25 de jun. de 2009

Idade das Trevas - A Mulher na Idade Média

O total desrespeito e opressão às mulheres é uma das lendas sobre a Idade Média. Nada mais falso. Além de a mulher ter tido uma liberdade verdadeira, comparada somente com nossa época, foi na Idade Média que o modo de os homens tratarem às mulheres ganhou mais delicadeza. Basta dizer que é dessa época que surgiu o termo cavalheiro, cujas regras englobam o trato com as mulheres. 

Mas, vemos artigos e livros, pretensamente históricos, principalmente escritos por historiadoras feministas (aliás, mais feministas que historiadoras), como Maria do Amparo Tavares Maleval, por exemplo, cheios de jargões feministas, que pinçam entre os escritos medievais, textos (fora de contexto muitas vezes) para provar uma misoginia medieval, uma perseguição às mulheres. E, como não pode faltar, tudo patrocinado pela Igreja, é óbvio. É na Idade Média que surge o amor cortês, cujo centro é a mulher. Vejamos uma dessas canções do século XII:

Nem por trabalho nem por pena
Nem por dor que tenha 
Nem por ira dolorosa
Nem por mal que sofra
Jamais abandonarei

A minha dama um só dia.

Senhora, de todas a única
Bela e boa, justamente louvada.
Belo prazer, a quem não ouso dar nome.

Senhora, de quem não ouso dizer o nome,
Na qual todas as virtudes se confundem
De cortesia tendes fama
E de valor admirada.

Obra de Deus, digna, louvada
Mais do que qualquer pessoa
De todos os bens e virtudes dotada
Quer de espírito como de caráter.

(PERNOUD, Régine. Luz sobre a Idade Média. Publicações Europa-América. Lisboa, 1997, p. 117)

Agora, vejamos uma canção dedicada às mulheres no século XX/XXI:

Olha a cachorra!!
Deixa a cachorra passar (Ela quer rebolar!)
Deixa a cachorra passar (Chama ela pra cá!)
Deixa a cachorra passar (Ela quer provocar!)

Mexe o bumbum, mexe o bumbum mexe e vem pra cá
Ela anda rebolando
Ela só quer te provocar

Não é tchutchuca e nem gatinha, é uma cachorra
Em todo o canto da cidade ela tá sempre por aí
É só olhar na cara dela ela só falta latir
É meia-noite é meio-dia ela nunca quer saber
Mexe o bumbum a toda a hora e me faz enlouquecer

Eu to mordido eu to bolado mesmo sendo o Tigrão
Vem latir no meu colinho que eu já vou te dar pressão
...
Deixa a cachorra passar (Ela quer rebolar!)
Deixa a cachorra passar (Chama ela pra cá!)
Deixa a cachorra passar (Ela quer provocar!)
Mexe o bumbum, mexe o bumbum, e vem pra cá!

Academia, malhação, ta posando um avião
Marquinha de biquini que dispara o coração
Não adinta disfarçar, todo mundo quer pegar
Senta aí,fica ligado que o tigrão vai te ensinar
Vou prender numa coleira, dar pressão a noite inteira

A cachorra quer brincar, vou chamar ela pra cá
Tá com o rabo balançando, tá querendo provocar
Pra lá, pra cá

Deixa a cachorra passar (ela quer rebolar) 
Deixa a cachorra passar (chama ela pra cá)
Deixa a cachorra passar (ela quer provocar)
Então maxe o bumbum, mexe o bumbum, e vem pra cá

(Bonde do Tigrão)

Esta é só uma das várias músicas que denigrem a mulher. E não apenas no funk carioca. Há músicas sertanejas, pagodes, músicas de axé, ou seja, dos mais variados estilos e ritmos, que coisificam a mulher. E não é um fenômeno somente brasileiro. Assim é tratada a mulher no Ocidente. Se os historiadores forem “seletivos” na coleta de material para as pesquisas sobre nossa época, qual será a conclusão sobre a condição das mulheres e o tratamento dado a elas?



18 de jun. de 2009

As origens da igreja anglicana - Parte I

São José de Arimateia
Aproveitando o comentário do Alex e a entrevista do reverendo Aldo, desmitificarei algumas afirmações sobre o anglicanismo. De fato, provavelmente o cristianismo esteja presente nas ilhas britânicas desde os primeiros séculos de nossa era, levado pelos soldados romanos. Não sabemos se as lendas surgidas nas novelas arturianas sobre José de Arimateia ter pregado o evangelho nas ilhas britânicas tenha algum fundamento. Diz a lenda que ele fundou a primeira igreja em solo britânico, em Glastonbury Tor, aonde mais tarde surgiu uma abadia que foi fechada por Henrique VIII no ano de 1539.
..
Após a queda do Império Romano no Ocidente (lembrando que a primeira província romana que os romanos perderam foi a Britânia), os anglos, saxões e jutos invadiram e devastaram a ilha, quase acabando com os cristãos que estavam ali. São Columbano e os missionários irlandeses foram quem começaram a re-evangelizar a Grã-Bretanha dividida agora em vários pequenos reinos bárbaros.
Ruínas do mosteiro de Glastonbury
...
Em 596, Santo Agostinho da Cantuária e mais quarenta monges beneditinos são enviados pelo Papa São Gregório Magno para evangelizar a Angland. Graças à princesa Berta, filha do rei de Paris, cristã e esposa do rei Etelberto de Kent, Santo Agostinho teve êxito em sua missão. Funda a diocese de Cantuária e é nomeado arcebispo primaz da Inglaterra. Mais tarde, erige outras duas dioceses: Londres e Rochester. Alguns anglicanos, entre eles o reverendo Aldo, objetam que já havia cristãos na Grã-Bretanha “antes da Igreja Romana chegar” – o fato de existir cristãos em determinada região não caracteriza uma igreja independente. Jamais houve igrejas independentes (ao menos que fossem heréticas) como querem fazer crer os protestantes – e que estes foram obrigados a se submeter ao Papa.
...
Como apenas quarenta monges, sem qualquer apoio militar, conseguiriam submeter uma população de cristãos, ainda que estes fossem a minoria, já que a imensa população de Grã-Bretanha do século VI era pagã? Por que não há sequer uma prova histórica mostrando que estes cristãos locais rejeitaram a missão de Santo Agostinho delegada pelo Papa?
...
Santo Agostinho da Cantuária
Reverendo Aldo usa a velha tática de citar o imperador Constantino como pretenso fundador da Igreja Romana e que teria obrigado a todos os cristãos a obedecê-la. Primeiramente, Constantino não fundou igreja nenhuma. Queria ver algum documento histórico com o mínimo indício desta falácia protestante sem embasamento histórico nenhum. A Igreja católica foi fundada por Jesus Cristo sobre São Pedro e os apóstolos e continua em seus legítimos sucessores.
...
“Segundamente”, Constantino não obrigou ninguém a ser cristão, muito menos católico. Quis colaborar com a ortodoxia da Igreja, se esforçando para colocar fim à heresia ariana (os anglicanos são arianos?) e, posteriormente, seus sucessores foram arianos, perseguindo, inclusive os católicos.
...
O reverendo Aldo apela para a Inquisição. Se tivermos como base a época da missão de Santo Agostinho, faltava, no mínimo, “apenas” seis séculos para os tribunais da Santa Inquisição serem criados e praticamente não existiram na Inglaterra. Portanto, o anglicanismo não tem outra origem, senão em 1531, com o cisma de Henrique VIII. Por hoje é só. Não percam os próximos capítulos sobre o anglicanismo.
...
Referências:
...
José de Arimateia. Disponível em: <http://www.opusdei.org.br/art.php?p=16244>;. Acesso em 16 de junho de 2009.
...
AQUINO, Felipe. Uma História que não é contada. 1ª Edição. Editora Cléofas. Lorena, 2008.



