mulher simples acostumados com este sistema, não há a percepção de que os programas são de Estado ou de governo, mas de relações interpessoais. Exemplificando: a Dilma é a "coronela" e os beneficiados dos programas sociais, os clientes. Eles votam nela. Ela lhes dá algo em troca. 

Por sua vez, no princípio da colonização do sudeste também foi implantada uma economia latifundiária, mas a rápida expansão para o interior promovido pelos bandeirantes e jesuítas desmantelou o território em menores unidades, impossibilitando o domínio de estilo feudal; surgiram cidades livres do domínio de grandes proprietários; a descoberta de ouro e pedras preciosas em Minas Gerais e no Centro-Oeste estimulou uma rota de comércio do Rio Grande a Minas, o que criou uma porção da sociedade cuja riqueza não dependia da terra. Em Minas, Rio de São Paulo, o ideário liberal de matriz europeia se expande nas classes dos comerciantes e profissionais liberais.

Os latifúndios só começaram a ter força a partir do século XIX com a cultura do café, porém dois fatores fizeram com que o clientelismo tivesse menor impacto: a escravidão e a imigração. A república surge - e com ela a necessidade do voto das camadas baixas da sociedade - quando a imigração europeia já alcança o auge na região sudeste. Os imigrantes trazem novas ideias, influenciados mais ou menos pelos conceitos de democracia e igualdade social da Europa. Possuem tradição e cultura política forjadas por séculos. Seus pais foram servos nos campos europeus, eles não serão nos do Brasil. Muitos deles, rapidamente passam da condição de empregados a senhores. Preferem as associações de ajuda mútua a depender de particulares e do Estado. 

Em resumo e generalizando, o Nordeste - pelo menos o Nordeste "profundo" - tradicional e historicamente possui menos afeição à democracia e ao espírito público e do bem comum. O Sudeste, por sua vez, é política e economicamente mais liberal e, consequentemente, mais democrático.





6 de out. de 2014

A tolerância dos intolerantes: as ciências, Galileu Galilei, Levy Fidelix e o patrulhamento ideológico dos gays

Coloquei esta foto que tirei do sepulcro de Galileu Galilei, na Basílica da Santa Cruz, em Florença, para ilustrar uma pequena e imperfeita comparação. A comparação a seguir é quase incabível porque os elementos a ser comparados distam em grandeza e respeito como o céu da terra. Vamos a ela. 

Galileu é lembrado como o cientista injustiçado condenado pela Igreja obscurantista e anticientífica. Galileu defendeu o modelo heliocêntrico, não conseguiu provas científicas cabais para embasar sua teoria e tentou usar a teologia e a Bíblia para isso. Acabou condenado pelo Santo Ofício. Hoje sabemos que Galileu estava certo. Hoje. Suas teorias foram empiricamente comprovadas no século XIX. Mesmo assim a Igreja é acusada até hoje de não ter aceitado o óbvio, fatos científicos concretos. 

Aí chega o século XXI, alguém diz que duas pessoas do mesmo sexo não podem gerar filhos e que o ânus não faz parte do aparelho reprodutor. Alguma objeção do mais ignorante dos biólogos? Mas grupos ficam indignados, organizam-se protestos, querem cassá-lo, querem processá-lo e há quem defenda sua prisão. E estes são a vanguarda, os ditos progressistas.




11 de set. de 2014

O racismo sofrido pelo goleiro Aranha e a tentativa imbecil de transformar o caso numa disputa ideológica entre direita e esquerda

Venho observando as reações sobre o caso de racismo envolvendo o goleiro Aranha. Não dei palpite (bastante irrelevante e sem repercussão como tudo o que escrevo aqui) sobre o caso. Mas vamos lá. O racismo é algo terrível, injusto, incompreensível, irracional e anticristão. Não é um crime menor. Não é justificável. É desproporcional o tratamento dado pela população à moça que o xingou de macaco? Sim. Aqueles que a ofenderam profundamente descem ao mesmo nível dela. Num país regido por leis, não deve existir linchamentos físicos ou morais. É desmedida a punição ao Grêmio? Não sei. O que sei é que o racismo grassa no futebol sem vermos nenhuma ou quase nenhuma punição exemplar.

