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18 de jan. de 2011

Roma cria primeiro ordinariato para antigos anglicanos

Abrange Inglaterra e País de Gales e seu superior é um antigo bispo dessa confissão

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 17 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - A Santa Sé criou, no sábado passado, o primeiro ordinariato pessoal (uma espécie de diocese sem território definido) para antigos anglicanos da Inglaterra e do País de Gales que decidiram abraçar a plena comunhão com Roma.

O Ordinariato foi erigido pela Congregação vaticana para a Doutrina da Fé, no mesmo dia em que, na catedral de Westminster, um arcebispo católico da capital britânica, Dom Vincent Nichols, ordenara como sacerdotes católicos três antigos bispos anglicanos.

Eles são os reverendos Andrew Burnham (bispo anglicano de Ebbsfleet, 2000-2010), John Broadhurst (bispo anglicano de Fulham, 1996-2010) e Keith Newton (bispo de Richborough 2002-2010), este último nomeado ordinário (superior) do novo Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham, que tem como padroeiro o beato John Henry Newman.

O Rev. Newton, de 58 anos, nascido em Liverpool, casado e com três filhos, foi recebido com sua esposa na comunhão com a Igreja Católica, na catedral de Westminster, no último dia 1º de janeiro.

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O Ordinariato é, sem dúvida, uma graça de Cristo que quer restaurar a unidade de Sua Igreja. É resultado do trabalho ecumênico desenvolvido pela Santa Sé. Mas não podemos esquecer que o Ordinariato foi criado para acolher os numerosos ministros e fiéis anglicanos descontentes com os caminhos liberais que a Comunhão Anglicana trilhou nos últimos anos, ordenando mulheres e homossexuais assumidos ao sacerdócio e ao episcopado e vendo uma parte dos pastores anglicanos favoráveis a práticas imorais, tais como o aborto, os métodos contraconceptivos e o divórcio. Roguemos a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora de Walsingham e do beato John Henry Newman, que este primeiro Ordinariato na Inglaterra e País de Gales seja o início da união plena de todos os anglicanos com Roma.


10 de jul. de 2009

As origens da igreja anglicana - Parte II


São Thomas Becket
Dando continuidade a refutação sobre a origem do anglicanismo informada pelo reverendo Aldo e por nosso leitor Alex. A partir do século X, a Grã-Bretanha, juntamente com o continente europeu, sofre uma segunda invasão bárbara: a dos vikings que a devastaram. Muitos cristãos são martirizados e basta uma breve consulta sobre a sucessão dos arcebispos da Cantuária neste período para se confirmar isto. Somente com a cristianização dos povos escandinavos que o terror cessa. Os vikings tomam a Grã-Bretanha e em 1017, Canuto I (que viria a ser imperador escandinavo) é coroado rei de toda a Inglaterra. Em peregrinação à Roma (1027) colocou seu reino sob a obediência direta do Papa. Porém, não se pode afirmar que a Igreja na Inglaterra tenha sido obrigada a se submeter à Roma. Ao contrário. A Igreja na Inglaterra sempre teve que lutar pela sua liberdade frente à ingerência real. O arcebispo da Cantuária, São Thomas Becket, que lutava pela liberdade da Igreja motivado pela reforma gregoriana que visava por fim às investiduras laicas, foi martirizado no ano de 1170 pelo rei Henrique II. A liberdade da Igreja na Inglaterra só foi garantida na Carta Magna (1215).


O fundador da igreja Anglicana (chamada também de Episcopal) foi o rei inglês Henrique VIII. Este recebeu do Papa Leão X o título de "Defensor da Fé" pela sua obra "Afirmação dos Sete Sacramentos" em resposta a obra de Lutero chamada "O Cativeiro Babilônico". Todavia, em resposta à recusa da anulação de seu casamento feita pelo Papa (posteriormente Henrique VIII casou-se e descasou-se sete vezes), o Rei instigou, em fevereiro de 1531, a assembléia do clero a proclamá-lo "Chefe Supremo da Igreja na Inglaterra" o que na prática rompia a relação e a subordinação eclesiástica com a Santa Sé. Em 1532, o rei elevou à categoria de arcebispo de Cantuária (cargo mais alto da hierarquia anglicana) Thomas Cranmer que, numa viagem a Alemanha, tinha entrado em contato com o luteranismo.