17 de jun. de 2009

Bomba na Parada Gay: atentado ou armação?

Não gosto muito das teorias da conspiração, mas, não sei se é por ter muito tempo ocioso ou efeito daquelas bobagens que a gente pensa antes de dormir, comecei a desconfiar da veracidade do atentado a bomba contra um grupo de homossexuais após a Parada Gay realizada no último domingo em São Paulo. É muita coincidência para ser só coincidência. Vamos aos fatos: Parada Gay é realizada a 13 ânus, ops, anos e não foram registrados atentados. Justamente neste ano, quando o governo Lula decide oficializar, junto com nove ministros de Estado, o “estatuto homossexual”, uma pretensa arma contra a homofobia (que já é crime), cuja intenção real é aprovar leis contra o Direito natural e moral e implantar a censura no Brasil, ao menos sobre o assunto homossexualidade, acontece este “incidente”.

Estranho, não? Parece muito um atentado forjado para dar razão e apressar a tal “lei de combate à homofobia” (a lei da mordaça gay) que tramita no nosso estimado e prestativo Congresso Nacional. Casos de estatísticas forjadas, como as usadas na aprovação do aborto nos EUA é coisa comum. Atentados a bomba também.


Não seria o primeiro caso na História: em 30 de abril de 1981, um atentado mal sucedido, durante as comemorações do Dia do Trabalho, no Riocentro, matou um sargento e feriu um capitão do Exército. Teria sido uma tentativa de setores mais radicais do regime militar de forjar um atentado cuja culpa recairia sobre os grupos de esquerda (o que não seria difícil de acreditar, já que era uma constante da esquerda) e fazer parecer necessária uma nova onda de repressão e paralisar a lenta abertura política que estava em andamento no governo do general Figueiredo.


Outro caso ocorreu no ano de 2000. José Eduardo Bernardes da Silva, funcionário da Anistia Internacional em São Paulo, forjou dois atentados a bomba contra si próprio e enviou algumas cartas ameaçadoras a políticos, grupos homossexuais e de combate ao racismo (leia mais aqui). Visava “criar” skinheads para alavancar a Anistia e ter status de “perseguido político” para conseguir refúgio na Espanha.


Pode ser um atentado realmente. Afinal, há preconceito e atos de violência verdadeiros contra homossexuais. Posso estar errado e se ficar comprovada a autoria do atentado, postarei aqui. Mas que é estranho, é.



14 de jun. de 2009

A Proibição da Bíblia pela Igreja Católica - uma fraude protestante

Durante um debate numa comunidade do Orkut, apareceu uma acusação comum feita pelos protestantes: que a Igreja proibiu a leitura da Bíblia. Pensando eu que se tratava novamente de acusações levianas e más interpretações de decisões conciliares e papais que sempre protegeram a pureza das Sagradas Escrituras e sua correta interpretação, não dei muita atenção ao fato. Foi aí que, para minha surpresa, o protestante em questão apresentou um documento, trazendo inclusive a fonte, que provaria a tal proibição. O texto apresentado é este:

(...) Convocou três bispos, dos mais sábios, e lhes confiou a missão de estudarem com cuidado o problema e apresentarem as sugestões cabíveis. Ao final dos estudos, aqueles bispos apresentaram ao papa (Júlio III) um documento intitulado: "Direções Concernentes Aos Métodos Adequados A Fortificar A Igreja De Roma".

Tal documento está arquivado na Biblioteca Imperial de Paris, fólio B, número 1088, vol. 2, p. 641 a 650.

O trecho final desse ofício é o seguinte: “Finalmente (de todos os conselhos que bem nos pareceu dar a Vossa Santidade, deixamos para o fim o mais necessário), nisto Vossa Santidade deve pôr toda a atenção e cuidado de permitir o menos que seja possível a leitura do Evangelho, especialmente na língua vulgar, em todos os países sob vossa jurisdição. O pouco dele que se costuma ler na Missa, deve ser o suficiente; mais do que isso não devia ser permitido a ninguém. Enquanto os homens estiverem satisfeitos com esse pouco, os interesses de Vossa Santidade prosperarão, mas quando eles desejarem mais, tais interesses declinarão. Em suma, aquele livro (a Bíblia) mais do que qualquer outro tem levantado contra nós esses torvelinhos e tempestades, dos quais meramente escapamos de ser totalmente destruídos. De fato, se alguém o examinar cuidadosamente, logo descobrirá o desacordo, e verá que a nossa doutrina é muitas vezes diferente da doutrina dele, e em outras até contrária a ele; o que se o povo souber, não deixará de clamar contra nós, e seremos objetos de escárnio e ódio geral. Portanto, é necessário tirar esse livro das vistas do povo, mas com grande cuidado, para não provocar tumultos."

Bolonie, 20 Octobis 1553

Vicentius De Durtantibus, Egidus Falceta, Gerardus Busdragus. 


Pesquisando na internet, encontrei vários sites protestantes – inclusive, um deles informa que há 22 sites em português com este mesmo texto – que o apresentam como um troféu.

Vamos pela análise lógica do documento. Como pode três bispos “dos mais sábios”, aos quais foi recomendado um estudo e propostas contra o protestantismo, apresentarem uma carta ao Papa dando razão à heresia protestante sem serem, ao menos, repreendidos pelo Santo Padre? Muita incoerência! Além disso, o Papa deixaria um documento desta relevância à mercê dos inimigos da Igreja para poderem acusá-la?

Vamos nos focar agora no documento: o documento existe, está na Biblioteca Nacional da França. Para não restar dúvidas, deixo minhas opiniões de lado e transcrevo apenas o que a Biblioteca responde por e-mail (em inglês, a tradução é minha) a quem procura informações sobre o documento:

O texto que você procura é uma sátira do papado publicada em 1553 sob o título “Consilium quorundam episcoporum Bononiae congregatorum quod de ratione stabiliendae Romanae Ecclesiae Iulio PM datum est”.

Foi escrito por Pietro Paolo Vergerio (1498-1565), que foi bispo de Modrusch e depois de Capo d'Istria, antes de passar à Reforma em 1549. Coloca em cena, três bispos que aconselham ao Papa Júlio III sobre a forma de restabelecer a autoridade papal. Entre outras coisas, eles sugerem a introdução de novas cerimônias faustuosas e a destruição das Bíblias em língua vernácula.