Há muitos preconceituosos de todos os matizes que usam o discurso contrário ao patrulhamento politicamente correto para disseminar seus preconceitos. Há quem esconda por trás de um "defensor da família", um homofóbico puro (sim, eles existem). Assim, muitos racistas enrustidos saíram da casinha usando o caso para denunciar a luta de classes insuflada na sociedade. Como anda costumeiro no Brasil nos últimos anos (graças, diga-se, a certa instigação governamental) todo assunto que surge no país, da merda à bomba atômica, transforma-se numa batalha da Guerra Fria. Abandonemos este maniqueísmo Direita-Esquerda. Há quem careça de uma leitura do pensador católico Gustavo Corção para entender algumas coisas.

Interessante é a tentativa de transformar a vítima em algoz. O Aranha disse em entrevista que perdoa a gaúcha, mas recusa a encontrar-se com ela para uma reconciliação em rede nacional. Negou fazer parte desta teatralização promovida pelo advogado da moça e disse que ela deve ser punida pela justiça. Fez bem. Mas bastou para ser acusado de insensível, de desalmado, de rancoroso. E mais uma vez, atos de racismo são tratados como crimes menores.

Vi coisas absurdas e imbecis, como um texto do Danilo Gentili compartilhado pela "direita". O texto do Danilo não é especificamente sobre o caso do Aranha, mas diz que a todo o momento ele é zoado por causa da cor da pele dele. Por ser muito branco é chamado de palmito o tempo todo e que ninguém se importa tanto quanto se ofendessem um negro pela cor da pele. Argumento fraco. Não cabe a comparação. Não foram os africanos que impuseram sobre si mesmos o "fardo do homem negro" e saíram colonizando e pondo sob sua tutela povos que consideravam inferiores; não foram os negros que criaram uma hierarquia racial pretensamente científica; não foram os negros que tentaram produzir uma raça pura; não foram os brancos que carregaram o estigma da escravidão contemporânea justificada por aspectos raciais.

A torcedora gremista sofre da Síndrome do Vanderney. Para quem não se lembra, Vanderney era um personagem do Casseta e Planeta que vivia na sauna gay abraçado com um peludão, mas afirmava categoricamente que não era gay. Ela afirma que não é racista, mas ofendeu um negro naquilo que mais dói, na dignidade humana. Não é coisa do calor do jogo. Ela e os demais envolvidos no caso devem ser punidos conforme o rigor da lei. Não cabe a bobagem de comparar o Zé Genoino fora da cadeia e a moça correndo o risco de ir para lá. Não é simples ofensa verbal. Não é um xingamento qualquer. Chamar um negro de macaco significa menosprezá-lo em sua humanidade, considerá-lo um passo atrás na linha evolutiva, um semi-humano. É racismo puro e clássico.



9 de set. de 2014

Porque Pastor Everaldo não tem apoio dos evangélicos

Há quem analise o peso dos evangélicos nas eleições somente sob a ótica do preconceito considerando-os simples vaquinhas de presépio, prontas para votar em quem o pastor indicar e as igrejas se teriam se tornado novos currais eleitorais. Pela própria essência das igrejas evangélicas as coisas são um pouco mais complexas. As igrejas funcionam bem quando pretendem eleger determinado candidato ao legislativo. Estes candidatos precisam de menor número de votos para se elegerem. Mas a indicação da igreja ou do pastor não é determinante. Basta ver a relação entre o número de fieis daquela igreja e dos votos obtidos pelo candidato. Além disso, votar em alguém cujo eleitor se sinta representado e comungue das mesmas ideias é parte natural do processo democrático. 

Voltemos à essência das igrejas evangélicas: temos este ano um candidato a presidente genuinamente evangélico: Pastor Everaldo. O candidato tem, segundo as pesquisas eleitorais, entre 1 e 3% das intenções de votos numa população composta por 25% de evangélicos. É desproporcional? Não, se entendermos que não existe uma Igreja Evangélica. O que existe são milhares de denominações evangélicas, algumas com diferenças profundas, inclusive políticas. Ao contrário do que certos analistas pensam, não há uma unidade evangélica que possa eleger um candidato a cargos de governador ou presidente. Seria preciso uma aliança política gigantesca - e inimaginável - entre as igrejas para que se conseguisse eleger alguém somente pelo mando de pastores.