A partir daí, a Igreja Anglicana afastou-se em muitos aspectos da doutrina católica, sendo muito influenciada por idéias calvinistas e luteranas. Consequentemente, muitos mosteiros foram fechados, relíquias e imagens foram destruídas. Apesar de guardar alguns aspectos da doutrina católica como os sete sacramentos e a hierarquia episcopal, nega a comunhão dos santos e a veneração à Virgem Maria. Não obstante, a hierarquia episcopal anglicana não é reconhecida pelo Vaticano, uma vez que foi reconstituída por Elisabeth I no ano de 1559, após ter sido praticamente extinta pelo rei anterior, quando nomeou um capelão dela a categoria de arcebispo de Cantuária, segundo um ritual novo chamado "Ordinal", confeccionado no reinado de Eduardo VI. (Bettencourt)

Henrique VIII
Henrique VIII desapropriou a Igreja e os católicos e os perseguiu condenando-os à morte. Inclusive seu chanceler, São Thomas More foi condenado à decapitação. As ordenações na igreja anglicana são inválidas e, portanto, se à época de Henrique VIII constituía um cisma, hoje a situação é mais grave:


“Por isto, e aderindo estritamente, neste caso, aos decretos dos pontífices, nossos predecessores, e confirmando-os mais completamente, e, como o foi, renovando-os por nossa autoridade, de nossa própria iniciativa e de conhecimento próprio, pronunciamos e declaramos que as ordenações conduzidas de acordo com o rito Anglicano foram, e são, absolutamente nulas e totalmente inválidas.” (Papa Leão XIII, Bula Apostolicae Cureae, 36 Apud. BRODBECK)


“O defeito de forma, no Ordinale eduardino, foi uma das razões mais fortes que determinou a decisão de Leão XIII contra a validez das ordenações anglicanas; defeito de forma que, como em seguida se vê, reflete um defeito de intenção. A razão que levou Leão XIII a não reconhecer como válidas – por defeito de forma – as ordenações anglicanas é substancialmente a mesma pela qual o Cardeal Legado Polo, enviado à Inglaterra nos tempos de Maria Tudor, não reconheceu como válidas as ordenações anglicanas realizadas de 1550 a 1553, sob Eduardo VI. Só quem tivesse sido ordenado antes de 1550, isto é, antes da composição do Ordinale eduardino, é que foi reconhecido como verdadeiro Bispo e como verdadeiro sacerdote tanto pelo Legado Polo como pela Rainha Maria. Quem tivesse sido ordenado segundo o Ordinale eduardino e manifestasse o desejo de ainda se dedicar à vida sacerdotal, era re-ordenado ‘de novo et absolute’. Os casos registrados são muitos, tanto antes como depois de 1704, ano em que essa disciplina foi declarada obrigatória pela Igreja Católica.” (REGINA, Prof. Giuseppe. O Anglicanismo. Panorama histórico e síntese doutrinária, São Paulo: Paulinas, 1960, p. 191, Ibidem)


Referências:

BETTENCOURT, Dom Estêvão. Apostolado Veritatis Splendor: O PROTESTANTISMO E SUA GENEALOGIA - PARTE II. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/801. Desde 02/07/2003.

BRODBECK, Rafael Vitola. Apostolado Veritatis Splendor: A SUCESSÃO APOSTÓLICA NA IGREJA ANGLICANA. A QUESTÃO DAS ORDENAÇÕES ANGLICANAS SEGUNDO LEÃO XIII. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4411. Desde 17/08/2007.