Três diferentes edições foram microfilmadas e você pode pedir uma cópia das mesmas através do Departamento de Reprodução da Bibliothèque Nationale de France. Veja todos os pormenores em nosso site: <http://www.bnf.fr>. Pelo menu suspenso, selecione: La Bibliothèque> Services au public> Commander une reproduction de documents.

Aqui estão as referências completas sobre o texto:
O texto em latim foi publicado por E. Brown em 1690: GRATIUS, Ortuin de Graes, dit. – Fasciculus rerum expedentarum et fugiendarum… Opera et studi Edwardi Brown,…- Londoni: 1690. Assinado: “Vincentius de Durantibus, episc. Thermularum Brixiensis; Egidius Falceta, episc. Caprulanus; Gerhardus Busdragus, episc. Thessalonicensis.” Código ("cote" em francês): [B 341 2, código anterior: [B 103 8

Este texto é largamente atribuído à P.P. Vergerio e pode ser encontrado no primeiro volume das suas obras completas publicado em 1563. A edição Gratius inclui o texto "Consilium quorundam episcoporum Bononiae congregatorum..." por Pietro Paolo Vergerio. Em microfichas (10 páginas correspondentes às páginas 641-650). Microfilme código: m. 5528

A tradução francesa, publicada em 1564: Vergerio, Pietro Paolo. – Le Conseil des trois évêsques sur la détermination du Concile général de Trente, envoyé au Pape Paul troisième et trouvé en son palais après sa mort… (Assinado: Robert Vuacop, Thomas Stella, Theodore Marcel.) Código: [B 5445 4 Microfilme código: m. 5527 (em particular os dois lados da folha C2).

Algumas passagens alteradas a partir da tradução francesa: "Consultation de trois évêques sur les moyens de soutenir l’Eglise romaine présentés au pape Jules III" em 1553, publicado em 1884 por Paul Besson. Código: [8° H parte 329 Microfilme código: m. 5526 (em especial, p. 9-10).
Atenciosamente,

Pour le SINDBAD
Françoise Simeray
Départment Philosophie, histoire, sciences de l’homme
Bibliothèque Nationale de France

A última página do documento disponível na Biblioteca Nacional da França exclui qualquer dúvida definitivamente:

“Embora apenas parcialmente consagrado à leitura da Bíblia, o texto de Vergerio tem sido utilizado frequentemente nas controvérsias entre protestantes e católicos sobre este assunto, mesmo após a crítica feita por numerosos teólogos (consultar a tese de teologia protestante de A. Ch. Siegfried – A Vida e a obra de P. P. Vergerio, Strasbourg, 1857 – in-8°, p. 39).
Estes estudos revelam que P. P. Vergerio é verdadeiramente o autor de Consilium quorundam episcoporum..., cujo texto figura em suas obras completas publicadas em 1563.
Este texto é parte de seus numerosos opúsculos publicados anonimamente durante sua violenta polêmica com o papado. É impossível admitir que “Consilium quorundam episcoporum...” emane de qualquer autoridade da Igreja Católica.” (A tradução é minha)

O texto apresentado nos sites protestantes é apenas uma parte da obra de Pietro Paolo Vergerio usado para confundir os católicos.
 Pietro Paolo Vergerio (1498 - 1565) 
                                               

Como se vê, o texto comprovadamente é uma fraude, assim como muitas outras que surgiram no período da Revolta protestante, onde se afirmam calúnias que até hoje se divulga. Os Testemunhas de Jeová andaram por muito tempo com este texto nas mãos, confundindo os católicos de todas as partes do mundo, publicando-os em suas revistas e artigos. Agora, este texto é difundido pela internet sem a menor preocupação com a Verdade, senão com a verdade religiosa, ao menos com a verdade histórica. Pecam descaradamente contra o oitavo mandamento, levantando falsos testemunhos atrás de falsos testemunhos. Quem é o pai da mentira, cujos mentirosos são filhos? O texto em questão existe e é verdadeiro, mas é verdadeiro por ser uma tentativa de forjar uma decisão papal sobre a leitura da bíblia. O texto é verdadeiro. A interpretação é falsa.

Este documento está disponível ao público no site da Biblioteca Nacional da França. Pra visualizá-lo na versão francesa, clique aqui.

Uma observação final: fiz esta pesquisa em meados de 2008 e a enviei por e-mail a alguns sites protestantes que continham o referido texto. Apenas o site da CACP retirou o artigo – ao menos não o encontrei mais, nem no link que tinha, nem buscando no site. Bom, se cada vez que alguém enviar um texto rebatendo todas as mentiras que este site traz sobre o catolicismo e honestamente, como foi nesse caso, os artigos foram retirados, o site acaba.

Referências:

A Proibição da Bíblia e os Três Bispos. Disponível em: <http://caiafarsa.wordpress.com/a-proibicao-da-biblia-e-os-tres-bispos/>. Acesso em: 18 de maio de 2008.

LEBLANC, Michel. Canular fondamentaliste: Un document décourageant la lecture de la bible à l’époque du Pape Jules III?. Disponível em: <http://v.i.v.free.fr/pvkto/canular-julesIII.html>. Acesso em 24 de maio de 2008.

Roma e la bibbia – Documento Storico al tempo della Riforma. Disponível em: <http://www.infotdgeova.it/roma.htm>. Acesso em 20 de maio de 2008.



11 de jun. de 2009

O proselitismo do reverendo Aldo Quintão

O Programa do Jô, do último dia 10 de junho, exibiu uma entrevista com o reverendo Aldo Quintão, deão da catedral anglicana de São Paulo. Não sei se é porque o programa Fala Que Eu Te Escuto, da rede Record, tem dado mais audiência que o talk-show do Jô, o programa resolveu levar lá este simulacro de padre – e de humorista – para falar mal, criticar e debochar da Igreja Católica, de sua hierarquia e doutrina, de Nossa Senhora.

Todo deboche do referido reverendo vinha antecedido por aquela falsa humildade típica, fazendo cara de coitado que foi oprimido pela Igreja, especialmente quando um bispo o proibiu de celebrar casamentos em templos católicos (não citou o nome do bispo, nem onde fazia casamento): “Amo meus irmãos católicos”, “Respeito muito a Igreja Romana”. Não entendo como se respeita e debocha ao mesmo tempo. O que me deixou pasmo foi saber que o “padrinho” de ordenação dele foi o padre Zezinho.

O reverendo Aldo se utilizou da entrevista para fazer um proselitismo agressivo, usando a velha tática protestante de atacar a Igreja. Distorceu – ou desconhece – fatos históricos, tais como o surgimento da igreja anglicana e a sua fundação por Henrique VIII. Foi evidente a vergonha de pertencer a uma igreja fundada por um assassino, ladrão e adúltero. Se eu não tiver preguiça, detalharei mais sobre isto em outras postagens. Disse ser “um servidor de Cristo e não um empresário” (para diferenciar a igreja anglicana das neopentecostais), porém, num ato falho, disse que “é difícil concorrer com as igrejas católicas”. Ou seja, concorrência quem faz é empresa, não é mesmo?