2 de set. de 2014

Pequena História do Estado laico

Com as eleições, vem à tona o tema do Estado laico - este curral de gente - como se estivesse sendo ameaçado no Brasil. Mas o que está sendo ameaçada é a democracia por aqueles que não toleram ideias divergentes mesmo que elas tenham origem na religião, fonte de conceitos tão legítima como qualquer outra. É engraçado ver certos candidatos defenderem, ao mesmo tempo, o Estado laico e os terroristas do Hamas.

Em resumo, Estado laico é aquele que não tem religião oficial, não se imiscui em assuntos religiosos e possui esferas civis e religiosas distintamente separadas. Contudo, Estado laico não é sinônimo de tolerância religiosa, assim como Estado confessional não o é de intolerância. Os países escandinavos e a Grã-Bretanha, por exemplo, são Estados confessionais onde há liberdade religiosa e de culto. Por isso, o conceito de Estado laico não garante, por si só, a tolerância religiosa e a liberdade de culto, nem por parte das religiões, nem por parte do próprio Estado. Na verdade, o Estado laico só é possível quando as forças religiosas e não-religiosas se equilibram e se anulam e não podem impor-se uma sobre as outras.

A principal característica do Estado laico é a separação entre os poderes civis e religiosos. Esta separação, historicamente, foi uma conquista da Igreja católica. O Estado laico, como o conhecemos hoje, está na base das ideias liberais e teve duas concepções: a dos Pais fundadores dos EUA e a dos jacobinos franceses. A primeira preconiza a neutralidade do Estado diante da religião, garantindo a liberdade religiosa; a segunda, pretende eliminar, restringir e/ou controlar as práticas religiosas. 

A França tornou-se um Estado laico após a Revolução de 1789. Mas, ao contrário dos EUA - principalmente pelas diferenças marcantes da evolução histórica da religião e de suas interações sociais e políticas nos dois países -, o Estado procurou limitar, controlar e banir a religião, sobretudo o catolicismo. Com a Constituição Civil do Clero, procurou-se criar uma igreja estatal e transformar os sacerdotes em funcionários do governo. Aboliu-se as ordens religiosas sob o argumento de atentarem contra a liberdade individual. A religião era expulsa dos espaços públicos. A minoria aderiu. Quem não aderiu acabou no exílio ou na guilhotina. O modelo jacobino de Estado laico espalhou-se pela Europa e América, tendo como agente propagador as lojas maçônicas. 

A medida que as revoluções liberais saíam vencedoras nos países do Ocidente, o Estado se laicizava e tomava a França revolucionária por modelo. Assim aconteceu na Itália unificada sob Vitorio Emanuel II, nas repúblicas portuguesa e espanhola (sobretudo na Segunda República) e em alguns países da América Latina, com especial violência no México após a revolução de 1917. O Estado, então, passava a controlar a religião através de agentes públicos, limitando o número de membros do clero, eliminando sinais e celebrações religiosas em espaços públicos, proibindo o uso dos trajes eclesiásticos, abolindo o domingo e feriados religiosos. O Estado laico sadio e tolerável como vemos hoje na Europa e na América é fruto da resistência católica. Não aceitando submeter-se ao Estado, lutando pela sua liberdade e seus direitos - em alguns casos, de arma em punho, como fizeram os cristeros no México - e usando as vias diplomáticas e políticas, os católicos conseguiram colocar os Estados laicos em seus devidos lugares e garantir liberdade religiosa e de culto para todos, inclusive para aqueles que colaboraram com a tentativa estatal de eliminar a Igreja católica ou nada fizeram, esperando a hora de avançar sobre os despojos católicos. Com o advento da República, o Brasil adotou o modelo norte-americano de Estado laico. Quando vemos ferrenhas defesas do Estado laico por parte de certos segmentos político-ideológicos, na verdade, o que defendem é a implantação do modelo jacobino.