18 de jun. de 2009

As origens da igreja anglicana - Parte I

São José de Arimateia
Aproveitando o comentário do Alex e a entrevista do reverendo Aldo, desmitificarei algumas afirmações sobre o anglicanismo. De fato, provavelmente o cristianismo esteja presente nas ilhas britânicas desde os primeiros séculos de nossa era, levado pelos soldados romanos. Não sabemos se as lendas surgidas nas novelas arturianas sobre José de Arimateia ter pregado o evangelho nas ilhas britânicas tenha algum fundamento. Diz a lenda que ele fundou a primeira igreja em solo britânico, em Glastonbury Tor, aonde mais tarde surgiu uma abadia que foi fechada por Henrique VIII no ano de 1539.
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Após a queda do Império Romano no Ocidente (lembrando que a primeira província romana que os romanos perderam foi a Britânia), os anglos, saxões e jutos invadiram e devastaram a ilha, quase acabando com os cristãos que estavam ali. São Columbano e os missionários irlandeses foram quem começaram a re-evangelizar a Grã-Bretanha dividida agora em vários pequenos reinos bárbaros.
Ruínas do mosteiro de Glastonbury
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Em 596, Santo Agostinho da Cantuária e mais quarenta monges beneditinos são enviados pelo Papa São Gregório Magno para evangelizar a Angland. Graças à princesa Berta, filha do rei de Paris, cristã e esposa do rei Etelberto de Kent, Santo Agostinho teve êxito em sua missão. Funda a diocese de Cantuária e é nomeado arcebispo primaz da Inglaterra. Mais tarde, erige outras duas dioceses: Londres e Rochester. Alguns anglicanos, entre eles o reverendo Aldo, objetam que já havia cristãos na Grã-Bretanha “antes da Igreja Romana chegar” – o fato de existir cristãos em determinada região não caracteriza uma igreja independente. Jamais houve igrejas independentes (ao menos que fossem heréticas) como querem fazer crer os protestantes – e que estes foram obrigados a se submeter ao Papa.
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Como apenas quarenta monges, sem qualquer apoio militar, conseguiriam submeter uma população de cristãos, ainda que estes fossem a minoria, já que a imensa população de Grã-Bretanha do século VI era pagã? Por que não há sequer uma prova histórica mostrando que estes cristãos locais rejeitaram a missão de Santo Agostinho delegada pelo Papa?
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Santo Agostinho da Cantuária
Reverendo Aldo usa a velha tática de citar o imperador Constantino como pretenso fundador da Igreja Romana e que teria obrigado a todos os cristãos a obedecê-la. Primeiramente, Constantino não fundou igreja nenhuma. Queria ver algum documento histórico com o mínimo indício desta falácia protestante sem embasamento histórico nenhum. A Igreja católica foi fundada por Jesus Cristo sobre São Pedro e os apóstolos e continua em seus legítimos sucessores.
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“Segundamente”, Constantino não obrigou ninguém a ser cristão, muito menos católico. Quis colaborar com a ortodoxia da Igreja, se esforçando para colocar fim à heresia ariana (os anglicanos são arianos?) e, posteriormente, seus sucessores foram arianos, perseguindo, inclusive os católicos.
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O reverendo Aldo apela para a Inquisição. Se tivermos como base a época da missão de Santo Agostinho, faltava, no mínimo, “apenas” seis séculos para os tribunais da Santa Inquisição serem criados e praticamente não existiram na Inglaterra. Portanto, o anglicanismo não tem outra origem, senão em 1531, com o cisma de Henrique VIII. Por hoje é só. Não percam os próximos capítulos sobre o anglicanismo.
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Referências:
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José de Arimateia. Disponível em: <http://www.opusdei.org.br/art.php?p=16244>;. Acesso em 16 de junho de 2009.
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AQUINO, Felipe. Uma História que não é contada. 1ª Edição. Editora Cléofas. Lorena, 2008.