Aldo foi ao programa porque ficou conhecido como o religioso que mais faz casamentos no Brasil e deixou claro que, na igreja dele, pode-se casar quantas vezes quiser. A intenção é clara: conquistar adeptos para a igreja anglicana que estava falindo em São Paulo. E como já sabemos a tal igreja é um balaio de gato, onde bispos assumidamente gays andam com seus maridos pelas ruas sem qualquer constrangimento. E esta doutrina relativista é a arma utilizada pelo reverendo para conquistar público. Temas como aborto, métodos contraceptivos, pesquisa com células-tronco embrionárias, homossexualidade, divórcio, todos apoiados ou adocicados pela doutrina (se é que existe uma) anglicana, usando a velha cantilena de amor ao próximo, que Jesus não julga ninguém, ou seja, que ninguém precisa se converter, que a fé se faz ao gosto do freguês. Parece que já está dando resultado. Ele mesmo, em determinado momento, citou que a comunidade anglicana da catedral saltou de trinta para mil pessoas.

Ao fim, ridiculamente, disse que todos os que são contrários aos posicionamentos da Igreja Católica, principalmente morais, é um anglicano. Aposto que o próximo programa que ele aparecerá será o Superpop... Enquanto isso, por que será que a maioria dos 81.775 cristãos que, no ano passado, aderiram à Igreja Católica nos EUA, eram anglicanos? Por que será que a Traditional Anglican Communion, com 400 mil fiéis, espera ansiosamente que a Santa Sé aceite seu ingresso na plena comunhão com a Igreja Católica?


3 de jun. de 2009

O Ocidente abandona suas tradições

O Ocidente abandona a cada dia suas tradições, resolveu esquecê-las, ou pior, tem vergonha de seu passado, de suas raízes. Como exemplo podemos citar a Constituição da União Européia que não faz nenhuma referência às raízes cristãs do Velho Continente. As mesmas raízes que fizeram da Europa o que ela é. Consideram a Igreja um empecilho que precisa ser superado em prol da união das nações, união esta que não é nem sombra da Cristandade medieval.

No ocidente, o presente é sempre visto como melhor que o passado. Vive-se uma ânsia de superá-lo. Talvez seja por isso que o Ocidente seja a parte do planeta onde as transformações acontecem com maior rapidez, de uma década para outra, e também, por isso, seja a região que mais desvaloriza os idosos. Estamos subindo uma escada cujos degraus anteriores desaparecem.

Nos transformamos nos maiores importadores de tradições da História. E se no rótulo destas tradições vier a inscrição "milenar", melhor ainda. O que aconteceu com nossas tradições milenares? As nossas são piores que a dos outros? A cada dia surge uma dessas religiões com inspiração oriental ou modinhas como a yoga, meditações, mantras. Não se suporta uma missa em latim, mas repetir um monte de bobagens em sânscrito, sem entender uma palavra sequer é ser cool. Foi e continua sendo do Ocidente os maiores avanços na medicina, porém eleva-se louvores à acupunturas, à medicina ayurvedica, destacando seus sete milênios e esquece-se que indianos e chineses sempre morreram como moscas e se a saúde na naquela região do planeta melhorou um pouco, foi graças a influência da medicina ocidental. Está acontecendo uma orientalização do Ocidente. Quando o fenômeno oposto ameaçou as tradições do Oriente, a resposta não demorou a vir e, muitas vezes, veio de forma violenta, como no Irã ou no Afeganistão. Não vejo a mínima reação no Ocidente. Pelo contrário.

A Europa secularizada, ou melhor, laicista, corre o risco de se tornar muçulmana dentro de algumas décadas graças ao grande número de imigrantes e pelas taxas de natalidade entre os islâmicos serem maiores. E se a Turquia se tornar membro da União Européia, a coisa desanda de vez. Tornar-se-á a porta de entrada dos muçulmanos na Europa. Por aí vemos o total desprezo pelas tradições cristãs da Europa. O que a Turquia tem em comum com nossa cultura ocidental? Nada. O que não conseguiram pela força, os seguidores de Maomé conseguirão por esta manobra bem orquestrada – ou alguém duvida que tudo é pura coincidência? Os muçulmanos sempre olharam com olhos de cobiça para a Europa com seu clima ameno e terras férteis, mas sempre foram escorraçados pelos cristãos e obrigados a viverem comendo areia.

As mesquitas na Europa se espalham a cada dia e são financiadas pelos grandes países islâmicos (Arábia Saudita, Argélia, Marrocos) e o proselitismo, especialmente nos subúrbios das grandes cidades, não apenas na Europa, mas até mesmo no Brasil, começa a dar resultado. Hoje vemos uma nova invasão bárbara e os que hoje aplaudem e gabam-se de construir uma sociedade “pós-cristã”, perceberão que eram felizes e não sabiam.



15 de mai. de 2009

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus.” (Mt. 5, 8)

A pureza de coração consiste em fazer o bem às pessoas, ajudá-las, por amor, por solidariedade, sem segundas intenções. Jesus foi puro de coração porque não fez nada, nem um milagre em favor de alguém, pensando em recompensa. Nem mesmo coagia a pessoa a se converter. Curou o servo do centurião romano e o filho do oficial de Herodes, mas não procurou estas influências políticas para defendê-Lo diante de Pilatos.
.
O outro sentido de pureza na Bíblia é sexual. A pureza aqui não é uma bobagem para virgenzinhas recatadas e solteirões recalcados como o mundo quer nos passar. Mas é toda a ordenação sexual do homem e da mulher, que deixam de ser escravos de seus sentidos como os animais. É a ordenação do relacionamento conjugal sem aquela idéia perversa de que entre quatro paredes vale tudo. É a castidade dos solteiros, para aqueles que aliviam a consciência com as desculpas do mundo: “pecado é matar e roubar. Eu não estou fazendo mal a ninguém”, enquanto se perdem em prazeres egoístas e até antinaturais.
.
Os puros de coração verão Deus, porque Ele é puro e nada de impuro entrará diante da visão beatífica de Deus. Mas, desde já, se mantivermos a pureza de coração pela graça de Deus, podemos vê-Lo, não apenas “ver” no sentido de enxergar, mas como aqueles gregos que subiram a Jerusalém para adorar e pediram aos apóstolos para verem Jesus, ou seja, conhecê-Lo intimamente.


Tabu, só o ovo de tartaruga



Depois da participação do nosso ministro do meio ambiente Carlos Minc na Marcha da Maconha, que ocorreu no ultimo dia 9 em todo o Brasil, mas teve seu ponto forte no Rio de Janeiro (por que será?), você pode perguntar: o que o ministro do meio ambiente faz numa passeata de tamanha relevância? Faz todo sentido! Maconha, erva, planta, meio ambiente. Entendeu? Pois é, pouco importa se os usuários, vistam eles coletes cafonas ou não, patrocinem a violência. Não pode vencê-los, junte-se a eles. Transformemos por decreto os traficantes em comerciantes bem-sucedidos. Acabemos com o crime, legalizando-o. É muito mais simples e barato que combatê-lo. Mas o ministro certamente cometeu uma gafe; os maconheiros, graças a fumaça da erva, colaboram para o aquecimento global. Pegou mal, hein ministro?