Por trás da defesa do Estado laico se esconde, muitas vezes, a intenção de se implantar o ateísmo de Estado. Um Estado ateu abdica de sua neutralidade em assuntos religiosos e, por isso, deixa de ser laico. Passa a privilegiar o ateísmo promovendo-o através da propaganda e da educação estatais. Adota métodos coercitivos e violentos na erradicação de qualquer religião; proíbe as práticas religiosas, mesmo as privadas; estatiza-se templos, escolas e universidade confessionais; persegue-se líderes e fieis religiosos; atenta contra a liberdade de expressão e de consciência; enfim, a prática religiosa passa a ser um crime. Muitos Estados comunistas, como a Albânia, Coreia do Norte e Cuba, adotaram o ateísmo de Estado. Porém, mesmo naqueles Estados comunistas que não o adotaram oficialmente (como a URSS, por exemplo), pela própria natureza antirreligiosa e ateia do marxismo, promoveram o ateísmo e perseguiram implacavelmente a religião. Não por acaso o século XX foi o século dos mártires e milhões de pessoas foram mortas exclusivamente por causa da fé que professavam. Portanto, precisamos dar atenção às discussões sobre o Estado laico, principalmente nas campanhas eleitorais, e discernirmos se a defesa é de uma laicidade sadia ou há um ódio camuflado pela religião que pode transformar-se em perseguição ou limitação da liberdade religiosa.








29 de ago. de 2014

A virgindade perpétua de Maria desmascarada pelo Missionário R. R. Soares. Será?

Outro dia, vi o missionário R.R. Soares comprovar, na Bíblia, que a virgindade perpétua de Maria é uma farsa. Os versículos que comprovariam mais esta mentira católica se encontram em Mateus 1,24-25:

"José, ao despertar do sono, agiu conforme o anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher. Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho."

R.R. Soares afirmou que a preposição ATÉ indica que José e Maria não tiveram relações sexuais antes de Jesus nascer, mas tiveram depois. Sendo assim, pergunto ao missionário: quantos filhos teve Micol, mulher de Davi, depois que ela morreu? 

"E Micol, filha de Saul, não teve filhos ATÉ o dia de sua morte" (II Samuel 6, 23).




25 de ago. de 2014

"Apóstolo" Valdemiro Santiago diz que Fausto Fanti morreu porque o satirizava

Acabei de ver em seu interminável programa de TV o "apóstolo" Valdemiro Santiago afirmar que o humorista Fausto Fanti morreu porque o imitava, o ridicularizava quando interpretava o personagem Valdemijo Santiago. E mentiu, dizendo que o humorista teve um infarto no momento que fazia a imitação, quando, na verdade, o membro do Hermes e Renato cometeu suicídio. 

Lembrei, imediatamente, de São Genésio (cuja festa comemoramos hoje). São Genésio era um ator romano que satirizava o modo de vida e os ritos dos cristãos. Durante uma apresentação para o imperador Dioclesiano, foi tocado pela graça de Deus e se converteu. Todos pensavam que ele estava brincando, mas a coisa era séria. Comparando os casos, há duas teorias: ou o deus que Valdemiro acredita não é o mesmo Deus, ou Deus vem perdendo o senso de humor nestes dois mil anos. Fico com a primeira hipótese.





22 de jul. de 2014

ATEA: um desserviço aos ateus e agnósticos

A ATEA é uma vergonha para os ateus e agnósticos, para todos os ateus e agnósticos sérios e inteligentes que brilharam e brilham em tantas áreas do conhecimento e com os quais aprendo e admiro sinceramente. Os "ateus clássicos" devem revirar-se nas sepulturas com a existência de uma associação que pretende reunir os ateus brasileiros e assume simplesmente a polêmica, a superficialidade e a desonestidade intelectual. Dias desses, fizeram um post que mostrava um jogador brasileiro ajoelhado e rezando e um jogador alemão vibrando. A legenda era a seguinte: a fraqueza da fé e a força do trabalho. Em primeiro lugar, a imagem lembrava - e muito - os cartazes de propaganda nazista e era uma mentira, posto que há na seleção alemã muitos jogadores religiosos. 

Esta postagem sobre a Bíblia no perfil da ATEA no Facebook, por exemplo:


Há outras semelhantes. Demonstra claramente que o autor desconhece completamente a Bíblia, a sua história, a sua linguagem, a sua formação. Jamais a estudou. Desconhece o objeto de estudo que quer detratar. Trata o assunto de maneira anticientífica e preconceituosa. Não conhece exegese e hermenêutica e, aparentemente, nem a diferença entre sentenças apodíticas e casuísticas, princípio básico para se entender o Pentateuco. Serve à superficialidade das redes sociais, joga para a torcida, mas seu efeito é inócuo. Talvez desconheçam seus correligionários: Spinosa (se é que era de fato ateu) e os racionalistas do século XIX, estes sim, inimigos mordazes das Sagradas Escrituras. Seus estudos são pertinentes. Como bom católico, conheço estes trabalhos e também conheço a Bíblia. Talvez o problema resida justamente aí. Os "ateus clássicos" eram espíritos livres. Quando se pretende institucionalizar o ateísmo, dando-lhe ares de religião com todas as suas estruturas, há sempre o risco de degenerar-se em dois vícios presentes em alguns membros de qualquer religião: o fanatismo e a irracionalidade.




