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18 de jun. de 2009

As origens da igreja anglicana - Parte I

São José de Arimateia
Aproveitando o comentário do Alex e a entrevista do reverendo Aldo, desmitificarei algumas afirmações sobre o anglicanismo. De fato, provavelmente o cristianismo esteja presente nas ilhas britânicas desde os primeiros séculos de nossa era, levado pelos soldados romanos. Não sabemos se as lendas surgidas nas novelas arturianas sobre José de Arimateia ter pregado o evangelho nas ilhas britânicas tenha algum fundamento. Diz a lenda que ele fundou a primeira igreja em solo britânico, em Glastonbury Tor, aonde mais tarde surgiu uma abadia que foi fechada por Henrique VIII no ano de 1539.
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Após a queda do Império Romano no Ocidente (lembrando que a primeira província romana que os romanos perderam foi a Britânia), os anglos, saxões e jutos invadiram e devastaram a ilha, quase acabando com os cristãos que estavam ali. São Columbano e os missionários irlandeses foram quem começaram a re-evangelizar a Grã-Bretanha dividida agora em vários pequenos reinos bárbaros.
Ruínas do mosteiro de Glastonbury
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Em 596, Santo Agostinho da Cantuária e mais quarenta monges beneditinos são enviados pelo Papa São Gregório Magno para evangelizar a Angland. Graças à princesa Berta, filha do rei de Paris, cristã e esposa do rei Etelberto de Kent, Santo Agostinho teve êxito em sua missão. Funda a diocese de Cantuária e é nomeado arcebispo primaz da Inglaterra. Mais tarde, erige outras duas dioceses: Londres e Rochester. Alguns anglicanos, entre eles o reverendo Aldo, objetam que já havia cristãos na Grã-Bretanha “antes da Igreja Romana chegar” – o fato de existir cristãos em determinada região não caracteriza uma igreja independente. Jamais houve igrejas independentes (ao menos que fossem heréticas) como querem fazer crer os protestantes – e que estes foram obrigados a se submeter ao Papa.
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Como apenas quarenta monges, sem qualquer apoio militar, conseguiriam submeter uma população de cristãos, ainda que estes fossem a minoria, já que a imensa população de Grã-Bretanha do século VI era pagã? Por que não há sequer uma prova histórica mostrando que estes cristãos locais rejeitaram a missão de Santo Agostinho delegada pelo Papa?
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Santo Agostinho da Cantuária
Reverendo Aldo usa a velha tática de citar o imperador Constantino como pretenso fundador da Igreja Romana e que teria obrigado a todos os cristãos a obedecê-la. Primeiramente, Constantino não fundou igreja nenhuma. Queria ver algum documento histórico com o mínimo indício desta falácia protestante sem embasamento histórico nenhum. A Igreja católica foi fundada por Jesus Cristo sobre São Pedro e os apóstolos e continua em seus legítimos sucessores.
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“Segundamente”, Constantino não obrigou ninguém a ser cristão, muito menos católico. Quis colaborar com a ortodoxia da Igreja, se esforçando para colocar fim à heresia ariana (os anglicanos são arianos?) e, posteriormente, seus sucessores foram arianos, perseguindo, inclusive os católicos.
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O reverendo Aldo apela para a Inquisição. Se tivermos como base a época da missão de Santo Agostinho, faltava, no mínimo, “apenas” seis séculos para os tribunais da Santa Inquisição serem criados e praticamente não existiram na Inglaterra. Portanto, o anglicanismo não tem outra origem, senão em 1531, com o cisma de Henrique VIII. Por hoje é só. Não percam os próximos capítulos sobre o anglicanismo.
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Referências:
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José de Arimateia. Disponível em: <http://www.opusdei.org.br/art.php?p=16244>;. Acesso em 16 de junho de 2009.
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AQUINO, Felipe. Uma História que não é contada. 1ª Edição. Editora Cléofas. Lorena, 2008.