As justificativas dos liberais, da esquerdalhada que polui o governo, é sempre a mesma quando se trata da defesa de assuntos imorais como este. “Chega de hipocrisia!” (admirável, o PT combate a hipocrisia!) “Chega de tabu!”. No Brasil, é tabu só o ovo de tartaruga. Isso mesmo, se um pobre caiçara desavisadamente pisa num ovo de tartaruga-marinha será preso. Comer então é inimaginável, crime inafiançável e que ninguém toque neste assunto. É tabu. Mas o baseado tem que liberar.

Ou seja, seremos eternamente privados de nos deliciarmos com uma saborosa omelete de ovos de tartaruga enquanto os maconheiros poderão viajar em seus tarugos da erva danada com apoio governamental? Definitivamente, não é justo!

Além disso, as tartarugas-marinhas são mães desnaturadas, que largam seus ovos e nem ao menos os chocam. Sou muito mais a galinha!




11 de mai. de 2009

A Marca da Besta: assistam e se surpreendam com esta revelação

Uma revelação importante. Finalmente torna-se conhecida a marca da Besta. Que estejamos alertas!

Infeliz Dia das Mães

Ontem se comemorou o Dia das Mães. Exatamente nesta semana que acontece tal comemoração, foi veiculado pelo Jornal da Globo, o caso de Munira Khalil El Ourra e Adriana Tito Maciel, um par de lésbicas que está lutando na justiça para poder registrar os filhos gêmeos que nasceram de Adriana, com o sobrenome de cada uma e o nome das duas mães na certidão de nascimento. Em março, a Revista Época já tinha feito uma reportagem com as duas, assim que entraram na justiça paulista com o pedido. A coisa é mais complicada do que se parece (se é que pode ser mais complicada).

Como o mal não se sacia, vamos à linha de imoralidades contida no caso: primeiramente, a relação homossexual que é uma depravação grave e antinatural; depois, resolvem ter filho, pouco importando com o desenvolvimento psicológico e social desta inocente criança, no caso, crianças; aí, como se não bastasse, querem simular uma geração natural de filhos, como faria um casal. A idéia de adoção por pares de homossexuais é coisa do passado, não sejam retrógrados por pensarem que esta é a solução mais simples. A coisa é inovar! Então, vão a uma clínica de fertilização artificial, pegam o esperma de um indivíduo desconhecido, que se comporta pior que um animal (pensem: o que leva um homem a doar sêmen? Eu não consigo entender...), retiram o óvulo de Munira, fertiliza-os e implanta-os no útero de Adriana. Que lindo!

E tudo isto se desenvolve na reportagem num tom melodramático, mostrando uma corrida contra o tempo e contra a infertilidade. Seria trágico se se tratasse de uma família, de uma mulher que acaba de se casar e não poderá ser mãe biológica. O caso está correndo na justiça de São Paulo. Hoje, o juiz da 6ª Vara da Família do Fórum de Santo Amaro negou a liminar, adiando o julgamento definitivo. Ainda existem juízes justos, porém não temos certeza se a decisão será mantida no julgamento final. É pouco provável, todos querem ser moderninhos e o lobby é imenso. Pessoas que vivem no pecado, na imoralidade, sempre existiram e sempre existirão, até mesmo dentro da Igreja. Pensar que isto é felicidade e querer condenar suas almas por toda a eternidade ao inferno é um decisão pessoal, ainda que todo pecado pessoal tenha consequência a todos, porém, querer legitimar tais atos, lutar por um direito que não existe, é demais. Não existe direito quando este contraria a lei natural. Legal mesmo é na Espanha socialista de Zapatero, não é mesmo?

A reportagem da Época, em certo momento, cita: “Como qualquer família normal”. Não é possível chamar isto de família, quanto menos de normal. O Estado não tem o direito de definir o que é família. A família é divina e antecede ao Estado. A família é formada por pai e mãe, casados legitimamente diante de Deus, e filhos (ou ao menos, se infértil, o casal deve estar aberto à fecundidade). O que passa disso é aberração.

Sem o temor a Deus, assim caminha a humanidade nesta Idade das trevas na qual vivemos, numa egolatria que rumará à desgraça. Que Nossa Senhora, a Mãe de Deus e da Igreja, interceda por todas as mães, as famílias e por nós.



29 de abr. de 2009

O que importa é o pronome de tratamento

O duelo verbal e público entre os ministros do Supremo Tribunal de Justiça, Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes mostrou que o Conselho de Jedis não somente passa com frequencia para o lado negro (ou vermelho) da Força aprovando leis imorais, legislando no lugar do congresso, dando aval ao governo Lula quando este é contestado. Eles também brigam. Mas o que me impressionou não foi a discussão, nem as acusações mútuas e muitas delas, graves, como a feita por Joaquim Barbosa sobre os capangas de Gilmar Mendes. Foi o respeito empregado. Cada frase era iniciada com o pronome de tratamento “Vossa Excelência” como devem ser tratados os ministros do Supremo. É assim mesmo. Isto que é educação.

O ministro Joaquim Barbosa ganhou destaque quando aceitou a denúncia sobre os envolvidos no caso do mensalão. Foi amplamente elogiado, parecia o salvador da pátria, o último reduto de honestidade no país. É como eu digo, não se pode elogiar. O ministro Joaquim já se achou o máximo. Resolveu bater boca com todos os seus colegas no STF, virou o dono da razão. O ápice ocorreu agora.


A discussão fez me lembrar um fato da minha adolescência. Meus colegas e eu jogávamos futebol na rua à noite. E toda noite, passava naquela rua, seu Dito, um senhor que vendia pipoca e raspadinha. E toda noite, meu vizinho da frente, Daniel, mesmo sabendo que ele não vendia sorvete, fazia a mesma pergunta: “Tem sorvete de trigo?”. Seu Dito não respondia nada e ele continuava: “E de linguiça?” toda vez se repetia a mesma história. Certo dia, seu Dito estava de saco cheio e quando Daniel perguntou se tinha sorvete de trigo ele respondeu: “Só tem sorvete de pinto!” E Daniel retrucou: “Pra enfiar no cu do senhor!” Tudo no maior respeito. Afinal seu Dito era mais velho e merecia ser tratado por “senhor”.