3 de jul. de 2014

Ministério da Justiça quer censurar a novela Meu Pedacinho de Chão

O Ministério da Justiça está de olho na novela das seis Meu Pedacinho de Chão. Ameaça censurá-la, diz que está sendo inadequada para as crianças. Tem lógica: onde já se viu uma novela onde há famílias estruturadas, onde mulher beija homem, onde ninguém adultera, onde há uma escola, uma igreja, um posto de saúde; onde há um médico, um padre, uma professora. Onde os personagens constantemente fazem orações e há símbolos religiosos em todas as casas. Valores contrários a intelligentsia tem que sofrer censura mesmo.



13 de jun. de 2014

Dilma é xingada na abertura da Copa e se faz de vítima relembrando a ditadura. O que tem a ver o cu com as calças?

Há um episódio de As Meninas Superpoderosas onde um grupo de ativistas protetores dos animais resolve proteger, a todo o custo, o Macaco Louco. Quando ele toma um cacete das meninas, logo aparece o grupo fazendo estardalhaço e vociferando que o coitadinho está sendo maltratado. 

Ele, então, passa a aprontar de tudo e, quando vai tomar a costumeira surra, faz cara de coitado e grita que está sendo oprimido. Rapidamente aparece o grupo de ativistas para protegê-lo, acusar as meninas e jogar a opinião pública contra elas. Em nossos dias é tão comum esta estratégia. Ela é bastante usada, por exemplo, pelos defensores de movimentos sociais criminosos e dos baderneiros e bandidos das manifestações. 

A Dilma também a utilizou hoje se fazendo de vítima ao referir-se aos xingamentos dirigidos à ela na abertura da Copa. Relacionou os xingamentos com as pretensas torturas que teria sofrido durante a ditadura. Aproveitando o tema do xingamento, pergunto: o que tem o cu a ver com as calças? É a síndrome do Macaco Louco.

Outra coisa que não entendo: por que uma cambada de universitários costurando a vagina de uma menina num evento chamado Xereca Satanik, um evento anual que reúne milhares de bichas fazendo sexo em plena rua, um bando de mulheres com tetas horrorosas protestando contra ou a favor de alguma coisa que não faz sentido e uma cambada de maconheiro em marcha são considerados progressistas e revolucionários enquanto milhares de cidadãos mandando a presidAnta tomar no cu é coisa de elitista reacionário, é uma obscenidade "imprópria para crianças e famílias ouvirem"?


9 de jun. de 2014

Patrícia Abravanel discute religião e fala asneira: "A África não se desenvolve por que é muito 'mística'"

Neste domingo, durante o Programa Sílvio Santos, a Patrícia Abravanel soltou, ou melhor, reproduziu uma bela asneira. Creio que ninguém, assiste ao Programa Sílvio Santos esperando por um papo-cabeça. O programa é tipicamente de entretenimento, cheio de baboseira e eu gosto de assistir por isso. Mas o problema é quando se quer falar sério e o que se ouve é um zurro em alto e bom som. Tudo começou quando a Lívia Andrade, que é adepta de religiões afro-brasileiras, disse que pratica uma verdadeira mistureba de religiões. Então, Patrícia interveio com a malfadada teoria carregada de ignorância, preconceito, calvinismo de quinta categoria e uma leitura rápida da orelha de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber. 

A filha do dono disse: "Existe países que são mais místicos, como os da África, por exemplo, onde as pessoas não pensam em trabalhar e por causa disso não se desenvolvem. E há países protestantes, como os EUA, onde as pessoas pensam em trabalhar e cuidar da família e o país se desenvolve por causa disso". Patrícia Abravanel não conhece a História, nem da África, nem dos EUA. Reduziu todo o complexo problema historico-socio-econômico a um simples aspecto religioso. Tese do proselitismo barato do protestantismo norte-americano, cuja imagem clássica que faz de seus vizinhos latino-americanos é do homem dormindo com um chapéu cobrindo a cara em frente a uma igreja. Aliás, é muito comum vermos reduzir-se ao elemento religioso a causa de diferentes níveis de desenvolvimento dos países. Os ateus também fazem este proselitismo rasteiro, afirmando que países menos religiosos são mais desenvolvidos. 