22 de abr. de 2009

É proibido fumar: a intromissão do Estado

No último dia 7, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou o projeto de lei antifumo que foi proposto pelo governador José Serra (PSDB). O projeto de lei 577/2008 “proíbe o consumo de quaisquer produtos fumígenos, derivados ou não do tabaco, em recintos de uso coletivo e cria ambientes livres de tabaco”. A lei proíbe que se fume em qualquer ambiente fechado ou parcialmente fechado, como bares, restaurantes e até mesmo no local de trabalho. Ficam livres apenas tabacarias. Realmente a fumaça de cigarro incomoda os não-fumantes, eu mesmo fico muito incomodado. Mas não é esta a questão. A questão é: o Estado pode intervir nos espaços privados? Ainda que nestes possa afluir grande número de pessoas, seria o proprietário quem deveria ditar as regras para seu estabelecimento ou empresa e não o Estado. Ou falta educação aos fumantes para desrespeitarem regras internas de qualquer ambiente? Eu não vejo desrespeito àquelas simples plaquinhas dizendo ou indicando que é proibido fumar. Na minha opinião, isto já bastaria.

Se a maioria dos freqüentadores de um restaurante ou bar fica incomodada com a fumaça do cigarro alheio, a sensibilidade do proprietário o levaria a beneficiar a maioria e proibir que se fume no interior de seu estabelecimento. E pior que isto é a proibição de se fumar no ambiente de trabalho, nem mesmo nos fumódromos. Não há afluxo de público em grande parte das empresas. Sua área interna fica restrita aos funcionários e a empresa deve decidir se permite ou não a seus funcionários de utilizarem áreas reservadas para o fumo. Na verdade, esta lei é uma grande bobagem. Quem vai fiscalizar? A polícia? Quem vai denunciar? O primeiro dedo-duro incomodado da mesa ao lado?

Houve manifestações de pessoas ligadas ao Sindicato dos Comerciários de São Paulo e à Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi) que alegaram que tais proibições causarão desemprego nestes setores. Mas também tem gente que acha que tudo que se vai fazer no Brasil causará desemprego, o caminho não é por aí. O problema é mais grave. Quando o estado começa a meter o nariz em assuntos privados, como o que deve ou não deve ser permitido em lugares privados, a coisa começa a ficar perigosa. Ah, e me esqueci de mencionar que é permitido fumar em casa. Por enquanto.



17 de abr. de 2009

Ai dos que causam escândalos!

O escândalo gerado esta semana ao vir à tona um filho de quase dois anos que nasceu de um relacionamento entre Viviana Rosalith Carrillo Cañete e o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, ainda quando era bispo da Igreja Católica, me fez refletir. Não sobre seu pecado – ele pode ter se arrependido e se confessado, não deve ser julgado por isso – mas sobre as péssimas contribuições da turma da moribunda Teologia da Libertação para a Igreja ao longo destes anos. Lugo é amiguinho de frei Betto e admirador de Leonardo Boff. Precisa dizer mais alguma coisa?

A Teologia da Libertação como todos sabem se tornou a forma de marxistização da Igreja, com a intenção de fazer dela, assim como sugeriu Gramsci, a caixa de ressonância da doutrina marxista. Seus adeptos dizem que a tal teologia é baseada nos ensinamentos de Cristo e na Doutrina Social da Igreja. Mentira. Toda a doutrina é revisada através da ótica marxista. Para a Igreja, a TL foi, sem dúvida, um mal. Heresias surgiram dela – vide Jon Sobino e o já citado, Leonardo Boff –, abusos litúrgicos, rompimento com a Tradição, falsa interpretação dos documentos do Concílio Vaticano II e otras cositas más.

Padres se meteram em política, e o que é pior, sem a intenção de defender os valores do Evangelho e da doutrina católica. A intenção destes padres, os padres de passeata como ficaram conhecidos, é clara: usar a Igreja para disseminar a doutrina nefasta do marxismo condenado pela Igreja tantas e tantas vezes. Fernando Lugo foi um deles. Ordenado sacerdote em 1977 e bispo em 1994, preferiu se engajar nas fileiras da esquerda política do que dos anunciadores do Evangelho. Renegou o sacramento da ordem. Preferiu ser presidente de um país do que um sucessor dos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. É isso que não consigo entender. Não há nada mais importante que o sacerdócio, do que poder oferecer ao Pai, o Santo Sacrifício, salvar almas no confessionário. Mas não, para os adeptos da TL, o importante é “defender” os pobres, “libertá-los” da opressão social. Lugo pediu a renúncia do estado clerical, pois a constituição paraguaia proíbe que um ministro de qualquer religião assuma cargos eletivos. Mesmo com a suspensão a divinis, ou seja, afastado das funções ministeriais, mas ainda bispo, Lugo desobedece a Igreja (que novidade!) e se candidata. Após ser eleito, o Papa Bento XVI aceita sua renúncia do estado clerical e o reduz ao estado laical, caso sem precedentes na Igreja. Na verdade, desde 2004 a Igreja tinha feito de Lugo, bispo emérito. Certamente não foi uma grande perda para a Igreja, pelo contrário.

Mas esta semana, para coroar tudo isto, vem a público um relacionamento com uma moça enquanto era bispo e a atitude nada admirável de renegar o filho e só assumi-lo sob pressão, acrescentando a sua carreira eclesiástica e política, um escândalo. O povo paraguaio, em sua maioria católico, votou em Lugo porque era um bispo, porque vendeu uma imagem falsa (redundância quando se trata de comunistas). O povo confiou nele, assim como confia na Igreja. Fernando Lugo traiu ambos. Mostra disso foi a queda acentuada de sua popularidade de 64,14% para 48,04%. Como disse um deputado paraguaio, que Lugo cumpra as promessas que fez ao país, porque as que fez à Igreja ele já não cumpriu. Alguém ainda acredita que ele fará isso?


7 de abr. de 2009

A Família: Igreja doméstica, célula da sociedade

No princípio, Deus criou o homem e a mulher (Gn. 2) para que em suas diferenças singulares se completassem e, desta complementaridade, no amor, gerassem frutos, os filhos. Estava, portanto, instituída a família, imagem da Trindade Santa, eterna família. Mas quando veio a plenitude dos tempos (Gal. 4,4) Deus envia seu Filho que quis ter uma família e Se encarnou no seio de uma mulher, a santíssima Virgem Maria, tendo como pai adotivo e guardião, o glorioso São José. Deste modo, Deus revela assim a dignidade da família. E, tamanha dignidade é manifestada quando Jesus eleva o matrimônio a sacramento da Nova Aliança e imagem da união de Cristo e Sua Igreja. Todavia, em nossos dias, como tudo que vem de Deus sofre ataques implacáveis, a família não passa incólume dos inimigos de tudo que é sagrado. Ao contrário, se tornou uns dos alvos prediletos, juntamente com a Igreja, corpo de Cristo, e a pessoa humana, imagem de Deus. Os ataques são contra a manutenção do casamento, a fidelidade, a geração de filhos e sua educação.