Patrícia esqueceu dos milhares de escravos negros que construíram a América, submetidos a escravidão mais brutal do continente, onde os escravos eram totalmente despersonalizados, passavam por verdadeiras lavagens cerebrais, a ponto de a cultura e a religião genuinamente africanas nos EUA terem sido praticamente extintas, ao contrário do que aconteceu nos países católicos latino-americanos, mais tolerantes. Patrícia deve ter comprado a ideia do Destino Manifesto quando estava aprendendo a ser pastora nos EUA. 

Patrícia não leva em conta que a África é um continente com países bastante diferentes entre si e com níveis de desenvolvimento diversos. Não leva em conta sua História repleta de impérios e reinos pujantes. Não leva em conta que a África foi partilhada por aqueles que, como ela, acreditavam no fardo do homem branco. Patrícia desconhece os processos de colonização e descolonização do continente africano, com suas lutas, guerras, ganâncias, genocídios e, é claro, seus aspectos religiosos, que são importantes, como em qualquer sociedade, mas não determinam, sozinhos, a formação e desenvolvimento das nações. Patrícia é patricinha. Não deveriam falar muito de África nos colégios da Suíça e dos EUA. Desconhece a África, pessoalmente e à distância. Vai estudar, Patrícia!








31 de mai. de 2014

A Bíblia confirma: Maria, Mãe de Deus

Hoje, dia 31 de maio, comemora-se a festa da visitação de Nossa Senhora. A Virgem Santíssima, ao ser informada pelo arcanjo Gabriel que Isabel estava grávida, partiu para a Judeia pra ajudá-la. A leitura do evangelho da Missa de hoje (Lc. 1, 39-56), que conta este encontro, traz elementos importantes, como a analogia entre Maria e a Arca da Aliança, mas por ora quero me deter na base bíblica do dogma da maternidade divina de Maria.

De todos os dogmas relacionados à Nossa Senhora, talvez nenhum outro seja tão explícito na Bíblia quanto ao da maternidade divina. Maria, chegando na casa de Zacarias, ao cumprimentar Isabel, esta ficou cheia do Espírito Santo e exclamou: "Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?" (Lc. 1, 42-43).

Detenhamo-nos na expressão: a mãe do meu Senhor. Meu Senhor era uma das formas que os judeus chamavam a Deus, posto que a Lei proibia que se pronunciasse o nome de Deus, Yahweh. Então, por todo o Antigo Testamento, o nome de Deus era substituído pela palavra hebraica Adonai, que significa Meu Senhor. Quando a Bíblia hebraica (Antigo Testamento) foi traduzida para o grego (na chamada Septuaginta), o nome de Deus foi traduzido como κύριος (Senhor, pronuncia-se kyrios).

Pois bem, Lucas escreveu o evangelho em grego e conta que, Isabel, cheia do Espirito Santo e, portanto, inspirada por Ele, chama à Virgem Maria de "a mãe do meu Senhor" (no evangelho em grego: μήτηρ τοῦ κυρίου μου), ou seja, a mãe de Deus, já que, para a mãe de João Batista, judia, chamar o filho que Maria traz no ventre de "meu Senhor" equivale a chamá-lo "Adonai" e que Lucas traduz para o grego como kyrios, termos usados para designar, na Bíblia hebraica e grega, respectivamente, o nome de Deus. Portanto, a maternidade divina de Maria é claramente encontrada na Bíblia, que não pode, de forma alguma, ser negligenciada. Talvez, por isso, os primeiros reformadores protestantes defenderam que Maria era e deveria ser considerada a Mãe de Deus.


20 de mai. de 2014

Liberdade e verdade: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"

Hoje em dia, liberdade é um dos conceitos da moda, seguido de perto ou emparelhado com o conceito de felicidade. Mas o que é liberdade? Defende-se que liberdade é fazer o que se quer. Mas é exatamente o contrário. Liberdade é fazer o que não se quer. Ninguém é livre para sentir fome ou sede. Somos livres, pois, quando renunciamos à comida ou à bebida. A liberdade está na renúncia. Considerar-se livre por ser arrastado pelos instintos mais primitivos seria como sentir-se livre por estar preso no solo pela força da gravidade ou por ser arrastado pela correnteza de um rio, quando, na verdade, livre é aquele que alça voo ou nada contra a corrente. 

Alguém poderia objetar: "Mas somos livres para fazer escolhas. Podemos escolher, por exemplo, entre comer ou não comer e nisso consiste a liberdade". Na verdade, esse seria o livre arbítrio, o poder de tomar livremente decisões, mas não é a liberdade. A liberdade ou a falta dela são consequências do livre arbítrio. Livremente, podemos ou não nos submetermos a algo que nos escravize, mas não podemos chamar tal escravidão de liberdade. Vejamos o exemplo de Adão e Eva: livremente escolheram desobedecer a Deus e comer do fruto proibido. Como consequência, perderam o estado de justiça e santidade. Perderam o paraíso. E não podemos dizer que se tornaram mais livres, muito pelo contrário. 

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", disse Jesus. E o que é a verdade? A verdade tem um rosto, é uma pessoa: Jesus Cristo. Somente Ele pode nos dar a verdadeira liberdade - a liberdade dos filhos de Deus -, nos tornar livres do homem velho, das tendências da carne que nos prendem à terra. Em Cristo, somos livres dos modismos, dos apelos comerciais, das pressões ideológicas. Somente em Cristo podemos sair de nós mesmos, nos libertar do poder do Mal e da morte, nos libertar dos pecados que nos afastam do que somos: imagem e semelhança de Deus. 


13 de mai. de 2014

A herança de Jesus: Eucaristia e Nossa Senhora


















Os últimos atos e as últimas palavras de Jesus, antes de sua morte, constituem uma espécie de testamento. Os "bens" mais preciosos que Jesus nos deixou foram: a Eucaristia, o dom de Seu corpo e de Seu sangue dado como alimento na Última Ceia; e, no alto da cruz, naquele esforço enorme que o crucificado tinha que fazer para falar, nos entrega, na pessoa do discípulo amado, Sua Mãe Santíssima, para que nos acompanhe em nossa caminhada cristã. Portanto, a Eucaristia e Nossa Senhora são os dons mais preciosos que Jesus nos deixou. O cristão que rejeita esta "herança" deixada por Jesus continua cristão, mas certamente é um cristão mais pobre.



27 de abr. de 2014

Oscar Schmidt adorou o Papa Francisco ao ajoelhar-se diante dele? A Bíblia responde.

É coisa antiga, mas só vi agora. Quando o Santo Padre esteve no Brasil por ocasião da JMJ, Oscar Schmidt encontrou-se com ele e - como deve ser - ajoelhou-se diante do Papa. Isto eu vi. O que eu não tinha visto era a acusação (velhíssima, por sinal) de que o ex-jogador de basquete tinha "adorado" o Papa. Acusação feita por aqueles que julgam - e gabam-se de - conhecer a Bíblia de trás pra frente. Será que ajoelhar-se, prostrar-se diante de alguém é adorá-lo? 

Só vou dar um exemplo porque a hora já vai adiantada e eu estou com sono. Em diversas passagens da Bíblia, aparecem pessoas prostrando-se diante de outras pessoas em sinal, por diversos motivos, de reverência e respeito. Vamos a um trecho que relata o reencontro de Jacó com seu irmão Esaú:

"E ele, passando adiante, prostrou-se até a terra sete vezes antes de se aproximar do seu irmão." (Gênesis 33,3) 

Na Septuaginta (versão grega) temos: 

αὐτὸς δὲ προῆλθεν ἔμπροσθεν αὐτῶν καὶ προσεκύνησεν ἐπὶ τὴν γῆν ἑπτάκις ἕως τοῦ ἐγγίσαι τοῦ ἀδελφοῦ αὐτοῦ

O verbo "prostrar" é traduzido a partir do verbo grego προσκυνέω (pronuncia-se proskynós) que significa reverenciar, adorar. Não me parece que Jacó adorou seu irmão como se adora a Deus. Na mesma cena, as mulheres de Jacó, seus filhos e servas também "adoram" Esaú. 

A tradução latina (Vulgata) é ainda mais descarada: 

Et ipse prægrediens adoravit pronus in terram septies donec adpropinquaret frater ejus.