As “profecias científicas” sobre catástrofes ambientais causando escassez de alimento e água para as futuras gerações acabam incutindo – e não seria esta a intenção? – nas pessoas um verdadeiro pânico em ter filhos, afinal, ninguém gostaria de colocar filhos num mundo tão difícil de se viver. Assim, acabam justificando a imoralidade do controle de natalidade através de métodos anticoncepcionais desde as pílulas até o aborto. Outra forma de criar repulsa à geração de filhos vem do culto ao corpo, da beleza estética. Alardeiam que mulheres que engravidam, perdem a beleza do corpo, suas formas. Ficam menos atrativas sexualmente. E para indivíduos inseridos numa sociedade baseada no hedonismo e na vaidade, estes argumentos são mais do que suficientes para evitar filhos. Aliás, hoje em dia, entre o nascituro e um câncer no útero não há muitas diferenças para muitos. Os dois trazem transtornos à vida da mulher que se auto-proclama senhora de seu corpo. No egoísmo que assola nossa sociedade moderna, os filhos atrapalham as carreiras profissionais, dão gastos excessivos, educá-los despendem tempo e “tempo é dinheiro”. Ao mesmo tempo, temos aqueles que fazem de tudo até mesmo ultrapassando os limites morais para conseguir gerar um filho. Partem para as técnicas de fertilização in vitro e artificial, sêmen ou óvulos doados por anônimos, métodos que são ótimos quando empregados no melhoramento genético de gado, mas nunca no trato com a pessoa humana ainda mais quando revela a satisfação de uma vontade egoísta. Por que não tomemos uma atitude solidária e que revela em nós o amor gratuito de Deus e adotamos crianças que esperam ansiosas por uma família? Será que a carga genética tem tanta importância assim para deixarmo-nos manipular como animais?

A Igreja defende a paternidade responsável, um planejamento familiar, mas muito diferente do conceito de planejamento que vemos por aí. A Igreja quer que cada família tenha um número de filhos compatível com suas possibilidades e o que vemos são casais que poderiam ter uma prole numerosa, mas, ao invés disso, possuem apenas um ou dois filhos. E é sempre a mesma desculpa esfarrapada da condição financeira, porém, na verdade, não querem perder certas regalias como viagens anuais, a troca do automóvel ou da casa. Sem dizer nos casais que preferem tratar animais de estimação como filhos, inclusive chegando a gastar mais com eles, com a vantagem de terem menos trabalho para cuidar. Mais uma vez o individualismo, o egoísmo. E em busca desta condição elevada de bem-estar, pais e mães acabam priorizando suas carreiras profissionais, trabalhando excessivamente e “terceirizando” a educação de seus filhos o que é sua obrigação específica. A desvalorização do trabalho da mulher como mãe e dona-de-casa que a denotaria como submissa, dependente, colabora muito para este fenômeno. Por outro lado, vemos este mesmo aspecto em famílias que passam por necessidades materiais onde o marido e a mulher são levados a trabalhar para sustentar sua casa, prejudicando a formação dos filhos. Mas nada justifica a ausência na educação dos filhos. Que cada tempo livre seja utilizado para este fim. Outrora, em especial no campo, as mulheres trabalhavam e criavam seus filhos com uma educação esmerada. Era no colo das mães que aprendiam conceitos de solidariedade, justiça, amor. Que recebiam a primeira catequese. Hoje, graças a um conceito equivocado sobre o papel do Estado, relegam a educação às escolas. Não ensinam mais sobre Deus e Sua Igreja. E isto reflete no aumento de índices de violência, pois uma formação moral impede ou, ao menos, minimiza as chances de uma pessoa se tornar uma criminosa muito mais que melhores condições socioeconômicas. As famílias que eram verdadeiramente igrejas domésticas, lugar de oração e evangelização, passaram a ser um conjunto de pessoas que mal se relacionam. E tudo isto é influência do laicismo de nossa sociedade ocidental que empurra a religião a uma prática meramente individual. Não é raro escutar: “Não batizarei meu filho. Quando ele crescer, escolherá a religião que quer seguir”. Há pais que se dizem católicos, e muitos até mesmo são praticantes, dando aos filhos a mesma educação sexual mundana. Querem ser modernos. Seguem correntes da psicologia (hoje, até mesmo ultrapassadas, mas o estrago já foi feito) que proíbem qualquer cerceamento da “liberdade” dos filhos, sob o risco de lhes causar traumas. Permitem que os filhos façam sexo dentro da própria casa. É melhor aqui do que na rua, dizem eles. Fazem questão de darem preservativos a eles. O que importa é que não contraiam uma doença ainda que suas almas sejam lançadas no inferno. Neste falso conceito de liberdade, proliferam as mães e pais solteiros, os filhos órfãos de pais vivos.

O que motiva o casamento é o amor. Mas não este amor subjetivo e açucarado que o mundo nos apresenta, mas o amor sacrifical. Não é por acaso que São Paulo, na carta aos efésios (Cf. 5, 21-33), compara o amor matrimonial ao sacrifício de Cristo na cruz e Sua união à Igreja. Porém, nesta sociedade que prima pelo hedonismo e pelo consumismo, qualquer sacrifício neste sentido é loucura. Seus argumentos são a felicidade e o prazer como finalidade do casamento. Nem por amor aos filhos os casais querem se sacrificar. Puro egoísmo. O divórcio é um mal que se espalha e a sociedade, amortecida, é indiferente a ele. Deformam a imagem da família: pai, mãe, filhos. São inúmeros parceiros e parceiras ao longo da vida, vários meio-irmãos e enteado, e tudo isto vivido com uma naturalidade assustadora. Não é de se admirar que acompanhemos pelo noticiário, vários crimes praticados dentro de famílias desestruturadas. Não há uma estatística que comprove a maior incidência de crimes no interior de famílias desestruturas do que nas de famílias “tradicionais”, mas esta afirmação parece poder ser claramente observada. É difundido, principalmente pela mídia, que o sucesso do casamento depende quase que exclusivamente do sexo. Disto surgem teorias que incentivam o sexo antes do casamento como um “teste drive”, quando sabemos que o namoro é o período de o casal se conhecer, de amadurecer o amor para que receba o sacramento do matrimônio. E nesta ânsia de manter o casamento através do sexo – mais uma vez o hedonismo –, é introduzido no relacionamento do casal hábitos imorais como a pornografia ou, ainda pior, mantém-se um relacionamento aberto onde os dois se submetem à práticas animalescas em prol de manter “a chama acesa”. E muitos têm o cinismo de chamar tudo isto de amor; apregoam que pelo amor vale tudo. Só não vale carregar a cruz de Cristo; só não vale renunciar a si mesmo. Mas aí é exigir demais! Imoralidades dentro do matrimônio não é novidade de nossos tempos (Cf. Cor. 5, 1), aliás, “não há nada de novo debaixo do sol” (Ecl. 1,9), mas o assustador é o indiferentismo da sociedade perante todos estes acontecimentos. O individualismo que leva as pessoas a não se preocuparem com os outros desde que não sejam tocadas.

E quando o casamento vai mal recorrem à terapia de casal. Paga-se uma fortuna a psicólogos que, em muitas vezes, não darão uma orientação cristã. Onde está o diretor espiritual do casal? Onde está o momento de oração em família? É claro que a ajuda profissional não é descartada, porém Deus já deu as graças de estado para que o casal cumpra seu dever na família. O que falta é crer.