Mas alguém poderia objetar: "Ah, mas o Antigo Testamento foi escrito em hebraico, não em grego, muito menos em latim!". Pois temos o hebraico também: 

והוא עבר לפניהם וישתחו ארצה שבע פעמים עד גשתו עד אחיו

(וישתחו = adorou) 

Com efeito, o verbo προσκυνέω também é usado quando se trata da adoração exclusiva a Deus, como nesta passagem: 

"Samuel voltou, pois, com o rei, e este adorou o Senhor." (I Samuel 15, 31)

Na Septuaginta: 

καὶ ἀνέστρεψεν Σαμουηλ ὀπίσω Σαουλ καὶ προσεκύνησεν τῷ κυρίῳ

Na Vulgata:

Reversus ergo Samuhel secutus est Saulem et adoravit Saul Dominum

No hebraico:

וישב שמואל אחרי שאול וישתחו שאול ליהוה

(וישתחו = adorou)

Portanto, a Bíblia (em sua língua original e nas mais antigas versões grega e latina) não tem palavras distintas para o ato de adorar a Deus e para o de reverenciar alguém. Se a própria Bíblia - e não podemos negligenciá-la - traz o mesmo termo sem que haja nenhuma dúvida ou confusão relativas à diferença entre a adoração devida somente a Deus e a reverência profunda expressa pelo corpo no ato de prostrar-se, por que acusar o nosso querido Oscar - e a tantos católicos - de idolatria quando se reverencia através da expressão corporal (prostrando-se ou ajoelhando-se) a quem merece tal reverência, seja ele um sucessor dos apóstolos ou um santo? Quem acusa um católico por isso está acusando a própria Bíblia.


22 de abr. de 2014

Disse Ziraldo: "As ideologias da esquerda não são naturais". Eis uma verdade!

"O socialismo, o comunismo é um fracasso porque não é natural. A esquerda não é natural, é uma tentativa de racionalização, mas não é natural. Os valores defendidos pela direita, estes sim, são naturais." Disse Ziraldo, ontem, no É Notícia da RedeTV!. É verdade. É exatamente isso que afirmaram os Papas desde Pio IX. Nada que seja natural precisa ser imposto por revoluções. O que é natural se impõe por si próprio porque é a verdade. 

Dois exemplos de causas defendidas pelas esquerdas ilustram bem isso: casamento gay e aborto. Veja a dificuldade em convencer que ambos são "direitos", são coisas normais. Elaboram-se verdadeiros tratados para defender o indefensável. "O excesso de argumento prejudica a causa", já dizia Hegel. E por que este excesso? Simplesmente porque é óbvio (justamente porque é natural) convencer-se que um casamento faz-se entre um homem e uma mulher e que o direito à vida é inalienável desde a concepção. Mas há quem sofra da Síndrome do Kiko e continue a afirmar com todas as forças que existe bola quadrada.




20 de abr. de 2014

Ó morte, onde está sua vitória?


Jesus ressuscitou verdadeiramente, Aleluia! O mal e a morte não possuem a última palavra.
"Onde está Deus?", costumam perguntar, geralmente, aqueles que não creem em Deus quando se encontram diante dos males do mundo. Esta pergunta ecoa através da História: por que os inocentes sofrem se há um Deus que é amor e bondade? A resposta foi dada na cruz. O maior crime que a humanidade cometeu até hoje não foi o holocausto dos judeus, nem as grandes guerras ou os ataques nucleares. Foi a crucificação do Filho de Deus. 
Deus, não podendo dar mais, deu-se a si mesmo em Jesus Cristo. Ele, sendo santíssimo e inocente, sofreu toda a maldade que a humanidade é capaz de realizar para poder resgatar esta mesma humanidade perdida em seus males. Deus não se alegra com o sofrimento dos bons, mas agora os sofrimentos que são causados, direta ou indiretamente, pelos pecados próprios ou de outros, se unido à cruz de Cristo, é motivo de salvação. 
Todos, de uma forma ou outra, sofremos ou sofreremos, pois nossa natureza humana está ferida e nem Deus pode suprimir a liberdade humana para impedir que o homem faça o mal. Mas Jesus Cristo ressuscitou, venceu o Maligno e suas obras, venceu a morte. O mal e a morte não têm a última palavra da História. Os sofrimentos não são inúteis se vivemos unidos a Cristo, nossa esperança. "Se morremos com Ele, com Ele ressuscitaremos". Basta acreditarmos. Basta amarmos a Deus de todo o coração e n'Ele esperarmos.