O divórcio se tornou algo comum. Tão comum que, em Portugal, casais podem se divorciar pela internet. Qualquer motivo é causa do divórcio. Basta o cônjuge não agradar em algum aspecto da vida conjugal para que se divorciem. Mais uma vez vemos a falta de sacrifício, de renunciar-se em prol de um bem maior, a família. E numa sociedade relativista que molda um deus a sua imagem, se divorciam e recasam sem o mínimo de peso de consciência diante da indissolubilidade do matrimônio e sem levar em conta que o casamento é a imagem das núpcias eternas do Cordeiro com Sua Esposa Imaculada, afinal, o que Deus quer é que sejamos felizes. As relações matrimoniais acabaram tomando aspectos consumistas onde o cônjuge é a mercadoria. Quando esta perde o vigor físico, a beleza, troca-se por outra. O importante é ser feliz. Nem que seja apenas nesta vida. Se é que há alguma concepção verdadeira da vida eterna, já que, para alguns ela não existe, morreu acabou e para outros, concebem um Deus que é amor e misericordioso e no final das contas todos se salvam.

Muitos casais nem mesmo se preocupam em casar. Alegam que o amor basta, entretanto, que amor é este que não culmina na maior prova de amor que é demonstrada no sacramento do matrimônio? Alguns chegam a afirmar a estupidez que o sacramento dá azar para o relacionamento, porque conhecem casais que viveram amasiados por vários anos e quando se casaram, o relacionamento não perdurou. Não perdurou porque viviam em pecado e depois de casados diante de Deus as tentações aumentaram. O diabo não quer perder suas presas. E usando o amor, este amor puramente humano – onde nem se pode ser chamado amor, já que exclui o Amor, Deus – como argumento, tenta-se legitimar as uniões homossexuais dando-lhes as mesmas prerrogativas da família, inclusive promovendo adoções de crianças, fadando-as a uma educação nem um pouco sadia, tanto psicológica como moral. Não podemos aceitar as uniões civis de homossexuais porque o Estado não pode modificar ou definir o que é ou como é formada a família, pois esta o precede.

Enfim, os ataques contra a família se intensificam e já podemos notar os males causados por estes ataques. A família é a célula da sociedade e se esta célula sofre agressões, fica doente, toda a sociedade sofre. A ligação entre o enfraquecimento das famílias e o aumento da violência é evidente. Mas as famílias cristãs, como sal da terra e luz do mundo, devem testemunhar uma vida de amor e solidariedade entre seus membros, fé em Deus. É natural que o entusiasmo do início tenda a diminuir e neste momento devem ser exemplos de perseverança no amor diante de tantas dificuldades que encontramos dentro do matrimônio, colocando Deus em primeiro lugar. Que estas famílias, igrejas domésticas, sejam fonte de evangelização e catequese e voltem a ser escolas de justiça, amor, solidariedade.

3 de abr. de 2009

A Idade das Trevas?


Apesar de a maioria dos historiadores modernos não usarem mais o termo Idade das Trevas para designar os mil anos que se seguiram (Séc. V – XV) após a queda do Império Romano, ainda muitos, movidos por ideologias ateístas e por aquele velho ódio e ranço pela Igreja, que surgiu no protestantismo em plena Renascença e ganhou força no Iluminismo, insistem em tratar de maneira preconceituosa, pejorativa e mentirosa a Idade Média, em especial durante os séculos da Cristandade (Séc. XI – XIV). A maioria dos professores enche a boca para detratar deste período em que o Evangelho de Cristo era o parâmetro da lei, onde Estado e Igreja colaboram entre si, onde o homem mantinha diante dos olhos seu fim: Deus. Caíram no conto iluminista reforçado pelo marxismo e repassam isto para os alunos. Não sabemos se é falta de estudo ou má-fé. Coitados. Sabemos da má formação que recebem nossos professores e talvez muitos só vendam o que compraram. O que sabemos com toda a certeza é que quem elabora estes materiais didáticos, tanto na formação dos professores como na dos alunos, sabe muito bem o que está fazendo e segue um ordenamento que pretende (que esforço inútil, a Igreja é invencível!) destruir a Santa Igreja Católica. E qual é o período onde a Igreja teve seu apogeu, onde todos os esforços eram postos na salvação da pessoa humana? Isto mesmo, na Idade Média.

Seria esta uma era de obscurantismo, de superstição, de atraso científico, onde reinava a violência, a falta de liberdade, a censura e a barbárie? Poderíamos encontrar estas características durante os períodos das invasões bárbaras anteriores e posteriores ao império de Carlos Magno quando a escuridão da barbárie cobriu a Europa ocidental, mas, ainda nesta época, a Igreja – e somente Ela – foi um luzeiro em meio à noite escura onde se preservou a ordem, a civilização e a cultura. Todavia, o alvo predileto é a Cristandade. É claro que não era a sociedade perfeita, aliás, sabemos que ela não existe e só será realidade quando Cristo voltar em Sua glória e restaurar todas as coisas em Seu Reino eterno onde os santos reinarão com Ele. Porém, a Idade Média está longe de merecer todos os adjetivos maledicentes que lhe foram outorgados desde o inicio da Idade Moderna. Como a Igreja estava no centro da era medieval, os difamadores da Igreja, anticlericais, ateus, aqueles que consideram a Igreja uma pedra no sapato para suas ideologias imorais, somente destacam o que houve de mau e discutível na Idade Média, sem levar em conta a mentalidade da época e imputando à Igreja, fatores sociais e acontecimentos históricos, que, em muitos casos, a Igreja condenou e combateu, como se fossem aprovados e incentivados por Ela. Além disso, nada sobre os avanços científicos, filosóficos, tecnológicos, humanistas, artísticos são citados ou quando são ditos é de maneira muito superficialmente. O pensamento ilógico sugere que tudo isto ficou hibernando até que num belo dia acordou e assim surgiu a Renascença. E mais, muitos dos fatos atribuídos ao período medievo, na verdade se encontram no Renascimento. Mas isto não importa aos inimigos declarados ou implícitos da Igreja desde que a acusada continue sendo nossa Mãe e Mestra.

Hoje, graças a Deus, muitos estudiosos das mais variadas áreas do conhecimento redescobrem que a sociedade católica medieval construiu a civilização ocidental. Reconhecem que a Igreja foi quem sustentou esta civilização que hoje lhe vira as costas, numa atitude, no mínimo, de ingratidão para com Ela.

Neste blog, compararemos a sociedade cristã medieval com a sociedade greco-romana e veremos seus progressos frente a esta, como a Igreja soube purificar a Europa. Também compararemos a sociedade medieval com a nossa sociedade que se gaba de viver a sua maior era da História. E, como a Idade Média não foi um período curto, não seria justo compará-la apenas com nossas ultimas décadas, mas abrangeremos todo o período da Idade Moderna e Contemporânea. Veremos o quanto nosso mundo estaria melhor se nossa sociedade ocidental tivesse continuado fortemente baseada na doutrina católica como na Idade Média em vez de negar e destruir suas raízes. Seria realmente o período medieval católico, a Idade da Luz de Cristo, a temida Idade das Trevas? Ou a Idade das Trevas seria o período em que vivemos?